Delegado e investigadores são condenados após operação do MP-PR

Um delegado de polícia e três investigadores foram condenados pela Operação Regalia, do Ministério Público do Paraná. A ação foi em fevereiro deste ano, mas a condenação só saiu agora. O delegado foi condenado à pena de cinco meses de detenção por diversos crimes.

Ele teria se omitido da conduta de dois investigadores de polícia que concediam regalias a presos mediante o recebimento de propinas.

A pena foi convertida em prestação de serviços, e o delegado, que estava afastado das funções desde fevereiro de 2018, foi autorizado a voltar a trabalhar. Os dois investigadores foram condenados por crimes de corrupção passiva, um deles à pena de 14 anos e 4 meses de prisão em regime fechado, e o outro à pena de 6 anos e 8 meses de prisão, também em regime fechado. Eles estão presos desde fevereiro de 2018.

O terceiro investigador foi condenado à pena de um ano e sete meses de prisão, em regime aberto, por crime de coação no curso do processo. Os envolvidos ainda podem recorrer da decisão.

Policiais são presos após cobrar R$ 16 mil para não plantar falso flagrante

Depois de uma fuga de três quilômetros, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu quatro policiais militares em flagrante em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite desta quarta-feira (6). Eles são acusados de cobrar R$ 16 mil para não “plantar” um falso flagrante com drogas e munições na casa de um morador. Foram apreendidos três revólveres de calibre .38, munições, uma porção de entorpecentes e uma “mixa”, ferramenta usada para abrir fechaduras.

Segundo o Gaeco, a tentativa de extorsão aconteceu após uma abordagem na tarde de ontem. Os policiais revistaram o carro da vítima, não encontraram nada e exigiram o pagamento para não colocar drogas e munições na casa. O morador combinou que entregaria o dinheiro horas depois.

A vítima buscou ajuda do Ministério Público do Paraná, relatando o fato à 1ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, que acionou as equipes do Gaeco.

O Gaeco foi acionado e ficou de vigilância durante o encontro entre o cidadão e os policiais, mas só agiu após a saída do popular. No momento da abordagem, os policiais fugiram e passaram a ser perseguidos de carro.

Entretanto, o procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, detalhou que o dinheiro não foi recuperado. “Pela lógica dos acontecimentos, ele tenha sido jogado pelos policiais porque a vítima assegura que tinha deixado mais de R$ 1.000,00 embaixo do tapete do carro. Inclusive, a equipe do Gaeco verificou que um dos policiais chegou a se agachar no veículo para pegar alguma coisa”, declarou.

O auto de prisão em flagrante foi lavrado na presença de oficial do 17º Batalhão da Polícia Militar, onde são lotados os quatro policiais.

A Polícia Militar encaminhou uma nota por meio da assessoria de imprensa e explicou que participou efetivamente das prisões e que, caso seja comprovada alguma irregularidade, os policiais responderão. “Os soldados estão à disposição do GAECO e das investigações e a PM vai colaborar para o esclarecimento dos fatos.A Polícia Militar lembra que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes. Se comprovada alguma irregularidade as medidas de expurgo e saneamento serão tomadas pela Corregedoria Geral da PM no rigor da lei e os envolvidos responsabilizadas administrativa e criminalmente”.

Gaeco e PM cumprem mandados em investigação que apura mortes e incêndio na Vila Corbélia

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná cumprem dez mandados de busca e apreensão em Curitiba, Campo Largo, Guaratuba e Piraquara, na manhã desta sexta-feira (18) em investigação que apura as mortes ocorridas em 6 e 7 de dezembro de 2018 na Vila Corbélia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e o incêndio que destruiu centenas de moradias.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), oito mandados foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, a pedido do Gaeco, e outros dois pela Vara da Auditoria Militar, a pedido da Corregedoria da PM.

Segundo o coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, uma tentativa de homicídio também faz parte das investigações. “Houve a morte de um policial militar e na sequência dois outros mortos e um motorista de aplicativo acabou sofrendo disparos, praticamente uma tentativa de homicídio”, lembra.

“Nós estamos cumprindo esses mandados junto com a Corregedoria da Polícia Militar que tem um Inquérito Policial Militar para verificar as transgressões de caratér militar dos policiais. Na parte do Gaeco, as investigações são sobre os homicídios e sobre os incêndio que atingiu vários barracos”, comenta Batisti.

O caso

A Polícia Militar, o Ministério Público do Paraná e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa apuram as circunstâncias dos três assassinatos e de um incêndio que destruiu as casas da Vila Corbélia. Até o momento, não há qualquer confirmação sobre o motivo do incêndio e ninguém foi responsabilizado.

O policial militar Erick Nório, do 23º Batalhão, foi atingido por tiros ao chegar na comunidade para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. Na mesma noite, a vila foi incendiada. Moradores acusam a PM de represália. Por sua vez, a PM convocou coletiva de imprensa e atribuiu o incêndio a uma ação do “crime organizado” e rebateu a acusação.

Dias depois, após a divulgação de vídeos, a PM confirmou que os homens que aparecem atirando horas antes do início do incêndio no local pertencem à corporação. As imagens mostraram dois homens utilizando coletes à prova de bala da PM descendo de um carro branco e atirando à esmo, sem um alvo definido, em direção às casas da comunidade.

Ao Intercept, moradores relataram terem sido torturados e testemunharam policiais consumindo cocaína e espalhando gasolina sobre casas momentos antes do início do fogo.

Reconstrução

As famílias seguem desabrigadas, parte está em organizações sociais ou foi para a casa de parentes e amigos. Ainda em dezembro, o prefeito Rafael Greca anunciou que as famílias receberiam aluguel social por seis meses.

Antes do Natal, no dia 22 e 23 de dezembro, a TETO reconstruiu 21 residências na comunidade com mão de obra voluntária. A meta é construir 150 casas, cada uma tem o custo aproximado de R$ 5 mil. Para dar continuidade ao processo, a organização lançou uma vaquinha online que já arrecadou pouco mais de R$ 110 mil mas que ainda está longe de atingir o necessário para garantir a reconstrução de todas as moradias. A meta é R$ 775 mil.

Segundo a organização, a ação na Vila Corbélia é a maior desde o início de sua atuação no Brasil, há mais de 10 anos.

Foto: Divulgação / TETO

“Queremos dar um alento para essas famílias que perderam tudo no fogo. Muitas dessas casas destruídas pelo fogo, inclusive, tinham sido construídas pelo TETO no mês de julho de 2018. Conhecemos muito bem as famílias, o que nos deixou ainda mais chocados e preocupados com tudo o que aconteceu. Temos que agir rápido e adiantar nossos processos para que essas pessoas voltem a sorrir o quanto antes. Para isso, precisamos muito da ajuda de todos os brasileiros”, comenta Lucas Kogut, gestor da divisão paranaense do TETO.

A próxima etapa de reconstrução das casas está prevista para acontecer em fevereiro e a seleção das famílias prioritárias para construção das casas segue critérios de urgência.

Número de mortes em confrontos policiais cresceu 18,9% no Paraná

Com informações do MP-PR

O número de em confrontos com policiais cresceu 18,9% entre 2017 e 2018, segundo dados divulgados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Uma das atribuições da unidade do Ministério Público do Paraná é o controle externo da atividade policial.

Durante todo o ano de 2018, foram 327 mortes, 52 a mais do que em 2017.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17) e também mostram que, no segundo semestre de 2018, houve 148 mortes nestas situações, o que representa um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior (131 casos).

Entre essas mortes, 141 aconteceram em confronto com policiais militares e sete em confrontos com policiais civis. Não houve mortes em enfrentamentos com as Guardas Municipais.

No ano todo, 312 mortes aconteceram em confrontos com policiais militares, 12 em confrontos com policiais civis e três com guardas municipais.

Mortes em confrontos com policiais (por semestre) – 2015 a 2018

Mortes em confrontos com policiais em 2018 (mês a mês)

Cidades com maior número de mortes em confrontos com policiais em 2018

Violência bate recorde

O Brasil teve um aumento significativo no número de mortes, somando 63.880 casos, em 2017. Ao mesmo tempo, a letalidade policial cresceu 20% em um ano. Foram 5.144 pessoas mortas por policiais em serviço ou de folga em 2017.

Os dados fazem parte da 29ª edição do Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira (16) pela Human Rights Watch (HRW). São estudados os dados de mais de 90 países para a elaboração do documento.

Mortes violentas batem recorde no Brasil; letalidade policial aumentou 20%

Com informações do Humam Rights Watch

O Brasil teve um aumento significativo no número de mortes, somando 63.880 casos, em 2017. Ao mesmo tempo, a letalidade policial cresceu 20% em um ano. Foram 5.144 pessoas mortas por policiais em serviço ou de folga em 2017.

Os dados fazem parte da 29ª edição do Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira (17) pela Human Rights Watch (HRW). São estudados os dados de mais de 90 países para a elaboração do documento.

No caso brasileiro, o relatório chama a atenção para a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), em outubro do ano passado, “um membro do Congresso Nacional que endossou a prática de tortura e outros abusos, e fez declarações abertamente racistas, homofóbicas e misóginas”. Segundo o documento, a violência política e as ameaças contra jornalistas marcaram as eleições.

O relatório ressalta o crescimento da violência e o baixo índice de solução dos casos, por parte da polícia. Ainda segundo a ONG, as execuções extrajudiciais cometidas pela polícia aumentam os índices de homicídios e a falta de controle das prisões, por parte do Estado, facilita o recrutamento de novos membros por facções criminosas.

Segurança Pública 

De acordo com o relatório, um estudo conduzido por criminologistas e jornalistas estima que o Ministério Público tenha apresentado denúncia em apenas dois em cada dez casos de homicídio no Brasil.

“Abusos cometidos pela polícia, incluindo execuções extrajudiciais, contribuem para um ciclo de violência que prejudica a segurança pública e coloca em risco a vida de policiais e civis”, afirma o documento.

Dados de fontes oficiais compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 367 policiais em serviço e de folga foram mortos em 2017, conforme as últimas informações disponíveis. Policiais em serviço e fora de serviço mataram 5.144 pessoas em 2017, 20% a mais do que em 2016.

Enquanto alguns homicídios cometidos pela polícia ocorrem em legítima defesa, relatórios da Human Rights Watch e de outras organizações mostram que outros são execuções extrajudiciais. Em São Paulo, em 2017, houve uso excessivo da força policial em três quartos dos casos, por vezes vezes contra pessoas desarmadas.

Uma lei de 2017 transferiu da justiça comum para a justiça militar o julgamento de membros das forças armadas acusados de cometerem execuções extrajudiciais contra civis. A lei também transferiu o julgamento de policiais militares acusados de tortura e outros crimes para a justiça militar, embora os homicídios cometidos por eles permaneçam na jurisdição civil.

“Isso significa que as forças armadas e a polícia militar investigam seus próprios integrantes quando acusados de cometer crimes. De acordo com as normas internacionais, execuções extrajudiciais e outras graves violações de direitos humanos cometidas pela polícia e por militares das Forças Armadas devem ser investigadas por autoridades civis e julgadas em tribunais civis”, diz a ONG.

Menos de um mês após a promulgação da lei, oito pessoas foram mortas durante uma operação conjunta da polícia civil e do exército na área metropolitana do Rio de Janeiro. Até o momento de elaboração do relatório, nem os investigadores das forças armadas nem os procuradores da justiça militar haviam entrevistado testemunhas civis.

Em fevereiro, o então presidente Michel Temer transferiu às Forças Armadas a responsabilidade pela segurança pública e pelo sistema carcerário no estado do Rio de Janeiro até dezembro de 2018, e declarou como objetivo melhorar a segurança dos cidadãos. No entanto, de março a outubro, a letalidade violenta aumentou 2% no estado do Rio de Janeiro, enquanto os homicídios cometidos pela polícia aumentaram 44%, em comparação com o mesmo período de 2017.

Entre as vítimas de homicídio no Rio, a ONG destaca a vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes, mortos em março. Até o momento, a polícia não fez prisões relativas ao caso.

Condições carcerárias

Em junho de 2016, mais de 726 mil adultos estavam presos em um sistema carcerário que tem capacidade para metade metade desse número, segundo dados do Ministério da Justiça. O governo federal estimava que, até o final de 2018 haveria, quase 842 mil presos.

A superlotação e a falta de pessoal dificultam o controle das prisões por parte do Estado, deixando esses locais à mercê das facções, que recrutam presos vulneráveis.

Menos de 15% dos presos têm acesso a oportunidades educacionais ou de trabalho, e os serviços de saúde são frequentemente deficientes.

A Defensoria Pública do Rio informou que, somente naquele estado, 266 pessoas morreram nos presídios em 2017, a maioria devido a condições tratáveis, como diabetes, hipertensão ou doenças respiratórias. “Muitas pessoas que aguardam julgamento são rotineiramente detidas nas mesmas celas que presos condenados, violando os padrões internacionais e a legislação brasileira”, diz a ONG.

O Conselho Nacional de Justiça determinou que, até maio de 2016, todos os detidos deveriam ser levados dentro de 24 horas após a prisão para uma audiência, a fim de determinar se devem permanecer em prisão preventiva ou aguardar o julgamento em liberdade.

Porém, em mais de dois anos, as audiências ainda são pouco aplicadas e apresentam problemas, como a permanência dos policiais que efetuaram a prisão no recinto, o que pode intimidar presos que sofreram abusos – apenas 5% relataram essas situações as audiências. Sem as audiências, muitas pessoas ficam meses presas antes de ver um juiz.

Meio ambiente e terras

Em 2017, 71 pessoas envolvidas em conflitos de terra morreram de forma violenta, o maior número desde 2003, informou a Comissão Pastoral da Terra da Igreja Católica.

Em março, o então presidente Temer editou três decretos implementando uma lei federal de 2017 que concederia títulos a pessoas ocupando terras de maneira ilegal. Organizações ambientais, do campo e de sem terra argumentam que a lei beneficia grandes proprietários de terra e madeireiros ilegais.

A Procuradoria-Geral da República alertou que poderia aumentar o número de mortes como resultado de conflitos de terra. Três ações pendentes no Supremo Tribunal pedem que seja declarada a inconstitucionalidade desta lei.

PM confirma afastamento de policiais envolvidos na morte de Ruhan

O Coronel Antônio Zanatta, chefe de Estado Maior da Polícia Militar, confirmou o afastamento dos policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte do estudante Ruhan Luiz Machado, de 20 anos, na última segunda-feira (22), no bairro Cajuru, em Curitiba.

Em coletiva, Zanatta explicou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto paralelamente às investigações da Polícia Civil e que a PM não compactua com desvios de conduta de policiais.

“Nós não compactuamos com desvios de conduta da nossa tropa. Estamos agindo de forma muito firme e transparente, abrindo um inquérito policial militar para ouvir todas as partes envolvidas e no fim desse inquérito poderemos saber quais foram as atitudes dos policiais militares e das testemunhas. Eles estão afastados do serviço operacional”, explica o coronel. Além do afastamento, os policiais serão submetidos a exames psicológicos, como já é de praxe nessas situações.

A família do jovem defende a tese de que a vítima foi executada pelos policiais com, pelo menos, cinco tiros na cabeça na casa de um primo e que ele não teria envolvimento com drogas e armas. Na versão da PM, os policiais estariam em diligência pela região em que um corpo foi encontrado, abordaram jovens em uma casa e afirmam que ele chegou a atirar contra a equipe.

Segundo a mãe de Ruhan, Suzete Zaira dos Santos, os policiais não deixaram que familiares reconhecessem o corpo da vítima e que a cena foi forjada pelos policiais.

“Entraram atirando. Acertaram meu filho no primeiro tiro. Eles precisaram forjar para explicar o porque entraram atirando. Foi ai que começou a criação desse cenário… drogas e arma que não foram apresentadas para imprensa e que segundo eles foram encontradas na casa. Não permitiram que a família entrasse no local nem para reconhecer o corpo do meu filho”, diz a mãe.

‘Polícia forjou uma cena e o executou com cinco tiros na cabeça’, diz familiar de jovem morto em Curitiba
Familiares de jovem morto pela PM queimam ônibus e voltam a fechar ruas
> Polícia Civil instaura inquérito para investigar caso de jovem morto pela PM

A tia de Ruhan, Jucelene Zoara, afirma que o sobrinho gritou por socorro. Ela afirma que a família se mobilizou rapidamente para saber o que estava acontecendo. “Eles deram um tiro na perna do Ruhan e deixaram ele agonizando e depois deram mais cinco tiros na cabeça. Não chamaram socorro. Não permitiram que a família entrasse para socorrer. No primeiro tiro, o pai e a irmã que moram ali do lado, colados praticamente, ouviram os gritos do Ruhan. Ele disse ‘meu CPF é tal, meu RG é tal, a minha tia mora aqui do lado’ e a polícia o executou. Não houve abordagem. Não houve confronto”, afirma.

Ruhan não tem antecedentes criminais. De acordo com a família, ele trabalhava com o pai em uma construtora, havia passado no vestibular para o curso de Direito, mas não tinha como pagar, mesmo tendo conseguido bolsa de 50% desconto. Tinha planos para tentar a bolsa de 100% a partir do próximo Enem. A tia conta que o rapaz tinha acabado de passar em casa antes de morrer.

Sobre os disparos na cabeça, o Coronel Antônio Zanatta afirmou que não vai se manifestar para não prejudicar a realização do inquérito policial militar.

Gaeco denuncia cinco policiais rodoviários estaduais por cobrança de propina

O núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, apresentou uma denúncia contra cinco policiais rodoviários estaduais que teriam cobrado propina de motoristas para liberação de automóveis com irregularidades.

Eles respondem por concussão e prevaricação.

Os policiais foram investigados na Operação Via Calma, deflagrada em dezembro do ano passado.

A partir de notícia anônima encaminhada ao Gaeco, o órgão passou a acompanhar as diligências realizadas pelos policiais que teriam por hábito a montagem de operações de bloqueio em determinadas vias na região metropolitana de Curitiba, com o objetivo de cobrar as propinas.

As principais abordagens acompanhadas pelos investigadores foram realizadas no município de Almirante Tamandaré e Quatro Barras, de acordo com o promotor de Justiça do caso, Deonilson Soares de Almeida.

De acordo com o Gaeco, os policiais abordavam veículos em situação irregular (com débitos pendentes no Detran, falta de documentação ou multas de trânsito não pagas) para liberá-los após o pagamento de propina. “Foram verificadas várias situações irregulares dos nossos policiais, posteriormente verificado que os veículos estavam com débitos e situações que justificavam a apreensão dos veículos, que eram liberados pelos policiais”, afirmou o promotor.

Os condutores dos veículos abordados foram procurados e ouvidos. “Algumas dessas pessoas confirmaram que efetivamente foi exigido pagamento de dinheiro”, afirmou.

‘Polícia forjou uma cena e o executou com cinco tiros na cabeça’, diz familiar de jovem morto em Curitiba

A família de Ruhan Luiz Machado, de 20 anos, morto a tiros por policiais militares na última segunda-feira (22) à noite pede que o caso seja tratado como execução. O corpo do jovem é velado nesta quarta-feira na Igreja Fonte da Vida, no bairro Capão da Imbuia. O enterro deve acontecer à tarde, no Cemitério São Roque. Inconformados com a morte do rapaz, familiares e moradores do Cajuru fizeram um protesto na terça-feira no fim da tarde. Manifestantes dispararam rojões, atearam fogo em pneus, apedrejaram um ônibus e jogaram pedras na polícia. As dezenas de pessoas foram alvos de disparos de bombas de gás e tiros de bala de borracha.

Familiares e amigos protestam contra morte de jovem pela PM

De acordo com a família, o jovem foi executado com cinco tiros na cabeça depois de ter sido imobilizado com um tiro na perna. ‎Stefhany Machado‎ conta que ouviu os tiros que mataram o irmão.

“Eu estava vindo na rua e vi as viaturas passando e virando na esquina do meu primo e falei ‘meu irmão está ali’. Nisso ouvi um tiro e a voz dele. […] Primeiro a gente ouviu um e depois mais cinco. Todos foram na cabeça. Ele está com cinco tiros na cabeça”, conta.

A tia, Jucelene Zoara, afirma que o sobrinho gritou por socorro. Ela afirma que a família se mobilizou rapidamente para saber o que estava acontecendo. “Eles deram um tiro na perna do Ruhan e deixaram ele agonizando e depois deram mais cinco tiros na cabeça. Não chamaram socorro. Não permitiram que a família entrasse para socorrer. No primeiro tiro, o pai e a irmã que moram ali do lado, colados praticamente, ouviram os gritos do Ruhan. Ele disse ‘meu CPF é tal, meu RG é tal, a minha tia mora aqui do lado’ e a polícia o executou. Não houve abordagem. Não houve confronto”, afirma.

Ruhan não tem antecedentes criminais. De acordo com a família, ele trabalhava com o pai em uma construtora, havia passado no vestibular para o curso de Direito, mas não tinha como pagar, mesmo tendo conseguido bolsa de 50% desconto. Tinha planos para tentar a bolsa de 100% a partir do próximo Enem. A tia conta que o rapaz tinha acabado de passar em casa antes de morrer.

“Nós estamos falando de um menino que nasceu e mora no mesmo lugar há 20 anos. Era um menino que era conhecido por toda a comunidade e que entrava e saia de todas as casas porque era amado e querido. Estamos falando de um menino que andava de ônibus então como assim ‘armado’? A polícia forjou uma cena”, afirma Jucelene.

Segundo a família de Ruhan, havia cinco jovens na casa quando a polícia chegou. A PM ainda não confirmou essa informação. Em nota preliminar, a corporação informou que os policiais que participaram da ação estão lotados no 20º Batalhão da PM e que, como de praxe, diz a nota, “em toda ocorrência em que há emprego de arma de fogo e pessoas feridas ou em óbito, será analisada por meio de um procedimento interno a fim de verificar todas as circunstâncias do fato e a responsabilidade dos envolvidos”.

Por telefone, a assessoria da PM afirma que um revólver calibre 38 foi apreendido na residência. A família nega. Alguns veículos de comunicação relataram que os policiais apreenderam maconha na casa. Para a tia de Ruhan, mesmo que seja verdade, não justificaria a ação.

“Eu não estaria dando a cara para bater sem ter a plena certeza de quem é o Ruhan. A gente não vai deixar eles mancharem o caráter e a índole desse menino. Não tinha arma. O que a gente sabe é que tinha cinco meninos no local. Dois a polícia levou para averiguar, um a polícia matou e os outros dois saíram apavorados e conseguiram fugir”, diz a tia da vítima.

A reportagem questionou a Polícia Militar e aguarda retorno com informações relevantes do caso. Foi questionado quantos policiais participaram da ação; o que motivou a entrada da polícia na residência; se havia alguém armado e quem era; se o rapaz morreu de fato com “cinco tiros na cabeça” depois de ser baleado na perna, como sustenta a família; se os policiais suspeitos de execução continuam em atividade; e qual o prazo para conclusão de eventual investigação. A assessoria informou por telefone que vai levantar todas as informações e que apenas o laudo do Instituto Médico Legal, que ainda não está pronto, pode confirmar quantos tiros atingiram o rapaz. As informações sobre quem disparou os tiros serão investigadas pela Polícia Civil.

O delegado Cassio Conceição, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, participou da perícia no local e recolheu as provas. O caso foi encaminhado para a Central de Flagrantes e depois para o sexto Distrito Policial. Ormínio de Paula Lima Neto é o delegado responsável pelo inquérito. Ele ainda não quer falar sobre o assunto, pois acabou de receber as informações. A PM afirmou na nota prévia que a família pode formalizar as reclamações do atendimento da PM junto a Corregedoria-Geral da Polícia Militar. A família informou que já fez o procedimento.

Policial suspeito de matar Renata Larissa e estuprar 12 tem prisão convertida em preventiva

A Justiça converteu a prisão temporária do policial militar Peterson Mota Cordeiro, de 30 anos, em preventiva, quando não há prazo para liberdade, nesta quinta-feira (9). Ele é suspeito de causar a morte da jovem Renata Larissa dos Santos, de 22 anos, e suspeito de ter cometido pelo menos 12 estupros na região de Curitiba.

> PM que suspeito de matar Renata fazia imagens de estupros cometidos no PR
Chega a 12 o número de vítimas de estupro do policial acusado de matar Renata

“Com a confirmação da autoria, foi confirmada a prisão preventiva. […] Já temos mais de uma dezena de vítimas que nos procuraram depois que o caso veio a tona e [os crimes] estão sendo apurados. Temos três indiciamentos dele por crimes sexuais”, conta a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk, responsável pelo caso.

Peterson está preso no Quartel da Polícia Militar. Segundo a delegada, a transferência para uma cela do Departamento Penitenciário do Paraná deve ocorrer somente após o desligamento do soldado da corporação.

Caso

Renata Larissa desapareceu no dia 27 de maio, após sair de casa dizendo que ia à farmácia, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. No último dia 20 de julho, o policial militar foi preso suspeito de estupro de outras mulheres. Depois da polícia encontrar fotos e vídeos nos equipamentos eletrônicos dele e cruzar as informações do desaparecimento da jovem, foi que se chegou a conclusão de que ele seria o responsável pelo sumiço de Larissa.

O corpo de Renata foi encontrado na última quarta-feira (01), às margens da BR-376, em São José dos Pinhais. O corpo estava em avançado estado de decomposição e mesmo assim, foi identificado rapidamente no Instituto Médico Legal.

No mesmo dia, o policial foi levado para prestar depoimento na Delegacia da Mulher, mas preferiu ficar em silêncio. O homem já foi denunciado por outros estupros e vai responder pelo crime que envolve Renata Larissa. Ele segue preso, desde o último dia 20.

Investigação

A delegada Eliete Kovaluk, da Delegacia da Mulher de Curitiba, disse na última quinta-feira (2), que o policial apresenta ser uma pessoa violenta. Um dos boletins de ocorrência descreve que, enquanto abusava de uma das vítimas, ele pedia para a mesma dizer, por várias vezes, que ‘estava sendo estuprada’. “Pela conduta que ele apresentou, ele é uma pessoa muito fria. Ele nega o crime e admite que houve a relação, mas em uma situação de dominação dele sobre as mulheres”, contou.

Cordeiro teve equipamentos eletrônicos apreendidos pela polícia. As equipes encontraram diversos vídeos e fotos das vítimas de estupro. “A partir da análise desses dados a gente verificou que existem várias outras vítimas, porque ele registrava filmando e fotografando. Ele obrigava as vítimas a falarem o nome e a idade”, descreveu.

Conforme as investigações, a maioria dos estupros foi cometida nas redondezas do Zoológico, no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba. A delegada contou que o primeiro caso foi registrado em outubro do ano passado. “Foi um caso isolado. A vítima era conhecida, relatou o crime. Ele negou, mas mesmo assim foi indiciado”, explicou.

Após isso, Cordeiro voltou a agir no início deste ano. “O segundo caso aconteceu neste ano. A vítima não tinha maiores dados dele, só falou que conheceu pela rede social. Com nosso trabalho de equipe ligamos os dois casos, até pelas características dadas pela vítima”, ressaltou.

O policial atraia as vítimas por meio das redes sociais. Segundo a delegada, a abordagem era amistosa e fazia com que a mulher confiasse no suspeito. “A vítima ia por vontade própria ao encontro dele, pela forma como ele abordava pelas redes sociais, ele procurava ganhar a confiança da vítima, se mostrando ser uma boa pessoa, de boa índole. Ia buscar as vítimas em casa”, disse.

A polícia ainda não sabe dizer se o crime acontecia no primeiro encontro. Além disso, nos depoimentos Cordeiro nega ter cometido os estupros e diz que as relações sexuais foram consentidas. “Na cabeça dele, ele acredita que não cometeu o crime, contudo ele não aceitava o fim do consentimento da vítima. Se de alguma forma a vítima se negava, ele partia para o lado mais violento”, contou a delegada.

A delegada afirmou que ainda não é possível precisar o número de vítimas. “Nós não precisamos esse número ainda, justamente porque estamos em fase de levantamento, mas são várias. Hoje tivemos uma vítima que relatou que teve um encontro com ele uma semana depois do sumiço de Larissa, ele demonstrou estar bastante nervoso, mas de alguma forma ele a poupou”, afirmou.

“Na verdade nós chegamos nessa investigação por acaso. Nós estamos investigando vários casos de estupro na delegacia da mulher. A gente focou nos sinais particulares que as vítimas apresentavam, no caso dela foram as tatuagens. Nós então cruzamos os dados do desaparecimento da Larissa e a partir das fotos fizemos o mapeamento do local, com georreferenciamento dos celulares”, contou a delegada Eliete Kovaluk.

A delegada diz que as investigações apontam que Larissa morreu, porque apresentou resistência. “A gente acredita que a intenção dele não era de matá-la, porque as outras vítimas saíram ilesas no sentido de que ele deixou elas voltarem para casa. A gente acredita que ela de alguma forma ofereceu alguma reação”, afirmou.

Dois inquéritos contra Cordeiro já estavam em andamento, nos dois casos ele foi indiciado por estupro. Agora, no caso de Larissa, o policial deve responder por estupro, homicídio qualificado pela impossibilidade da vítima, ocultação do crime e feminicídio. Cordeiro está preso temporariamente, mas já teve a prisão preventiva solicitada.

A delegada pede para que as mulheres que se relacionaram com Cordeiro e se sentiram obrigadas a manter relação sem consentimento procurem a delegacia e façam a denúncia.

Família se despede de Renata Larissa e espera encontrar justiça

O enterro da jovem Renata Larissa dos Santos acontece na tarde desta sexta-feira (3), no Cemitério Municipal Santa Cândida, em Curitiba. Ela estava desaparecida desde o dia 27 de maio e teve o corpo identificado pelo Instituto Médico-Legal na tarde de ontem. O principal suspeito de ter assassinado a jovem é o policial militar Peterson Mota Cordeiro, de 30 anos, que está preso e já foi indiciado por dois estupros. As causas da morte da jovem ainda são investigadas.

> PM que suspeito de matar Renata fazia imagens de estupros cometidos no PR
> Policial militar suspeito pela morte de Renata Larissa é investigado por pelo menos seis estupros

Segundo o irmão da vítima, Ramon dos Santos, apesar da tristeza da morte de Renata, a família está aliviada por dar fim há mais de dois meses de angústia.

“Não é a forma que gostaríamos que fosse, queríamos ter encontrado ela com vida, mas infelizmente não é o caso. A gente só tem a agradecer a toda a equipe envolvida e que deu o máximo de dedicação para resolver o caso”, diz Ramon.

Agora, a família da jovem diz confiar nos investigadores e aguardar a justiça. “Eu sou uma pessoa centrada e sei que não adianta fazer justiça com as próprias mãos. Quem vai fazer isso é a própria Justiça. Quem vai determinar e buscar isso é a polícia e os investigadores”, afirma.

Desaparecimento

Renata Larissa desapareceu no dia 27 de maio, após sair de casa dizendo que ia à farmácia, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. No último dia 20 de julho, o policial militar foi preso suspeito de estupro de outras mulheres. Depois da polícia encontrar fotos e vídeos nos equipamentos eletrônicos dele e cruzar as informações do desaparecimento da jovem, foi que se chegou a conclusão de que ele seria o responsável pelo sumiço de Larissa.

O corpo de Renata foi encontrado na última quarta-feira (01), às margens da BR-376, em São José dos Pinhais. O corpo estava em avançado estado de decomposição e mesmo assim, foi identificado rapidamente no Instituto Médico Legal.

No mesmo dia, o policial foi levado para prestar depoimento na Delegacia da Mulher, mas preferiu ficar em silêncio. O homem já foi denunciado por outros estupros e vai responder pelo crime que envolve Renata Larissa. Ele segue preso, desde o último dia 20.

Investigação

A delegada Eliete Kovaluk, da Delegacia da Mulher de Curitiba, disse nesta quinta-feira (2), que o policial apresenta ser uma pessoa violenta. Um dos boletins de ocorrência descreve que, enquanto abusava de uma das vítimas, ele pedia para a mesma dizer, por várias vezes, que ‘estava sendo estuprada’. “Pela conduta que ele apresentou, ele é uma pessoa muito fria. Ele nega o crime e admite que houve a relação, mas em uma situação de dominação dele sobre as mulheres”, contou.

Foto: Reprodução Facebook

Cordeiro teve equipamentos eletrônicos apreendidos pela polícia. As equipes encontraram diversos vídeos e fotos das vítimas de estupro. “A partir da análise desses dados a gente verificou que existem várias outras vítimas, porque ele registrava filmando e fotografando. Ele obrigava as vítimas a falarem o nome e a idade”, descreveu.

Conforme as investigações, a maioria dos estupros foi cometida nas redondezas do Zoológico, no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba. A delegada contou que o primeiro caso foi registrado em outubro do ano passado. “Foi um caso isolado. A vítima era conhecida, relatou o crime. Ele negou, mas mesmo assim foi indiciado”, explicou.

Após isso, Cordeiro voltou a agir no início deste ano. “O segundo caso aconteceu neste ano. A vítima não tinha maiores dados dele, só falou que conheceu pela rede social. Com nosso trabalho de equipe ligamos os dois casos, até pelas características dadas pela vítima”, ressaltou.

O policial atraia as vítimas por meio das redes sociais. Segundo a delegada, a abordagem era amistosa e fazia com que a mulher confiasse no suspeito. “A vítima ia por vontade própria ao encontro dele, pela forma como ele abordava pelas redes sociais, ele procurava ganhar a confiança da vítima, se mostrando ser uma boa pessoa, de boa índole. Ia buscar as vítimas em casa”, disse.

A polícia ainda não sabe dizer se o crime acontecia no primeiro encontro. Além disso, nos depoimentos Cordeiro nega ter cometido os estupros e diz que as relações sexuais foram consentidas. “Na cabeça dele, ele acredita que não cometeu o crime, contudo ele não aceitava o fim do consentimento da vítima. Se de alguma forma a vítima se negava, ele partia para o lado mais violento”, contou a delegada.

A delegada afirmou que ainda não é possível precisar o número de vítimas. “Nós não precisamos esse número ainda, justamente porque estamos em fase de levantamento, mas são várias. Hoje tivemos uma vítima que relatou que teve um encontro com ele uma semana depois do sumiço de Larissa, ele demonstrou estar bastante nervoso, mas de alguma forma ele a poupou”, afirmou.

“Na verdade nós chegamos nessa investigação por acaso. Nós estamos investigando vários casos de estupro na delegacia da mulher. A gente focou nos sinais particulares que as vítimas apresentavam, no caso dela foram as tatuagens. Nós então cruzamos os dados do desaparecimento da Larissa e a partir das fotos fizemos o mapeamento do local, com georreferenciamento dos celulares”, contou a delegada Eliete Kovaluk.

A delegada diz que as investigações apontam que Larissa morreu, porque apresentou resistência. “A gente acredita que a intenção dele não era de matá-la, porque as outras vítimas saíram ilesas no sentido de que ele deixou elas voltarem para casa. A gente acredita que ela de alguma forma ofereceu alguma reação”, afirmou.

Dois inquéritos contra Cordeiro já estavam em andamento, nos dois casos ele foi indiciado por estupro. Agora, no caso de Larissa, o policial deve responder por estupro, homicídio qualificado pela impossibilidade da vítima, ocultação do crime e feminicídio. Cordeiro está preso temporariamente, mas já teve a prisão preventiva solicitada.

A delegada pede para que as mulheres que se relacionaram com Cordeiro e se sentiram obrigadas a manter relação sem consentimento procurem a delegacia e façam a denúncia.