Caso Daniela: Justiça marca interrogatório de acusado de matar esposa a facadas

O interrogatório de Emerson Bezerra da Silva, acusado de assassinar a esposa Daniela Eduarda Alves a facadas na madrugada de 14 de janeiro, está marcado para o dia 4 de abril. A morte de Daniela ganhou repercussão depois que uma série de gravações de ligações de vizinhos que alertaram a Polícia Militar (PM) sobre agressões, gritos e pedidos de socorro foram anexadas ao processo.

Vizinhos chamaram polícia oito vezes antes de mulher ser morta por marido no PR; OUÇA
PM nega erro no caso de mulher assassinada após demora da polícia para atender ligações de vizinhos

Segundo a investigação, as agressões teriam começado por volta das 23 horas mas a viatura da PM chegou ao local somente às 2h20. A vítima já estava morta há 20 minutos. Emerson foi preso horas depois.

Suspeito de matar companheira a facadas será indiciado por feminicídio

O advogado que representa a família da vítima, Ygor Nasser, disse que a PM errou ao tratar a ocorrência como uma situação particular e ressaltou que a alteração de protocolo de identificação de ocorrências já deveria ter sido implementada pela corporação. Ygor Nasser reforçou ainda que Daniela foi vítima de um serviço público precário. Depois da repercussão do caso, a PM afirmou que vai mudar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias nas ligações feitas para os atendentes da Central de Operações Policiais Militares

“Uma mudança que vem a calhar para que outras pessoas não passem o que Daniela passou. Infelizmente, a Daniela foi vítima de um serviço público precário que deixou de priorizar o atendimento dela por circunstâncias alheias que não sabemos. Quem sabe esse caso seja um exemplo para mudar”, diz o advogado.

Mesmo com a mudança, a PM entende que não houve erro no procedimento aplicado no caso. Logo após a divulgação das gravações, o tenente coronel da PM, Manoel Jorge dos Santos Neto, afirmou que a chamada “grade de prioridades” das ligações vai ser alterada. Segundo o tenente coronel, a quantidade de telefonemas para um mesmo caso vai ser um dos fatores que agora vai ser analisado.

O advogado Luis Gustavo Janiszewski, que representa o marido acusado de matar a mulher, lembra que o processo está em segredo de justiça e as gravações foram vazadas para atender algum interesse. Ele avalia que os áudios reforçam a tese de que não houve um crime premeditado. O advogado também defende que as pessoas que entraram em contato com a polícia naquela noite sejam identificadas e submetidas ao contraditório.

De acordo com o advogado Ygor Nasser, o réu tinha histórico de violência e já havia agredido a vítima anteriormente. No entanto, Daniela não chegou a fazer boletim de ocorrência por acreditar que se tratava de um episódio isolado.

Uma das linhas centrais da defesa é a de desqualificar a tese de feminicídio. O advogado Luis Gustavo Janiszewski sustenta que deve ser esclarecido se o homicídio foi consequência de uma ‘violenta emoção’, após uma discussão entre o marido e a mulher. Para a defesa do réu, houve um desentendimento, que se acalorou e acabou com a morte da esposa. O advogado nega que o marido já tivesse agredido a esposa em outras oportunidades.

“Não existia essa antecedência de violência doméstica. Emerson nunca foi um ‘machão’ ou algo desse gênero. Ele respeitava e coabitava com a Daniela. Lógico, ela é vítima, e ninguém quer isentar a responsabilidade de Emerson, ele vai ser processado e condenado na medida de sua culpabilidade. O que a defesa não pode permitir é que fofocas, sem contraditório, sem documento e sem elementos”, diz Janiszewski

Durante a audiência de instrução, no dia 04 de abril, antes do réu, devem ser ouvidas as testemunhas de defesa e de acusação, entre elas, a mãe, o padrasto e a irmã da vítima e dois policias militares que atenderam a ocorrência no dia do crime. Emerson Bezerra está preso preventivamente por homicídio triplamente qualificado.

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o crime foi por motivo torpe, através de meio cruel e dificultou a reação da vítima.

Vizinhos chamaram polícia oito vezes antes de mulher ser morta por marido no PR

Na madrugada de 14 de janeiro, Daniela Eduarda Alves foi morta a facadas pelo marido Emerson Bezerra, 34 anos, em Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba. Gravações telefônicas revelam que vizinhos acionaram a Polícia Militar (PM) diversas vezes para denunciar as agressões e os pedidos de socorro da vítima.

Segundo a investigação, as agressões teriam começado por volta das 23 horas mas a viatura da PM chegou ao local somente às 2h20. A vítima já estava morta há 20 minutos. Emerson foi preso horas depois.

Suspeito de matar companheira a facadas será indiciado por feminicídio

Nas gravações, solicitadas e anexadas ao processo pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), moradores relatam que ouvem os gritos de socorro.

As ligações para a Polícia Militar continuam. Os vizinhos relatam que vão dormir com os gritos de socorro. “Já pedimos umas três vezes, o cara está matando a mulher aqui e ninguém veio até agora”, diz uma moradora. “Tem que aguardar, senhora. A ocorrência está aberta”, responde o atendente da Central de Operações Policiais Militares (Copom). Os carros estariam em atendimento em outras ocorrências na região.

Algumas horas depois, a polícia foi acionada, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Emerson foi para a casa da mãe e ao ser questionado sobre o sangue em suas roupas, teria confessado o crime. O padrasto não concordou com a situação e acionou a polícia.  “Ele está todo ensanguentado. Falei com os parentes dela que vão lá ver”, diz.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, general Luiz Felipe Carbonell, falou sobre o caso nesta sexta-feira (15). Ele lamentou a morte de Daniela e admitiu as falhas na estrutura policial. “Ficou bem claro que todas as nossas viaturas estavam empenhadas em outras ocorrências. Não podemos interromper uma ocorrência para atender outra. Nós temos que atender o protocolo estabelecido. Foi uma tragédia, uma fatalidade. Nós temos falta de efetivo, falta de viaturas”, diz Carbonell.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, lembrou que assumiu o governo com grande parte da frota parada em oficinas, o que reflete no atendimento à população. E afirmou que existe um estudo para trabalhar com viaturas locadas, com o objetivo de substituir veículos baixados para conserto.

“Temos que melhorar a estrutura para que a Polícia Militar possa atender o máximo de ocorrências da maneira mais rápida possível. Pedi um estudo para alugar viaturas, a viatura anda em média, por mês, de vinte a trinta mil quilômetros. É uma falha grave e o que podemos fazer é amenizar levando mais eficiência para o serviço da policia”, destacou o governador.

A Secretaria de Segurança Pública investiga o caso internamente, para saber se houve algum tipo de erro no atendimento. A Polícia Militar, no entanto, não informou que tipo de ocorrência as viaturas atendiam no momento das chamadas. Emerson bezerra, o assassino, está preso por homicídio triplamente qualificado: feminicídio, motivo torpe e meio cruel.

Inquérito

Segundo a delegada Gislaine Ortega Pineda, Emerson Bezzera da Silva confessou o crime e teria declarado que tudo começou com uma briga de casal.

Foto: Reprodução

“Na data dos fatos, ele teria pedido o celular da esposa para despertar e ela teria se recusado. Ele teria se exaltado e a empurrado sobre uma mesa de vidro. Ele alega que quando ela levantou, pegou um dos estilhaços e o atingido nas coxas e no pescoço. Ele alega que diante dessa agressão foi até a cozinha e pegou uma faca e ao retornar ela teria o provocado, ele teria perdido a cabeça e desferido os golpes que levaram a vítima a óbito”, relatou a delegada à Rádio Banda B na época.

Durante o depoimento, o homem alega que não havia nenhuma crise conjugal, mas familiares teriam relatado informalmente sobre um pedido de separação por parte da vítima. Outras pessoas ainda serão ouvidas para conclusão do inquérito.

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Suspeito de matar companheira a facadas será indiciado por feminicídio

O homem suspeito de matar a companheira, Daniela Eduarda Alves, de 23 anos, a facadas na madrugada da última segunda-feira (14), foi ouvido na Delegacia da Polícia Civil de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, na tarde de ontem (15). Ele deve ser indiciado por feminicídio.

Segundo a delegada Gislaine Ortega Pineda, Emerson Bezzera da Silva confessou o crime e teria declarado que tudo começou com uma briga de casal.

“Na data dos fatos, ele teria pedido o celular da esposa para despertar e ela teria se recusado. Ele teria se exaltado e a empurrado sobre uma mesa de vidro. Ele alega que quando ela levantou, pegou um dos estilhaços e o atingido nas coxas e no pescoço. Ele alega que diante dessa agressão foi até a cozinha e pegou uma faca e ao retornar ela teria o provocado, ele teria perdido a cabeça e desferido os golpes que levaram a vítima a óbito”, relatou a delegada à Rádio Banda B.

Foto: Reprodução

Durante o depoimento, o homem alega que não havia nenhuma crise conjugal, mas familiares teriam relatado informalmente sobre um pedido de separação por parte da vítima. Outras pessoas ainda serão ouvidas para conclusão do inquérito.

“Ele permanece por enquanto na delegacia de polícia. Após a conclusão do inquérito, ele provavelmente vai ser indiciado por feminicídio. A gente vai analisar a qualificadora do motivo fútil, devido a discussão. O que causou surpresa pra gente é que não há histórico de violência, dele como autor e ela como vítima, o que dificulta pra gente traçar o perfil dele”, explica Gislaine Ortega Pineda.

O caso

Daniela foi encontrada morta, em casa, no bairro Santa Terezinha, em Fazenda Rio Grande, na noite de segunda-feira (14), pela Polícia Militar após os vizinhos terem ouvido os gritos de uma discussão. Os vizinhos também relataram que o homem foi visto saindo de carro. Ela teria sido encontrada com diversos golpes de faca pelo corpo. O Siate foi acionado, mas a jovem não resistiu aos ferimentos.

Algumas horas depois, a polícia foi acionada, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Emerson foi para a casa da mãe e ao ser questionado sobre o sangue em suas roupas, teria confessado o crime. O padrasto, por não concordar com a situação, acionou a polícia. Ele foi encaminhado Hospital do Trabalhador, internado sob escolta da polícia, para tratar os ferimentos e depois encaminhado para delegacia.