Mulheres marcham contra a violência e o machismo em Curitiba

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por atos em diversas cidades no Brasil. Em Curitiba, centenas de pessoas se reuniram no Centro desde as 12h para o 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras. O objetivo é protestar contra o machismo e a violência contra as mulheres, além de pedir respeito, igualdade, direitos civis, entre outros pontos.

A marcha foi organizada pela Frente Feminista de Curitiba e Região Metropolitana. A mobilização começou com o Slam das Gurias, uma batalha de poesia que teve o objetivo de incentivar as mulheres a usarem suas vozes. Às 16h, teve início a concentração na Praça Santos Andrade. O ato seguiu com manifestações sobre igualdade de direitos, violência contra a mulher, entre outros temas relevantes.

A marcha terminou às 20h, nas proximidades da Praça Osório, no calçadão da Rua XV de Novembro, após o ato “Quantas de nós precisarão morrer? Vidas negras importam!”. Segundo Rosani Moreira, uma das organizadoras, uma das propostas foi homenagear as mulheres negras. “Dentre todas as mulheres, elas são as maiores vítimas de todas as coisas. Desde o feminicídio, desemprego, salários mais baixos, tudo isso”, disse.

O Dia Internacional da Mulher também teve atos em outras cidades, entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Frida Kahlo e outras mulheres inspiradoras na versão Barbie

A Mattel, fabricante das bonecas Barbies, acaba de anunciar que vai lançar a coleção Mulheres Inspiradoras, trazendo informações sobre a contribuição de mulheres importantes para a história.

A nova coleção de bonecas, batizada Barbie Mulheres Inspiradoras inclui nomes como a pintora mexicana Frida KahloAmelia Earhart, primeira aviadora feminina que atravessou o Oceano Atlântico, e Katherine Johnson, física, cientista espacial e matemática.

Amelia Earhart é americana e a primeira aviadora feminina que atravessou o Oceano Atlântico, desafiando corajosamente os protocolos da época e quebrando recordes mundiais na aviação.
Amelia Earhart é americana e a primeira aviadora feminina que atravessou o Oceano Atlântico, desafiando corajosamente os protocolos da época e quebrando recordes mundiais na aviação.

A boneca inspirada na famosa pintora mexicana Frida deve chegar ao Brasil ainda em março e custará R$250.

A iniciativa está aliada à campanha #BarbieInspira, que incita os fãs da boneca a usarem a hashtag para homenagear mulheres inspiradoras.

Katherine Johnson atravessou barreiras de raça e gênero e se juntou a um grupo de mulheres contratadas pela NASA. Trabalhou com “computadores humanos” para calcular o trajeto do primeiro voo tripulado americano para o espaço.
Katherine Johnson atravessou barreiras de raça e gênero e se juntou a um grupo de mulheres contratadas pela NASA. Trabalhou com “computadores humanos” para calcular o trajeto do primeiro voo tripulado americano para o espaço.

E não para por aí: outras 14 bonecas foram anunciadas como parte da coleção Shero (mistura das palavras she, ela, e hero, herói, em inglês). São bonecas inspiradas em diversas atletas e mulheres de destaque em outras profissões. Confira a lista completa:

Patty Jenkins, cineasta, EUA – Escritora e diretora que se tornou a primeira mulher a dirigir um filme com um orçamento de mais de US $ 100 milhões, Mulher Maravilha.

Chloe Kim, campeã e atleta de snowboard, EUA – Mulher mais jovem a ganhar uma medalha olímpica no snowboard halfpipe feminino durante a Olimpíada de Inverno de 2018.

Bindi Irwin, conservacionista, Austrália – Celebridade internacional que herdou a paixão de seu pai –  o Caçador de Crocodilos – pela vida selvagem e se dedica a inspirar a próxima geração a fazer a diferença no mundo.

Nicola Adams, boxeadora, Reino Unido – Duas vezes medalhista de ouro, Nicola é a única boxeadora feminina na história do esporte a ganhar títulos olímpicos mundiais e europeus.

Çağla Kubat, atleta de Windsurf, Turquia – Campeã de windsurfe e membro do time de vela e de windsurf do Fenerbahçe, fundou sua própria escola de windsurf para jovens surfistas.

Hélène Darroze, chef de cozinha renomada, França –  Quarta geração como cozinheira francesa com três restaurantes e duas estrelas Michelin.

Hui Ruoqi, campeã de vôlei, China – 15ª capitã da equipe feminina chinesa de vôlei que também ganhou ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Leyla Piedayesh, designer e empreendedora, Alemanha – Imigrante iraniana e fundadora da famosa marca de roupas Lala Berlin, que incorpora elementos urbanos e elegantes em malha de alta qualidade.

Lorena Ochoa, jogadora profissional de golfe, México – Atleta, mãe, empresária e incentivadora do golfe no México.

Martyna Wojciechowska, jornalista, Polônia –  Apresentadora de TV, editora de revista, autora, diretora e a segunda polonesa a conquistar o Seven Summits.

Sara Gama, jogadora de futebol, Itália – Capitã do time italiano de futebol, membro do Conselho Federal e presidente da Comissão para o desenvolvimento do futebol feminino.

Xiaotong Guan, atriz e filantropa, China – Conhecida como filha da nação da China, é embaixadora do Dia Mundial da Vida, uma campanha conjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Fundo Internacional para o bem-estar dos animais e conservação da natureza.

Yuan Yuan Tan, primeira bailarina, China – Bailarina e dançarina principal no Ballet de São Francisco. É também a principal dançarina convidada no Ballet de Hong Kong.

Vicky Martin Berrocal, emprendedora e designer de moda, Espanha – Responsável pela direção criativa da empresa Victoria, com coleções que incluem fantasias festivas, vestidos de flamenco, bolsas e jóias.

Mulheres tomam as ruas por nenhum direito a menos

 

Cerca de 5 mil mulheres caminham desde o final da tarde desta quarta-feira, pelas ruas centrais de Curitiba em manifestação pelo 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Concentradas na praça Santos Andrade desde às 17h30, elas saíram por volta das 18h, percorrendo a avenida Marechal Deodoro em protesto contra a desigualdade e lembrando que a data de hoje é uma data de luta pelos direitos das mulheres.

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Além dos temas históricos das lutas das mulheres, contra o machismo, a violência, o assédio, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, as mulheres também manifestam-se contra as reformas da previdência e trabalhista proposta pelo governo Michel Temer (PMDB). “Estamos ameaçadas em nosso direitos, com corte de gastos públicos na saúde, moradia, educação, assistência social no momento que mais precisamos e com as mulheres pagando impostos, e muitos impostos, a cada compra de alimento que fazemos. Estamos ameaçadas a não conseguir aposentadoria, enquanto empresas seguem tendo isenção ou perdão de suas dívidas com a previdência social. Estamos sofrendo agressões, violência machista e policial, repressão política. Somos vitimas do racismo. Mulheres negras que sofrem diariamente com a violência racista que violenta nossos corpos e extermina a vida dos nossos filhos e filhas. Os estupros crescem e o ódio à nós mulheres cresce a cada dia, patrocinado por muitos meios, repercutindo no aumento dos feminicídios. Estamos ameaçadas de ser presas quando precisamos abortar, e corremos risco de vida quando vamos parir”, diz a chamada para o evento.

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A manifestação em Curitiba faz parte da programação da Greve Internacional de Mulheres, que propôs um dia de greve de todas as mulheres para marcar a data de hoje. “Esta parada será composta pelas mulheres trabalhadoras, as desempregadas, as estudantes, as negras,as índias, as brancas, as lésbicas,as bissexuais, as trans, as heteros, as putas, as vadias, as santas, as soropositivas, as que tem necessidades especiais, as refugiadas, as estrangeiras, as imigrantes, as camponesas, as rurais, as do mangue, as ribeirinhas, das águas, das florestas, do campo, das cidades, as aposentadas, as sindicalistas, as anarquistas, as libertárias, as socialistas, as que abortam, as mães, as que não têm filhos, as casadas, as divorciadas, as assediadas, as ameaçadas,as mortas, as vivas, as que não se calam. Por cada uma, por todas e pelas que não podem estar!”, anuncia-se o movimento.

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Conheça a história da “Beauvoir tupiniquim”, uma das precursoras do feminismo no Brasil

Reportagem de Tabata Viapiana

“Senhores oposicionistas da emancipação feminina, aguentem e sem protesto, o mundo caminha”. A frase parece atual, num contexto em que tanto se discute a igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas acreditem, ela foi escrita em primeiro de março de 1901. A autora é Marianna Coelho, nascida em Portugal e radicada em Curitiba, foi educadora, escritora e poeta, considerada uma das precursoras do feminismo no país.

Numa época em que a subordinação feminina era a regra do jogo, Marianna publicava colunas e artigos na imprensa paranaense defendendo a preparação das mulheres para o mercado de trabalho e o direito a voto. Pela postura firme diante das questões femininas, ganhou o apelido de “Beauvoir tupiniquim”, uma referência à escritora francesa feminista Simone de Beauvoir.

Reconhecida internacionalmente como uma grande defensora dos direitos da mulher no Brasil, a educadora não teve a mesma valorização na sociedade curitibana, na opinião da jornalista Fernanda Foggiato, da equipe de comunicação da Câmara Municipal de Curitiba, que escreveu sobre a vida de Marianna. “Ela é reconhecida em dicionários e livros, até fora do Brasil, como percursora do feminismo, não só do Paraná e de Curitiba, no Brasil”, diz Fernanda. “Falta um reconhecimento da cidade à Marianna”, completa.

Marianna defendeu, em 1901, a educação da mulher para rebater os “antifeministas” – que alegavam que se a mulher não sabia nem escolher a quem confiar seu amor também não saberia escolher seus governantes. “O sexo feminino, da mesma forma que o masculino pode, socialmente falando, subir a escada do progresso”, rebateu a feminista na época.

Marianna Coelho também foi diretora da Escola Profissional Feminina onde ficou até se aposentar. O local virou Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro, no bairro Capão da Imbuia. Mas, segundo Fernanda Foggiato, não há menções a passagem da educadora no site da instituição.

A escritora também foi a única mulher a ter um artigo publicado na primeira edição da revista mensal de arte e literatura Breviário, em agosto de 1900, ao lado de nomes como Romário Martins e Emiliano Perneta. No artigo, intitulado “emancipação da mulher”, Marianna disse que permitir que a mulher permaneça amarrada ao deplorável poste da ignorância equivale a arriscá-la criminosamente à probabilidade de receber em compensação do seu mais nobre e espontâneo afeto o completo aniquilamento da alma.

Segundo o Dicionário Mulheres do Brasil, Marianna integrou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e representou o Paraná em três congressos. Ela era irmã do professor Carlos Alberto Teixeira Coelho, que batiza a rua Teixeira Coelho, no Batel. Na justificativa do projeto de lei de 1950, Marianna é destacada pelos “inestimáveis serviços prestados em nosso estado”. A escritora, no entanto, jamais deu nome a um logradouro público da cidade. “No arquivo histórico da Câmara, na justificativa do projeto de lei [que batizou a rua] ela é citada. ‘Teixeira Coelho é irmão de Marianna Coelho, uma grande educadora da nossa cidade’, mas porque não deram o nome da rua de Marianna Coelho?”, questiona.

Marianna morreu em casa no dia 29 de novembro de 1954 e foi sepultada no Cemitério Municipal São Francisco de Paula. Segundo a jornalista Fernanda Foggiato, ela não recebeu homenagens e nem o merecido reconhecimento da sociedade da época. “Eu fiz um levantamento nas atas da Câmara Municipal. Segundo as atas desse período, a morte dela não foi citada. Havia votos pelo aniversário de líderes políticos da Europa, mas a morte dela não foi citada”, afirma a jornalista.

Se falar em feminismo já é difícil no século XXI, imagina em 1900. Marianna enfrentou muito preconceito e talvez, por isso, tenha incomodado as pessoas que temiam o empoderamento feminino. É o que pensa a jornalista que escreveu sobre a vida de Marianna. “Se hoje em dia falar em feminismo já incomoda, inclusive aqui na Câmara [Municipal], imagine naquela época”, finaliza Fernanda.

Ora, a mulher que apenas sabe ser dona de casa, [que] é incapaz de viver do seu trabalho, não se pode tornar independente – [ela] está fatalmente condenada a ser escrava – ou dos parentes ou dos estranhos, quando não consiga uma miserável pensão para não morrer de fome.”
Marianna Coelho, início do século XX.

99,6% das mulheres já foram assediadas

Assobios, comentários de viés sexual, olhares e até mesmo contato indesejado são considerados crimes pela Constituição. Em geral, enquadram-se como importunação ofensiva ao pudor. Esses casos se referem ao assédio verbal, ou seja, cantadas e ameaças. Se comprovada e prática, os autores são condenados e multados.

Levantamento da Organização Não Governamental Think Olga revela que 99,6% das 7,7 mil mulheres entrevistadas durante pesquisa já foram assediadas em algum momento de suas vidas. O documento revela, ainda, que cerca de 98% sofreu assédio na rua e 64%, no transporte público. Segundo a pesquisa, 81% das mulheres mudam a rotina por medo do assédio. Isso inclui desde uma simples troca de roupa até a escolha por outro trajeto nas ruas.

As consequências podem ser ainda piores e ter reflexos na saúde física e emocional das mulheres. Isso porque a assediada corre risco de desenvolver distúrbios como ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e problemas no sono.

A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher (Ipam),Tânia Fontenele, explica que é importante destacar a noção de que esses comportamentos são desrespeitosos e não confundir com elogios.

“Na nossa cultura, essa atitude já está tão naturalizada que as pessoas fazem como se não fosse nada. Não importa a roupa que você esteja vestida, essa postura é absolutamente detestável e não podemos admiti-la”, ponderou a especialista.

Como denunciar

Denúncias de assédio podem ser formalizadas em qualquer delegacia, por meio de um boletim de ocorrência. A orientação da Defensoria Pública é de que as vítimas procurem os policiais militares imediatamente.

Para que os agentes consigam identificar os autores do assédio, é importante descrever as características físicas e as roupas usadas pelo agressor. O Disque 180 também recebe denúncias de assédio.

Abuso de poder

Se o constrangimento causado por estranhos nas ruas pode causar danos à saúde mental e física das mulheres, o assédio sexual no ambiente de trabalho coloca o emprego em risco. Segundo o Ministério do Trabalho (MTE), as principais vítimas dessas agressões são mulheres negras.

De acordo com o MTE, o assédio sexual é uma forma de abuso de poder no trabalho e consiste em constrangimentos constantes por meio de cantadas e insinuações.

Uma cartilha do ministério orienta as mulheres a negarem as investidas do agressor e reunir provas como bilhetes, presentes e mensagens que possam ser usadas em um processo administrativo ou criminal, caso as vítimas recorram à justiça para denunciar essas situações de abuso.

Outra medida cabível é fazer denúncia no sindicato da categoria e registrar o boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher.

Assédio começa cedo

Dados obtidos por uma pesquisa da organização internacional ActionAid apontam que 16% da população feminina do Brasil relata ter sido assediada antes dos 10 anos. Para 55% das mulheres, a situação abusiva começou antes dos 18 anos.

Para a pesquisa, foram considerados assédio os atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.

O levantamento da ActionAid também ouviu tailandesas, indianas e britânicas. O Brasil é o que apresenta a maior incidência de assédio entre as mulheres. O País tem também os maiores índices de assédio sofrido por meninas antes dos 10 anos.

A pesquisa foi feita on-line no período entre 1º e 14 de novembro de 2016 e ouviu 2.236 mulheres (1.038 na Grã-Bretanha, 502 no Brasil, 496 na Tailândia e 200 na Índia).

Dia da mulher e de lembrar dos cuidados com a mente

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Ainda não existem causas comprovadas sobre a questão, mas dados da OMS (Organização Mundial da Saú- de) apontam para um risco maior das mulheres desenvolverem algum tipo de transtorno mental. No Dia Internacional da Mulher, hoje, é mais do que importante dar atenção ao assunto, que impacta diretamente na qualidade de vida e nas atividades cotidianas.

A depressão, por exemplo, atinge 4,4% da popula- ção mundial, sendo 5,1% das mulheres e apenas 3,6% dos homens. No Brasil, o índice é maior e a diferença entres os gêneros também: 5,8% da população, sendo 7% das mulheres e 4,4% dos homens.

Com relação a transtornos de ansiedade a situação não é diferente. No mundo, 3,8% das pessoas têm a doença: 2,8% dos homens e 4,8% das mulheres, número que praticamente triplica em nosso país, já que atinge 9,3% da população – 5,6% dos homens e 12,8% das mulheres, segundo o relatório deste ano da organização.

Os fatores que contribuem para as doenças psiquiátricas entre o sexo são vários, incluindo os fisioló- gicos, biológicos e também sociais.

“Cada vez mais as mulheres estão assumindo mais responsabilidades, que podem levam ao estresse, além da questão hormonal, a que a mulher é mais sensível, afinal a menstruação também é responsável pela regulação do humor”, explicou o médico psiquiatra Glauber Higa Kaio, membro da diretoria da APPSIQ (Associação Paranaense de Psiquiatria). Kaio argumenta também que os homens ficam ‘mais quietos’ com relação a essas doenças por questões culturais, o que pode impactar os números. “São as possí- veis causas, em nenhum lugar do mundo está escrita a causa”, reforçou.

O psiquiatra, mestre em transtornos alimentares pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), lembra que a maior diferença de proporção entre os gêneros é justamente em doen- ças como anorexia e bulimia nervosas: “a cada 10 casos, nove são mulheres”. Nesta situação, a obsessão com o corpo e o ‘bombardeio’ da mídia e da sociedade com a cultura pela magreza interferem, segundo o médico.

Existem ainda outros transtornos exclusivos do público feminino como o TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual) e a depressão perinatal (pós parto).

Para o tratamento dos transtornos, não há mágica. “Não existe receita de bolo. Se apresentar sintomas, é preciso procurar um psiquiatra ou um psicólogo para uma avaliação”, recomendou Kaio.

Marcha por direitos na XV

O Dia Internacional da Mulher vai ter mobilizações em todo o país. Em Curitiba, movimentos e coletivos femininos vão fazer a marcha ‘Nenhuma mulher a menos, nenhum direito a menos’ a partir das 17h da Santos Andrade até a Boca Maldita.

 

Dia Internacional da Mulher terá greve feminina em vários países

Com BandNews e Agência Brasil

Nesta quarta-feira, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as mulheres de Curitiba são convidadas a cruzar os braços por, pelo menos, uma hora. Um protesto mundial realizado hoje prevê uma paralisação simbólica, para reforçar a importância do papel das mulheres no mercado de trabalho e na sociedade.

Na capital paranaense, o evento vai contar com uma série de debates ao longo do dia e se encerra com uma marcha pelo Centro, com início às 17h, na Praça Santos Andrade. De lá, elas seguem a partir das 18h em passeata até a Boca Maldita. No trajeto, estão programadas sete paradas, com debates sobre o papel da mulher na sociedade e a discriminação de gênero. O ato se encerra com apresentações culturais e shows.

A programação completa está disponível no evento no Facebook.

As atividades em Curitiba são organizadas por ativistas de dezenas de instituições que lutam em defesa dos direitos das mulheres. A secretária geral do Conselho dos Direitos da Mulher de Curitiba e integrante do Fórum Popular de Mulheres, Anaterra Viana, diz que a paralisação é simbólica e tem a intenção de mostrar a importância da força feminina de trabalho.

A mobilização levanta as bandeiras históricas do feminismo e protesta, especialmente, contra a violência da qual as mulheres são vítimas. De acordo com Anaterra, este Dia Internacional da Mulher também pretender chamar a atenção, no Brasil, para os riscos oferecidos pelas reformas da Previdência e Trabalhista.

Outro ponto é a violência contra a mulher. O Brasil está entre os países que mais matam mulheres e atualmente ocupa o quinto lugar no ranking de feminicídio, ficando atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. De acordo com o Mapa da Violência, elaborado pela ONU Mulheres, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada uma hora e meia uma mulher é morta, a cada sete minutos uma mulher é violentada e a cada dez minutos uma mulher é estuprada.

Entre os temas que serão discutidos nas palestras, rodas de conversa e na marcha do Dia Internacional da Mulher em Curitiba estão a falta de representatividade das mulheres na política e a falta de secretarias especializadas para a defesa dos direitos de gênero.

Mobilização mundial

A mobilização é mundial e deve ocorrer em pelo menos 30 países. A ideia do protesto veio do movimento de mulheres argentinas Ni Una Menos. Em 19 de outubro do ano passado, elas foram às ruas e paralisaram as atividades para protestar contra os 200 assassinatos anuais no país em decorrência de violência de gênero.

No Brasil, movimentos feministas programaram protestos para hoje em todos os estados, mas a greve prevista para outros países deve ser mais difícil de se concretizar por aqui, por causa das difíceis condições de trabalho enfrentadas pelas brasileiras.

“Uma coisa é organizar uma greve em um país que tem quase pleno emprego, outra coisa são as mulheres aqui no Brasil, completamente precarizadas – a maior parte empregada no serviço doméstico, autônomas, completamente sem proteção – dizerem que vão parar”, admite Maria Fernanda Marcelino, integrante da Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Para as que não puderem parar suas atividades, as organizações feministas incentivam o protesto de outras maneiras – usando uma roupa roxa ou fazendo manifestações no próprio local de trabalho. “O importante é identificar que estamos em luta, independentemente de podermos parar ou fazer greve. Sabemos que nem todo mundo pode parar, ainda mais diante de um cenário de desemprego no Brasil”, diz Fernanda Sabóia, da Articulação de Mulheres Brasileiras.

A ideia é que as intervenções sejam postadas em redes sociais, com as hashtags #8MBR, #EuParo e #ParadaBrasileiraDeMulheres.

Para a assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Joluzia Batista, as manifestações mais simbólicas também devem ser valorizadas. “É uma forma de as mulheres que estão mais impossibilitadas, com horários mais rígidos, poderem se manifestar também”.

Reforma da Previdência

No Brasil, a principal pauta das manifestações é a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo federal. A avaliação é de que as mulheres serão as mais prejudicadas com a mudança.

“Se essa reforma da Previdência passar, as mais atingidas, que padecerão com o empobrecimento rapidamente serão as mulheres, pela equiparação do tempo de aposentadoria com os homens, desconsiderando a dupla jornada de trabalho, toda a precariedade que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho formal”, diz Maria Fernanda.

As mulheres também querem chamar a atenção para temas como racismo, aborto e violência contra as mulheres. Apesar dos temas em comum que serão abordados em todo o país, cada estado se organizou de acordo com as suas prioridades. “Acreditamos na força do movimento feminista de construir as pautas em cada estado, em cada cidade, as mulheres tem organização própria e sabem muito bem o que está afetando as suas vidas”, explica Fernanda Sabóia.

Dia de Luta

“O 8 de março não é dia de flor, é um dia de luta”, ressalta Maria Fernanda. “Ainda continuamos trabalhando muito mais que os homens e sendo completamente desvalorizadas, sofrendo violência, e tantas questões que precisamos inverter.”

Além de chamar a atenção para a importância da mulher no mercado de trabalho, o movimento quer conscientizar a sociedade para todos os problemas enfrentados pelas mulheres.

“As mulheres estão sobrecarregadas, seja do trabalho remunerado, como o não remunerado, porque nós somos donas de casa, mães, trabalhamos fora. Somos 52% da população brasileira, então a nossa situação ainda é à margem da sociedade, vítimas de tanta violência”, diz Fernanda Sabóia.

Brasil

Uma das organizadoras do protesto no Rio de Janeiro, Tatianny Araújo, teme que a proposta de reforma da Previdência sobrecarregue mais as mulheres, que se ressentem da falta de uma série de serviços públicos no país.

“Não temos lavanderias públicas, restaurantes públicos, sequer temos creches. O nosso trabalho dentro de casa não é reconhecido, não é remunerado, mas é trabalho”, afirmou Tatianny, que é servidora federal e representante do Fórum de Saúde Pública do Rio.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), mulheres ganham menos que os homens, na mesma função e mesmo que tenham mais anos de estudo.

Maysa Carvalhal, da Marcha Mundial de Mulheres, destaca que elas têm os piores salários, ou são subremuneradas, e que muitas trabalham sem carteira assinada. “E [estão] fora dos espaços de decisão.”

As feministas rebatem o argumento de que, nos países mais desenvolvidos, a contribuição para a Previdência é a mesma para homens e mulheres, dizendo que, lá, as desigualdades de gênero são menores e que há bônus para compensar o serviço doméstico, o que não ocorre no Brasil.

Estão previstas manifestações também em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba.

História

A historiadora Tania Navarro Swain compara a mobilização desta quarta-feira com um fato ocorrido em 1975 na Islândia, quando mais de 90% das mulheres paralisaram suas atividades para exigir o reconhecimento de seu trabalho.

“E deu resultado, com a equiparação dos salários logo em seguida e a Presidência do país assumida por uma mulher nas eleições posteriores. Não se pode esperar que, em todos os países, a mobilização seja tão poderosa, mas espero que seja espetacular, trazendo milhões de mulheres às ruas para mostrar e exigir uma cidadania que até agora tem sido esgarçada em uma pluralidade de aspectos”, diz a professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) e editora da revista digital de estudos feministas Labrys.

O movimento no Brasil vai se unir a grupos internacionais como Ni Una Menos, da Argentina, a Marcha das Mulheres de Washington, nos Estados Unidos e as Marchas contra a criminalização do Aborto, na Polônia. A ideia do protesto surgiu com o movimento de mulheres argentinas, em outubro do ano passado, e a organização de mulheres polonesas que, no mesmo mês, foram às ruas contra uma lei que proibia o aborto e que foi rejeitada após a pressão popular.

Comédia: Dia da Mulher em clima burlesco no ‘Cabaret Vira Lata’

Metro Jornal Curitiba

A noite de hoje é especial no Curitiba Comedy Club. Na semana do Dia das Mulheres, a performer Giorgia Conceição, conhecida como Miss G, é a grande atra- ção da noite, completando a programação burlesca. A artista já passou por palcos de Berlim, Vienna, Nova York, entre outros, e já participou de programas como ‘Ligações Perigosas’ (2015), da Rede Globo.

O ‘Cabaret Vira Lata’ também é especial nessa terça-feira, com o duo acrobático cômico ‘Cris and Robinson’, que traz um número de equilibrismo corporal surpreendente e engraçado. O espetáculo burlesco é inspirado em Las Vegas.

O stand up fica por conta do ator, músico e humorista Richard Rebelo, que falará sobre relacionamentos em homenagem ao Dia da Mulher.

Outra atração dedicada ao dia especial é um musical do Projeto Broadway, que adaptará um número em homenagem à mulher brasileira.

A programação da noite também traz Soraya Farofa, que continua seduzindo e assustando os clientes com as suas coreografias e seu excesso de maquiagem em um dueto hilariante com Tony Cristal, dono do Cabaret e mestre de cerimônias. A apresentação ainda traz a estreia de Eriberto, substituindo seu primo Erivelto.

O Curitiba Comedy Club funciona a partir das 21h e fica na R. Mateus Leme, 2.467. A entrada custa R$25.

Mulheres terão curso gratuito de defesa pessoal em março

A Federação Sul Americana de Krav Magá vai dar aula gratuita de defesa pessoal para mulheres a partir de 14 anos, como “presente” do dia da mulher, que é celebrado em 8 de março.

Os cursos vão acontecer em toda a América do Sul, nos primeiros finais de semana do mês.

Serão quatro horas de aula que, de acordo com a treinadora e proprietária do centro, Fernanda Maedlener, vão ajudar as mulheres a se defender no dia a dia. “Nós vemos que a agressão acontece mais com as mulheres, se comparado aos homens. São situações de roubo de bolsa, abordagem no carro, puxões no cabelo, forçar beijos … Tem uma saída para essas situações, com uma técnica simples, rápida e objetiva para a mulher poder se defender”, afirmou.

Ainda de acordo com Fernanda, quem quiser participar não precisa fazer treinamentos ou ter qualquer tipo de preparo físico. “São técnicas fáceis e a mulher não precisa ser mais forte do que o agressor para conseguir aplicar”, explicou.

Em Curitiba, as aulas vão acontecer nos dias 11 e 12 de março, nos centros de treinamento do centro de Curitiba e do bairro Bacacheri. No total, são 160 vagas.

Em todo o Brasil, a expectativa da federação é ensinar a técnica para 10 mil mulheres. Para fazer a inscrição, a interessada deve encaminhar um e-mail para infopr@kravmaga.com.br, solicitando a ficha de inscrição.

Violência contra a mulher

No Paraná, 25 mulheres são hospitalizadas por dia vítimas de violência. Os dados são do Sistema de informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. O principal agressor é o cônjuge ou companheiro, em seguida vem a mãe da vítima e, em terceiro lugar, o pai.

Só em Curitiba, a Delegacia da Mulher registrou, entre maio e dezembro do ano passado, 3.559 boletins de ocorrência, uma média de 17 por dia. Desse total, 1358 são por agressão física. Segundo a delegada da Delegacia da Mulher, Samia Coser, a maioria das vítimas que procura auxílio já foi agredida mais de uma vez.

Em seis meses de funcionamento, a Casa da Mulher Brasileira já atendeu mais de três mil mulheres vítimas de violência – é uma média de 20 atendimentos por dia desde a abertura do espaço, em junho deste ano.