Procurador da força-tarefa da Lava Jato solicita afastamento

O procurador da República Diogo Castor de Mattos solicitou seu desligamento dos trabalhos da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, informou o Ministério Público Federal (MPF), em nota. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o afastamento se dá por causa de um tratamento de saúde, mas mais detalhes não serão repassados por se tratar de uma questão de foro íntimo.

“A força-tarefa agradece a Diogo Castor pelos cinco anos em que se dedicou, com excepcional esforço, às investigações da Lava Jato”, diz o texto. A nota não informa o motivo do afastamento.

O MPF também informou que, nos últimos dois meses, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba já recebeu os reforços da procuradora da República Juliana de Azevedo Santa Rosa Câmara, titular de ofício especializado no Combate à Corrupção na Procuradoria da República no Município em Volta Redonda (RJ), e do procurador da República Alexandre Jabur, integrante do Núcleo de Combate à Corrupção na Procuradoria da República no Amazonas (AM).

 

Pacote pró-corrupção chega ao Congresso, alerta procurador da Lava Jato

O procurador da República Diogo Castor de Mattos, um dos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, alerta que projetos em trâmite no Congresso Nacional abrem brechas para a prática da corrupção. Entre eles estaria o PL 45772016, do deputado federal Wadih Damous (PT), que visa abrir uma brecha para que condenados escapem da execução provisória da pena, e o PL 4372/2016, também do petista, que quer impedir a colaboração premiada de pessoas presas, são “oportunistas e visam dar espaço à impunidade”.

“Os principais afetados pela Lava Jato são os parlamentares investigados e os advogados criminalistas que defendem os réus”, afirmou o procurador em entrevista ao portal Jota.

E completou: “quanto mais as investigações avançarem, mais medidas devem aparecer. Tem que estar atento ao Congresso e às medidas que vão na contramão dos dois milhões de assinaturas que Ministério Público Federal coletou para o pacote de 10 medidas anticorrupção. Essas proposições fazem o pacote pró-corrupção dos congressistas, paralelamente. Há medidas que são exatamente o contrário das propostas do MPF”, afirmou.

Ele criticou também o Regime especial de regularização cambial e tributária (RERCT), sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT) em janeiro deste ano. “É o início de um pacote de medidas contra a investigação de crimes econômicos e financeiros”, declara.

“Como um recurso escondido no exterior tem origem lícita? Pelo menos um crime financeiro vai ter, como uma evasão de divisas. Ilícito não vai ser lícito. Se o MPF constatar origem espúria, vai tomar providências”, adianta.