Caso Daniela

Caso Daniela: Justiça marca júri popular de acusado de matar ex-mulher

Está marcado para o dia 13 de dezembro o júri popular do acusado de matar a ex-mulher a facadas em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Daniela Eduarda Alves, de 23 anos, foi morta no dia 14 de janeiro, na frente da filha do casal de 4 anos. Emerson Bezerra da Silva teria assassinado a ex-companheira por causa de ciúmes. Ele está preso e responde por homicídio triplamente qualificado. O casamento durou três anos.

O caso ganhou repercussão quando gravações telefônicas anexadas ao processo mostraram que a PM recebeu oito chamados para atendimento da ocorrência. Os policiais levaram 1h20 para chegar à casa de Daniela e ela já estava morta. As investigações mostram que as discussões começaram por volta das 23 horas. As ligações denunciando a possível agressão foram registradas desde 1 hora da manhã, mas a primeira equipe da Polícia Militar só chegou ao local às 2h20 — cerca de 40 minutos depois de Daniela ser morta.

De acordo com o advogado da família Daniela, Ygor Salmen, a expectativa é que Emerson seja condenado pela morte causada por um motivo banal. “De certa forma é um alívio. O que a família espera é que a Justiça seja feita e que o veredicto final dos jurados seja pela condenação do Emerson. Ele permanece preso em razão do risco que ele oferece a sociedade, pela brutalidade do crime”, diz.

O advogado de Emerson, Gustavo Janiszeweski, afirma que a data do júri popular pode ser modificada. Ele defende que o crime não se trata de feminicídio. “Desde sempre a defesa do Emerson vem afirmando, não se tratou de um feminicídio. O Emerson não tinha essa possessividade, essa hierarquia que querem fazer crer. Então nesses termos a defesa desde sempre está preparada”, firmou.

Na época do crime, a Polícia Militar se manifestou afirmando que entende que não houve erro no procedimento aplicado ao caso. No entanto, informou que iria mudar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias nas ligações feitas para os atendentes da Central de Operações Policiais Militares. O júri popular está marcado para o dia 13 de dezembro, às 9 horas, na Comarca de Fazenda Rio Grande.

Caso Daniela: Justiça marca interrogatório de acusado de matar esposa a facadas

O interrogatório de Emerson Bezerra da Silva, acusado de assassinar a esposa Daniela Eduarda Alves a facadas na madrugada de 14 de janeiro, está marcado para o dia 4 de abril. A morte de Daniela ganhou repercussão depois que uma série de gravações de ligações de vizinhos que alertaram a Polícia Militar (PM) sobre agressões, gritos e pedidos de socorro foram anexadas ao processo.

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Segundo a investigação, as agressões teriam começado por volta das 23 horas mas a viatura da PM chegou ao local somente às 2h20. A vítima já estava morta há 20 minutos. Emerson foi preso horas depois.

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O advogado que representa a família da vítima, Ygor Nasser, disse que a PM errou ao tratar a ocorrência como uma situação particular e ressaltou que a alteração de protocolo de identificação de ocorrências já deveria ter sido implementada pela corporação. Ygor Nasser reforçou ainda que Daniela foi vítima de um serviço público precário. Depois da repercussão do caso, a PM afirmou que vai mudar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias nas ligações feitas para os atendentes da Central de Operações Policiais Militares

“Uma mudança que vem a calhar para que outras pessoas não passem o que Daniela passou. Infelizmente, a Daniela foi vítima de um serviço público precário que deixou de priorizar o atendimento dela por circunstâncias alheias que não sabemos. Quem sabe esse caso seja um exemplo para mudar”, diz o advogado.

Mesmo com a mudança, a PM entende que não houve erro no procedimento aplicado no caso. Logo após a divulgação das gravações, o tenente coronel da PM, Manoel Jorge dos Santos Neto, afirmou que a chamada “grade de prioridades” das ligações vai ser alterada. Segundo o tenente coronel, a quantidade de telefonemas para um mesmo caso vai ser um dos fatores que agora vai ser analisado.

O advogado Luis Gustavo Janiszewski, que representa o marido acusado de matar a mulher, lembra que o processo está em segredo de justiça e as gravações foram vazadas para atender algum interesse. Ele avalia que os áudios reforçam a tese de que não houve um crime premeditado. O advogado também defende que as pessoas que entraram em contato com a polícia naquela noite sejam identificadas e submetidas ao contraditório.

De acordo com o advogado Ygor Nasser, o réu tinha histórico de violência e já havia agredido a vítima anteriormente. No entanto, Daniela não chegou a fazer boletim de ocorrência por acreditar que se tratava de um episódio isolado.

Uma das linhas centrais da defesa é a de desqualificar a tese de feminicídio. O advogado Luis Gustavo Janiszewski sustenta que deve ser esclarecido se o homicídio foi consequência de uma ‘violenta emoção’, após uma discussão entre o marido e a mulher. Para a defesa do réu, houve um desentendimento, que se acalorou e acabou com a morte da esposa. O advogado nega que o marido já tivesse agredido a esposa em outras oportunidades.

“Não existia essa antecedência de violência doméstica. Emerson nunca foi um ‘machão’ ou algo desse gênero. Ele respeitava e coabitava com a Daniela. Lógico, ela é vítima, e ninguém quer isentar a responsabilidade de Emerson, ele vai ser processado e condenado na medida de sua culpabilidade. O que a defesa não pode permitir é que fofocas, sem contraditório, sem documento e sem elementos”, diz Janiszewski

Durante a audiência de instrução, no dia 04 de abril, antes do réu, devem ser ouvidas as testemunhas de defesa e de acusação, entre elas, a mãe, o padrasto e a irmã da vítima e dois policias militares que atenderam a ocorrência no dia do crime. Emerson Bezerra está preso preventivamente por homicídio triplamente qualificado.

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o crime foi por motivo torpe, através de meio cruel e dificultou a reação da vítima.