Energia solar

Mesmo com tempo nublado, Curitiba tem potencial para usar energia solar

Sair de casa, olhar para o alto e se deparar com um céu totalmente nublado: uma cena comum em Curitiba e região. Com um clima desses, alguns podem questionar se realmente é possível usar a energia do sol por aqui.  A resposta é “sim” – até no inverno.

O assunto, aliás, ganha ainda mais relevância nesta época do ano. Em maio, por conta de chuvas menos frequentes onde ficam os reservatórios das usinas hidrelétricas, o Governo Federal adotou, mais uma vez, a bandeira amarela na tarifa e deixou a conta de luz mais cara. Já no caso da “energia solar curitibana”, apesar de as nuvens sugerirem o contrário, se existe qualquer claridade, é porque há luz; e se há luz, a radiação solar está presente; e se há radiação solar, então é possível gerar eletricidade.

“E temos que olhar não só a radiação de um determinado dia, mas uma média ao longo do ano. Consegue-se gerar em Curitiba e qualquer lugar do Paraná com valores significativos, maiores do que em muitos países europeus”, explica o Engenheiro Industrial Elétrico Gerson Máximo Tiepolo, especialista no assunto e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR).

Tiepolo salienta que, no Brasil, o modelo mais utilizado não possibilita acumular energia. O arranjo é basicamente formado por placas fotovoltaicas, que convertem a radiação solar em eletricidade, abastecendo equipamentos eletroeletrônicos em todos os cômodos da casa. O sistema é interligado à rede de distribuição local. Caso o consumo seja maior do que a geração doméstica, a energia que falta vem da rede da Copel (no caso do Paraná). Já se a geração for maior do que o consumo, o excedente é injetado na rede local e o consumidor ainda ganha créditos para usar nos meses seguintes.

E para ter em casa?

O Engenheiro Eletricista Sérgio Inácio Gomes, conselheiro do Crea-PR, explica que os sistemas fotovoltaicos podem ser uma boa alternativa para economizar na conta de luz, mas, antes, é preciso ter tudo na ponta do lápis. Segundo ele, cada consumidor pertence a uma categoria tarifária, que impacta na quantia paga pelo quilowatt/hora, de acordo com as classes. “Tem que saber interpretar a conta”, pontua. “Vários fatores são colocados na análise para se chegar à conclusão do payback, que é o tempo estimado para a compensação do retorno do investimento. Por isso, é importante ter um Engenheiro Eletricista como responsável técnico.”

Sobre o valor do investimento, Gomes frisa que existem muitas variáveis, como a superfície disponível no telhado para se instalar os painéis, o consumo de eletricidade e as características climáticas da região, mas estima que a instalação residencial saia, em média, por R$ 15 mil. “O projeto tem que ser compatível com o consumo. É um investimento que se paga de seis a oito anos, é interessante fazer um planejamento”, afirma.

Sustentável

Além de economia, encarar o sol como fonte de eletricidade é uma questão de sobrevivência energética. O aumento no preço da gasolina e do diesel, e o próprio uso destes combustíveis fósseis no transporte e em usinas termelétricas, cuja influência nas mudanças climáticas vem sendo estudada à exaustão pela ciência, têm despertado o interesse por formas limpas de se gerar energia. As transformações que o planeta experimenta, inclusive, têm interferido no regime de chuvas e na disponibilidade de água para suprir a demanda em hidrelétricas, principal matriz enérgica do Brasil.

“A complementação por fontes renováveis, como eólica e solar, é imprescindível. Hoje, temos em torno de 60% da matriz de energia vinda das hidrelétricas. Mas um dos problemas é que os grandes potenciais para a instalação de novas usinas já foram usados. O que ainda existe está no Norte e estamos falando de impactos ambientais”, ressalta Tiepolo.

O conselheiro do Crea-PR frisa que a diversificação da matriz passa, necessariamente, por incentivos governamentais, como linhas de financiamento, descontos no IPTU e remuneração pela energia excedente: “a microgeração é extremamente benéfica, para que as perdas sejam menores, pois se está gerando e consumindo no mesmo local”.

Um exemplo de uso energético 100% sustentável foi um projeto da Copel, que, neste verão, levou ao litoral do Paraná um contêiner para atender turistas. Equipada exclusivamente com painéis solares, a instalação foi capaz de abastecer bicicletas e patinetes elétricos, terminais de carregamento de celulares, além de ter sido autossuficiente no consumo de eletricidade e devolvido parte da energia gerada à rede da Copel.

Sérgio Inácio Gomes destaca que o mercado dos painéis solares está em expansão e aparece, portanto, como um destino promissor para futuros profissionais. “É uma demanda presente e futura, que está crescendo e vai crescer ainda mais. Não só no Brasil, mas em todo o mundo”, acrescenta.

Energia solar

Paraná terá isenção de ICMS para “energia caseira”

Após três anos e depois de 22 estados, o Paraná aderiu no último mês de maio às regras do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) para permitir a isenção do ICMS sobre o excedente de energia elétrica de sistemas de geração distribuída (trocada entre consumidor e distribuidora).

Em junho, o projeto sobre a isenção do imposto foi enviado à Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) e ontem ele foi aprovado em 2º turno, seguindo agora para sanção do governo do estado – autor da proposta.

Assim que sancionada pela governadora Cida Borghetti (PP) e publicada em Diário Oficial, a lei entra em vigor e o consumidor que gerar a própria energia por meio de fontes renováveis poderá obter descontos na conta de luz.

Na prática, a medida impede que o usuário seja tributado pela energia que produz, não aproveita e ‘empresta’ à rede, mas que em outros períodos pode precisar e consumir.

A compensação da energia elétrica vale para microgeração com potência instalada de até 75 kW (kilowatts) e minigeração acima de 75 kW e menor ou igual a 1 MW (megawatt).

O prazo do benefício é de 48 meses (quatro anos), o que gerou certa frustração por parte de especialistas. Uma emenda até tentou dobrar o tempo de validade, mas ela foi barrada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Como é hoje

Apesar de ainda não ter benefício fiscal, o Paraná é o 6º estado com mais unidades consumidoras com geração distribuída: são 2.128 com potência instalada de 23.817,06
kW, segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A exceção de uma central de geração hidrelétrica, cinco eólicas e 12 termelétricas (de biogás), todas as demais são centrais geradoras solares fotovoltaicas, sendo a maioria residencial.

Com o custo dos painéis solares caindo ano a ano, na contramão do preço da energia elétrica, por exemplo, o novo incentivo deve ajudar no crescimento desse tipo de geração.

Energia solar

Energia solar em casa? Site faz diagnóstico completo

Está cada vez mais fácil e barato produzir a própria energia em casa. No caso da energia solar fotovoltaica – com placas no telhado ou outra área descoberta – o crescimento exponencial nos últimos meses comprova isso.

Em janeiro deste ano, o Brasil havia acabado de passar as 20 mil unidades consumidoras com geração distribuída. Agora, seis meses depois, já são 30.669, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Disto, mais de 99% são da fonte solar fotovoltaica e 76,7% são residenciais.

Apesar da adesão cada vez maior, muitas pessoas não têm ideia do espaço que precisariam e principalmente qual seria o investimento inicial necessário, além da economia futura. Para isso seria indispensável a consulta de um engenheiro ou uma empresa especializada no assunto, mas agora não mais.

Na semana passada foi lançada uma calculadora fotovoltaica digital disponível ao público no site. A ferramenta, resultado de uma parceria para soluções sustentáveis do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, permite descobrir, de acordo com o consumo de eletricidade e localidade do usuário, o potencial de economia na fatura de luz e a redução de emissões de gases de efeito estufa proporcionados por um sistema fotovoltaico.

Além disso, a calculadora também mostra a quantidade de placas fotovoltaicas e a área necessária para instalação, além do investimento aproximado. Isso porquê a calculadora é baseada em dados de irradiação solar do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pesquisas de preço com fornecedores realizadas nacionalmente pelo Instituto Ideal, assim como características de desempenho típicas para os equipamentos.

O Metro Jornal fez uma simulação de uma residência com três pessoas na capital paranaense e o investimento seria de aproximadamente R$ 10 mil com a necessidade de 8m² de área descoberta. Como a vida útil de um sistema fotovoltaico é de 25 anos, o investimento seria pago em menos de nove anos e o lucro no fim seria superior a R$ 18,5 mil.

“Ainda tem muita desinformação em potenciais usuários. A calculadora mostra o investimento com retorno financeiro e a contribuição ao meio ambiente”, explica o analista de conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii.

Na ferramenta, o banco também simula financiamentos para o sistema. “O lucro com o sistema fotovoltaico é muito superior a poupança ou outros tipos de investimento como o CDB. Outra vantagem é a proteção contra a inflação. Se a conta de luz subir, a vantagem é ainda maior”, diz Fujii.

Paraná

Depois de três anos da proposta feita, e atrás de 22 estados, o Paraná enfim aderiu às regras do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) para permitir a isenção do ICMS sobre o excedente de energia elétrica de sistemas de geração distribuída (trocada entre consumidor e distribuidora).

O projeto paranaense foi enviado à Assembleia Legislativa no último dia 6 pela governadora Cida Borghetti (PP). Quando aprovado, o consumidor que gerar a própria energia por meio de fontes renováveis poderá obter descontos na conta de luz.

O Governo do Estado já conta com uma linha de financiamento para empresas – a Fomento Energia – para a aquisição de equipamentos para micro e mini geração de energia a partir de fontes renováveis.

Neste mês, o BNDES anunciou uma linha para financiar energia solar distribuída às pessoas físicas.

Projeto quer liberar exploração de energia solar e eólica no aterro da Caximba

Com CMC

Um projeto de lei pretende atualizar a lei municipal 11.268/2004, que autoriza o Poder Executivo a conceder o uso do já desativado aterro sanitário da Caximba para a exploração do biogás gerado pela decomposição dos resíduos. De iniciativa de Bruno Pessuti (PSD), a proposição inclui na norma a exploração de energia fotovoltaica (solar) e energia eólica, além do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), por meio de parcerias público-privadas (PPPs).

Segundo a proposta (005.00377.2017), a concessão do aterro pretende gerar energia elétrica para uso na iluminação pública, sendo que um eventual excedente poderá ser comercializado. O vereador pondera que a lei municipal de 2004 ainda não foi aplicada. Com isso, os recursos energéticos da Caximba seguem sendo desperdiçados.

“Um aterro sanitário produz milhares de m³ de biogás diariamente. Esse biogás possui na sua composição gases que causam o efeito estufa, como o metano, 21 vezes mais poluente que o CO2, mas que é um combustível cujo potencial energético está sendo desperdiçado na Caximba”, justifica Pessuti. “Ainda que o aterro sanitário esteja finalizado, ou seja, não esteja mais recebendo o descarte de resíduos sólidos, haverá durante muitos anos a produção de biogás. Essa produção é decrescente e tende a diminuir ano após ano, sendo necessário a utilização imediata dessa energia.”

O parlamentar destaca, ainda, que além de incluir na legislação outras formas de aproveitar o potencial energético do aterro desativado, como a solar e a eólica, a proposta pretende adequar a norma à lei municipal 11.929/2006, que instituiu em Curitiba o Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas.

Tramitação

A proposição começou a tramitar oficialmente no dia 11 de dezembro, com a leitura no pequeno expediente da sessão plenária. A matéria primeiramente receberá instrução técnica da Procuradoria Jurídica (Projuris), para então seguir para a Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Se for acatada, passará pelos demais colegiados permanentes.

As comissões podem solicitar estudos adicionais, juntada de documentos faltantes, revisões no texto ou o posicionamento de outros órgãos públicos afetados pelo teor do projeto. Depois de passar pelas comissões, a proposta poderá ser votada pelo plenário e, se aprovada, dependerá da sanção do prefeito para virar lei.

Bruno Pessuti já havia protocolado um projeto com este teor em 2015, mas a proposição não entrou na pauta do plenário e foi arquivada devido ao final da legislatura. A matéria (005.00128.2015) havia passado pelas comissões pertinentes, indicadas na instrução da Projuris, e aguardava, desde junho de 2016, a inclusão na ordem do dia.

Subsídio cria rastro de bioenergia na Itália

Nas últimas duas décadas, os subsídios fornecidos pelo poder público criaram um rastro de investimentos em energia renovável na Itália. De Norte a Sul do país que fez parte da última etapa da viagem técnica organizada pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, propriedades rurais apostam na construção de usinas de biogás e outras formas de bioenergia para viabilizar o negócio. E, inclusive, segurar os herdeiros no campo, problema também enfrentado no Brasil.

Uma linha de financiamento específica para produtores de até 30 anos disponibiliza 50 mil euros, dependendo do projeto, a fundo perdido.

O subsídio estatal, literalmente, evitou que a Fazenda La Bellotta, em Turim, fechasse as portas. Após trabalhar no vermelho entre 1998 e 2010, em função da doença Vaca Louca que atingiu em cheio a pecuária europeia, a propriedade de 400 hectares investiu 5 milhões de euros na construção de uma usina de biogás, com capacidade para dois megawatts – atualmente produz metade – e duas plantas fotovoltaicas.

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Meta ambiciosa alavanca fontes alternativas na Áustria

Diante da realidade mundial de dependência extrema do petróleo como fonte de energia, a Áustria aparece como um ponto fora da curva. O país europeu projeta alcançar 95% da matriz energética por meio de fontes alternativas até 2030, segundo a Energy Academy, agência estatal responsável pelo setor. Atualmente, 35% da produção de energia na Áustria têm suprimento em formas renováveis, sendo 16% de biomassa, 14% de aproveitamento hídrico e 5% de solar.

Essa informação abriu o roteiro da viagem técnica pela Áustria organizada pelo Sistema FAEP/SENAR-PR. Após dias analisando sistemas na Alemanha, os 35 integrantes, entre produtores, presidentes e delegados de sindicatos rurais, técnicos da entidade e de empresas parceiras percorreram o país que é líder na Europa neste segmento para conhecer projetos que permitam atingir a meta dentro do prazo estipulado.

O desafio austríaco é enorme. Porém, pelos exemplos que a delegação do Paraná conheceu, não impossível. “Estamos trabalhando para promover o desenvolvimento do mercado. As ações se concentram no crescimento econômico por meio do desenvolvimento de tecnologias e não pelo aumento do consumo energético das cidades”, destaca Martin Schwarzimüller, da Energy Academy. Anualmente, 530 milhões de euros são investidos pelas indústrias de biomassa, gerando mais de 4,5 mil empregos no setor.

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Paraná é mais ‘solar’ do que se pensava, aponta mapa

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

A Itaipu Binacional, em parceira com a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), se prepara para lançar, na segunda quinzena de abril, o Atlas de Energia Solar do Paraná. O estudo vem sendo feito há dois anos e atualiza dados publicados pela primeira vez vinte anos atrás.

Segundo o superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Herlon Goelzer de Almeida, os novos números mostram que o potencial de geração de energia elétrica solar no Estado é maior do que havia sido apontado.

“O detalhamento que fizemos é muito maior, a metodologia é diferente. Na época só de considerou, falando a grosso modo, a incidência ‘perpendicular’ do sol. Agora estamos usando a mesma metodologia usada no mundo todo”, explica.

Uma das conclusões, prossegue ele, é que a metade norte do Paraná tem um potencial de geração igual a do Nordeste brasileiro, enquanto que a metade sul é melhor do que muitos países europeus. “No Nordeste há mais dias de sol que aqui, mas também tem uma temperatura acima dos 28ºC – o que prejudica a geração nas placas solares”, explica.

Na média, a produtividade paranaense é maior do que em 29 países da Europa e 59% superior à média da Alemanha, país com a maior capacidade instalada do mundo.

Segundo Herlon, o Atlas servirá para que interessados planejem em pontos exatos a instalação das placas solares, tanto em residências quanto indústrias ou comércios.

Paraná“No Brasil existe a mentalidade de que energia elétrica só pode ser comprada, enquanto que. na verdade cada um pode ser um produtor”, diz.

Depois do Atlas, será lan- çado um aplicativo de celular que vai calcular, em cada ponto urbano ou rural, a necessidade de produção de energia solar, os custos da instalação e em quanto tempo o retorno do investimento é previsto.

Placas se pagam em sete anos

Segundo o superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Herlon Goelzer de Almeida, em preços atuais a instalação de um sistema de energia soltar custa entre R$ 20 e 25 mil para uma família de quatro pessoas. Considerando a economia gerada com a redução na conta de luz, o investimento é pago em cerca de sete anos – depois desse período as placas começam a gerar lucro aos proprietários.

De acordo com Herlon, hoje há cerca de 900 sistemas solares conectados a rede da Copel. Durante o dia, a energia solar é ‘vendida’ para a rede, enquanto de noite, quando não há produção solar, ela é ‘comprada’. “É um sistema que vem funcionando bem”, avalia.

 

Paraná regulamenta licenciamento ambiental para uso da energia solar

A geração de energia elétrica a partir de fonte solar agora pode ser licenciada no Paraná. A permissão para esse tipo de licenciamento no estado foi regulamentada pela portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), assinada nesta terça-feira (7), durante a posse da nova diretoria do Programa Oeste em Desenvolvimento durante o Show Rural, em Cascavel.

A portaria nº 8/2017, assinada pelo presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, estabelece os procedimentos para o licenciamento ambiental de empreendimentos de geração de energia elétrica a partir de fonte solar para sistemas heliotérmicos e fotovoltaicos. Para isso, são consideradas a geração distribuída, microgeração distribuída, minigeração distribuída, usinas com capacidade de produção acima de cinco megawatts, empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras, geração compartilhada e autoconsumo remoto.

“Havia uma solicitação muito grande do setor produtivo do estado para que a gente fizesse esse trabalho e a partir de hoje torna-se viável o licenciamento ambiental para essas atividades. A portaria permite, por exemplo, que produtores rurais possam instalar esses equipamentos para geração de energia solar e suprir uma possível falta de energia além de também a própria Copel poderá receber o excedente de energia”, explica o presidente do IAP.

De acordo com o presidente, a minuta da portaria foi elaborada por técnicos do IAP e depois submetida ao grupo técnico formado por pessoas do Programa Oeste em Desenvolvimento. “Como a demanda também é da região, existe uma Câmara Técnica criada dentro do Programa que discutiu a questão. Por isso, determinamos a participação de técnicos do IAP para a criação da portaria bem fundamentada”, explicou Tarcísio.

Os licenciamentos e estudos necessários para os empreendimentos são de acordo com a potência energética, levando em consideração que os empreendimentos de energia solar têm baixo potencial poluidor. A portaria foi instaurada a partir de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cema), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e portarias anteriores do IAP.

Os empreendimentos de até 1 MW (megawatt) estão dispensados de estudos e de licenciamento ambiental. De 1 MW a 5 MW, é necessário apresentar um memorial descritivo para a autorização ambiental ou dispensa de licenciamento ambiental.

Já os empreendimentos com potência entre 5 MW e 10 MW, o relatório ambiental simplificado é exigido para a emissão das licenças prévias, de instalação e de operação, de acordo com a etapa da obra. A partir de 10 MW, são necessários o estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) para a emissão das licenças correspondentes.

“É importante ressaltar que esses licenciamentos citados na portaria são para empreendimentos sem supressão florestal e fora de áreas de ocorrência de espécies ameaçadas de extinção e de proteção integral de unidades de conservação. Caso o empreendimento se enquadre em uma dessas áreas ou precise realizar supressão florestal, serão exigidas outras autorizações e pareceres específicos”, afirma a diretora de Licenciamentos Especiais do IAP, Edilaine Vieira.

Painéis solares residenciais ajudam consumidores a economizar

A instalação de painéis residenciais de captação de energia solar é uma opção de investimento que permite economia na conta de luz e independência das distribuidoras de eletricidade. O sistema fica em R$ 16 mil, segundo a coordenadora da campanha de Energias Renováveis da organização não governamental (ONG) Greenpeace, Bárbara Rubim.

“É um valor alto, se a pessoa tiver que fazer esse investimento à vista. Mas é um investimento que vai se pagar em uma média de sete anos e gerar retorno para a pessoa. É um investimento que você está fazendo no seu imóvel”, ressaltou Bárbara em entrevista à Agência Brasil.

Em 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estimava que até 2024 poderiam ser instalados até 620 mil painéis voltaicos em telhados residenciais. Para a microgeração de consumidores comerciais, a projeção é que os sistemas podem chegar a 82 mil equipamentos. Eles captam a luz solar e a transformam em eletricidade que abastece o imóvel. O excedente pode ser lançado na rede de distribuição e convertido em créditos a serem abatidos da conta de luz do consumidor.

Financiamento e incentivos

A geração individual de eletricidade pelo sol poderia ir ainda mais longe, segundo Bárbara, caso houvesse incentivos para quem quisesse usar essa opção. Entre as medidas que poderiam ser adotadas, a coordenadora da ONG aponta a criação de linhas de financiamento específicas.

“Durante anos, o governo federal subsidiou para que você pudesse ter até linha de financiamento com juros zero para a compra de veículos novos. Se o governo fez isso para a compra de um carro que, querendo ou não, é um bem que gera uma série de externalidades negativas para a sociedade e que está sendo depreciado ano após ano, não existe motivo de ele não ter uma política semelhante para a energia solar”, defendeu.

Outro incentivo possível, de acordo com Bárbara, seria a liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra dos painéis, como é feito para compra e reforma de imóveis.

Substituição de fontes

Com esse tipo de fomento, a coordenadora da ONG considera que o Brasil conseguiria chegar ao fim de 2020 com mais de 1 milhão de sistemas instalados e com 8 milhões no fim de 2030. Ela baseia a análise nos resultados obtidos em países como a Alemanha, que tem atualmente 8 milhões de residências microgeradoras, e o estado norte-americano da Califórnia, com 1 milhão de sistemas instalados.

“A gente conseguiria substituir duas vezes, se chegasse nesses 8 milhões, a previsão de geração do complexo hidrelétrico de Tapajos”, compara Bárbara em referência ao projeto da Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, no Pará. Em agosto do ano passado, o governo federal desistiu do projeto, pois não conseguiu as licenças ambientais necessárias. O empreendimento também alagaria três aldeias do povo Munduruku, na Terra Indígena Sawré Muybu.

Economia e sustentabilidade

Foi justamente a preocupação ambiental que motivou a consultora em biotecnologia Luciana Di Ciero a instalar, há um ano, um sistema de painéis em sua residência em Campinas, no interior paulista. “É claro que é super interessante ter uma economia. Mas, para mim, o principal foi a questão de sustentabilidade, de usar uma energia renovável. Eu acho que o caminho do mundo é esse”, afirma sobre o equipamento que reduziu de R$ 400 para R$ 60 a conta de luz da família de quatro pessoas.

Luciana conta que o sucesso da instalação atraiu a atenção dos vizinhos. “Muita gente veio aqui olhar”. Pelo menos um deles também comprou o equipamento após visitá-la. A consultora acredita, no entanto, que deveria haver incentivos para quem quer adotar a tecnologia. “Eu moro em um condomínio de classe média alta, é diferente. Agora, um incentivo para colocar em comunidades carentes, em conjuntos populares, isso o Brasil deveria fazer. Acho que estamos muito atrasados”, diz.

Também no interior de São Paulo, a dentista Fernanda Morra considera que o sistema foi uma boa maneira de investir. “Eu acho a nossa energia muito cara. Eu tenho sol quase os 365 dias do ano, porque moro em Holambra. Acho que é um investimento para a minha casa, daqui a um, dois ou três anos eu não tenho mais esse custo”. O equipamento abastece a residência de Fernanda e o consultório, que divide o imóvel.

Apesar de destacar as vantagens econômicas e práticas, como não depender das concessionárias de energia, a dentista também fez a instalação preocupada com o meio ambiente. “Eu tento ser o mais sustentável que posso”, acrescenta.