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Ozzy Osbourne revela sofrer da doença de Parkinson

O cantor Ozzy Osbourne revelou nesta terça-feira (21) que sofre da doença de Parkinson. O ex-vocalista do Black Sabbath falou sobre o quadro clínico ao lado da esposa, Sharon Osbourne, em entrevista ao Good Morning America.

Conforme a empresária, a doença levou o Príncipe das Trevas à internação três vezes. A última vez que esteve no hospital foi em outubro de 2019. Na ocasião, o artista de 71 anos foi submetido a uma cirurgia na mão, que estava infeccionada.

Devido às internações relacionadas a doença de Parkinson, Ozzy Osbourne precisou cancelar shows da turnê. Assim, o músico precisou cancelar as datas nas três ocasiões em que foi levado ao hospital.

“Não é uma sentença de morte, mas afeta certos nervos do corpo”, afirmou Sharon Osbourne, esposa e empresária do cantor.

Ao falar sobre a doença de Parkinson, Ozzy Osbourne foi sucinto: “tem sido desafiador para todos nós”.

De acordo com a esposa e empresária, o artista foi diagnosticado com o tipo PRKN2.

O cantor é uma das figuras mais importantes da história do heavy metal. Ao lado de Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, ele fez parte da formação original do Black Sabbath. O som criado pelo quarteto transformou a história do rock. A banda formada em Birmingham é considerada a precursora do gênero.

OZZY OSBOURNE FALA SOBRE A DOENÇA DE PARKINSON

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“Tem coisas verdadeiras lá, mas não podemos reconhecer a autenticidade de um material quando ele não bate com a realidade”, diz Deltan Dallagnol

O procurador da República Deltan Dallagnol reconheceu nesta sexta-feira (26) que parte do conteúdo vazado ao portal The Intercept Brasil é verdadeiro. No entanto, o coordenador da força-tarefa Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal) disse que não pode reconhecer a autenticidade das mensagens. Isso porque, segundo ele, algumas delas “não condizem com a realidade”.

Em entrevista à CBN, Dallagnol explicou que não pode provar que as mensagens são falsas porque apagou todo o histórico de conversas do aplicativo Telegram. Desta forma, ele admite que não é possível apontar quais são as mensagens supostamente adulteradas.

“Por recomendação institucional nós encerramos os aplicativos e isso apagou as mensagens no celular e na nuvem. Nós lembramos, sim, de assuntos que comentamos, mas estamos falando de cinco anos altamente intensos com centenas de milhares de mensagens. É impossível lembrar de detalhes”, ponderou.

“A troca de uma palavra, a inserção de um ‘não’ ou a retirada de contexto muda completamente o significado”, especulou. “É claro que essa pessoa [responsável pelos vazamentos] tem coisas verdadeiras lá, mas não podemos reconhecer a autenticidade de um material, especialmente quando ele não bate com a realidade”, completou.

Deltan Dallagnol aponta falhas

O procurador-chefe da operação Lava Jato no Paraná diz que não comenta o conteúdo das mensagens porque não reconhece a autenticidade do material. Apesar disso, Deltan Dallagnol citou alguns exemplos que, para ele, indicam a possibilidade de adulterações.

“Esses diálogos falam de uma denúncia contra venezuelanos que nunca aconteceu; falam de uma busca e apreensão contra [o senador] Jaques Wagner que nunca existiu; falam de uma testemunha supostamente apontada [pelo ex-juiz Sergio Moro] que nunca apareceu em lugar nenhum; falam da destinação de dinheiro pela [13.ª] Vara Federal para fins publicitários que nunca aconteceu… ou seja, tem uma série de coisas ali que não bate com a realidade comprovada”, listou.

Os exemplos citados pelo procurador da República, no entanto, não provam que os diálogos foram editados, suprimidos ou retirados de contexto, como alega.

Relacionamento com Sergio Moro

Mesmo sem reconhecer a autenticidade dos vazamentos, Deltan Dallagnol confirmou que trocava mensagens com o ex-juiz Sergio Moro, responsável até o ano passado pelas ações da Lava Jato na 13.ª Vara Federal de Curitiba. No entanto, o procurador defendeu que o relacionamento entre procurador e julgador foi construído dentro dos limites da ética e da legalidade.

O coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato no Paraná usou da extensão dos ramos de investigação para defender a imparcialidade do juiz, que deixou a magistratura para ser ministro da Justiça e Segurança Pública a convite de Jair Bolsonaro (PSL).

Dallagnol citou as investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-tesoureiro João Vaccari Neto (PT), o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB), além de operadores financeiros, lavadores de dinheiro e ex-funcionários da Petrobras.

“Qual seria o interesse comum que um juiz teria em toda essas pessoas a não ser produzir justiça?”, questionou.

Sobre o contato frequente com Moro, o procurador da República normalizou o comportamento e defendeu a legalidade dos atos.

“Tive sim conversas. Qual é o limite ético dessas conversas? O limite ético é a Justiça. É o limite da busca da verdade e dos valores da Justiça: eficiência, celeridade, e assim por diante”, completou. “Isso é regular, isso é lícito. Agora é apresentado com sensacionalismo como se fosse algo ilegítimo quando não é”, completou.

Palestra remunerada para a Neoway

Alvo de uma nova reportagem apurada com base nos diálogos vazados, Deltan Dallagnol reconheceu que fez uma palestra remunerada para a empresa Neoway, citada em um acordo de delação premiada.

O procurador da República disse que não cometeu irregularidades. Ele argumentou que não tinha conhecimento do possível envolvimento da corporação em crimes e que depois disso se afastou das investigações que envolveram a Neoway para afastar qualquer suspeita de irregularidade.

Atualização: no quarto parágrafo desta reportagem, o trecho “[…] tem coisas verdadeiras lá, mas nós podemos reconhecer a autenticidade de um material” foi substituído por: “[…] tem coisas verdadeiras lá, mas não podemos reconhecer a autenticidade de um material”. O erro de transcrição foi corrigido em 27/10, às 16h09.

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Lula volta a atacar Moro em nova entrevista: “se esconde atrás do cargo”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nova entrevista na prisão. Detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde abril de 2018, o petista falou ao Jornal Sub21, do Rio Grande do Sul, e voltou a criticar o atual ministro da Justiça, Sergio Moro.

“Moro devia entregar seu celular para a Polícia Federal. Ele poderia não ficar se escondendo atrás do cargo como se fosse uma criança que alguém tivesse que ficar passando a mão na cabeça para encorajá-lo”, disparou Lula na primeira parte da entrevista.

O ex-juiz federal, responsável pela condenação de Lula, é um dos alvos das reportagens do The Intercept Brasil. O site vem divulgado conversas de Moro e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Moro está se transformando em um boneco de barro e vai desmilinguir. Inventaram uma grande mentira para me colocar aqui e agora eles têm que passar a vida inteira contando mentiras para tentar justificar. A Lava Jato é uma operação que se transformou em partido político”, seguiu o petista.

Por fim, Lula ainda criticou a Rede Globo. Na visão do ex-presidente, a maior emissora de televisão do país classificou o vazamento das mensagens como resultado de uma ação de hackers. Entretanto, ele lembrou que o canal divulgou as conversas entre ele e a então presidente Dilma Rousseff. O episódio resultou na queda do Partido dos Trabalhadores.

“A Globo faz um esforço incomensurável para manter a ideia que os vazamentos são falsos. Ela não se preocupou quando ela divulgava vazamentos que o Moro passava para ela”, finalizou Lula.

Em entrevista, Lula critica Moro e questiona veracidade da facada levada por Bolsonaro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez sobre as mensagens entre o ex-juiz e ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF). O petista afirmou que a “verdade” finalmente veio à tona. A declaração foi feita durante uma entrevista aos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano, na última quarta-feira (12), na Sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e exibida nesta quinta-feira (13) pela emissora TVT.

Lula voltou a dizer que “Moro é mentiroso” e estava “condenado a condená-lo”. “Estou ficando feliz com o fato de que o país finalmente vai conhecer a verdade […] Pode pegar a turma da força-tarefa, o Moro, enfiar num liquidificador, e quando for tomar o suco, não dá a honestidade do Lula”, ressaltou.

O petista afirmou que as investigações contra corrupção precisam continuar e que empresários e políticos corruptos precisam ser presos com base em leis que foram criadas pelo PT.

FACADA DE BOLSONARO

O ex-presidente também comentou sobre a facada que o atual presidente Jair Bolsonaro levou durante a campanha, em Juiz de Fora (MG). Bolsonaro passou por duas cirurgias após o atentado. “Eu, sinceramente […] aquela facada tem uma coisa muito estranha, uma facada que não aparece sangue, que o cara é protegido pelos seguranças do Bolsonaro”, disse.

Ainda em relação a Bolsonaro, Lula disse que a sociedade se aproximou do “monstro para pegar proteção” e como resultado da sua ausência nas duas últimas eleições “o país pariu essa coisa chamada Bolsonaro”.

Bolsonaro encerra entrevista ao ser questionado sobre situação de Moro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) manteve o silêncio sobre o vazamento de mensagens do ministro Sergio Moro e encerrou uma entrevista coletiva ao ser questionado sobre o assunto nesta terça-feira (11) em São Paulo.

Bolsonaro finalizou abruptamente a coletiva quando uma repórter perguntou como ele avaliou “as questões envolvendo o ministro Sergio Moro”. “Tá encerrada a entrevista”, disse o presidente, depois de responder a perguntas de jornalistas sobre a reforma da Previdência.

Bolsonaro estava ao lado do governador João Doria (PSDB), com quem se reuniu em uma sala do aeroporto de Congonhas para falar sobre mudanças no sistema de aposentadorias.

Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a troca de mensagens entre o ex-juiz Moro e o procurador Deltan Dallagnol, quando ambos atuavam na Operação Lava Jato.

O conteúdo, divulgado no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil, demonstra colaboração entre o então magistrado e procuradores do Ministério Público Federal envolvidos na investigação.

Bolsonaro se encontrou com Moro na manhã desta terça em Brasília, mas não comentou o caso revelado pelo site. O ex-juiz foi condecorado pelo presidente em um evento da Marinha.
Antes da solenidade, os dois conversaram por cerca de 20 minutos no Palácio da Alvorada. O encontro não estava previsto inicialmente na agenda oficial deles.

O Ministério da Justiça se pronunciou só por meio de nota, dizendo que Moro e Bolsonaro tiveram uma conversa “tranquila” sobre “a invasão criminosa” de celulares de juízes, procuradores e jornalistas.

Segundo o texto enviado pela assessoria de imprensa, “o ministro rechaçou a divulgação de possíveis conversas privadas obtidas por meio ilegal e explicou que a Polícia Federal está investigando a invasão criminosa”.

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. Os dois discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal.

Após a publicação das reportagens, a equipe de procuradores da operação divulgou nota chamando a revelação de mensagens de “ataque criminoso à Lava Jato”. Também em nota, Moro negou que haja no material revelado “qualquer anormalidade ou direcionamento” da sua atuação como juiz.

A Polícia Federal tem ao menos quatro investigações abertas para apurar ataques de hackers em celulares de pessoas ligadas à Operação Lava Jato, em Brasília, São Paulo, Curitiba e Rio. Uma das suspeitas é a de que os invasores tenham conseguido acesso direto a aplicativos de mensagens dos alvos, sem precisar instalar programas para espionagem.

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Já o governo Jair Bolsonaro adotou cautela em relação ao vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A equipe do presidente quer evitar movimentos prematuros, antes que fique clara a dimensão completa do caso.

Embora aliados do presidente tenham defendido o ministro da Justiça e afirmado que Bolsonaro confia em Moro, seus auxiliares recomendaram que o presidente aguarde a revelação de outros trechos dos diálogos entre o ex-juiz da Lava Jato e integrantes da força-tarefa da operação.

A equipe do governo, no entanto, prevê agitação no Congresso com a divulgação das conversas entre o ex-juiz e Deltan. Um assessor diz que os parlamentares certamente farão “um carnaval”.

Nas conversas privadas, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa do tríplex de Guarujá (SP), no qual o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

O valor, apontou a acusação, se referia à cessão pela OAS do apartamento tríplex ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora nesse imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Ele foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Preso em decorrência da sentença de Moro, Lula foi impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado. A sentença de Moro foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e depois chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Mercado de trabalho: meio minuto decisivo na escolha de candidatos a emprego

Em média, um recrutador demora de 6 a 10 segundos para descartar um currículo para uma entrevista. É o que revela pesquisa realizada pela empresa de recrutamento online Catho. De acordo com levantamento realizado com mais de 400 recrutadores, experiência profissional, objetivos e dados de contato estão entre as informações mais observadas e sempre citadas como primordiais no preenchimento do documento.

Não menos importante do que as informações mais observadas, um currículo também precisa conter aptidões técnicas que são utilizadas para avaliar o candidato sobre suas habilidades e competências profissionais. Tudo isso, precisa ser informado de forma objetiva e bem organizada.

A pesquisa também observou que, em uma primeira avaliação, o profissional que recebe cerca de 100 currículos analisa, em média, 15 com maior critério e cautela. Dos 400 recrutadores entrevistados, a maior parte – o equivalente a 57% – leva até 29 segundos para avaliar os documentos.

Leia mais: O que não colocar no currículo

Leia mais: Como construir um bom currículo ainda na graduação

Os recrutadores ainda apontaram as informações que não podem faltar na construção de um currículo: experiência profissional (80%), formações e/ou cursos complementares (60%), cargo e/ou área pretendida (60%), objetivo profissional (50%) e conhecimento em outros idiomas (24%).

Agência Educa Mais Brasil

Lula fala que Brasil é governado por um bando de maluco

O ex-presidente Lula afirmou nesta sexta (26), em entrevista exclusiva concedida à Folha de S.Paulo e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por “um bando de maluco”.

Depois de uma batalha judicial em que a entrevista chegou a ser censurada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), decisão revista na semana passada, o petista enfim recebeu os dois veículos, em uma sala preparada pela Polícia Federal na sede do órgão em Curitiba, onde está preso.

Os agentes explicaram aos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas presentes que ele seria colocado em uma mesa a uma distância de 4 metros de todos. Ninguém poderia se aproximar.

Segundo a PF, eles estavam cumprindo um protocolo de segurança comum a todos os presos. Em duas horas e dez minutos de conversa, o ex-presidente falou da vida na prisão, da morte do neto, do governo de Jair Bolsonaro, das acusações de corrupção que sofre e da possibilidade de nunca mais sair da prisão.

“Não tem problema”, afirmou ele quando questionado sobre a possibilidade. “Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o Dallagnol não dorme, que o [ministro da Justiça e ex-juiz Sergio] Moro não dorme.”

Reservou ao ex-magistrado, o primeiro que o condenou pelo caso do triplex do Guarujá, algumas de suas principais ironias.

“Sempre riram de mim porque eu falava ‘menas’. Agora, o Moro falar ‘conje’ é uma vergonha”, afirmou.Lula disse também acreditar que “Moro não sobrevive na política”.

Já sobre o presidente Jair Bolsonaro, não foi tão taxativo. Apesar de várias críticas, afirmou que “ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura”.

Lula disse que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro. “Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”, afirma.

E comparou o tratamento que a imprensa dá a ele com o que reserva ao atual presidente da República. “Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, questionou, referindo-se ao fato de o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.

O ex-presidente chorou quando falou da morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma bactéria, há um mês: “Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver”.

Lula disse ainda que, se sair da prisão, quer “conversar com os militares” para entender “por que esse ódio ao PT” já que seu governo teria recuperado o orçamento das Forças Armadas.

Disse que acompanha a briga de Bolsonaro com o vice-presidente, Hamilton Mourão. Mas afirmou que era “grato” ao general “pelo que ele fez na morte do meu neto [defender que ele fosse ao velório], ao contrário do filho do Bolsonaro [Eduardo]”, que afirmou no Twitter que Lula queria se vitimar com a morte do menino.

Afirmou que o país tem hoje “o mais baixo nível de política externa que já vi na vida”. E disse, em tom de brincadeira, que o ex-chanceler de seu governo, Celso Amorim, tem uma dívida por ter deixado o atual chanceler, Ernesto Araújo, seguir carreira no Itamaraty.

Questionado sobre Fernando Henrique Cardoso, disse que o ex-presidente poderia “ter um papel de grandeza e mais respeitoso com ele mesmo, não comigo”.

O ex-presidente falou ainda da necessidade de diálogo entre partidos de esquerda. E comentou o fato de o senador Cid Gomes (PSB-CE), irmão de Ciro Gomes, que afirmou em um encontro do PT: “Lula está preso, babaca!”. O petista disse que não ficou chateado pois está mesmo preso. “Isso é uma verdade. Só não precisava chamar os outros de babaca”, disse, rindo.

Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Ele está preso desde abril de 2018, depois de ter sido condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), a segunda instância da Justiça Federal.

Na última terça-feira (23), em decisão unânime, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente e abriu caminho para ele saia do regime fechado ainda neste ano. O tribunal manteve a condenação do petista, mas baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

O petista já foi condenado também no caso do sítio de Atibaia (SP) -a 12 anos e 11 meses pela juíza Gabriela Hardt, na primeira instância em Curitiba, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso, porém, ainda passará pela análise do TRF-4.

O pedido de entrevista com o ex-presidente passou por um vaivém de decisões judiciais. Em julho de 2018, a juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena de Lula, barrou a realização da entrevista, afirmando não haver previsão constitucional que dê ao preso direito de falar com a imprensa.

Após reclamação ao STF (Supremo Tribunal Federal) feita pela Folha de S.Paulo, o ministro Ricardo Lewandowski autorizou em 28 de setembro que a entrevista fosse realizada em Curitiba. A liminar, porém, foi derrubada no mesmo dia pelo ministro Luiz Fux, também do Supremo. Ele julgou pedido do partido Novo, que alegava que o PT apresentava Lula como candidato à Presidência da República, desinformando os eleitores.

O petista foi impedido de concorrer na eleição presidencial devido à Lei da Ficha Limpa, que barra candidaturas de condenados em segunda instância, e acabou substituído por Fernando Haddad, também do PT.

Ao suspender a entrevista, Fux determinou ainda que, caso já tivesse sido realizada, sua divulgação estaria censurada. A liminar de Fux foi revogada no último dia 18 pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Já nesta quinta-feira (25), véspera da entrevista, a Polícia Federal tentou modificar a decisão do STF, permitindo que jornalistas de outros veículos assistissem à entrevista, conduzida pela Folha de S.Paulo e pelo jornal El País, autores da ação judicial no Supremo.

Lewandowski, no entanto, barrou a presença de jornalistas que não sejam da Folha de S.Paulo e do El País e considerou a iniciativa da PF uma “franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão”.

Em primeira entrevista na prisão, Lula diz ter obsessão para desmascarar Moro e Dallagnol

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu sua primeira entrevista nesta sexta-feira (26) desde o dia 7 de abril, quando foi preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

O El País disponibilizou, no Youtube, um trecho da entrevista conduzida pelos jornalistas Florestan Fernandes Jr. e Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Os dois veículos foram os únicos a entrar com ação judicial para entrevistar o petista na cadeia.

No trecho, Lula ataca duas figuras importantes da Operação Lava Jato. Primeiro o ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, responsável pela sua primeira condenação e Deltan Dallagnol, procurador geral da República e coordenador da Lava Jato em Curitiba.

“Muita gente achava que eu deveria sair do Brasil, fugir… Eu tomei, como decisão, que meu lugar é aqui. Eu tenho tanta obsessão de desmascarar o Moro, o Dallagnol e a sua turma, e aqueles que me condenaram. Eu ficarei preso 100 anos, mas não trocarei minha dignidade pela minha liberdade. Quero provar essa farsa montada”, declarou Lula, em tom nervoso.

Ele continuou criticando, reafirmando que estava tranquilo na hora de se entregar à Polícia Federal.

“O Moro tem certeza que eu sou inocente. Esse Dallagnol tem certeza que é mentiroso e mentiu ao meu respeito. Estou aqui para procurar justiça e provar minha inocência. Eu durmo todo dia com minha consciência tranquila. Tenho certeza que o Moro e o Dallagnol não dormem”, completou.

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Assista o trecho postado pelo El País:

Contra a PF, ministro do STF autoriza Lula ser entrevistado apenas por dois veículos

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta quinta-feira (25) apenas a Folha de S. Paulo e o El País a entrevistarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Lula deve receber Mônica Bergamo e Florestan Fernandes na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, nesta sexta-feira (26) para conceder sua primeira entrevista desde que foi preso, no dia 7 de abril do ano passado.

“a decisão da Corte restringe-se exclusivamente aos profissionais da imprensa supra mencionados, vedada a participação de quaisquer outras pessoas, salvo as equipes técnicas destes, sempre mediante a anuência do custodiado”, declarou no despacho.

A decisão do ministro atende a defesa do petista, que entrou com pedido no STF para que seja garantido a Lula o direito dele escolher a quais veículos de imprensa ele vai conceder ou não entrevista. Isso aconteceu depois da Polícia Federal (PF) autorizar,  mediante credenciamento, jornalistas de outros meios para acompanhar a entrevista de amanhã.

A ideia da PF era que esses outros jornalistas fizessem uma espécie de plateia, fazendo perguntas apenas se Lula autorizar. A quantidade de jornalistas que vão poder assistir a entrevista iria depender da logística interna da PF e também da segurança institucional.

Entretanto, agora apenas a Folha de S. Paulo e o El País, que entraram na Justiça há oito meses para entrevistar Lula na prisão, foram autorizados.

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RELEMBRE

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STFrevogou a decisão do ministro Luiz Fux, de setembro do ano passado, de proibir Lula à conceder entrevistas. em setembro ano passado.

NOTA

A assessoria de imprensa do ex-presidente Lula chegou a emitir uma nota em que considerou que a decisão da Polícia Federal de colocar uma plateia de jornalistas na entrevista desrespeita o STF, que deu a Lula o direito de conceder entrevistas. Para a assessoria de Lula, a decisão da PF desrespeita o trabalho dos jornalistas da Folha de São Paulo e do El País, que há oito meses buscaram autorização na Justiça para a entrevista.

Para a assessoria de Lula a decisão também viola a decisão do Supremo de que as entrevistas devem acontecer com a anuência do ex-presidente. A assessoria de Lula também considera que a decisão desrespeita os jornalistas ao permitir que profissionais de outros veículos assistam entrevistas exclusivas para outras publicações e que publiquem antes uma entrevista pela qual os outros veículos lutaram na justiça por meses para conseguir.

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Sem clube há seis meses, Thiago Larghi fica admirado com Athletico e nega oferta do Coritiba

Thiago Larghi foi uma das três maiores revelações de técnicos do futebol brasileiro no ano passado. Ao lado de Tiago Nunes, no Athletico, e Maurício Barbieri, ex-Flamengo e demitido pelo Goiás ontem (21), ele fez um bom trabalho no Atlético Mineiro, mas acabou sendo demitido em outubro.

Já se passaram seis meses desde então, quando deixou o Galo com um aproveitamento de 55,10% – foram 49 jogos, 23 vitórias, 12 empates e 14 derrotas.

O comandante de 38 anos foi à Europa, onde passou pela Espanha e Itália, e fez um curso Licença Pró da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Agora, busca uma nova oportunidade no futebol brasileiro.

Em entrevista ao Paraná Portal, ele comentou que Athletico e Cruzeiro são os clubes brasileiros que apresentam o melhor futebol nesse início de ano, destacando o trabalho de Tiago Nunes e elogiando o meia Tomás Andrade, seu ex-jogador no Galo. Ele também negou a suposta oferta para assumir o Coritiba após a demissão de Argel Fucks, em fevereiro.

Além disso, ele comentou sobre assumir um clube durante o ano, a postura dos dirigentes na avaliação dos treinadores e como gosta que sua equipe jogue.

Confira a entrevista com Thiago Larghi:

Como você está desde a demissão no Atlético-MG? O que dá para avaliar do seu trabalho em Belo Horizonte?

Foi uma saída que eu não esperava. Estávamos o Brasileiro inteiro dentro do G6, uma campanha boa, era o ataque mais positivo, estávamos a quatro pontos do sétimo (colocado). O time com padrão de jogo, com time titular definido. Tínhamos uma certa estrutura. Entendo que futebol brasileiro tenha os imediatismos e nem sempre as diretorias têm a segurança de manter o trabalho e optaram pela troca.

O que você fez nesse período? 

Eu fui para a Europa. Antes ainda tive o curso da CBF. Fiz alguns estágios, no Barcelona e na Fiorentina, conversei com alguns treinadores e me atualizei de alguma forma. Troquei informação. O que eu fiz, o que deu certo e o que eles vinham fazendo lá. Foi bastante proveitoso e interessante, principalmente na Espanha.

O que mais te chamou a atenção lá?

Eu vi a clareza com que eles (Barça) entendem o jogo e conseguem colocar isso na prática. Obviamente eles têm um plantel que permite isso. É um clube que tem um estilo muito bem definido e essa clareza é muito importante. A partir do momento que você sabe o que você quer, você vai corrigindo alguns detalhes e não muda tudo, recomeçando. Essa é a parte ruim. O importante é sempre estar melhorando pequenas coisas dentro de uma ideia. Lá é uma sequência de muitos anos.

Thiago Larghi no Atlético Mineiro. Foto: Bruno Cantini / Flickr Atlético

Uma das propostas que você chegou a conversar foi o Coritiba? Seu nome foi bastante comentado por aqui. 

O que houve foi a imprensa que me procurou. Vi só especulação e manifestação da torcida, a do Coritiba conversando com a do Atlético Mineiro. Nada oficial chegou para mim e nem para quem me representava na época.

Eu sigo me preparando. Aconteceram algumas propostas, mas alguns trabalhos que eu e minha família e empresário eu preferi não pegar. Outros chegamos a conversar, mas não aconteceram. Sigo me preparando, sigo me capacitando e estudando para fazer uma campanha boa no próximo trabalho onde eu tiver a oportunidade.

Muito se fala da importância de terminar o ano em um clube e fazer o planejamento para o ano seguinte. Te incomoda ter que assumir uma equipe no meio do caminho?

O sucesso pode ser alcançado, sim. É fácil olhar para o ano passado e ver que o Felipão e o Tiago Nunes deram continuidade e foram campeões. Eu acho que o que depende mais é da estrutura do clube, o elenco e encaixar. Eu estou aberto para fazer um bom trabalho nesse ano. É para isso que eu venho me preparando.

A sua troca foi um exemplo de imediatismo dos clubes do futebol brasileiro. O trabalho estava sendo bem feito, mas houve a mudança por alguém com mais bagagem e que pudesse servir como um escudo maior para a diretoria. Como você enxerga essa postura dos dirigentes?

Não é uma coisa muito boa. A clareza daquilo que se quer para um trabalho, como o modelo de jogo e a montagem do elenco, tem que estar vinculada aquilo que se pretende e à cultura do clube.

Tem que enxergar o dia a dia e o desempenho, não só o resultado. Quando a diretoria for capaz de enxergar melhor o processo, a chance do resultado é maior.

Muito se discute sobre o estilo de jogar, futebol ofensivo e reativo. Como você gosta de ver sua equipe atuando? 

O futebol permite diferentes estilos e não acho que exista um modelo melhor. Você pode fazer um ataque e marcar para ganhar ou fazer 30 ataques e fazer três, quatro gols e também vencer. Acho que deve existir um respeito à cultura local, ao clube, com o que a torcida se identifica. Se o torcedor gosta de um futebol ofensivo, acho que temos que trabalhar em função disso.

Eu tenho gosto por ter o controle do jogo, ter protagonismo e a posse de bola. Acho que é um futebol mais atrativo. O importante é também conseguir fazer isso sendo vencedor. O Tiago Nunes no Athletico deu uma sequência ao trabalho que vinha sendo desenvolvido e deu uma objetividade necessária para chegar nos resultados. Isso que eu acredito. Ter eficiência naquilo que se propõe, então depende de cada caso.

Você citou o Tiago Nunes. Nas coletivas, ele sempre ressalta que fala a verdade para conquistar a confiança dos jogadores e ter uma relação saudável. Como você geralmente lida com os atletas?

Com transparência, clareza naquilo que se quer, naquilo que você pretende do jogo. Você consegue ter autoridade sem ser autoritário. Essa foi a minha maneira de dirigir o Atlético, com muitos jogadores experientes que a gente soube conduzir em uma boa. Eles se interessaram pelo trabalho. É com trabalho, conceito e transparência nas relações. O mundo pede isso.

O Athletico ganhou destaque nacional depois da vitória por 3 a 0 sobre o Boca Juniors. Para você, o Athletico pratica o melhor futebol do Brasil no momento?

Tenho acompanhado o Athletico. A partida contra o Boca foi espetacular. Acho que o Brasil todo ficou admirado com o futebol desempenhado. Dentro da proposta ofensiva, acho que sim. É uma equipe que tem bastante controle do jogo. Temos outras equipes como Cruzeiro, que tem uma eficiência muito grande dentro de outro modelo, mas que também tem um futebol interessante.

O Tomás Andrade foi seu jogador no Galo e agora veio ao Athletico para ser o principal meia do time. Qual o potencial do Tomás, o que ele pode agregar ao Athletico? 

O Tomás é um jogador com bastante qualidade técnica. Tem uma dinâmica boa. Claro que ainda é jovem, pode ser melhor e render mais, ser mais objetivo. Transformar a capacidade que ele tem em resultado. Acho que ele está em boas mãos, falando do Tiago, que é um excelente profissional, quanto o clube, que tem uma excelente estrutura. Tem uma oportunidade muito grande de dar uma sequência e que ele pode ter muito sucesso aqui no Brasil.

Tomás Andrade marcou um dos gols do Furacão na goleada por 4 a 0 sobre o Jorge Wilstermann na Libertadores. Foto: Geraldo Bubniak/AGB