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Setor de combustíveis é multado em R$ 18 milhões por venda irregular de etanol

A Receita Estadual do Paraná notificou 155 pessoas físicas e jurídicas do setor de combustíveis para prestar esclarecimentos sobre transporte sem documentação fiscal e venda irregular de etanol.

Entre elas, foram identificados sócios de postos revendedores do Norte do Estado. Até o momento, foram lavrados 85 autos de infração, relativos a mais de 16 milhões de litros de etanol hidratado comercializados de forma irregular.

As autuações somam, entre imposto, juros e multa, cerca de R$ 18 milhões e atingem transportadoras e proprietários dos veículos subcontratados para o transporte.

Órgão da Secretaria de Estado da Fazenda, a Receita está intensificando o combate à sonegação de ICMS em várias áreas da economia, entre elas o setor de combustíveis.

Nas últimas operações, foi identificado o transporte do combustível que deveria ir para as usinas de etanol seguindo diretamente para postos de combustíveis sem emissão de nota fiscal e sem pagamento do imposto devido.

Seminário aponta caminhos para o controle do bicudo

Entre os dias 20 e 29 de agosto, o Sistema FAEP/SENAR-PR, em parceria com sindicatos rurais e usinas paranaenses, realizou cinco seminários sobre o bicudo da cana-de-açúcar, nas cidades de Jacarezinho, Colorado, Jussara, Paraíso do Norte e Tapejara. A capacitação teve como objetivo repassar informações sobre a praga, que tem causado grandes prejuízos nos canaviais. No total, mais de 150 colaboradores das usinas DaCalda, Jacarezinho, Alto Alegre, Cia Melhoramentos, Nova Produtiva, Coopcana, Cooperval e Santa Terezinha participaram do treinamento, que contou com parte teórica e atividades práticas.

Na programação, a parte da manhã envolveu duas palestras, que abordaram os aspectos referentes ao ciclo biológico, dimorfismo sexual, caraterísticas para identificação, métodos de monitoramento e controle da praga, com o especialista Luiz Carlos de Almeida. Ou seja, a necessidade de prevenção do bicudo da cana-de-açúcar dominou os debates.

Na parte da tarde, os participantes aprenderam a identificar e monitorar a praga. No talhão de uma lavoura, o grupo observou a infestação do bicudo, onde foram encontradas todas as formas biológicas (ovo, larva, pupa e adultos).

“Nos últimos anos, o bicudo tem gerado significativos prejuízos financeiros. A difusão de tecnologias para o controle é necessária para trazer informação aos profissionais envolvidos e permitir um combate mais eficaz no controle da praga”, aponta Arthur Bergamini, gerente do Departamento Técnico (Detec) do SENAR-PR.

O bicudo da cana-de-açúcar coloca seus ovos na base dos colmos e as larvas destroem a parte subterrânea da touceira, matando os perfilhos ou mesmo a touceira inteira. Esse processo pode causar prejuízos de até 30 toneladas de cana por hectare, além da redução da longevidade do canavial.

“Até pouco tempo, a praga estava restrita ao Estado de São Paulo. Levantamentos recentes mostram que as formas biológicas estão disseminadas em diversas regiões. Por isso, é importante que os produtores e trabalhadores envolvidos com a cultura busquem informação visando o controle e, assim, evitando a disseminação do bicudo”, Jéssica D’angelo, técnica do Detec responsável pela cultura e que acompanhou a série de seminários pelo Paraná.

Leia mais notícias sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

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Amazônia: UE pode barrar o comércio de carne bovina, soja, etanol e café

A decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de não ratificar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul por causa da inação do governo brasileiro diante dos incêndios na Amazônia deve ser apenas a primeira etapa de uma retaliação global.

Segundo o cientista político Samuel Leré, é preciso considerar sanções comerciais imediatas contra mercadorias brasileiras, como carne bovina, soja e café.

Responsável pelo setor de ambiente e globalização da Fundação Nicolas Hulot, referência na França, ele diz que Jair Bolsonaro erra ao sustentar que as queimadas na floresta são uma questão estritamente brasileira e ao rechaçar comentários de líderes estrangeiros.

“Quando ela queima, como agora, é a humanidade inteira que é ameaçada. Se amanhã a Amazônia deixar de existir, o resultado será o equivalente ao de dez anos de emissões, no mundo todo, de gases que causam o efeito estufa.”

Para Leré, “é tão criminoso desrespeitar fronteiras internacionais [como fez a Rússia ao invadir a Crimeia, ação pela qual hoje sofre sanções] quanto destruir a floresta amazônica e não cumprir compromissos ambientais”.

PERGUNTA – Como vê este fogo cruzado entre Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron sobre os incêndios na Amazônia?

SAMUEL LERÉ – É algo que se impunha, que era necessário. Fazia meses que pedíamos sanções ao Brasil por causa da política do governo Bolsonaro para a floresta amazônica. Quando ela queima, como agora, é a humanidade inteira que é ameaçada. Se amanhã a Amazônia deixar de existir, o resultado será o equivalente ao de dez anos de emissões, no mundo todo, de gases que causam o efeito estufa. Não teremos mais qualquer chance de ficar abaixo dos 2º C [teto fixado no Acordo de Paris para a elevação da temperatura média na Terra nos próximos anos], atingiremos facilmente 3º C ou 4º C.

P. – Bolsonaro tem razão ao apontar uma “mentalidade colonialista” por trás da sugestão de Macron de que as queimadas amazônicas sejam discutidas na cúpula do G7, neste fim de semana?

SL – Não concordo. Não se trata de uma questão brasileira. Ela tem impacto no mundo inteiro. O que propomos são sanções, a suspensão das importações de mercadorias brasileiras provenientes do desmatamento da floresta. Cabe à França e à União Europeia decidir sobre isso. Assim, o Brasil não teria mais interesse em desmatar a Amazônia, porque não haveria mais mercado aqui para sua soja e para sua carne bovina.

P. – Então seria preciso, na sua opinião, ir além do que Macron anunciou, ou seja, não apenas brecar a tramitação do acordo comercial?
SL – Sim. Saudamos a suspensão do acordo por representar uma primeira etapa. Consideramos que, no pacto, não havia garantias ambientais suficientes. A realidade provou que o Brasil de Bolsonaro não pretende respeitar os compromissos assumidos, dentre os quais constava o de levar a zero seu ‘desmatamento líquido’ [diferença entre áreas desflorestadas e replantadas]. Por isso, o país deve ser sancionado enquanto o governo não mudar sua política para a Amazônia.

P. – Quais seriam as etapas seguintes?
SL – Sanções progressivas, visando alguns artigos específicos, como a carne bovina, a soja, o etanol e o café. O que esperamos é que o Brasil consiga conter esses incêndios e, em um segundo momento, acabe de vez com o desmatamento.É algo que a União Europeia faz, por exemplo, com a Rússia, que decidiu invadir a Crimeia [em 2014] -e, por isso, sofre sanções comerciais desde então. É tão criminoso desrespeitar fronteiras internacionais quanto destruir a floresta amazônica e não cumprir compromissos ambientais.

P. – Haveria outra via de negociação e pressão?
SL – A outra via seria uma mudança de política de Jair Bolsonaro, depois que ficou claro que ele pretende construir novas usinas hidrelétricas na região da Amazônia. Está evidente que seu objetivo não é o de proteger a floresta. Sendo assim, não há discussão ou ação diplomática possível. É preciso passar à sanção.

P. – E isso surtirá efeito?
SL- Sanções atacariam um dos sustentáculos de Bolsonaro, que é o agronegócio. Se amanhã esse setor não tiver mais mercado para sua produção, fará pressão sobre o presidente.

Produção total de etanol deve ficar em 31,6 bilhões de litros em 2019

O Brasil deve produzir um total de 31,6 bilhões de litros de etanol somente neste ano, segundo o 2º levantamento da Safra de Cana 2019/20, divulgado nesta quinta-feira (22), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Deste total, 30,3 bilhões de litros são provenientes da cana-de-açúcar e 1,35 bilhão de litros do milho.

Nos subprodutos gerados a partir da cana-de-açúcar, o etanol anidro deve chegar a 10,5 bilhões de litros, o que equivale a 12,6% a mais que na safra anterior. Este composto é utilizado na mistura com a gasolina. Já no caso do hidratado, a tendência é uma queda de 14,1%, em relação à safra passada, chegando a 19,8 bilhões de litros.

Com relação à produção de açúcar, esta deverá atingir 31,8 milhões de toneladas este ano, um crescimento de 9,5%. No plantio da cana, o estudo aponta um acréscimo de 0,3% na produção em relação à safra passada, chegando a 622,3 milhões de toneladas. Em compensação, a área colhida está estimada em 8,38 milhões de hectares, uma queda de 2,4%.

Milho

A partir do 1º levantamento da safra 2019/20, divulgado em maio deste ano, a Conab passou a incluir na divulgação as estatísticas totais de etanol, o que engloba também os dados sobre o etanol à base de milho. Isso porque o cereal vem assumindo um papel de relevância crescente na produção do combustível.

A região que mais se destaca na utilização do cereal como combustível é o Centro-Oeste, com 94,2% da oferta nacional em 2019, ou seja, 1,27 bilhão de litros, um crescimento de 62,4% em relação à safra passada.

Brasil vende vantagens de carros a etanol contra avanço de carros elétricos

Por Eduardo Sodré

Uma comitiva brasileira visitou Estados Unidos, Índia e China no fim de maio. O objetivo foi apresentar aos maiores mercados automotivos do planeta as vantagens ambientais do etanol em comparação à gasolina e aos veículos 100% elétricos.

A viagem foi organizada pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que aproveita a evolução dos automóveis para, enfim, transformar o combustível de origem vegetal em uma alternativa global para reduzir emissões de CO2 (gás carbônico).

O objetivo é ampliar a produção nacional e tornar o Brasil um país exportador de etanol e de tecnologias para carros híbridos flex, capazes de rodar com álcool, gasolina e eletricidade.

Caso os planos deem certo, será o ápice de uma história que começou com incentivos governamentais nos anos 1970, conquistou mercado e naufragou devido crises de abastecimento.

Renato Romio, diretor do Instituto Mauá de Tecnologia, lembra que 97% dos veículos novos produzidos no Brasil em 1985 eram movidos a etanol. Segundo ele, esse foi o melhor momento do setor: com o programa Proálcool, até os caminhões que transportavam a cana eram movidos pelo combustível de origem vegetal.

Hoje, a Unica procura mostrar que os problemas do passado foram superados e não há risco de descontrole de preços ou desabastecimento.

O que permitiu o avanço do etanol no Brasil foi a chegada dos carros flex, em 2003. De acordo com dados da Unica, 533 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas na atmosfera desde o lançamento dessa tecnologia até fevereiro de 2019.

Hoje, 97,7% dos carros produzidos no Brasil podem ser abastecidos com álcool ou gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção.

A conta é por equivalência: considera o quanto de CO2 é absorvido pelo cultivo da cana e inclui no cálculo o gás carbônico que é gerado em outras etapas do processo, do plantio às bombas de combustíveis. O transporte a partir dos canaviais e a distribuição do álcool nas cidades é um ponto negativo por utilizar caminhões movidos a diesel.

A entidade que representa a indústria da cana diz que, em comparação à gasolina, o etanol proporciona uma redução de 90% nas emissões dos gases causadores do efeito estufa. Em relação ao diesel S10, com baixo índice de particulados, a diminuição é de 50%.

Evandro Gussi, presidente da Unica, diz que uma das possibilidades é a exportação de etanol anidro para que seja misturado ao combustível fóssil em outros países, como já ocorre no Brasil.

Ele afirma que os carros a gasolina mais modernos já aceitam percentuais altos de álcool sem apresentar falhas, citando o exemplo de modelos premium produzidos no Brasil.

De fato, isso ocorre. A evolução dos motores e dos sistemas de injeção de combustível permitem ajustes eletrônicos que adequam os automóveis a mudanças como essa. No entanto, é necessário usar os mesmos parâmetros adotados no Brasil, onde a gasolina comum recebe a adição de 27% de etanol anidro.

Asiáticos, norte-americanos e europeus também precisariam se adaptar ao consumo maior dos carros como resultado da adição do combustível brasileiro, que tem menor poder calorífico.

Caso as propostas da Unica sejam aceitas por grandes mercados, haverá necessidade de aumentar a produção de etanol. Gussi diz que isso será possível sem desmatamento, apenas aproveitando áreas que antes eram usadas na pecuária.

O presidente da entidade afirma que a modernização dos métodos de criação de gado permitiu reduzir os espaços necessários para essa atividade. As terras que ficaram disponíveis permitem aumentar em seis ou sete vezes as áreas usadas hoje no cultivo da cana.

A estratégia para convencer países que hoje criam legislações que favorecem a eletrificação dos carros também passa pelos dados de emissões de CO2 e de poluentes.

Gussi diz que a poluição causada por usinas de carvão, fornecedoras de grande parte da energia consumida em países da Ásia, pode tornar carros movidos a eletricidade mais nocivos ao ambiente do que um veículo a gasolina.
Isso ocorre porque, quanto mais automóveis desse tipo existirem naquele continente, maior será o consumo dessa energia “suja”.

Outro problema está nas linhas de montagem. “Existem estudos sobre a produção de baterias que mostram que o nível de geração de CO2 nesse processo é muito elevado, podendo levar anos para que um carro elétrico compense no uso essas emissões”, diz Renato Romio.

Contudo, as matrizes energéticas também estão mudando mundo afora, com adoção de hidrelétricas –que dominam o fornecimento no Brasil– e o avanço, ainda tímido, de fontes eólicas e solares, eficientes para atender a microrregiões. Nesse cenário, o etanol é uma alternativa viável no curto e médio prazos, por depender de menos investimentos industriais.

As montadoras instaladas no Brasil se preparam para uma possível expansão do etanol, que abriria espaço para a exportação de carros e de tecnologia.

A Toyota lança no fim deste ano o Corolla Hybrid Flex, que pode rodar por trechos urbanos usando apenas eletricidade e também combiná-la com etanol. Outras montadoras também desenvolvem alternativas baseadas no uso do álcool, como a Nissan e o grupo FCA Fiat Chrysler.

“O etanol conversa bem com a eletricidade, é um ciclo que se fecha”, diz Ricardo Bastos, diretor de assuntos governamentais da Toyota do Brasil.

Porém, a queima do etanol também emite poluentes. É por isso que a tecnologia híbrida é interessante para grandes cidades, já que permite gastar apenas eletricidade para rodar em trechos curtos e de baixa velocidade, situação mais crítica para o ambiente.

ANP institui programa para monitorar qualidade de combustíveis do país

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quer melhorar a qualidade de combustíveis comercializados no país. Com esse objetivo, a ANP editou a Resolução nº 790, de 10 de junho de 2019, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (11), instituindo o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis.

O programa estabelece, entre outras diretrizes, os requisitos para o credenciamento de laboratórios que farão as análises dos seguintes combustíveis: etanol hidratado, gasolina C e óleo diesel B. Os resultados obtidos pelo programa serão utilizados para geração de indicadores da qualidade dos combustíveis líquidos automotivos comercializados no território nacional.

“O laboratório credenciado não poderá ter vinculação, nem possuir em seu corpo administrativo ou social pessoas diretamente ligadas a produtores de combustíveis ou agentes econômicos ou instituições a eles vinculadas, tais como sindicatos e associações”, diz a resolução.

O documento estabelece também que será permitido ao laboratório credenciado subcontratar, total ou parcialmente, o serviço de coleta e de transporte do material ao laboratório, “desde que permaneça integralmente responsável pelos atos do subcontratado, o qual não poderá ter vínculo societário ou administrativo com os agentes econômicos”.

A ANP realizará processo licitatório para a escolha de laboratório a ser credenciado, por bloco de monitoramento, cujas regras serão definidas em edital a ser divulgado pela imprensa oficial.

 

Matéria-prima do etanol e do açúcar vem de universidades brasileiras

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) é uma das 10 instituições brasileiras de ensino superior que compõem a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Sucroenergético (Ridesa), grupo de pesquisadores que tem contribuído para o melhoramento genético da cana-de-açúcar. Ao longo de 29 anos de existência, a Rede desenvolveu 94 variedades de cana-de-açúcar com melhoramento genético. Elas representam 74% das variedades cultivadas no país e 84% das cultivadas no Paraná.

O trabalho desses pesquisadores faz parte da vida de praticamente todos os brasileiros, quando consomem açúcar ou abastecem seus veículos. Só em 2015 a Ridesa lançou três novas variedades de cana-de-açúcar que já demonstram resultados positivos na lavoura em diferentes aspectos, como no crescimento mais rápido e no teor de sacarose mais elevado. As categorias foram obtidas como resultado de pesquisas feitas pelo Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA/UFPR/RIDESA), ligado ao Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo do Setor de Ciências Agrárias da UFPR que, ao todo, já liberou seis variedades.

O Paraná é o quinto produtor de cana-de-açúcar do Brasil, com área plantada de 620 mil hectares, o que resulta em uma colheita de 44 milhões de toneladas por ano e garante à universidade um papel relevante na economia do estado. As pesquisas que originam novas variedades contribuem para aumentar a produtividade no setor gerando emprego e renda. Das variedades desenvolvidas pela UFPR, a RB966928, liberada em 2010, é atualmente a segunda variedade mais cultivada no País, com mais de 1.300.000 hectares plantados.

A Ridesa conta com 79 bases de pesquisa espalhadas pelo País, entre laboratórios, estações de cruzamento, estações experimentais e bases de seleção. Ao todo o grupo é responsável por 75 cultivares. Na UFPR, o projeto possui 24 unidades conveniadas, entre usinas e associações, atuando também em Santa Catarina, junto à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), e no Rio Grande do Sul, com a Embrapa Clima Temperado.

O professor Edelclaiton Daros, que foi coordenador geral da Ridesa por 18 anos, fala sobre a dimensão dessas pesquisas na vida dos brasileiros. “Quando tomamos um café e abastecemos um veículo com etanol, devemos lembrar que a cana que deu origem a esses produtos é tecnologia das universidades”, afirma. Além de trabalhar com o melhoramento da cana-de-açúcar, a Rede ainda desenvolve capital humano e científico para o país, por meio da formação de profissionais.

*Da UFPR*

Conab divulga pela primeira vez dados sobre a produção de etanol de milho

Cada vez mais relevante no cenário nacional, o milho já é responsável pela produção de cerca de 1,4 bilhão de litros do etanol total produzido no país, somando-se anidro e hidratado. Os dados foram coletados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e divulgados nesta terça-feira (7) junto com o 1º Levantamento da Safra 2019/2020 de cana-de-açúcar, que traz também dados do etanol da cana, além da produção do açúcar no país.

Para o coordenador geral de cana-de-açúcar e agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Cid Caldas, esse novo nicho de mercado é promissor.

“É um novo negócio, ou seja, o Brasil tem a possibilidade de fazer etanol de milho, fazer etanol de cana e no futuro fazer etanol de segunda geração que é o etanol de biomassa. Não dá para se dizer que pode se fazer etanol de milho em todo Brasil porque depende das condições, depende do preço aonde está o produto. Esse é um nicho de mercado que está se criando bastante promissor, os investimentos nessa indústria são bastante expressivos, então espera-se que nos próximos quatro, cinco anos cheguemos aí a quase 5 milhões de litros de etanol de milho”, disse Caldas.

Segundo o estudo, o estado que mais produz etanol de milho é Mato Grosso, seguido por Goiás e Paraná. “Existe a perspectiva de surgirem novas unidades de produção, porque outros estados já estão investindo para iniciar sua produção nos próximos anos”, afirma o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Guilherme Bastos. Segundo ele, entre as vantagens do milho em relação à cana, está o fato do Brasil ser um dos maiores produtores do grão.

Cana-de-açúcar

Quanto aos números da cana-de-açúcar, o primeiro ciclo da safra 2019/2020 indica que o Brasil deverá produzir cerca de 616 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 0,7% em relação à safra anterior, que foi de 620,4 milhões de toneladas. A explicação seria a retração da área colhida, estimada em 8,38 milhões de hectares, uma queda de 2,4%, se comparada à safra 18/19. Embora tenha havido um aumento da produtividade média, não foi suficiente para influenciar positivamente na produção.

A novidade neste levantamento é que a produção de açúcar voltou a aumentar e deverá atingir cerca de 31,8 milhões de toneladas, ou seja, um crescimento de 9,5%. “Isso demonstra uma tendência de reequilíbrio entre a destinação de cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar e de etanol”, garante Bastos.

“Mas, embora o açúcar esteja se recuperando, a tendência é que o mercado ainda se mantenha mais atrativo para o etanol, em razão principalmente da grande quantidade que existe de açúcar no mercado. A Índia, por exemplo, mantém a sua produção elevada e isso diminui nossa exportação e puxa o preço no mercado interno para baixo. Com isso, o produtor opta por investir no combustível”, conclui o diretor.

Etanol

O 1º Levantamento da Cana mostra que a produção total de etanol está prevista para 30,3 bilhões de litros. Isso representa uma diminuição de 4,2% em relação à safra passada, que foi de 33,1 bilhões. O anidro, utilizado na mistura com a gasolina, deverá ter aumento de 11%, alcançando 10,6 bilhões de litros. Já no caso do hidratado, o total produzido deverá ser de 19,7 bilhões de litros, com redução de 16,5% ou 3,88 bilhões de l.

Para saber mais dados relativos a este levantamento, como, por exemplo, a quantidade produzida nas regiões e outros, clique aqui.

A uma semana do carnaval, etanol tem alta de até 30 centavos em postos de Curitiba

 

O preço do etanol em Curitiba está variando entre R$ 2,76 e R$ 3,10. Esses são os valores encontrados no programa Nota Paraná, que registra as notas fiscais emitidas nos postos. Segundo o Sindicombutíveis Paraná, somente na última semana o valor do etanol nas usinas foi reajustado em 6,36%.

No acumulado de fevereiro, até o dia 22, o etanol já soma altas de 21,91% nas usinas produtoras. O Sindicato afirma que as companhias distribuidoras, de maneira geral, repassam as altas da Petrobras “com grande agilidade”, enquanto as baixas demoram para ser repassadas. Esse aumento repentino surpreendeu os consumidores.

O motorista de aplicativo Emerson Luis Mendes costuma abastecer o carro em média três vezes na semana. Ele conta que em um dos postos em que é sempre abastece, no bairro Pilarzinho, o preço na bomba de combustíveis subiu da noite para o dia. “Fui em um dia, no dia seguinte já tinha mudado o preço. Eu até questionei o frentista e disse pra ele que ontem estava R$2,54, hoje já está mais caro. Assim fica difícil pois eu rodo bastante com o carro”.

A gasolina e o diesel também sofreram reajustes. Nas refinarias, a gasolina chegou a registrar sete aumentos só no mês de fevereiro, chegando a 11%, enquanto o diesel subiu 3,5%. O técnico em automação Aloizio Filipaki Júnior também notou as variações. “Eu tenho um controle pessoal. Em cada abastecida eu marco o preço e a quantidade que eu rodo. Eu tenho observado que ultimamente todos os postos deram uma subida no etanol, principalmente, entre vinte e trinta centavos.”

O aumento do consumo pode explicar a alta dos preços. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumo o consumo de gasolina caiu de 44,15 bilhões de litros para 38,35 bilhões de litros, entre 2017 e 2018, fortalecendo a demanda por etanol.

 

Gasolina de Maringá é a mais cara do estado

A gasolina de Maringá é a mais cara do estado, segundo último levantamento semanal realizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Em pesquisa realizada em 17 postos na semana passada, o valor médio do litro do combustível ficou em R$ 4,80, enquanto que a média do Paraná foi de R$ 4,50 (leia mais na página 7).

Em Maringá, o valor mais baixo encontrado nas bombas de gasolina foi de R$ 4,61, mas o preço variou até R$ 4,89. A cidade paranaense com valor médio mais baixo é Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Por lá, o litro da gasolina tem valor médio de R$ 4,33, mas pode ser encontrada a partir de R$ 4,17.

Ainda segundo a ANP, nas últimas seis semanas o litro da gasolina em Maringá teve alta de 18,1%, bem acima da elevação no estado, que foi de 5,6% no mesmo período.

Etanol

Já no preço médio do litro do etanol, com R$ 3,08, Maringá tem o terceiro mais caro do estado. Nas bombas, o combustível parte de R$ 2,81 e chega a R$ 3,19.

Nos próximos dias o Procon deve fiscalizar os postos de combustíveis para ver se o aumento é abusivo.