Aliados de Bolsonaro, deputados mais votados defendem investigação do caso Queiroz

Além de pertencerem à “bancada da bala”, o deputado federal e o deputado estadual mais votado do Paraná também têm em comum uma relação muito próxima com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Sargento Fahur (PSD), eleito para seu primeiro mandato na Câmara Federal, já recebeu Bolsonaro em sua casa, tem várias fotos ao lado do futuro presidente e foi eleito, inclusive, com o discurso de militarização da política e “tolerância zero a bandido”. Fernando Francischini (PSL), que trocou a Câmara pela Assembleia Legisla, foi o principal cabo eleitoral de Bolsonaro no Paraná, entusiasta de sua candidatura muito antes de ela ganhar corpo, responsável pelas primeiras visitas do então presidenciável ao estado. Ao serem diplomados, nesta terça-feira, em sessão solene do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, ambos foram questionados sobre as movimentações financeiras suspeitas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro (vereador no Rio de Janeiro, senador eleito e filho do futuro presidente) Fabrício Queiroz, que são investigadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Eu acho que tem que ser investigado. Se fez, tem que pagar. Ninguém é melhor do que ninguém. A lei é para todos”, limitou-se Fahur. “É uma coisa séria, que merece resposta e está tendo. Acho que o Flávio veio a público trazer suas respostas e agora, como mesmo disse Sérgio Moro, cabe as autoridades como Coaf e ministério da Justiça fazer as suas investigações”, disse Francischini, ex-delegado da Polícia Federal.

Francischini também comentou sobre boatos de sua queda de prestígio perante o presidente eleito, uma vez que, após ter sido um de seus principais aliados até a campanha, foi preterido na transição e na montagem de equipe. “Nós elegemos, faz duas semanas, minha esposa, Flávia, como secretária-geral do partido com mandato de dois anos, estamos trabalhando fortemente para eleger uma grande bancada que possa fazer parte das mesas diretoras, tanto da Alep quando na esfera federal. Hoje, eu fui indicado pelo presidente nacional do PSL para ser o articulador nacional do partido. Então, temos que trabalhar com a realidade, né, menos fofoca e mais articulação. Nos bastidores, eu fui bem até agora, né? Eleger 11 deputados, levar o presidente Bolsonaro para o PSL. Vocês vão ter respostas de fato e não de fofoca”.

Nesse trabalho de articulação, Francischini, agora organiza a bancada para a eleição da Mesa Executiva da Assembleia. Com o maior número de deputados eleitos, o partido discute se o indica como candidato à presidência da Casa ou apoia outro deputado, em nome da governabilidade. “A tendência hoje é que possamos estar em um bloco que dê sustentação tanto para Ratinho, quanto para Bolsonaro. “Estamos trabalhando para confirmar nomes que podem não ser os ideais, mais que possam estar alinhados e dar governabilidade”.

Já Fahur voltou a afirmar que a segurança pública será sua bandeira na Câmara. “Quando um sargento de polícia, radical e intransigente contra bandido é eleito deputado federal mais votado no Paraná, é um recado das urnas que as pessoas não estão contentes com o atual sistema de segurança pública, com essa ‘passassão’ de mão na cabeça de bandidos. Vamos trabalhar para endurecer cada vez mais a vida do bandido”, declarou.