PANC - plantas alimentícias - FAO

Projeto visa divulgar plantas alimentícias não convencionais

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que o número de plantas consumidas pelo homem nos últimos cem anos se reduziu de 10 mil para apenas 170. No Brasil, apesar da riqueza e variedade de espécies encontradas na natureza, a demanda do mercado se concentra em algumas dezenas de itens, esquecendo milhares de outras espécies disponíveis.

Com base neste comportamento, desde 2013, o Departamento de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) vem resgatar a cultura popular do consumo de plantas alimentícias muito usadas no passado e cada vez mais esquecidas, através do projeto Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais),

Em entrevista à Agência Brasil, a professora do departamento, Odara Boscolo, explica que os brasileiros, com o passar do tempo, perderam o hábito de consumir plantas que comiam antigamente, como aroeira, picão, mostardas, entre outras. “O pessoal foi perdendo o costume. O Pancs procura fazer o resgate de uma cultura popular que a gente tinha”.

FÁCIL ACESSO

O grupo que participa do projeto Pancs UFF procura preencher essa lacuna, levando à sociedade informações sobre plantas de fácil acesso e elevado teor nutritivo, valorizando, dessa forma, a flora nacional. Segundo Odara, a grande maioria dessas plantas é conhecida principalmente no interior do país. As redes sociais são um recursos usado pelo grupo para que a informação chegue à população.

Segundo a professora, além das folhas, muitas flores podem ser comidas. É o caso, por exemplo, do hibisco, do qual pode-se consumir as pétalas e as folhas, que contêm muito ferro. Outra é a capuchinha, semelhante à flor da abóbora e da mesma família que, além de rica em vitamina C e sais minerais, apresenta propriedades diuréticas, purificantes, analgésicas, anti-glicêmicas e anti-hemorrágicas. “A capuchinha tem aquele sabor azedinho, tipo trevinho, que é uma planta infestante, que as pessoas arrancam do vaso”, disse Odara Boscolo.

Dependendo da região do país, a professora citou como alimento de alto teor nutritivo a maria gorda, também conhecida como major gomes. “É uma planta que nasce em qualquer terreno e é riquíssima em ferro”. Há ainda o caruru, também chamado de bredo, muito usado na Bahia; a serralha, planta medicinal comestível considerada por muitas pessoas como erva daninha, entre outras.

Odara Boscolo destacou que antes de comer qualquer planta, é recomendável que as pessoas investiguem se é a planta certa, para evitar problemas de intoxicação. “Não é para sair comendo qualquer coisa”. Para tirar dúvidas sobre o que deve ou não ingerir, as pessoas podem recorrer à página do grupo de pesquisadores do Pancs no Facebook ou no Instagram, onde poderão também se inteirar de receitas que podem ser preparadas com esses ingredientes.

Como parte do projeto Pancs, o grupo idealizou um aplicativo para ajudar a população a reconhecer as Pancs, porém, segundo a professora, a bolsa de iniciação tecnológica oferecida pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBIT) ao projeto não foi renovada.

Com o objetivo de angariar fundos para ajudar na elaboração do aplicativo, o projeto Pancs prevê realizar, ainda no primeiro semestre deste ano, evento com palestras, mini-cursos, oficinas envolvendo receitas veganas, cosméticos naturais, e andanças nas ruas para ensinar a conhecer algumas plantas.

Mais de 50 estudos acerca de espécies vegetais produzidos pela equipe do projeto podem ser disponibilizados no aplicativo. A ideia é possibilitar a identificação das plantas comestíveis através de foto, formato de folha, cheiro, cor. “É como se fosse uma chave de identificação. No final, você descobre a planta”.

ATIVIDADES

O projeto Pancs leva a colégios e feiras de ciências jogos educativos e interativos, visando aproximar o público de uma alimentação mais diversificada e nutritiva, além de promover mini cursos em universidades. “A gente vai adequando as nossas atividades de acordo com o público- alvo”, pontuou Odara.

Banana - FAO - Fungo - Epidemia

Fungo coloca em risco produções de banana em todo mundo

A banana, uma das frutas mais consumidas do mundo, está sob a ameaça da expansão global de uma nova variedade do Mal-do-Panamá –um tipo de fungo cientificamente batizado de Fusarium oxysporum, cujos estudos identificaram a existência de quatro raças.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), esse fungo pode contaminar mais de 80% das espécies de bananas cultivadas no mundo e seu poder de destruição é tal que pode levar à perda de 100% do campo cultivado.

O fungo se hospeda no solo e é extremamente persistente, sobrevivendo por até 30 anos. As bananeiras infectadas sofrem o amarelamento das folhas, murcham e morrem –daí um dos apelidos da doença ser murcha de Fusarium.
A disseminação é feita por mudas ou solo contaminado, que pode ser carregado por maquinário, ferramentas e até sola de botas. As bananas não chegam a ser afetadas, nem há risco à saúde humana, mas dizima as plantações.

O Fusarium já é um velho inimigo da fruta. Entre os anos de 1900 e 1960, a raça 1 afetou plantações de banana do sub-grupo Gros Michel, o principal tipo exportação daquela época. Nos anos 30, destruiu cerca de um milhão de pés de bananas em Piracicaba, interior de São Paulo.

A banana que comemos hoje não é a de 50 anos atrás, já que a Gros Michel teve de ser substituída por variedades resistentes da Cavendish, como a nanica.

Em caso de uma epidemia global, os bananicultores do mundo podem novamente ter de trocar suas plantações por novos tipos, o que significaria um enorme prejuízo.

“Isso pode levar à substituição de variedades de bananas mais consumidas por outras de menor aceitação pela população e que não tenham características para cultivo comercial –de resistência ao transporte, exportação– como as Cavendish, mas que tenham resistência ao fungo”, conta Josiane Takassaki, pesquisadora do Laboratório de Doenças Fúngicas em Horticultura do Instituto Biológico de São Paulo.

A ameaça global em curso é liderada pela raça 4 do fungo, o R4T, que não tem registro no Brasil.

Sua expansão teve início na década de 1990, em bananeiras da Ásia. Os primeiros registros ocorreram em Taiwan, Malásia e Indonésia.

Na década de 2000, se alastrou rapidamente pelo Sudeste da região e, então, alcançou o Oriente Médio e a Austrália. O sinal de alerta foi acionado em 2013, quando a doença contaminou plantações em Moçambique, na África.

As medidas de contenção da praga, como isolamento das áreas de cultivo e destruição dos bananais, não foram suficientes para evitar que ela chegasse às Américas, com o primeiro caso confirmado na Colômbia, em junho deste ano.

Segundo o ICA (Instituto Colombiano Agropecuário), as seis áreas infectadas no departamento de La Guajira, ao norte, foram isoladas e parte das plantações destruídas.

A suspeita é de que a contaminação tenha se dado por importação de maquinário sujo. A região de La Guajira fica na costa do Mar do Caribe, onde estão importantes produtores da fruta, como Panamá, Costa Rica e Honduras.

O Ministério da Agricultura brasileiro diz que, após a confirmação do caso na Colômbia, proibiu a importação de mudas e intensificou a vigilância na região fronteiriça. A fronteira com a Colômbia tem mais de 1.600 km de extensão, permeada por rios.

Em agosto, foram vistoriadas propriedades em Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, no Amazonas, na região da tríplice fronteira com Peru e Colômbia, sem que fosse detectado nenhum caso suspeito.

O presidente da Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores), Jeferson Magário, diz que a entidade enviou ofício ao Ministério da Agricultura solicitando uma reunião para alinhar medidas de controle fitossanitários e mais informações sobre a doença, mas não obteve resposta.

O Ministério informou que o ofício foi recebido e que vai se organizar para realizar a reunião solicitada na maior brevidade possível.

Brasil pode ter dificuldade de identificar praga Uma das principais medidas para a contenção de uma nova doença em cultivos é sua rápida identificação e contenção, o que seria um problema no Brasil.

Os bananais do país convivem há décadas com a raça 1 do Fusarium, que afeta principalmente as bananas dos tipos maçã e prata.

“O que se faz hoje é manejar a cultura com controle biológico, de cultivo e testar outras variedades”, diz o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Fernando Haddad.

Segundo o pesquisador, a versão 4 atinge todas as variedades suscetíveis à raça 1, mas é ainda mais agressiva e contaminante, apesar de os sintomas serem os mesmos.

“Se houver uma introdução do R4T por um bananal de prata ou maçã, nós não vamos diferenciá-los visualmente, e talvez não façamos a contenção na velocidade necessária para evitar que ela se espalhe”, explica.

O Brasil tem mais de 500 mil hectares de banana plantados. No Vale do Ribeira (SP), uma das principais regiões produtoras do país, com 25 mil hectares e uma produção anual de 1,1 milhão de toneladas, os agricultores se preocupam com uma rápida expansão da R4T, ainda sem frutas resistentes à doença.

“Somos uma região com 270 mil habitantes, onde a principal atividade econômica é a bananicultura, para alguns municípios chega a representar 80% do PIB (Produto Interno Bruto). O que a gente espera é que o governo mantenha as barreiras fitossanitárias nas fronteiras e dê apoio ao produtor na prevenção”, diz Jeferson Magário, da Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores), que também é presidente da Abavar (Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira).

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mantém um programa de melhoramento genético de mudas e variedades, com bons resultados para a raça 1 do Fusarium, mas ainda não há variedades resistentes à raça 4 no mundo.

A esperança pode vir da engenharia genética.

Mudas geneticamente modificadas da variedade Grand Naine produzidas pela Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, mostraram resistência em solos infectados com R4T.

Os resultados, porém, ainda são preliminares.

Entrevista: Pesquisador fala sobre o mito do agroquímico

Em entrevista concedida ao Sistema FAEP/SENAR-PR, o professor Caio Carbonari discorre sobre os mitos que cercam o tema agroquímicos. Carbonari leciona na Universidade Estadual Paulista (Unesp), é pós-doutor e livre docente em Agronomia e Proteção de Plantas. Leia a entrevista:

BI: O senso comum diz que o Brasil é o líder mundial no uso de agrotóxicos. Por que esta afirmação é equivocada? Que tipos de dados ou estudos podem subsidiar isso?

CC: Quando comparamos simplesmente o valor total do mercado de agrotóxicos, o Brasil aparece em primeiro lugar no valor comercializado. No entanto, essa informação é irrelevante, se não compararmos os dados normalizados, ou seja, correlacionarmos o consumo por área ou por produção.

Em outras áreas do conhecimento, questões similares já foram solucionadas. Por exemplo, o número de crimes, acidentes e incidência de enfermidades são expressos por 1.000 ou 100.000 habitantes. Uma vez que o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, quando comparamos o consumo por área, o consumo do Brasil é inferior ao de muitos países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Alemanha,
França, Itália e Reino Unido. O consumo brasileiro é compatível com muitos países importantes do ponto vista de produção agrícola mundial.
Isso em um ambiente de produção tropical que favorece substancialmente a ocorrência de pragas, plantas daninhas e doenças.

Há algum parâmetro para aferir se uso de defensivos agrícolas é indiscriminado no Brasil?

Quando fazemos uma análise ampla sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, com as estatísticas e critérios adequados, os indicadores mostram um uso seguro de defensivos agrícolas no Brasil.

Uma das ferramentas já consolidadas e com grande aceitação por agências reguladoras e instituições de pesquisa no mundo todo é o EIQ (environmental impact quotient of pesticides – quociente de impacto ambiental), desenvolvido em 1992 por pesquisadores do New York State Integrated Pest Management (Kovach et al, 1992). O EIQ permite quantificar e estabelecer comparações quanto ao risco do consumo de defensivos agrícolas, levando em consideração uma série de fatores como a dose de ingrediente ativo aplicada, características físico-químicas e toxicológicos e dinâmica ambiental de cada composto. Essa ferramenta permite ainda avaliar o risco associado a diferentes componentes,
sendo eles o consumidor dos produtos agrícolas, o trabalhador envolvido na manipulação e aplicação e o ambiente.

Segundo um estudo que conduzimos, os valores de EIQ representando o risco para o consumidor, trabalhador e para o ambiente, vêm caindo no período de 2002 a 2015 e são compatíveis ou inferiores aos observados em muitos países desenvolvidos.
Nós entendemos que o uso do EIQ poderá representar um grande avanço para a avaliação dos riscos associado ao consumo de agrotóxicos e também permitirá informar melhor a população sobre os riscos reais.

Qual a relação que existe entre o fato de o Brasil ter um clima tropical e o uso de agroquímicos na produção?

O clima tropical potencializa a ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas, uma vez que as condições climáticas favoráveis ocorrem o ano todo. O clima tropical tem um aspecto positivo, pois nos permite fazer mais de uma safra por ano, mas aumenta a ocorrência dos problemas fitossanitários, exigindo maiores esforços no manejo. Apesar disso, como mencionado acima, muitos países importantes do ponto de vista de produção agrícola e com clima temperado fazem uso de maiores quantidades relativas de defensivos agrícolas quando comparados ao Brasil.

O Brasil é, hoje, é o maior exportador de soja e um dos maiores produtores de grãos do mundo. Essa produtividade seria possível sem os defensivos?

Na escala que produzimos não é possível, mas é possível trabalharmos continuamente pela redução dos riscos e pela legalidade do uso dos defensivos, o que vem sendo feito no Brasil. Se quisermos aprimorar a abordagem, podem ser estabelecidas metas para a redução dos riscos e as unidades de EIQ são um bom indicador, já utilizadas em outros países. Vale reforçar que quando comparamos os dados normalizados, por produção ou área, temos consumo e risco compatíveis com os de vários outros países desenvolvidos e de importância na produção de alimentos e em relação aos nossos concorrentes no mercado da soja.

Proporcionalmente, o Brasil usa menos agroquímicos que países desenvolvidos, como Japão, Alemanha e França. Que leitura podemos fazer desses dados?

Mesmo usando menos defensivos proporcionalmente, temos níveis elevados de produtividade e temos posição de destaque mundial na produção sustentável de alimentos fibras e bioenergia, o que mostra que temos feito a “lição de casa” quanto ao desenvolvimento de sistemas cada
vez mais sustentáveis de produção e manejo de pragas, plantas daninhas e doenças.

O consumo de agrotóxicos por tonelada produzida no Brasil está bem abaixo do que em países desenvolvidos. O que isso indica?

Novamente, esse dado nos indica a eficiência da nossa agricultura, nossa produtividade vem aumentando todos os anos e o uso de defensivos sequer aumentou na mesma proporção. Isso é mais um indicativo que o uso de defensivos no Brasil é bastante racional, quando comparamos a outros países relevantes quanto a produção agrícola mundial.

Considerando que há essa visão predominante que o uso de agrotóxicos é exagerado no Brasil, qual a saída para este debate?

Isso é atribuído à falta de informações e mesmo à falta de estatísticas confiáveis. Muitas vezes as informações amplamente disseminadas não são construídas a partir do conhecimento técnico e científico disponível. Grande parte das avaliações e julgamentos são de cunho ideológico e genéricos. Quem quiser opinar sobre o assunto deve fazê-lo de modo objetivo e à luz da ciência e do conhecimento. Devemos continuar trabalhando para disponibilizar informações corretas e confiáveis, construídas a partir do conhecimento técnico e científico, sobre o uso de defensivos agrícolas e coloca-las a disposição da nossa sociedade.

Cerca de 820 milhões de pessoas passam fome no mundo, estima ONU

Cerca de 820 milhões de pessoas passam fome no mundo, segundo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Em mensagem divulgada nesta terça-feira (16), no Dia Mundial da Alimentação, o secretário-geral pede que a comunidade internacional se comprometa “com um mundo sem fome, um mundo em que todas as pessoas tenham acesso a uma dieta saudável e nutritiva.”

De acordo com o secretário-geral, em cada grupo de nove pessoas, uma “não tem o suficiente para comer”.  A maioria é mulher.

Guterres acrescenta ainda que cerca de 155 milhões de crianças sofrem de  sofrem de subnutrição crônica e podem ter de lidar com os efeitos da deficiência de crescimento durante toda a vida. Em um mundo onde cerca 1,3 bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos, a fome causa quase metade das mortes infantis. Para ele, “isso é intolerável”.

Ele ressalta que um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Os 193 Estados-Membros da ONU adotaram em setembro do ano passado a Agenda 2030, composta por 17 objetivos e 169 metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Segundo ele, este objetivo é sobre unir a força de todos, sejam países, empresas, instituições ou indivíduos. Guterres acredita que todos devem fazer parte de sistemas alimentares sustentáveis.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicou ontem (15) o relatório Estado da Alimentação e Agricultura, que este ano explora como a migração está ligada à segurança alimentar, à agricultura e ao desenvolvimento rural.

Automatização não significa agricultura artificial

A segurança alimentar da população do planeta é a principal bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO). E dentro deste cenário, o agronegócio brasileiro aparece como protagonista de peso, pelo seu importante papel na produção de grãos, carnes e outros tantos outros alimentos. Mas o desafio não está apenas em disponibilizar alimentos as pessoas, mas elevar os níveis de produtividade e produção no campo. Diante das projeções de que a população mundial será de 10 bilhões de pessoas até 2050, o agronegócio brasileiro
irá contribuir ainda mais com a segurança alimentar global, segundo o engenheiro agrônomo boliviano Alan Bojanic, que desde 2013 é o responsável pelo escritório da FAO no Brasil.

Nesta entrevista exclusiva ao Boletim Informativo do Sistema FAEP/SENAR-PR, Bojanic aponta alguns rumos que podem ser tomados, como a agricultura deve utilizar as tecnologias a seu favor e a importância do Brasil no cenário mundial.

BI – Para onde caminha o agronegócio como um todo no Brasil?
AB – Discutir o agronegócio agora é extremamente importante. Os efeitos do agronegócio para a economia brasileira são significativos, pois tem o potencial para tirar o Brasil da crise, alimentar e dar emprego para boa parte da população. Ainda, espera-se uma crescente demanda por produtos brasileiros do agronegócio, como grãos, carnes e peixes. O que precisa ser resolvido é o tema de logística. Pois para que o país produza mais e tenha essa boa perspectiva para tornar-se uma grande força do setor agrícola mundial é preciso resolver o problema de escoamento dos alimentos.

Projeções indicam a população urbana de 6,3 bilhões até 2050. Esse cenário coloca o Brasil como protagonista na produção de alimentos para a demanda global?
O país tem o maior potencial, entre todos do mundo, para aumentar a produção de alimentos em até 40% nos próximos anos. Acreditamos que em 2027 o Brasil estará produzindo 300 milhões de toneladas de grãos e que assumirá a liderança mundial na produção de milho e soja, superando os Estados Unidos. Significa uma importante contribuição para a segurança alimentar mundial, já que as projeções apontam para um crescimento populacional para 2050, quando seremos 10 bilhões de pessoas. No Brasil, até 2024, incrementos nos resultados da agricultura deverão vir
principalmente de ganhos em produtividade.

Leia a entrevista completa aqui.

FAO alerta para aumento da degradação dos solos

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) fez um alerta nesta terça-feira (5) para o aumento da degradação dos solos a nível mundial, devido a práticas inadequadas de manuseio da terra. O alerta foi lançado por ocasião do Dia Mundial do Solo, que se comemora hoje, sob lema “Cuidar do planeta começa com o solo”.

Segundo a FAO, aproximadamente 33% dos solos globais estão degradados. Em nota, o organismo da ONU e a Parceria Global do Solo (Global Soil Partnership – GSP), lembram que as práticas inapropriadas e a pressão do ser humano estão a intensificar a degradação dos solos, apesar do papel essencial que o mesmo desempenha para a subsistência humana.

Lançada em 2011, a GSP tem cinco pilares de ação: 1) Promover a gestão sustentável dos recursos do solo; 2) Incentivar o investimento, cooperação técnica, política, o ensino e a extensão; 3) Promover Projetos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) na área dos solos; 4) Reforçar a quantidade e qualidade dos dados e da informação sobre o solo; e 5) Apoiar a harmonização de métodos, medições e de indicadores para a gestão sustentável do solo.

Segundo estimavas da FAO, mais de 10 milhões de pessoas já abandonaram os seus países de origem devido a questões ambientais, como seca, erosão do solo, desertificação e desmatamento.

Até 2050, a população mundial deverá atingir 9 bilhões de pessoas, o que obrigará os agricultores a produzirem pelo menos 49% de alimentos sob um clima cada vez mais variável e difícil de prever.

O Dia Mundial do Solo é comemorado anualmente a 5 de dezembro como forma de chamar atenção para a importância de se defender o uso sustentável dos recursos do solo.

Estudo diz que Brasil é eficiente no uso da terra e insumos agrícolas

Estudo que relaciona o consumo total de defensivos agrícolas utilizados nas lavouras brasileiras com a área onde eles são aplicados desmonta o mito de que o Brasil é líder no consumo e coloca o país na sétima posição. A liderança é do Japão.

Quando se relaciona o total aplicado com a produção agrícola, o país passa a ser o 11º do ranking. A constatação é do professor Caio Carbonari, da Unesp de Botucatu e foi feita durante palestra no Diálogo: Desafio 2050 e Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, evento promovido nesta quinta-feira (30), em São Paulo.

O encontro é uma iniciativa da FAO/ONU – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, ABAG – Associação Brasileira de Agronegócio e ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal.

O objetivo é evidenciar a importância dos avanços científicos alcançados pela agricultura brasileira nas últimas décadas, fator que tem assegurado a continua ampliação da produção brasileira de alimentos, fibras e energia, de maneira a consolidar a posição do país como principal fornecedor mundial de produtos de alta qualidade, seguros e produzidos de forma sustentável.

De acordo com o professor Carbonari, que participou do painel denominado Mitos e Fatos, existe muita informação discrepante nessa área.

“A imagem que se cria do agrotóxico não tem conexão com a realidade, pois a agricultura brasileira só conseguiu ter o avanço que teve com tecnologia, inovação e o uso de diversos insumos, entre eles os defensivos”, afirmou. “Necessitamos trabalhar com dados e informações científicas para pautar toda a discussão em torno do assunto”, complementou.

Na mesma linha do professor da Unesp falou a toxicologista Elizabeth Nascimento, que tratou do tema Segurança dos Alimentos.

“Em termos científicos, tivemos um grande avanço nos últimos anos no que diz respeito a parâmetros sobre riscos de contaminação em alimentos. Temos hoje no país inúmeros instrumentos que podem nos dizer, com certeza, quanto podemos comer sem corrermos riscos. Claro que não existe risco zero e nem segurança absoluta”, observou Elizabeth, lembrando que é necessário ainda um esforço na área de comunicação para esclarecer o consumidor sobre essa realidade.

Sobre o tema Reflexos da Alimentação na Saúde e Qualidade de Vida, o endocrinologista Filippo Pedrinola salientou que é preciso se basear cada vez mais em fatos e menos em mitos. “Vivemos uma era que eu costumo chamar de terrorismo nutricional e demonização de alimentos, embasados em pseudociência”.

No seu entender, a recomendação básica para ter uma alimentação mais adequada é fugir de dietas da moda, comer de forma mais consciente e evitar estresse.

Outro participante do evento, o presidente do Ital – Instituto de Tecnologia de Alimentos, Luis Madi, abordou as diferenças entre alimentos Orgânicos & Convencionais. Baseado em diversos estudos do próprio Ital e de outros órgãos, Madi assegurou que não há evidências científicas que sustentem vantagens nutricionais dos orgânicos sobre os alimentos convencionais.

“O resultado disso é que temos um consumidor confuso e desorientado que acaba deixando de consumir alimentos seguros e de qualidade por achar que não fazem bem à saúde. Em relação aos orgânicos, o consumidor compra um produto acreditando que tem benefícios que efetivamente não possui. Ele está sendo enganado”, concluiu Madi.

Produção de alimentos deve aumentar 

Além do painel Mitos e Fatos, o evento contou ainda com duas palestras que analisaram o atual estágio e o futuro do Desafio 2050. Na primeira, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, sustentou que os mais recentes estudos da ONU indicam que a população mundial deverá atingir a marca de 9,8 bilhões pessoas em 2050, estabilizando-se apenas em 2100, quando deverá atingir 11,2 bilhões.

“Dessa forma, o volume total de alimentos a ser produzido no mundo deverá crescer em 70%, alcançando a marca de 2,6 milhões de toneladas de grãos. Desse total, 8% deverá ser fornecido pelo Brasil”, informou Bojanic.

Na outra palestra, Carla Branco, Diretora de Relações Institucionais do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) destacou as ações voltadas para a sustentabilidade que a ong tem colocado em prática no Brasil dentro da agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “Todas as iniciativas são na direção de uma agricultura mais sustentável, com redução de resíduos no solo e também do desperdício de alimentos”, comentou Carla.

Perdas e desperdício 

O tema do desperdício foi abordado com mais profundidade em outra palestra proferida por Bojanic. “Temos como meta, até 2030, reduzir pela metade as perdas e desperdícios de alimentos no mundo, que atualmente estão na marca de 1,3 bilhão de toneladas, o que daria para alimentar aproximadamente 795 milhões de pessoas que são desnutridas”, ponderou o representante da FAO no Brasil.

Falando sobre a temática Produzir com Qualidade e Quantidade, o presidente da Cocamar Cooperativa Agrícola, Luiz Lourenço, trouxe exemplo de sistemas produtivos que recupera áreas degradadas.

“Há exemplos de pecuaristas no interior do Paraná que conseguiram ampliar em até três vezes a produtividade do gado de corte apenas com práticas de recuperação de áreas degradadas”. Segundo ele, a estimativa é de que o Brasil possua cerca de 50 milhões de hectares de áreas que podem ser recuperadas para o plantio.

O encerramento do evento foi feito pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que abordou o tema Caminhos para Chegar em 2030 e em 2050. No seu entender, o Brasil deve utilizar iniciativas como o Código Florestal ou o programa de Agricultura de Baixo Carbono como uma verdadeira marca de país sustentável.

“Temos de mostrar ao mundo que tivemos a coragem de adotar uma política na qual os produtores agrícolas destinam 20% de suas áreas para preservação ambiental. Nenhum outro país do mundo tem isso para oferecer. Essa deveria ser uma marca a ser trabalhada pelo Brasil no exterior”, concluiu.

Mulheres rurais são essenciais para a garantia da segurança alimentar, diz FAO

Por FAO

As mulheres rurais são responsáveis por mais da metade da produção de alimentos e também desempenham um importante papel na preservação da biodiversidade e garantem a soberania e a segurança alimentar a partir de uma produção de alimentos saudáveis.

Por outro lado, estudos da FAO apontam que muitas dessas mulheres vivem em situação de desigualdade social, política e econômica, além de contarem com a titularidade de apenas 30% das terras, 10% dos créditos e 5% da assistência técnica.

Segundo a recente publicação O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2017 (SOFI na sigla em inglês), a brecha de gênero na insegurança alimentar é superior na África (1,5%), seguida pela América Latina (0,7%) e Ásia (0,6%).

A pesquisa também revelou menor diferença entre homens e mulheres na América do Norte e na Europa – 0,1%, enquanto que na escala mundial, os dados mostram uma diferença de um pouco mais de 0,5%; no mundo, 7,3% dos homens sofrem de insegurança alimentar e 7,9% as mulheres.

“As mulheres rurais representam um importante papel na segurança alimentar mundial. Por isso é necessário que os governos adotem políticas públicas específicas voltadas para o empoderamento das produtoras rurais com objetivo de fortalecer a produção, o acesso aos mercados e o direito a assistência técnica”, disse o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

Agenda 2030 

Aprovados em 2015 pelos países que integram as Nações Unidas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentam 17 objetivos e mais de 200 metas. O ODS 5 trata especificamente da questão de gênero. No entanto, o foco na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres estão presentes em todos os ODS.

“A igualdade de gênero é um fundamento necessário para que tenhamos um mundo justo, pacífico, próspero e sustentável, mas também é, acima de tudo, um direito humano fundamental. O empoderamento das mulheres representa um importante multiplicador de bem-estar e um pré-requisito para o desenvolvimento sustentável”, ressaltou Bojanic.

Desafios

As mulheres rurais têm menos acesso do que os homens aos recursos produtivos, serviços e oportunidades, como terra, gado, serviços financeiros e educação. Diante desse quadro, governos e os diversos atores que lidam com a questão devem promover ações eficazes para reverter essa situação.

Fornecer às mulheres melhores oportunidades de produzir culturas para a comercialização, trabalho assalariado em uma agroindústria ou realizar outras atividades remuneradas no setor rural é essencial para aumentar o poder de barganha no lar e legitimar o controle sobre os recursos materiais básicos, como terra e crédito.

“A igualdade de gênero é fundamental para o mandato da FAO. Sem a igualdade de gênero e o empoderamento econômico, social e político das mulheres rurais, a segurança alimentar não será alcançada”, enfatizou o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

Preços de alimentos têm alta apesar da grande oferta

Por Monica Grayley, da ONU News

O preço global dos alimentos para importação deve subir cerca de 6% em 2017, em comparação com o ano passado. A previsão é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e consta do relatório “Panorama da Alimentação”, lançado nesta quinta-feira (9) em Roma, sobre o valor de commodities incluindo cereais, oleaginosas, pescado, carnes, frutas tropicais etc.

Em comunicado, a agência da ONU informou que a alta ocorre em meio a um cenário de larga produção e uma ampla oferta. Uma das razões é a subida do preço do transporte. A conta total será de mais de US$ 1,4 trilhão em 2017, o que representa um aumento de 6%, comparado a 2016. O Panorama da Alimentação é divulgado duas vezes ao ano, examinando a situação do mercado.

Demanda forte

O economista senior da FAO, Abdolreza Abbassian, comentou que, além do cenário favorável, a demanda mundial por alimentos ainda é forte, e que deve haver um aumento a cada ano para todas as mercadorias agrícolas à exceção do açúcar. Para o especialista, o mercado tende a ajustar os preços de forma mais equilibrada em 2018.

Segundo a FAO, as implicações socioeconômicas do aumento impactam principalmente nos países menos desenvolvidos, com alto volume de importação. A conta de importação de carnes, por exemplo, deve ficar 22% mais alta que no ano passado, chegando a US$ 176 bilhões.

Brasil, China, Costa Rica, Índia e México

O relatório da ONU prevê ainda um cenário de oportunidades para a exportação de frutas tropicais, como manga, abacaxi, mamão e abacate. Combinados, eles devem fechar este ano com um valor de US$ 10 bilhões. Somente em 2017, devem ser produzidas 92 milhões de toneladas dessas quatro frutas. Dentre os maiores produtores estão Brasil, China, Costa Rica, Índia e México.

A boa performance é promissora para o desenvolvimento rural e o combate à pobreza com mais negócios para pequenos agricultores.

Já o recorde na produção de mandioca deve ocorrer na África. Segundo o Panorama da FAO, esta é a terceira fonte mais importante de calorias em áreas tropicais, após o arroz e o milho. A África Subsaariana deve produzir 156 milhões de toneladas da raiz este ano.

Maior parte dos alimentos é perdida no caminho até o consumidor

Com Alana Gandra, Agência Brasil

O Brasil ainda desperdiça entre 10% e 30% de alimentos desde a colheita até o consumidor, chegando a 40% em alguns casos. Os dados são da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Porém, segundo o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, o país possui boas práticas, como as centrais de abastecimento (Ceasas) e bancos de alimentos.

“É ao longo da cadeia que acontecem distintas porcentagens [de desperdícios]”, afirmou Bojanic, que participou do seminário Sem Desperdício – Diálogos Brasil e União Europeia, promovido nesta terça-feira (31) no Rio de Janeiro.

O seminário reuniu especialistas da Dinamarca, Espanha, França, Holanda e Suécia, além de pesquisadores brasileiros e representantes do varejo e indústria nacionais.

Alan Bojanic disse que experiências internacionais bem-sucedidas podem ser adotadas no Brasil para que haja redução dessas perdas. “Porque não é só uma questão ética, mas também tem uma dimensão ambiental muito forte, [como] as emissões de gases de efeito estufa muito grandes dos alimentos que são desperdiçados. Tem uma questão financeira, econômica, social”.

Exemplos

Segundo o representante da FAO no Brasil, as campanhas de comunicação bem financiadas e de londo prazo existentes na França, com a meta de mudar a atitude dos consumidores, poderiam ser adaptadas ao Brasil.

Da Espanha, citou a questão legislativa como exemplo exitoso a ser copiado, em termos de acordos firmados entre a sociedade civil e os governos. Destacou que o seminário está sendo também uma ótima oportunidade de mostrar para os estrangeiros as boas experiências brasileiras que podem ser exportadas, entre as quais os bancos de alimentos, cuja eficiência e qualidade não existe em nenhum outro país da América Latina.

Bojanic considerou muito interessante, no Brasil, a experiência da Embrapa, que desenvolve embalagens que protegem e aumentam a vida útil dos alimentos. “As embalagens estão no centro da discussão”, garantiu. Nesse sentido, salientou, a questão da tecnologia para produção de produtos de maior durabilidade, além dos segmentos de transporte e distribuição.

Caminho até o consumidor

Para Bojanic, existe uma necessidade de aprimoramento da regulamentação das perdas ao longo da cadeia produtiva e da aprovação de projetos de lei pelo Congresso para orientar políticas públicas.

Para ele, o problema é tão grande que serão necessários mais esforços e investimentos para diminuir as perdas que acontecem nas estradas. “O problema não é fácil. É uma combinação de mudança de atitudes com grandes investimentos, em alguns casos. Em outros casos, são investimentos menores, mas têm que ser feitos”.

Para isso, disse ser preciso uma boa legislação que incentive o crédito, a adoção de novas tecnologias e a mudança de hábitos, além de articular os interesses do setor privado da indústria de alimentos, da distribuição e dos supermercados com os interesses dos consumidores e da sociedade em termos gerais. Na avaliação de Bojanic, a articulação de atores é um tema central nessa empreitada.

O seminário integra projeto aprovado pela plataforma Diálogos Setoriais, parceria estratégica entre União Europeia e Brasil para favorecer o intercâmbio de conhecimentos, experiências e melhores práticas sobre temas de interesse mútuo, informou a assessoria de imprensa do evento. O projeto, com duração de um ano, prevê a contratação de um consultor externo para conduzir um estudo quantitativo sobre desperdício de alimentos no Brasil, com foco no consumo das famílias.