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Ministra da Agricultura autoriza a suspensão da vacinação contra febre aftosa no PR

O Paraná pretende se tornar, até o final do ano, livre de febre aftosa e sem vacinação.

Dessa maneira, produtores agropecuários devem economizar até R$ 30 milhões ao ano – valor estimado em gastos com vacinas e manejo dos animais.

O principal benefício deve ser comercial, já que alguns mercados asiáticos só compram carne de áreas sem vacinação. São mercados considerados mais exigentes e que poderiam pagar mais pela carne exportada pelo Paraná.

Atualmente, esses países também deixam de aceitar aves e porcos – mesmo que não exista risco de o frango ser contaminado pela doença e apesar de não existir registro de casos em suínos.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, assinou hoje (15) a Instrução Normativa que autoriza a suspensão da vacinação contra a febre aftosa no estado a partir de novembro.

O Ministério fará o monitoramento do Paraná para avaliar a atuação dos postos de fiscalização nas divisas e, após isso, deve reconhecer nacionalmente o estado como área livre da febre aftosa sem vacinação.

No entanto, até lá, devem ser contratados médicos veterinários e técnicos para atuação na vigilância. Um posto de fiscalização agropecuária, na divisa com São Paulo, deve ser construído.

Essa etapa está dentro do objetivo brasileiro de aumentar gradualmente as áreas sem vacinação contra a doença no país, previsto no plano estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa. O governador Ratinho Júnior considera que a medida deve ampliar o mercado do agronegócio.

As doses de vacinas contra a febre aftosa estocadas no Paraná serão remanejadas pela iniciativa privada para os estados que ainda irão aplicar o produto. Com isso, a partir do mês que vem, o rebanho de 9,2 milhões de bovinos e bubalinos do estado não será mais vacinado contra a aftosa.

Além de suspender as campanhas de vacinação, que eram feitas anualmente sempre em maio e novembro, a Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proíbe o uso e a comercialização dessa vacina no Paraná já a partir do dia 31 de outubro. E a partir de 2020, será proibida a entrada de animais vacinados, bovinos e bubalinos, no Paraná.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

Leia mais depoimentos e veja fotos no Boletim Informativo.

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Paraná está próximo de ser reconhecido como área livre da aftosa sem vacinação

A febre aftosa foi tema de audiência pública nesta quarta-feira (28) na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). O estado está prestes a ser reconhecido como área livre da aftosa sem vacinação. Cerca de 1,5 mil pessoas ocuparam as galerias do Plenário, corredores e salas de reuniões da Casa para debater o tema.

O Palácio Iguaçu espera que o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reconheça oficialmente o Paraná como área livre ainda no mês de setembro. As discussões em Brasília estão na fase final.

A nova condição sanitária do setor no Paraná abre espaço para novos acordos comerciais. Depois de receber a chancela do Mapa, o estado buscará o mesmo reconhecimento junto à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). O cronograma estabelecido prevê que isso aconteça até maio de 2021, o que anteciparia em dois anos o planejamento do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA).

ECONOMIA E LUCRO

Entidades que representam o setor apontam que a concessão do status de área livre da aftosa sem vacinação possa gerar uma economia de cerca de R$ 30 milhões com gastos na vacinação. Além disso, a chancela concedida pela OIE possibilitará ao Paraná o ampliar o comércio mundial de carnes, acessando mercados que têm restrições ao rebanho vacinado.

Por fim, outro benefício seria a separação do Paraná do bloco formado por 25 estados também considerados como área livre da febre aftosa com vacinação. A medida visa proteger o estado de medidas prejudiciais caso focos da doença apareçam em outras localidades.

ÁREA LIVRE DA AFTOSA SEM VACINAÇÃO

De acordo com a Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento), a última campanha de vacinação contra a febre aftosa aconteceu em maio. A próxima está marcada para novembro, mas pode ser cancelada caso o selo de área livre da doença seja concedido ao Paraná.

A pasta defende que novo status de área livre da aftosa sem vacinação permitirá ao Paraná praticamente dobrar as exportações de carne suína. Atualmente o estado manda para outros países 107 mil toneladas por ano, mas pode alcançar até 200 mil toneladas caso avance 2% do mercado potencial. Países como Japão, México e Coreia do Sul, que lideram as importações de carne suína, pagam mais por produtos que tenham procedência sanitária.

*Com informações da Alep

PR perto de atender últimas exigências sanitárias da OIE

O Paraná está perto de consolidar sua estrutura sanitária, abrindo caminho para que seja reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação. Os dois últimos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão em vias de serem cumpridos: a construção do último Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário (PFTA) e a contratação de mais médicos veterinários e técnicos agrícolas, para reforçar esta rede de controle. Com a coesão integral da fronteira, o Estado terá condições sanitárias de antecipar para 2021 a conquista do novo status, o que abriria novos mercados internacionais para a pecuária paranaense.

O último PFTA fica na rodovia BR-116, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Orçada em R$ 1,3 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. A unidade irá se somar a outros 32 postos estaduais e a cinco federais que já estão em operação e que compõem a rede que fiscaliza todos os caminhões que transportam animais e produtos pecuários que queiram entrar no Paraná e/ou cruzar o Estado.

“O sistema sanitário do Paraná já é reconhecido pelo próprio Ministério da Agricultura como o melhor do país. Faltavam esses dois pontos, que estão sendo resolvidos. Com isso, damos mais um passo importante em direção à conquista do reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. Será a confirmação da excelência que temos em sanidade e defesa animal”, ressalta o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Paralelamente à obra, o governo do Paraná dará andamento ao processo de contratação de mais 30 médicos veterinários e 50 técnicos agrícolas, que vão reforçar a rede de controle sanitário do Paraná. Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, o governador Carlos Massa Junior já autorizou a abertura de um concurso público, que deve ocorrer em curto prazo. O secretário acrescentou que até os recursos financeiros para as contratações já estão previstos.

“Politicamente, [a contratação] já foi decidida, com a autorização do governador e com previsões orçamentária e financeira”, afirma Ortigara. “São as últimas providências para que, em setembro próximo, o Mapa venha, finalmente, reconhecer o esforço paranaense e declarar o Paraná livre dessa enfermidade para sempre”, completa.

Segurança

O fortalecimento da fronteira sanitária do Paraná tem um motivo prático. Em novembro, o Mapa deve oficializar a autorização para que a vacinação contra a febre aftosa seja suspensa em todo o Estado. Com isso, automaticamente, fica proibida a entrada de animais vacinados no território paranaense – exceto os que serão encaminhados para abate imediato. Ou seja, os 38 PFTAs precisam funcionar como uma barreira, mesmo.

Nesses postos, todos os caminhões que transportem animais ou subprodutos de origem animal devem ser abordados e vistoriados, com a verificação do registro das cargas. Nos postos estaduias, esse controle é feito pela Agência de DeBarreira sanitária Veja onde fica cada um dos 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Agropecuário (PFTAs) estaduais e os cinco postos federais fesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Mas a entidade não está sozinha. As polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) estão autorizadas a parar veículos que transportem cargas animais em todas as estradas do Paraná, cobrando que os motoristas comprovem que passaram por um dos postos de fiscalização.

“O Paraná está extremamente preparado, com as barreiras 100% fechadas. Não temos nem teremos problemas para garantir que animais vacinados não entrem em nosso Estado”, diz diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. “Vamos ter também 17 postos que irão funcionar como um corredor, para caminhões que levam animais vacinados para outros Estados, do Rio Grande do Sul para São Paulo, por exemplo”, acrescentou.

Iniciativa privada

Além da atuação de órgãos públicos e do governo estadual, o processo de conquista do reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação conta com a participação decisiva da iniciativa privada. Ao longo das últimas décadas, produtores rurais – por meio de cooperativas, sindicatos e entidades do setor – investiram dinheiro do bolso na infraestrutura da rede de sanidade do Estado. E não foi pouco dinheiro.

De 1997 para cá, o Sistema FAEP/SENAR-PR aportou mais de R$ 40 milhões no desenvolvimento sanitário do Paraná – em ações de treinamento, divulgação de programas e boas práticas, capacitação de técnicos e produtores, viagens técnicas e acompanhamento de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa).

A iniciativa privada também investiu em infraestrutura, destinando recursos a estruturas públicas. No caso mais recente, por exemplo, estava prevista a aplicação de R$ 4,2 milhões para atender aos requisitos apontados pelo Mapa. Três dos postos de fiscalização – incluindo o de Campina Grande do Sul – foram construídos e/ou reformados com recursos provenientes de cooperativas rurais. Outros dois PFTAs tiveram as obras custeadas pela concessionária de rodovias Viapar. Além disso, o setor privado comprou equipamentos para salas de monitoramento e para 56 postos da PRE, bancou câmeras de monitoramento e sistema de rastreamento veicular.

“Sozinho, o governo não conseguiria fazer todos os investimentos. O setor privado fez esse aporte por entender o retorno positivo que isso trará a toda a economia do Estado. É uma ação forte e assertiva que irá beneficiar não só o agronegócio, mas todos os setores. Só com esse trabalho conjunto é que vamos conseguir a antecipação da conquista do status”, aponta o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.

Esses recursos investidos pelo setor privado nos novos postos de fiscalização e compras de equipamentos foram destinados a partir do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec). Criado em 1995, o fundo é uma sociedade civil sem fins lucrativos, formado por entidades representativas, como FAEP, Ocepar e sindicatos de produtores de diversas cadeias. A partir de convênios, o Fundepec vem garantindo apoio institucional e financeiro para uma série de ações, principalmente relacionados à defesa sanitária. Por tudo isso, o fundo foi peça-chave na consolidação do agronegócio do Paraná. Além disso, o Fundepec dispõe, hoje, de R$ 78 milhões em caixa, para eventuais emergências sanitárias. “O reconhecimento internacional do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação é resultado de uma estruturação sanitária que vem sendo consolidada há décadas. A iniciativa privada sempre teve participação neste processo e o Fundepec é uma peça fundamental, que permite o apoio a ações efetivas que trazem o Estado ao patamar em que, hoje, nos encontramos. Esse salto só foi possível a partir da criação do fundo”, definiu o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Mobilização em série

Paralelamente, a cadeia produtiva e o poder público também mantêm uma preparação do ponto de vista técnico, com uma série de ações com vistas a se preparar para a conquista do novo status. Entre 12 e 16 de agosto, por exemplo, o Estado recebeu um exercício conjunto de simulação de contenção de um foco de febre aftosa. Promovido pela Adapar e pelo Mapa, o evento funcionou como um treinamento prático, de como proceder em caso de eventual confirmação da doença em território paranaense.

Além disso, neste ano o governo do Paraná, com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, promoveu o Fórum Regional Paraná Livre de Aftosa, que passou por seis cidades, reunindo pecuaristas, técnicos e agentes públicos e elucidando dúvidas quanto ao reconhecimento internacional. Mais de 4,5 mil pessoas participaram dos debates em todo o Estado.

Ainda, em 28 de agosto, ocorrerá mais uma etapa deste compartilhamento de informações, com uma audiência pública, que será realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. A expectativa é que mais de 1,2 mil produtores, de diversas regiões do Estado, lotem as galerias da sede do Legislativo paranaense.

FAEP teve papel fundamental no processo

O caminho para que o Paraná se tornasse o Estado com o sistema sanitário mais robusto do país foi longo. A estruturação do sistema de defesa remonta à década de 1970, quando foi criado o Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa (Gecofa). A partir daí, começou a luta de forma sistemática de profilaxia e controle de doença. Nos anos 1980, houve um novo avanço, com a melhoria da qualidade da vacina e na caracterização epidemiológica da doença. A vacinação só passaria a ser obrigatória em 1990.

Paralelamente à fundação e ao posterior fortalecimento contínuo do Fundepec, a FAEP atuou, ainda na década de 1990, para a criação de outras estruturas que foram decisivas à consolidação do sistema de defesa do Paraná. Nesta esteira, como exemplo, estão a instituição do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e o fomento para a criação de Conselhos Sanitários Agropecuários (CSAs). Essas unidades regionais integram agentes da cadeia produtiva a entes públicos, para o desenvolvimento de políticas públicas sanitárias, de acordo com as demandas específicas da microrregião.

Com essa sólida estruturação, FAEP, Ocepar e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) passaram a ser avalistas do sistema sanitário paranaense. Então, os produtores começaram a recolher uma contribuição (R$ 1 por cabeça) para o Fundepec. Esse dinheiro seria usado para ressarcir criadores que tivessem que sacrificar animais em decorrência de eventuais casos de aftosa. Por um lado, essa medida incisiva prevenia prejuízos aos pecuaristas. Por outro, abria caminho para erradicar a subnotificação.

“Tudo isso nos deu a robustez necessária para chegarmos ao estágio em que nos encontramos e para sermos reconhecidos internacionalmente como área livre de aftosa sem vacinação. Nosso sistema sanitário é modelo”, resume o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Próximos passos

Com a oficialização da suspensão da vacinação contra a aftosa, o Paraná passa a aguardar as etapas seguintes do calendário. Em maio de 2020, terá se completado um ano da última aplicação de vacina no Estado. Com isso, o Mapa fará um inquérito sorológico para constatar que não há circulação viral em território paranaense.

Com essa confirmação laboratorial, a expectativa é de que em setembro de 2020 o Mapa possa solicitar à OIE o reconhecimento internacional do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação. Se os parâmetros técnicos permanecerem de acordo com as exigências, a conquista do novo status será, enfim, oficializada em assembleia-geral da OIE, em maio de 2021.

“O reconhecimento internacional irá representar a coroação de um trabalho sério, desenvolvido há décadas, a partir da conjunção de esforços dos produtores e setores privado e público. Será uma conquista histórica para o nosso Estado”, definiu Meneguette.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

Primeira etapa de vacinação contra aftosa tem 98% de cobertura

O Brasil atingiu 98,34% de cobertura vacinal (índice de imunização) na primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa, realizada em maio, conforme dados preliminares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Do rebanho de 197 milhões de bovinos e búfalos de todas as idades previstos para serem vacinados, foram imunizados 193,7 milhões. Os estados do Acre, Paraná e Espírito Santo vacinaram apenas os animais de até 24 meses. Pela primeira vez, foi usada a vacina com dose de 2 ml.

Apenas o Amapá e Santa Catarina não participaram da primeira etapa. Isso porque o Amapá aplica a vacina em todo o rebanho no segundo semestre e Santa Catarina deixou de vacinar em 2000, sendo a única unidade da federação reconhecida pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em 2007, como livre da aftosa sem vacinação.

Segundo a chefe substituta da Divisão de Febre Aftosa do Mapa (Difa), Ana Vidor, a cobertura vacinal nessa primeira etapa de 2019 foi satisfatória, atinge os índices estabelecidos pelo Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) e demonstra também um comprometimento do setor produtivo em continuar combatendo a doença contra a qual vem lutando há muitos anos.

“Para que a gente consiga fazer uma retirada gradual da vacina é necessário que sejam executadas diversas ações, algumas de nível nacional, outras em nível estadual com participação do setor produtivo. É preciso comprometimento não só do Serviço Veterinário Oficial, mas também da cadeia produtiva incluindo o produtor rural”, explicou.

A partir de 1º de novembro, quase todos os estados vão iniciar a segunda etapa de vacinação dos animais jovens. Apenas os estados do Acre, Amapá e Espírito Santo irão vacinar o rebanho de todas as idades.

O Paraná prossegue suas ações para que não vacine mais o rebanho na campanha de novembro, mudança que dependerá do atendimento de ações pendentes e que estão previstas no plano estratégico do PNEFA.

Veja o calendário de vacinação contra a aftosa de 2019

Vacinação

Ministério discute plano para erradicação da febre aftosa

Integrantes da equipe gestora nacional do Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) reuniram-se nesta semana no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para discutir o andamento do plano e os resultados alcançados nesses primeiros dois anos de execução. Ao considerar o nível de avanço das ações previstas, o grupo estabeleceu a possibilidade de antecipação do calendário para o Estado do Paraná, assim como as avaliações em curso para o Bloco I (Acre e Rondônia).

Também foi debatida a necessidade de prorrogar por um ano os prazos previstos para os blocos II (Amazonas, Amapá, Pará e Roraima) e III (Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), e a necessidade de redefinição do Bloco V (atualmente com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina), com reagrupamento dos Estados do MT e MS ao Bloco IV (Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo e Distrito Federal).

O diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA), Geraldo Moraes, destacou a complexidade do plano estratégico, que prevê a execução de ações definidas com o objetivo de permitir um processo seguro de ampliação das zonas livres de febre aftosa sem vacinação. “Neste primeiro semestre de 2019, o DSA percorreu todos os blocos geográficos previstos no Plano Estratégico, o que permitiu um diagnóstico efetivo, nas 27 unidades da Federação, sobre o nível de avanço na execução das ações previstas”, disse.

O Plano Estratégico 2017-2026 do PNEFA visa tornar o Brasil livre de febre aftosa sem vacinação, com reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Atualmente, somente o estado de Santa Catarina tem o reconhecimento de zona livre de febre aftosa sem vacinação, e o restante do país está reconhecido como livre com vacinação.

“As mudanças propostas visam garantir segurança sanitária para a retirada da vacinação. Independente dos novos prazos, a equipe gestora acordou que a antecipação ou prorrogação do cronograma poderá ocorrer a partir da verificação dos indicadores e do andamento das ações previstas, que depende de avaliações contínuas”, explicou o diretor.

A reunião contou com a participação do secretário-adjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Fernando Mendes, e dos representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), da  Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), do Departamento de Saúde Animal (DSA) e do Departamento de Serviços Técnicos (DTEC).

Departamento da Bolívia ganha reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação

No dia 28 de maio, a Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) reconheceu o departamento (divisão geográfica que corresponde aos Estados no Brasil) de Pando, na Bolívia, como área livre de febre aftosa sem vacinação. Segundo o documento oficial da entidade, referendado em evento em Paris, na França, a recomendação está baseada na documentação apresentada pela delegação boliviana, em conformidade com o Código Sanitário para Animais Terrestres.

Localizado na região Norte do país vizinho, o departamento de Pando faz fronteira com os Estados do Acre e Rondônia, de modo que sua conquista de um novo reconhecimento sanitário também influencia positivamente o Brasil. “Cada vez que uma região de um país consegue esse status, acaba por dizer para o resto do mundo ‘olha aqui, eu não tenho a doença, então não vou continuar vacinando’. Esse resultado é fruto do trabalho muito eficiente do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa [Panaftosa] e do serviço de defesa sanitária dos Estados e países”, observa o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir César Martins.

O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu um plano para a retirada gradual da vacinação contra a febre aftosa no Brasil, por meio do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (Pnefa). Desta forma, uma vez que o Acre e Rondônia também se tornem livres da doença sem vacinação, não precisariam se preocupar com o ingresso de animais vindos de Pando. Seria uma fronteira a menos para os serviços veterinários se preocuparem.

Paraná

Segundo Martins, o caminho boliviano é o mesmo pelo qual passa o Brasil, atualmente. “É como nós estamos fazendo também. Começamos com Santa Catarina, [que obteve o status de livre de aftosa sem vacinação] em 2000, e agora estamos fazendo o mesmo caminho no Paraná. A partir de setembro, o Mapa reconhecendo nacionalmente o Paraná como área livre da doença sem vacinação, em maio de 2021 a OIE concede a mesma certificação que recebeu o distrito de Pando”, avalia Martins.

O Paraná vem se preparando há décadas para elevar seu status sanitário para área livre de febre aftosa sem vacinação. O Mapa já reconheceu o desejo do Estado de se tornar livre da doença e enviou duas auditorias que avaliaram o serviço de defesa sanitário paranaense como um dos melhores do Brasil.

A contagem regressiva para essa conquista já começou. A campanha de vacinação contra a doença realizada em maio deste ano é a última dos pecuaristas paranaenses. A elevação do nosso status sanitário deve incrementar nossa exportação de proteínas animais em geral, alcançando mercados que pagam mais, mas hoje estão fechados para os nossos produtos por conta da nossa condição em relação à febre aftosa. “Esse reconhecimento do distrito de Pando nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, finaliza Martins.

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Anibelli aborda retirada da vacina contra aftosa na Alep

No dia 4 de junho, o deputado estadual Antônio Anibelli Neto (MDB) levantou a discussão sobre a retirada da vacinação contra febre aftosa no Paraná e a conquista do novo status sanitário do Estado durante sessão plenária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Em seu pronunciamento, Anibelli, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, destacou a importância dos fóruns realizados pelo governo do Estado com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR e outras instituições, que aconteceram durante o mês de maio em seis municípios do Paraná.

“Foram pessoas de diversos municípios, tirando as dúvidas, dizendo como está o Paraná em relação aos demais Estados. Não falo com o sentimento político, mas com o embasamento técnico pautado em auditorias que o Mapa [Ministério da Agricultura] fez”, ressaltou Anibelli.

O deputado apontou a ausência de circulação do vírus da aftosa no Estado e que esse é o momento para a união da sociedade paranaense em prol do tema. “É o sonho de milhares de paranaenses que o Estado seja livre da aftosa sem vacinação”, destacou, no pronunciamento.

Anibelli, ainda, reforçou a importância dos encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação por trazerem informações técnicas e objetivas para que o novo status se concretize. “Estou extremamente feliz em percorrer o Estado do Paraná, em participar desse fórum e discutir com a sociedade a respeito do momento que vivemos. Tenho a convicção que a estratégia adotada pelo governador através do secretário de Agricultura é a melhor possível e deve avançar com responsabilidade […] independentemente de quem é governo ou oposição, o povo paranaense vai sair ganhando muito com isso”, concluiu.

Fóruns

Durante o mês de maio, os encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação percorreram os municípios de Paranavaí (14), Cornélio Procópio (15), Guarapuava (21), Pato Branco (22), Cascavel (23) e Curitiba (29). Os eventos contaram com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Sistema Ocepar, além de entidades locais que colaboraram com recursos físicos, como prefeituras, Sociedades Rurais de Cornélio Procópio e Pato Branco, Fiep e Unicentro.

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Setor de proteína animal ratifica a retirada da vacinação no Paraná

O trabalho de defesa sanitária realizado no Paraná está caminhando em direção a uma importante conquista para o Estado: o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. O novo título traz mais responsabilidades, mas também carrega a consolidação de uma sanidade animal robusta, integrada e eficiente.

O Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, iniciativa do governo do Estado em parceria com o Sistema FAEP/SENAR-PR e outras entidades do setor, fez parte deste processo de fomento da discussão com todos os elos da cadeia produtiva, além de ratificar o conjunto de ações e esforços que vem sendo realizados em prol da retirada da vacina. Ao longo dos seis encontros durante o mês de maio, milhares de pecuaristas, médicos veterinários, técnicos da área, lideranças rurais, autoridades e representes das indústrias e entidades do agronegócio paranaense ratificaram a decisão da retirada da vacinação contra a doença. Os eventos ocorreram em Paranavaí, Cornélio Procópio, Guarapuava, Pato Branco, Cascavel e o encerramento em Curitiba, no dia 29 de maio.

“Os fóruns tiveram uma participação acima da expectativa. Eu vejo que chegamos a um momento que é irreversível a conquista deste novo status sanitário. O Paraná, de acordo com a própria auditoria do Ministério da Agricultura, é o melhor Estado no serviço de defesa agropecuária”, destacou Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR. “Nós avaliamos de muito bom tamanho esses fóruns. Todo mundo está percebendo a real importância desse passo significativo que estamos dando nessa questão sanitária no Paraná”, complementa Norberto Ortigara, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento.

Para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os  fóruns foram uma etapa importante no processo, pois permitiram conscientizar a população da necessidade da antecipação da vacinação de febre aftosa e de seus benefícios para o Paraná. “O Mapa vê com bons olhos esses eventos, tanto que participou ativamente. E acha que o Paraná está bastante avançado em relação aos outros Estados e tem tudo para conseguir a retirada da vacinação. Vamos atuar de forma objetiva, avaliando essas ações que estão sendo tomadas para que se possa auditar e aprovar, até setembro deste ano, a antecipação da retirada da vacina de febre aftosa”, aponta Cleverson Freitas, superintendente do Mapa no Paraná.

Missão cumprida 

Para o pecuarista Rodolpho Botelho, e também presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, os fóruns foram uma maneira de produtores e técnicos do setor ficarem a par do processo de retirada da vacina e do novo status sanitário. “Todos puderam tirar dúvidas, conhecer os próximos passos e as consequências. Para que isso aconteça, todos da cadeia, principalmente o Estado, pecuaristas e entidades, têm que fazer seu dever de casa”, aponta.

As palestras promovidas dentro da programação dos fóruns permitiram que os pecuaristas esclarecessem o que significa para o Paraná ser área livre de aftosa sem vacinação, em termos produtivos e comerciais.

“Os eventos foram muito bem organizados, prestigiados, tirando dúvidas, e essa capilaridade das pessoas de todas as cidades da região permite que as informações sejam levadas para os companheiros, conversando nos lugares mais longínquos, que sempre tiveram esta vontade de avançar porque sabem que aftosa foi usada para desvalorizar a proteína animal”, afirma o deputado estadual Antônio Anibelli Neto.

A proposta de Anibelli é, no mês de agosto, realizar uma audiência sobre o tema na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). “Esse é um compromisso que assumimos com diversos segmentos que fazem parte da cadeia produtiva animal”, ressalta.

Abertura de mercados

Ao longo de todas as discussões, as vantagens da integração entre os setores público, privado e produtivo estiveram em pauta. Além disso, os fóruns conseguiram fortalecer a importância que a cadeia animal possui, não apenas para o setor rural, mas para a economia e desenvolvimento do Estado como um todo. O Paraná ocupa o topo do ranking da produção de proteína animal do país, apesar de representar apenas 2,3% da extensão territorial nacional, o que comprova a eficiência da agropecuária paranaense.

“Nosso foco é negócio, oportunidade, emprego no campo, gente produzindo para gente vender mais para o mundo, e essa vacina mostra uma cara doente para o mundo, embora não tenhamos a doença. Então superar isso é muito importante para a economia do Paraná, especialmente das famílias rurais do Paraná”, ressalta Ortigara.

Segundo o presidente da ComissãoTécnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, o potencial produtivo paranaense das proteínas animais irá aumentar com o reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação.

“Todos os processos de sanidade são fundamentais para a produção paranaense, e ser área livre de aftosa sem vacinação irá beneficiar as cadeias da pecuária de corte, suínos, aves. Com isso, será necessário aumentar a produção de grãos e, assim por diante, o que ajuda todo o setor produtivo”, explica Botelho, que também assegura que um setor produtivo forte impacta positivamente no desenvolvimento dos municípios.

Além de elevar os negócios no mercado internacional, o fim da vacinação contra a doença terá reflexos positivos dentro do Estado. “Ficar livre da campanha de vacinação traz resultados muito bons. Vai ser melhor para o rebanho no Estado, com o fechamento das fronteiras. Será muito importante para agregar e padronizar o nosso rebanho”, diz João Carlos da Silva Filho, criador de ovinos e secretário de Agricultura de Piraí do Sul, município na região dos Campos Gerais.

Confira por onde passou o Fórum

Durante o mês de maio, os encontros do Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação percorreram os municípios de Paranavaí (14), Cornélio Procópio (15), Guarapuava (21), Pato Branco (22), Cascavel (23) e Curitiba (29), com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Sistema Ocepar, além de entidades locais que
colaboraram com recursos físicos, como prefeituras, Sociedades Rurais de Cornélio Procópio e Pato Branco, Fiep e Unicentro.

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Fóruns sobre vacinação contra a febre aftosa reúnem 4,6 mil pessoas

O ciclo de fóruns regionais “Paraná livre de febre aftosa sem vacinação” foi encerrado nesta quarta-feira (29), em Curitiba.

Organizados pelo Governo do Estado e parceiros, os eventos reuniram aproximadamente 4,6 mil pessoas em seis municípios paranaenses ao longo das últimas semanas para esclarecer as mudanças que ocorrerão após a suspensão da vacina contra febre aftosa no Estado.

Além da Capital, os municípios de Cascavel, Paranavaí, Cornélio Procópio, Guarapuava e Pato Branco receberam os fóruns, com a presença de produtores, representantes de entidades e lideranças do setor agropecuário, sindicatos, cooperativas, técnicos, estudantes e servidores do Sistema Estadual da Agricultura (Seagri).

No evento em Curitiba, o gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias, e o diretor-executivo da Frimesa, Elias José Zydek, apresentaram informações técnicas e econômicas que justificam a suspensão da vacina. A expectativa é de fortalecimento das ferramentas de defesa agropecuária e abertura de mercados para o Paraná.

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o Paraná tem condições técnicas, econômicas e políticas de evoluir, e tem mostrando capacidade de ação e estrutura para suspender a vacinação.

De acordo com ele, os fóruns foram uma oportunidade de mostrar as possibilidades de avanço. “Estamos vacinando o rebanho há mais de 50 anos, e nos últimos anos fizemos investimentos consistentes no sentido de mostrar ao mundo uma ‘cara sadia’, embora não tenhamos mais evidência do vírus da aftosa circulando em nosso meio”, disse Ortigara.

Ele destaca que há grandes oportunidades de incrementar a produção agroindustrial, gerando emprego e renda nos municípios, além de entrada no mercado externo.

Campanha

A última campanha de vacinação contra a doença encerra nesta sexta-feira (31) e abrange bovinos e búfalos de até 24 meses. Após a campanha, o Paraná deixa de vacinar contra febre aftosa. Em setembro, o Ministério da Agricultura deve publicar um ato normativo que mudará o status do Estado para Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. A previsão é que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconhecerá a condição do Paraná em 2021.

Com a suspensão da vacinação o Estado tem se preparado para fortalecer a defesa agropecuária. Para isso, são promovidos treinamentos, análises do trânsito de animais e o fortalecimento de barreiras nas divisas do Estado. Cargas em trânsito de animais vacinados poderão circular pelo Paraná, desde que passem por pontos de ingresso estabelecidos pela Adapar, que conta com 33 postos de fiscalização.

O gerente de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, explicou que a vacina teve papel fundamental no controle da doença, mas que pode ser substituída por outros métodos. “Esses métodos são a utilização de uma vigilância mais direcionada, análise de risco e controle de trânsito. É natural que se retire esse protocolo de vacinação num momento em que não há mais circulação viral e nem o risco de introdução”, disse. A febre aftosa não se manifesta no Paraná desde 2005.

Economia

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, afirmou acreditar no potencial do Estado. “Há mais de 30 anos discutimos sanidade no Paraná, com um trabalho árduo que envolveu a participação do produtor rural, da indústria e de toda a sociedade. O Paraná está preparado, o que se comprova pelas auditorias do Ministério da Agricultura”.

Um estudo divulgado em março pelos técnicos Marta Oliveira Freitas (Adapar) e Fábio Peixoto Mezzadri (Deral/Seab) mostra que o novo status pode dobrar as exportações de carne suína no Paraná, chegando a 200 mil toneladas ao ano. O cenário é previsto se o Estado conquistar apenas 2% do mercado potencial, liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais pelo produto com reconhecida qualidade sanitária, e representam 64% do comércio mundial de carne suína. As cadeias produtivas de carne bovina, aves e leite também serão beneficiadas com o acesso a mercados que remuneram melhor.

Parcerias

Para o diretor-presidente da Adapar, Otamir César Martins, a participação efetiva de produtores, técnicos, cooperativas, sindicatos, lideranças municipais e servidores estaduais foi fundamental durante os seis fóruns.

“A partir do momento em que atingirmos o status de Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, a sociedade, os produtores e as lideranças terão que assumir outro papel junto com a defesa sanitária, que é o papel de vigilância. Isso significa estarmos constantemente preocupados em proteger o nosso território contra a entrada de enfermidades”, disse Martins.

O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento e Piraí do Sul, João Carlos da Silva Filho, avalia que o evento ajudou a esclarecer dúvidas de produtores e empresas privadas locais sobre o fim da vacinação. “Saímos daqui com mais esclarecimentos. É uma luta muito importante para nós paranaenses, produtores rurais, e que vai abrir bastante o mercado”.

Os fóruns foram promovidos pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Adapar, Emater, Sistema Faep/Senar, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) e Sistema Ocepar, além de entidades locais, como prefeituras e as Sociedades Rurais de Cornélio Procópio e Pato Branco, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), e Unicentro.