UFPR promove festa para comemorar os 90 anos do Baiano das Agrárias

Com UFPR

José Alves Pereira, mais conhecido como Baiano, é uma figura lendária do Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele começou a trabalhar no setor há 50 anos, em 1967, vendendo sorvetes e outras guloseimas. E, nesse tempo, fez amigos e conquistou a simpatia de estudantes, professores e técnicos administrativos que atuam no local.

Por isso, nesta segunda-feira (29), alunos e funcionários da UFPR vão promover uma comemoração para marcar o aniversário de 90 anos de Baiano e as cinco décadas de trabalho nas Agrárias. A festa será a partir das 15 horas, em frente ao Restaurante Universitário (Rua dos Funcionários, 1540).

Baiano vai receber até uma placa comemorativa em sua homenagem.

História

Todos os dias, das 9 às 16h, de segunda a sexta-feira, Baiano – que na verdade é cearense, nascido na cidade de Crato – marca presença em frente ao diretório acadêmico de Agronomia da UFPR. Vende doces de todo tipo e conversa com alunos e professores. “Isso aqui é uma família”, diz ele.

Baiano do AgráriasO uniforme, uma camisa com a logomarca da UFPR, foi presente do professor Wilson Loureiro, que também criou o “santinho” do São Baiano das Agrárias. No impresso, a foto do Baiano e a frase “Protetor, conselheiro e desatador dos nós dos estudantes de Agrárias da UFPR”. O folheto sugere comer um docinho do Baiano por nove dias seguidos para passar nas disciplinas mais difíceis. A brincadeira é antiga, do tempo do Orkut, mas ainda vale.

Baiano chegou ao Paraná em 1952, primeiramente morando em Paranavaí, e logo em seguida veio para a capital. Em Curitiba, começou a trabalhar vendendo sorvetes. “Mas isso aqui era um freezer, não vendia nada”, lembra ele. Em 1967, por acaso, acabou entrando no campus do Setor de Ciências Agrárias e viu boas possibilidades de vendas. Foi ficando e ganhou o apelido e a simpatia da comunidade.

Algum tempo depois, trocou os sorvetes pelo carrinho ambulante que ganhou de um grupo de alunos de Agronomia. “Era pra ser pipoca, mas eu vi que com doces venderia mais”, explica.

Aos 90 anos, ele diz que vai continuar trabalhando enquanto tiver saúde. Baiano teve cinco filhos, quatro deles vivos, e cinco netos. A esposa faleceu em fevereiro e uma filha mora nos Estados Unidos há 27 anos. Os outros são esperados para a festa de segunda-feira, mais uma homenagem para o “Baiano das Agrárias”.

São Baiano

Mas não é a primeira homenagem que Baiano recebe. Ele já foi homenageado em formaturas, na maioria das vezes como “Amigo da Turma”. Foram tantas que ele até perdeu a conta. “Tenho mais de 30 quadros e homenagens em casa”, diz ele.

Ganhou, também, uma biografia, lançada pela editora Artesão de Memórias, intitulado “São Baiano das Agrárias – Memórias de José Alves Pereira”. O livro foi financiado com a ajuda de ex-alunos do Setor. Baiano também foi agraciado com o título de Engenheiro Agrônomo Honorário pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, em 2015.

Feira Nacional da Reforma Agrária ocorre em maio

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

O lançamento da 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária ocorreu ontem (13) no Armazém do Campo, em São Paulo. A loja de produtos oriundos de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu também música, sarau e intervenções políticas, em uma mostra da programação do evento que ocorre entre os dias 4 e 7 de maio, no Parque da Água Branca, na capital paulista.

Durante a feira, caminhões com mais de 200 toneladas de alimentos, produzidos em 23 estados, além do Distrito Federal, irão para São Paulo com mais de 500 agricultores que fazem parte do MST para participar da feira. “De janeiro para cá todo mundo está empenhado nessa construção, tanto na produção, na seleção e no beneficiamento dos produtos, mas também na mobilização das pessoas”, disse a agricultora cearense Antônia Ivoneide Silva, conhecida como Neném, do setor de produção do MST e integrante da coordenação da feira.

Da Grande São Paulo, pelo menos 4 toneladas de alimentos devem ser levadas para o evento. Verduras, feijão, batata-doce e mandioca, tudo produzido sem agrotóxico, devem ser ofertados na feira a partir da produção do Centro de Formação Campo Cidade de Jarinu. “A gente dos movimentos sociais quer mostrar exatamente o oposto: que toda a sociedade deve comer comida saudável. Isso é viável tanto para o produtor como para o consumidor”, disse Guilherme Verde, da direção estadual do MST em São Paulo.

Alimentação saudável

A questão da alimentação saudável é um tema central que o movimento quer trazer para a sociedade. “Estamos debatendo soberania alimentar, mas agora, mesmo para quem nunca passou fome na vida, não tem a segurança de saber o que está comendo. Até chegar na nossa mesa, alguém já decidiu a forma de produção, quanto veneno usou, se é transgênico”, disse Neném. Ela acredita que a feira é uma oportunidade de diálogo direto com os agricultores.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, diz que este é um momento de celebração para a população camponesa. “É um momento de reunir todo o nosso campo popular, em um momento difícil que vive a sociedade brasileira, para celebrar as conquistas. É trazer a festa da colheita do campo aqui para a cidade”, disse. Segundo o coordenador, este também será um momento de crítica e reflexão sobre a conjuntura política do país e sobre o modelo de desenvolvimento do campo brasileiro.

Programação

Além da ofertas dos alimentos, a feira terá uma programação cultural com tenda literária, seminários, apresentações teatrais e shows. Entre as apresentações musicais, estão confirmados: Tulipa Ruiz, Tico Santa Cruz, Liniker e os Caramelows, Pereira da Viola, entre outros. Os assentamentos trarão também uma mostra das comidas típicas do país com 20 cozinhas que vão apresentar a Culinária da Terra.

A última Feira Nacional da Reforma Agrária ocorreu em outubro de 2015, também no Parque da Água Branca. Mais de 180 mil pessoas passaram pelo espaço nos quatro dias de feira.

Mais informações: www.mst.org.br