Vendas do Tesouro Direto atingem R$ 5,8 bilhões em maio

Em maio as vendas do Tesouro Direto atingiram R$ 5,86 bilhões, informou hoje (25) a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), vinculada ao Ministério da Economia. Trata-se de um desempenho recorde na série histórica. Apesar do aumento das compras de títulos, o mês de maio também registrou um alto volume resgate (saques), totalizando pouco mais de R$ 10 bilhões, sendo R$ 1,95 bilhão relativos a recompras e R$ 8,10 bilhões a vencimentos. Com isso, houve resgate líquido de R$ 4,2 bilhões.

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar a aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só tem de pagar uma taxa à corretora responsável pela custódia dos títulos.

No mês passado, 186.553 novos participantes se cadastraram no Tesouro Direto. O número total de investidores cadastrados ao fim do mês atingiu 4.193.385, um aumento de 89,8% nos últimos 12 meses. O número de investidores ativos chegou a 1.035.092, uma variação de 69,9% nos últimos 12 meses. No mês, o acréscimo foi de 28.545 novos investidores ativos, informou a STN.

Estoque

O estoque do programa fechou maio em R$ 55,5 bilhões, o que significa redução de 6,3% em relação ao mês anterior (R$ 59,3 bilhões) e aumento de 15,4% sobre maio de 2018 (R$ 48,1 bilhões).

Os títulos remunerados por índices de preços respondem pelo maior volume no estoque, alcançando 48,7%. Na sequência, aparecem os títulos indexados à taxa Selic, com participação de 34,0% e, por fim, os títulos prefixados, com 17,3%.

Em relação à composição do estoque por prazo, o governo informa que 1,1% dos títulos vencem em até 1 ano. A maior parte, 36,4%, é composta por títulos com vencimento entre 1 e 5 anos. Os títulos com prazo entre 5 e 10 anos, por sua vez, correspondem a 42,1% e aqueles com vencimento acima de 10 anos representam 20,4% do total.

Bancos criam rede compartilhada de dados para evitar fraudes

Por Julia Moura

O sistema financeiro nacional ganhou uma rede de compartilhamento de dados para combater fraudes. A Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional foi lançada nesta quarta-feira (12) e já conta com nove bancos.

Em um primeiro momento, apenas a identificação de dispositivos móveis roubados será compartilhada. O instrumento, contudo, é o primeiro passo para o desenvolvimento de pagamentos instantâneos e do open banking entre instituições.

Desenvolvida pela CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), associação civil que integra o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a rede já está em operação. Fazem parte Bradesco, Banrisul, Banco do Brasil, Caixa, Banco Original, Itaú, JP Morgan, Santander e Sicoob.

Caso o usuário tenha o seu celular roubado, ao informar um banco, os demais serão automaticamente avisados. Do mesmo modo, caso recuperado, o sistema bancário é informado em conjunto.

As informações podem ser inseridas na rede por meio do nó de blockchain do banco ou por API (Interface de Programação de Aplicativos, em inglês), caso a instituição não tenha a tecnologia blockchain.

O processo é semelhante ao projeto Celular Legal da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que funciona com a colaboração de usuários, fabricantes e operadoras para evitar o uso de dispositivos furtados, roubados ou extraviados.

Segundo Joaquim Kawakama, superintendente-geral da CIP, a entidade já está em contato com operadoras para incluí-las na rede blockchain.

A tecnologia blockchain, que dá mais segurança e rapidez a transações em uma plataforma criptografada e descentralizada, segundo os desenvolvedores, foi fundamental para colocar o projeto em prática, pois tem um menor custo de implementação. Nela, as instituições utilizam os sistemas que já possuem.

No primeiro ano de funcionamento, a rede terá custo zero para os bancos, sendo bancada pela CIP. Com novas funcionalidades, o serviço deve passar a ser pago.

Qualquer instituição financeira pode aderir ao sistema, incluindo fintechs. No futuro, o plano é expandi-la para meios de pagamento.

“Essa é mais uma ferramenta para os algoritmos de segurança dos bancos. Com ela, o volume de fraudes via celular vai cair drasticamente”, afirma Leandro Vilain, da Febraban.

Segundo Vilain, a tecnologia pode ser utilizada, ainda, para desenvolver uma identidade digital verificável.

De acordo com a entidade, 31,3 bilhões de pagamentos e transferências foram feitos pelo celular em 2018, superando o internet banking. O valor corresponde a 40% do total de transações bancárias no período, que chega a cerca de 80 bilhões.

Para utilizar a rede de compartilhamento em transações bancárias, o processo é mais longo. No momento, a tecnologia blockchain não suporta a quantidade de transações por minuto nos horários de pico no Brasil.

“Temos uma fintech que conseguiu realizar mil transações por segundo com blockchain, mas isso é muito pouco. De modo a viabilizar o pagamento instantâneo, é necessário o processamento de, no mínimo, 20 mil transações por segundo”, afirma Kawakama.

Poupança registra retirada líquida de R$ 718,7 milhões em maio

Pelo segundo mês seguido, a poupança voltou a registrar mais retiradas que depósitos. No mês passado, os saques superaram os depósitos em R$ 718,7 milhões, informou nesta quinta-feira (6) o Banco Central.

Em maio do ano passado, os correntistas tinham depositado R$ 2,4 bilhões a mais do que tinham retirado. As informações são da Agência Brasil.

Com o resultado de maio, a caderneta de poupança acumula saques líquidos de R$ 16,997 bilhões nos cinco primeiros meses de 2019. No mesmo período do ano passado, as captações (depósitos) tinham superado as retiradas em R$ 1,71 bilhão.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrir dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$ 17,12 bilhões, e em 2018 (captação líquida de R$ 38,26 bilhões.

Com rendimento de 70% da Selic (juros básicos da economia), a poupança está se tornando menos atrativa porque os juros básicos estão no menor nível da história, em 6,5% ao ano. Nos últimos meses, o investimento não tem conseguido garantir rendimentos acima da inflação.

Nos 12 meses terminados em abril, a poupança rendeu 4,16%. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), que funciona como uma prévia da inflação oficial, acumula 4,93% no mesmo período. Nesta sexta (7), o IBGE divulga o IPCA cheio de maio.

Prazer

Coisas nos trazem prazer, não felicidade.
Um amigo meu, muito bem de vida, me falava da felicidade de dirigir seu Porsche novo. Logo depois, começou a choramingar que tinha discutido com seu filho, que o rapaz não lhe havia perdido perdão e que enquanto não o fizesse não falaria mais com ele. Isso o estava incomodando muito, pois há um mês não se falavam.
Que lugar comum não é? Quantas famílias não têm a mesma situação!
Encontramos prazer em comprar um smartphone novo, com novas funcionalidades. Encontramos prazer em dirigir o carro novo, em fazer aquele cruzeiro programado, em assistir um filme numa TV que nem cabe na parede, mas felicidade, ah isso é algo muito mais complexo e completo e as pessoas não entendem, mesmo nos dias de hoje.
Ela está nas coisas mais simples e que não se pode comprar: no sorriso de um filho, no abraço de uma mãe, na reunião da família, no encontro com os amigos, na paz de observar a natureza, no silêncio depois de uma conquista, incrivelmente sem custar nada.
As distrações que a tecnologia colocou em nossas vidas, através das coisas avançadas que produziu, chamou nossa atenção para o ter ao invés da atenção no ser. Inclusive no ser humano.
Nos trouxe ainda uma insaciabilidade permanente, que nos rouba energia e tempo, este o bem mais precioso do mundo.
Por isso, não espere ter tudo para aproveitar a vida. Você já tem a vida para aproveitar tudo, especialmente para ser feliz.

Renato Follador
Especialista em Previdência e Finanças Pessoais

Caixa realiza mutirão para negociar dívidas atrasadas, em Curitiba

Entre os dias 30 de maio e 7 de junho, a Caixa Econômica Federal vai realizar um mutirão, em Curitiba, para negociação de dívidas habitacionais de pessoas físicas. Podem participar da renegociação clientes com débitos em atraso há mais de 60 dias.

O superintendente regional da Caixa, Renato Scalabrin, explica que as opções de quitação das dívidas dependem da situação do contrato e durante a regularização há três vantagens que podem ser utilizadas pelos mutuários. Ele lembra também que o objetivo da instituição financeira não é retirar o imóvel do mutuário. Segundo Renato Scalabrin, o interesse da Caixa Econômica é fazer com que os clientes consigam reequilibrar as finanças.

O atendimento durante o mutirão será feito das 10h às 16h, na Agência da Caixa que fica na Travessa Oliveira Bello, número 55, no centro da capital paranaense. Além de dívidas habitacionais, os clientes da Caixa também podem participar de uma campanha nacional, lançada nesta terça-feira (28), que permite a renegociação de débitos em atraso de pessoas físicas e jurídicas. A campanha, chamada de “Você no Azul” pretende beneficiar cerca de três milhões de clientes em todo país e, segundo, Renato Scalabrin, o objetivo é resgatar o poder de consumo dos brasileiros.

De acordo com o superintendente regional da Caixa, a ação abrange clientes que estão com dívidas a mais de 360 dias e os descontos, a depender do caso, podem chegar a 90% com pagamento à vista.

A ação estará vigente por 90 dias em todo o território nacional, e os clientes poderão receber atendimento por meio do site www.negociardividas.caixa.gov.br, pelo telefone 0800 726 8068, nas redes sociais da Caixa no Facebook (facebook.com/caixa), pelo Twitter (twitter.com/caixa) e nas agências físicas.

Pé no freio

Não é que eu não goste do comércio, mas eu prefiro a poupança.
Só depois de poupar é que se pode pensar em gastar. Aliás, como se faz nos países desenvolvidos, onde não se tem venda a prestação.
Eu mesmo adoro um eletrônico e a evolução da tecnologia, mas, primeiro, guardar.
Especialmente agora, quando há tanta indefinição.
Vejam, amigos ouvintes, 2019 só vai começar quando a proposta de reforma da previdência for aprovada. Até lá, o que podemos esperar é inércia e zero de investimento.
Porque ninguém investe para o longo prazo se não tem certeza nem do curto prazo. E investimento que gera emprego e renda é investimento na indústria, na infraestrutura e em projetos de longo prazo de maturação.
Muitos já perderam o emprego e outros vão perder até que o país tenha um norte.
Assim, o seguro morreu de velho, a desconfiança é a mãe da segurança e o pior cego é o que não quer enxergar, como diziam nossos avós.
Quando estiver na frente de uma vitrine nestes tempos, se algo te chamou a atenção, pense na resposta a essas três perguntas: eu quero, eu posso, eu preciso?
Só compre se a resposta for sim para as três perguntas.
Do contrário, você vai se arrepender, porque, normalmente, o sonho de consumo de hoje é o pesadelo da dívida de amanhã.
Por fim, não conheço ninguém que se arrependeu de poupar, mas conheço muita gente que perdeu o sono, a casa e até a família por gastar mais do que podia.

Renato Follador

Inadimplência atinge 62 milhões de brasileiros e afeta crédito

Por Gilberto Costa

A taxa de inadimplência ao crédito do sistema financeiro no Brasil chegou a 3,04%, ou em termos absolutos R$ 96,6 bilhões de um saldo total de R$ 3,168 trilhões. Os dados preliminares, relativos ao mês de setembro, são do Banco Central (BC). Os valores não discriminam as contas em vermelho de empresas e pessoas físicas. A inadimplência diz respeito a dívidas em atraso há mais de 90 dias.

A dívida a bancos, operadores de cartão de crédito, financeiras e leasing aflige metade (52%) dos brasileiros com “nome sujo” no Serviço de Proteção ao Crédito, o SPC Brasil. Conforme o birô de crédito, em setembro, 62,6 milhões de pessoas estavam “negativados”, equivalente à população da Itália ou pouco menos de um terço da população adulta com 20 anos ou mais – conforme cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 209 milhões de brasileiros,194 milhões com idade a partir de 20 anos (conforme cálculo estimado na última quinta-feira,8).

Em relação às instituições financeiras, tabela das Estatísticas Monetárias de Crédito, disponível para download na página do BC, a inadimplência junto a essas instituições equivalem a 2,7% dos saldos. No caso das instituições financeiras privadas nacionais, a proporção é de 3,8%. Para as instituições financeiras estrangeiras, o percentual é de 2,6%.

A maior parte do montante da inadimplência é devida aos bancos públicos (46,27%). Em segundo lugar, às instituições privadas de capital nacional (41,28%). Em terceiro lugar, às instituições de capital estrangeiro (12,45%).

Crise, desemprego e dívida

“A inadimplência sempre cresce com o desemprego. Quando o país entrou em crise, a partir de 2014, nós tínhamos 51,8 milhões de CPF negativados. A crise, de 2014 pra cá, colocou mais 10 milhões na inadimplência”, descreve Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, confirma que a recuperação do trabalho, e portanto da renda, é o que faz com que quem esteja inadimplente possa colocar em dia as contas em atraso, especialmente os mais pobres. “Quando o consumidor que tem a renda menor voltar para o mercado de trabalho, ele vai pagar a dívida, resolver esse problema”.

Entre 2014 e 2017, cerca de 6,5 milhões de pessoas ficaram sem ocupação (dessas 3,3 milhões tinham empregos formais). Os números do IBGE contabilizam que no período a média anual da taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais idade no Brasil passou de 6,8% (o menor índice da história) para 12,7% – mesmo percentual de junho de 2018, quando a inadimplência atingiu recorde na Serasa.

Cartão, cheque e empréstimo

As dívidas com o setor financeiro são monitoradas pelo Banco Central. Segundo a autoridade monetária, R$ 2 de cada R$ 5 do saldo inadimplente são de cartão de crédito rotativo, que junto com o cheque especial tem o maior custo de financiamento.

O peso da dívida no cartão é desproporcional ao volume de operações realizadas. “Embora represente apenas 2% do saldo de operações de crédito, o cartão de crédito na modalidade rotativo corresponde a 20,8% da carteira inadimplente”, descreve o Banco Central em documento preparado para IV Fórum de Cidadania Financeira, que ocorreu semana passada em Brasília.

Além da dívida do cartão, 13,5% são de crédito pessoal; 12,9% de crédito consignado; 11% de financiamento habitacional e 9,8% de aquisição de carros – um terço do restante inadimplente é formado por diferentes tipos de créditos e financiamentos.

Dívida em família

No mês de maior inadimplência, a faixa etária com a proporção de mais inadimplentes em junho era a de 36 a 40 anos (47,3%). Mas preocupava especialmente à Serasa o crescimento do percentual de pessoas inadimplentes com mais de 61 anos (35%), 2,6 pontos percentuais a mais do que o verificado em 2016.

Por trás de cada modalidade de crédito é possível levantar inúmeras histórias de pessoas e famílias que passam por dificuldades. Esse é o caso da empresária e relações públicas, de 33 anos, moradora de Recife, Maria Clara, nome fictício a pedido para não ser identificada, que se viu forçada pelo banco a ter que contrair dois empréstimos para quitar dívida do cartão de crédito de sua empresa de eventos.

“A dívida de um mês que estava em R$ 18 mil passou para R$ 60 mil. Está no nome da pessoa jurídica, mas quem sofre é a pessoa física”, descreve a empresária que relata que tem todo mês descontados R$ 1.910 do faturamento e ainda encontra dificuldades com o cheque especial. “Tem meses que o plano de saúde fica atrasado”, conta.

O pai de Maria Clara é funcionário público federal, tem estabilidade de emprego, mas mesmo sem se arriscar ao abrir um negócio como a filha se vê endividado e sempre renegociando seus empréstimos consignados e pessoais. “A gente pensa que voltando ao banco e mais uma vez pegando o dinheiro emprestado vai finalmente resolver”, diz Léssio Ferreira, nome fictício.

Segundo ele, com 61 anos, já poderia estar aposentado do trabalho de técnico laboratorista, mas segue trabalhando e agora tenta voltar a ter um segundo emprego “para reequilibrar as contas”.

Dados do Banco Central mostram que a proporção de endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro em agosto era de 41,93% da renda acumulada em 12 meses – excluindo as dívidas com a casa própria, essa proporção cai para 23,68%. O pico da proporção do endividamento das famílias foi em abril de 2015 (46,39%).

Bancos passam a aceitar boletos vencidos acima de R$ 400

Por Clara Cerioni

Consumidores com boletos vencidos acima de R$ 400 podem realizar o pagamento em qualquer banco. Esta segunda-feira (27) é o primeiro dia útil em que o processo vai funcionar em toda a rede bancária do país para esses valores.

Desde março, a mesma regra já vale para boletos vencidos acima de R$ 800. A mudança faz parte de um calendário organizado entre a Febraban (Federação Nacional dos Bancos) com instituições financeiras.

O objetivo é implementar aos poucos um novo sistema chamado de Nova Plataforma de Cobrança. De acordo com o estipulado, a partir de 13 de outubro as contas vencidas acima de R$ 100 poderão ser quitadas em qualquer banco.

Em 27 de outubro, boletos de todos os valores também serão aceitos. Para contas de cartão de crédito e doações, a data é 11 de novembro deste ano.

De acordo com a Febraban, a nova plataforma vai permitir maior transparência em todo o processo, assegurando aos bancos melhor gestão dos recebimentos.

Além disso, o comprovante de pagamentos será mais completo e seguro. A ideia é que o sistema evite fraudes, já que estarão impressos todos os detalhes do boleto (juros, multa, desconto etc.) e as informações do beneficiário e do pagador. A nova plataforma atende às regras do Banco Central.

Real

Poupança tem melhor resultado para abril em cinco anos

O volume de depósitos na caderneta de poupança superou o de saques em R$ 1,237 bilhão em abril, de acordo com o relatório divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (7). No total, foram aplicados R$ 182,6 bilhões, contra a retirada de R$ 181,3 bilhões.

É o melhor resultado para o mês em cinco anos. O último saldo positivo de abril havia sido registrado em 2013, quando os depósitos superaram os saques em R$ 2,616 bilhões. Nos anos seguintes, o número de retiradas sempre foi maior. As informações são da Agência Brasil.

Com a soma do saldo positivo do mês e os rendimentos creditados nas contas dos investidores -que alcançaram R$ 2,787 bilhões-, o estoque de valores depositados na poupança está atualmente em R$ 735,4 bilhões, cerca de R$ 4 bilhões a mais do que no final de março, quando o saldo registrou R$ 731,4 bilhões.

Apesar do desempenho positivo em abril, as retiradas continuam maiores que os depósitos em 2018. No quatro primeiros meses do ano, a caderneta de poupança registrou saques líquidos de R$ 695 milhões. Mesmo assim, esse foi o melhor resultado para o período desde 2014, quando a aplicação registrou captações líquidas (depósitos menos saques) de R$ 5,39 bilhões.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar mais dinheiro da caderneta para pagamento de dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações líquidas excederam as retiradas em R$ 17,12 bilhões, retomando o saldo positivo depositado na aplicação, que é a mais popular do país.

Rendimento

Pela legislação em vigor, o rendimento da poupança é calculado pela soma da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central, mais 0,5% ao mês, sempre quando a Taxa Selic está acima de 8,5% ao ano. Quando a Selic é igual ou inferior a 8,5% ao ano, como ocorre atualmente, em que a taxa básica de juros está em 6,5% ao ano, a remuneração da poupança passa a ser a soma da TR com 70% da Selic.

Mesmo com a queda nos juros, a poupança voltou a atrair recursos porque os rendimentos estão acima da inflação. Nos 12 meses terminados em março, a poupança rendeu 5,5%, enquanto a inflação do mesmo período foi de 2,82%.

71% dos brasileiros não conseguiram poupar dinheiro em dezembro

Por Flávia Albuquerque, Agência Brasil

Dois em cada 10 consumidores brasileiros (21%) guardaram dinheiro em dezembro do ano passado, e 71% não conseguiram poupar nada. Os dados são do Indicador de Reserva Financeira do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Entre os brasileiros que não pouparam nenhum centavo, 40% justificaram o fato pela renda muito baixa, 17% por não terem nenhuma fonte de renda, 16% por terem sido surpreendidos por algum imprevisto e 13% por não terem controle dos gastos e disciplina para guardar dinheiro.

Os dados mostram ainda que 34% dos entrevistados afirmaram ter o hábito de poupar. Destes, 12% estipulam o valor a ser poupado e 22% guardam o que sobra do orçamento. Pouco mais da metade (51%) das pessoas ouvidas disseram que não têm hábito de poupar, nem têm reserva financeira.

Além desses, 7% disseram que não poupam, mas já têm uma quantia reservada. O indicador ainda revela que metade dos brasileiros que dispõem de reserva financeira (49%) tiveram de sacar, em dezembro, parte dos recursos guardados. Os principais motivos foram imprevistos (14%), alguma compra (13%) e pagamento de dívidas (11%).

Fatores

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o momento econômico limitou a renda das famílias, tornando a poupança de recursos ainda mais difícil, mas nem tudo deve ser atribuído à crise.

“O alto desemprego e a queda da renda de fato pesam, mas também há negligência com as próprias finanças. Um controle adequado do orçamento pode fazer a diferença entre ter e não ter dinheiro sobrando no fim do mês”, afirmou Marcela.

Segundo Marcela, a questão da renda baixa de fato pesa, mas é preciso fazer esforço para poupar, mesmo que pouco por mês.

“O hábito de poupar afasta o mau hábito de gastar mais do que se ganha, e assim, aos poucos, o consumidor cria uma reserva de emergência. É necessário fazer uma avaliação do orçamento, identificando o que pode ser cortado. Muito provavelmente, para montar uma reserva financeira, o consumidor terá de abrir mão de algo”.

Sonhos

O levantamento mostrou também quer o principal objetivo de 37% dos brasileiros que poupam é reservar uma parte do salário para lidar com uma eventual doença ou outros problemas do dia a dia. O desejo de garantir um futuro melhor para a família é o motivo de 24%. Em seguida, vêm a vontade de viajar (22%) e de fazer uma reserva para o caso de ficar desempregado (21%). Em média, o valor poupado em dezembro foi de R$ 571,91.

Poupança é a preferida

Entre os entrevistados que costumam economizar, 57% colocaram o dinheiro na poupança. Em seguida, vêm aqueles que costumam guardam o dinheiro em casa (27%) e os 17% que deixam na conta corrente. Outras opções mais rentáveis de investimentos, porém menos citadas pelos poupadores, são os fundos de investimento (9%), previdência privada (8%), Tesouro Direto (7%), certificados de depósito bancárrio CDBs (5%) e ações (5%).

Marcela Kawauti destacou que as escolhas revelam um perfil conservador e pouco atento à rentabilidade. Ela alertou para a facilidade de transferir o dinheiro da conta corrente para a poupança.

“Assim, o consumidor consegue uma rentabilidade que, apesar de pequena, é maior do que zero. A poupança serve a alguns propósitos por ser uma opção com alta liquidez, mas, principalmente para aqueles que têm objetivos de longo prazo, hoje há muitas informações disponíveis sobre modalidades de investimento com rendimento maior, sem grandes riscos”.