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Seis trabalhadores em condições de escravidão são libertados no Paraná

Seis trabalhadores em condições análogas à escravidão foram resgatados nesta quarta-feira (20) durante uma operação coordenada pelo Ministério da Economia e pelo MPT-PR (Ministério Público do Trabalho). O caso foi registrado na zona rural de Coronel Domingos Soares, no sudoeste do Paraná. Os homens trabalhavam na extração de madeira para a fabricação de compensados.

De acordo com a força-tarefa liderada pelo Ministério da Economia, no mesmo dia o empregador assinou as carteiras de trabalho e pagou o equivalente à rescisão contratual. Ele terão direito, por exemplo, a três meses de seguro-desemprego.

Conforme o MPT no Paraná, os trabalhadores foram retirados do local em razão da precariedade do alojamento. Ele dormiam em um local improvisado, sem água potável. Além disso, os sanitários e chuveiros não reuniam condições mínimas de saúde. Assim, os trabalhadores em condições análogas à escravidão eram obrigados a fazer suas necessidades fisiológicas em campo aberto.

Além disso, o alojamento não contava com espaço adequado para que os funcionários guardassem pertences pessoas. Bem como não havia espaço para todos: havia, inclusive, quem dormisse num colchão sob a mesa de refeições.

CONDIÇÕES ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO NO PARANÁ

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Divulgação/MPT

De acordo com a força-tarefa, as equipes enviadas a Coronel Domingos Soares, no sudoeste do Paraná, encontraram os seis trabalhadores em condições de risco. Eles não tinham treinamento, nem acesso aos EPIs (equipamentos de proteção individual).

Parte dos homens resgatados eram explorados na propriedade rural desde abril. Nenhum deles tinha a carteira assinada pelo empregador, muito menos algum direito trabalhista respeitado. O local fica a aproximadamente 35 km de distância do centro de Coronel Domingos Soares.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho no Paraná, durante a operação de ontem (20), outras duas frentes de investigação foram identificadas. Uma também está ligada à extração de madeira. Outra, à indústria da Erva Mate.

Por fim, além dos seis trabalhadores em condições análogas à escravidão resgatados, um total de 18 trabalhadores foram atendidos pela força-tarefa, dos quais 16 não tinham sequer a carteira assinada. Três empresas madeireiras e uma ligada ao mate foram alvo de fiscalização.

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Lava Jato: 68ª fase mira gigantes do setor petrolífero e faz buscas na Suíça

A nova etapa da Operação Lava Jato cumpriu ordens de busca e apreensão em Genebra, na Suíça. Os alvos são duas gigantes do mercado das commodities de petróleo e derivados: Vitol e Trafigura. A 68ª fase foi realizada nesta quarta-feira (20), e divulgada apenas hoje (21) pela força-tarefa do Paraná.

Conforme o MPF (Ministério Público Federal), a 68ª fase da Operação Lava Jato partiu de um pedido de cooperação internacional feito pela força-tarefa do Paraná às autoridades da Suíça.

De acordo com as investigações, Vitol e Trafigura realizam transações bilionárias com a Petrobras. As operações de compra e venda de petróleo entre a Vitol e a estatal brasileira, entre 2004 e 2015 supera os US$ 14 bilhões. No mesmo período, a Trafigura movimentou US$ 9 bilhões.

Provas documentais, dados provenientes de quebras de sigilos e informações obtidas por meio de acordos de delação premiada indicam que integrantes das cúpulas das duas gigantes do setor petrolífero mundial também pagaram propinas a funcionários da Petrobras.

O esquema é semelhante àqueles investigados em fases anteriores da Operação Lava Jato: diretores e funcionárias do alto escalão da Petrobras recebiam a propina para fraudar licitações. Entre as possíveis vantagens estão o direcionamento de editais, superfaturamentos e aditivos contratuais indevidos.

A 68ª fase da Operação Lava Jato também apura a participação da Vitol e da Trafigura em outros crimes financeiros relacionados a operações de trading (compra e venda). As gigantes atuavam no mercado interanacional em negociações que envolviam óleos combustíveis, gasóleo de vácuo (produto intermediário), bunker (combustível de navio), petróleo cru e asfalto.

De acordo com o procurador da República Athayde Ribeiro da Costa, a Operação Lava Jato já havia destrinchado crimes relacionados à construção de refinarias. No entanto, agora operação alcança esquemas milionários de corrupção em negócios relativos à área-fim da Petrobras.

“As investigações indicam que esquemas compreendida atividades das mais rotineiras, como a comercialização de petróleo e derivados. A coleta de evidências pode ajudar a responsabilizar integrantes da cúpula da Trafigura e da Vitol, intermediários e funcionários públicos lotados em diferentes gerências da área de comercialização da Petrobras”, explicou o membro da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

Conforme o MPF, essa é a terceira fase internacional da Operação Lava Jato. A 68ª fase é um desdobramento das etapas 44 (Abate) e 57 (Sem Limites).

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Lava Jato: 11 executivos ligados ao ‘Clube das Empreiteiras’ viram réus por formação de cartel

A Justiça Federal aceitou uma nova denúncia da força-tarefa Lava Jato no Paraná e levará 11 executivos de empreiteiras ao banco dos réus. Os ex-funcionários da OAS, Mendes Júnior, Engevix, Alusa e Galvão Engenharia responderão por formação de cartel.

De acordo com o MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), eles se valeram do abuso do poder econômico para fraudar e direcionar editais de licitação da Petrobras. Conforme a força-tarefa, o chamado “Clube das Empreiteiras” atuou entre 1998 e 2014 — ano em que foi desencadeada a Operação Lava Jato.

O cartel agia em todo o Brasil, mas a ação foca em obras realizadas em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Betim (MG), Araucária (PR) e Suape (PE). Somados, os danos causados aos cofres públicos superam a marca de R$ 19 bilhões, de acordo com o MPF.

LAVA JATO: CLUBE DAS EMPREITEIRAS

Conforme a Operação Lava Jato apurou, o chamado “Clube das Empreiteiras” era formado por 16 empresas: Odebrecht, UTC, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Junior, Andrade Gutierez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Toyo Setal, Techint, Promon, MPE, Skanska e GDK S.A.

Além disso, o cartel contava com o apoio de outras seis empreiteiras, que também participaram de fraudes: Alusa, Fidens, Jaraguá Equipamentos, Tomé Engenharia, Construcap e Carioca Engenharia.

“O crime de cartel é muito difícil de comprovar, mas o ajuste entre as empreiteiras é observado em um conteúdo probatório diverso. Entre os documentos apreendidos, está um‘regulamento do campeonato esportivo’, que regulava a conduta das empresas do cartel”, resumiu o procurador-chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, por meio da assessoria de imprensa do MPF no Paraná.

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TRF4 nega pedido da Lava Jato e mantém Palocci no regime aberto

De forma unânime, a 8ª Turma do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) decidiu manter a progressão de Antonio Palocci Filho para o regime aberto. O ex-ministro da Casa Civil foi autorizado a progredir para o regime mais brando em agosto. A força-tarefa Lava Jato no Paraná recorreu da decisão, mas o pedido foi negado pelos desembargadores na 2ª instância.

Antonio Palocci foi condenado na Operação Lava Jato por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Após negociações frustradas com o MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

Há 11 meses, em novembro de 2018, o TRF4 confirmou a condenação de Palocci na Lava Jato, aplicando uma pena de 9 anos e 10 dias de prisão. O acordo do político previa o regime inicial semiaberto diferenciado, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Conforme a defesa, Palocci cumpriu 1/6 da pena em julho, o que permitiria a progressão de regime para o sistema aberto. O pedido dos advogados foi acatado pela 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela execução das penas impostas pela JFPR (Justiça Federal do Paraná).

A força-tarefa Lava Jato no Paraná argumentava que o cálculo de progressão deveria tomar como base a condenação total do ex-ministro, e não aquela imposta com base no acordo de delação premiada firmada pelo político com a Polícia Federal. Mas os apontamentos foram negados por unanimidade pela 8ª Turma do TRF4, responsável pelo julgamento das ações da Lava Jato na segunda instância.

Atualmente, Antonio Palocci Filho cumpre o regime harmonizado, mas está proibido de deixar Ribeirão Preto (SP) sem autorização da Justiça. Além disso, ele não pode sair de casa em períodos determinados: de segunda a sexta-feira, das 20h às 7h; aos sábados, a partir das 20h; e todos os domingos e feriados.

* Erramos: ao contrário do que informava a primeira versão deste texto, Antonio Palocci Filho continua a ser monitorado eletronicamente. A informação foi corrigida.

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Força-tarefa Lava Jato insiste na progressão de Lula para o regime semiaberto

Em resposta aos embargos de declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a força-tarefa Lava Jato no Paraná insistiu, nesta quarta-feira (23), na progressão do petista para o regime semiaberto. Os procuradores da República sustentaram o pedido em decisões anteriores do STF (Supremo Tribunal Federal) e TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). O político é contra a progressão.

Nos embargos, a defesa do ex-presidente Lula contestava não apenas o regime de cumprimento da pena, mas também a multa de quase R$ 5 milhões aplicada pela JFPR (Justiça Federal do Paraná) na ação penal relacionada ao Triplex do Guarujá (SP). Os advogados argumentavam que os bloqueios de bens aplicados ao petista são suficientes para cobrir a pena pecuniária, mas apontam que a cobrança deve ocorrer apenas em caso de condenação definitiva (trânsito em julgado).

A força-tarefa Lava Jato no Paraná reconhece que os valores bloqueados superam a pena pecuniária. Além disso, sustenta que a progressão para o regime semiaberto não está, necessariamente, ligada ao pagamento dos débitos. O total cobrado de Lula chega a R$ 4.933.327,38, “correspondente à soma das penas de multa (R$ 168.509,11 e R$ 72.218,19) e da reparação de danos (R$ 4.692.600,08)”.

No parecer assinado por 15 procuradores da República — entre eles o coordenador da força-tarefa no Paraná, Deltan Dallagnol —, o MPF (Ministério Público Federal) cita outras decisões judiciais que sustentam o pedido de antecipação da execução das multas e reparação de danos. Entre as referências está uma decisão da 8ª Turma do TRF-4:

“Entendendo-se possível a execução provisória da pena privativa de liberdade, não seria razoável entender pela impossibilidade de execução das penas acessórias, incontestavelmente mais brandas do que aquelas. Parece lógico concluir que, se a liberdade do réu pode desde logo ser restringida, também pode ser imposto o cumprimento das sanções pecuniárias.”

Por entender que Lula cumpre todos os requisitos estabelecidos pela LEP (Lei de Execução Penal), o MPF conclui o parecer pendido à Justiça Federal do Paraná que execute a pena pecuniária e determine a progressão de regime do ex-presidente para o semiaberto.

Luiz Inácio Lula da Silva está preso em uma sala de Estado Maior, na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba, desde abril de 2018. O político teve a execução da pena antecipada após a confirmação, pelo TRF-4, de uma condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro determinada pela Justiça Federal do Paraná. A ação penal apurava o suposto pagamento de propina ao ex-presidente no Caso Triplex do Guarujá (SP).

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Deltan Dallagnol recusa promoção e pede para ficar na Lava Jato em Curitiba

O procurador-chefe da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, enviou nesta segunda-feira (21) uma carta ao CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) na qual recusa a possibilidade de concorrer a uma promoção para as vaga de procurador regional da República. Assim, ele sinaliza que pretende continuar a coordenar os trabalhos da força-tarefa Lava Jato no Paraná, sob o seu comando desde 2014.

Deltan apresentou a carta no prazo limite para a desistência. Caso não se manifestasse contra a possibilidade, ele estaria apto a ser escolhido para ocupar uma das 10 vagas abertas pela PGR (Procuradoria Geral da República). São nove vagas para atuar em Brasília e uma para exercer o cargo em Porto Alegre.

Por meio de nota, o procurador confirmou ter enviado o ofício ao Conselho Superior do Ministério Público, “indicando que não tem interesse em concorrer à promoção no momento”.

De acordo com Deltan Dallagnol, “a decisão foi tomada após conversar com os demais procuradores da força tarefa”. O procurador da República, no MPF desde 2003, disse ainda que levou em consideração aspectos pessoais e profissionais.

COM LAVA JATO CONTESTADA, DELTAN VIVE MOMENTO CONTURBADO

O procurador vive um momento de turbulência e contestação desde que o portal The Intercept Brasil teve acesso a um pacote de mensagens privadas trocadas por meio do aplicativo Telegram. As reportagens têm sido publicadas pelo site, em parceria com outros veículos de comunicação, como UOL, Folha de S. Paulo e El País.

As mensagens do procurador com outras figuras centrais da Operação Lava Jato sustentam uma série de críticas contra a atuação dele à frente da força-tarefa. Entre as acusações que pesam contra Dallagnol está a de usar o cargo público para fins políticos.

Além disso, Deltan responde a pelo menos nove reclamações no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). As apurações não têm relação com as mensagens trocadas pelo aplicativo, mas com declarações públicas do coordenador da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

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Justiça manda MPF se manifestar sobre embargos de Lula e multa de R$ 4,9 mi

A juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta quarta-feira (9) que o MPF (Ministério Público Federal) se manifeste sobre os embargos apresentados no início da semana pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda-feira (7), os advogados do petista solicitaram a suspensão da multa e reparação de danos calculada em R$ 4,9 milhões referente à condenação no Caso Triplex.

No despacho, a magistrada manda a força-tarefa da Operação Lava Jato apresentar as contrarrazões em até dois dias. Só depois disso é que Lebbos poderá decidir sobre os pedidos de Lula.

A defesa do ex-presidente solicitou a suspensão da cobrança de R$ 4,9 milhões argumentando que os bloqueios impostos a Lula superam a soma da multa e reparação de danos estipulado pela Justiça. Além disso, os advogados apontam que a cobrança só poderia ser executada após o trânsito em julgado — ou seja, quando não houver mais recursos disponíveis para contestar a condenação.

Lula ainda aguarda a conclusão do julgamento de um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal). A peça alega a imparcialidade do ex-juiz Sergio Moro e pede que processo que resultou na condenação do petista no Caso Triplex seja considerado nulo. Não há previsão de o julgamento ser retomado no Plenário do STF.

CASO TRIPLEX E LULA

Na ação penal relacionada ao triplex do Guarujá (SP), Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O  TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a punição para 12 anos e 10 meses. Por fim, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) corrigiu a sentença para 8 anos e 10 meses de prisão.

Ainda restam recursos a serem discutidos pelo STF, além de habeas corpus que podem resultar na anulação do processo, caso seja confirmada a suspeição do ex-juiz Sergio Moro.

No Caso Triplex, o ex-presidente foi acusado pela Operação Lava Jato de receber propina da OAS por meio da construção e reforma de um apartamento no Edifício Solaris, no Guarujá. Ao todo, a suposta vantagem chegava a R$ 2,2 milhões e teria saído de uma das contas de propina destinada ao PT. Em contrapartida, Lula teria agido para favorecer a OAS em contratos com a Petrobras.

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Após novos vazamentos, defesa de Lula pede libertação e diz que Lava Jata era movida pelo ódio

Os advogados do ex-presidente Lula apresentaram nesta terça-feira (27) ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma petição reiterando pedido de habeas corpus para que ele seja solto. O caso está com o ministro Edson Fachin.

Os defensores juntaram ao pedido a reportagem publicada nesta terça pelo UOL, em parceria com o site The Intercept Brasil, que mostra procuradores da Operação Lava Jato ironizando a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Eles debocham do comportamento do ex-presidente, tanto no velório dela quanto no enterro do neto.

Arthur, de 7 anos, morreu no começo do ano, vítima de infecção generalizada causada por uma bactéria.

“Referidas mensagens mostram, em verdade, que a atuação dos procuradores da República em questão sempre foi norteada por ódio e desapreço pessoal pelo paciente e pelos seus familiares”, afirma o advogado Cristiano Zanin.

Tal ódio, diz ainda o defensor, torna os investigadores “absolutamente incapazes de cumprir com seus deveres de imparcialidade, impessoalidade e isenção garantidos pela legislação pátria e internacional”.

Em uma das mensagens, a procuradora Laura Tessler diz, depois da morte de Marisa: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”.

Já a procuradora Jerusa Viecili diz: “Querem que eu fique para o enterro?”.

Eles ainda comentam o discurso de despedida de Lula no velório de Marisa, em que ele diz esperar que os “facínoras que fizeram isso contra ela [Marisa] tenham um dia a humildade de pedir desculpas”.

“Bobagem total…. ninguém mais dá ouvidos a esse cara”, diz Deltan Dallagnol.

A reportagem mostra ainda mensagens trocadas entre os procuradores quando Vavá, irmão de Lula, morreu, no começo deste ano.

Um deles, Antônio Carlos Welter, pondera que Lula tem direito de ir ao enterro, como a lei prevê para qualquer preso. O procurador Januario Paludo responde: “O safado só queria passear e o Welter com pena”.

Quando o neto de Lula morreu, a procuradora Jerusa Viecili comentou no grupo: “Preparem para nova novela ida ao velório”.

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Força-tarefa Lava Jato nega manobras para investigar Gilmar Mendes

O MPF (Ministério Público Federal) negou que procuradores da força-tarefa Lava Jato em Curitiba tenham investigado pessoas com foro privilegiado, como o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A entidade se manifestou por meio de nota, nesta terça-feira (6), em resposta a uma reportagem da edição brasileira do jornal espanhol El País.

“Não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função. Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação”, argumentou em nota a força-tarefa do MPF.

Em parceira com o The Intercept Brasil, o jornal El País indicou que os procuradores da Lava Jato em Curitiba fizeram um esforço para coletar dados e informações sobre Gilmar Mendes. A diligência teria o objetivo de pedir a suspeição ou até mesmo o impeachment do ministro da Suprema Corte.

Segundo o El País, no dia 19 de fevereiro, os procuradores da força-tarefa usaram um grupo no Telegram para debater estratégias de investigações que poderiam ligar o magistrado ao engenheiro Paulo Vieira de Souza. Apontado como operador de propinas do PSDB de São Paulo, havia sido preso novamente em um desdobramento da Lava Jato.

Naquela ocasião, ‘Paulo Preto’ era preso suspeito de operar contas e cartões em bancos sediados na Suíça. Entre os possíveis beneficiários estavam tucanos, como o ex-chanceler Aloysio Nunes. Meses antes, em maio de 2018, o ex-diretor da Dersa havia sido solto graças a um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes.

“Mas vaaaai que”

A partir destes fatos, os procuradores da 1.ª instância debatem pelo Telegram ideias de como rastrear uma possível ligação entre Paulo Preto e Gilmar Mendes.

“Gente essa história do Gilmar hoje!! […] Justo hoje!!! […] Que Paulo Preto foi preso”, escreveu o coordenador da força-tareda, Deltan Dallagnol.

“Vai que tem um [cartão] para o Gilmar…hehehe”, respondeu o procurador Roberson Pozzobon.

Outro procurador da força-tarefa, Athayde Ribeiro da Costa, teria reagido com ironia à teoria apontada pelo colega: “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”.

Ao que Pozzobon reage com risadas: “Ahhhaha. […] Não que estejamos procurando. Mas vaaaai que”.

Depois disso, Deltan Dallagnol especula a possiblidade de pedir às autoridades suíças informações sobre os cartões emitidos por Paulo Preto no país europeu.

“Hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreveu.

Força-tarefa nega investigação contra Gilmar Mendes

Por meio de nota, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba afirmou que “em todos os casos em que há a identificação de pagamentos de vantagens indevidas e lavagem de ativos no exterior, o Ministério Público busca fazer o rastreamento do destino de todos os ativos ilícitos, para identificar os destinatários desconhecidos”.

No entanto, reforçou que não investiga na 1.ª instância pessoas com foro privilegiado, como é o caso do ministro do STF Gilmar Mendes.

“Sempre que surgem indícios do envolvimento em crimes de pessoas com foro privilegiado, a força-tarefa encaminha as informações à procuradoria-geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, na linha da jurisprudência dessa Corte”, diz a nota.

MPF também disse não reconhecer as mensagens que têm sido atribuídas a procuradores da República nas últimas semanas. “O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade”.

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“Tudo indica que havia uma organização criminosa”, diz Gilmar Mendes sobre força-tarefa Lava Jato

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes não poupou críticas à força-tarefa da Lava Jato no MPF em Curitiba e à PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de seu nome ser citado por procuradores de 1.ª instância, como Deltan Dallagnol. As revelações acontecem na esteira dos vazamentos divulgados pelo portal The Intercept Brasil e veículos parceiros, com base em mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram. O magistrado comparou o grupo que investiga o esquema de corrupção montado na Petrobras a uma organização criminosa.

Novos trechos de mensagens trocadas por procuradores da República foram publicados nesta terça-feira (6) pela edição brasileira do jornal espanhol El País. A reportagem revela que membros da força-tarefa no MPF (Ministério Público Federal) se mobilizaram para coletar informações e dados sobre Gilmar Mendes. O objetivo, segundo o El País, era pedir a suspeição ou até o impeachment do ministro do Supremo.

“Tudo indica que havia uma organização criminosa para investigar”, disse Mendes, ao chegar para a sessão de hoje no STF. O magistrado deixou evidente o descontentamento com o grupo de trabalho dedicado criado no MPF para apurar os crimes relacionados à Operação Lava Jato.

Descrédito 

O ministro do STF afirmou que os vazamentos da Lava Jato resultaram na maior crise do Poder Judiciário desde a redemocratização.

“Isso [os vazamentos] atingiu de uma maneira crucial tanto a Procuradoria-Geral da República quanto a Justiça Federal. As duas instituições estão sendo muito comprometidas. Pelo jogo de combinação, pelas decisões malfeitas, pela má elaboração de peças, por essas atitudes criminosas”, avaliou.

Críticas à PGR

Gilmar Mendes, sem citar diretamente Raquel Dodge, criticou a gestão da PGR.

“Temos que reconhecer: as organizações tabajara estavam comandando esse grupo”, disparou.

O ministro do STF ainda defendeu que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) indique um sucessor de Raquel Dodge que seja capaz de restabelecer a credibilidade do MPF. Mendes também fez menção à ética de trabalho da força-tarefa Lava Jato.

“Há um grave problema de gestão sem dúvida nenhuma. Essa é a apenas a ponta do iceberg. Certamente virão mais informações. Vejam: estamos falando de investigações criminosas. Imaginem o que não fizeram nas delações, combinações para colaborações e tudo mais”, criticou.

Providências de Gilmar Mendes

Questionado sobre a atitude que tomaria diante das revelações do El País, Gilmar Mendes indiciou que deverá esperar os inquéritos que apuram os vazamentos de mensagens chegarem aos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux, relatores das investigações na Suprema Corte.

Perguntado se apoiaria o pedido de afastamento do coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, Gilmar Mendes decidiu encerrar a entrevista coletiva e entrar. Antes disso, no entanto, disse que tomaria uma atitude para se defender.

“Eu tomo providências sempre”, resumiu.

Resposta do MPF

Procurada pelo Paraná Portal, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba ainda não se manifestou sobre as críticas de Gilmar Mendes.