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Força-tarefa Lava Jato nega manobras para investigar Gilmar Mendes

O MPF (Ministério Público Federal) negou que procuradores da força-tarefa Lava Jato em Curitiba tenham investigado pessoas com foro privilegiado, como o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A entidade se manifestou por meio de nota, nesta terça-feira (6), em resposta a uma reportagem da edição brasileira do jornal espanhol El País.

“Não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função. Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação”, argumentou em nota a força-tarefa do MPF.

Em parceira com o The Intercept Brasil, o jornal El País indicou que os procuradores da Lava Jato em Curitiba fizeram um esforço para coletar dados e informações sobre Gilmar Mendes. A diligência teria o objetivo de pedir a suspeição ou até mesmo o impeachment do ministro da Suprema Corte.

Segundo o El País, no dia 19 de fevereiro, os procuradores da força-tarefa usaram um grupo no Telegram para debater estratégias de investigações que poderiam ligar o magistrado ao engenheiro Paulo Vieira de Souza. Apontado como operador de propinas do PSDB de São Paulo, havia sido preso novamente em um desdobramento da Lava Jato.

Naquela ocasião, ‘Paulo Preto’ era preso suspeito de operar contas e cartões em bancos sediados na Suíça. Entre os possíveis beneficiários estavam tucanos, como o ex-chanceler Aloysio Nunes. Meses antes, em maio de 2018, o ex-diretor da Dersa havia sido solto graças a um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes.

“Mas vaaaai que”

A partir destes fatos, os procuradores da 1.ª instância debatem pelo Telegram ideias de como rastrear uma possível ligação entre Paulo Preto e Gilmar Mendes.

“Gente essa história do Gilmar hoje!! […] Justo hoje!!! […] Que Paulo Preto foi preso”, escreveu o coordenador da força-tareda, Deltan Dallagnol.

“Vai que tem um [cartão] para o Gilmar…hehehe”, respondeu o procurador Roberson Pozzobon.

Outro procurador da força-tarefa, Athayde Ribeiro da Costa, teria reagido com ironia à teoria apontada pelo colega: “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”.

Ao que Pozzobon reage com risadas: “Ahhhaha. […] Não que estejamos procurando. Mas vaaaai que”.

Depois disso, Deltan Dallagnol especula a possiblidade de pedir às autoridades suíças informações sobre os cartões emitidos por Paulo Preto no país europeu.

“Hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreveu.

Força-tarefa nega investigação contra Gilmar Mendes

Por meio de nota, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba afirmou que “em todos os casos em que há a identificação de pagamentos de vantagens indevidas e lavagem de ativos no exterior, o Ministério Público busca fazer o rastreamento do destino de todos os ativos ilícitos, para identificar os destinatários desconhecidos”.

No entanto, reforçou que não investiga na 1.ª instância pessoas com foro privilegiado, como é o caso do ministro do STF Gilmar Mendes.

“Sempre que surgem indícios do envolvimento em crimes de pessoas com foro privilegiado, a força-tarefa encaminha as informações à procuradoria-geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, na linha da jurisprudência dessa Corte”, diz a nota.

MPF também disse não reconhecer as mensagens que têm sido atribuídas a procuradores da República nas últimas semanas. “O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade”.

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“Tudo indica que havia uma organização criminosa”, diz Gilmar Mendes sobre força-tarefa Lava Jato

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes não poupou críticas à força-tarefa da Lava Jato no MPF em Curitiba e à PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de seu nome ser citado por procuradores de 1.ª instância, como Deltan Dallagnol. As revelações acontecem na esteira dos vazamentos divulgados pelo portal The Intercept Brasil e veículos parceiros, com base em mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram. O magistrado comparou o grupo que investiga o esquema de corrupção montado na Petrobras a uma organização criminosa.

Novos trechos de mensagens trocadas por procuradores da República foram publicados nesta terça-feira (6) pela edição brasileira do jornal espanhol El País. A reportagem revela que membros da força-tarefa no MPF (Ministério Público Federal) se mobilizaram para coletar informações e dados sobre Gilmar Mendes. O objetivo, segundo o El País, era pedir a suspeição ou até o impeachment do ministro do Supremo.

“Tudo indica que havia uma organização criminosa para investigar”, disse Mendes, ao chegar para a sessão de hoje no STF. O magistrado deixou evidente o descontentamento com o grupo de trabalho dedicado criado no MPF para apurar os crimes relacionados à Operação Lava Jato.

Descrédito 

O ministro do STF afirmou que os vazamentos da Lava Jato resultaram na maior crise do Poder Judiciário desde a redemocratização.

“Isso [os vazamentos] atingiu de uma maneira crucial tanto a Procuradoria-Geral da República quanto a Justiça Federal. As duas instituições estão sendo muito comprometidas. Pelo jogo de combinação, pelas decisões malfeitas, pela má elaboração de peças, por essas atitudes criminosas”, avaliou.

Críticas à PGR

Gilmar Mendes, sem citar diretamente Raquel Dodge, criticou a gestão da PGR.

“Temos que reconhecer: as organizações tabajara estavam comandando esse grupo”, disparou.

O ministro do STF ainda defendeu que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) indique um sucessor de Raquel Dodge que seja capaz de restabelecer a credibilidade do MPF. Mendes também fez menção à ética de trabalho da força-tarefa Lava Jato.

“Há um grave problema de gestão sem dúvida nenhuma. Essa é a apenas a ponta do iceberg. Certamente virão mais informações. Vejam: estamos falando de investigações criminosas. Imaginem o que não fizeram nas delações, combinações para colaborações e tudo mais”, criticou.

Providências de Gilmar Mendes

Questionado sobre a atitude que tomaria diante das revelações do El País, Gilmar Mendes indiciou que deverá esperar os inquéritos que apuram os vazamentos de mensagens chegarem aos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux, relatores das investigações na Suprema Corte.

Perguntado se apoiaria o pedido de afastamento do coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, Gilmar Mendes decidiu encerrar a entrevista coletiva e entrar. Antes disso, no entanto, disse que tomaria uma atitude para se defender.

“Eu tomo providências sempre”, resumiu.

Resposta do MPF

Procurada pelo Paraná Portal, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba ainda não se manifestou sobre as críticas de Gilmar Mendes.

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Raquel Dodge nega pressão para afastar Dallagnol da Lava Jato

A procuradora-geral da República saiu em defesa do coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba nesta sexta-feira (2). Em nota de esclarecimento, Raquel Dodge negou ter convocado ou participado de uma reunião de emergência para discutir a situação de Deltan Dallagnol.

O procurador da República na 1.ª instância foi alvo de críticas de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) após reportagem da Folha de S. Paulo, em parceria com o Intercept Brasil, indicar que Dallagnol teria agido nos bastidores para investigar o então presidente da Suprema Corte Dias Toffoli.

Por meio de nota, Raquel Dodge indica que defenderá a manutenção de Dallagnol como procurador-chefe da Operação Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba.

Raquel Dodge afirma que “o princípio constitucional da inamovibilidade é garantia pessoal do procurador Deltan Dallagnol de não ser afastado dos processos da Lava Jato, dos quais é promotor natural, na condição de titular do ofício onde tramitam os processos”, diz a nota.

PGR nega pressão

Após reportagem da Folha de S. Paulo indicar que Dallagnol teria agido para investigar não-oficialmente ministros do Supremo e seus familiares, ao menos dois integrantes do STF solicitaram à PF (Polícia Federal) cópias das conversas que dão base às reportagens do The Intercept Brasil e veículos de comunicação parceiros.

Ainda segundo a Folha de S. Paulo, ministros como Luiz Fux e Alexandre de Moraes trabalham para afastar Deltan Dallagnol da condução das investigações da Lava Jato na 1.ª instância.

Reportagem liga Dallagnol à investigação contra Dias Toffoli

A Folha de S. Paulo indica que o coordenador da força-tarefa em Curitiba buscou informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e sua esposa, numa tentativa de ligá-los a empreiteiras envolvidas nos escândalos de corrupção da Petrobras.

Segundo a reportagem publicada nesta quinta-feira (1.º), Dallagnol fez consultas informais usando um grupo que procuradores mantinham no aplicativo Telegram.

“Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?” – teria perguntado Dallgnol no dia 13 de julho de 2016, no momento em que a empreiteira negociava um acordo com os investigadores. Quem respondeu Deltan foi um procurador de Brasília: “Que eu saiba não”, disse, Sérgio Bruno Cabral Fernandes.

As investidas teriam sido retomadas duas semanas depois, nos dias 27 e 28 de julho.

“Queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. […] Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes”, tornou a escrever Dallagnol.

Resposta da força-tarefa

Por meio de nota, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirmou que Deltan Dallagnol nunca solicitou à Receita Federal que investigasse ministros do STF, entre eles Dias Toffoli. O MPF também nega que houve tentativas de investigar familiares de ministros.

“As investigações realizadas pelos integrantes da força-tarefa sempre foram restritas ao escopo de suas competências perante a 13.ª Vara Federal, na 1.ª instância do Judiciário. As informações sobre detentores de foro privilegiado que chegaram ao grupo sempre foram repassadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), como determina a lei. Algumas dessas informações chegaram à força-tarefa porque ela desempenha o papel de auxiliar da PGR na elaboração de acordos, mas nunca por causa de investigações”, diz a nota.

Tacla Duran Lava Jato

Força-tarefa Lava Jato nega alegações de Tacla Duran

A força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) divulgou uma nota nesta terça-feira (18) contrariando as informações apresentadas pelo ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran. O investigado disse em entrevista ao UOL que pagou US$ 5 milhões a um criminalista para não ser preso quando seu nome entrou no radar das investigações.

Os procuradores da república dizem considerar o conteúdo da reportagem um “ataque à Lava Jato e à Justiça brasileira”. De acordo com a força-tarefa, a “matéria se baseia em reiteradas mentiras do criminoso foragido e multidenunciado”.

A nota do MPF-PR argumenta que o Tacla Duran fez acusações semelhantes em 2017, direto da Espanha, quando foi ouvido por meio de videoconferência durante a CPMI da JBS. Na ocasião, o ex-advogado da Odebrecht afirmou que foi induzido a fazer delação premiada e acusou o MPF e a Polícia Federal de usarem documentos plantados como provas.

Rodrigo Tacla Duran responde no Brasil a quatro ações penais por lavagem de dinheiro. Ele é apontado como operador financeiro por vários delatores da Lava Jato. Os colaboradores imputam a ele a responsabilidade por centenas de milhões de dólares lavados.

Por meio de nota, a força-tarefa Lava Jato afirma que o ex-advogado da Odebrecht também responde por seu crimes na Espanha, embora responda em liberdade.

O MPF ainda comenta sobre a extradição de Rodrigo Tacla Duran. Os procuradores alegam que o processo foi inicialmente deferido pela Espanha, “somente não se concretizando em virtude de o Estado brasileiro não garantir a reciprocidade no tocante a extradição de nacionais”.

A nota conclui afirmando que as acusações são infundadas, “com o objetivo de atacar a operação Lava Jato e a Justiça brasileira para lançar máculas sobre seu julgamento no Brasil e assim alcançar impunidade no exterior”.

“É burro afirmar que todo político é corrupto”, diz procurador da força tarefa Lava Jato

O procurador da República Deltan Dallagnol, durante palestra em Curitiba, disse que alegar que todos os políticos são corruptos mancha a honra dos honestos e impede a população de seguir no caminho da democracia. ” É burro afirmar que todo político é corrupto. Isto impede que o cidadão de bem queira entrar para a política. A única forma que combater a corrupção é com a democracia, e por isso a população tem que se envolver na política.” disse Dallagnol.

Durante o diagnóstico da Operação Lava Jato feito no Congresso de Macrocriminalidade e Combate à Corrupção, nesta segunda-feira (13), Deltan apontou que as investigações da força tarefa avançaram por conta do modelo proposto baseado em acordos de cooperação internacional, delações premiadas que levaram a descoberta do esquema político-partidário.

Para o magistrado, as propinas levaram a um ciclo de políticos corruptos no poder, já que durante as investigações ficou evidenciado o financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro dos esquemas. “As propinas turbinam as campanhas e fazem qualquer político parecer um anjo nos vídeos. Estes desvios de dinheiro alavancam os corruptos no poder, já que inúmeros estudos apontam que campanhas eleitorais grandiosas aumentam as chances do político ser eleito.” disse Dallagnol.

Vai ter um antes e depois da lava jato

Deltan Dallagnol diz acreditar que a Operação Lava Jato é estratégica no combate a corrupção e vai trazer um antes e um depois, desde que os desdobramentos sejam dados. “Nós da Lava Jato nos sentimos como médicos, que fizeram o diagnóstico e recomendaram o tratamento. Agora é necessário um próximo passo: o tratamento por si só. É cumprir as leis.”

O procurador alegou que o projeto Anticrime oferecido pelo Ministro Sérgio Moro é o primeiro pacote “robusto” do governo a oferecer tratamento para estes problemas. “Corrupção e impunidade andam juntas. O projeto aumenta a punição para quem for corrupto e recupera dinheiro.”

 

Procuradores da Lava Jato alertam sobre decisão do STF que pode afetar força-tarefa

Prestes a completar 5 anos de Operação Lava Jato, os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) membros da força-tarefa lançaram, nesta segunda-feira (11), um alerta de preocupação com o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá se crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, investigados em conexão com crimes eleitorais (caixa 2), devem ser julgados pela Justiça Federal ou pela Eleitoral. O assunto será julgado pelo plenário do Supremo na próxima quarta-feira (13).

> Justiça Eleitoral é ineficiente para apurar e julgar crimes de corrupção, afirma Pozzobon
Pior que corrupção para juiz Moro, caixa 2 é crime menos grave para Moro ministro

Segundo o MPF, a decisão pode impactar a Lava Jato caso os ministros entendam que os crimes nesse contexto devem ser julgados pela Justiça Eleitoral. “Investigações e ações, em curso ou já concluídas por sentença, correrão risco de serem anuladas por não mais caber à Justiça Comum, Estadual ou Federal, analisar esses casos”, diz o texto.

Para o MPF, os tribunais eleitorais não são estruturados para julgar crimes complexos como os de corrupção e lavagem de dinheiro que vêm sendo descobertos ao longo dos últimos anos pela Operação Lava Jato. Os procuradores também apontam que no âmbito eleitoral as penas são mais brandas, o que pode ampliar a impunidade.

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato no Paraná destaca que “para os envolvidos nestes crimes seria realmente um prêmio. A defesa dessas pessoas afirma que o crime é de caixa dois justamente para tirar o foco da corrupção, deslocar o caso para a Justiça Eleitoral e, assim, diminuir as chances de êxito da investigação ou de condenação a uma pena séria”.

“Caso o STF entenda que o julgamento de crimes complexos como corrupção e lavagem de dinheiro devem ir para a Justiça Eleitoral, estará nas mãos dos criminosos a possibilidade de apagar o que a Operação fez perante a Justiça Federal e o que poderia ainda fazer. Não parece ser esse o desejo da sociedade, que certamente espera que a mais alta Corte de Justiça do país não enfraqueça o sistema anticorrupção”, afirma o procurador da República Júlio Noronha.

Cinco anos de Operação Lava Jato

Em cinco anos de operação foram deflagradas, somente no Paraná, 60 fases, com o cumprimento de 1.196 mandados de busca e apreensão, 227 mandados de condução coercitiva, 310 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal (temporárias e preventivas) contra 267 pessoas (alguns envolvidos seguem foragidos).

Ao longo do período também foram oferecidas 91 acusações criminais contra 426 pessoas. Em 50 processos já houve sentença, totalizando 242 condenações contra 155 pessoas. Até o momento a soma das penas atinge 2.242 anos e 5 dias.

Dentro da operação também foram impetradas 10 ações de improbidade administrativa contra 63 pessoas físicas, 18 empresas e 3 partidos políticos (PP, MDB e PSB), pedindo o pagamento de R$ 18,3 bilhões. Além disso, foram celebrados 12 acordos de leniência, 1 Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), e 183 acordos de colaboração com pessoas físicas (acordos celebrados pela FT em Curitiba e pelo grupo de trabalho da PGR e homologados junto a JFPR e STF). São alvo de recuperação por meio das leniências, acordos e TAC, R$ 13 bilhões.

Outro destaque da operação ao longo dos cinco é a cooperação internacional. Já foram realizados 548 pedidos de cooperação internacional, sendo 269 pedidos ativos para 45 países e 279 pedidos passivos com 36 países. Os dados de cooperação referem-se aos pedidos feitos pelas forças-tarefas de Curitiba e Rio de Janeiro e pelo grupo de trabalho da PGR, em Brasília.

“O uso da cooperação internacional vem sendo fundamental dentro da operação para que o MPF avance nas investigações. Além de permitir a identificação de contas no exterior utilizadas por muito dos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro público, facilitando o rastreamento dos pagamentos de propina, esse instrumento jurídico também fornece provas documentais de propriedade dessas contas. Assim, a manutenção de recursos no exterior, que antes aumentava a chance de impunidade, hoje representa uma vulnerabilidade para os criminosos. Outro objetivo é aprofundar investigações sobre a possível participação de agentes ou representantes de empresas estrangeiras que praticaram corrupção no Brasil. E, claro, a troca de informações entre as autoridades dos países também permite que o processo de recuperação de valores identificados no exterior seja mais ágil”, destacou o procurador da República Paulo Roberto Galvão, integrante da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

Com informações do Ministério Público Federal

Procurador da Lava Jato deixa a força-tarefa

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima pediu afastamento da força-tarefa da Operação Lava Jato, segundo confirmou a assessoria do Ministério Público Federal nesta quarta-feira (19).

Lima, 54, deve se aposentar no início do ano que vem, e decidiu sair para se manter afastado de informações sensíveis sobre a Lava Jato no período.

Ele retorna à Procuradoria Regional da República em São Paulo, e atuará no âmbito do TRF (Tribunal Regional Federal) até sua aposentadoria. Desde a semana passada, Lima já não participa das atividades da força-tarefa.

O grupo deve continuar com 13 procuradores, segundo o MPF, mas o substituto de Lima, um dos mais experientes do grupo e que atuou nos primeiros acordos de colaboração premiada do país, ainda não foi confirmado.

CNJ apura denúncias e ações contra candidatos e irrita Lava Jato

A corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público, o órgão que fiscaliza e controla as atividades de procuradores e promotores, pediu a instalação procedimentos de correição para apurar eventuais irregularidades nas denúncias e operações contra políticos que disputam a campanha eleitoral. Em um memorando encaminhado ao órgão, Luiz Fernando Bandeira de Mello, conselheiro do CNMP, cita ações propostas contra os presidenciáveis Fernando Haddad, do PT, Geraldo Alckmin, do PSDB, e a operação contra a cúpula do ex-governo Beto Richa (PSDB), deflagrada na última terça-feira, a 53ª fase da Operação Lava Jato. A averiguação irritou a força-tarefa da Operação Lava Jato, que manifestou-se em nota dizendo tratar-se de mais uma tentativa de constranger a atuação do Ministério Público.

Mello quer que sejam analisados “o tempo decorrido entre a suposta prática dos crimes delituosos e a propositura das ações”, para saber se elas foram aceleradas para causar “eventual impacto nas eleições”. No pedido de averiguação, o conselheiro diz ser “evidente” que um promotor deve ajuizar uma ação se ela, “por acaso”, estiver concluída “à época da eleição”. “Mas também não pode reativar um inquérito que dormiu por meses ou praticar atos em atropelo apenas com o objetivo de ganhar os holofotes durante o período eleitoral”, afirma.

Para a força-tarefa Lava Jato de Curitiba a correição é uma indevida tentativa de constranger o Ministério Público para que não exerça as funções que lhe foram deferidas pela Constituição Brasileira mediante ameaça de procedimentos correicionais perante o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). “A força-tarefa, assim, rejeita a menção genérica e sem qualquer substrato fático às diligências realizadas no dia 11 de setembro na operação Piloto pelo conselheiro Bandeira de Mello, do CNMP, em que pede a verificação da oportunidade de medidas várias pedidas ao Poder Judiciário por diversos órgãos do Ministério Público em relação a políticos em campanha”.

Lembrando que Bandeira de Mello não é membro de carreira do Ministério Público, tendo sido indicado pelo Senado para o cargo, a força-tarefa afirma que “as suposições abstratas levantadas pelo representante do Senado no CNMP, além de infundadas, demonstram seu completo desconhecimento das funções do Ministério Público. O tempo da investigação e o tempo da acusação independem do tempo da política. As ações finalísticas do parquet submetem-se apenas ao controle do Poder Judiciário, e não à atividade correicional, não tendo sido cumpridas quaisquer diligências que não tenham sido submetidas à autoridade judiciária competente”, diz. “O representante do Senado no CNMP, talvez desorientado pela prática costumeira do recesso branco do Congresso Nacional durante as campanhas eleitorais, parece querer estender essa nefasta prática para a Justiça, como se ela devesse dormitar e se omitir durante esse período, esquecendo-se de seus deveres constitucionais. Não bastasse a prerrogativa de foro de políticos eleitos, o representante do Senado no CNMP pretende também criar a imunidade temporal de candidatos políticos”, provoca.

Ao prender cúpula do governo tucano no Paraná, Lava Jato rechaça tese de parcialidade

A prisão de Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete do governo do Paraná, em investigação que envolve o ex-governador Beto Richa (PSDB), é a primeira ofensiva da Força-Tarefa da Operação Lava Jato do Paraná contra membros do PSDB. Para um dos coordenadores da operação no Ministério Público Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima, a operação de hoje coloca fim aos questionamentos sobre a imparcialidade de operação e à tese de perseguição adotada por membros do PT.

“A Lava Jato é uma investigação apartidária. A gente já tinha chegado em pessoas de diversos partidos. Infelizmente o foro privilegiado é um obstáculo e nesse caso, pela perda do foro do ex-governador, podemos dar continuidade e mostra que uma investigação no primeiro grau pode dar resultado. Nós não escolhemos esses alvos”, disse o procurador, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira.

Para a Força-Tarefa, as 53ª fase da operação até agora mostram o quanto a corrupção contaminou o modo de fazer política no Brasil, independente da linha ideológica e do partido político.

“É importante lembrar que a lava jato é uma investigação que mostra como a política é financiada no Brasil. Não faz diferença o governo federal, estadual e municipal. O Paraná não é diferente do que foi descoberto em todo o país. Outras investigações demonstram que esse tipo de esquema já existia em outros estados”, contou.

Operação Piloto

Batizada de Operação Piloto, uma referência ao suposto nome do ex-governador do Paraná e candidato do PSDB ao Senado Beto Richa na planilha da Odebrecht, a força-tarefa da Lava Jato deflagrou a 53ª fase da investigação nesta terça-feira (11). Nesta fase, a investigação pretende se aprofundar no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro nas fraudes ligadas à duplicação da PR-323.

Foram alvos da operação o ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Rodo; o empresário apontado como “operador financeiro” Theodocio Atherino; e Thiago Rocha, apontado pela investigação como colega de Jorge e responsável por diversas transações financeiras dos empreendimentos do executivo.

Forças-tarefas da Lava Jato se reúnem para definir novas estratégias

Membros do Ministério Público Federal (MPF) que integram as forças-tarefas relacionadas à operação Lava Jato em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Procuradoria Geral da República, irão se reunir na Procuradoria da República no Rio de Janeiro na segunda-feira, dia 27.

O objetivo é o compartilhamento de experiências de investigação e a definição de estratégias de atuação conjuntas.

A Operação Lava Jato teve início em março de 2014 em Curitiba a partir da investigação de quatro organizações criminosas lideradas por doleiros. Atualmente, há forças-tarefas constituídas no Paraná, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, além do grupo de trabalho que assessora a procuradora-geral da República. Hoje, as investigações alcançam desvios vultuosos de recursos públicos em contratos da Petrobras, da usina nuclear de Angra 3 e do estado do Rio de Janeiro, entre outros.

Dados da operação

No Paraná, a investigação já conta com 47 fases, enquanto no Rio já são 17. Nos dois estados, já são 144 condenados a penas que somam 2.130 anos de prisão. Em três anos e meio, cerca de 130 denúncias foram ajuizadas pelas quatro equipes contra mais de 500 acusados. R$ 1,28 bi já foram recuperados por meio de 293 acordos de colaboração firmados a partir das investigações nas cinco unidades do MPF. Em São Paulo, há três ações penais em curso resultantes da Operação Custo Brasil e uma força-tarefa aprofunda a investigação fatos surgidos a partir das delações da Odebrecht, com mais de 20 procedimentos instaurados. Além disso, os irmãos Joesley e Wesley Batista foram denunciados por manipulação do mercado financeiro, com prisão preventiva decretada.