Congresso discute controle biológico na fruticultura

Técnica de manejo que encontra cada vez mais espaço na pesquisa e também nas lavouras brasileiras, o controle biológico estará entre os temas debatidos no V Congresso Brasileiro de Fitossanidade (Conbraf). O evento com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR irá acontece entre os dias 7 e 9 de agosto, em Curitiba.

No primeiro dia do congresso, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado Dori Edson Nava será o responsável pela palestra “Perspectivas do sistema de manejo integrado de moscas das frutas: um caminho para o desenvolvimento sustentável da fruticultura no Brasil”, na qual deverá tratar de assuntos relacionados ao atual sistema de monitoramento e controle. Ainda, o especialista irá apresentar os principais resultados da pesquisa dos últimos 10 anos nesta área.

De acordo com o pesquisador, há uma década, a mosca da fruta não era considerada um grande problema, pois havia diversos agroquímicos eficientes à disposição do fruticultor. De lá para cá, o número de produtos foi reduzido drasticamente. “Hoje os produtos disponíveis agem só sobre a fase adulta da mosca, que migra. Então, além de você precisar aplicar mais, é um controle menos eficiente”, observa.

Diante deste cenário, o controle biológico – técnica que utiliza outros organismos vivos para o controle de pragas – ganhou força e relevância no manejo da fruticultura. “Este é o primeiro motivo deste trabalho, proporcionar a produtores de maçã, pêssego e ameixa, por exemplo, uma alternativa de controle”, afirma o pesquisador. Outro objetivo é reduzir o uso de defensivos químicos, proporcionando mais economia e segurança para os fruticultores. “Não temos a pretensão de eliminar o controle químico. O que queremos é integrar esses métodos no MIP”, afirma, referindo-se ao Manejo Integrado de Pragas (MIP), técnica que alia diversos tipos de controle, entre eles o químico e biológico.

No caso da mosca da fruta, a estratégia da Embrapa é “fabricar” o agente biológico capaz de combater a praga. Pequenas vespas da família Braconidae depositam seus ovos nas larvas da mosca eliminando o hospedeiro neste processo. “Temos um inseto controlando o outro”, afirma Nava. Segundo ele, outro foco da pesquisa é o uso de iscas tóxicas para o controle. “Aplicamos um atraente da mosca de fruta e aplicamos inseticida só naquele ponto. Desta forma, quando ela for se alimentar, irá se intoxicar e morrer”, explica. Desta forma, não é necessário aplicar o defensivo químico em todo pomar, basta aplicá-lo próximo às iscas/armadilhas.

Evento
Para o pesquisador, o V Conbraf representa uma oportunidade ímpar para a troca de conhecimentos e experiências na área de fitossanidade. “Esse evento é importante porque trata da proteção de plantas de uma maneira geral – pragas, plantas daninhas, doenças. Normalmente participamos de eventos mais específicos”, compara.

Serviço
V Conbraf
Data: 7 a 9 de agosto
Local: Centro de Eventos da Fiep
Endereço: Av. Com. Franco, 1341
Jardim Botânico
Informações: www.conbraf2019.com.br

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Congresso irá abordar os avanços da fitossanidade

As práticas fitossanitárias são indispensáveis para a manutenção de uma boa lavoura e aumento da produtividade. Por isso, mais que estar atento às novidades do setor, é fundamental discutir as estratégias de sanidade vegetal e sua relação com o cenário e as perspectivas da agricultura brasileira. Com esse objetivo, entre os dias 7 e 9 de agosto, acontece o V Congresso Brasileiro de Fitossanidade (Conbraf), em Curitiba. O Sistema FAEP/SENAR-PR é uma das instituições que apoiam o evento.

De acordo com o presidente do V Conbraf, Marcelo da Costa Ferreira, o Congresso irá permear todo o contexto que envolve a fitossanidade, desde a identificação dos microorganismos causadores de patologias até os mecanismos de controle. O intuito é abordar, principalmente, o status de sanidade atual e que rumo deve tomar nos próximos anos. A programação foi elaborada para atingir diversos públicos, entre professores, pesquisadores, representantes de agroindústrias e produtores rurais.

“Vamos debater as estratégias que devem ser utilizadas para que o Brasil não sofra de problemas fitossanitários, a questão das fronteiras, para que pragas de outros países não adentrem aqui, as demandas dos setores produtivo e privado e os parâmetros do mercado fitossanitário que envolvem todo esse setor”, detalha Ferreira.

Temas

Exemplo da didática proposta é a palestra sobre os aspectos legais e agronômicos de misturas em tanque, uma prática amplamente utilizada pelos agricultores brasileiros, mas que ainda causa uma série de dificuldades. “A calda sanitária é o resultado dessa mistura que o produtor aplica no campo. Muitas vezes, não ficam bem uniformes durante a mistura e, na hora da aplicação, param no filtro e interferem no circuito do pulverizador. É um aspecto do dia a dia e o produtor sofre bastante”, observa Ferreira.

Outro tema envolve a fruticultura, importante setor para a conjuntura brasileira, visto que o país ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de frutas. Segundo o pesquisador em Entomologia e Controle Biológico da Embrapa Clima Temperado Dori Edson Nava, as chamadas moscas das frutas talvez sejam o maior problema da fruticultura do Brasil e do mundo. Na palestra, Nava irá apresentar os principais gargalos que dificultam o controle por parte dos fruticultores.

“O manejo de mosca das frutas no Brasil sempre foi realizado com o uso de controle químico. Mas hoje, sabemos que é difícil manejar pragas com inseticidas, especialmente porque esses produtos estão saindo do mercado e está cada vez mais difícil ter um produto com boa ação sobre moscas”, antecipa.

O pesquisador irá abordar as tendências atuais de monitoramento e controle dessa praga, destacando os métodos com maior taxa de sucesso. “Três técnicas já são empregadas em grandes áreas: uso do inseto estéril, iscas-tóxicas e atraentes alimentares. Ainda existe o controle biológico, um trabalho que estamos realizando no Brasil junto com outros pesquisadores”, ressalta Nava. Na palestra serão abordados os principais resultados de pesquisas sobre o tema dos últimos 10 anos.

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Projeto de fruticultura expõe variedades exóticas

Frutos exóticos como laranja variegada, limão faustrine e lima-da-pérsia são cultivadas por meio de um projeto de pesquisa do Grupo de Estudos em Fruticultura Tropical e Subtropical da Universidade Estadual de Londrina (Gefruts), que existe desde 2016. O grupo realiza atividades de pesquisa e assessoria com pequenos fruticultores da região e conta com uma unidade didática na Via Rural Fazendinha.

A professora Camilla Pacheco, do Centro de Ciências Agrárias da UEL, coordenadora do grupo, ressalta a importância da difusão do conhecimento junto aos visitantes da Via Rural. “É a hora de mostrar os projetos que existem dentro da Fazendo Escola, o que é estudado na universidade e repassar o conhecimento e os benefícios que são gerados para os produtores de fruticultura regional e para a cidade”, diz.

Segundo Camilla, as mudas das frutas exóticas, que integram as pesquisas da UEL, foram trazidas da cidade paulista de Cordeirópolis, principal polo citrícola do país.

A Via Rural é um programa do Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e Sociedade Rural do Paraná (SRP). A coordenação e a realização das atividades são do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Citricultura

Fruticultores de Cerro Azul receberão apoio do governo

Por ANPr

Produtores familiares do município de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, terão apoio do Governo do Estado para elevar o padrão da fruticultura, especialmente da tangerina ponkan. O assunto foi tema de uma reunião nesta terça-feira (26) entre o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara; o diretor-geral da Secretaria, Rubens Niederheitmann, e o chefe do núcleo regional de Curitiba, João Carlos Rocha Almeida, com o prefeito de Cerro Azul, Patrik Magari, e uma comitiva da cidade.

Foram debatidas formas de incentivo aos produtores locais. O secretário da Agricultura sinalizou apoio técnico e financeiro na estruturação um viveiro de mudas na estação de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) instalada em Cerro Azul. Além de aumentar o potencial produtivo, o projeto vai ajudar a fortalecer a indústria produtora de sucos na região e de outros usos comerciais da fruta.

O município de Cerro Azul é o maior produtor de tangerina ponkan do Paraná, responsável por 48% da produção estadual. Em 2017, foram produzidas 43,2 mil toneladas, que renderam R$ 38,4 milhões, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria.

O projeto tem o objetivo de desenvolver a produção de mudas com alta qualidade genética e fitossanitária, para aproveitar o crescimento das indústrias de suco na região, garantir a comercialização de produto de qualidade e gerar uma oportunidade de renda para milhares de famílias.

Norberto Ortigara afirmou que o governo estadual tem total interesse em colaborar. “Acolhemos essa ideia e vamos repassar recursos financeiros para que o Iapar, com auxílio de mão de obra da prefeitura, reforme o viveiro e passe a produzir muda de qualidade, não só da ponkan, mas de outras espécies de tangerina, ou outras espécies de citros”, disse ele. “Vislumbramos uma oportunidade, trata-se de uma região com poucas possibilidades econômicas, mas que procura especialmente na horticultura, na olericultura e na fruticultura, proporcionar aos seus agricultores uma fonte de renda importante”, afirmou.

O líder do Programa Fruticultura do Iapar, Pedro Antônio Martins Auler, explica que o trabalho da entidade será melhorar a qualidade das mudas utilizadas na região, ou seja, recuperar e disponibilizar material propagativo. “Vamos resgatar e identificar os clones de ponkan, levar para o laboratório e, se estiverem sadias, a partir delas definir algumas plantas matrizes. Disponibilizaríamos para os produtores uma muda com qualidade genética e fitossanitária melhor, e também ajudaríamos a incorporar novas tecnologias para produção de mudas. O suporte da Secretaria vai facilitar o processo”, explicou.

O projeto envolverá ainda parcerias com empresários locais e o Sebrae, para auxílio na organização dos produtores. “Hoje, percebemos um aumento escalonado do consumo do nosso produto, até porque o mercado do suco vem crescendo. As indústrias perceberam o valor do suco da tangerina ponkan, e estão explorando essa fruta em grande escala”, diz o prefeito Patrik Magari.

“Pretendemos possibilitar ao produtor esse alto índice de produção, e estamos desenvolvendo várias ações em toda a cadeia. Além dos maiores, queremos ser os melhores e trazer benefícios aos produtores. Temos potencial para comercializar 40 milhões de caixas por ano”, afirmou. A estimativa é de que mais de dois mil pequenos produtores trabalhem com a fruta no município.

Goiaba de Carlópolis conquista certificação internacional

A goiaba produzida no município de Carlópolis, no Norte Pioneiro, ganhou um novo status que permitirá a exportação da fruta. A certificação Good Agricultural Practices (GAP), que reconhece a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola, foi conquistado este mês e autentica o trabalho desenvolvido por produtores familiares da cidade.

Em 2016, o produto já havia obtido o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).

A busca pelo reconhecimento internacional iniciou em 2017 após a IG. A valorização do produto no país foi importante, mas ainda era considerada insuficiente diante de um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Em um trabalho conjunto entre produtores familiares, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Sebrae/PR, Fundação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Prefeitura de Carlópolis, uma série de critérios foram buscados para que a certificação internacional fosse alcançada.

Engenheira agrônoma e responsável pelo escritório da Emater em Carlópolis, Luiza Rocha Ribeiro, explica que o certificado internacional foi obtido a partir de muito trabalho em torno da capacitação dos produtores. “Foi desenvolvida uma parceria com Sebrae, Fundaçao da Unesp e Prefeitura de Carlópolis para o treinamento, boas práticas, manejo integrado de pragas e doenças junto aos produtores”, diz.

O empenho na busca da excelência foi necessário para a obtenção da certificação GAP, que prevê um manual de Boas Práticas Agrícolas, baseado em princípios de segurança alimentar, proteção do meio ambiente, condições de saúde, higiene e segurança dos trabalhadore, e bem-estar animal, quando aplicável.

Segundo Luiza, o processo para a certificação envolveu ainda a criação da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (Coac) em 2017. Para a engenheira da Emater, a economia da região terá ótimos ganhos a partir desse status. “A certificação é importante para mostrar que o produto tem um diferencial, segurança alimentar, manejo integrado, tem o ensacamento e normas sustentáveis”.

Consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, conta que enquanto o registro da IG foi conquistado pela Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC), o processo de certificação internacional passou pela criação de uma cooperativa e teve o apoio da Prefeitura de Carlópolis e da Emater. “Tentamos inicialmente fazer o processo via Associação, mas não foi possível porque não é permitido a associações fazer a comercialização”, disse. Assim, foi necessário formalizar a Cooperativa.

Perspectivas

Com a certificação internacional em mãos, os produtores de Carlópolis esperam com otimismo a conquista de novos mercados e a ampliação da comercialização no Brasil a partir deste ano. De acordo com o presidente da Cooperativa, Noriaki Akamatsu, a certificação facilita a negociação com os compradores. Os próprios supermercados no Brasil já vinham exigindo padrões para compra antes mesmo da certificação.

“Fizemos a certificação para agregar valor à goiaba e continuar na atividade. A goiaba de Carlópolis será um produto diferenciado, produzido com qualidade e que terá rastreabilidade”, diz Noriaki. Segundo ele, o critério da rastreabilidade tem sido cada vez mais exigido e permite a identificação dos produtores, de intermediários e até o varejo, oferecendo a possibilidade de descobrir a origem de possível problemas com a goiaba.

A certificação foi concedida para a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis e nove propriedades. O presidente da Cooperativa afirma que produtores certificados já fizeram contato com representantes do mercado da Alemanha e Espanha. A cooperativa é formada por 23 produtores e a goiaba de Carlópolis chega a pelo menos 12 estados brasileiros.

Em Carlópolis

A goiaba é a principal fruta produzida no município, representando 88% desde tipo de produção. Ao todo, existem 220 agricultores familiares envolvidos com esta cultura que tem a goiaba vermelha como a principal variedade. Existem cerca de 700 hectares de plantação na cidade e a safra 2017 somou 21 mil toneladas do fruto.

Faz parte da produção o uso da técnica do ensacamento individual, que é feita quando os frutos atingem o tamanho de 1,5 cm. Esta técnica é importante pois previne o ataque de insetos e aves, além de permitir utilizar baixa dosagem de defensivos.

Exportação de suco cai 12% em volume e 8% em receita em 6 meses, diz CitrosBR

As exportações brasileiras de suco de laranja recuaram 12% em volume e 8% em receita no primeiro semestre da safra 2018/2019, entre julho e dezembro do ano passado, sobre igual período da safra anterior. O volume saiu de 584,59 mil para 516,91 mil de toneladas e o faturamento recuou de US$ 1,052 bilhão para US$ 968,62 milhões entre os períodos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 15, pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) a partir dos números do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a queda das exportações ocorre porque na safra passada o volume movimentado foi muito alto para reposição de estoques das companhias. “Na safra passada, por causa dos estoques muito baixos, houve uma movimentação de suco muito grande. Então, além de atender à demanda corrente, foi necessário repor uma quantidade considerável do produto”, justificou.

O levantamento considera a soma dos volumes de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) e do o suco fresco, ou não concentrado e congelado (NFC). O volume de NFC, seis vezes maior, é transformado no equivalente em FCOJ e somado ao do concentrado no total divulgado.

As exportações brasileiras de FCOJ no primeiro semestre de 2018/2019 somaram 364,28 mil toneladas, queda de 19,3% em relação ao mesmo período de 2017/2018, quando foram exportadas 451,23 mil toneladas. Já o faturamento com esse tipo de suco, de US$ 690 milhões, foi 14,8% menor que os US$ 809,3 milhões da primeira metade da safra anterior. As vendas externas de NFC tiveram alta de 14% na mesma base de comparação de 133,36 mil toneladas para 152,63 mil toneladas, e o faturamento cresceu 15%, de US$ 242,61 milhões para USS 278,64 milhões.

Mercados

A União Europeia, mercado que consome cerca de 70% do suco de laranja brasileiro, importou 333,53 mil toneladas em suco de laranja equivalente em FCOJ na metade inicial de 2018/2019, queda de 8% em relação às 361,93 mil toneladas registradas no mesmo período de 2017/2018. O faturamento somou US$ 625,59 milhões, queda de 4% ante os US$ 649,72 milhões de receita com as vendas da bebida ao bloco econômico no primeiro semestre da safra anterior.

Os Estados Unidos, responsáveis pela alta nas exportações de suco de laranja brasileiro na safra passada, agora atuam diretamente no recuo das vendas. Entre julho e dezembro de 2018 foram embarcadas 112,65 mil toneladas para portos norte-americanos, ante 151,26 mil toneladas no período anterior, recuo de 26%. Em receita, a queda foi de 23% mesma base de comparação, de US$ 263,11 mil para US$ 202,98 mil. Segundo a CitrusBR, a baixa nas exportações aos Estados Unidos era esperada pelas indústrias, já que na safra anterior os pomares daquele país haviam sido atingidos pelo furacão Irma (em setembro de 2017) e os norte-americanos precisaram importar mais suco para estoques e consumo interno.

Destaque positivo para as exportações ao Japão, com alta 65% no volume comprado na primeira metade da safra 2018/2019 em relação ao mesmo período da safra anterior, de 18,29 mil para 30,20 mil toneladas. O crescimento de receita foi de 72% para o mercado japonês, de US$ 34,47 milhões para R$ 59,25 milhões entre os períodos, “Ao que tudo indica, não se trata de um aumento de demanda, mas adiantamento de embarques para esse destino”, ponderou Netto.

A China, quarto maior mercado consumidor do suco de laranja brasileiro, importou 14,74 mil toneladas até dezembro na safra 2018/2019, ante as 18,99 mil toneladas no primeiro semestre da safra passada. A queda foi de 22% no volume e de 19% no faturamento, de US$ 36,9 milhões para US$ 29,9 milhões no mesmo período de 2018. “A China tem comprado muito suco não concentrado (NFC) de países como Chipre, Espanha e Israel”, concluiu o executivo da CitrusBR.

Dentista larga o consultório para cultivar morangos com ajuda do SENAR-PR

Desde que iniciou suas atividades, em 1993, o SENAR-PR já transformou a vida de muita gente. Gente que já trabalhava no campo e precisava de conhecimento para ir mais longe, outros que mudaram de atividade e precisaram de suporte para produzir com segurança, e até quem nunca havia pensado em tirar da terra o seu sustento.

É o caso de Carlos Eduardo Kiatkoski, que após atuar profissionalmente como dentista e jornalista, decidiu apostar no universo da agricultura e encontrou no SENAR-PR um importante parceiro. “Como dentista não me encontrei na área, não me sentia bem preso 12 horas dentro de um consultório. Sempre busquei algo fora, e encontrei um pouco disso no jornalismo. Mas com o tempo vi que isso também não era a minha praia”, conta.

Nesse processo de redescoberta dos caminhos profissionais, Kiatkoski decidiu fazer um curso de Jardinagem. “É preciso estar sempre se qualificando. Nessa busca de qualificação fui conhecendo o universo da agricultura e acabei conhecendo o SENAR-PR”, lembra o jovem, que até então nunca havia tido contato prático com nenhuma atividade rural. “Comecei a me aprofundar e vi que não queria ser jardineiro. Então decidi aplicar o conhecimento que adquiri em outra área”, lembra.

A cultura escolhida foi o morango. “Comecei com o curso de Olericultura Orgânica. Fiz cultivo em ambiente protegido, fruticultura, pragas e inimigos naturais, nutrição, irrigação”, enumera as formações do SENAR-PR feitas por ele e pelos seus dois funcionários. “Toda essa capacitação técnica me permitiu construir algo profissional”, atesta.

Hoje Kiatkoski produz, em média, 500 quilos de morango por semana no sistema orgânico de produção em uma propriedade arrendada em Quatro Barras, município na Região Metropolita de Curitiba (RMC). Em cinco estufas, ele cultiva 8,5 mil pés da fruta.

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Revogação do Zarc não impede acesso a crédito

No último ano, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revogou diversas portarias de Zoneamento Agrícola de
Risco Climático (Zarc) referentes a culturas perenes, em sua grande maioria frutas. O Zarc é um instrumento que orienta a gestão de riscos na agricultura, indicando as áreas mais apropriadas para determinada atividade e as janelas para a produção. Com isso, muitos agentes financeiros condicionam a concessão de crédito rural à observância destes parâmetros.

Ocorre que esta prática não é obrigatória, conforme o Manual de Crédito Rural (MCR). Para orientar os produtores de culturas perenes como proceder nestes casos, o Departamento Técnico e Econômico (Detec) da FAEP elaborou uma nota técnica, onde esclarece que “Não existe menção no MCR quanto à vinculação direta do crédito rural com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Trata-se de decisão do agente financeiro de somente fornecer crédito ao produtor rural quando existe indicação de plantio pelo Zarc”. Dentre as culturas que tiveram o Zarc revogado no Paraná estão ameixa, citros, maracujá, nectarina, pera e pêssego.

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Paraná produziu 1,44 milhão de toneladas de frutas em 2016

Líder na produção de feijão e proteína animal, o Paraná também tem um mercado ativo de fruticultura. Em 2016, segundo pesquisa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento, a produção foi de 1,44 milhão de toneladas, o que representa 3,6% da nacional e coloca o estado como o oitavo maior produtor do país.

O cultivo de frutíferas é desenvolvido de Norte a Sul por cerca de 27 mil produtores. Na safra de 2016, a produção de frutas ocupou uma área de 60,3 mil hectares, gerando uma renda bruta de R$ 1,5 bilhão, ou 1,7% do Valor Bruto de Produção (VBP) da agricultura paranaense. Entre 2007 e 2016, o segmento registrou crescimento de 2,9%.

Parte dessa alta é decorrente de um trabalho integrado entre os produtores rurais, a Secretaria de Estado da Agricultura, por meio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e parceiros, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Com o suporte da pesquisa agropecuária, apoio e o empenho de fruticultores, produzem-se hoje no Paraná espécies de clima temperado em regiões quentes, bem como fruteiras tropicais e subtropicais em microclimas nas regiões mais frias”, disse Paulo Fernando de Souza Andrade, engenheiro agrônomo do Deral que acompanha o setor.

Apoio

No Paraná, os produtores exploram cerca de 35 frutas, com destaque para laranja, banana, melancia, tangerina, uva, maçã, limão, abacate, morango e goiaba. Juntas, elas representam 93,1% de toda a produção do Paraná.

Além de dar apoio à cultura de frutas economicamente expressivas, o Estado também dá assistência aos pequenos produtores, a exemplo do abacaxi, que encontrou clima e temperatura ideais nas terras do Noroeste do Paraná. Cerca de 60 produtores, sendo 80% deles provenientes da agricultura familiar, plantam em uma área de 360 hectares. Na safra de 2017/2018, eles produziram 30 mil quilos de abacaxi por hectare.

“Apoiamos os agricultores por meio da assistência técnica especializada, dicas sobre empreendedorismo, visitas a outras regiões produtoras e capacitação, sempre trabalhando para desenvolver e melhorar a organização da produção, além da comercialização dos alimentos”, afirmou Ricardo Domingues, engenheiro agrônomo da unidade municipal da Emater de Santa Isabel do Ivaí.

Para o produtor João Henrique Domingues, que também é presidente da Associação de Produtores de Abacaxi do Noroeste do Paraná (Aproanp), o trabalho da Emater e de outras organizações foi essencial para o desenvolvimento da região. “A cultura do abacaxi só se consolidou aqui por causa desse apoio das instituições”, disse ele, que tem aproximadamente 400 mil pés da fruta em uma área de 12,1 hectares.

Exportação de frutas cresce 18,3% nos primeiros meses de 2018

Por Pedro Rafael Vilela 

Nos dois primeiros meses do ano, produtores brasileiros exportaram 124,3 mil toneladas de frutas frescas e processadas para diversos países, um aumento de 14,4% no volume exportado em relação ao mesmo período de 2017. Quando se observa o valor arrecadado com as vendas, de US$ 98,1 milhões, o crescimento foi ainda maior, cerca de 18,3% em apenas um ano.

Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), entidade que representa um total de 53 associados, entre cooperativas, empresas e grupos regionais de produtores.

O maior destaque entre as frutas exportadas no período é a laranja (fresca ou seca), cujo volume vendido ao exterior aumentou 96.380%, passando de 4 mil toneladas no ano passado para mais de 3,8 milhões de toneladas embarcadas nos últimos dois meses. Morango (394%) e banana (267%) também registraram forte crescimento nas vendas, em termos de volume.

Apesar dos bons números do setor na exportação, apenas 2,5% de todo o volume de frutas produzidos no país é vendido para outros países. Mesmo sendo o terceiro maior produtor de frutas do mundo, com volume anual de 44 milhões de toneladas – atrás apenas de China e Índia – o Brasil é apenas o 23º colocado na lista dos principais exportadores. “Diferentemente de produtos como carnes, café e açúcar, com os quais estamos ao mesmo tempo na lista dos maiores produtores e dos principais exportadores, no setor de frutas, ainda temos esse desafio de crescer muito nas exportações”, explica Jorge Souza, diretor técnico da Abrafrutas.

A União Europeia responde por 70% das cargas brasileiras de frutas, seguida pelos Estados Unidos (15%), e outras fatias distribuídas entre países da América do Sul e o Oriente Médio. Segundo Jorge Souza, há um potencial enorme de expansão para a Ásia, que concentra o maior contingente populacional do planeta, ainda pouco explorado pelos produtores de frutas do Brasil. “Não podemos vender ainda para a China, porque não temos acordo fitossanitário para nenhum tipo de fruta fresca para aquele país, mas já há tratativas em curso sobre isso”, revelou.

Além das barreiras fitossanitárias, o protecionismo do setor está entre os desafios para ampliar as vendas externas dos produtores nacionais. “Do ponto de vista do ambiente de negócios, esses movimentos nacionalistas que temos visto em termos comerciais pode dificultar a abertura de novos mercados. No âmbito interno, é mais um trabalho de desenvolvimento da cultura exportadora do produtor”, disse o diretor técnico da Abrafrutas. De acordo com Souza, a maioria dos produtores brasileiros é formada de pequenos proprietários, o que demanda um processo abrangente de capacitação.

Outro gargalo está na infraestrutura para escoamento da produção. “No caso das frutas, que são altamente perecíveis, os portos e aeroportos precisam estar mais bem preparados, com cadeia de frios, para garantir a integridade dos produtos”, afirma Jorge de Souza. O Brasil tem muita competitividade, disse Souza, com a exclusividade de produtos como açaí, castanha e frutos do cerrado. “Nosso país é reconhecido internacionalmente por produzir uma fruta muito doce e saborosa. Precisamos explorar essa potencialidade.”

Em dezembro do ano passado, a Abrafrutas e a Agência de Promoção de Exportações (Apex-Brasil) assinaram convênio para a promoção de ações com o objetivo de aumentar as exportações de frutas. O acordo foi firmado há dois anos, e a meta é que as exportações de frutas brasileiras alcancem a marca recorde de US$ 1 bilhão até o fim de 2019. Com a ajuda da Apex, os produtores vão participar de feiras e missões e visitar outros países.