Goiaba de Carlópolis conquista certificação internacional

A goiaba produzida no município de Carlópolis, no Norte Pioneiro, ganhou um novo status que permitirá a exportação da fruta. A certificação Good Agricultural Practices (GAP), que reconhece a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola, foi conquistado este mês e autentica o trabalho desenvolvido por produtores familiares da cidade.

Em 2016, o produto já havia obtido o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).

A busca pelo reconhecimento internacional iniciou em 2017 após a IG. A valorização do produto no país foi importante, mas ainda era considerada insuficiente diante de um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Em um trabalho conjunto entre produtores familiares, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Sebrae/PR, Fundação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Prefeitura de Carlópolis, uma série de critérios foram buscados para que a certificação internacional fosse alcançada.

Engenheira agrônoma e responsável pelo escritório da Emater em Carlópolis, Luiza Rocha Ribeiro, explica que o certificado internacional foi obtido a partir de muito trabalho em torno da capacitação dos produtores. “Foi desenvolvida uma parceria com Sebrae, Fundaçao da Unesp e Prefeitura de Carlópolis para o treinamento, boas práticas, manejo integrado de pragas e doenças junto aos produtores”, diz.

O empenho na busca da excelência foi necessário para a obtenção da certificação GAP, que prevê um manual de Boas Práticas Agrícolas, baseado em princípios de segurança alimentar, proteção do meio ambiente, condições de saúde, higiene e segurança dos trabalhadore, e bem-estar animal, quando aplicável.

Segundo Luiza, o processo para a certificação envolveu ainda a criação da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (Coac) em 2017. Para a engenheira da Emater, a economia da região terá ótimos ganhos a partir desse status. “A certificação é importante para mostrar que o produto tem um diferencial, segurança alimentar, manejo integrado, tem o ensacamento e normas sustentáveis”.

Consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, conta que enquanto o registro da IG foi conquistado pela Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC), o processo de certificação internacional passou pela criação de uma cooperativa e teve o apoio da Prefeitura de Carlópolis e da Emater. “Tentamos inicialmente fazer o processo via Associação, mas não foi possível porque não é permitido a associações fazer a comercialização”, disse. Assim, foi necessário formalizar a Cooperativa.

Perspectivas

Com a certificação internacional em mãos, os produtores de Carlópolis esperam com otimismo a conquista de novos mercados e a ampliação da comercialização no Brasil a partir deste ano. De acordo com o presidente da Cooperativa, Noriaki Akamatsu, a certificação facilita a negociação com os compradores. Os próprios supermercados no Brasil já vinham exigindo padrões para compra antes mesmo da certificação.

“Fizemos a certificação para agregar valor à goiaba e continuar na atividade. A goiaba de Carlópolis será um produto diferenciado, produzido com qualidade e que terá rastreabilidade”, diz Noriaki. Segundo ele, o critério da rastreabilidade tem sido cada vez mais exigido e permite a identificação dos produtores, de intermediários e até o varejo, oferecendo a possibilidade de descobrir a origem de possível problemas com a goiaba.

A certificação foi concedida para a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis e nove propriedades. O presidente da Cooperativa afirma que produtores certificados já fizeram contato com representantes do mercado da Alemanha e Espanha. A cooperativa é formada por 23 produtores e a goiaba de Carlópolis chega a pelo menos 12 estados brasileiros.

Em Carlópolis

A goiaba é a principal fruta produzida no município, representando 88% desde tipo de produção. Ao todo, existem 220 agricultores familiares envolvidos com esta cultura que tem a goiaba vermelha como a principal variedade. Existem cerca de 700 hectares de plantação na cidade e a safra 2017 somou 21 mil toneladas do fruto.

Faz parte da produção o uso da técnica do ensacamento individual, que é feita quando os frutos atingem o tamanho de 1,5 cm. Esta técnica é importante pois previne o ataque de insetos e aves, além de permitir utilizar baixa dosagem de defensivos.

Goiaba produzida no Paraná conquista certificação internacional para exportação

A goiaba de Carlópolis, no norte pioneiro do Paraná, passa a carregar o selo Global G.A.P, uma certificação internacional que reconhece e atesta a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola. Com isso, os produtores da fruta, um dos produtos paranaenses que possuem o registro de Indicação Geográfica (IG), abriram as portas do mercado europeu .

O consultor do Sebrae-PR, Odemir Capello, conta que há pelo menos três anos a entidade atende e capacita os produtores com foco na comercialização da fruta para o mercado nacional e internacional. Enquanto o registro da IG foi conquistado pela Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC), o processo de certificação internacional passou pela criação de uma cooperativa e contou com o apoio da Prefeitura de Carlópolis e da Emater. O produto possui o registro IG, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), desde 2016.

“Tentamos, inicialmente, fazer o processo via APC, mas não foi possível porque não é permitido a associações fazer a comercialização”, explica. Assim, foi necessário formalizar uma cooperativa de pequenos produtores, a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC). O trabalho começou no final de 2017 e, durante o ano passado, o grupo promoveu adequações nas propriedades e no chamado packing house, o barracão utilizado para a segregação, higienização e armazenamento das frutas.

Além de ser uma ferramenta para a abertura de novos mercados, a certificação aumenta a confiança do consumidor na inocuidade dos alimentos, demonstrando o compromisso do produtor com a segurança e sustentabilidade alimentar. A norma aborda, principalmente, pontos de rastreabilidade, técnicas de produção (uso controlado de defensivos químicos), preservação do meio ambiente e recursos naturais, aspectos higiênicos (não-contaminação química, física e biológica) e sociais (ambiente de trabalho adequado).

A certificação foi concedida para a COAC e nove propriedades. O produtor certificado e presidente da cooperativa, Noriak Akanatsu, diz que a rastreabilidade oferecida pelo selo internacional contribui para agregar mais valor ao produto. “A exportação é uma maneira de a gente se manter na atividade”, afirma. Hoje, a cooperativa é formada por 23 produtores e a goiaba de Carlópolis chega a pelo menos 12 estados brasileiros. Por enquanto, nove poderão exportar a fruta. E a meta para 2019 é aumentar esse número para pelo menos 15.

O produtor certificado e presidente da APC, Rodrigo da Silva Viana, explica que o selo é coletivo. A auditoria, por amostragem, foi realizada em três propriedades, além do packing house. Viana adianta que o grupo já planeja a primeira exportação. “Estamos definindo a empresa que fará a distribuição do nosso produto na Europa”, afirma. O caminho livre para levar a goiaba de Carlópolis ao exterior deve abrir mais espaço, inclusive, no mercado nacional. “Queremos usar a certificação no mercado interno para nos destacarmos como produtores de uma fruta diferenciada”, pontua.

Viana, que participou de duas missões técnicas para feiras internacionais, uma para a Espanha e outra para a Alemanha, organizadas pelo Sebrae?PR, conta que a goiaba é considerada uma fruta exótica lá fora. “Voltei das feiras entusiasmado para exportar. Fiquei impressionado com o interesse dos compradores no exterior”, relembra. As visitas foram importantes, segundo ele, para apresentar a goiaba de Carlópolis e prospectar contatos. E a expectativa com o selo internacional é expandir a lista de clientes. “A IG já abriu muitos mercados pra gente, praticamente triplicamos nossa lista de compradores”, cita.

O especialista em comércio exterior, Paulo Ricardo Teixeira Peres, diz que a certificação internacional ratifica o trabalho diferenciado feito pelos produtores de Carlópolis. Segundo ele, não existe impedimento para a comercialização sem o selo, porém, o grupo teve o cuidado de obter a qualificação e certificação apropriadas para a goiaba entrar no mercado internacional com preços referenciados pelo mercado. “Já fizemos vários contatos, desde redes de supermercados internacionais, até compradores de pequeno e médio portes”, informa. A próxima etapa, agora, segundo Peres, é adequar a logística operacional. O momento é de transição para a efetivação dos primeiros negócios.

O município de Carlópolis produz goiaba o ano todo graças ao sistema de poda total. O município é o maior produtor da fruta no Paraná e um dos maiores do Brasil. Segundo a Emater, cerca de 390 hectares são usados para o cultivo na área limitada pela indicação de procedência e o potencial de produção é de 23 mil toneladas por ano, em condições de clima normais.

De olho no mercado internacional, produtores de goiaba buscam certificação

Com informações do Sebrae/PR

Um grupo de 18 produtores de goiaba de Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, está se preparando para obter a certificação Good Agricultural Practices (Global GAP), que pode aumentar suas chances de conquistar o mercado internacional.

Todos integram a Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC) e já possuem o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O processo de certificação é acompanhado pelo Sebrae/PR e Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A coordenadora de Agronegócios, Alimentos e Bebidas do Sebrae/PR, Andréia Claudino, afirma que a certificação é um dos requisitos para a abertura de novos mercados. “O nosso objetivo é tornar o grupo mais profissional e competitivo para que possa aproveitar as oportunidades de negócios internacionais”, explica.

Segundo ela, em novembro, técnicos da União Europeia visitarão a APC para avaliar a possibilidade de concessão da Indicação Geográfica Protegida (IGP) da União Europeia.

O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, afirma que a expectativa é de que a APC conquiste a certificação em caráter coletivo. “A partir daí, os produtores encontrarão portas abertas para exportar para a Europa, um mercado gigante e que não tem goiaba”, acrescenta.

Ele explica que, no projeto setorial da IG, o trabalho é voltado para a diferenciação do produto, mas para que a goiaba de Carlópolis seja reconhecida e valorizada no mercado internacional, foi necessário buscar a certificação. “Há três anos estamos trabalhando para isso e todo esse trabalho será compensado pelo retorno financeiro. A expectativa é de que o preço do produto seja valorizado em pelo menos 100%”, calcula.

O agrônomo e pesquisador da Unesp de Bauru (SP), Aloísio Costa Sampaio, conta que a Global GAP foi desenvolvida pela rede de supermercados da Europa. “Todo produto de origem vegetal exportado para o mercado europeu precisa ter esse certificado”, explica.

Segundo ele, as premissas básicas para um produto ser certificado resumem-se em dois pontos: segurança alimentar e rastreabilidade. Antes de receber a equipe de auditoria, serão necessárias adequações na estrutura de armazenamento e treinamento dos funcionários para atuarem dentro dos padrões de produção internacional.

De acordo com Sampaio, serão verificados itens como a limpeza e proteção do “packing house”, o barracão onde as goiabas ficarão armazenadas, contra impurezas físicas, químicas e biológicas; poda em pomar dividido por talhões com placas de identificação para rastreamento; ensacamento; manejo de pragas, que deve ser feito apenas com defensivos específicos para a goiaba e registrados no Ministério da Agricultura; Cadastro Ambiental Rural dos produtores; outorga da água para a irrigação do pomar; além de uma série de capacitações exigidas. “A filosofia é a sustentabilidade. É necessário atender todos os critérios para produzir de maneira econômica, social e ambientalmente sustentável”, resume.

O produtor de goiaba e presidente da APC, Rodrigo da Silva Viana, diz que esta será a primeira tentativa de certificação. “Estamos ainda aguardando recursos para fazer as adequações necessárias no barracão”, conta. A família de Viana produz a fruta há 25 anos numa propriedade de 4,5 hectares.

O produtor Noriaki Akamatsu destaca a importância da certificação para que o grupo de Carlópolis não dependa de terceiros para exportar as frutas. Akamatsu trabalha há quase 30 anos com produção de goiaba. Hoje, ele abastece o mercado interno com aproximadamente 80 toneladas da fruta por ano.

Certificação

O Global GAP é um protocolo privado de certificação voluntária, com reconhecimento internacional de Boas Práticas Agrícolas. Além de ser uma ferramenta para a abertura de novos mercados e fidelização dos já atendidos, o objetivo da certificação é aumentar a confiança do consumidor na inocuidade dos alimentos, demonstrando o compromisso do produtor com a segurança e sustentabilidade alimentar.

A norma aborda principalmente os pontos de rastreabilidade, técnicas de produção (uso controlado de defensivos químicos), preservação do meio ambiente e recursos naturais, aspectos higiênicos (não-contaminação química, física e biológica) e sociais (ambiente de trabalho adequado).