Após visita a Lula, Haddad diz que Moro deveria ter sido afastado há anos

Fernando Haddad disse que Sergio Moro, ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, devia ter sido afastado após a divulgação dos áudios entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, em março de 2016.

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), derrotado por Jair Bolsonaro na última eleição presidencial, visitou o Lula na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, na tarde desta terça-feira (11).

“Desde a violação da Dilma, não havia condição de sustentar o Moro no processo. Aquilo já foi um fato suficientemente grave. Infelizmente aquilo não foi compreendido na sua gravidade e agora estamos vendo desdobramentos. O bom é que sempre há tempo para reparação”, avaliou.

Além disso, o petista destacou que Lula ganhou confiança após a publicação do Intercept Brasil, que revelou conversas do Telegram entre Moro e Deltan Dallagnol que, entre outras coisas, mostra que o ex-magistrado interferiu no andamento da Operação Lava Jato.

De acordo com Haddad, o PT ainda aguarda novas provas por parte do site para ajudar o ex-presidente a comprovar sua inocência, mas ressaltou que o material já revelado não foi desmentido. Só a partir de todo o conteúdo divulgado é que será feita uma peça jurídica mais embasada para se levar à Justiça.

“Vamos aguardar o apanhado de tudo que for divulgado. Ele [Lula] mantém a esperança de que a verdade irá prevalecer. Sabe que é um processo lento, mas [está] cada vez mais confiante que toda a verdade a seu respeito será revelada e que sua inocência será comprovada. Está convencido que começa a ser contada toda a história sobre esses episódios”, completou.

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Bolsonaro enaltece 13º do Bolsa Família enquanto filho e Haddad batem boca

Na cerimônia que marcou os 100 dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) oficializou a criação do 13º para beneficiários do Bolsa Família, que atinge sobretudo moradores da região Nordeste, onde o presidente tem maior rejeição.

A medida foi uma das 18 ações anunciadas nesta quinta-feira (11), e foi uma promessa de campanha de Bolsonaro. A concessão do 13º terá um custo anual de R$ 2,6 bilhões, mas, por outro lado, não haverá reajuste no valor do benefício neste ano.

Em uma rede social, Bolsonaro escreveu nesta quinta que foi possível estabelecer o 13º do Bolsa Família graças a “recursos oriundos em sua esmagadora maioria de desvios e recebimentos indevidos”, sem dar mais detalhes. O presidente classificou o momento como um “grande dia!”.

A medida beneficia diferentes áreas do país que têm em comum a população de baixa renda e foi oficializada após Bolsonaro registrar a largada com pior avaliação entre presidentes em primeiro mandato -segundo pesquisa Datafolha, 30% consideram a gestão ruim/péssima, 32%, ótima/boa, e 33%, regular.

No Nordeste, Bolsonaro teve na eleição 30% dos votos no segundo turno, contra 70% de Fernando Haddad (PT). É justamente nessa região em que a presença do Bolsa Família é mais marcante -ao menos 12% da população recebe esse benefício. No Sudeste, que deu grande vantagem ao presidente na eleição, são 4% de beneficiários.

Ao se manifestar sobre o anúncio do governo federal, Haddad acabou batendo boca em uma rede social com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente.

O petista republicou uma postagem datada de 2010 da conta oficial de Jair Bolsonaro, quando o então deputado federal afirmou que “o Bolsa-farelo (família) vai manter essa turma no Poder”, se referindo aos governos do PT.

Haddad questionou: “Será que 1/12 do bolsa-farelo (13ª parcela) vai reverter sua situação no Nordeste? Lembrando que você não reajustou o benefício nem pela inflação e seu governo ofende os nordestinos a todo instante?”.

A postagem foi respondida pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, que afirmou: “Chora marmita!!!”.
“Priminho tá bem?”, respondeu Haddad, no que parece ser uma referência ao primo e amigo de Carlos, Leonardo de Jesus, o Leo Índio, que mesmo não tendo cargo era figura frequente nos corredores do Palácio do Planalto.

Carlos retrucou: “Continua chorando marmita???”, no que Haddad respondeu, cobrando uma resposta para as vítimas das enchentes no Rio e para a família do músico Evaldo Rosa dos Santos, morto após ser fuzilado com 80 tiros em uma ação do Exército.

Ao responder, Carlos perguntou “Lacrou marmita?” e citou reportagem da Folha de S.Paulo publicada em março de 2016, segundo a qual Haddad, à época prefeito de São Paulo, usava só 39% do previsto para o controle de cheias em córregos da capital paulista.

Enquanto o presidente comemorava nas redes sociais o 13º do Bolsa Família, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que gere o programa, minimizava o impacto dele sobre os mais pobres.

“O maior programa de proteção às famílias mais pobres não é o Bolsa Família, é o BPC [Benefício de Prestação Continuada], do governo Fernando Henrique [Cardoso]. O BPC é o dobro do Bolsa Família em recursos. Aposentadoria do trabalhar rural é do Itamar Franco, que é maior que todos os outros juntos”, disse à Folha de S.Paulo.

Para Terra, não é uma estratégia política do governo se apropriar de programas voltados aos mais pobres, em geral associados à esquerda. “Não tem cor partidária nem ideológica. Acho que a esquerda pode até querer tomar conta, dizer que é dela, mas não é”, afirmou.

Fachin multa campanha de Haddad por notícias contra Bolsonaro

O ministro Edson Fachin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), multou a campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência em R$ 176,5 mil em decorrência de irregularidades na internet. A decisão foi assinada na terça-feira (26). Ainda cabe recurso.

Segundo a decisão, documentos do Google comprovaram que a campanha de Haddad contratou, por R$ 88,2 mil, o impulsionamento de conteúdo desfavorável ao então adversário Jair Bolsonaro.

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De acordo com os autos do processo, o contrato previa o aparecimento, nos primeiros resultados de busca do Google, do site intitulado “A Verdade sobre Bolsonaro”, no qual se veiculava trechos negativos de uma matéria jornalística do jornal norte-americano The New York Times sobre o candidato do PSL.

A defesa da campanha de Haddad sustentou que o conteúdo impulsionado dizia respeito somente à “reprodução de matéria jornalística amplamente divulgada, que se mostrou inapta a desequilibrar a disputa eleitoral”, motivo pelo qual a reclamação aberta pela campanha de Bolsonaro não mereceria prosperar.

Fachin discordou do argumento. “Ao contrário do que afirmam os representados, não se tratou unicamente da reprodução de matéria jornalística amplamente divulgada, haja vista que sequer a matéria foi reproduzida, mas de diversos destaques ora atribuídos à citada matéria de jornal, ora de autoria do próprio site, contendo críticas desfavoráveis e ofensivas ao candidato adversário”, escreveu.

O ministro ressaltou que a legislação eleitoral vigente para o pleito do ano passado permitia o impulsionamento na internet “apenas com o fim de promover ou beneficiar candidatos ou suas agremiações”. Ele fixou a multa no dobro do gasto com a contratação do serviço, conforme previsto na legislação.

Tribunal de Justiça arquiva processo que acusava Haddad de corrupção

O Tribunal de Justiça de São Paulo arquivou nesta quarta (27) o processo criminal que acusava o ex-prefeito e presidenciável derrotado Fernando Haddad (PT) de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Por dois votos a um, os desembargadores da 12ª Câmara Criminal entenderam que já tramita outra ação contra Haddad pelos mesmos fatos na Justiça Eleitoral, em que ele responde por prática de caixa dois, e decidiram trancar a ação.

Segundo a denúncia, baseada na delação da UTC, Haddad recebeu R$ 2,6 milhões em propina da empreiteira UTC para pagamento de dívidas da campanha à Prefeitura de São Paulo em 2012.

A acusação foi apresentada em 4 de setembro do ano passado, a cerca de um mês do primeiro turno eleitoral. Em novembro, o juiz Leonardo Barreiros, da 5ª Vara Criminal da Barra Funda, na capital paulista, aceitou a denúncia e transformou Haddad em réu.

A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça com pedido de habeas corpus. Há duas semanas, houve a primeira sessão de julgamento. Nela, o próprio procurador de Justiça Maurício Antônio Ribeiro Lopes criticou a denúncia do órgão que representa e pediu o arquivamento.

Segundo as investigações, o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, se reuniu com Ricardo Pessoa em abril ou maio de 2013 e pediu R$ 3 milhões em nome do prefeito para sanar as dívidas da campanha. A UTC negociou o pagamento de R$ 2,6 milhões.

Antes, em fevereiro, Haddad havia se encontrado com Ricardo Pessoa, segundo sua própria agenda na prefeitura.

O dinheiro, então, teria sido pago por meio de um esquema que envolvia a prática de lavagem de dinheiro em gráficas controladas pelo ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza, conhecido como Chicão.

Além de Haddad, também foram denunciados Vaccari, Ricardo Pessoa, Walmir Pinheiro, Chicão e Alberto Youssef.

Embora não aponte contrapartida de Haddad ao pagamento da UTC, o promotor Mendroni afirmava que havia uma “perspectiva de contrapartida” do petista.

Em junho, a Justiça Eleitoral recebeu a denúncia contra Haddad por caixa dois na campanha de 2012.

Dal Poz afirma que a denúncia demonstra a montagem de “uma estrutura paralela do PT para financiamento de campanhas em 2012, que teve Fernando Haddad como um dos beneficiários”.

A ação foi arquivada tanto em relação a Haddad quanto aos demais réus.

Em nota, os advogados de Haddad, Pierpaolo Bottini e Leandro Racca, afirmam que no próprio voto, o relator, desembargador Vico Mañas, afirma que “a denuncia não esclarece qual a vantagem pretendida pelo empreiteiro, uma vez que os interesses da UTC foram contrariados pela gestão municipal, que chegou a cancelar um contrato já assinado com a empresa para a construção de um túnel na Avenida Roberto Marinho”.

“O Tribunal reconheceu as falhas da acusação e a inexistência de benefícios indevidos para a UTC a gestão Fernando Haddad. O próprio Ministério Público concordou com a inviabilidade do processo penal contra o ex-Prefeito. A decisão põe um ponto final a uma injustiça que durava meses”.

Uma prisão, uma facada, um país dividido e uma eleição vencida pelas redes sociais

O Brasil protagonizou, em 2018, uma eleição que ficará para a história do país. Vários fatos inéditos marcaram o caminho até a vitória de Jair Bolsonaro, o 38º presidente da República, que toma posse na próxima terça-feira. Foi a primeira vez na história que um preso (Luiz Inácio Lula da Silva) tentou concorrer à Presidência. Também foi a primeira vez que um candidato sofreu um atentado em plena campanha.

Bolsonaro também conseguiu quebrar a hegemonia de PT e PSDB, que polarizaram as seis últimas eleições, desde 1994 e, com um discurso de ruptura ao modelo político atual e apresentando-se como antagonista do PT, o deputado federal conquistou 55% dos votos em 28 de outubro para chegar ao Palácio do Planalto. Seu discurso inflamado, no entanto, com muitas declarações que incitaram ódio, discriminação e preconceito e, até, defesa da ditadura militar, preocupou instituições e dividiu o país, que teve, no segundo turno, que decidir entre o discurso agressivo de Bolsonaro e o petista Fernando Haddad, que substituiu Luiz Inácio Lula da Silva na disputa para defender o projeto político do PT, com toda a crise de credibilidade que o partido enfrentava após a Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de sua principal liderança.

Confira, na retrospectiva do Paraná Portal, os fatos marcantes que levaram à eleição de Jair Bolsonaro:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a superintendência da Policia Federal de Curitiba (PR), na noite deste sábado (7), onde começará a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão pela condenação no caso do triplex em Guarujá (SP).Ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Prisão de lula

A eleição de 2018 começou a ser decidida já em janeiro. No dia 24, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso conhecido como o do tríplex do Guarujá, o primeiro processo contra Lula na Lava Jato. Até então líder nas pesquisas de intenção de voto para a presidência da república, o, na época, pré-candidato passava à condição de inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, por ter uma condenação proferida por órgão colegiado.

Em abril, após esgotada a possibilidade de recursos do ex-presidente na segunda instância, a Justiça decretou a prisão do ex-presidente, que passou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Mesmo com Lula preso, o PT insistiu na sua candidatura. Em 15 de agosto, registrou a chapa com Lula como candidato a presidente. Em 31 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu o registro de candidatura de Lula e, apenas em 11 de setembro, a menos de um mês para o primeiro turno das eleições, o ex-presidente foi substituído por Fernando Haddad como candidato do partido, numa estratégia muito criticada por analistas políticos e aliados do PT, que acabaram se afastando do partido, que coligou-se, apenas, com o PC do B.

JUIZ DE FORA, MG, 06.09.2018 – O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, durante ato de campanha no Parque Halfeld, em frente à Câmara Municipal de Juiz de Fora (MG). O presidenciável foi esfaqueado e levado para o hospital. O suspeito foi preso, segundo a Polícia Federal. (Foto: Raysa Leite/Folhapress)

Atentado a Bolsonaro

Antes mesmo da oficialização de Haddad como candidato, um outro fato marcante mexeu com o processo eleitoral. No dia 6 de setembro, quando fazia ato de campanha nas ruas de Juiz de Fora – MG, Bolsonaro foi atingido por uma facada. Depois de atendido na emergência da Santa Casa de Juiz de Fora, foi transferido para São Paulo. Ficou internado no Hospital Israelita Albert Einstein durante 23 dias. E sem poder fazer campanha de rua, se comunicou com os eleitores pelas redes sociais. O autor do ataque, Adélio Bispo, foi preso e confessou o crime.

Além da comoção popular, que já refletiu em crescimento das intenções de voto de Bolsonaro, nas primeiras pesquisas após o atentado, a condição de saúde do deputado lhe deu justificativa para intensificar sua estratégia de campanha via redes sociais e evitar a participação nos debates de TV, onde seria o alvo principal dos adversários.

Redes sociais

Impedido de fazer campanha de rua, Jair Bolsonaro usou e abusou do que já seria sua principal estratégia de campanha: a utilização maciça das redes sociais. Milhares de grupos de Whatsapp espalhando as declarações e propostas do candidato, bem como críticas e, até acusações a adversários; um exército de seguidores e multiplicadores de conteúdo no Twitter e no Facebook fizeram do eleitorado de Bolsonaro o mais fiel e mais convicto de seu voto, garantindo-o no segundo turno. Na disputa final contra Haddad, mesmo autorizado pelos médicos,

Redes Sociais/Flávio Bolsonro

o então candidato preferiu repetir a estratégia bem-sucedida: não participou de nenhum debate, não foi para a rua e concentrou toda a sua campanha na distribuição de material para internet e celular.

Estas foram, também, as eleições das notícias falsas (fake news). Com a concentração da campanha na internet, muitas informações inverídicas sobre os presidenciáveis circularam, sem controle, pelas redes e influenciaram milhões de votos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até tirou do ar algumas páginas que divulgavam, sistematicamente, as notícias falsas, mas admite que pouco conseguiu fazer para impedir a circulação.

As discussões pela internet dividiram os brasileiros entre petistas o bolsonaristas, numa eleição que também foi marcada por brigas entre amigos e parentes por conta das posições políticas.  

 

#Elenão

Com a candidatura de Lula indeferida, Bolsonaro assumiu a liderança nas pesquisas de intenção de voto, mas, por sua posição radical, muitos acreditavam que o candidato do PSL já havia atingido seu teto. As apostas eram que Haddad cresceria, tendo seu nome vinculado a Lula, assim como os candidatos de centro (Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Alvaro Dias, Henrique Meirelles, João Amoêdo), apresentando-se como alternativa às duas candidaturas ditas de extremo.

Os candidatos de centro, no entanto, não decolaram e o voto útil falou alto no primeiro turno. Eleitores que rejeitavam o PT migraram para Bolsonaro mesmo não sendo essa sua primeira opção, assim como eleitores contrários ao discurso do capitão reformado do exército admitiram votar no PT apesar de todas as suas ressalvas.

Por conta do discurso, por muitos classificado como machista, homofóbico e racista de Bolsonaro, um movimento, liderado por mulheres, foi às ruas protestar contra o então candidato. O #Elenão acabou servindo para acirrar ainda mais a disputa e polarizar em definitivo a eleição.

No final, a rejeição ao PT foi maior que a rejeição ao conservadorismo radical de Bolsonaro e, no dia 28 de outubro, com 55,1% dos votos, Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente da República.

Foto de Tânia Regô/Agência Brasil

Haddad declara gasto 15 vezes maior que Bolsonaro em campanha

Derrotado na eleição presidencial deste ano, Fernando Haddad (PT) declarou neste sábado (17) ter gastado em sua campanha um valor 15 vezes maior que aquele declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

O petista entregou sua declaração na tarde deste sábado, data limite para que os candidatos que disputaram o segundo turno apresentassem suas contas.

Pelas informações prestadas, Haddad arrecadou aproximados R$ 35,4 milhões (sendo R$ 33,7 em recursos financeiros) e gastou R$ 37,5 milhões, restando uma dívida de campanha de cerca de R$ 3,8 milhões.

Impedido de disputar a eleição com base na lei da Ficha Limpa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ocupava a cabeça de chapa antes de Haddad, ainda antes do primeiro turno, havia declarado arrecadação de R$ 20,6 milhões e gastos de R$ 19,8 milhões.

Já Bolsonaro declarou ter arrecadado R$ 4,4 milhões e gastado R$ 2,5 milhões. Ele já havia entregue suas contas. Vítima de uma facada em 6 de setembro, Bolsonaro passou a maior parte da campanha no hospital ou em casa, recuperando-se.

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral concluiu na segunda-feira (12) análise preliminar da prestação de contas da campanha de Bolsonaro e apontou 17 indícios de irregularidade na documentação entregue pela equipe do presidente eleito.

Reportagens da Folha de S.Paulo mostraram a campanha de Bolsonaro omitiu dados da prestação de contas do primeiro turno.

Algumas das informações também não foram apresentadas na prestação final das contas da campanha, entre elas o trabalho de um dos principais advogados da campanha, Tiago Ayres.

O Derrotado

É inerente e comum ao bom caráter, ao homem de bem e ao de espírito elevado a humildade e o altruísmo.
Ao escutar o pronunciamento de Fernando Haddad, ovacionado pela esquerda radical, constatei que ele não se encaixa em nenhum desses conceitos.
A primeira palavra marcante foi oposição. A segunda coragem, para lutar contra o medo. Vale destacar também a reverência aos 2 últimos presidentes do partido: Dilma, a “impichada”, e ao presidiário Lula.
A falta de educação, de quem se diz professor, e de desrespeito ao simbolismo da presidência omitiram do candidato derrotado qualquer desejo de sucesso ao novo presidente eleito. A razão é que o que menos interessa a eles é o sucesso de quem quer que seja que não seja o PT. Eles são a favor do PT e não do Brasil. A favor, escancaradamente, do poder pelo poder. Mesmo depois de 14 anos nos dirigindo e conduzindo ao maior desemprego, ao menor crescimento econômico e ao maior aparelhamento de corrupção conhecido no mundo, não aceitam a derrota dita claramente pelo povo livre nas urnas.
De todos os defeitos, o imperdoável foi roubar a esperança da geração atual e o sonho das gerações futuras pela corrupção incontrolada.
Ela não está só no PT, verdade, mas o PT era o partido governante. Não bastasse isso, não aceita a realidade, distorce a verdade, alegando prisões políticas.
Quem não sabe pensar é um idiota, quem não se atreve a pensar um covarde, mas quem não quer pensar é um fanático.

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Haddad se posiciona como líder da oposição e pede coragem a seus eleitores

Candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, Fernando Haddad (PT) fez um pronunciamento, na noite deste domingo, em São Paulo, em que não parabenizou o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse que terá a responsabilidade de fazer oposição ao próximo governo e pediu para que seus eleitores não tenham medo do que está por vir, pois terão porta-vozes para defendê-los.

Haddad agradeceu aos mais de 45 milhões de votos que recebeu neste domingo, cumprimentou os partidos e militantes que o apoiaram e disse que “uma parte expressiva do povo brasileiro divergiu da maioria e precisa ser respeitada. Essas pessoas têm um outro projeto de Brasil na cabeça e merecem respeito”.

O candidato derrotado comentou que as pessoas que votaram nele, muitas não simpatizantes do PT, perceberam o que estava em jogo nesta eleição “E muita coisa estava em jogo: As instituições estão sendo colocadas à prova a todo instante, começou em 2016 com a retirada da presidente Dilma, seguiu com a prisão injusta de Lula e a proibição de sua candidatura. Mas nós seguimos, levando a mensagem que vale a pena levar a todos os brasileiro: de que a soberania nacional e a democracia estão acima de todos nós”, disse Haddad.

Para ele, seu grupo política tem, agora, “uma tarefa enorme que é, em nome da democracia, defender o pensamento e as liberdades desses 45 milhões de brasileiros. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição, colocando os interesses do povo brasileiro acima de tudo, pois temos compromisso com a prosperidade deste país o compromisso em manter a democracia, em não aceitar provocações, em não aceitar ameaças”.

“Verás que um professor não foge à luta”, disse Haddad, afirmando que é o momento de conversar com as pessoas, reconectar-se com as bases, reconectar-se com os pobres do Brasil, para redesenhar um plano político e fortalecer o exercício da cidadania. “Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais da nossa cidadania que agora. Coloco a minha vida à disposição deste país”, disse o candidato derrotado, que encerrou seu discurso com uma mensagem: “Para os que sentem angustia e medo: não tenham medo. Nós estaremos aqui. Nós estamos juntos. Estaremos de mãos dadas com vocês. Contem conosco, coragem a vida é feita de coragem”.

Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

Com 94,4% das urnas apuradas às 19h21 deste domingo, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro está matematicamente eleito presidente da República. Bolsonaro somou, naquela parcial, 55,2 milhões de votos, não podendo mais ser alcançado por Fernando Haddad (PT), que tinha 44,19 milhões de votos.

Ao final da apuração, o ex-capitão do exército obteve 55,18% dos votos válidos (57,7 milhões de votos), contra 44,82% (46,6 milhões) do ex-prefeito de São Paulo. Do total de votante, 2,15% votaram em branco, enquanto 7,43% anularam o voto. Dos mais de 147 milhões de eleitores aptos a votar, 21,28% não compareceram à urna, o que corresponde a mais de 31 milhões de eleitores.

O 42º presidente

(Igor Gielow – Folhapress)

Jair Messias Bolsonaro, 63, é o novo presidente do Brasil -o 42º da história e o 8º desde o fim do regime militar (1964-85) que ele admira e cujo caráter ditatorial relativiza.
O deputado do PSL-RJ derrotou neste domingo (28) o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, do PT.

Bolsonaro liderou a mais surpreendente disputa eleitoral desde o pleito de 1989 a partir de agosto, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril por corrupção, foi declarado inelegível.

Haddad, plano B do PT que ocupava estrategicamente a vice de Lula antes de ser lançado candidato, conseguiu chegar ao segundo turno, mas nunca ameaçou a liderança do polêmico deputado.
Ele será o 16º presidente militar da história e o 3º a chegar ao poder pelo voto direto. Os outros foram Hermes da Fonseca, em 1910, e Eurico Gaspar Dutra, em 1945.

Dono de retórica agressiva e colecionador de polêmicas que lhe valeram pechas que vão de radical a fascista, é o primeiro eleito desde Fernando Collor (1989) a se declarar abertamente de direita.
Suas credenciais democráticas são questionadas constantemente, uma novidade em pleitos presidenciais também desde Collor. Há uma semana, disse que seus adversários deveriam ser presos ou exilados, enquanto vídeo no qual seu filho Eduardo citava ser fácil fechar o Supremo Tribunal Federal em caso de questionamento de uma vitória do pai circulava.

A campanha teve diversos ineditismos. O mais notável foi o atentado a faca que Bolsonaro sofreu durante um ato em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro. Atingido no intestino, o deputado quase morreu e ficou fora da campanha de rua até o fim da disputa. Transformou o hospital e, depois, sua casa no Rio em quartel-general de onde gravava vídeos para a internet e recebia apoiadores.

A facada desorganizou a estratégia de seus adversários e permitiu a Bolsonaro não se submeter ao escrutínio de debates televisivos -participou apenas de dois deles no primeiro turno, antes do atentado, e preferiu ignorar o confronto com Haddad mesmo estando em condições clínicas na segunda etapa.

A derrota petista é danosa ao partido de Lula, que de todo modo logrou chegar ao segundo turno e elegeu a maior bancada na fragmentada Câmara dos Deputados. Comandando o eleitorado nordestino e mantendo cidadelas na região e no Congresso, o partido está logrou um triunfo relativo após anos de crise.

A eleição foi também um plebiscito sobre o legado do ex-presidente. Haddad era Lula, como dizia a propaganda petista no primeiro turno, convenientemente alterada para uma ideia fracassada de “Frente Democrática” para a disputa deste domingo.

Bolsonaro quebra uma série de quatro vitórias presidenciais petistas. Mais que isso, encimou um tsunami de direita na eleição, com a expulsão de diversos nomes da esquerda e da política tradicional do Legislativo e também com a ascensão de nomes novos nas disputas por governos de estado.

O antipetismo encarnado pelo deputado transformou os partidos conservadores tradicionais numa terra arrasada. O PSDB, que havia amealhado metade do eleitorado em 2014 e perdido por pouco para o PT, foi praticamente extinto em sua encarnação atual.

Diversos fatores concorrem para explicar o sucesso de Bolsonaro. Sua raiz está nos protestos de rua de 2013, quando o sentimento “contra todos” tomou conta do país e derrubou a aprovação dos principais governantes.

No ano seguinte, a Operação Lava Jato entrou no cenário político, varrendo o PT e aliados antes de chegar ao próprio PSDB.

Em 2016, a recessão comandada por Dilma Rousseff (PT) deu condições políticas para o seu impeachment, e após um sucesso parlamentar inicial, o governo sucessor de Michel Temer (MDB) afundou-se em uma crise política e ética sem fim.

A derrocada de Temer deu oxigênio ao PT, agarrado no discurso de que fora vítima de um golpe.

Ao fim, contudo, Haddad não soube criar um fio narrativo coeso para driblar a acusação de leniência com os erros e alienou aliados em potencial -como Ciro Gomes (PDT), que saiu em terceiro lugar no primeiro turno e recusou declarar voto no petista.

Se a negação ao petismo já era uma forma de protesto contra o sistema político como um todo, ela acabou creditada na conta de Bolsonaro, e não na de figuras tradicionais.

Sua ascensão meteórica foi largamente ignorada pelo mundo político até o fim do ano passado, quando a intenção de voto resiliente atrás de Lula o tornou foco de atenção.

Mas Bolsonaro estava na rua desde 2014. Ou melhor: estava na nuvem, no mundo virtual em que montou uma eficaz e bastante contestada estratégia de promoção.

O uso intensivo de multiplicação de mensagens por meio do aplicativo WhatsApp e a adesão ao recurso de comunicação direta por meio de redes sociais foram importados dos EUA -não por acaso, Bolsonaro se diz grande fã do presidente Donald Trump.

Assim como o americano, ele é acusado de disseminar fake news e desinformação, o que nega. Como a Folha de S.Paulo mostrou na semana passada, o impulsionamento de mensagens negativas ao PT foi comprado por empresários -Justiça Eleitoral e Polícia Federal investigam se houve crime e ligação com a campanha de Bolsonaro, uma sombra que irá acompanhar o novo presidente.

O deputado, por sua vez, só dobrou a aposta ao criticar o jornal -e processar seus profissionais- e a mídia em geral. Promete rever critérios de distribuição de verba publicitária federal.

Em outubro de 2015, quando decidiu pela candidatura, ele começou a percorrer o país para apresentar-se como um improvável “novo”, mesmo sendo deputado federal desde 1991 -será o presidente com a mais longa trajetória parlamentar desde José Sarney.

Era recebido em aeroportos por pequenas multidões, que gravavam e divulgavam as imagens em tempo real. Ganhou a alcunha de “mito”.

Montado numa estrutura confusa e amadora, cercou-se de militares da reserva e conselheiros de setores conservadores, como ruralistas e evangélicos.

Seu verdadeiro núcleo duro, contudo, é a família. Bolsonaro tem quatro filhos adultos e uma filha de 7 anos. Os três mais velhos integram seu QG: o senador eleito Flávio (PSL-RJ), o deputado federal reeleito Eduardo (PSL-SP) e o vereador carioca Carlos (PSL).

Criou uma imagem inoxidável a críticas, cujo ambiente controlado e isolado após a facada ajudou a preservar.

O fato de enaltecer um torturador da ditadura, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o de ser réu por incitação ao estupro não foram suficientes para lhe tirar apoio. A promessa de “quebrar o sistema”, nas suas palavras, falou mais alto.

Apresentou um único fiador ao mundo dos negócios, o economista Paulo Guedes. Apesar das desconfianças da exequibilidade de suas ideias ultraliberais e do risco da dependência de um personagem demissível pelo presidente, ao fim o consenso entre analistas de mercado financeiro avaliou Bolsonaro como um nome mais benigno que o de Haddad.

Não foi um processo automático. Há um ano, a Folha de S.Paulo entrevistou vários analistas voltados ao mercado e todos eram unânimes em apontar Geraldo Alckmin (PSDB) ou um representante do “novo” como favoritos na disputa -mas o “novo” na época nunca foi Bolsonaro.

Aos poucos e discretamente, eventos de bancos de investimento começaram a ter o deputado como estrela. Sem atrair grandes empresários tradicionalmente associados à política, como empreiteiros, Bolsonaro começou a entusiasmar setores da economia mais próximos do sentimento popular na ponta, como pequenos empresários e donos de redes de varejo.

Desde 2017, um núcleo de generais da reserva liderado pelo já anunciado futuro ministro da Defesa, Augusto Heleno, começou organizar grupos de trabalho para desenhar o programa de governo.
Não sem surpresa, pouco se sabe de fato do que será proposto e, principalmente, de como será feita a mediação com um Congresso sem partidos fortes.

Insinua-se um acordo com o centrão, DEM à frente, para garantir a articulação de suas primeiras medidas. Como isso será negociado para evitar a ideia de adesão aos métodos que prometeu combater é algo ainda a ver, como de resto tudo no governo: é a primeira vez que a hegemonia PT-PSDB é quebrada desde 1994 em nível federal.

Seja como for, o processo não será simples. Bolsonaro já prometeu trabalhar em favor da pacificação do país, mas a disputa conseguiu ser mais polarizada do que a já conturbada vitória de Dilma sobre Aécio Neves (PSDB) em 2014.

Bolsonaro é descartado liminarmente por adversários, tanto que sua rejeição pública é expressa em termos pessoais: #EleNão é o mote da campanha e deverá permanecer no cenário político.

Votação encerrada: cerca de 8 milhões de paranaenses foram às urnas

Cerca de 8 milhões de eleitores foram às urnas neste domingo (28) para eleger o novo presidente da República, no segundo turno das eleições. As urnas do estado abriram às 8h e a votação foi encerrada às 17h.

Acompanhe a apuração em tempo real

Até 16h, 401 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas, cerca de 1,4% do total.

Estão aptos a votar 147.306.275 eleitores residentes no Brasil e no exterior. Desse total, 77.339.897 são mulheres (52,5%) e 69.902.977 são homens (47,45%). Em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal os eleitores também escolhem os governadores, em outros 13 a escolha ocorreu no primeiro turno eleitoral.

Segundo o TSE, 73.692.125 eleitores votam com biometria, nos 4.326 municípios equipados com o sistema.

Resultado

As primeiras parciais das eleições estão previstas para serem divulgadas às 19h, quando 80% das urnas do estado devem estar apuradas, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR).

Segurança

De acordo com a Polícia Militar (PM), o esquema de segurança montado para as eleições contou com 10 mil policiais e 1,7 mil viaturas atuando no estado. Até as 14h, 32 ocorrências foram registradas e 10 pessoas foram encaminhadas. O trabalho contou com policiamento a pé e motorizado nos locais de votação, pontos estratégicos das cidades e locais de risco. Somente na Capital serão aplicadas 500 viaturas.