A facilidade dos ativos de renda fixa:

In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

 Dos escritores do instituto PMIF Hildebrando Matheus e André César…

 Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o advogado André César e do profissional na área financeira, Hildebrando Matheus… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir.

Vamos aos diálogos da semana:

 

ATIVOS DE RENDA FIXA

 

Recentemente publicamos o artigo chamado “O que preciso saber antes de começar a investir?”, no qual abordamos os conceitos iniciais e básicos para alguém que quer investir. Nesse artigo nós falamos sobre a possibilidade de investir na renda fixa

A primeira coisa que você deve perceber é: renda fixa não é só a caderneta de poupança. Ela é um tipo de investimento em que as pessoas conhecem ou podem prever a rentabilidade no momento em que vão investir. Em comparação com a renda variável, sobre o que falaremos no próximo artigo, a renda fixa garante, em regra, o principal (valor alocado originalmente) acrescido de juros/atualização, mas não está imune a riscos. Por outro lado, a renda variável pode gerar a perda do principal com a queda da valoração de determinada quota/ação.

Você sabia que, em relação a investimentos, a tributação pode ser variável e por vezes isenta? Para aplicações com vencimento/resgate de até 180 dias, a alíquota do IR será de 22,5%. Se for de até 360 dias, a alíquota será de 20%. Se até 720 dias, a alíquota será de 17,5%. Por fim, se o investimento for acima de 720 dias, a alíquota será de 15%. A base de cálculo do IR será a diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, quando couber, e o valor da aplicação. Esses valores deverão ser recolhidos em fonte por quem paga os juros (corretora/banco). Por outro lado, como dito abaixo, existem títulos que são isentos de IR, como as LCIs e LCAs.

Vamos explicar um pouco mais. Imaginemos que você colocou R$ 1.000,00 em renda fixa (CDB do Santander) com vencimento (possibilidade de retirar) em 1 ano (27/09/2019) à taxa de juros de 102% do CDI. Se você aguardar até o final do prazo, você receberá os R$ 1.000,00 + juros de 102% do CDI.

O investidor também poderia se questionar. Tudo bem. Mas, diante dos números apresentados pela corretora descritos acima, como posso calcular a rentabilidade líquida de um CDB? Primeiro deve ter em mente o capital investido (R$ 1.000,00). Depois deve ser encontrada a rentabilidade bruta. Para isso se deve calcular o percentual de aplicação (102%*5,90 (CDI atual)=6,018%) e multiplicar pelo valor originário, totalizando R$ 60,18. Depois deve ser calculado o valor do IR sobre o lucro (60,18-22,5%=R$ 13,54), resultando no valor de rendimento líquido de R$ 46,64 (R$60,18-13,54). Depois deve ser somado o investimento inicial com a rentabilidade líquida (R$ 1.000,00 + R$ 46,63 = 1.046,63). A rentabilidade líquida, portanto, é de 4,63%.

Se você não retirar o valor antecipadamente, você não perderá o principal (R$ 1.000,00, por exemplo). Por outro lado, se você aplicar o mesmo valor em uma determinada ação/quota (renda variável), com a oscilação do mercado haverá a possibilidade de perder o principal. Isso não é a regra, mas pode ocorrer. Justamente por isso você precisa estar muito mais atento quando aplica em renda variável do que na fixa.

A proteção que o investidor tem, quando investe em títulos desse segmento de investimento, é o fundo garantidor de crédito (FGC). Esse fundo serve de proteção para o investidor que aportou valores em determinados títulos dessa modalidade. Se houver uma quebra ou falta de pagamento, esse fundo pagará até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição em que o investidor tenha títulos. O FGC pode proteger produtos de investimentos tais como a caderneta de poupança, CDB, LCI e LCA.

Os títulos que compõem a renda fixa são a caderneta de poupança, títulos públicos, debêntures, CDB, LCI/LCA/LC, assim como CRI e CRA.

O CDB é um título emitido pelos bancos como meio de captação de recursos para financiar as suas atividades, servindo como um “empréstimo” aos bancos, o que é devolvido com juros e correção. Vale dizer também que a rentabilidade do CDB não possui uma regra clara. Porém, quanto maior for o prazo de vencimento (mais distante), maiores serão as taxas de juros, justamente porque a instituição saberá que você ficará com o dinheiro por todo aquele período.

Outro questionamento poderia surgir. O que afeta a rentabilidade de um CDB? Em primeiro, a rentabilidade do CDB variará conforme o prazo de vencimento. Por óbvio, quanto maior o prazo de vencimento, maior será a rentabilidade. Além disso, as instituições financeiras em fase de crescimento e/ou buscando captar recursos tendem a oferecer CDBs com rentabilidade muito maior. Também a taxa Selic pode modificar a rentabilidade e benefício dos CDBs pós ou prefixados. Quer dizer: se a taxa Selic (acompanhada de perto pelo CDI) diminuir, serão melhores os CDBs prefixados. Se, por outro lado, a Selic aumentar, serão melhores os CDBs pós-fixados. Essa análise deve ser feita sempre no momento da aplicação.

Por seu turno, a caderneta de poupança foi criada em 1861 por Dom Pedro II com a finalidade de captar dinheiro. A rentabilidade da poupança é mensal; ou seja, o valor que é aplicado, por exemplo, dia 2 de outubro, só terá remuneração no dia 2 de novembro. Isso funciona sempre, de mês em mês. Caso você aplique dia 10 de agosto e resgatou dia 1 de outubro, deverá contar com a rentabilidade de um mês: de 10 de agosto a 10 de setembro. Quando a taxa de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será fixo: 0,5% ao mês mais a taxa referencial (TR). Quando a taxa de juros estiver abaixo ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais a TR. O valor da TR é de responsabilidade do Banco Central do Brasil (BACEN). Este órgão realiza uma pesquisa com os 30 maiores bancos do país, analisando as taxas de juros dos CDBs. Vale ressaltar que o valor da TR nunca é negativo. Ou seja, o seu valor mínimo será igual a zero.

A poupança é erroneamente considerada a aplicação mais segura que existe. Isso porque o dinheiro investido na caderneta está sujeito ao mesmo risco de crédito que muitas outras aplicações de renda fixa privada.

Por outro lado, os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional e são uma forma de financiar a dívida pública, emprestando dinheiro ao governo. Há diversas opções de títulos dentro do Tesouro Nacional. São eles: 1) Tesouro prefixado; 2) Tesouro Selic; 3) Tesouro IPCA+.

O Tesouro prefixado tem rentabilidade prefixada e o pagamento dos juros pode ocorrer no vencimento ou a cada 6 meses. É recomendável em períodos de queda da taxa Selic. Por outro lado, o Tesouro Selic é pós-fixado e a rentabilidade é variada, acompanhando a taxa Selic. O pagamento dos juros é no vencimento e é recomendável em períodos de alta da taxa Selic e para quem está buscando liquidez. O Tesouro IPCA+ é híbrido, acompanhando o IPCA e uma outra parte fixa, o que se conhece no momento da aplicação. (2% + IPCA do período, por exemplo).

Além disso, existem as debêntures, que são títulos baseados em empréstimos feitos a uma empresa que não seja instituição financeira ou de crédito imobiliário. É um empréstimo a uma sociedade por ações. As debêntures podem ser conversíveis em ações ou simples, que não podem ser convertidas sem ações. Como são emitidas por uma empresa, a negociação é mais flexível, podendo ser as tratativas iniciais renegociadas. Também podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. O risco do título é justamente o fato da possibilidade de não haver fluxo de caixa da empresa e você, investidor, não receber os valores.

Também existem as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Elas são isentas de imposto de renda e são um dos mais populares títulos de investimento no país. Elas, assim como os CDBs, também são emitidas por bancos. As LCIs e LCAs podem ser prefixadas ou pós-fixadas. Vale dizer que também estão protegidas pelo FGC, mas não possuem liquidez diária. Elas têm isenção de taxa de administração.

Por fim, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa emitidos por companhias securitizadoras. A base do contrato é bem clara: existem dívidas do agronegócio ou imobiliárias e os credores desses contratos cedem os direitos desses contratos a securitizadoras que, por sua vez, transformam eles em CRIs e CRAs. A remuneração é alta, mas há baixa liquidez e os aportes iniciais em regra são mais elevados em relação a outros títulos.

Os benefícios da renda fixa são a segurança, em alguns ativos, e a liquidez rápida, em regra, bem como a existência do FGC, em relação a alguns ativos e com limite sobre o valor segurado, sobre o que falamos acima. Há também a possibilidade de isenção do imposto de renda, como no caso das LCIs/LCAs, assim como a previsibilidade de quanto será resgatado após o período de investimento, caso seja prefixado o ativo. Também é possível a diversificação dos investimentos com a mesma segurança e rentabilidade. Em regra, os benefícios da renda fixa são a segurança e previsibilidade. É ideal para o seu fundo de emergência, sobre o que falamos no artigo anterior, desde que o vencimento não seja tão longo. Também se deve dizer que é possível investir com pouco dinheiro, assim como o rendimento, em certas ocasiões, pode ser maior do que em renda variável.

Por outro lado, os malefícios são a baixa rentabilidade no curto prazo, assim como a necessidade de entender minuciosamente as taxas dos fundos de renda fixa. Inclusive, as taxas podem ser tão altas que podem corroer todo a rentabilidade que você teria investindo em títulos dessa modalidade de investimento. Também os malefícios podem ser baseados em exigências de investimento de valores altos para adquirir um título. Na renda fixa existem títulos (tesouro prefixado), além da poupança, que iniciam com R$ 30,93 e outros que podem chegar a mais de R$ 150.000,00 de investimento inicial. É possível e aberto para quaisquer bolsos. Também se deve dizer que é possível perder o dinheiro. Também deve ser dito que nem todos os títulos dentro da renda fixa podem ser vendidos antecipadamente, pois possuem prazo de carência. E, em relação aos ativos que podem ter o resgate antecipado, você poderá perder parte do principal que foi aplicado, dependendo do título.

O preço de um título prefixado é determinado da seguinte forma: quanto ele deve custar hoje para que, com a taxa de juros do mercado, seu valor atinja 1.000 reais no vencimento? Num exemplo hipotético, se a taxa de juros do mercado totalizar 20% ao final do período do investimento, o investidor terá que pagar 833,33 reais para que a LTN atinja 1.000 reais no vencimento. Se amanhã a taxa de juros subir para 30%, o preço daquele título cairá para 769,23 reais, já que a taxa acordada no prefixado não pode mudar.

O sujeito que comprar o papel por 800 reais e vendê-lo depois que a taxa de juros subir vai perder 100 reais. Como os juros da LTN só são pagos no vencimento, nesta negociação o investidor só recebe 700 reais mesmo. Porém, se ele levar o título ao vencimento, ganhará 1.000 reais – o principal de 800 reais mais 20% de rentabilidade, conforme o acordado.

Além disso, se a inflação subir acima do juro prefixado, ainda existe o risco de o investidor perder poder de compra, ainda que carregue o título até o vencimento.

Os títulos prefixados ganham valor quando a SELIC cai e perdem valor quando a Selic aumenta. Assim, se hoje o investidor compra uma LTN que pagará 7% ao ano e a Selic subir para 8% ao ano, o papel vai se desvalorizar. Com a Selic a 8% ao ano certamente serão ofertados no mercado papéis com uma taxa prefixada mais atraente que 7% ao ano. Assim, se esta LTN for vendida antes do vencimento, o investidor perderá dinheiro, pois comprou na alta e vendeu na baixa.

Um dos pontos principais que devem ser realçados é a possibilidade de isenção de imposto de renda. Pergunta-se: será que sempre é bom um investimento que tenha isenção de IR? Depende. Os investimentos isentos de imposto de renda podem ser uma boa opção no curto prazo, uma vez que aplicações com maiores prazos de vencimento podem oferecer vantagens na remuneração. Isso é uma regra geral, mas, novamente, deve ser avaliado com atenção pelo interessado no momento da pesquisa e antes de fechar qualquer contrato. A isenção do Imposto de Renda pode ser um diferencial importante para a escolha do investimento, mas não deve ser o critério principal para a escolha de uma modalidade. Deve-se ter atenção às taxas cobradas por cada corretora.

Para investir nessa modalidade de investimento você precisará de 1) no mínimo R$ 30,93 líquidos (para investimentos além da caderneta de poupança); 2) uma conta em uma corretora; 3) escolha de um ativo; 4) Aplicação do valor acima ou mais no ativo; 5) Acompanhamento (semanal ou mensal) do referido ativo. No Brasil existem várias empresas corretoras, como a XP, Rico, Modal Mais, Clear, dentre outros. Em todas elas podem ser abertas contas. Inclusive, abrir várias contas é recomendável, pois cada corretora tem um foco diferente. Por exemplo, a Clear, atualmente, não cobra nenhuma taxa nas operações voltadas para a renda variável em bolsa de valores. A Rico, por outro lado, não cobra nenhuma taxa para operações de renda fixa. É necessário pesquisar em cada corretora.

Uma mensagem final deve ser destinada ao leitor. Se você chegou até aqui é porque os caminhos de sua vida conduziram você ao investimento; à multiplicação. É importante que você chegue até este momento e simplesmente aja. Aja corajosamente. Aja com desejo de aprender mais e investir. Como dito no artigo anterior sobre “O que preciso saber antes de começar a investir”, você deve começar e dar um primeiro passo. E esse primeiro passo é: estudar os ativos (você já fez em grande parte neste artigo) e abrir uma conta em uma corretora. Depois é necessário alocar valores nessa conta (pode começar com R$ 30,93 no tesouro nacional) e, finalmente, aplicar esse montante em um título.

Para a melhor escolha dos ativos, podemos auxiliar-lhe no que for necessário.

Uma ótima razão para refletir no fim de semana!!! Abraços, afinal, só os loucos por conhecimento sabem…

Janaina Chiaradia

 

 

 

Pare, Olhe, Invista!

In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Dos escritores do instituto PMIF Hildebrando Matheus e André César…

 Eis que surge mais uma séries que vai causar impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o advogado André César e do profissional na área financeira, Hildebrando Matheus… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir.

Vamos inaugurar a série:

 O QUE PRECISO SABER ANTES DE COMEÇAR A INVESTIR?

Algo importante que a grande maioria das pessoas não sabe é que não é necessário ter um grande volume de dinheiro ou ser muito rico para investir. Para começar a aplicar no Título Público (uma modalidade de investimento de renda fixa), por exemplo, é necessário ter o valor mínimo de R$30,00. Ou seja, dar a largada rumo a sua independência financeira é muito mais fácil do que se imagina; na realidade é apenas uma questão de decisão de quando começar. O mais difícil é sempre dar o primeiro passo: investir R$ 30,00 em um título público, por exemplo. Uma vez traçado esse passo, a vida do novo investidor se torna mais fácil e mais fluída.

Antes de qualquer coisa o ideal é ter uma meta financeira, saber realmente o porquê você vai se sacrificar deixando de ir a festas todo final de semana, comprando roupas sempre que ir ao shopping, entre outras coisas que sempre temos o hábito de fazer por impulso. O seu objetivo financeiro pode ser de curto, médio ou longo prazo e isso fará a total diferença em seu orçamento e modelo de investimento. Então, ele deve estar bem claro em sua mente. Inclusive, é recomendável que se tenha os seus objetivos escritos em um lugar bem visível como, por exemplo, a parede do seu quarto ou a área de trabalho de seu computador. Deixe em um lugar que sempre você verá: seja o banheiro ao escovar os dentes, seja na sala de estar, seja na cozinha. O critério é: deixe à vista.

Outro fator importante é saber que não há idade para começar a investir: quanto mais cedo melhor, lembrando uma frase do maior investidor de todos os tempos, Warren Buffet, que diz:

“FIZ MEU PRIMEIRO INVESTIMENTO AOS 11 ANOS. EU VINHA DESPERDIÇANDO A MINHA VIDA ATÉ ENTÃO”.

Meus queridos e queridas, vão desperdiçar a vida até quando?

E, ENTÃO, VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A ABRIR MÃO DE QUANTO?

Essa questão realmente é a mais importante a ser respondida em todo seu planejamento financeiro. Qual a porcentagem você vai decidir deixar a parte, por você e sua família e mais ninguém? Então, qual vai ser o valor? 10%,12%, 15%, 20% ou mais? Defina o seu limite e faça um círculo em volta dele, sublinhe o número, comprometa-se com ele. Faça-o acontecer. Automatize esse número!

Qualquer que seja esse número, você vai precisar cumpri-lo. Em tempos bons e maus. Não importa o que for. Por quê? Porque as leis de capitalização composta punem até mesmo uma contribuição não realizada. Defina o valor e o tempo em que pretende para utilizar o dinheiro. E depois? Invista/aplique esse percentual tão logo ele caia em sua conta ou em suas mãos. Esse é o primeiro “boleto” que você precisa pagar.

TENHA UM FUNDO DE EMERGÊNCIA

Em nossas vidas sempre podem acontecer imprevistos que habitualmente geram gastos. Para evitar possíveis transtornos e aborrecimentos, o ideal é que tenha no mínimo 6 meses de salário bruto em uma aplicação de baixo risco e de fácil liquidez (aquela aplicação em que é rápido resgatar) como, por exemplo, CDBs, Título Público ou Fundos de Renda Fixa. A ideia é ter disponível o valor de um fundo de emergência quando realmente surgir a emergência. De nada adianta você ter o fundo de emergência, e quando surgir o imprevisto, não ter o valor no momento que precisar.

DIVERSIFIQUE SEUS INVESTIMENTOS

Após constituir seu fundo de emergência você poderá aplicar outro percentual de suas economias caso seu objetivo seja de longo prazo em ativos que buscam uma rentabilidade maior, como Fundos Multimercados, Fundos de Ações e Fundos de Investimento Imobiliário. Na escolha de Fundos de Investimento é muito importante ler o regulamento do fundo e ficar atento a algumas taxas cobradas como a taxa de performance e de administração. Falaremos em outros artigos sobre como investir em cada um e como escolher bem as ações/quotas. De começo isso é o suficiente.

ESCOLHENDO A SUA CORRETORA

Uma decisão importante a fazer para seus investimentos é na escolha de sua corretora. A [B]³ (Bolsa de Valores) disponibiliza uma lista das corretoras registradas que são supervisionadas para que não ocorra fraudes em aplicações que possam lesar os clientes. Tente escolher uma que disponibilize um site ou plataforma que seja fácil de manipular e compreender o retorno de seus investimentos. Falaremos mais sobre isso em um próximo artigo.

QUANTO VOU PAGAR PARA INVESTIR?

É importante saber que ninguém oferece serviço gratuito em se tratando de instituições financeiras. Por isso, esteja ciente que haverá taxas que serão cobradas de acordo com suas movimentações. Por exemplo: se você optar pelo mercado de ações e ficar comprando e vendendo papéis diariamente que é o que chamamos de trader, você terá que pagar um valor por ter feito essas movimentações. Também como foi citado acima, os fundos de investimentos têm taxas de performance (desempenho alcançado) e administração. E as corretoras sempre cobram uma taxa ou percentual pela prestação de seus serviços. É por isso que você tem que ficar bem atento na hora da escolha.

RISCOS

Todo tipo de investimento tem seus riscos. Caso tenha uma característica de aversão à perda, o ideal é investir no Título Público Tesouro Selic, tendo em vista que a Selic é a taxa básica de juros da economia e o Título Público que é quando você empresta seu dinheiro ao governo é visto como um investimento seguro pelos brasileiros. Caso seja um pouco mais arriscado, o ideal é diversificar sua carteira de investimentos em renda fixa e renda variável, algo em torno de 80/20, como já foi mencionado em nosso artigo “Comece a Investir de Forma Segura Agora”, que você pode ler na PMIF.

ACOMPANHE O NOTICIÁRIO FINANCEIRO

Da mesma forma que alguns acompanham de forma assídua os destaques e notícias do futebol, ou o que vai acontecer na novela, fique atento as notícias econômicas; por exemplo, reformas do governo, política externa e interna, queda da taxa de juros, alta do dólar, pois certamente essas notícias vão sim influenciar seu bolso e consequentemente seus investimentos, além de proporcionar conhecimento maior na hora de você escolher em qual ativo investir.

ARRISCAR É PRECISO

Tenha em mente que apenas o primeiro passo é difícil. Se você administrar de forma eficiente seu orçamento e não souber investir, poderá acabar até mesmo com o que economizou caso escolha o investimento errado. Então, cuidado quando oferecem um retorno astronômico ou as chamadas pirâmides financeiras; você nunca sabe quando irá quebrar, além de ser um investimento ilícito. Isso quer dizer que, caso você aplique seu dinheiro e tenha alguma perda financeira, não haverá um órgão regulamentador (CVM, BACEN) para pedir ajuda. Lembre-se: uma operação de investimento é aquela que, após a análise de suas premissas, promete a segurança do principal (valor aplicado no começo) e um retorno adequado (lucros decorrentes da aplicação do principal). As operações que não atendem esses requisitos são especulativas.

Saiba que a coisa mais difícil é tomar a decisão de agir; o resto é apenas a persistência.

Eis, então, a melhor forma…

E vamos aguardar as novas instruções dentro da inteligência financeira: aguardem!

Abraços,

Janaina Chiaradia

O investimento e seus planejamentos… uma questão de conscientização!

Nas entrelinhas do Direito…

Com André Cesar de Mello e Hildebrando Matheus Pinheiro

 Hoje, a matéria a ser apresentada tem tomado boa parte do meu tempo, dedicação e planejamento, desde novembro do ano passado, afinal, com as novas expectativas da vida, certas mudanças se tornam necessárias.

Gosto de aprender, colocar em prática os ensinamentos, e ainda, compartilhar o conhecimento.

E, sem dúvida, em sendo uma advogada, professora, escritora, mas acima de tudo, filha de Deus, mãe, cidadã brasileira, preciso me sintonizar na questão financeira.

Vivemos em um contexto de muita rapidez, no tempo, na rotina, nas novidades, nas redes sociais… tudo muda… repentinamente, e como fazer para acompanhar o mercado financeiro, como confiar em aplicações, e ainda, quais os investimentos mais pertinentes?

O primeiro passo é fazer com que o ativo em nossas contas venha a aumentar… e consequentemente, diminuir o passivo… mas, como fazer o dinheiro trabalhar por nós? E para nós?

Com tantas indagações, foi que, o amigo de vários momentos do Direito, em especial, da série “nas entrelinhas”, o já conhecido nessa coluna, advogado, Dr. André Cesar de Mello, se debruçou na questão envolvendo a “introdução às finanças e à proteção ao investidor pelo advogado”, e ainda, nos brindou com a participação de Hildebrando Matheus Pinheiro (Profissional na área Financeira, com foco em controles, fluxo de caixa, informações gerenciais e expertise técnica desenvolvida em controladoria. MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV) Pós Graduação Internacional em Administração (FGV/University of Califórnia-USA).

Para tanto, compartilho com todos, as escritas que me foram enviadas:

Caro leitor, você sabia que apenas 9% da população brasileira investe em produtos financeiros? E mais: 89% da população “investe” em caderneta de poupança. Esses dados são de 2017 e podem ser extraídos do próprio site da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). Vocês podem acessar aqui: <https://www.anbima.com.br/pt_br/noticias/menos-da-metade-dos-brasileiros-tem-dinheiro-aplicado-em-produtos-financeiros.htm>. O equilíbrio é sempre o melhor caminho. Quando vemos que 89% da população “investe” em um determinado título, uma pulga atrás da orelha surge. Será que isso está certo? Será que não daria para mudar isso?

Por mais moderno que possa parecer, o planejamento e investimento são discutidos a bem mais tempo do que imaginamos. Na fábula da cigarra e da formiga do escritor francês Jean de La Fontain, no século XVII, é mostrado para nós à importância de se planejar para tempos difíceis (lembram-se da crise de 2009 e de 1929?). A grande questão nos tempos atuais é que temos na maioria dos casos dois grandes grupos de pessoas: 1) as que poupam como se nunca fossem morrer e não vivem, fazendo com que o dinheiro seja um fim em si mesmo; 2) as que gastam como se fossem morrer amanhã. Diante de tal dilema, o principal ponto é como em todas as áreas da vida: encontrar o equilíbrio financeiro, uma vez que a saúde financeira está diretamente ligada às demais áreas de satisfação e sucesso de um indivíduo. Se um dos pilares da vida está desequilibrado, todo o resto igualmente estará, mesmo que não pareça. Pouco adianta ter a melhor família do mundo se, por outro lado, você não tem um lugar para morar. Pouco adianta ter os melhores e mais rentáveis ativos se, por outro lado, a sua vida espiritual está desequilibrada. Tudo é equilíbrio.

Ok. E o que tenho a ver com isso, diria o leitor? Bom, queremos trazer uma informação fundamental para qualquer pessoa no mundo: o planejamento financeiro. Ele é definido como o processo racional de administrar sua renda, investimentos e despesas objetivando tornar realidade seus sonhos, desejos e objetivos. É um meio e não um fim. Para realizar um planejamento financeiro é necessário definir metas, com objetivos de curto, médio e longo prazo. O ideal é dedicar alguns dias do mês para colocar no papel de onde vem e para onde vai todo o dinheiro que passa em suas mãos e ter em mente quais sacrifícios de consumo devem ser feitos. Resistir ao consumo pelo simples fato de poupar para o futuro não costuma ser tão convincente quanto poupar para uma viagem por exemplo. O segredo está no “porquê” de fazer o planejamento. É ali que você, querido leitor, encontrará a motivação necessária. Envolva toda a família nos planos financeiros da casa. As crianças devem ser ensinadas que atos simples como apagarem as luzes e fechar a torneira quando escovar os dentes ajuda a poupar dinheiro para comprar brinquedos e tomar sorvete. Quem nunca ouviu que luz apagada é luz que não se paga?

Depois que o orçamento foi estabelecido e pode-se notar que as despesas são menores que a receita, é hora de saber em que investir. Uma dica importante é que antes de gastar sua renda com as despesas habituais você deve estipular um mínimo para compor a sua reserva de liberdade financeira. Retire o valor do investimento assim que o dinheiro ficar disponível. Vamos a um exemplo? Você recebe em média R$ 5.000,00 por mês. Antes de pagar qualquer coisa e qualquer um, você deve destinar um percentual para a sua liberdade financeira. Quer dizer: 20% (ou outro percentual) de tudo que receber será destinado a isso. Então, R$ 1.000,00 será encaminhado para a sua liberdade financeira nesse exemplo hipotético. Só depois você, querido leitor, distribuirá a sua renda nas mais diversas áreas da sua vida. O primeiro boleto que pagará é o seu próprio. O beneficiário será você mesmo para um futuro liberto.

Antes de começar a investir, é necessário saber o perfil de investidor que cada um possui. As instituições financeiras disponibilizam um formulário conhecido no mercado financeiro como “suitability”. O formulário tem como meta verificar a adequação dos produtos ou serviços financeiros às necessidades, interesses e objetivos do investidor. Antes de saber em que títulos investir você deve saber que tipo de investidor você é.

Geralmente após o preenchimento do formulário o futuro investidor é classificado em uma das três categorias: 1) Perfil conservador, em que se prioriza a segurança e é aconselhado a investir 95% em renda fixa e 5% em renda variável; 2) Perfil moderado, em que o principal é a segurança e rentabilidade, de modo que para este perfil o ideal é que se invista 80% em ativos de renda fixa e 20% em renda variável; por último e não menos importante é o conhecido como 3) perfil agressivo, em que o investidor já possui amplo conhecimento de mercado e tem como principal característica assumir altos riscos em seu portfólio de investimentos. Portanto, o critério principal é: você aceita e sabe lidar com riscos financeiros ou não?

Após a verificação do perfil é hora de escolher qual a melhor opção para investir o dinheiro. Para isso podemos alocar em renda fixa e renda variável.

Na renda fixa em geral os ativos são títulos de dívida; isto é, o investidor empresta o dinheiro a um emissor, ganhando o direito de receber em uma data determinada o capital investido corrigido com os juros. São papéis cujo rendimento é conhecido no momento da aplicação. Como exemplo de investimentos podemos citar: caderneta de poupança, títulos públicos, debêntures, CDB, LCI/LCA. Sobre cada título falaremos em uma próxima oportunidade.

Aproveitando o ensejo, devemos alertar o leitor: a caderneta de poupança é, de longe, um dos piores investimentos possíveis, pois seu suposto rendimento perde com facilidade para outros títulos de igual ou superior proteção. Exemplo disso é o tesouro direto. Para o tesouro direto não pagar o investidor seria necessário todo o país falir. Isso significa que possivelmente os bancos do país já estariam falidos (lembra a caderneta de poupança? Ela seria prejudicada primeiramente). A cultura da caderneta de poupança pode e deve ser desmantelada. Certa vez Warren Edward Buffett, uma das pessoas com maior capital no mundo, disse: “Regra número 1: nunca perca dinheiro. Regra número 2: não esqueça a regra número 1”. Quem “investe” em caderneta de poupança, mesmo tendo perfil conservador, está perdendo dinheiro.

Por outro lado, existe a renda variável, cuja remuneração ou retorno de capital não pode ser dimensionado no momento da aplicação, variando positivamente ou negativamente conforme as expectativas do mercado. Os mais conhecidos são: ações, commodities, COE e fundos de investimentos. Aqui o risco é maior e é necessária maior análise, mas qualquer um pode fazê-lo, desde que o faça conscientemente e com análise das empresas nas quais se está investindo.

O leitor poderia questionar o seguinte. Tudo bem compreendi os perfis e as categorias de investimentos. Sei que a caderneta de poupança tem certa proteção (apesar de não ser recomendável utilizá-la), mas e se eu utilizar as ações, debêntures ou COE, por exemplo, e der um problema, o que posso fazer para me proteger? Meu caro leitor é aí que surge a figura do advogado que atua na área financeira. É necessário conhecimento específico da área do mercado de capitais e também tributário para poder ajudar o investidor (e, por investidor, entenda-se qualquer um que conscientemente quer aportar valores para multiplicá-los, e não necessariamente quem está em “Wall Street”). Sim, você pode ser um investidor!

No Brasil há a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia essa instituída pela Lei 6.385/1976 e que tem como objetivo estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários, assim como promover a expansão e o funcionamento eficiente do mercado de ações. Não é só: busca assegurar o funcionamento eficiente e regular do mercado, bem como proteger os investidores de atos irregulares. Também busca coibir fraudes, manipulação e utilização de informações privilegiadas, assim como garantir o acesso do público às informações e assegurar a observância de práticas comerciais equitativas.

A CVM pode receber reclamações e denúncias e, com isso, aplicar multas e sanções administrativas severas contra instituições que transgridam suas regras de mercado. Da mesma forma, pode comunicar o Ministério Público sobre a ocorrência de crimes/contravenções. A CVM, apesar de oferecer grande ajuda, não pode atuar como advogado do investidor (cá justamente surge à figura imprescindível do advogado), tampouco sugerir investimento adequado. Da mesma forma, não pode exigir que agentes do mercado indenizem o investidor por qualquer causa. Sabem as pirâmides e esquemas Ponzi? É justamente a CVM que impede que isso ocorra.

Na própria internet a CVM oferece serviços de consulta, reclamações, denúncias e pedidos de informações. A ideia é esclarecer algumas dúvidas sobre o mercado de capitais, assim como investir com segurança neste próprio mercado. Mas lembre-se: ela não atua como advogado. Se há dúvidas sobre a legislação e sobre eventual auxílio ao investidor, o portal da CVM é recheado de informações úteis, mas sempre é recomendada a consulta a um advogado especializado na área financeira e de investimentos.

O advogado que atua no mercado de capitais precisa de grande conhecimento técnico do direito e muito conhecimento financeiro. É comum (e necessário) que o advogado auxilie uma empresa que está abrindo o capital na bolsa de valores ou em investidores. E esse auxílio reside justamente na busca pelo melhor investimento e na forma mais eficaz de fazê-lo, evitando-se investimentos baseados em fraudes, por exemplo.

O advogado tem várias formas de atuação na proteção do investidor ou de quem está abrindo o capital. Ele pode auxiliar na análise de uma empresa na qual se investirá, buscando evitar prejuízos com fraude de terceiros, por exemplo. Com isso, o investidor poupará muito dinheiro. E, quando e se houver prejuízo, o advogado tutelará, administrativa ou judicialmente, pelos valores perdidos.

O patrono também poderá analisar se a pessoa está autorizada a realmente oferecer títulos ou valores mobiliários ao mercado (ações, por exemplo) ou, ainda, se esses títulos realmente existem. Também pode auxiliar com a figura chamada Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo serve de proteção para o investidor que aportou valores em determinados títulos de renda fixa. Se houver uma quebra ou falta de pagamento, esse fundo pagará até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição em que o investidor tenha títulos. É mais uma forma de defesa do investidor. O FGC pode proteger produtos de investimentos tais como a caderneta de poupança, CDB, LCI e LCA.

O advogado também auxilia o investidor com informações sobre os investimentos, analisando os riscos e alertando seu cliente. Da mesma forma, o contrato de investimento deve necessariamente (para um excelente investimento) passar pela análise minuciosa de um patrono. Também, caso participe de uma sociedade por ações (S.A), poderá reclamar por participação nos lucros; comparecer em assembleias; buscar as demonstrações financeiras; fiscalizar os negócios da sociedade; receber extratos da posição acionária do investidor; exercer direito de subscrição, dentre outros. O mesmo pode ocorrer com fundos de investimento, poupança e outros ativos.

A participação do advogado nessas circunstâncias é fundamental e certamente poderá auxiliar o investidor a melhor aportar seus valores em bons títulos e em boas empresas.

Com esse texto temos um único e simples propósito: mostrar aos nossos queridos leitores que 1) investir em caderneta de poupança não é necessariamente investir, mas sim perder dinheiro literalmente; 2) investir em renda fixa é mais seguro que a caderneta de poupança e rende mais, se bem analisado; 3) investir, conscientemente, não gera tantos perigos e riscos como se pensa; 4) é necessária a realização de consultas e pesquisas com consultores financeiros e advogados para bons investimentos. A busca pelos melhores investimentos não é baseada numa mera busca por mais dinheiro, mas sim na busca por mais conhecimento, por mais crescimento. O verdadeiro investidor é aquele que jamais se cansará e sempre estará buscando crescer. É uma pessoa que não está satisfeita com seu estágio atual, apesar de muito grato.

O grande Benjamin Franklin já dizia: “Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”. Busquemos mais conhecimento e, com ele, produzamos mais riqueza. O nosso Brasil precisa de pessoas com mente empreendedora e que queiram, respeitando a ética, enriquecer. Aliás, não há nada de errado em enriquecer, até porque o fato de ter dinheiro apenas desenvolverá mais o que você já é; isso é: se boa pessoa, melhor será; se má, pior será. O dinheiro é apenas uma estrada que lhe levará para onde quiser. O dinheiro não é o grande mal. O mal é não saber usá-lo e ficar se questionando o porquê de não ter dinheiro enquanto outros o têm.

Agora, a questão é aplicar os ensinamentos hoje transmitidos, e transformar o seu “dindin” em algo rentável, com investimento devido, para os fins de conseguir colher os frutos sonhados por todos!

E para descontrair um pouco, segue a melodia de “Tim Maia”, na versão de Tiago Abravanel:

Bons investimentos!

Um ótimo fim de semana,

Abraços,

Janaina Chiaradia