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Produção industrial avança 0,3% em setembro, mas resultado anual é negativo

A produção industrial cresceu 0,3% em setembro, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta sexta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A variação compara os meses de setembro e agosto. Levando em consideração o resultado obtido em setembro de 2018, o crescimento da Indústria foi de 1,1%.

Apesar disso, no acumulado anual, a produção industrial teve queda de 1,4% considerando os últimos 12 meses, conforme dados do IBGE. Considerando o último trimestre, o resultado é estável, mas positivo: crescimento de 0,4%.

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, três das quatro maiores categorias econômicas cresceram na passagem de agosto para setembro.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL: SETEMBRO

  • bens de consumo duráveis: +2,3%
  • bens de consumo semi e não duráveis: +0,5%
  • bens intermediários (insumos industrializados usados no setor produtivo) : +0,2%)
  • bens de capital (máquinas e equipamentos): -0,5%

Outros dados positivos registrado em setembro, conforme a Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, vêm de setores como móveis (9,4%), vestuário e acessórios (6,6%), produtos de metal (3,7%) e bebidas (3,5%).

A maior queda na passagem de agosto para setembro foi registrada no setor de impressão e reprodução de gravações (-28,6%). Na produção industrial, outras quedas relevantes foram nos produtos de fumo (-7,7%) e farmacêuticos (-4.6%).

* Com informações do IBGE e da Agência Brasil

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16% da população de Curitiba é obesa, aponta Ministério da Saúde

Pelo menos 16% da população que vive em Curitiba está obesa. De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, em todo o país, o índice chega a quase 20% – um aumento de 68% nos últimos 13 anos.

Na semana mundial que alerta sobre os riscos de estar acima do peso, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Paraná vai realizar uma série de ações na Boca Maldita, no centro de Curitiba, que buscam orientar a população sobre a prevenção da doença.

A parcela de brasileiros que, apesar de não serem considerados obesos, já está acima do peso ideal, chega a cerca de 56%. Os índices relacionados a doença preocupam os especialistas. A médica endocrinologista e professora universitária, Salma Parolin, explica que a condição acarreta uma série de outros problemas de saúde.

“Preocupa bastante. Mais de 50% de indivíduos estão em excesso de peso. Tem que se entender que levam a várias complicações, como problema de colesterol, pressão alta, diabetes. Todas essa doenças aumentam o risco de AVC e infarto”, conta.

A medicina classifica como obesa a pessoa que tem o índice de massa corpórea, o IMC, acima de 30. Acima do peso estão os que tem o índice a partir de 25. Pra saber o IMC basta dividir o peso pela altura ao quadrado. Nos casos de obesidade a medicação já pode ser indicada para tratar a doença. Para os idosos, diabéticos e hipertensos a medicação é mais específica.

A circunferência abdominal também é motivo de alerta. A partir de uma determinada medida a indicação pode revelar a presença de gordura visceral.

“A circunferência indica maior risco cardiovascular. É onde tem o depósito de gordura visceral. Está relacionado com distúrbios metabólicos. No homem, o normal é considerado abaixo de 94 centímetros. Na mulher, a cintura é abaixo de 80 centímetros”, completa.

Nesta quinta-feira (10), das 09h às 14h, profissionais da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Paraná vão dar dicas sobre a prevenção da obesidade e ajudar quem busca perder peso.

PIB paranaense cresce 1,05% no segundo trimestre

O PIB (Produto Interno Bruto) do Paraná cresceu 1,05% no segundo trimestre de 2019, em comparação com os três primeiros meses do ano, segundo o Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). É a maior taxa de crescimento em dois anos. O índice representa o dobro do resultado nacional, que teve alta 0,44% no mesmo trimestre.

O desempenho paranaense foi impulsionado pelos setores agropecuário e da indústria, com crescimentos de 3,52% e 2,94%, respectivamente. A produção florestal, pecuária, fabricação de veículos automotores e indústria de máquinas e equipamentos (bens de capital) foram decisivos na retomada apontada no período.

À exceção do setor terciário, todos os outros setores apresentaram resultados positivos no segundo trimestre, em relação ao primeiro.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no Estado e serve para medir a evolução da economia. Em relação ao mesmo período do ano passado houve aumento de 0,45% no PIB paranaense.

O resultado foi motivado por um crescimento de 2,71% na produção industrial. Os maiores registros de crescimento foram nos setores automotivo, máquinas e equipamentos e produtos químicos.

índice de confiança da indústria empresário industrial fiep copom bc foto Gelson Bampi fiep

Índice de Confiança da Indústria cresce pelo terceiro mês consecutivo, diz pesquisa

O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) registrou alta em setembro, alcançando o patamar de 59,6 pontos em uma escala que vai até 100.

O índice anterior, referente ao mês de agosto, era de 59,4 pontos. Há um ano, em setembro de 2018, o índice calculado pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) era de 52,1 pontos.

O aumento da confiança do empresário do meio industrial no Paraná acompanha os resultados analisados em âmbito nacional. O índice calculado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) é bem próximo ao resultado estadual: 59,4 pontos.

Segundo a Fiep, o aumento do índice de confiança na Indústria pode estar ligado a uma expectativa por melhora no cenário econômico. Nesta semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu mais uma vez a taxa básica de juros, que passou de 6% para 5,5% ao ano.

O Boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), apontou uma previsão de inflação de 3,45% para 2019 — abaixo da meta do governo, que é de 4,25%.

máquinas e equipamentos

Setor de máquinas e equipamentos cresce 2,4% em julho

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos recuou 5,2% em julho em relação ao mesmo mês do ano anterior, mas teve crescimento de 2,4% na comparação com junho deste ano, totalizando R$ 6,953 milhões de receita líquida total. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo a Abimaq, o crescimento acumulado neste ano encolheu mais um pouco, caindo de 3,9%, observado no encerramento do semestre para 2,4% até o mês de julho. De acordo com a instituição, o baixo crescimento em julho é influenciado principalmente pelo mercado doméstico, que encolheu tanto em relação ao mês anterior (9,8%) quanto sobre o mesmo mês de 2018 (-17,2%). No acumulado entre janeiro e julho, porém, o setor cresceu 5,8%.

A balança comercial do setor teve saldo negativo de US$ 828,69 milhões em julho, o que representou recuo de 15,9% em comparação ao mesmo mês do ano passado, mas as exportações cresceram, atingindo US$ 846,24 milhões, incremento de 24,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Por coincidência, também houve aumento de 24,1% em relação a junho. As importações também cresceram em julho, 11,1% em relação a junho e 19,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Para a Abimaq, o crescimento das exportações foi reflexo das vendas de máquinas e equipamentos para o Paraguai e para a Holanda, que juntos contribuíram para reduzir a queda acumulada em 2019, de -7,1% no semestre para -3,2% até o mês de julho.

Argentina

As vendas para a América Latina, que, no passado, chegaram a superar a marca de 50% do total exportado pelo setor, vêm apresentando retração contínua e, em 2019, chegaram a 31,9%.

Esse cenário reflete, principalmente nos últimos dois anos, a crise no mercado argentino, que levou as aquisições de máquinas a recuar de 15% das vendas externas nacionais, em 2017, para 6% neste ano. “Em 2017 exportávamos US$1,4 bilhões e hoje exportamos R$ 600 milhões, 50% abaixo do que  exportávamos. E a expectativa não é boa: provavelmente vamos fechar o ano com esse nível baixo”, disse a gerente de Competitividade, Economia e Estatística, Maria Cristina Zanella.

Previsão de crescimento

Maria Cristina disse esperar para este ano expectativa de crescimento entre 3% e 4%. “Nós iniciamos o ano com uma expectativa melhor, com crescimento da ordem de 5%, mas os números mostraram que vamos fechar o ano em 3% ou 4%.”

A Abimaq atribui a queda na expectativa a uma série de fatores. “Uma combinação de mercado doméstico com mercado internacional desaquecido, o que comprometeu as nossas vendas. No mercado doméstico, temos visto maior dificuldade de novos investimentos. É com base neste cenário, que prevemos crescimento um pouco abaixo do que se esperava”, acrescentou Maria Cristina.

Emprego

O balanço divulgado hoje demonstra ligeiro crescimento do emprego, com 0,6% em julho e crescimento de 3,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Até o mês passado foram criados 8 mil postos de trabalho. Atualmente, o setor emprega 309 mil colaboradores.

Segundo o presidente da entidade, João Carlos Marchesan, os números divulgados hoje não são bons, mas o país tem capacidade para ser bem melhor. “Precisamos fazer com que a indústria volte a crescer, principalmente a indústria de bens de capital – hoje, o salário de um empregado da indústria de bens de capital está 86% maior do que a média nacional, o que gera renda, e precisamos de emprego no país para destravar o crescimento”, afirmou.

CNI: aumenta preocupação da indústria com a falta de demanda

A falta de demanda interna voltou a ganhar importância entre os principais problemas enfrentados pela indústria ao longo do mês de junho. O percentual de empresários que assinalam essa dificuldade é o maior desde o terceiro trimestre de 2016.

Nos últimos seis meses, esse índice aumentou 10 pontos percentuais, chegando a 41,1% dos entrevistados, em junho. Os dados são da Sondagem Industrial, divulgada hoje (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A produção industrial em junho caiu na comparação com maio. O índice de evolução da produção ficou em 43,4 pontos, abaixo da linha divisória. O índice costuma ficar abaixo dos 50 pontos no mês, o que significa que a queda na produção é esperada entre maio e junho. Porém, o índice de junho de 2019 é o menor para o mês dos últimos quatro anos, superando somente os registrados durante a fase mais aguda da crise econômica brasileira, entre 2014 e 2015.

Outra queda mais intensa também foi verificada no índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual, que caiu 3,9 pontos no mês e foi ao menor valor desde abril de 2017 – com exceção de maio de 2018, mês da paralisação dos caminhoneiros, que afetou fortemente o setor.

A indústria aponta alta no nível de estoques. O índice de evolução dos estoques ficou em 51,1 pontos, mostrando novo aumento dos estoques de produtos vendidos pela indústria. Esse índice se mantém acima dos 50 pontos desde fevereiro. Valores acima de 50 pontos indicam crescimento do nível de estoques ou estoque efetivo acima do planejado.

Condições financeiras

As condições financeiras da indústria no trimestre encerrado em junho não apresentaram grandes mudanças frente ao primeiro trimestre do ano, segundo o levantamento da CNI. O índice de satisfação com o lucro operacional ficou em 40,1 pontos, recuo de 0,2 ponto frente ao trimestre anterior, enquanto o índice de satisfação com a situação financeira registrou 45,7 pontos, aumento de 0,4 ponto. Ambos índices também registram valores próximos aos observados no mesmo trimestre de 2018: aumento de 0,2 e 0,4 ponto, respectivamente.

Principais problemas

A Sondagem Industrial de junho confirma que a elevada carga tributária continua sendo apontada pelo setor como o principal problema enfrentado pelas empresas, ainda que seu indicador tenha caído em 1,2 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

Em segundo lugar, aparece a demanda interna insuficiente, cuja assinalação aumentou 3,6 pontos percentuais na comparação com o primeiro trimestre do ano. Trata-se do quarto aumento consecutivo do percentual.

Em terceiro lugar no ranking de principais problemas está a falta ou alto custo de matéria-prima, mas o problema vem perdendo importância, já que sua menção, pelo empresários, caiu nos últimos três trimestres, passando de 27,9% no terceiro trimestre de 2018, para 18,6%.

Em quarto lugar está a competição desleal, que inclui práticas como contrabando, dumping, entre outros. Essa assinalação aumentou em 1,6 ponto percentual, para 18,1% do total de entrevistados. Na sequência, aparecem problemas de ordem financeira, como inadimplência dos clientes, falta de capital de giro, taxas de juros elevadas, além de burocracia excessiva.

Expectativas

As expectativas, em geral, apresentaram pouca variação em junho, segundo a sondagem da CNI. A expectativa de demanda cresceu em meio ponto, para 57,8 pontos, e a expectativa de compra de matéria-prima aumentou em 0,4 ponto para 55 pontos no mês. A expectativa de exportação manteve-se constante e a expectativa quanto ao número de empregados recuou 0,2 ponto. Todos os índices permanecem acima dos 50 pontos, ou seja, indicam expectativas positivas.

Pelo segundo mês consecutivo, a intenção de investir manteve-se praticamente inalterada. O índice de intenção de investimento aumentou 0,1 ponto em julho e está relativamente alta. O indicador é 3,0 pontos maior que o registrado em junho de 2018 e 3,3 pontos superior a sua média histórica.

A Sondagem Industrial foi feita entre 1º e 11 de julho com 1.903 empresas, sendo 770 de pequeno porte, 695 de médio e 438 de grande porte.

Confiança da indústria recua 1,7 ponto na prévia de julho, diz FGV

O Índice de Confiança da Indústria recuou 1,7 ponto na prévia de julho deste ano, na comparação com o número consolidado de junho, e chegou a 94 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. O dado foi divulgado hoje (22) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

De acordo com a FGV, o recuo foi provocado pela avaliação dos empresários da indústria em relação ao presente e ao futuro. O Índice da Situação Atual, que mede o presente, recuou 2,5 pontos, para 94,1 pontos, o menor valor desde outubro de 2018 (93,4 pontos).

O Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, caiu 0,9 ponto, para 93,9 pontos, o menor nível desde julho de 2017 (93,1 pontos).

O resultado preliminar de julho sinaliza aumento de 0,6 ponto percentual do Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (Nuci), para 75,6%.

Desempenho de serviços e indústria em maio apontam para estagnação

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (12) sobre o desempenho do setor de serviços e da indústria apontam para um quadro de estagnação da economia brasileira em maio.

Os serviços registraram estabilidade em relação a abril deste ano e um avanço de 4,8% quando comparado com maio do ano passado -quando a economia sofreu efeitos da paralisação de caminhoneiros.

No mesmo mês, de acordo com dados do instituto, a indústria registrou queda de 0,2%.

Na quinta-feira (11), , o instituto havia apontado que o varejo caiu 0,1%, na comparação com abril. No varejo ampliado, que inclui veículos e motos, partes e peças e também material de construção, o comércio avançou 0,2% entre abril e maio.

Nos primeiros cinco meses de 2019, os serviços acumularam uma alta de  1,4%. Porém, no primeiro bimestre do ano a expansão era de 2,9%.

De janeiro a maio, a indústria acumula queda de 0,7%. Em sentido oposto, o comércio avançou 0,7% no período.
Nos serviços, o único segmento que registrou queda em maio foi o de transportes.

As atividades de transporte terrestre recuaram 0,6%, na comparação com abril.

“Isso está muito relacionado com queda da receita das empresas de transporte de carga, que está relacionado com o fluxo de mercadorias nas rodovias e que está relacionado com o o ritmo da produção industrial”, disse o economista do IBGE, Rodrigo Lobo.

Em  maio, a produção industrial caiu em 8 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE

Houve crescimento no Pará (59,1%, impulsionado pela retomada da produção de uma indústria do setor extrativa)), Rio (8,8%), Goiás (1,6%), Amazonas (1,2%), Bahia (1,1%), Paraná (0,7%) e São Paulo (0,1%).

Em análise sobre o resultado, o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) afirmou que houve uma acomodação do crescimento dos serviços que vinha ocorrendo no início do ano e a expectativa de uma reação mais satisfatória deu lugar à realidade de um crescimento modesto.

Para o Iedi, a falta de crescimento no setor dificulta a redução da alta taxa de desemprego no país, devido ao forte potencial empregador do setor.

Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em maio, a taxa de desemprego foi de 12,3%. A população desocupada era de 13 milhões.

A expectativa menor em relação ao avanço da economia neste ano foi confirmada também pelo governo, que reduziu a previsão oficial de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019 de 1,6% para 0,81%.

A projeção é próxima a observada pelo Banco Central em pesquisa do Boletim Focus. Na segunda-feira (8), a expectativa do mercado era de um crescimento do PIB de 0,82% neste ano.

No primeiro trimestre deste ano a economia brasileira encolheu 0,2%.

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Gás natural para a indústria é o mais caro desde 2012

O preço do gás natural para a indústria atingiu no primeiro trimestre o maior valor pelo menos desde 2012, quando o MME (Ministério de Minas e Energia) começou a compilar valores médios de venda do combustível pelas distribuidoras.

A escalada se intensificou nos últimos dois anos e vem afetando a atividade de setores dependentes do produto, que acompanham com expectativa os planos do governo para tentar reduzir os preços via quebra de monopólios no setor.

Segundo o MME, o gás natural vendido a indústrias com consumo médio (de 20 mil a 50 mil metros cúbicos por dia) custou R$ 2,27 por metro cúbico no primeiro trimestre, alta de 32,8% acima da inflação em relação ao vigente em 2017.

A alta acompanha principalmente a variação do câmbio, que como ocorre na gasolina e no diesel, compõe a fórmula de preços da Petrobras para o gás, ao lado das cotações internacionais do petróleo.

Ao contrário desses combustíveis, porém, os reajustes são trimestrais e baseados na variação de trimestres anteriores –por isso ainda não houve repasse da queda das cotações internacionais nos últimos meses.

“Trazendo para real, [o preço praticado hoje pela Petrobras] é o mais caro da história”, diz a gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan (Federação das Indústrias do Rio), Karine Fragoso.

“A gente não tem isonomia para competir.”

Entidades industriais reclamam que o cenário vem afetando a capacidade da indústria nacional para enfrentar a concorrência. O setor químico, por exemplo, coleciona em 2019 recordes negativos de ociosidade e importações.

Segundo a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) a taxa de utilização do parque fabril do setor é hoje de 73%, a menor da história. “O nível adequado teria que ser entre 92% e 93%”, diz a diretora de Economia e Estatística da entidade, Fátima Giovanna.

A ociosidade ocorre em um momento em que o mercado é atacado por importações que, hoje, respondem por 39% do consumo aparente, também um recorde. “Se o importado está entrando no mercado e a indústria nacional está com ociosidade, é um indicador claro de falta de competitividade”, afirma Giovanna.

Ela diz que o alto custo levou o Brasil a parar de produzir metanol, mercado hoje atendido por importações, e afeta também a indústria de fertilizantes, outra com grande dependência do gás natural.

Em fevereiro, após anúncio de aumento de 33% da tarifa da distribuidora Comgás, a norueguesa Yara anunciou a possibilidade de fechar uma fábrica em Cubatão. A própria Petrobras já hibernou duas de suas fábricas e suspendeu a construção de outras três.

Em setores que não usam o gás como matéria-prima, mas como combustível, há estudos para a substituição do produto por biomassa na geração de energia e vapor.

É o caso da Sal Cisne, em Cabo Frio (RJ), que analisa um projeto de US$ 40 mil (cerca de R$ 160 mil) para usar madeira em suas caldeiras. “A energia representa 25% a 30% do nosso custo. Qualquer alteração de preço tem impacto negativo grande”, diz o diretor-corporativo da companhia, Luiz Césio Caetano.

Para enfrentar a alta de custos, a Sal Cisne cortou 15% de seus funcionários em 2018.

Para a indústria, o monopólio estatal do setor está por trás dos elevados preços. A Petrobras é dona de 77% do gás natural produzido no Brasil, mas abastece quase todo o mercado, já que seus parceiros preferem lhe vender a produção por falta de alternativa de escoamento.

Esse é um dos pontos que o governo pretende atacar com as medidas propostas para quebrar o monopólio. A proposta é elogiada pela indústria, mas o mercado não espera resultados no curto prazo, já que a competição depende de aumento da produção privada e acesso a gasodutos.

“Não acho que vai acontecer tão rapidamente, é uma coisa que o mercado vai demorar a responder”, diz a especialista em energia da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Juliana Falcão.

O mercado cobra mais transparência na formação de preços de produção e distribuição de gás. Do lado da distribuição, o governo propõe a separação entre a comercialização e o uso dos dutos e o incentivo a consumidores livres.

Pela produção, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis sugere que a Petrobras abra mão de contratos de fornecimento em favor de outros produtores no país, deixando de comprar e repassar o produto de seus sócios.

Com o fim da política de descontos praticada até 2015, diz a agência, o gás nacional ficou mais caro que o boliviano e, hoje, é mais caro também do que o importado via navios.

“Um programa de liberação de gás se faz necessário uma vez que proporcionaria mais ofertas, aumentando a concorrência”, diz, em nota técnica ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A Petrobras diz que a precificação do gás segue práticas internacionais e que sua política tem mecanismos para suavizar as oscilações dos preços para os consumidores.

A empresa afirmou ainda que o preço final é composto por outras parcelas, como o custo de transporte, as tarifas de distribuição e os impostos.

Prévia do Índice de Confiança da Indústria recua 1,4 ponto

A prévia do Índice de Confiança da Indústria registrou este mês recuo de 1,4 ponto em relação a maio. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o resultado negativo, divulgado hoje (19), no Rio de Janeiro, seria determinado tanto pela piora na percepção dos empresários em relação à situação atual quanto pelas perspectivas futuras dos negócios.

Até agora, o Índice da Situação Atual (ISA) cairia 1,8 ponto, indo para 96,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) diminuiria 1,0 ponto, para 94,9 pontos.

O resultado preliminar de junho sinaliza queda de 0,1 ponto percentual do Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (Nuci), para 75,2%.

Entretanto, é ainda superior ao registrado em janeiro deste ano, que foi de 74,3%. O resultado final de junho será divulgado pela FGV no dia 27.