Sérgio Moro - Jair Bolsonaro - Antonio Palocci - Roda Viva - Vaza Jato

Moro nega que favoreceu Bolsonaro ao divulgar depoimento de Palocci

Em entrevista a uma bancada de jornalistas no programa Roda Vida, da TV Cultura, nesta segunda-feira (20), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, se defendeu das acusações de ter beneficiado deliberadamente o presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, ao divulgar delação premiada do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci.

A divulgação foi feita por Moro no dia 1º de outubro de 2018, seis dias antes do primeiro turno das eleições gerais daquele ano. No depoimento para a Polícia Federal, Palocci sugere que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia dos desvios financeiros na Petrobras e que articulou recursos ilícitos para as duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff.

“O próprio Palocci já havia prestado depoimentos nessa mesma vara e é o que está basicamente naquele documento. Nós pegamos o documento que já havia vindo a público e que foi colocado no processo. Foi feito uma exposição como algo inédito, sendo que já havia sido apresentado. Eu tinha que dar publicidade a esse depoimento, se não a defesa poderia depois pedir nulidade do processo por não ter usado essa prova”, colocou Moro.

Outra decisão de Moro questionada pelos jornalistas foi a divulgação em 2016 do áudio entre Lula e Dilma, no qual há indícios que Rousseff iria oferecer o Ministério da Casa Civil para o ex-presidente, impedindo assim seu julgamento.

Mas uma reportagem da Folha de São Paulo de novembro de 2019, mostrou que a Lava Jato tinha outros áudios de Lula, no qual o ex-presidente em conversa com o então vice-presidente Michel Temer, declarou estar receoso em assumir o ministério e que mostrava uma tentativa de aproximação do PT com o MDB de Temer par dar estabilidade ao governo de Dilma.

“Se dá uma importância a esse áudio que não existe. Não é responsabilidade do juiz os reflexos e sim o processo. Não existem razões obscuras da não divulgação desse material. O que existe é uma clara situação de obstrução de Justiça e por isso achamos que o caminho correto seria não liberar”, pontuou Moro.

VAZA JATO

Perguntado sobre a série de reportagens do The Intercept Brasil popularmente conhecida como ‘Vaza Jato’, Moro chamou o conteúdo de “bobajarada” e disse que não dá peso para o conteúdo.

“Esse é um episódio menor. Nunca dei importância para isso. Foi usado politicamente para liberar criminosos presos e enfraquecer o Ministério da Justiça e Segurança pública. Não é verdadeiro que houve um conluio”, explicou Moro.

Ainda sobre a ‘Vaza Jato’, Moro negou a autenticidade dos materiais vazados e reforçou que o conteúdo das mensagens é normal entre o juiz e os procuradores e também com a Polícia Federal.

“Foi criado um sensacionalismo. O Ministério Público pedindo a prisão de X. Se essa mensagem aconteceu, não tem nada de errado. Isso acontece todo dia em todos os fóruns do Brasil. Não teve ninguém condenado sem provas nesse caso. Se os conteúdos que forem apresentados fossem verdadeiros, não teria nada de errado, mas eu não reconheço a autenticidade”, sentenciou Moro.

BANCADA DO RODA VIVA

A bancada do Roda Viva contou pela primeira vez com o comando da jornalista do O Estado de São Paulo Vera Magalhães. O restante da mesa foi composto pelos jornalistas Leandro Colon (Folha de São Paulo), Malu Gaspar (Revista Piauí), Alan Gripp (O Globo), Andreza Matais (O Estado de São Paulo) e Felipe Moura Brasil (Rádio Jovem Pan).

Responsável pelas matérias da Vaza Jato, o The Intercept Brasil não contou com representantes na bancada do Roda Viva. O veículo divulgou reportagem no último sábado (18), apontando que Moro aprovou previamente os jornalistas presentes na entrevista, fato negado por Vera Magalhães logo no início do programa.

Alguns jornalistas do The Intercept Brasil fizeram um live em seu canal no YouTube durante a entrevista de Moro, comentando as falas do ministro. A exibição chegou a alcançar mais de 14 mil pessoas em determinados momentos.

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Audiência do Roda Viva com Moro explodiria com jornalista do Intercept, diz Glenn

Glenn Greenwald disse hoje (14) que a audiência do Roda Viva explodiria caso um jornalista do Intercept participasse da entrevista de Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública.

O ex-juiz federal foi confirmado como entrevistado do programa na próxima segunda-feira (20), que terá a estreia de Vera Magalhães no comando. O programa, da TV Cultura, é reconhecido por levar jornalistas de diferentes veículos para participar da entrevista ao convidado semanal.

“É muito óbvio que convidar um jornalista do Intercept para participar da entrevista de Sergio Moro explodiria a audiência desse programa“, publicou o jornalista em seu Twitter.

Além disso, Glenn também afirmou que Moro tem medo de ser entrevistado por algum jornalista do site que ficou marcado pela publicação de conversas atribuídas a Moro e Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, revelando supostas irregularidades na operação.

A única razão para não fazer isso é o medo de Moro e deixá-lo — escandalosamente — ditar quem está lá. #InterceptNoRodaViva”, completou.

A hashtag foi compartilhada por milhares de usuários na rede social e se tornou um dos assuntos mais comentados do dia.

Em certo momento, ele ainda elevou o tom e declarou que será “indesculpável” e “um tanto covarde” se o Roda Viva não chamar alguém do Intercept para a discussão.

Um grande problema é que a maioria das instituições brasileiras – incluindo a grande mídia – tem tido medo de Sergio Moro e o tratava como um herói. Muitos, liderados pela Folha e Veja, reconheceram isso. Deixá-lo no Roda Viva  sem sérios desafios repetiria essa desgraça”, completou ele.

Outra jornalista do Intercept, Amanda Audi, também falou sobre a possibilidade. Ao declarar que o Roda Viva “quase nunca convida jornalistas de fora da grande mídia”, revelou que está ansiosa para ver os questionamentos feitos a Moro.

“Nem tenho esperanças que irão chamar o Intercept para a entrevista de Moro. Mas quero ver se os convidados vão fazer as perguntas que têm que ser feitas. Se não fizerem, é porque foi joguinho combinado”, opinou.

Inclusive, a hashtag utilizada por ele é a segunda mais utilizada no Twitter durante a tarde desta terça-feira (14).

INTERCEPT x MORO

O Intercept foi quem divulgou conversas atribuídas a Moro e Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, revelando supostas irregularidades na operação. Depois de um tempo, outros veículos como UOL, Veja e Folha de S. Paulo também participaram da publicação das conversas.

Contudo, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal não reconhecem as mensagens por terem sido originadas de um ataque de supostos hackers. Quatro suspeitos foram presos e seis já foram indiciados na Operação Spoofing, que investiga o caso. No interrogatório, um deles admitiu que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do Intercept, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira.

Na época, o Intercept manifestou que não comenta comenta sobre suas fontes e que esperava que a PF tivesse  “autonomia para conduzir uma investigação isenta” após Moro ligar o grupo de hackers ao site.

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Ciro, Freixo e Porchat apoiam Glenn; Olavo e deputados do PSL elogiam Augusto Nunes

Olavo de Carvalho, um dos líderes do conservadorismo no Brasil, defendeu a agressão do jornalista Augusto Nunes, do R7, ao colega Glenn Greenwald, do Intercept. Além dele, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) também defendeu o ato. Por outro lado, Ciro Gomes, Marcelo Freixo e Fabio Porchat são alguns que manifestaram apoio a Glenn. Veja a repercussão da situação que aconteceu no Programa Pânico nesta quinta-feira (7).

“O Augusto Nunes descendo a porrada no Verdevaldo foi a coisa mais linda da TV brasileira ever”, comentou Olavo em seu Twitter. Já o parlamentar avaliou: “”Augusto Nunes, eu te amo, cara hahaha”.

Outro deputado, Douglas Garcia (PSL) também elogiou a atitude. “Augusto Nunes é um grande profissional, de inestimável contribuição ao jornalismo brasileiro, é por isso mesmo que protocolarei, hoje mesmo, uma moção de aplauso na ALESP pelos excelentes serviços prestados à população brasileira.”

OUTRO LADO: GLENN RECEBE APOIO NA INTERNET

Também teve quem manifestou solidariedade ao jornalista do Intercept. Glenn recebeu apoio de colegas do veículo, além de outros jornalistas e personalidades.

Ciro Gomes, candidato à presidência em 2018, chamou Augusto de ‘bandido’. Já David Miranda, marido de Glenn, reforçou o termo ‘covarde’, assim como Marcelo Freixo e Fabio Porchat.

Veja:

Assista o vídeo de Glenn sendo agredido por Augusto Nunes:

“Você é um covarde, Augusto Nunes. Você é um covarde e eu vou falar o porquê…”, disse Glenn antes de levar dois tapas na cara.

“Você não vai me chamar de covarde não, rapaz. Covarde, mas apanhou na cara”, respondeu Augusto.

Após alguns integrantes do Pânico apartarem a briga, o apresentador Emílio Surita optou por cortar o programa.

“Não tem condição, vamos fazer um break”, alegou o âncora do Pânico. Após 12 minutos, Augusto Nunes deixou o programa e Glenn continuou na bancada.

O MOTIVO DA BRIGA ENTRE 

Casado com David Miranda, Glenn chamou Augusto de covarde após o jornalista do R7 fazer comentários sobre os seus filhos com o deputado.

“O que eu disse, vocês vão perceber, é que ele não sabe identificar ironias, não sabe identificar um ataque bem-humorado. Convido ele a provar em que momento eu pedi que algum juizado fizesse isso. Disse apenas que o companheiro dele passa tempo em Brasília, passa o tempo todo lidando com material roubado. Quem vai cuidar dos filhos?”, alegou Nunes antes da confusão começar.

“Não foi nada irônico. (…) Ele nunca falaria que um juiz deveria investigar se os chefes que têm filhos, onde os dois pessoas trabalham. Ele só fala isso sobre nós. Isso é covardia”, disse Glenn após o Pânico voltar sem a presença de Augusto.

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OUÇA: Deltan diz estar cansado com ‘recentes dificuldades’ e que não há heróis na Lava Jato

Deltan Dallagnol disse, nesta quinta-feira (19), que está cansado das ‘recentes dificuldades da Lava Jato‘ e que não há heróis na operação. O coordenador da força-tarefa em Curitiba também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) na decisão que derrubou o caso de Alberto Bendine e, mais uma vez, se manifestou contra as mensagens publicadas pelo Intercept Brasil.

Deltan deu uma palestra, com duração de uma hora, no Congresso Paranaense de Radiodifusão. Ele não atendeu os jornalistas, mas foi aplaudido em diversas vezes durante sua fala.

O evento, que tem um custo de R$ 350, ainda terá a presença do ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta.

Confira os áudios de Deltan e os assuntos abordados por ele na palestra de hoje:

LAVA JATO: SEM HERÓIS E CANSADO DAS ‘DIFICULDADES’

“Sabe essa história que a Lava Jato tem heróis? É uma mentira e é péssima. Nenhum grupo de pessoas vai mudar o país, está claro isso. Quando tem heróis, as pessoas se colocam como expectadores e ficam esperando o duelo de titãs. A gente, na Lava Jato, tem um poder extremamente limitado e pequeno, não se compara ao poder das pessoas que estão em Brasília”, disse em tom de desabafo.

Além disso, Deltan também revelou que já pensou em sair da operação.

“Nesses últimos meses, algumas vezes tive vontade de sair da Lava Jato e ter uma vida menos tumultuada. Depois de cinco anos, me sinto cansado e as recentes dificuldades fazem isso aflorar”, disse. “Mas quando tenho vontade de desistir, eu lembro do meu propósito: reduzir a corrupção e construir um país melhor. Isso faz tudo valer à pena. As pressões, os riscos, as ameaças, o cansaço e o sacrifício”, completou.

Escute os áudios de Deltan:

STF E CASO BENDINE

Deltan Dallagnol também criticou nesta quinta-feira (19) a decisão recente do STF (Supremo Tribunal Federal) que anulou a condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

Condenado a 11 anos de prisão por Moro, Bendine respondeu por corrupção e lavagem de dinheiro. Entretanto, no final de agosto, os ministros do STF anularam a sentença.

De acordo com o Supremo, Bendine não foi ouvido na fase correta da instrução penal, o que prejudicou o direto à ampla defesa. Com a decisão, o STF mandou o processo novamente para a 1ª instância. Agora, caberá ao juiz federal Luiz Antônio Bonat, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, reavaliar a ação penal.

A anulação desagradou a força-tarega da Lava Jato. Segundo os procuradores, outras 32 sentenças podem ser anuladas a partir dessa decisão.

“Temos uma decisão recente, que anulou uma condenação da Lava Jato com base em uma nova regra. O fato é que essa regra nunca existiu antes. Não estava nos códigos, nas leis e ninguém nunca tinha falado dessa regra, que é aplicada e derruba tudo. Derruba o caso Bendine e pode derrubar outros casos”, disparou Deltan.

“Chega lá [no STF] e tem entendimento diferente, novo, com o qual a gente não contava na investigação e derruba [o processo] para trás. Isso é contraproducente”, acrescentou.

DELTAN: INVESTIGAÇÕES NO CNMP

Por fim, Deltan ainda revelou que, segundo bastidores, dois procuradores (Lauro Nogueira Machado e Dermeval Farias Gomes) foram rejeitados justamente porque votaram seu favor no passado. O coordenador da Lava Jato em Curitiba vem sendo alvo de reclamações disciplinares no CNMP e corre risco de ser afastado.

“Temos um péssimo ambiente nesse momento e ainda soma-se o ambiente de revanchismo, que aumenta a possibilidade de eu e outras pessoas serem punidos em diferentes âmbitos, como no Conselho Nacional do Ministério Público”, completou Deltan.

FORÇA DA LAVA JATO EM 2019 E O INTERCEPT

Mais uma vez, Deltan voltou a defender a Lava Jato dos ataques sofridos após a publicação de mensagens feita pelo site The Intercept Brasil e outros veículos. O procurador classificou toda a série de reportagens como ‘série de acusações falsas, com base em mensagens descontextualizadas ou deturpadas’.

Para completar, ainda ressaltou o grande trabalho feito na Operação em 2019.

“O trabalho continua e em pleno vigor. Apenas neste ano, já oferecemos 19 acusações criminais, mais que em três anos inteiros da Lava Jato. Só neste ano, a Lava Jato vem recuperando o valor de R$ 2 bilhões por meio de acordos de leniência. E existem outros acordos em negociação. Se tomarmos os 10 maiores acordos da história brasileira de recuperação de valores, oito foram celebrados pela Lava Jato em Curitiba”, finalizou.