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Funeral de Suleimani leva milhões às ruas de Teerã, em meio a pedidos de vingança

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Teerã nesta segunda-feira (6) para o funeral do general Qassim Suleimani, no mesmo dia em que aumentaram os pedidos para que o país se vingue dos EUA pela morte do general.

Tanto seu substituto no comando da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, quanto o presidente Hasan Rowhani voltaram ao assunto e fizeram referência a uma possível ação contra Washington.

Na última sexta (3), um ataque de drone ordenado pelo presidente americano, Donald Trump, matou Suleimani e outras nove pessoas no aeroporto de Bagdá.

O general Esmail Ghaani, escolhido como sucessor do morto no comando da força de elite, prometeu prosseguir com a causa de Suleimani e “livrar toda a região dos Estados Unidos”.

“Deus todo poderoso prometeu que terá sua vingança e Deus é o maior vingador”, afirmou ele a TV estatal. “Com certeza ações serão tomadas”.

Em um discurso também transmitido pela TV estatal, Zeinab, filha do comandante morto, também disse que ação contra seu seu pai terá consequências.

“A América e o sionismo [referência a Israel] deveriam saber que o martírio do meu pai levará a um despertar no front da resistência e trazer um dia escuro para eles e demolir suas casas. Trump louco, não pense que tudo está terminado com o martírio do meu pai”, afirmou.

Já o presidente Rowhani usou as redes sociais para responder o presidente americano. “Nunca ameace a nação iraniana”, escreveu.

No fim de semana, Trump disse que iria responder militarmente caso o Irã atacasse os EUA e que poderia atingir 52 alvos, alguns de “muita importância para o Irã e para a cultura iraniana”.

O número faz uma referência aos 52 americanos feitos reféns na embaixada do país em Teerã após a Revolução Islâmica em 1979. Rowhani, porém, respondeu na mesma moeda.

“Quem se refere a 52 deveria lembrar também do número 290”, escreveu ele em uma rede social, fazendo referência ao número de mortos na queda de um avião civil iraniano em 1988 -a aeronave foi derrubada por um navio militar americano.

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Divulgação/Khamenei.ir

FUNERAL DE SULEIMANI TEM PEDIDOS DE VINGANÇA

O corpo de Suleimani, que era considerado um herói nacional, chegou nesta segunda a capital do Irã depois de fazer um tour por outras cidades do país e do vizinho Iraque.

O cortejo fúnebre continuará até terça (7), quando o general será enterrado em Kerman, sua cidade natal, o colocará fim aos três dias oficiais de luto no país. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu já tinha prometido uma “vingança implacável” contra os EUA após o período de luto.

Segundo a polícia, milhões de pessoas participaram dos atos na capital, os maiores no país desde o funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989. As ruas de Teerã foram completamente tomadas de pessoas vestidas de preto aos gritos de “morte a América”.

Carregando cartazes com o retrato do general, as pessoas se reuniram nos arredores da Universidade de Teerã, onde o líder supremo presidiu as cerimônias e orações pelo general.

Próximo de Suleimani, o tradicionalmente sisudo Khamenei chorou copiosamente durante a homenagem.

​Cercado por Rowhani, pelo presidente do Parlamento, Ali Larijani, do comandante da Guarda Revolucionária do Irã, general Hossein Salami, e por outras autoridades, o aiatolá fez uma oração pouco depois das 9h30 (3h em Brasília), em frente ao caixão de Suleimani.

O caixão de do general foi então envolto pela bandeira iraniana e levado, de mão em mão, sobre as cabeças da multidão.

A ação que matou Suleimani fez a tensão na região aumentar drasticamente, o que levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a afirmar nesta segunda que o mundo vive seu momento mais delicado neste século.

O general era um dos principais adversários dos EUA na região, responsável por comandar as ações secretas do Irã em países como Líbano, Síria, Iêmen e Iraque. De acordo com a conta feita pro Washington, o militar iraniano foi indiretamente responsável pela morte de ao menos 700 militares americanos em todo o mundo.

Os EUA confirmaram que a ação foi autorizada pessoalmente pelo presidente Donald Trump e anunciaram que vão mandar outros 3.000 soldados para o Oriente Médio para ajudar na segurança.

Estados Unidos e Irã romperam as relações diplomáticas em 1979, mas passaram por uma reaproximação durante o governo de Barack Obama. Isso culminou com a assinatura do acordo nuclear em 2015, do qual participavam também o Reino Unido, a França, a Alemanha, a China e a Rússia, com apoio da ONU.

​Em 2018, os EUA, sob comando de Trump, deixaram o acordo, e a partir daí a tensão entre os dois países foi aumentando, com trocas de acusações entre os líderes dos dois países.

O governo iraniano anunciou neste domingo (5) que o país vai deixar de cumprir as exigências do acordo de 2015, colocando assim um ponto final no pacto. Na prática, isso significa que o Irã não limitará mais o grau de enriquecimento de urânio que pode utilizar e nem o número de centrífugas que tem direito.

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Divulgação/Khamenei.ir

Araújo defende relação com Israel e nega perda comercial com árabes

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse hoje (8) que a aproximação do Brasil com Israel não vai trazer prejuízos para os negócios com os países árabes. Em visita ao país, no final de março, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a abertura de um escritório de representação comercial em Jerusalém. “Não há nenhum indício de que a nossa aproximação com Israel redunde em perdas comerciais com os países árabes”, enfatizou durante palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na abertura do evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou a necessidade de pluralidade nos parceiros comerciais do Brasil. “É fundamental um bom relacionamento com os Estados Unidos e com Israel, mas também com os países árabes e o Mercosul”, disse.

“Nós temos conversado muito com os países árabes do Oriente Médio. Temos certeza absoluta que o relacionamento profundo com Israel não significa de forma nenhuma um menor relacionamento com esses países”, acrescentou o chanceler. Araújo disse que tem mantido conversas em especial com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

“Vamos começar um projeto de, através dos Emirados, conseguir mais acesso ao mercado de produtos alimentícios da Índia. Um mercado muito difícil de acessar diretamente”, exemplificou sobre os projetos conjuntos que estão sendo estabelecidos com os países da região.

Irã

Segundo o ministro, o Brasil também deve manter boas relações com o Irã. “Nós temos um comércio importante com o Irã, queremos mantê-lo, ampliá-lo”, ressaltou. Ele ponderou, no entanto, que o papel do Estado persa é controverso. “Procurei muito ouvir os países que estão lá, que são vizinhos do Irã, e eles têm uma preocupação enorme com a atuação na região”, disse sobre as impressões durante a participação na Conferência Ministerial sobre Oriente Médio, que aconteceu em fevereiro, em Varsóvia, na Polônia.

Nesse contexto, o Brasil deve atuar, na visão de Araújo, de forma a evitar atritos no Oriente Médio. “O Brasil quer contribuir para a paz, para a estabilidade lá. Achamos que a nossa aproximação com os países árabes pode contribuir com isso. Nessa aproximação é importante que nós conheçamos a visão de mundo deles e quais são as preocupações deles”, destacou.

Por Daniel Mello

 

Aproximação entre Brasil e Israel não pode acontecer às custas da Palestina, diz embaixador

Por Ricardo Della Colleta

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, afirmou à Folha de S.Paulo que a política de aproximação entre o governo Jair Bolsonaro e Israel não pode acontecer “às custas do Estado da Palestina.”

“Não questionamos em nenhum momento as relações entre Brasil e Israel, mas que não seja às custas do Estado da Palestina, do seu povo e da sua luta”, declarou Alzeben, que representa a Autoridade Palestina no país.

Em entrevista nesta segunda-feira (1º), na embaixada palestina em Brasília, ele condenou a decisão de Bolsonaro de abrir um escritório comercial em Jerusalém, cidade disputada por israelenses e palestinos, e criticou a visita do presidente ao Muro das Lamentações junto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Para o embaixador, ir ao local, que fica na porção oriental de Jerusalém, sem o consentimento do lado palestino, é uma violação.

Indagado sobre possíveis retaliações comerciais que o país poderia sofrer por parte de nações árabes, Alzaben disse não gostar do termo e defendeu que o Brasil atue como um mediador do conflito.

“Eu acho que devemos deixar um espaço para a diplomacia agir neste caso, intensificar o diálogo, convencer o Brasil a manter boas relações equilibradas com ambas as partes”, declarou.

Pergunta – Como o senhor avalia o anúncio de que o Brasil vai abrir um escritório de negócios em Jerusalém?

Alzeben – É um escritório de negócios, não é um escritório diplomático. Nós condenamos essa atitude, e eu considero que é um passo desnecessário. Porque mexe com Jerusalém, um assunto muito delicado.

Nesse caso, o Brasil sempre foi equilibrado nas suas posições. Nós não questionamos em nenhum momento as relações entre Brasil e Israel, mas que não seja às custas do Estado da Palestina, do seu povo e da sua luta pela independência e pela recuperação dos territórios ocupados por Israel, incluindo a parte oriental de Jerusalém.

Se o Brasil insiste em abrir um escritório de negócios em Jerusalém, que seja na parte Ocidental [da cidade]. E que paralelamente abra um escritório de negócios na parte Oriental para atender os negócios com a Palestina.

Que abra na parte Ocidental para Israel e na parte oriental para a Palestina. Ou que deixe de fazer isso [abrir o escritório de negócios] e passe isso para o futuro, quando a questão de Jerusalém for resolvida entre os dois estados.

A proposta original era abrir a embaixada para Jerusalém. O senhor considera a abertura de um escritório um recuo?

Alzeben – Nós consideramos isso [não anunciar a transferência da embaixada] uma decisão sábia por parte do presidente, de não tocar nesse tema tão delicado. De todas as maneiras, segundo o presidente Bolsonaro, o tema está na agenda até 2022.

Quero pensar positivo, de que até 2022, quando termina o atual mandato, a Palestina já será um Estado. E nesse caso o Brasil poderá levar as duas embaixadas, uma para o lado Ocidental e outra para o Oriental.

O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a Palestina. A nova política do Brasil, de alinhamento com Israel, é especialmente sentida pela Palestina em razão desse simbolismo?

Alzeben – A política é sempre volátil. Temos que entender que a política está em constante movimento. Esperamos que isso seja para o bem da região, para o bem das negociações de paz entre Palestina e Israel, que estão paralisadas.

E que essa visita brasileira possa contribuir para abrir portas de negociação e entendimento entre as duas partes. Espero e imagino que o senhor presidente Bolsonaro e a delegação que o acompanha vão vislumbrar de perto a essência desse conflito e possam contribuir para que o Brasil se mantenha numa posição positiva, no sentido de aproximar as duas partes.

O Brasil é um país amigo de ambas as partes, queremos que siga sendo amigo das duas partes e que siga sendo um mediador.

Fala-se muito sobre possíveis retaliações comerciais de países árabes e de maioria islâmica contra o Brasil. Isso pode acontecer?

Alzeben – Nós não questionamos as relações entre o Brasil e Israel. O Brasil é um país soberano, estabelece relações e as aumenta com quem seja de sua conveniência, e neste caso [a conveniência] do governo da vez.

Mas no sentido de que essa aproximação seja às custas dos interesses árabes e dos palestinos, o tema muda. Acho que devemos deixar um espaço para a diplomacia agir neste caso, intensificar o diálogo, convencer o Brasil a manter as boas relações equilibradas com ambas as partes.

Não falamos de retaliações, eu não gosto desse termo. O Brasil é um país amigo e confiamos que os mandatários possam enxergar melhor os seus interesses.

Como o senhor viu a posição do Brasil de não reconhecer a soberania de Israel sobre as colinas de Golã, como fez o presidente dos EUA, Donald Trump?

Alzeben – As colinas de Golã são um território ocupado. A Cisjordânia é um território ocupado. Jerusalém Oriental é território ocupado. A Faixa de Gaza é território ocupado e bloqueado.

O Brasil sempre respeitou o direito internacional, e por isso o Brasil ocupa o lugar que ocupa na arena internacional. Presidiu em 1947 a Assembleia-Geral da ONU, não porque o Brasil tem mais de oito milhões de quilômetros quadrados, mas porque se manteve e se mantém respeitador do direito internacional.

O senhor considera que a nova política externa brasileira pode prejudicar a capacidade de mediação do Brasil?

Alzeben – Como eu falei, a política é volátil. Depende de como vai agir e atuar o governo.

O senhor foi convocado pela Autoridade Palestina para consultas?

Alzeben – Estou aguardando ordens. Sim, saiu um comunicado, de que estão estudando a possibilidade de chamar o embaixador para consultas, e até agora estou aguardando. A mala está pronta.

Mas o senhor ainda não foi efetivamente chamado?

Alzeben – Não.

Até o momento apenas a Palestina sinalizou que poderia chamar o seu embaixador para consultas.

Alzeben – Até o momento o único que foi notificado e que está em stand-by sou eu.

Isso de alguma forma enfraquece a posição diplomática da Palestina?

Alzeben – Nós contamos com o apoio de 21 países árabes, um apoio absoluto. O senhor pode observar os resultados ontem da cúpula na Tunísia. Há um apoio total, absoluto e incondicional, podemos dizer assim, à questão palestina.

E à solução de dois estados e à criação do Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital [da Palestina]. Não tem mudança. A parte implicada neste assunto sou eu, se meu governo me chama ou deixa de me chamar. Agora, como esse assunto vai se desenvolver daqui para frente, isso depende dos desdobramentos da visita e dos seus resultados.

Qual a avaliação do senhor da visita do presidente Bolsonaro no Muro das Lamentações?

Alzeben – O Muro das Lamentações é território ocupado. O senhor presidente possivelmente não foi orientado pela embaixada em Tel Aviv de que se trata de território ocupado. De todas as maneiras, nós respeitamos os sentimentos e fé do senhor presidente, mas ressaltamos que é território ocupado.

Como o senhor vê a participação do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, na agenda de Bolsonaro no Muro das Lamentações?

Alzeben – Visitar qualquer lugar dentro de Jerusalém Oriental, sem o consentimento do lado palestino, é uma violação.

O senhor teve contatos hoje com alguma autoridade brasileira sobre a visita de Bolsonaro a Israel?

Alzeben – Não, até agora não tive nenhum contato. Estamos aguardando que a visita termine e reitero que desejamos o maior sucesso para essa visita, pelo bem do Brasil.

Quando a comitiva voltar ao Brasil, o que o senhor e os demais embaixadores de países árabes pretendem fazer?

Alzeben – Nós já solicitamos uma visita de cortesia ao presidente Bolsonaro, da parte da embaixada palestina e do Conselho de Embaixadores Árabes. Tanto com o presidente quanto com o chanceler [Ernesto Araújo]. Eu sou o decano do Conselho de Embaixadores Árabes. Vamos reiterar o pedido para visitar o presidente e o chanceler.

O senhor já se encontrou com o chanceler Ernesto Araújo?

Alzeben – Somente no dia da posse. Fui o primeiro a cumprimentá-lo como decano do Conselho de Embaixadores Árabes.

Qual a relação do senhor e dos demais embaixadores árabes com a nova administração no Itamaraty?

Alzeben – Ainda é cedo para avaliar. Entendemos que o novo governo tem uma agenda bastante apertada e tem assuntos e prioridades nacionais e locais. Mas não vamos perder de vista nosso interesse em estabelecer as melhores relações com o novo governo.

Com mais canais de entendimento e mostrar nosso interesse em estabelecer boas relações para melhorar ainda mais. Para incrementar o intercâmbio comercial e incentivar os investimentos dos dois lados. Nós consideramos o Brasil um parceiro.

Bolsonaro entrega condecoração a brigada israelense que atuou em Brumadinho

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), participou nesta segunda-feira (1º) de uma homenagem à equipe de salvamento israelense que ajudou no resgate das vítimas da tragédia de Brumadinho, em janeiro.

O presidente, que fica até quarta (3) em Israel, entregou ao grupo a Insígnia da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais importante condecoração brasileira atribuída a cidadãos estrangeiros.
Bolsonaro começou a agenda desta segunda fazendo uma visita a Unidade de Contraterrorismo da Polícia israelense e depois seguiu para a base da Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel, onde entregou a insígnia aos agentes que ajudaram em Brumadinho.

No local, o brasileiro assistiu um filme de seis minutos sobre a atividade da unidade de salvamento israelense. Ele fica até quarta (3) em Israel.  A missão israelense contou com mais de 130 integrantes, incluindo militares da ativa e da reserva, bombeiros e socorristas. Até o momento, as autoridades brasileiras contabilizam 216 mortos e 89 desaparecidos em decorrência da tragédia.
“Não sei como definir o sucesso de uma ação em que o resultado foi estipulado minutos depois da tragédia. Mas sei que Israel não mediu esforço para tentar salvar vidas”, disse Tamir Yadai, que lidera o Comando da Frente Interna de Israel.

“Quero agradecer o convite para fazer parte dos esforços e através do senhor, agradecer aos grupos brasileiros, que trabalharam com afinco e de maneira admirável e as forças do exército, que nos ajudaram no salvamento e à comunidade local, que nos receber calorosamente”, afirmou ele.

“‘Toda rabá’ (obrigado, em hebraico)”, disse o presidente brasileiro antes da entrega da insígnia ao grupo.  Bolsonaro afirmou que em 1985, quando era capitão do Exército, também participou do resgate de corpos. Na ocasião, disse ele, um ônibus caiu em um rio e 15 pessoas morreram afogadas. A água era barrenta, sem nenhuma visibilidade.
“Eu estava de férias, mas me voluntariei a participar do resgate dos corpos”, afirmou Bolsonaro.

“Confesso que meu coração batia muito forte a cada descida. Perguntei ao bombeiro que estava ao meu lado se o risco que estávamos correndo a cada descida qual era a compensação, já que era zero a chance de encontrar alguém vivo no fundo da lagoa. Ele me respondeu que estávamos fazendo aquele trabalho com objetivo de proporcionar um certo conforto aos familiares”, disse ele.
O presidente afirmou que vê da mesma forma o trabalho dos israelenses em Brumadinho: “O trabalho de vocês fui muito semelhante àquele humildemente prestado por mim no passado. Confortar os familiares ao encontrar um ente que havia perdido a vida. O trabalho dos senhores foi excepcional e fez com que os laços de amizade entre nós se fortalecesse. Nós, brasileiros nunca esqueceremos o apoio humanitário por parte de todos vocês. Toda rabá”.

O comandante Yadai disse que nos próximos meses será finalizado em connunto com as equipes brasileiras uma análise do processo de resgate. Brumadinho foi a 21ª missão da unidade israelense desde 1982, mas os oficiais do grupo afirmaram que nunca tinham visto nada parecido.

Nesta segunda-feira, Bolsonaro só tem mais um compromisso público. Ele vai ao Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrado para os judeus, mas que fica na parte Oriental de Jerusalém -região que também é reivindicada pelos palestinos.

Na visita, ele será acompanhado pelo primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, algo raro. Por causa da disputa pelo local, autoridades estrangeiras costumam fazer visitas apenas visitas classificadas como privadas ao local, sem acompanhamento da diplomacia israelense. O brasileiro ainda participará em um almoço nesta segunda, mas o evento será fechado.

Bolsonaro chegou a Israel neste domingo (31) e foi recebido ainda no aeroporto por Netanyahu, gesto raro que o primeiro-ministro israelense ofereceu a apenas outros quatro chefes de Estado em dez anos.

Mas a recepção amistosa não mudou o que vinha se desenhando há semanas: Bolsonaro não cumpriu a promessa da campanha presidencial de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, movimento que impulsionaria Netanyahu a nove dias das eleições que vão definir o futuro do líder israelense.

Segundo as pesquisas mais recentes, o atual premiê disputa o comando do Parlamento com a sigla centrista Azul e Branco.

Em Israel, Bolsonaro exalta o país como exemplo a ser seguido

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste domingo (31) em Israel que enxerga o país como um exemplo a ser seguido pelo Brasil. Após ser recebido no aeroporto de Tel Aviv pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ele disse que sempre admirou os israelenses e, após uma visita feita ao país há dois anos, passou a repetir um “ensinamento”.

“Eu falava muitas vezes: sabemos que Israel não é tão rico como o Brasil em recursos naturais, entre outras coisas. Mas dizia: olha o que eles não têm e vejam o que eles são. E falava para os meus irmãos brasileiros: olha o que nós temos e vejam o que não somos”. Para o presidente, para “sermos igual a eles” é preciso ter a mesma fé. Ele citou uma passagem bíblica, “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), para falar sobre os desafios a serem vencidos no Brasil.

“Dois milagres aconteceram comigo. Um é estar vivo”, disse, para logo em seguida elogiar o atendimento recebido no Hospital Israelita Albert Einstein após ser esfaqueado durante a campanha eleitoral. Em seguida, falou sobre ter sido eleito presidente da República em um clima hostil.

Bolsonaro disse, durante o discurso, que tinha algo que os outros candidatos não possuíam. “Eu tinha o povo ao meu lado”.
Dirigindo-se a Netanyahu, reafirmou que o seu governo está decidido a fortalecer a parceria entre os dois países.

“A amizade entre nossos povos é histórica. Tivemos um pequeno momento de afastamento, mas Deus sabe o que faz. Voltamos”.

Para Bolsonaro, com sua posse foi retomado o tratamento equilibrado do Brasil às questões do Oriente Médio. Ele citou o ministro Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, para exaltar o entusiasmo com as possibilidades de acordos e parcerias entre as partes. Chamou Netanyahu de amigo e em seguida defendeu a aproximação entre os povos dos dois países.

Segundo Bolsonaro, os brasileiros e os israelenses compartilham valores, tradições culturais e o apreço à democracia.

O presidente agradeceu a presença do primeiro-ministro israelense em sua cerimônia de posse, em janeiro. “Foi a primeira visita de um chefe israelense de governo ao meu país”, ressaltou.
Agradeceu também à solidariedade israelense após o rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho (MG), quando militares de Israel ajudaram nas buscas pelos desaparecidos. “Esse gesto jamais será esquecido”.

A chegada do presidente e o discurso foram transmitidos nas redes sociais pelo Gabinete de Imprensa do Governo de Israel.

Antes dos discursos, ao lado de Netanyahu e da primeira-dama Sara Netanyahu, Bolsonaro ouviu os hinos brasileiro e israelense com expressão compenetrada e a mão direita no peito.
Ainda neste domingo, o presidente visita Jerusalém, onde terá reunião ampliada com o primeiro ministro israelense. Ele também participará da assinatura de acordos de cooperação e de um jantar. Os acordos de cooperação que podem ser assinados com o governo israelense englobam áreas como defesa, serviços aéreos, saúde e ciência e tecnologia.

Bolsonaro embarca para Israel; governo não descarta transferir embaixada para Jerusalém

Por Pedro Rafael Vilela

O governo não descartou a ideia de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. A mudança é uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, mas esta semana ele sinalizou a possibilidade de abrir um escritório de negócios em Jerusalém, em vez da levar toda a representação diplomática para a cidade.

De acordo com o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, todas as alternativas estão em estudo. “Naturalmente, a partir desses estudos, nós iremos verificar qual é a melhor linha de ação. Pode, a partir dessas linhas de ação, sequer ser colocado um escritório [de negócios] ou até a própria instalação da embaixada naquela cidade”, afirmou.

A cidade de Jerusalém está no centro de confrontos e disputas entre palestinos e israelenses, pois ambos reivindicam o local como sagrado. Além disso, a região de Jerusalém Oriental é considerada como capital de um futuro estado palestino.

Para evitar o agravamento da situação, os países consideram Tel Aviv como a capital administrativa de Israel, onde ficam as representações diplomáticas internacionais. Mesmo assim, em dezembro de 2017 o governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou a decisão de transferir a embaixada do país de Tel Aviv para Jerusalém.

Neste sábado (30), Bolsonaro e uma comitiva de quatro ministros, além de parlamentares, embarcam para Israel para uma visita oficial três dias. O governo pode assinar até quatro acordos de cooperação em áreas como segurança pública, defesa, ciência e tecnologia. O retorno está marcado para a próxima quarta-feira (3).

Netanyahu chama Brasil de “grande potência” e fala em estreitar laços

Pouco antes de embarcar para o Brasil, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu demonstrou entusiasmo com sua primeira visita à região. Ele classificou o país como “grande potência”, lembrando que reúne a quinta maior população mundial, e disse que a partir da gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, haverá “nova era entre Israel e a grande potência chamada Brasil”.

A mensagem foi postada em sua conta no Twitter. “É uma grande mudança com Bolsonaro. Estou contente por podermos começar uma nova era entre Israel e a grande potência chamada Brasil.”

Netanyahu manifestou sua expectativa diante da primeira visita ao Brasil. “Vamos discutir os laços de Israel com o maior país da América Latina, o quinto mais populoso do mundo. O Brasil é um país enorme, com enorme potencial para o Estado de Israel, economicamente, diplomaticamente e vis-à-vis segurança”.

Na manhã de hoje, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou vídeo em que o embaixador Yossi Shelley fala sobre a visita. “É a primeira vez que um primeiro-ministro de Israel chega ao Brasil e vai encontrar o presidente Jair Bolsonaro para continuar nossas parcerias em agricultura, água e segurança pública”, disse.

Atividades

O primeiro-ministro desembarca de manhã no Rio de Janeiro e fica no país até terça-feira (1º), quando participa da cerimônia de posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira, eles almoçam no Forte de Copacabana. Também estarão presentes os futuros ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fernando Azevedo (Defesa).

Bolsonaro pretende transferir a Embaixada do Brasil de TelAviv para Jerusalém. Os Estados Unidos foram o primeiro país a adotar a mudança. A medida não é consensual, pois Jerusalém é um território disputado por questões políticas e religiosas entre judeus e muçulmanos.

A visita ocorre em meio a dificuldades na política interna israelense. Netanyahu enfrenta um processo judicial por denúncias de desvios. Há também ausência de consenso em torno de um projeto que fixa novas regras para o serviço militar, que levou o Parlamento de Israel a antecipar em sete meses as eleições parlamentares que ocorrerão em 9 de abril.

Agenda

No final da tarde, Netanyahu irá à sinagoga Beit Yaakov para a cerimônia religiosa do shabat. Nos dias em que ficará no Brasil, a agenda do primeiro-ministro será intensa. Ele terá conversas com jornalistas, líderes da comunidade judaica e Amigos Cristãos de Israel.

Durante a visita, o primeiro-ministro israelense aproveita para manter reuniões bilaterais com líderes estrangeiros. Ele se reúne com o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. O último compromisso no Brasil será com o presidente do Chile, Sebastian Piñera.

Bolsonaro diz que terá parceria com Israel para dessalinizar água

O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, disse hoje (25) que fará parcerias com Israel para beneficiar o Nordeste com projetos de dessalinização de água. Por meio de seu perfil no Twitter, Bolsonaro afirmou que o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, visitará em janeiro instalações de dessalinização, plantações e o escritório de patentes no país do Oriente Médio.

Ainda em janeiro, espera-se que seja implantada no Nordeste brasileiro uma instalação piloto para tirar água salobra de poços, dessalinizar, armazenar e distribuir para a agricultura familiar da região.

“Também estudamos junto ao embaixador de Israel e empresa especializada testar tecnologia que produz água a partir da umidade do ar em escolas e hospitais da região. Poderemos, inclusive, negociar a instalação de fábrica no Nordeste para venda desses equipamentos”, escreveu no Twitter.

Antibombas é chamado para vistoriar hotel de orquestra israelense em Curitiba

O hotel em que o grupo da Orquestra Filarmônica Jovem de Israel está hospedado em Curitiba passou por varredura do Esquadrão Antibombas (EAB) da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), o que chamou atenção de hóspedes e moradores do bairro Alto da Glória. Seguranças também foram posicionados na região do hotel. A orquestra se apresenta nesta terça-feira (14) na capital paranaense.

A vinda do grupo exigiu esquema especial de segurança. Em razão das tensões vividas por Israel no Oriente Médio e ameaças de grupos terroristas como o Estado Islâmico, a produção dos músicos israelenses tomou uma série de precauções.

O produtor Leandro Kanke, que organiza a passagem da orquestra por Curitiba, afirma que o procedimento de segurança é normal e que também é adotado para outras produções semelhantes.

“A gente pede uma vistoria nos lugares por onde ele vão passar: no teatro, no hotel e nos ônibus. Também andamos com segurança acompanhando para o caso de acontecer alguma coisa. É normal. A gente faz essa prevenção. Como eles não conhecem os países às vezes eles ficam com medo, e não queremos que eles se preocupem com essa parte”, minimiza.

O Grande Auditório do Teatro Positivo, local em que o grupo vai se apresentar, também passou por vistoria do esquadrão especial da PM.

Por meio da assessoria, a PM informou que acompanha a passagem do grupo israelense por Curitiba, mas, por questões de segurança, os procedimentos são mantidos em sigilo. As datas e horários das vistorias são aleatórias, afirma a polícia.

O Esquadrão Antibombas no Paraná existe há 24 anos, mas recentemente foi reconfigurado. Antes, o grupo pertencia ao Comandos e Operações Especiais (COE). Em 2013, com a programação de eventos internacionais como a Copa do Mundo de 2014, o grupo foi desmembrado do COE e passou a ser uma das subunidades do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM.

Orquestra 

A Orquestra Jovem de Israel se apresenta nesta terça-feira (14) em Curitiba com um concerto que integra a nova turnê brasileira. São na maioria estudantes da Universidade de Tel Aviv. A turma prepara músicos para a Orquestra de Israel, considerada uma das melhores do mundo.

A preparação oferece aos estudantes um extenso programa de treinamento. Os alunos trabalham com os principais instrumentistas da orquestra.

O grupo dispõe de um programa de Bolsas de Estudos para jovens talentosos carentes do mundo todo – vários brasileiros já foram contemplados.

Atualmente, a apresentação da Orquestra Filarmônica Jovem de Israel conta com cinco músicos brasileiros que estudam atualmente na Escola de Música Buchmann-Mehta.

“São jovens, entre 18 e 25 anos, mais ou menos, estudando música lá e estão nas turnês com a orquestra jovem. É como um estágio. Eles têm a vivência da orquestra e de viajar pelo mundo. E temos seis brasileiros, que são bolsistas indicados para estudar lá”, conta.

A apresentação desta turnê tem regência de Eyal Ein-Habar e solo do violonista Guy Braunstein. O concerto, que integra as comemorações dos 45 anos do Grupo Positivo, tem no programa duas obras de Johannes Brahms: a Sinfonia nº 3 e o Concerto para violino.

A apresentação é nesta terça-feira (14), começa às 20h30, no Grande Auditório do Teatro Positivo. Os ingressos variam entre 35 e 190 reais e podem ser adquiridos pelo Disk Ingressos.

Na turnê, a orquestra também terá ainda três apresentações no Brasil. Duas em São Paulo, nos dias 15 e 18 de novembro, e uma em Ribeirão Preto (SP), no dia 19. O grupo já se apresentou em Belo Horizonte, no dia 12 de novembro.