Gustavo Montezano é escolhido para assumir a presidência do BNDES

Gustavo Montezano será o novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em substituição ao economista Joaquim Levy.

A escolha foi do ministro da Economia, Paulo Guedes. Montezano já atua no governo federal. Ele ocupa o cargo de secretário especial adjunto da Secretaria de Desestatização e Desinvestimento, do Ministério da Economia.

Ele é graduado em engenharia pelo IME (Instituto Militar de Engenharia) e mestre em economia pelo Ibmec-RJ.

Ele atuou no mercado financeiro. Foi sócio-diretor do BTG Pactual, responsável pela divisão de crédito corporativo e estruturados, em São Paulo.

Montezano vai suceder Levy, que pediu demissão neste domingo (17) após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que ele estava “com a cabeça a prêmio”.

CPI do BNDES ouvirá Levy como testemunha no dia 26 de junho

O ex-presidente do BNDES Joaquim Levy será ouvido pela CPI que investiga supostos desvios no banco na próxima semana, no dia 26 de junho.

Levy pediu demissão neste domingo (16), depois de ser publicamente criticado pelo presidente Jair Bolsonaro, que disse que ele estava “com a cabeça a prêmio”.

O requerimento de convocação do então presidente havia sido aprovado na comissão em abril, mas a data da audiência foi definida apenas nesta segunda-feira (17).

A CPI do BNDES, presidida por Vanderlei Macris (PSDB-SP), investiga possíveis desvios no banco entre os anos de 2003 e 2015.

O ex-presidente do banco, que foi ministro de Dilma Rousseff, será ouvido pelos deputados na condição de testemunha.

Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES

Por Alexa Salomão, William Castanho e Bernardo Caram

O economista Joaquim Levy renunciou à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16), após declarações do presidente Jair Bolsonaro, de que ele estava “com a cabeça a prêmio”.

A saída de Levy do banco de fomento é a primeira baixa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e mais uma crise do governo.

“Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda”, disse Levy, em mensagem a Guedes.

O economista agradeceu a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. “Agradeço ao ministro o convite para servir ao país e desejo sucesso nas reformas.”

No sábado (15), Bolsonaro disse estar “por aqui” com o economista. O estopim, segundo o presidente, foi a indicação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele foi assessor do BNDES no governo do PT e voltaria ao banco para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES.

Levado por Guedes para a presidência do BNDES durante a atual gestão, Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT). Assim como o ministro, ele fez doutorado na Universidade de Chicago –reduto do pensamento econômico liberal.

Bolsonaro disse que “governo é assim, não pode ter gente suspeita” em cargos importantes. “Essa pessoa, o Levy, já vem há algum tempo não sendo aquilo que foi combinado e aquilo que ele conhece a meu respeito. Ele está com a cabeça a prêmio já há algum tempo”, afirmou.

A resistência do presidente a Levy vem desde o governo de transição. Presidente eleito, em novembro de 2018, ele disse que, ao aceitar a indicação, precisava “acreditar em Guedes”.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que “houve reação” ao nome de Levy por ele ter “servido à Dilma e ao [ex-governador do Rio do Janeiro Sérgio] Cabral”. Ele foi secretário de Finanças.

Antes de assumir o cargo de presidente do BNDES, Levy foi diretor financeiro do Banco Mundial, em Washington. Também trabalhou como técnico do FMI (Fundo Monetário Internacional).

No setor privado, o economista foi diretor do Bradesco.

Crise 

Barbosa Pinto, no sábado, enviou uma carta a Levy, à qual a reportagem teve acesso, para renunciar ao cargo.
Bolsonaro havia dito pouco antes que o presidente do BNDES tinha de demitir o advogado ou seria demitido até esta segunda-feira (17).

O advogado, que foi assessor e chefe de gabinete da presidência do BNDES em 2005 e 2006, afirmou ter “muito orgulho” da própria carreira.

Ele, informalmente, ajudou o governo petista na elaboração de projetos de PPPs (parcerias público-privadas).

Em entrevista à revista Capital Aberto, Barbosa Pinto disse que colaborou na criação do Prouni, programa que concede bolsas a alunos carentes, com então ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), em 2008. Bolsonaro venceu Haddad no ano passado.

Barbosa Pinto atuou ainda na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

No setor privado, de 2011 a 2018, foi sócio de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, na Gávea Investimentos. Integrou conselhos de administração de diversas empresas.

O advogado recebe elogios de economistas. A decisão de enviar a carta, mesmo sem ter conseguido conversar com Levy, foi para demonstrar que não tem engajamento partidário.

A intenção de não ser usado como pivô de disputa política na aérea econômica do governo pesou na decisão. Ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar na segunda.

Guedes indicou insatisfação com o trabalho de Levy à frente do BNDES em entrevista a Gerson Camarotti, do G1, neste sábado.

“O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou solução para o futuro”, afirmou o ministro.

Guedes referia-se a investigações de possíveis responsáveis por empréstimos concedidos pelo banco a empreiteiras, nos governos do PT, para obras no exterior. Em troca, elas pagariam propina.

Até o momento, nenhum funcionário do banco foi apontado como participante do esquema, mas Bolsonaro e Guedes insistem no discurso de abrir a caixa-preta do BNDES.

Outro motivo de descontentamento do ministro com Levy é a resistência do economista em devolver o dinheiro injetado no BNDES no passado.

Guedes já disse que espera receber R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. Os recursos são tratados como necessários para ajudar no ajuste fiscal do governo.

Demissões

Na quinta-feira (13), o governo anunciou a saída do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, após seguidas crises com os filhos do presidente.

Em encontro com jornalistas, Bolsonaro disse na sexta (14) que demitiria também o general Juarez Aparecido de Paulo Cunha da presidência dos Correios por ter comportamento sindicalista.

Nesse mesmo dia, após críticas de Guedes ao relatório apresentado pelo deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o governo é uma “usina de crise”.
No sábado, foi a vez de Bolsonaro ameaçar Levy.

O general do Exército da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas deixou a Funai (Fundação Nacional do Índio) na terça (11).

Desde o começo do ano, o governo registra quedas de nomes ligados à ala ideológica e militar.

Já deixaram o governo, além de Santos Cruz, Ricardo Vélez Rodríguez (ex-ministro da Educação) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral).

A Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil) já foi comandada por Alecxandro Carreiro e Mario Vilalva.

Três já foram demitidos da presidência do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), do MEC.

*Atualizada às 9h23 

BNDES registrou lucro líquido de R$ 6,7 bilhões em 2018

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 6,711 bilhões em 2018, um resultado 8,5% maior que o de 2017. O presidente do banco, Joaquim Levy, destacou o papel do resultado com participações societárias do BNDES, que subiu de R$ 5,1 bilhões em 2017 para R$ 9,9 bilhões em 2018.

“Os resultados de 2018 apontam para duas tendências: de um lado, tem o decorrente da carteira de empréstimo, com uma dinâmica menos intensa, e do outro, é a parte da carteira de participações acionárias e societárias, que tem sido mais intensa tanto pela realização de valores quanto pelo próprio dinamismo da carteira, especialmente na segunda metade do ano”.

O resultado positivo dessas participações se deve em parte ao lucro com vendas de ações, que aumentou de R$ 3,6 bilhões para R$ 6,1 bilhões. Nesse valor, destacam-se os lucros nas vendas de participações na Petrobras, com R$ 2,2 bilhões, e na Vale, com R$ 2,6 bilhões. Ainda que tenha reduzido sua participação, o BNDES também ganhou com a valorização de sua fatia remanescente nessas duas companhias, sendo R$ R$ 1,3 bilhão com a Petrobras e R$ 790 milhões com a Vale.

Apesar desse resultado, Joaquim Levy afirmou que as variações das participações societárias dão maior volatilidade ao capital do banco. “Elas nos dão grandes alegrias, mas são uma fonte de volatilidade. Estamos tentando encontrar ativos para o BNDESpar que diminuam a volatilidade e que tenham maior valor adicionado”, disse ele, que afirmou que o banco vai buscar maior atuação na área de infraestrutura.

Em 2018, a carteira de empréstimos do BNDES passou de R$ 560 bilhões em dezembro de 2017 para R$ 520 bilhões em dezembro de 2018, refletindo a redução de investimentos na economia e o amadurecimento da carteira de crédito, segundo avaliação do banco.

As despesas do BNDES com provisões para risco de crédito somaram R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 2,236 bilhões para empréstimos com o Governo da Venezuela e R$ 2,183 bilhões para empréstimos com  o Governo de Cuba. Já as demais provisões somam R$ 1,479 bilhão.

O balanço também informa que as despesas administrativas e de pessoal se mantiveram em torno de R$ 2,2 bilhões. Houve queda na participação dos lucros dos servidores do banco, de cerca de 74%. A razão dessa redução foi o aumento da parcela de lucro do banco que veio de lucros não recorrentes, como as participações societárias.

Em 2018, houve aumento de 62% no volume de tributos pagos pelo BNDES sobre o lucro líquido. No ano passado, o banco pagou R$ 5,2 bilhões em impostos.

bndes

Ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy comandará BNDES na gestão Bolsonaro

O ex-ministro Joaquim Levy assumirá o BNDES na gestão de Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (12) pela assessoria de imprensa de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia.

Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff no primeiro ano do segundo mandato da presidente e acabou afastado após a tentativa frustrada de fazer um ajuste nas contas públicas.

Nesta segunda, o executivo se despediu de colegas do Banco Mundial, onde ocupava o cargo de diretor financeiro. Ele deve se incorporar à equipe de transição.

Assim como Paulo Guedes, Levy é doutor pela universidade americana de Chicago, berço de economistas liberais.

O nome de Levy circulou no fim de semana. Outros cotados para integrar a equipe econômica de Bolsonaro que foram ventilados são Ivan Monteiro, presidente da Petrobras, e Mansueto Almeida, secretário do Tesouro. A sua permanência nos respectivos cargos, contudo, não foi confirmada até o momento.