Liderança: o eterno desafio

Em palestra para a equipe do Paraná Portal, nesta quarta-feira (12), onde o foco principal foi a “Ética nas Relações do Trabalho”, o consultor de empresas e diretor da Soul Gestão de Essência, Altair Turbay Junior, alinhou código de conduta e reflexões sobre o ser humano no século 21.

Ele pautou o tema aliando ao momento polarizado como agora, quando assistimos, ao vivo, jornalistas trocando socos e tapas e as enxurradas de notícias falsas derramadas sobre as redações e colocando nos ombros dos jornalistas – editores e repórteres – o peso da responsabilidade na comunicação com a sociedade.

Palestra de Altair Turbay Jr, da Soul Gestão de Essência

Turbay Junior resumiu sua palestra sobre a ética, como coletivo quando os nossos valores (cultural e moral) são aplicados a favor do coletivo em que estamos inseridos.

Humildade e harmonia são peças chaves dentro do contexto de desenvolvimento profissional e pessoal em uma organização. Falou em sociedade líquida, defendida pelo filósofo Zigmount Baumman, adaptação, conformidade, angústia, dilemas e propósitos de valor.

Chegando na redação do jornal, abro os e-mails e vejo artigo do professor e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, falando sobre liderança, o que, de certa forma, se relaciona com a palestra de Turbay Junior aos jornalistas do Paraná Portal. Aproveitamos, também, os ensinamentos do Pio, um estudioso de filosofia e economia.

LIDERANÇA: O ETERNO DESAFIO

José Pio Martins

A definição mais divulgada de liderança diz que liderar é a capacidade de influenciar e convencer pessoas. Eu gosto da seguinte definição: “Liderança é a capacidade de influenciar e convencer pessoas, levá-las a acreditar na causa e despertar nelas a vontade de agir em favor de objetivos comuns, sobretudo quando elas são livres para seguir outro caminho.” Em resumo, liderança é o jeito de dirigir pessoas. Independentemente da definição, o líder é alguém que tem certos atributos úteis para atingir fins por meio de pessoas.

O líder é reconhecido segundo sua capacidade real de ter estratégia, deixar claro qual é o propósito, escolher as pessoas certas, comunicar-se com eficiência, dar orientações claras, apoiar o trabalho de seus liderados, valorizar os colaboradores, dividir resultados etc. Um dos atributos fundamentais do líder é o princípio da justiça, o que implica saber ouvir, analisar com isenção e, apenas depois, julgar e decidir.

O que resta claro é que os atributos do líder são úteis em todos os campos da vida: na família, no trabalho, nas atividades sociais e na interação com seres humanos em geral. Na política e na direção das nações, a capacidade de liderar é decisiva para o destino dos povos. Aprender e incorporar os princípios e atributos da liderança é útil não só para o trabalho, para a carreira ou para ganhar dinheiro. É útil, também, para o autodesenvolvimento, o autoconhecimento e a conquista de uma vida bem-sucedida.

O mundo nos oferece exemplos de bons líderes e de maus líderes. O bom líder detém os atributos relativos à liderança e, ademais, tem uma boa causa, uma causa nobre. O mau líder até pode demonstrar os atributos instrumentais da liderança, mas os usa para uma causa ruim, negativa. É grande o número de líderes que usaram sua capacidade de convencer, influenciar e liderar multidões direcionada para uma causa destrutiva.

Alguns exemplos interessantes são Hitler, Stalin, Mussolini, na política, Al Capone, Lucky Luciano, Pablo Escobar, no mundo crime, que demonstraram enorme capacidade de conduzir pessoas e levá-las a realizar coisas. Mas suas causas eram ruins, produtoras do mal. Mesmo assim, ainda hoje eles têm defensores e admiradores, a despeito do rastro de destruição que deixaram atrás de suas ações.

Sempre surge a clássica pergunta: liderança pode ser aprendida? Há atributos da liderança que são inatos, ou seja, já vêm com a pessoa em sua estrutura genética e de personalidade. Mas há atributos que podem ser aprendidos, treinados e melhorados. O filósofo Ortega y Gasset dizia que “a vida nos é dada, mas não nos é dada pronta”, ou seja, o ser humano se faz e se constrói em sua própria existência.

Hoje, há escassez de líderes. A cada eleição vemos chegarem ao poder pessoas sem brilho intelectual, de poucos conhecimentos e até mesmo sem os atributos da liderança. E isso só ocorre porque, muitas vezes, os homens e mulheres do bem não vão para a vida pública. Infelizmente, a política tem afugentado os melhores cérebros, em parte pelo que ela se tornou: uma espécie de valhacouto (abrigo) para incompetentes e corruptos.

Vale dizer que seria injusto não reconhecer que há pessoas brilhantes e honestas atuando na política. Mas, sejamos francos, o número de pessoas desonestas e de parcos conhecimentos em cargos relevantes é bastante grande. É bem verdade que parte dessa realidade se deve ao fato de que a política, sobretudo em cargos eletivos, não é o regime dos melhores, mas o regime dos mais numerosos. Ganha quem tem mais votos, não quem é mais honesto e mais capaz. A técnica de conquistar votos tem sua lógica própria.

Os atributos da liderança são úteis não apenas para uso na atividade profissional, na política ou para ganhar dinheiro; são úteis também como um meio para melhorar a si mesmo e fazer o bem aos outros e à sociedade. É algo que vale desenvolver, estudar e aprender. O Brasil e o mundo precisam de mais líderes, sem os quais o progresso fica difícil.

*José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

O que será do Brasil após 2018?

O desenrolar do noticiário político e econômico – e de suas respectivas crises agravadas nos últimos quatro anos – torna cada dia mais ingrata a tarefa de antever o que será do Brasil daqui uma semana, quem dirá num futuro próximo.

Mas as perspectivas e impasses econômicos não deverão mudar tão cedo. É o que garante o economista e professor José Pio Martins, reitor da Universidade Positivo (UP), que ministra palestra sobre a temática neste sábado (19), a partir das 10h, no auditório do Campus Mercês da UP – antiga Escola Técnica de Enfermagem Catarina Labouré. A entrada é gratuita, sem necessidade de inscrição, em evento realizado pelo Instituto Ciência e Fé de Curitiba.

“O Brasil vive seus quatro piores anos em termos econômicos desde quando começaram as estatísticas oficiais, em 1901. Com cerca de uma hora de duração, a palestra vai abordar os principais problemas, que saídas o país tem para superar a recessão e iniciar uma fase de prosperidade. Ao final, teremos tempo para perguntas do público”, adianta José Pio Martins, que é especialista em Economia Nacional, Administração, Carreira e Finanças Pessoais.

Farão parte da mesa mediadora da palestra o jornalista Fábio Campana, o economista Judas Tadeu Grassi Mendes, fundador da EBS Business School, e Euclides Scalco, diretor do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, ex-deputado federal constituinte e ministro-chefe da secretaria geral da presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso.

 

Palestra: “Futuro do Brasil pós 2018: Impasses e Perspectivas”

Data: Sábado 19 de agosto, às 10h

Local: Universidade Positivo (Campus Mercês)

Endereço: Rua Jacarezinho, 1006

Entrada gratuita

 

Opinião: As liberdades civis e a Lava Jato

colunistaJosé Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo (UP).

Certas coisas só têm seu valor percebido quando não existem ou são perdidas. Em março de 1917, há exatos 100 anos, o czar Nicolau II foi deposto pela Revolução Russa, que chegava ao poder prometendo um governo democrático, não opressivo e defensor da propriedade privada. No fim daquele mesmo ano, a segunda fase da revolução consolidava o poder do Partido Bolchevique, sob a liderança de Vladimir Lenin.

Em 1924, após a morte de Lenin, o novo governo assume tendo Stalin como líder absoluto, e este implanta uma ditadura sanguinária, em que as pessoas são caçadas, torturadas e assassinadas sem acusação formal, sem processo e sem direito de defesa. As expropriações de terras e os confiscos de propriedades privadas, seguidos do assassinato puro e simples dos insurgentes e suas famílias, começam a mostrar àquele povo o quão terrível é viver sem liberdades civis.

O conjunto de liberdades civis compreende o direito à liberdade individual, à privacidade, à propriedade privada, à livre expressão e ao livre exercício religioso. Essas liberdades existem para proteger os indivíduos contra o abuso do poder estatal. No balanço de forças, o Estado é o gigante armado e o indivíduo é a formiga sem armas, razão por que é necessário limitar os poderes do governo e, na prestação da justiça, garantir um processo jurídico regulado por formalidades e restrições processuais que protejam os inocentes do arbítrio das autoridades.

Em uma sociedade livre, alguém somente pode ser acusado, investigado, indiciado, denunciado, julgado, condenado e preso desde que todos os agentes de Estado – polícia, promotores, juízes, desembargadores etc. – estejam submetidos à Constituição, às leis, à obrigação de provar suas acusações, garantindo-se ao acusado o direito de ampla defesa e contraditório e, diante da sentença de um juiz de primeiro grau, o direito de recurso ao tribunal de segunda instância e, conforme o caso, à terceira instância.

De vez em quando ouvimos que a Lava Jato é fascista e que o juiz Sergio Moro só manda prender gente do PT. Quem faz esse tipo de afirmação desconhece o “devido processo legal” e não entende que a polícia e o Ministério Público investigam, apuram fatos, produzem provas, ouvem testemunhas e, se os promotores julgarem ter base para denunciar o acusado, eles oferecem denúncia ao juiz, a quem cabe aceitar ou não a denúncia. Se aceitar, o acusado vira réu e segue-se um longo processo de acusação e defesa, tudo com base nas normas do Código de Processo Penal.

Em um Estado de Direito é assim que funciona, e isso nada tem a ver com ditaduras fascistas, nas quais o direito de defesa não há ou, quando há, é uma farsa. Ditadores mandam matar e pronto. Ou não foi assim na ditadura cubana, tão amada pelas esquerdas brasileiras? Em sociedades livres, o juiz não toma iniciativa de acusar nem processar ninguém. Não é esse seu papel. O juiz só atua se lhe chegarem processos que tenham passado por todas as etapas anteriores; ele tem de seguir as leis do processo e, se cometer excessos, o réu tem mais duas instâncias para recorrer.

Em uma sociedade civilizada, as liberdades civis e o devido processo legal são pilares da prosperidade material e do bem-estar individual. A defesa que os liberais fazem do capitalismo baseia-se no fato de que é o melhor sistema para produzir riqueza, mas também por ser o único sistema baseado na propriedade privada, sem a qual não há liberdades civis. O socialismo marxista é o inverso de tudo isso.