Condenado por “Caso do Morro do Boi” morre no presídio, diz advogado

Juarez Ferreira Pinto, condenado a 65 anos de prisão pelos crimes de latrocínio e atentado violento ao pudor no episódio conhecido como “Caso do Morro do Boi”, faleceu no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, neste sábado (14), aos 51 anos.

De acordo com o advogado Cláudio Dalledone, responsável pela defesa de Juarez, o detento era portador do vírus da Aids, Hepatite B e Cirrose e o presídio não tinha estrutura para atender as demandas médicas do paciente.

Morro do Boi – Foto: Divulgação SESC

“No entendimento da defesa, e mesmo dos médicos do CMP, um paciente com um quadro de saúde tão agravado como o de Juarez não teria condições de ser tratado adequadamente no Complexo Médico Penal. Por se tratar de um caso de morte iminente, a defesa persistiu na concessão do benefício, no entanto não houve tempo e Juarez veio a falecer”, diz Dalledone.

A defesa havia entrado com pedido de prisão domiciliar, que foi acatado em 2014 e revogado a pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR) em 2017.

Ainda de acordo com o advogado, o presídio havia remetido nova informação ao Poder Judiciário sobre a falta de estrutura para atender Juarez, na sexta-feira (13). Juarez chegou a ser encaminhado e atendido no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na RMC.

Foto: Reprodução

O caso

Os crimes aconteceram em janeiro 2009, em Matinhos no Litoral do Paraná.

De acordo com o Ministério Público, Juarez é o responsável pelo latrocínio do estudante Osíris Del Corso, de 22 anos e por tentativa de atentado violento ao pudor e latrocínio de Monik Pergorari Lima, que na época tinha 23 anos.

O casal andava por uma trilha do Morro do Boi no momento dos crimes. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Monik relatou que o Juarez abordou o casal na trilha para a Praia dos Amores, Osíris teria a defendido de um estupro e foi baleado no peito. O agressor desapareceu e retornou para violentar Monik, que ficou paraplégica.

As vítimas só foram encontradas na tarde do dia seguinte.

Veja a nota na íntegra:

“A defesa de Juarez Ferreira Pinto, sentenciado a 65 anos de prisão pela prática de crime de latrocínio e atentado violento ao pudor, no episódio que ficou conhecido como “Caso do Morro do Boi” vem a público lamentar que todos os avisos e pareceres de que o detento não poderia cumprir pena no Complexo Médico Penal (CMP), em decorrência de seu grave estado de saúde, tenham sido sumariamente ignorados. Mesmo diante de um parecer do próprio médico do CMP, informando que a unidade não dispunha da estrutura necessária para atender o paciente Juarez, portador do vírus da AIDS, HEPATITE B e CIRROSE, ainda assim a decisão de revogar o benefício de prisão domiciliar a Juarez foi mantida pela Justiça a pedido do Ministério Público Estadual.
Juarez faleceu neste sábado, dia 14 de abril. Antes disso, na sexta-feira, dia 13, o Complexo Médico Penal havia remetido nova informação ao Poder Judiciário, alertando a insuficiência de estrutura para atender o enfermo. Desde 2017, quando o Ministério Público pediu e conseguiu a revogação do benefício da prisão domiciliar, concedido em dezembro de 2014, a defesa de Juarez aguarda o julgamento do recurso impetrado contra a decisão.
No entendimento da defesa, e mesmo dos médicos do CMP, um paciente com um quadro de saúde tão agravado como o de Juarez não teria condições de ser tratado adequadamente no Complexo Médico Penal. Por se tratar de um caso de morte iminente, a defesa persistiu na concessão do benefício, no entanto não houve tempo e Juarez veio a falecer.”