Caixa reduz quase pela metade taxa de juros do cheque especial; nova taxa será de 4,99%

A Caixa Econômica Federal anunciou, nesta terça-feira (12), a redução da taxa de juros do cheque especial de 8,99% para 4,99% ao mês.

“A Caixa devolve à sociedade, e em especial aos mais humildes, os resultados recordes que teve, [com] redução para abaixo de 5% [a taxa do cheque especial]. É um banco preocupado com a igualdade, com a distribuição de renda. Isso é absolutamente matemático e meritocrático”, disse o presidente do banco, Pedro Guimarães.

“Esse juros de 4,99% ainda é extremamente elevado. Nós continuamos automaticamente estudando a contínua melhora econômica do Brasil, e poderemos continuar abaixando, mas a eventual piora também leva ao aumento”, disse Guimarães.

A Caixa anunciou ainda uma nova linha de crédito imobiliário indexado ao IPCA, com taxas a partir de 2,95% ao ano mais o IPCA, representando uma parcela 40% menor em relação ao financiamento indexado à TR.

RESULTADO

O lucro líquido da Caixa Econômica Federal cresceu 66,7% no terceiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2018. Segundo o balanço do terceiro trimestre do banco divulgado hoje (12), o lucro líquido chegou a R$ 8 bilhões. Na comparação com o segundo trimestre, o lucro líquido teve alta de 90,6%, quando foi registrado lucro de R$ 4,212 bilhões.

A Caixa ainda anunciou que mais de mil novos pontos de atendimento serão abertos até março de 2020.

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Competição entre bancos reduz juros do crédito imobiliário

Com a competição entre os bancos, em um cenário com taxa básica de juros (a Selic) no menor nível histórico, os juros do crédito imobiliário estão em queda. Entre os cinco maiores bancos, a taxa mínima varia entre 7,30% ao ano a 7,99% ao ano.

No último dia 8, após bancos privados, a Caixa Econômica Federal anunciou redução de até 1 ponto percentual nas taxas de juros para os financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). A menor taxa passou de 8,5% ao ano para 7,5% ao ano; e a maior de 9,75% ao ano para 9,5% ao ano. As novas taxas serão válidas a partir desta segunda-feira (14).

O professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista no mercado imobiliário Pedro Seixas afirma que os bancos “despertaram” para o crédito imobiliário devido à demanda habitacional. “É uma linha de crédito que cria uma relação de longo prazo com o cliente e tem garantia real que é o próprio imóvel. É um crédito muito interessante também para os bancos e eles despertaram para essa modalidade e estão competindo mais pelo mercado”, disse.

Para Seixas, ainda há espaço para redução dos juros, não somente por influência da redução da Selic, mas também por causa da linha de crédito corrigida pela inflação, lançada pela Caixa Econômica Federal.

A nova linha tem saldo corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nesse financiamento, a taxa mínima é o IPCA mais 2,95% ao ano e a máxima, o IPCA mais 4,95% ao ano. Nas outras modalidades, a correção é pela Taxa Referencial (TR). “Essa inovação tem potencial de impacto muito grande na competitividade e, portanto, de redução dos custos para as famílias”, disse Seixas.

A Caixa lidera o mercado de financiamento imobiliário, com 69% de participação.

Portabilidade

Para o professor da FGV, as reduções nas taxas de juros estimulam a portabilidade do crédito imobiliário. “Os juros mais baixos tendem a beneficiar a portabilidade de contratos antigos, com taxas menos interessantes”, disse. Entretanto, antes de aderir à portabilidade, ele aconselha a analisar os custos com cartório, a taxa do contrato original e o tempo que ainda resta para quitar o empréstimo.

Taxas de juros

O banco Santander informou que iniciou a redução das taxas do crédito imobiliário ainda em 2017. Em julho deste ano, foi feito o terceiro corte, com taxa mínima chegando a 7,99% ao ano.

No final de setembro, foi a vez dos demais bancos. O Bradesco anunciou redução da taxa de juros mínima de sua linha de crédito imobiliário de 8,20% ao ano mais TR para a partir de 7,30% ao ano mais TR, com taxas válidas a partir deste mês. No Banco do Brasil, a taxa mínima foi reduzida para 7,40% ao ano mais TR. No Itaú Unibanco, a taxa mínima foi ajustada para 7,45% ao ano mais TR.

Apesar das reduções, nem sempre o cliente consegue fazer o financiamento com a taxa mínima porque o banco avalia o perfil do cliente, o histórico de relacionamento, o prazo do financiamento, entre outros critérios, para definir a taxa. Além disso, os bancos oferecem as taxas mais baixas para novos contratos ou para casos de portabilidade, que é a transferência do contrato de um banco para outro, com condições mais benéficas para o cliente.

Especialistas orientam os clientes a observarem não somente a taxa de juros, mas o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento, que inclui além dos juros, outros custos como seguros e taxas administrativas.

Modalidades de crédito imobiliário

As principais modalidades de crédito no momento atual têm recursos captados, principalmente, dos depósitos de poupança pelos bancos e outras instituições financeiras integrantes do SBPE, composto pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

O SFH é voltado para os financiamentos de imóveis de menor valor e tem parte das unidades financiadas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Esse sistema é regulamentado pelo Governo Federal, que estabelece condições como o valor máximo de avaliação do imóvel igual a R$1,5 milhão e o custo efetivo máximo igual a 12% ao ano.

O SFI é destinado a imóveis mais caros, sem cobertura do FGTS e sem regulamentação do governo.

Além dessas modalidades e da nova linha com correção pelo IPCA da Caixa, ainda há a modalidade Pró-Cotista do FGTS, oferecida por alguns bancos. O Pró-Cotista é uma linha de financiamento que utiliza os recursos do Programa Especial de Crédito Habitacional ao Cotista do FGTS. O programa financia imóveis novos e usados e tem prazo de até 30 anos. Para contratar um financiamento nesta linha, é preciso ter conta ativa no FGTS e um mínimo de 36 contribuições. Caso a conta esteja inativa é necessário ter saldo superior ou igual a 10% do valor do imóvel.

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Índice de Confiança da Indústria cresce pelo terceiro mês consecutivo, diz pesquisa

O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) registrou alta em setembro, alcançando o patamar de 59,6 pontos em uma escala que vai até 100.

O índice anterior, referente ao mês de agosto, era de 59,4 pontos. Há um ano, em setembro de 2018, o índice calculado pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) era de 52,1 pontos.

O aumento da confiança do empresário do meio industrial no Paraná acompanha os resultados analisados em âmbito nacional. O índice calculado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) é bem próximo ao resultado estadual: 59,4 pontos.

Segundo a Fiep, o aumento do índice de confiança na Indústria pode estar ligado a uma expectativa por melhora no cenário econômico. Nesta semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu mais uma vez a taxa básica de juros, que passou de 6% para 5,5% ao ano.

O Boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), apontou uma previsão de inflação de 3,45% para 2019 — abaixo da meta do governo, que é de 4,25%.

Greve dos servidores e movimento de militares batem à porta do Palácio Iguaçu

A greve dos servidores públicos, puxada pelos professores e programada para o dia 25 de junho, somada ao movimento dos policiais militares – ativa e reserva- pelo pagamento de 4,94% referente à inflação dos últimos 12 meses, leva o governador Ratinho Junior a experimentar a primeira greve em seus seis meses de governo.

Os servidores fecharam questão pela paralisação geral no Estado durante assembleia na APP-Sindicato no sábado (15) e os militares, unidos em 25 associações, se reúnem nesta segunda-feira, para decidirem quais as medidas irão tomar também em em relação ao reajuste inflacionário e data-base que venceu em maio.

Polícia Militar

“Estamos no limite. Realizamos oito reuniões com representantes do governo e em nenhuma delas o governador participou, o que demonstra descaso e falta de respeito com os militares”, disse o presidente da Associação da Vila Militar da PM, Coronel Washington Rosa. “O governador Ratinho Junior, quando deputado e mesmo em campanha, sabia da situação dos militares e mesmo assim hoje nos ignora”, observou o coronel.

Segundo o presidente da associação representativa da Polícia Militar, a “situação junto a alguns setores da Polícia Militar está crítica e estamos contornando grupos radicais que ameaçam até fechar quarteis. Não vamos permitir isso em respeito à sociedade e à própria imagem da Polícia Militar, mas o governador precisa nos respeitar e, pelo menos, nos ouvir pessoalmente”, disse.

Professores

De acordo com a APP-Sindicato, que representa os professores do Estado, e a maior massa de servidores, a atual gestão segue a prática do ex-governador Beto Richa (PSDB) de subestimar as previsões de arrecadação para tentar justificar a falta de reajuste ao funcionalismo público.

Sem reajuste desde 2016, os servidores contabilizam cerca de 17% de defasagem nos rendimentos, o que representa cerca de dois meses de salários por ano. Agora, com a data-base vencida em maio, a categoria reivindica 4,94% de reajuste referente a inflação dos últimos 12 meses e uma proposta para o pagamento dos reajustes dos anos anteriores.

Segundo o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, a categoria deve enviar cartas aos alunos, pais e comunidade para explicar a necessidade da greve. “Nós não estamos indo para uma greve como um instrumento que usamos a cada ano. Nós estamos no quarto ano sem qualquer reajuste salarial”, explica.

Ele também lembra de atitudes de governo que contradizem o discurso de falta de recursos. “Ao invés do governador Ratinho Júnior debater com os servidores, ele faz uma política de R$ 11 bilhões de isenções para grandes empresários enquanto o nosso reajuste salarial – que é infinitamente menor – continua com o discurso da impossibilidade”, comenta Hermes Leão.

Governo do Paraná

Por meio de nota, o Governo afirmou que tem intenção de manter conversas com os servidores para encontrar as soluções necessárias e reiterou que, em uma reunião na semana passada, ficou acertado que as negociações seguiriam abertas.

Leia a íntegra da nota: 

“O diálogo é único caminho para o entendimento. Por isso, o Governo do Paraná reafirma a intenção de manter o debate pleno com os servidores estaduais para que sejam encontradas, de maneira conjunta, soluções para as questões que envolvem aumento da despesa com a folha de pagamento do funcionalismo.

Na última sexta-feira (14), um grupo de dirigentes do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) foi recebido no Palácio Iguaçu e apresentou relatório da entidade a respeito das contas públicas. Ficou ajustado que os dados serão avaliados e as negociações permaneciam abertas, de forma que possam ser encontrados pontos de consenso e interesse comum.

Isso está mantido. A equipe do governo está trabalhando com o objetivo de encontrar um caminho de equilíbrio, que não coloque em risco as contas públicas, e não acredita que qualquer medida extrema seja o caminho a ser seguido por parte das lideranças sindicais.”

Clientes terão mais poder de negociação com Open Banking

A expressão Open Banking tem sido usada para definir um novo modelo de compartilhamento dos dados acumulados pelas instituições financeiras. Na prática, os bancos terão que fornecer todas as informações movimentações com dinheiro feitas pelo cliente, via aplicativos – APIs (Application Programming Interface ou Interface de programação de aplicações) – permitindo que haja integração com outras empresas.

E como isso pode ser útil para o consumidor?  Ao longo do tempo de relacionamento com um banco, a instituição acumula dados que podem ser usados para uma série de situações.  No sistema fica registrado quantos cartões de crédito estão em uso, os pagamentos feitos à vista ou parcelados, os limites utilizados e quais produtos são mais consumidores, por exemplo. E principalmente, se o cliente é bom ou mal pagador. Isso norteia a taxa de juros e a linha de crédito que pode ser disponibilizada no momento da aquisição de um empréstimo para compra da casa própria ou a liberação de recursos para um novo empreendimento com taxas menores e mais vantajosas.

Antes, essa “vida financeira” do cliente era de propriedade apenas do banco. E ao trocar de empresa, o cliente tinha que começar do zero, sem as vantagens que tinha na outra instituição. Com o Open Banking, isso vai mudar. O consumidor terá direito de compartilhar os dados e conseguir melhores taxas e descontos para levar sua conta para onde quiser.  Na Europa esse modelo já funciona deste janeiro de 2018.

No Brasil, o governo divulgou prazo para que até 2010 o novo modelo esteja em funcionamento. Até lá, haverá tempo para que sejam feitas as adaptações tecnológicas necessárias, que garantem a credibilidade e segurança do sistema.

Para a advogada Natália Brotto, Especialista em Direito Constitucional pela Academia Brasileira de Direito Constitucional, as novas regras trarão avanços. Ela explica que os bancos deverão seguir regras para implementar o Open Banking, mas a expectativa é de que a autorregulação fique a cargo das próprias instituições participantes, que vão cuidar da padronização tecnológica e de procedimentos operacionais, padrões e certificados de segurança e implementação de interfaces.

“Extremamente interessante porque representa uma abertura de sistema, um aumento de concorrência e possibilita a entrada de novos players no mercado. A partir dessa abertura, o correntista vai conseguir escolher o melhor serviço, não a melhor taxa”, explica ela.

Natália também relata que o Brasil está atrasado em relação aos Estados Unidos por exemplo, onde isso já acontece e funciona bem. Com a maior transparência entre as transações, será possível ter melhores condições de negociação. Outro ponto positivo citado por ela é o viés tecnológico.  “Hoje é  muito comum ter conta de um banco, cartão em outro, um consórcio em outra instituição, e por aí vai.  Com o Open Banking, tudo estará disponível e interligado em uma só plataforma, permitindo um controle financeiro maior por parte do cliente”, finaliza.

 

BC não está contente com nível de juros e spread, diz Campos Neto

O Banco Central (BC) não está contente com o nível das taxas de juros no país, afirmou o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, na apresentação do Relatório de Inflação, divulgado hoje (28).

Campos Neto disse que o spread [diferença entre taxa de captação do dinheiro pelos bancos e a cobrada dos clientes] é alto, principalmente devido à inadimplência. Ele disse que, na composição do spread, 35% são de inadimplência; 25%, custo operacional; 25%, custo financeiro; e 15%, lucro.

O presidente do BC informou ainda que a recuperação do crédito pelos bancos, quando se tem inadimplência, é R$ 0,13 por cada R$ 1 emprestado e isso leva quatro anos. Já países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, a recuperação é de R$ 0,60 a R$ 0,70, em menor tempo: um ano e meio ou dois. “Temos que fazer um trabalho enorme na parte de recuperação”, disse Campos Neto. Ele acrescentou que estão sendo criados mecanismos para melhorar a garantia dos empréstimos e destacou que a instituição tem trabalhado para reduzir os compulsórios (dinheiro que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC), considerados ainda altos.

“O que precisamos fazer é trabalhar nessas microrreformas. Estamos trabalhando fortemente nisso. Não estamos contentes com o nível [de spread] que temos hoje”, disse.

Taxa Selic

Campos Neto, que comandou neste mês sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), disse que não quis modificar a forma como o BC vinha tomando suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. “Tivemos a preocupação de manter a narrativa descrita anteriormente de olhar os três fatores determinantes das reuniões anteriores: ociosidade [dos fatores de produção da economia], parte externa [economia global] e as reformas [como a da Previdência].”

Ele acrescentou que a única mudança foi comunicar que o balanço de riscos para a inflação deixou de ser assimétrico e passou a ser simétrico. Na ata da reunião do Copom, o comitê avalia os riscos para a inflação. Para o comitê, o nível de ociosidade da economia pode levar à inflação a ficar abaixo do esperado. Por outro lado, diz o Copom, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira pode afetar prêmios de risco (retorno adicional cobrado por investidores para aceitar correr maior grau de risco) e elevar a trajetória da inflação. “O risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes”, destacou.

Sobre a piora do cenário político, Campos Neto disse que é importante o Copom abstrair-se de “ruído de curto prazo”. “Tentamos fazer uma análise de mais médio e longo prazo”, ressaltou.

Campos Neto disse ainda que trabalha com a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência. Segundo ele, o importante é que o mercado também mantenha a expectativa de que a reforma será aprovada para que a economia cresça e a inflação fique baixa.

Mercado de câmbio

Sobre o leilão anunciado para esta sexta-feira (29) de US$ 3 bilhões das reservas internacionais com o compromisso de compra, Campos Neto disse que esse era o tipo de operação adequada para o momento. “Não existe nenhuma mudança de estratégia em relação ao câmbio. O câmbio é flutuante. Vamos fazer as operações visando suprir liquidez [recursos disponíveis] do mercado”, disse.

Nos últimos dias, o dólar tem enfrentado fortes oscilações num cenário de instabilidade na economia internacional e de tensões domésticas com as negociações em torno da reforma da Previdência.

Juros do cheque especial e do rotativo do cartão sobem

Os clientes de instituições financeiras que caíram no rotativo do cartão de crédito ou usaram cheque especial pagaram juros mais caros em dezembro de 2018, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados nesta terça-feira (29).

A taxa de juros do cheque especial subiu 6,9 pontos percentuais, em relação a novembro, ao chegar em 312,6% ao ano, em dezembro. No ano, entretanto, houve recuo de 10,4 pontos percentuais nessa taxa de juros.

As regras do cheque especial mudaram no ano passado. Os clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos passaram a receber a oferta de um parcelamento, com taxa de juros menores que a do cheque especial definida pela instituição financeira.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a alta da taxa média do cheque especial em dezembro ocorreu porque uma instituição financeira aumentou os juros dessa modalidade. Além disso, os clientes que permaneceram no cheque especial em dezembro, mês de pagamento do 13º salário, são avaliados com maior risco de inadimplência pelos bancos e pagam juros mais caros.

“As taxas dos juros do cheque especial são as maiores disponíveis no mercado. São linhas de emergência para não serem usadas e se forem usadas, para sair o mais rápido possível”, explicou Rocha. Ele acrescentou que o saldo do cheque especial não cresceu em 2018, indicando que menos pessoas estão usando essa modalidade de crédito.

Rotativo do cartão
A taxa média do rotativo do cartão de crédito subiu 5,6 pontos percentuais em relação a novembro, chegando a 285,4% ao ano, no mês passado. No ano, houve redução de 46,7 pontos percentuais.

Pelos dados do BC, os bancos reduziram a taxa do rotativo dos consumidores inadimplentes, mas aumentaram os juros daqueles que pagam pelo menos o mínimo da fatura em dia. A taxa média é formada com base nos dados de consumidores adimplentes e inadimplentes. No caso do consumidor adimplente, que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 268% ao ano em dezembro, com aumento de 12,4 pontos percentuais em relação a novembro e de 30,7 pontos percentuais no ano.

A taxa cobrada dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (rotativo não regular) subiu 0,9 ponto percentual de novembro para dezembro e caiu 97,4 pontos percentuais no ano. A taxa encerrou 2018 em 297,7% ao ano.

O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida.

CMN
Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. Essa regra entrou em vigor em junho deste ano. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não será igual porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa.

Modalidades caras
As taxas do cheque especial e do rotativo do cartão são as mais caras entre as modalidades oferecidas pelos bancos. A do crédito pessoal, por exemplo, ficou em 107,3% ao ano em dezembro, com redução de 15,6 pontos percentuais na comparação com o mês anterior. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) chegou a 24,2% ao ano, com redução de 0,1 ponto percentual em relação a novembro.

A taxa média de juros para as famílias caiu 2,7 pontos percentuais para 48,9% ao ano. Essa é a menor taxa desde setembro de 2014, quando ficou em 48,3% ao ano. A taxa média das empresas caiu 1,5 ponto percentual, atingindo 18,8% ao ano.

A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas, permaneceu em 4,8%. No caso das pessoas jurídicas, houve recuo de 0,3 ponto percentual para 2,7%. Esses dados são do crédito livre em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado.

No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura) os juros para as pessoas físicas subiu 0,1 ponto percentual para 7,8% ao ano. A taxa cobrada das empresas caiu 0,8 ponto percentual para 8,4% ao ano. A inadimplência das pessoas físicas caiu 0,2 ponto percentual enquanto das empresas permaneceu em 2%.

Juros do cartão voltam a patamar do início das novas regras do rotativo

Os juros do rotativo do cartão de crédito voltaram a subir em novembro e estão em nível próximo do registrado no primeiro mês de entrada em vigor das novas regras para uso da linha.
A taxa de juro anual ficou em 255,6% ao ano, alta de 37,5 pontos percentuais em 12 meses, segundo dados do Banco Central. Em maio de 2017, o juro era de 258,5%.
As novas regras do rotativo entraram em vigor em abril do ano passado, e maio foi o primeiro mês em clientes que estivessem no rotativo deveriam ser migrados para uma linha de parcelamento com taxas mais baratas. Antes disso, os juros rondavam os 500% ao ano.

Neste período, a taxa Selic (o custo básico do crédito para os bancos) caiu de 11,25% para 6,5% ano ano.Houve um crescimento no uso da linha de parcelamento no cartão, para R$ 4,5 bilhões. É para essa linha que clientes que não conseguem pagar o saldo do rotativo no segundo mês são migrados, mas a conta inclui ainda parcelamento do total da fatura, saques parcelados e compras parceladas com juros.

O juro médio cobrado nesta linha é de 161,5% ao ano. A inadimplência avançou a 3,2% entre esses clientes. Em novembro do ano passado, era de 1,6%. O cheque especial é a linha de crédito de juros mais elevados do sistema financeiro, a 305,7% ao ano, apesar da queda de 18 pontos percentuais na comparação com novembro do ano passado.

O programa lançado pelos bancos para reduzir o endividamento de clientes surtiu pouco efeito. Em novembro, foram emprestados R$ 31,8 bilhões em cheque especial. A inadimplência é de 13,6%.
Os bancos conseguiram, porém, reduzir a inadimplência nas dívidas renegociadas. Os calotes caíram de 17,4% a 14,7%.

Os dados do BC mostram ainda que o spread (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada nos empréstimos) voltou à tendência de alta após ter recuado. Em novembro, o spread foi de 18,2 pontos percentuais –na mínima alcançada em junho, a diferença foi de 17,7 pontos. Neste mês, a Febraban lançou um livro em que aponta medidas que considera necessárias para a redução dos juros. De 21 ações, apenas 1 caberia aos bancos.

Procurada, a Febraban (federação dos bancos) afirmou que a redução das taxas de juros não é linear e pode ser afetada por motivos sazonais ou razões específicas de mercado. “Estas flutuações pontuais não mudam a tendência que é de queda das taxas de juros e dos spreads”, disse a entidade em nota.

Juros nos EUA e eleição no Brasil afetam dólar

A confirmação da já esperada alta na taxa de juros americana e a divulgação de pesquisas de intenção de voto para presidente derrubaram em mais de 1% o valor do dólar nesta quarta-feira (26).
A Bolsa teve dia volátil, alternando entre perdas e ganhos.

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) confirmou a expectativa do mercado ao elevar em 0,25 ponto percentual a taxa de juros, para o intervalo de 2% a 2,25% ao ano. Foi o terceiro aumento promovido neste ano.

Para 2019, o BC dos EUA sinalizou mais três altas e um outro aumento em 2020. Isso colocaria os juros em 3,4%.

Notícias de alta de juros nos Estados Unidos tendem a motivar a valorização do dólar ante divisas emergentes, porque incentivam investidores a retirar dinheiro aplicado em países considerados arriscados.

No entanto, o mercado reagiu de forma distinta nesta quarta. O dólar chegou a recuar para a mínima de R$ 4,0110 e fechou em queda de 1,39%, a R$ 4,0260. O valor é o menor desde 21 de agosto.

“Havia algum temor de que o Fed poderia indicar mais aumentos dos juros no próximo ano, mas ele manteve a previsão de que devem ocorrer mais três novas altas em 2019”, explicou o economista-chefe da corretora Guide, Victor Candido.

De uma cesta de 24 divisas emergentes, o dólar perdeu valor para a metade delas. No cenário doméstico, o mercado foi pautado por pesquisas eleitorais.

O levantamento do Paraná Pesquisas colocou Jair Bolsonaro (PSL) à frente de Fernando Haddad (PT) em uma eventual disputa no segundo turno. A notícia foi vista com otimismo por investidores.

Durante a tarde, nova pesquisa Ibope, encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), reestabeleceu o cenário de vantagem do petista. O noticiário externo ofuscou, no entanto, a atenção de investidores.

O Ibovespa, principal índice acionário, ganhou 0,03%, a 78.656 pontos.

Banco Central mantém taxa de juros em 6,5% ao ano

Sem surpresas, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter nesta quarta-feira (19) a taxa básica de juros da economia na mínima histórica de 6,5% ao ano. A estabilidade da Selic era a aposta de 37 dos 38 analistas consultados pela agência Bloomberg. Essa é a quarta manutenção seguida da taxa, após o Banco Central encerrar em maio o ciclo de cortes.

As incertezas políticas no período pré-eleitoral fizeram o dólar disparar quase 10% ante o real desde a última reunião do Copom, em 1º de agosto, levantando receios sobre pressão inflacionária.
O ritmo ainda fraco da economia, no entanto, é apontado por especialistas como justificativa para a manutenção dos juros em níveis baixos.

Luis Afonso Lima, economista chefe da Mapfre Investimentos, define a situação da autoridade monetária como ingrata. De um lado, diz, a atividade econômica está fraquíssima. Ele cita dados do IBGE sobre os setores em julho, que apontaram queda de 2,2% no volume de serviços, na comparação com junho, retração de 0,5% no comércio varejista e recuou de 0,2% na produção industrial.
“Se olhar para frente, condicionantes como mercados de trabalho e de crédito e confiança também são ruins”, completa. A taxa de desemprego ficou de 12,3% no trimestre encerrado em julho.

Diante da falta de ânimo para gastar dos brasileiros, o IPCA, que mede a inflação oficial do país, recuou 0,09% em agosto, a menor taxa para o mês desde 1998. Em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA é de 4,19%. O centro da meta estabelecido pelo Banco Central para 2018 é 4,5%. “A inflação do Brasil vem sob controle e isso já considerando os efeitos da greve de caminheiros”, afirma  André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP. Por outro lado, Lima ressalta que a forte depreciação do real nas últimas semanas gera alguma receio com a inflação. “Num primeiro momento, não é ainda uma preocupação latente, mas sabemos que ela pode aumentar ao longo do tempo”, afirma.

Uma conta comum entre economistas é que uma depreciação cambial de 10% elevaria em cerca de 0,5 ponto percentual a inflação. O “contágio” pode afetar sobretudo itens como combustíveis e energia.

Economistas ponderam que, com a economia em ritmo lento, esse pass-through (repasse) da taxa de câmbio para índices de preços tem se mostrado limitado, já que muitas empresas preferem reduzir margem do que passar custos para o preço final a um consumidor já retraído.

“Os modelos dão um choque no câmbio e avaliam como isso impactaria preço. Esse efeito costuma chegar à economia em seis a nove meses, mas como a atividade está muito fraca, a capacidade de repasse de preços é menor”, explica Diz.

PERSPECTIVAS

Para o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima (associação das entidades de mercado), os efeitos da desvalorização do real na inflação ainda não podem ser completamente mensurados, seja pelas dúvidas quanto à persistência do atual patamar do câmbio, seja pelas incertezas quanto às defasagens do repasse aos preços.

A despeito de esses efeitos serem limitados pelo grau de ociosidade da economia, o Comitê avalia como provável que a trajetória do câmbio eleve as expectativas de inflação.

Na última pesquisa Focus do Banco Central com economistas, divulgada na segunda-feira (17), as previsões para o IPCA no fim do ano subiram de 4,05% para 4,09%. A expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto), porém, caiu de crescimento de 1,4% para 1,36%. Assim, a projeção para a Selic foi mantida em 6,5%.

No cenário externo, por exemplo, o Comitê destacou que a trajetória de crescimento da economia americana somada a tensões relacionadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China reforça a aversão ao risco para os países emergentes.

Nesta semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a ampliação da lista de produtos chineses sobretaxados. Pequim prometeu retaliar e acionou a OMC (Organização Mundial do Comércio), acusando os EUA de protecionismo.

“O ambiente externo se tornou mais volátil com a escalada de medidas protecionistas, diminuição do apetite ao risco e deterioração das condições de mercado para economias emergentes”, escreveram os analistas do banco BTG Pactual em relatório.

O Comitê da Anbima avalia que, se reformas avançarem no próximo ano, aumentam as chances de recuperação do quadro fiscal, o que poderia melhorar as expectativas do cenário econômico e diminuir riscos para a inflação e os juros. Caso contrário, diz, a percepção de risco da economia pode aumentar, com reflexos negativos na trajetória da taxa de câmbio e da inflação.
Alguns analistas, que ainda não são a maioria no mercado, projetam a possibilidade de um aumento da Selic já na reunião do Copom em dezembro deste ano.