Encolhimento expressivo da demanda puxa queda de preços do leite no Paraná

Depois de um começo de ano em que se observou a recuperação do mercado de lácteos, os preços do leite voltaram a cair no primeiro decêndio de julho, acentuando a queda que se registrava em junho. O movimento – considerado atípico para esta época do ano – está diretamente relacionado ao aumento da captação e à redução expressiva da demanda. O cenário foi apresentado na reunião do Conselho Paritário Produtores/Indústria do Leite do Paraná (Conseleite-PR), realizada na sede da FAEP, em Curitiba, nesta terça-feira (23).

O colegiado – formado por produtores e representantes de indústrias lácteas do Estado – aprovou o valor de referência de R$ 1,0549 para o litro de leite entregue em julho a ser pago em agosto. A queda é de 7,06%, que corresponde a R$ 0,0801. O recuo foi maior do que o próprio setor esperava. O preço de referência serve de base para formação dos preços pagos aos produtores. Ao longo da negociação com a indústria, este valor é acrescido, a partir de itens de qualidade e volume do produto comercializado.

“A partir de abril e maio, historicamente, a gente tende a ver preços crescentes, pelo comportamento do próprio mercado. Mas diferentemente do normal, assistimos à redução de preços de produtos importantes, que afetaram o resultado. Pode ser um choque de oferta”, observa Vânia Guimarães, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

As perspectivas negativas puxadas pela queda do consumo de lácteos e derivados acabou se mostrando mais severa do que o setor previa. Dois produtos cuja comercialização pode ser considerada “termômetro” do mercado, o leite UHT e o leite cru tiveram variações negativas bastante significativas e acima da média dos outros produtos. O encolhimento dos preços, no entanto, foi registrado de forma generalizada entre os produtos lácteos, com exceção da bebida láctea, que se manteve estável.

“Foi o pior julho de muitos anos, desde que fazemos esse acompanhamento”, disse o pesquisador José Roberto Canziani, também professor da UFPR. Os pesquisadores destacam que este panorama se contrapõe ao início do ano, quando os preços reais pagos aos produtores ficaram bem acima dos praticados em anos anteriores.

O preço de referência é calculado a partir dos preços de venda dos produtos por parte das indústrias que fazem parte do Conseleite. O objetivo é que se chegue a um valor justo e com transparência – de acordo com a realidade do mercado – e que sirva de base para remuneração do produto no Estado. Para isso, pesquisadores da UFPR criaram uma metodologia para o cálculo, levando em conta índices oficiais e valores praticados pelo mercado atacado do Paraná.

Novas regras passam a regular produção e processamento do leite

Desde o dia 30 de maio de 2019, estão valendo as novas regras para produção e padrão de qualidade do leite cru, pasteurizado e tipo A. O intuito dessas medidas é estabelecer critérios para obtenção de leite de qualidade e seguro ao consumidor, da produção até a industrialização. As normas constam nas Instruções Normativas (INs) 76 e 77 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que substitui a antiga regulamentação, a IN 62.

Baixe o boletim de rádio sobre a matéria das novas INs do leite.

Para o produtor, por exemplo, aspectos como organização da propriedade rural, instalações e equipamentos utilizados estão abarcados dentro dessa regulamentação. Na parte da indústria, foram definidos aspectos como o transporte e higienização de tanques, a necessidade de desenvolver programas de capacitação de fornecedores, quais devem ser os padrões de qualidade do leite antes do processamento, entre diversos outros procedimentos.

Para produtores e indústrias, as INs promovem o estabelecimento de padrões mínimos de qualidade. A contagem bacteriana para o leite cru refrigerado na propriedade rural, por exemplo, segue em 300 mil unidades por mililitro (ml). Para as indústrias, o padrão de contagem bacteriana estabelecido é de 900 mil unidades por ml no silo da planta processadora. Este padrão garante a qualidade obtida na origem mesmo depois do transporte o leite.

Outro aspecto alterado é a temperatura do leite no ato do recebimento pelo estabelecimento industrial. Enquanto a IN 62 (antiga) permitia a recepção de leite a 10 graus, a nova norma reduziu a temperatura para 7 graus, permitindo, eventualmente, a variação de até dois graus positivos (até 9 graus) no momento da recepção. Nas propriedades, a temperatura do leite no momento da coleta deve ser de até 4 graus.

“O principal objetivo das normativas é fechar o cerco sobre a qualidade do leite. Mesmo com os avanços e empenhos do setor na melhoria dos processos, ainda há a necessidade de avançar na qualidade do leite em nível nacional. Pela primeira vez, a legislação prevê a interrupção da coleta na propriedade no caso de não conformidade na contagem bacteriana”, destaca Guilherme Souza Dias, zootecnista do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Construção das normas

Para se chegar ao novo conjunto de regras, houve um longo processo de debate, que incluiu a contribuição de entidades ligadas ao setor produtivo. Entre abril e junho de 2018, ocorreram consultas públicas promovidas pelo Mapa. A construção das INs contou com a participação ativa da FAEP e a Aliança Láctea Sul Brasileira, com contribuições significativas.

“O setor lácteo do Paraná e de todo o Sul do Brasil está comprometido há muito tempo em promover ações que elevem a qualidade do leite. Essas novas regras, que tiveram a participação em sua elaboração de diversos elos da cadeia produtiva, colocam no papel esse esforço diário dos produtores e indústrias de aprimorar seus processos e garantir ainda mais qualidade em cada etapa da produção leiteira”, avalia Ronei Volpi, presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da FAEP.

Confira um documento completo com perguntas e respostas sobre as INs.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

SENAR-PR abre edital para bovinocultura leiteira

O SENAR-PR está com o edital aberto para a credenciamento de instrutores, por meio de pessoa jurídica, para ministrarem treinamentos na área de bovinocultura leiteira. Os futuros contratados irão prestar os serviços nos 399 municípios do Paraná, conforme a demanda. As inscrições estão abertas até o dia 28 de junho de 2019.

Os instrutores que futuramente irão fazer parte do quadro do SENAR-PR serão responsáveis por treinar produtores e trabalhadores rurais nas áreas de “fenação e ensilagem”, “manejo, sistema e equipamento de ordenha” e “qualidade do leite”.

O processo de seleção tem seis etapas, todas descritas no edital. Os candidatos melhores colocados irão participar de capacitações técnicas e pedagógicas e de processos avaliativos.

A bovinocultura de leite é uma das principais atividades agropecuárias do Paraná, sendo que o Estado ocupa uma das três primeiras posições no ranking brasileiro de produção de leite e conta com dois dos três municípios que mais produzem no país (Castro e Carambeí). Ainda, o Estado contabiliza o maior número de Vacas Vitalícias do Brasil, animais que produzem mais de 100 mil litros de leite ao longo da vida. Dos 126 animais desta elite registrados no país em 2017, 122 são do Paraná.

O edital com todas as informações do processo seletivo estão no site do Sistema FAEP/SENAR-PR (www.sistemafaep.org.br), na seção “Editais”.

Leia mais sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

Simpósio fomenta integração do setor lácteo

Um novo cenário de desafios e a busca pela eficiência produtiva na pecuária de leite nortearam as discussões ao longo do 9º Simpósio Leite Integral, realizado entre os dias 9 e 11 de abril, na ExpoUnimed, em Curitiba. O público de mais de 800 pessoas contou com autoridades envolvidas com a pecuária de leite paranaense, produtores, técnicos, consultores, pesquisadores, professores e estudantes do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. O evento é uma iniciativa da Revista Leite Integral em parceria com o SENAR-PR.

Na abertura do evento, o presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura da FAEP e do Conseleite Paraná, Ronei Volpi, comentou a importância do setor lácteo para o Brasil, em especial, para a região Sul, destacando o trabalho da Aliança Láctea Sul Brasileira, entidade que congrega Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para fortalecer a cadeia produtiva do leite.

“Os três Estados do Sul hoje, juntos, têm aproximadamente 7% do território nacional e produzem 40% do leite brasileiro, chegando a 13 bilhões de litros. Isso representa mais volume produzido que Paraguai, Argentina e Uruguai juntos. Então, vejam a nossa responsabilidade de caminharmos, com passos largos, na busca pela nossa competitividade em termos internacionais. E quando se fala em competitividade, diz respeito à qualidade do leite, à regularidade de abastecimento e à sustentabilidade econômica da propriedade”, afirmou.

Ainda, Volpi assinalou a atuação do Sistema FAEP/SENAR-PR como fundamental para a construção das oportunidades do setor, fomentando a participação em eventos como o Simpósio de Leite Integral. “É um momento de dar atenção aos nossos objetivos, como a organização dos produtores, a defesa da classe e, principalmente, a qualificação profissional de produtores e trabalhadores do setor desenvolvida pelo SENAR-PR”, concluiu.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

Balança comercial do leite no Paraná fecha 2018 no vermelho

O Paraná fechou a balança comercial do leite em 2018 no vermelho. O Estado comprou 11,4 mil toneladas do produto de outros países, enquanto exportou apenas 1,6 mil toneladas, diferença de 9,8 mil toneladas, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Paraná (Seab). O mercado paranaense seguiu a mesma tendência brasileira, que importou 152,6 mil toneladas e exportou 23,1 mil toneladas, resultando em uma diferença de
129,5 mil toneladas.

No caso do Paraná, na comparação entre 2018 e 2017, o volume importado de leite caiu de 13,6 mil toneladas para 11,4 mil toneladas (-16,4%). Mas em termos financeiros, os
valores gastos na operação seguiram praticamente os mesmos, variando de US$ 27,68 milhões em 2017 para US$ 27,35 milhões em 2018 (-1,2%). “Com o recorte de um ano, a impressão muitas vezes é de que houve uma variação significativa nas cotações, mas nesse caso reflete uma circunstância normal de ajuste de mercado que passamos no período”, reflete Alexandre Lobo Blanco, médico veterinário do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Sobre o fato de haver desequilíbrio na balança comercial, o médico veterinário Fábio Mezzadri, do Deral, aponta que a altas importações impactam o mercado interno, desregulam a oferta e interferem negativamente na lucratividade dos produtores. “Os lácteos entram, principalmente da Argentina e Uruguai, muitas vezes a preços mais atraentes que os próprios produtos internos. Uma das soluções para este problema seria alavancar as exportações”, ressalta.

A respeito das exportações de leite efetuadas pelo Paraná, houve um pequeno aumento em volume, de 1,4 mil toneladas em 2017 para 1,6 mil toneladas em 2018. Em compensação, o valor movimentado registrou variação negativa, saindo de US$ 5,5 milhões no ano retrasado para US$ 5,4 milhões no ano passado.

Confira a matéria completa no Boletim Informativo.

Simpósio vai discutir os desafios e oportunidades da pecuária leiteira

As transformações que a pecuária de leite brasileira (e paranaense) vêm sofrendo ao longo dos últimos anos fazem com que discussões acerca da atividade sejam cada vez mais necessárias. O cenário muda, novas oportunidades aparecem e o mercado exige pecuaristas atualizadas e bem esclarecidos. Esse é o ponto de partida para o 9º Simpósio Leite Integral, que acontece entre os dias 9 a 11 de abril, na ExpoUnimed, em Curitiba.

Voltado a produtores de leite, técnicos, consultores, pesquisadores, professores e estudantes, o evento realizado pela Revista Leite Integral em parceria com o Sistema FAEP/SENAR-PR irá abordar os desafios e oportunidades do setor, do ponto de vista técnico e mercadológico. Uma das propostas da edição de 2019 é que o participante construa sua opinião com base em argumentos científicos e na experiência de quem vive a pecuária de leite. De acordo com o técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR Alexandre Lobo Blanco, o simpósio se consolidou como um evento de referência no setor, com caráter de ebulição de ideias.

“É um momento em que encontramos empresas, instrutores, e conseguimos trocar ideias, avaliar projetos, fazer prospecções dos cursos e buscar referências para atualização dos treinamentos”, comenta.

Um dos temas discutidos será o período de transição das vacas leiteiras, também conhecido como período periparto, que começa nas três semanas finais da gestação e se estende até a terceira semana após o parto. Segundo o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo de Almeida, que irá coordenar o debate, este é um período muito delicado para o animal, que exige um cuidado especial em relação ao seu bem-estar. “Se você não der conforto e uma dieta equilibrada, a vaca fica doente, e a lactação que está começando fica comprometida. E é nesse momento que grande parte das doenças mais conhecidas na bovinocultura ocorre”, explica.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo. 

Aliança Láctea Sul Brasileira mira produção para exportação

A Aliança Láctea Sul Brasileira – entidade criada para fortalecer a cadeia produtiva do leite – apresentou, nesta segunda-feira (18), seu programa de trabalho para este ano de 2019. O objetivo é assentar a cadeia produtiva em eixos, como tecnologia, qualidade, organização setorial, logística e aspectos tributários, com foco em produzir um leite com padrão de exportação. A reunião é realizada na sede do Sistema FAEP, em Curitiba.

“Temos que apertar os elos da cadeia produtiva e nivelar a produção para cima, produzindo um leite de qualidade, a um custo competitivo e com organização logística capaz de atender contratos”, disse o coordenador geral da Aliança, Airton Spies. “Ao sermos competitivos para exportar, também vamos ser competitivos para rechaçar as importações que tanto mal fizeram a nossa cadeia em 2018, por exemplo”, completou.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira congrega integrantes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – entre os quais, representantes de órgãos de defesa sanitária, pesquisa agropecuária, extensão rural e setor privado. Juntos, os três estados respondem por 40% da produção leiteira do Brasil.

“Temos que sair que ter uma agenda concreta e conjunta. Os três estados precisam agir conjuntamente e não há oportunidade melhor do que agora, com a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, preocupada com a nossa cadeia”, disse o presidente da comissão de bovinocultura de leite da FAEP, Ronei Volpi.

Participaram da reunião o secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, e o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, que também destacaram a importância de integração na busca de um padrão de exportação. “Precisamos perseguir níveis cada vez mais elevados. Temos essa visão clara e queremos fortalecer isso”, apontou Ortigara.

Ao longo da reunião, haverá uma palestra do chefe da Embrapa Leite, Paulo Carmo Martins, sobre a viabilidade de o Brasil se tornar exportador de leite e os desafios para que isso se consolide.

Aumento de imposto compensa fim da tarifa antidumping

A pecuária leiteira viveu momentos de incertezas ao longo das duas últimas semanas e viu a estabilidade do mercado interno ser colocada em risco. No dia 7 de fevereiro, o governo federal anunciou o fim da tarifa antidumping cobrada sobre a importação de leite da União Europeia (UE) e da Nova Zelândia. Após reação do setor produtivo, o governo federal instituiu uma compensação: aumentou o imposto sobre a importação do leite em pó, integral e desnatado da UE.

A nova alíquota de importação seria anunciada nos próximos dias pelo governo federal (o que não ocorreu até o momento). A expectativa é de que a taxa aumentasse de 28% para 42,8% – o que neutralizaria os efeitos da extinção da tarifa antidumping. “Com isso, nós acreditamos que o assunto esteja equacionado e temos agora acompanhar diuturnamente para ver o que acontece para frente”, disse o presidente da comissão de bovinocultura de leite da FAEP, Ronei Volpi.

A ampliação do imposto de importação como forma de compensação pelo fim da tarifa antidumping só foi definida após pressão do setor produtivo. Assim que o governo federal anunciou que acabaria com a taxa, a FAEP emitiu uma nota técnica, apontando os impactos que o fim da cobrança da medida antidumping traria à pecuária leiteira de todo o país.

“Isso [o fim da taxa antidumping] criou um desconforto enorme no setor leiteiro e uma reação imediata das instituições, como FAEP, Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), enfim, de todas as entidades do setor”, observou Volpi. “Nós não devemos, como produtores do setor de leite, ter medo da concorrência leal, igual. Mas não podemos concorrer com o tesouro europeu, que subsidia as exportações de leite em pó”, acrescentou.

Reação

Após a manifestação da FAEP e atuação da CNA, deputados federais reagiram e cobraram do governo federal explicações e medidas que protegessem o setor produtivo. Um desses parlamentares foi o deputado Pedro Lupion, coordenador de política agrícola da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Assim que recebeu a nota técnica da FAEP, ele protocolou requerimento, pedindo explicações sobre o fim da taxa antidumping ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Essa medida gerou uma insegurança imensa em todo o setor produtivo de leite, principalmente no Paraná e outros estados do Sul. A nota da FAEP refletiu as nossas preocupações, que foram expressas no requerimento”, disse Lupion. “A nova decisão [que aumenta o imposto de importação, como forma de compensar o fim da taxa antidumping] é uma vitória da ministra Tereza Cristina, da FPA e de todos aqueles preocupados com o setor”, acrescentou.

A taxa antidumping

Aplicadas desde 2001, as tarifas antidumping previam uma taxação de 14,8% sobre o leite em pó advindo da UE e de 3,9%, do proveniente da Nova Zelândia. As taxas eram cobradas como forma de equilibrar o mercado interno, porque os países europeus e a Nova Zelândia destinam uma série de subsídios aos seus produtores. Desta forma, o leite produzido nessas nações tem um custo de produção muito menor e, em razão disso, os pecuaristas leiteiros conseguem exportá-los a um preço mais baixo.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

Paraná lidera avanço nacional em produção e produtividade

A pecuária leiteira do Paraná é a que mais cresceu ao  longo das últimas duas décadas, tanto em produção (litros produzidos) quanto em produtividade (litros por cabeça). Esse avanço fez com que o Estado saltasse para terceiro colocado em ambos os rankings nacionais em 21 anos, evidenciando a posição de destaque do setor. Hoje, a atividade está presente nos 399 municípios do Paraná e gera cerca de R$ 5,7 bilhões por ano no Valor Bruto de Produção (VBP).

De 1996 a 2017 (dados mais recentes disponíveis), a produção de leite no Estado decolou, com crescimento de 193%. Em números brutos, o Paraná saiu da casa dos 1,5 bilhão para os 4,4 bilhões de litros por ano. A produção paranaense fechou 2017 atrás apenas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Enquanto os gaúchos estão à frente por uma pequena margem (menos de 100 milhões de litros a mais), os produtores mineiros atingiram a marca de 8,9 bilhões de litros, mas com um rebanho de vacas ordenhadas três vezes maior que o do Paraná.

O crescimento exponencial da produção no Estado está diretamente relacionado à produtividade do plantel, que mais que dobrou em duas décadas. A média produzida por vaca pulou de 1,4 mil para 3 mil litros por ano: aumento de 111%. Apenas Santa Catarina (3,5 mil litros por ano, por animal) e Rio Grande do Sul (3,2 mil litros) superam o Paraná em produtividade. Todos os dados foram coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), com base no rebanho geral.

Este cenário de expansão teve como propulsor o aspecto econômico. O técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR Alexandre Lobo Blanco aponta que a melhor remuneração ao pecuarista pelo produto foi determinante para a ampliação dos investimentos, que resultaram em maior produção e mais produtividade.

“O principal e mais eficiente estímulo à produção foi o aumento dos preços pagos aos pecuaristas neste período. Com cenários de preços mais elevados, o produtor responde bem às tecnologias de curto prazo para o aumento da produção, em especial, melhorias nutricionais e na composição de rebanho”, valia. 4,4 bilhões de litros foram produzidos pelo Paraná em 2017, correspondente a 15% da produção brasileira.

Genética e tecnologia

O presidente da Comissão Técnica da Bovinocultura de Leite da FAEP, Ronei Volpi, destaca que, entre a série de fatores que contribuiu para a escalada da atividade, estão elementos como o melhoramento genético de matrizes, a participação de cooperativas, a presença forte de pesquisas em universidades e particularidades do Estado como clima e solos favoráveis, além de laticínios em todas as regiões.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

Workshop estreita parceria entre Brasil e Nova Zelândia para impulsionar produção nacional de lácteos

Mais de 150 pessoas, entre produtores, lideranças rurais, representantes das indústrias e de outros elos da cadeia produtiva do leite do Paraná lotaram o auditório da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), em Curitiba, no dia 21 de novembro, por conta do workshop “Fundamentos de produção e qualidade do leite da Nova Zelândia”. Realizado com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, o evento teve como objetivo estreitar as relações de parceria entre o Brasil e o país da Oceania, de modo a impulsionar a produção nacional de lácteos dentro de parâmetros de qualidade que permitam que nossos produtos conquistem novos mercados internacionais.

A Nova Zelândia é uma potência mundial no setor de lácteos. O país possui mais vacas de leite do que pessoas. O rebanho leiteiro chega a 5,3 milhões de animais contra uma população de 4,2 milhões. Sua produção anual de 21 bilhões de litros vai quase totalmente para fora, sendo que 96% da produção são exportados para um grupo de 140 países.

Trata-se de um país que já enfrentou os percalços de sanidade e de busca da qualidade dos produtos que hoje o Brasil precisa vencer para colocar seu produto no mercado internacional. De acordo com o embaixador da Nova Zelândia no Brasil, Chris Langley, os dois países ganham com esta parceria, uma vez que ambos são potências mundiais de lácteos. Segundo ele, a embaixada em Brasília tem desenvolvido diversas parcerias neste sentido, como as realizadas com SENAR Nacional, Federação da Agricultura de Goiás e outros órgãos, com objetivo de ajudar pequenos produtores de leite. “Queremos ampliar as parcerias no Brasil, em especial do setor agropecuário do Paraná”, afirmou. “A parceria com FAEP, Seab, Sindileite e Ocepar são fundamentais para que nossas intenções se transformem em realidade”, completou.

Presente na abertura do evento representando o Sistema FAEP/SENAR-PR, o assessor da presidência, Antônio Poloni, destacou a união do setor produtivo paranaense para aproveitar esta oportunidade em uma cadeia que está presente em praticamente todos os municípios do Estado e, principalmente, com grande impacto na realidade socioeconômica paranaense. “O leite é uma cadeia nova no Brasil, que ainda precisa de muita organização. Mas aqui [no Paraná] temos todos os ingredientes para poder crescer: um grande mercado consumidor e um grande mercado produtor”, observou.

Nesse sentido, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite-PR), Marco Antônio Galassini, destacou as oportunidades neste setor. “O Brasil é o segundo maior consumidor de mussarela para pizza do mundo. O potencial que vemos na economia e no consumo brasileiro de lácteos é muito grande”, avaliou.

O presidente do Sistema Ocepar e anfitrião do evento, Roberto Ricken, destacou a necessidade de o Brasil avançar na questão da sanidade animal para que possa dar um salto na qualidade dos seus produtos lácteos. Neste sentido ele destacou o esforço do Paraná para antecipar a retirada da vacina contra a febre aftosa, tornando-se área livre da doença sem vacinação ainda em 2021.

Workshop

O evento contou com palestras de grandes especialistas da cadeia de lácteos de renome nacional e internacional. Um deles foi o secretário estadual de Agricultura e Pesca de Santa Catarina e atual coordenador da Aliança Láctea Sul Brasileira, Airton Spies, que tratou das “Perspectivas e desafios da produção de leite no Sul do Brasil”. Segundo ele, temos muito a aprender com a Nova Zelândia. “É ela que dá as cartas no mercado internacional de leite”, pontuou.

Segundo Spies, vem ocorrendo um deslocamento da produção leiteira no Brasil em direção ao Sul. Hoje os três Estados da região respondem por 38% da produção brasileira. “Em 2025 seremos responsáveis por 50% do leite do Brasil, teremos uma Nova Zelândia inteira no Sul do Brasil”, afirma. Hoje a região produz 13 bilhões de litros anuais e possui 150 mil produtores. No entanto, do outro lado temos apenas 15% do consumo. Nos últimos 20 anos a produção brasileira aumentou 4%, enquanto que a demanda cresceu apenas 2%. Desta forma o caminho natural é exportar o excedente. “Senão vamos nos afogar em leite”, sentencia.

Para isso, é preciso qualidade e competitividade. Isso envolve questão de manejo, estrutura e logística. “Rodamos muito para pegar pouco leite. Essa desorganização gera custos”, observa Spies. Esse processo irá tirar do segmento aqueles produtores que não melhorarem seus resultados, sem significar êxodo rural ou desemprego. “Vamos perder produtores de leite, mas vão se abrir inúmeras oportunidades para gente que fornece pastagem, transporta leite, industrializa”, avalia. “Se tentarmos proteger a ineficiência, vamos perder o setor como um todo, porque lá fora estão fazendo o dever de casa”, finalizou.

Em diversas palestras ao longo do dia ficou evidente que o modelo neozelandês tem como grandes pilares de sucesso nesta área, o bom manejo das pastagens e o cuidado com a qualidade do leite.

No que se refere à sanidade dos animais, o diretor da QCONZ América Latina, Bernard Woodcoock, contou a trajetória da empresa da Nova Zelândia, que trouxe para o continente sul-americano sua expertise no controle de qualidade da produção. “A realidade que o Brasil enfrenta hoje na área da sanidade é a mesma que a Nova Zelândia enfrentou na década de 1980”, disse.

Ainda, sobre o aproveitamento de pastagens, Ernesto Coser Neto, do grupo Tru-Test apresentou a palestra “O uso de novas tecnologias de manejo de pastagens: a experiência neozelandesa aplicada à realidade brasileira”, na qual explanou sobre a diferença de mentalidade existente entre os produtores brasileiros e seus concorrentes do outro lado do mundo. “Lá existe pesquisa sobre pastagem, genética e manejo. Eles tratam pastagem com o mesmo cuidado que nós tratamos nossa produção de grãos”, exemplificou.

Ao longo do dia, diversos especialistas observam que o Brasil, por ter áreas com grande insolação, muita água e muito espaço para pastagens, tem todas as condições para despontar como um dos líderes mundiais do setor de lácteos. Porém, é preciso eliminar gargalos como o alto custo de produção, logística defasada e problemas com a qualidade do produto. Felizmente, a partir deste diagnóstico, o primeiro passo já foi dado.