Leite mais competitivo

Na última segunda-feira (12/11) a coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira, fórum que reúne produtores e indústrias do setor leiteiro nos três Estados da região Sul do país, passou para o secretário estadual de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Airton Spies. A transferência do comando acontece por meio de um rodízio onde se revezam dirigentes do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 2018 o coordenador foi o diretor executivo do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec) e assessor da presidência da FAEP, Ronei Volpi.

Um dos principais objetivos da Aliança Láctea Sul Brasileira é promover a competitividade do setor de leite e derivados dos três Estados do Sul, harmonizando procedimentos técnicos e sanitários a fim de melhorar a qualidade dos produtos e ganhar mais mercados. Segundo Volpi, a região já responde por 38% da produção brasileira, se consolidando como principal bacia leiteira do país e devendo alcançar 50% nos próximos anos. “É fundamental também que os nossos produtos tenham acesso a novos mercados, uma vez que a produção cresce em ritmo mais acelerado que a demanda e o aumento da população”, afirma, Volpi.

Neste sentido, a Aliança tem obtido apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e de outras instituições voltadas à exportação para estruturar um projeto único de exportação do leite brasileiro e seus derivados. Esta iniciativa – ainda em formato piloto – teve como primeiras ações a participação de representantes do fórum em uma missão à China, na qual foram identificados potenciais mercados e hábitos de consumo do país asiático, que deverá ser um dos principais destinos dos lácteos brasileiros.

Outro ponto de destaque em 2018, foi a atuação decisiva da Aliança Láctea e da FAEP para que a voz do setor produtivo fosse ouvida na elaboração da legislação que rege a qualidade do leite nacional. Nesse episódio foram feitas – e acatadas – diversas contribuições às portarias nº 38 e 39 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

A sanidade, outra preocupação da Aliança Láctea Sul Brasileira, esteve constantemente em pauta nas reuniões do fórum. No último encontro, dia 12 de novembro, foi decidido por unanimidade reivindicar a retomada da produção de antígenos para o diagnóstico de brucelose e tuberculose pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), interrompido em 2016. “O programa nacional de controle e erradicação de brucelose e tuberculose depende desses insumos para combater essas doenças, é fundamental que o instituto retome essa produção que atendia 95% da demanda nacional”, disse Volpi.

Campo Futuro analisa produção leiteira no Paraná

Desde 2004, o Campo Futuro acompanha 41 atividades agropecuárias em 311 municípios em 26 Estados brasileiros. A metodologia consiste em identificar a propriedade que mais representa o processo produtivo daquela região analisada. “A ideia principal é formar primeiro um banco de dados para a CNA ter informações fieis sobre o cenário produtivo. E, num segundo momento, levar ao produtor informação quanto à parte de gestão da atividade”, diz Rodrigues.

No Paraná foram realizados painéis de levantamento de custos junto a produtores de quatro praças: Umuarama, Cascavel, Castro e Chopinzinho. Desta forma é possível contemplar diferentes realidades produtivas existentes no Estado.

Os resultados da compilação dos dados destes painéis estão em fase de elaboração, mas uma prévia foi apresentada durante a Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da FAEP, no dia 18 de setembro. Na ocasião, Rodrigues apontou as diferenças entre os sistemas produtivos, que podem ser a chave para bons ou maus resultados. Na opinião do zootecnista, é preciso mudar o foco. “O produtor não controla o preço pago, pois é uma questão de mercado, mas a gestão ele controla. Então temos que visar o lucro máximo e não o custo mínimo”, observa.

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Mudanças na cadeia do leite entram debate em reunião na FAEP

Os principais desafios da cadeia de lácteos estão em debate na reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, nesta terça-feira (9), em Curitiba, na sede da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP). Lideranças sindicais e produtores de todo o Estado se reúnem ao longo do dia para debater temas como as mudanças e impactos da Instrução Normativa 62 (IN 62), ações da Aliança Láctea Sul Brasileira, custos de produção e boas práticas. Durante o evento também ocorre a reunião do Conseleite, órgão que reúne representantes da indústria e define um preço-base para leite e derivados no Paraná.

O presidente da FAEP, Ágide Meneguette, abriu o evento e enfatizou que a entidade está de portas abertas para ouvir e ajudar os produtores a conquistarem melhorias para o setor. “A participação dos senhores contribui para que possamos continuar trabalhando e resolvendo os problemas. Quero aproveitar para esclarecer a quem porventura esteja chegando agora que isso aqui é de vocês. Estamos juntos para trabalharmos as pautas, e para isso precisamos que todos tragam suas demandas e  encaminharmos da melhor forma”, disse.

O superintendente do SENAR-PR, Geraldo Melo Filho, ratificou a vocação da entidade para prestar serviços de excelência aos produtores. “A nossa intenção enquanto organização é estar próximo para entender o que é necessário melhorar e constatar o que ainda não temos e precisamos implantar. Sou pecuarista também, conheço um pouco do setor e estou à disposição, assim como o SENAR-PR, para atender a todos vocês da melhor forma possível”, relatou.

O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, Ronei Volpi, aproveitou para lembrar que a ressonância da cadeia produtiva de leite na FAEP e no SENAR-PR vem via comissão de leite. “Estou aqui como coordenador e não significa que vou ditar normas, ações ou prioridades. Isso tudo vêm de vocês, com o diálogo que estamos promovendo aqui. E para isso, nunca nos faltou apoio da diretoria da FAEP nem do SENAR-PR”, pontuou.

Mapa acata propostas sugeridas pela FAEP em consulta pública sobre qualidade do leite

O trabalho conjunto da FAEP e diversas instituições da cadeia leiteira (confira ao lado) teve resultado prático para os produtores da região Sul do país. Das 36 propostas elencadas em discussões da Aliança Láctea Sul Brasileira como contribuição à consulta pública das portarias nºs 38 e 39, 17 foram acatadas total ou parcialmente pelo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ambas as portarias tratam sobre parâmetros e procedimentos a serem seguidos nas diversas fases da produção, transporte e processamento de lácteos, em substituição à Instrução Normativa (IN) nº 62. Ainda, o grupo segue no esforço para que as outras contribuições também entrem na pauta do órgão federal (leia mais na próxima página), via Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados.

Essa corrente de mobilização começou em abril, quando o Mapa colocou em consulta pública as portarias mencionadas, que, além dos aspectos envolvendo as fases da produção, transporte e processamento de lácteos, definem ferramentas e espaços usados dentro da cadeia (o que é granja leiteira, contagem padrão em placas, boas práticas agropecuárias), entre outros aspectos.

O Departamento Técnico Econômico (Detec) Do Sistema FAEP/SENAR-PR acompanhou a consulta pública e participou das discussões, com o objetivo de propor adequações à nova Normativa. “Inicialmente, da maneira como foi formatada, encontramos diversos aspectos conflitantes com a realidade do setor”, aponta Guilherme Souza Dias, zootecnista do Detec do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Ao longo dos 60 dias em que a consulta ficou aberta, 36 sugestões elencadas pelo setor foram enviadas ao Mapa pela FAEP e instituições parceiras. As propostas surgiram a partir dos debates promovidos para que cada segmento envolvido tivesse a possibilidade de expor sua realidade e a melhor forma de se chegar a melhorias na qualidade do leite. Assim, um documento final seguiu para o Ministério via consulta pública e Câmara Setorial, com propostas para a melhoria dos lácteos dentro de um plano escalonado e exequível.

“É importante frisar que o debate foi levado a todos os fóruns, conselhos, entidades de classe, literalmente uma enxurrada de discussões para que todos os pontos de vista fossem expostos. O resultado gerou uma série de propostas que interferem diretamente na melhor eficácia da implantação de mudanças. É preciso observar a capacidade de investimento de cada envolvido para que as novas diretrizes possam elevar a qualidade do leite nacional, principal objetivo da normativa”, explica Dias.

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Com apoio da FAEP, Nova Zelândia promoverá evento sobre leite no PR

A Nova Zelândia lidera com folga o mercado internacional de leite. Em 2017, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o país movimentou US$ 5,6 bilhões, o equivalente a 20,4% de todo o volume mundial. Mesmo somadas, Alemanha (US$ 3 bilhões) e Holanda (US$ 2,5 bilhão), que ocupam as posições seguintes no ranking mundial, não conseguem alcançar os neozelandeses.

A nação da Oceania é uma potência global. É nessa esfera internacional de comercialização que a região Sul do Brasil, maior produtor de leite nacional, quer entrar nos próximos anos. A tendência é natural, já que nos últimos 15 anos os bovinocultores de leite paranaenses mais que dobraram sua produção. E o ritmo de crescimento segue acelerado.

A partir desse cenário, a Embaixada da Nova Zelândia no Brasil irá promover um workshop para 150 pessoas em Curitiba, em novembro deste ano. O objetivo é compartilhar com lideranças paranaenses como o país da Oceania conseguiu atingir esse patamar de destaque mundial na cadeia de lácteos. Na programação estarão o embaixador da Nova Zelândia, Chris Langley, e integrantes de empresas de processamento de lácteos do país, além de pesquisadores do setor. A data prevista para o evento é 21 de novembro.

A programação e a data foram definidas em uma reunião promovida na sede da FAEP, em Curitiba, no 15 de agosto. Estiveram presentes no encontro, além de membros da FAEP e da embaixada neozelandesa, representantes da Superintendência Federal de Agricultura (SFA) do Paraná do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Sindicato das Indústrias de Leite (Sindileite) do Paraná, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Sistema Ocepar, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).

Na ocasião, a delegação da Nova Zelândia acompanhou uma apresentação do agronegócio paranaense, realizada pelo Departamento Técnico Econômico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR. Após a exposição, o embaixador avaliou que há desafios a serem vencidos pela cadeia, mas enxerga um grande potencial para melhorar a produção, tanto em qualidade quanto em quantidade (confira entrevista do embaixador ao lado).

O presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette, lembrou que o trabalho da entidade nas últimas décadas contribuiu para colocar o Estado em um nível diferenciado na produção brasileira de leite. Isso faz com que a capital nacional do leite, Castro, nos Campos Gerais, esteja no Paraná, além de produtores de nível internacional espalhados em todo o território estadual. “Tenho certeza que esse trabalho de promover um intercâmbio será de grande valor para melhorar ainda mais a qualidade dos produtos lácteos e nos elevar à condição de exportador de lácteos”, disse Meneguette.

Leia entrevista com o embaixador no Boletim Informativo.