Lava Jato denuncia executivos da empreiteira Alusa

Executivos da empreiteira Alusa Engenharia foram denunciados à Justiça Federal nesta quarta-feira (13) por corrupção e lavagem de dinheiro. A empresa é investigada na Lava Jato por contratos firmados com a Petrobras para obras da refinaria Abreu e Lima (Rnest) e do Comperj. O negócio, de aproximadamente R$ 3 bilhões, teria rendido R$ 5,9 milhões em propinas para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Os executivos denunciados pela força-tarefa Lava Jato são César Luiz de Godoy Pereira e José Lázaro Alves Rodrigues. A suspeita é de prática de crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro em quatro contratos celebrados entre 2008 e 2011. Além dos executivos vinculados à empreiteira, também foi denunciado por lavagem de dinheiro Marcelo Barboza Daniel, um dos responsáveis pelas empresas MR Pragmática e BAS Consultoria Empresarial, que teriam sido usadas em repasses dissimulados a Paulo Roberto Costa, pelo menos até 2014.

Até 2012, quando o Costa ainda ocupava o cargo de diretor de Abastecimento da estatal, os contratos sob suspeita sofreram aditivos que aumentaram em milhões de reais os valores das contratações. De acordo com informações da Receita Federal citadas na denúncia, não teria havido comprovação da prestação do serviço previsto nos contratos firmados pela Alusa com a MR Pragmática e a BAS Consultoria Empresarial.

As contratações teriam apenas tentado conferir aparência de licitude à transferência de valores. Depois dos repasses feitos pela empreiteira para as duas empresas, Marcelo Barboza Daniel e Paulo Roberto Costa teriam usado três estratégias para efetuar pagamentos: celebração de contrato fraudulento de empréstimo no valor de R$ 1,9 milhão; transferência de valores realizada a partir da conta pessoal de Barboza para o ex-diretor de Abastecimento; e emissão e utilização de 15 cheques em branco, assinados por Barboza, usados por Paulo Roberto Costa para quitar despesas pessoais de R$ 970 mil, incluindo pagamento de funcionários e aquisição de motores para lancha, veículo e imóvel.

De acordo com o MPF, além de relatos de testemunhas e colaboradores, como o ex-diretor da Petrobras, as suspeitas são comprovadas por documentos, registros de movimentações bancárias, levantamentos realizados pela Receita Federal e registros de contatos feitos entre os denunciados.

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STF manda prender Nelson Meurer, ex-deputado condenado na Lava Jato

O ex-deputado Nelson Meurer (PP-PR) foi preso nesta quarta-feira (30) por decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). Condenado a 13 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado, por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-parlamentar do Paraná é o primeiro alvo da Lava Jato a ter a pena executada pelo Supremo em mais de cinco anos de operação.

A decisão inédita é do ministro Edson Fachin, relator dos processos relacionados à Operação Lava Jato na Suprema Corte. O magistrado determinou a execução da pena antes mesmo do trânsito em julgado, visto que há um último recurso da defende pendente.

Apesar da condenação na última instância do Poder Judiciário brasileiro, os advogados que representam o ex-deputado do Paraná ainda podem peticionar novos embargos de declaração para pedir mais esclarecimentos sobre a sentença. Os segundos embargos seriam a última chance de contestar a decisão de Fachin.

Uma fonte ligada à operação confirmou que Nelson Meurer foi preso em casa, nesta quarta-feira (30), em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. Além disso, Nelson Meurer Júnior, também foi detido. O filho do ex-deputado foi condenado a 4 anos e 9 meses de prisão por corrupção passiva. Conforme decisão de Fachin, ele cumprirá a pena em regime semiaberto.

NELSON MEURER CONDENADO POR CORRUPÇÃO

O político Nelson Meurer, um dos quadros mais proeminentes do PP no Paraná, foi acusado e condenado por receber mais de R$ 4 milhões em propinas, por meio de 30 repasses fraudulentos, na esteira dos crimes investigados pela Operação Lava Jato.

O ex-deputado teria recebido as vantagens indevidas como contrapartida por manter Paulo Roberto Costa na chefia da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

O processo contra Nelson Meurer e o filho, Nelson Meurer Júnior, chegou a ser distribuído para a 13ª Vara Federal em Curitiba, à época comandada pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro. No entanto, pelo alvo ainda ter foro privilegiado, a ação penal foi remetida ao STF.

A reportagem tentou contato com assessores de Nelson Meurer, mas não obteve retorno por telefone. Os advogados do político não foram encontrados.

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Edison Lobão e mais sete são acusados de corrupção em contratos de R$ 1,5 bilhão

O ex-ministro Edison Lobão (MDB) e outras sete pessoas foram denunciados nesta terça-feira (29), por corrupção e lavagem de dinheiro, pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. A acusação está relacionada a 44 contratos da Transpetro avaliados em R$ 1,5 bilhão.

De acordo com o MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), a subsidiária de transportes da Petrobras assinou os contratos fraudulentos com empresas do Grupo Estre (Pollydutos, Estre Ambiental, Estaleiro Rio Tietê) e com o Consórcio NM Dutos-OSBRA (NM Engenharia e Construções Ltda e Pollydutos Montagem e Construção Ltda).

De acordo com a denúncia oferecida pela força-tarefa Lava Jato no Paraná, os 44 contratos foram assinados entre 2008 e 2014. O ex-senador Edison Lobão recebeu parte da propina negociada pela subsidiária de Petrobras. Neste período, via de regra, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado solicitava e recebia propina que variava entre 1% e 4% do valor dos contratos e aditivos.

Em contrapartida, Edison Lobão usava a influência como Ministro de Minas e Energia para manter Machado no cargo, cuja indicação era de responsabilidade do MDB.

OS DENUNCIADOS

  1. Edison Lobão: ex-ministro
  2. Márcio Lobão: filho de Edison Lobão
  3. Wilson Quintella: ex-presidente do Grupo Estre
  4. Antônio Kanji: ex-funcionário do Grupo Estre
  5. Fernando Nave Maramaldo: executivo da NM
  6. Nelson Cortonesi Maramaldo: executivo da NM
  7. José Sérgio de Oliveira Machado: ex-presidente da Transpetro
  8. Carlos Dale Junior: proprietário da Galeria Almeira & Dale

Relembre:
Obras de arte de Lobão valorizaram 1788% para lavagem de dinheiro

EDISON LOBÃO NA MIRA DA LAVA JATO

A 65ª fase da Operação Lava Jato investiga crimes de corrupção em mais de 40 contratos, divididos em dois núcleos de corrupção. Um deles está ligado aos acordos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, com o Grupo Estre. Outro núcleo concentra os contratos e aditivos relacionados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujas propinas foram pagas pelo Grupo Odebrecht.

A denúncia oferecida pela força-tarefa nesta terça-feira (29) está relacionada ao primeiro núcleo de investigação, com foco nos contratos da Transpetro.

O ex-senador é suspeito de solicitar e receber cerca de R$ 50 milhões em propina. No período das supostas fraudes — ou seja, entre 2008 e 2014 — o patrimônio do filho de Edison Lobão, Márcio Lobão, saltou de R$ 8,9 milhões para R$ 44 milhões.

De acordo com a Lava Jato, Edison Lobão não foi alvo de buscas e apreensões na 65ª fase da Operação Lava Jato. O filho dele, Márcio Lobão, foi preso preventivamente no Rio de Janeiro (RJ) e depois foi levado para Curitiba. A força-tarefa pretendia avançar nas investigações a partir das provas coletadas com o filho do ex-ministro e com operadores ligados à família.

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Lava Jato acusa executivos da Jaraguá Equipamentos por propinas em obras da Refinaria do Nordeste

A força-tarefa Lava Jato no Paraná denunciou nesta segunda-feira (14) cinco executivos da Jaraguá Equipamentos Industriais S.A por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Eles são acusados de pagar propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para obter vantagens em contratos da Refinaria do Nordeste avaliados em R$ 400 milhões.

Foram acusados os executivos: Álvaro Bernardes Garcia, Nasareno das Neves, Ricardo Pinto Korps, Wagner Othero e Cristian Jaty Silva. Além disso, a denúncia da Lava Jato também oferece denúncia por lavagem de dinheiro contra o empresário dono da Sanko Sider, Márcio Andrade Bonilho, e contra o aposentado Waldomiro de Oliveira, apontado como laranja do doleiro Alberto Youssef.

Conforme as investigações, as promessas de propina do executivos da Jaraguá Equipamentos Industriais S.A envolviam quatro contratos para obras da Refinaria do Nordeste (Refinaria Abreu e Lima, a RNEST), da Petrobras. Somados, eles valiam R$ 400,44 milhões. Comprovadamente, as propinas repassadas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa chegaram a R$ 5,85 milhões.

Segundo a força-tarefa Lava Jato no Paraná, os pagamentos se concretizaram por duas formas: transações bancárias justificadas com notas fiscais e contratos falsos, e doações eleitorais feitas pela Jaraguá Equipamentos Industriais S.A a candidatos do Partido Progressista (PP) nas eleições de 2010.

Esse mesmo esquema levou ao banco dos réus os ex-deputados federais do PP João Alberto Pizzolatti Junior, Mário Silvio Mendes Negromonte e Luiz Fernando Ramos Faria. Eles foram denunciados ao STF (Supremo Tribunal Federal), que recebeu a acusação e repassou a ação penal à 13ª Vara Federal em Curitiba, onde tramitam os processos da Lava Jato na primeira instância.

Essa é a 20ª denúncia da força-tarefa Lava Jato no Paraná em 2019.

“Nesse caso, as investigações revelaram que um sócio e altos executivos da Jaraguá Equipamentos, não integrante do cartel de empreiteiras que loteava as obras da Petrobras”, resumiu o procurador Roberson Pozzobon, por meio da assessoria de imprensa do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná).

André Vargas - Deputado - Lavagem de dinheiro

André Vargas é condenado a seis anos por lavagem de dinheiro

O ex-deputado federal pelo estado do Paraná, André Luiz Vargas Ilário, foi condenado pela segunda vez pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) pelo crime de lavagem de dinheiro e terá pena de seis anos de reclusão.

O TRF4 também condenou Leon Denis Vargas Ilário, irmão do ex-deputado federal, Marcelo Simões, empresário da IT7 Sistemas, além de Meire Bonfim da Silva Poza, contadora.

André Vargas recebeu da IT7 Sistemas R$ 2,4 milhões para utilizar sua influência com funcionários da Caixa Econômica Federal para fazer a empresa ser contratada pela estatal. Pelo serviço de fornecimento de software, a empresa recebeu R$ 71,3 milhões do banco.

Para ocultar a origem do dinheiro, a Arbor Consultoria e Assessoria Contábil e a AJJP Serviços Administrativos e Educacional utilizaram notas fiscais de serviços fraudadas. As empresas eram controladas por Meire. Os valores foram sacados em espécie e repassados a Leon Denis pelo doleiro Alberto Youssef.

Os quatro réus foram condenados por lavagem de dinheiro pela 13ª Vara Federal de Curitiba em setembro de 2018. Leon, Simões e Meire tiveram as penas recalculadas em função da diminuição do agravante da culpabilidade, sendo que a contadora também teve considerada a agravante da circunstância.

Vale lembrar que ainda é possível recurso de embargos de declaração. Após os prazos para esses pedidos, a 13ª Vara Federal será autorizada a dar início ao cumprimento das penas.

COMO FICARAM AS PENAS

André Luiz Vargas Ilário: a pena foi mantida em 6 anos de reclusão em regime inicial fechado e 160 dias-multa no valor de 5 salários mínimos cada (valor vigente em 9/2014);

Leon Denis Vargas Ilário: a pena passou de 5 anos para 4 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial semi-aberto e 100 dias-multa no valor de 2 salários mínimos cada (valor vigente em 9/2014);

Marcelo Simões: a pena passou de 5 anos e 4 meses para 4 anos e 9 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial semi-aberto e 100 dias-multa no valor de 5 salários mínimos cada (valor vigente em 9/2014);

Meire Bomfim da Silva Poza: a pena passou de 4 anos e 6 meses para 2 anos e 60 dias-multa no valor de 3 salários mínimos (valor vigente em 9/2014).

Operação Calvário mira corrupção e lavagem de dinheiro na grande Curitiba; Operação é do MP da Paraíba

O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), cumpriu nesta quarta-feira (9) cinco mandados de busca e apreensão em cidades da Região Metropolitana de Curitiba.

A ação é realizada dentro da Operação Calvário, do Ministério Público da Paraíba, que trata de desvios de recursos públicos em contratos firmados com unidades de saúde e educação, corrupção e lavagem de dinheiro.

Foram feitas buscas em duas residências e três endereços de uma mesma empresa em Curitiba, Colombo e Campina Grande do Sul.

Foram apreendidos documentos, computadores, celulares e dinheiro em espécie. Segundo a investigação do MPPB, a organização criminosa investigada tem atuação em diversos estados brasileiros.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba.

OPERAÇÃO CALVÁRIO

Foi deflagrada, na manhã desta quarta-feira (09/10), a quinta fase da Operação Calvário, para combater desvio de recursos públicos estaduais, corrupção e lavagem de dinheiro, em três cidades paraibanas (João Pessoa, Santa Rita e Mataraca) e em mais quatro Estados (São Paulo, Alagoas, Paraná e Rio de Janeiro). Na Paraíba, a ação foi desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e a Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp), órgãos do Ministério Público da Paraíba, juntamente com a Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). O objetivo foi cumprir três mandados de prisão e 25 de busca e apreensão.

Esta etapa da operação contou com o apoio operacional dos órgãos do Ministério Público dos estados de São Paulo, Alagoas e Paraná, por meio de seus respectivos Gaecos, e do Rio de Janeiro, por intermédio do Grupo de Segurança e inteligência (CSI) e do Gaocrim, e da auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba

De acordo com a investigação em curso, a Operação Calvário, na Paraíba, tem o objetivo de investigar e desarticular uma organização criminosa (Orcrim) que, por seus agentes e núcleos de atuação, foi responsável pela prática de atos de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos em contratos firmados com unidades de saúde e educação do Estado e cujos valores ultrapassam o montante de R$ 1 bilhão. Ainda segundo a apuração, essa organização atuou também em outras unidades da federação, a exemplo do Estado do Rio de Janeiro.

A primeira fase da Operação Calvário foi desencadeada em dezembro de 2018. À medida que as investigações avançaram, novas fases foram deflagradas e denúncias oferecidas à Justiça. Esta quinta fase teve o objetivo de cumprir ordens emitidas pelo desembargador relator do processo em curso no Tribunal de Justiça da Paraíba, Ricardo Vital de Almeida, atendendo a requerimento do Ministério Público da Paraíba. A Justiça determinou a expedição de três mandados de prisão preventiva em desfavor de Ivan Burity de Almeida, Jardel Aderico da Silva e Eduardo Simões Coutinho.

Os 25 mandados de busca e apreensão foram em desfavor de Aléssio Trindade de Barros, José Arthur Viana Teixeira, Ivan Burity de Almeida, Pousada Potiguara/Camaratuba, Conesul Compercial e Tecnologia Educacional Eireli, Márcio Nogueira Vignoli, Hilário Ananias Queiroz Nogueira, Editora Grafset, Vladimir dos Santos Neiva, J.R. Araújo Desenvolvimento Humano Eireli/Editora Inteligência Relacional (este com localizações em Ribeirão Preto/SP e Maceió/AL), Jardel da Silva Aderico, Antônio Carlos de Souza Rangel, Henaldo Vieira da Silva, Giovana Araújo Vieira, Mário Sérgio Santa Fé da Cruz, Eduardo Simões Coutinho, José Aledson de Moura, Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP) e Brink Mobil Equipamentos Educacionais (este último estabelecido em Colombo/PR, Curitiba/PR, Campina Grande do Sul/PR e São Paulo/SP).

Na Paraíba, estão sendo cumpridos, de forma simultânea, 13 mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, mais precisamente nos municípios de João Pessoa, Santa Rita e Mataraca. Outros mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Estado do Rio de Janeiro (quatro), em São Paulo (três) e no Paraná (cinco). Em Alagoas, são três mandados (um de prisão preventiva e dois de busca e apreensão).

Fachin - Geddel - Bunker

Fachin vota por condenar Geddel no caso do ‘bunker’ de R$ 51 mi

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin votou nesta terça-feira (1º) por condenar o ex-ministro Geddel Vieira Lima e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, ambos do MDB da Bahia, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso do “bunker” que escondia R$ 51 milhões.

O julgamento, que está sendo realizado na Segunda Turma do STF, foi suspenso por volta das 18h por causa do horário e será retomado na próxima terça (8).

Depois do voto de Fachin, relator da ação penal, votarão Celso de Mello, revisor do processo, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

Os Vieira Lima tornaram-se réus no Supremo em maio de 2018, quando, por unanimidade, os cinco ministros da Segunda Turma receberam uma denúncia oferecida pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em setembro do ano anterior, a Polícia Federal havia descoberto um apartamento que guardava R$ 51 milhões em Salvador, que ficou conhecido como o “bunker” de Geddel. Segundo os policiais, eles chegaram ao imóvel por meio de uma denúncia anônima.

“O conjunto probatório revela que os denunciados promoveram a remoção do dinheiro acumulado e guardado no apartamento de Marluce Vieira Lima [mãe de Geddel e Lúcio] para o imóvel que lhes foi emprestado por Silvio Antonio Cabral da Silveira, proprietário do apartamento [‘bunker’], o que por si só, sem equivocidade, configura ocultação da localização e da propriedade desses valores ilícitos”, disse Fachin.

Para o ministro, a PGR conseguiu comprovar que Geddel e Lúcio investiam o dinheiro vivo, que obtiveram ilegalmente, em empreendimentos imobiliários de uma empresa, a Cosbat, com o objetivo de lavá-lo.

“O que houve foi uma estratégia empregada em investimentos do mercado imobiliário apta a ofender o bem jurídico tutelado pela lei de lavagem de dinheiro”, disse o magistrado. “O conjunto probatório é sólido e confirma que o denunciado Geddel Vieira Lima praticou sete crimes de lavagem de dinheiro” por meio de investimentos imobiliários, afirmou.

Lúcio, por sua vez, praticou um crime de lavagem, investindo em um empreendimento da Cosbat, ainda conforme o voto do relator.

Fachin também votou por condenar os dois pelo crime de associação criminosa. Para o ministro, Geddel e Lúcio, em conjunto com a mãe, Marluce, se associaram de forma estável e permanente, de 2010 a setembro de 2017, para cometer os crimes de lavagem de dinheiro.

Marluce não é ré na ação penal no STF. O caso dela é analisado na primeira instância em Salvador.

Outros dois denunciados, o funcionário Job Ribeiro Brandão, que trabalhava para a família Vieira Lima, e o empresário Luiz Fernando Costa Filho, dono da empreiteira Cosbat, foram absolvidos por Fachin. No entendimento do ministro, não ficou provado que eles sabiam que o dinheiro movimentado pelos Vieira Lima tinha origem ilícita.

A pena para lavagem de dinheiro é de até dez anos de prisão. Já a pena para associação criminosa é de até três anos de prisão. Os ministros da Segunda Turma discutirão a dosimetria (o tamanho da pena) se a maioria votar por condenar os réus. Geddel está preso preventivamente na Papuda, em Brasília, desde 2017.

Dois ex-prefeitos se Araucária são condenados a 26 anos de prisão

Dois ex-prefeitos de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, foram condenados a 26 anos de prisão por organização criminosa, dispensa indevida de licitação, peculato e lavagem de dinheiro.

Outros sete réus foram condenados a penas que variam de 19 a 24 anos de prisão. A decisão refere-se à segunda fase da Operação Sinecuras, que apura crimes contra a administração pública em Araucária cometidos de 2013 a 2016.

Entre os réus, estão três ex-diretores da Codar (Companhia de Desenvolvimento de Araucária), dois corretores de imóveis e dois proprietários de um terreno adquirido irregularmente pela Prefeitura.

Três réus já cumprem pena por condenações na operação: um dos ex-prefeitos (preso) e outros dois monitorados por tornozeleira eletrônica. A sentença determina também que os réus sejam afastados de eventuais funções ou cargos públicos que exerçam e, de maneira solidária, devolvam aos cofres públicos o valor mínimo de R$ 1,8 milhão.

A segunda fase da Operação Sinecuras, batizada de Alqueire de Ouro, apontou o superfaturamento na compra de um terreno feita pela Codar em 2016. Conforme as investigações, a Codar comprou um terreno de um alqueire às margens da rodovia PR 423 por R$ 1,84 milhão, preço acima da média de mercado para imóveis naquela região.

Na época, a companhia justificou o valor investido alegando que instalaria ali uma incubadora de empresas. Entretanto, o Ministério Público do Paraná identificou várias irregularidades na aquisição do terreno.

Após a deflagração da operação, o dono do imóvel admitiu que o valor recebido por ele pelo terreno foi de R$ 1,440 milhão. A diferença de R$ 400 mil, segundo a denúncia, foi repassada aos diretores da Codar e aos dois ex-prefeitos.

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Lava Jato acusa César Oliveira, da GDK, de pagar propina para obter contratos de R$ 788 milhões

O executivo da empreiteira GDK César Oliveira foi denunciado pelo MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), nesta sexta-feira (06), por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. De acordo com a força-tarefa, os crimes foram cometidos entre julho de 2007 e abril de 2012 em contratos celebrados pela GDK com a Petrobras. O valor total dos contratos, somados os aditivos, ultrapassa a marca de R$ 788 milhões.

Então diretor da empreiteira, César Oliveira teria feito pagamentos de propina ao ex-gerente de engenharia da estatal Pedro Barusco. Em contrapartida, a Petrobras teria beneficiado a GDK em licitações, contratos e aditivos.

Em delação premiada, Barusco confessou ter pedido e recebido propina do executivo da empreiteira. Segundo a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, e-mails trocados entre o ex-gerente da Petrobras e Oliveira comprovam a versão.

Os atos de corrupção investigados estão relacionados a pelo menos quatro contratos assinados entre a GDK, a Petrobras e as subsidiárias da estatal TNS (Transportadora do Nordeste e Sudeste) e TAG (Trasportadora Associada de Gás S.A.).

César Oliveira: na mira da Lava Jato desde 2015

O executivo da GDK foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação My Way, a 9ª fase da Operação Lava Jato. Foi naquela altura da investigação, por exemplo, que Zwi Skornicki foi apontado como um dos operadores do esquema de corrupção.

Documentos apreendidos em fevereiro de 2015, durante a Operação My Way, indicam que Oliveira matinha contas no exterior, onde realizada transações suspeitas.

Segundo as investigações da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o executivo da GDK valeu-se de uma conta mantida por ele no exterior, em nome da offshore “Melk”, para repassar US$ 200 mil à offshore “Korat”, mantida por Pedro Barusco.

A defesa de César Roberto Santos de Oliveira não foi encontrada pela reportagem.

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Justiça autoriza bloqueio de quase R$ 20 milhões de Beto Richa

O juiz federal Friedmann Anderson Wendpap, da 1ª Vara Federal de Curitiba, autorizou o bloqueio de até R$ 19,9 milhões em bens de Beto Richa (PSDB). O ex-governador do Paraná é investigado na Operação Integração, desdobramento da Lava Jato que apura desvios em obras do Anel de Integração.

As investigações contra o tucano apuram crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, estelionato e sonegação fiscal. Beto Richa afirmou, em nota, que não participou de “qualquer ato de corrupção”.

O ex-governador é alvo de uma série de pedidos de bloqueios, que visam a recuperação do dinheiro supostamente desviado.

O bloqueio de bens autorizado pela JFPR (Justiça Federal do Paraná) no âmbito da primeira ação decorrente da Operação Integração. A ação está relacionada aos contratos assinados pelo governo do Paraná com a concessionária Econorte.

No decorrer das investigações foram presos, além de Beto Richa, o ex-diretor do DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná) Nelson Leal Júnior e o ex-diretor da Econorte Hélio Ogama.

Os dois se tornaram delatores. Nos termos de colaboração premiada, ambos relataram que houve pagamento de propinas para que a Econorte fosse beneficiada com aditivos indevidos nos contratos de concessão de rodovias que formam o Anel de Integração.

Beto Richa nega as acusações

Por meio de nota, o ex-governador Beto Richa afirmou que nunca se envolveu em atos de corrupção relacionados ao pedágio. O tucano sustenta que, na condição de chefe do Executivo, se limitou a aprovar atos “cuja legalidade fora atestada pelo Estado do Paraná, pelo DER-PR e pela AGEPAR, sob fiscalização do Governo Federal”.

“Todas as alterações realizadas, inclusive, foram avaliadas pela Procuradoria do Estado, que agora questiona esses atos. A tentativa de vincular o ex-governador a supostos atos de corrupção se ampara exclusivamente na palavra de réus confessos, que receberam diversos benefícios para envolver seu nome nos supostos atos de corrupção em suas delações premiadas. Fora disso, não há prova alguma das alegações lançadas. Ao fim a verdade prevalecerá”, concluiu a nota enviada pela assessoria de imprensa de Beto Richa.