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Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, confirma IBGE

A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma que o Paraná passou de terceiro para segundo maior produtor de leite do Brasil – foram 4,4 bilhões de litros produzidos em 2018. Conforme a pesquisa mais recente, divulgada neste mês, o líder nacional é Minas Gerais, que cresceu 1% e produziu 8,9 bilhões de litros em 2018 e, em terceiro lugar, está o Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões de litros de leite produzidos no último ano.

Castro, nos Campos Gerais, lidera a produção brasileira com 292 milhões de litros. Em segundo lugar está o município de Patos de Minas (MG), que produziu 193 milhões de litros. No Paraná, outro destaque é Carambeí, com 180 milhões de litros, que ocupa a terceira posição no ranking nacional.

POLO DE PROTEÍNAS

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, os números do IBGE confirmam o esforço dos produtores paranaenses e consolidam o Paraná como grande polo produtor de proteínas animais. “Produzimos no ano passado 5,6 milhões de toneladas de carne e 4,4 bilhões de litros de leite, voltando a ocupar a segunda posição no ranking nacional, mas também consolidando o sul do Brasil como a ‘Meca’ do leite”, diz.

Na comparação com 2017, quando o Estado ocupava a terceira posição no ranking brasileiro, a produção paranaense teve uma queda de aproximadamente 1%. Já a produção do Rio Grande do Sul caiu cerca de 3%.

PRODUTIVIDADE

Por outro lado, com relação à produtividade, o Paraná cresceu 3%. Carambeí e Castro, por exemplo, produzem quatro vezes mais do que a média brasileira, que é de dois mil litros ao ano por animal – os dois municípios paranaenses produzem, respectivamente, 9 mil litros e 8, 3 mil litros por vaca ao ano.

“No Paraná, que tem 1,4 milhão de cabeças de gado leiteiro, a produtividade por animal é de 3,2 mil litros ao ano. Junto aos demais estados do Sul, o Paraná tem as maiores produtividades do Brasil”, diz o chefe do Deral Salatiel Turra.

ALTA TECNOLOGIA

Os dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento também mostraram diminuição da produção de leite. Segundo o técnico do Deral Fábio Mezzadri, isso se deve ao aumento do custo de produção, o que tem afastado pequenos produtores desse setor. “No entanto, o investimento dos produtores em alta tecnologia tem colaborado para o aumento da produtividade”, explica.

VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO

O Valor Bruto da Produção (VBP) do leite cresceu na região que engloba os municípios em destaque – que teve crescimento de 12%, ou R$ 103 milhões, sendo responsável por mais de metade do crescimento de 182 milhões no VBP do leite paranaense.

A produção se concentra nas cooperativas, principalmente de origem holandesa. “Este setor vem crescendo ano a ano, se modernizando, tanto em equipamentos como no manejo, com o aumento do plantel em confinamento, gerando empregos e alavancando a economia da região”, diz o técnico do Deral no Núcleo Regional de Ponta Grossa, Luiz Alberto Vantroba.

OUTRAS CULTURAS

Além dos municípios que se destacaram em nível nacional para o leite, a pesquisa do IBGE também mostrou outros destaques paranaenses no Brasil: Ortigueira continua sendo o município maior produtor de mel, Nova Aurora foi o principal município produtor da piscicultura, Toledo se mantém o maior rebanho suíno, e o município de Cascavel tem o segundo maior efetivo de galináceos.

Paranaenses ganham 12 prêmios no concurso Queijo Brasil

Vinte e dois produtores do Paraná conquistaram 12 prêmios no V Concurso Nacional Queijo Brasil, realizado em Florianópolis (SC), no último fim de semana. Eles concorreram com 25 queijos e ganharam quatro medalhas de ouro, duas de prata e seis de bronze.

O concurso é o maior e mais importante evento deste gênero do Brasil. Nesta edição concorreram 711 queijos de todo o País. Houve diversas categorias, como queijo artesanal tradicional, de leite cru, de leite pasteurizado, de maturadores e, ainda, queijos finos. Participaram queijos fabricados com leite de vaca, búfala, cabra e ovelha.

O evento é promovido pela Associação Comer Queijo (Associação de Comerciantes de Queijos Artesanais Brasileiros). Os estados que mais enviaram produtos foram Minas Gerais, Santa Cataria e São Paulo. O Paraná participou pela primeira vez com queijos de 12 regiões, principalmente da região Sudoeste.

CONHEÇA OS PREMIADOS DO QUEIJO BRASIL

Medalhas de Ouro:

  • Queijo Colonial Vale do Alecrim, de Angelita Aparecida Freski Surcan, de Pinhão.
  • Queijo Colonial Martinazzo, de Roseli e Claudemir Martinazzo, de Itapejara do Oeste.
  • Queijo Colonial Sudoeste, de Angela Maria Kunz Marangon, de Saudade do Iguaçu.
  • Queijo Tomazina, de Alfredo Braz da Costa Alemão, de Tomazina.

Medalhas de Prata:

  • Queijo Cura Junior, de Luiz Henrique Pedroso, de Ribeirão Claro.
  • Queijo Artesanal Eliane, de Eliane Mergener da Silva, de Dois Vizinhos.

Medalhas de Bronze:

  • Queijo Colonial, de Maristela Gaio, de São Jorge D’Oeste.
  • Mozzarella, de Mauro Di Sebastiano, de Cascavel.
  • Queijo Colonial, de Marildo Attilio Capra, de Francisco Beltrão.
  • Queijo Jóia Rancho Seleção, de Valdeir e Marcia Martins, de Londrina.
  • Queijo Purungo, de Jiceli Vantroba Comin, de Palmeira.
  • Queijo Colonial Ludwig, de Marcia Terezinha S. Ludwig, de Cascavel.

*Com informações da AEN*

Conseleite: Após leve recuperação, preço do leite volta a recuar no PR

Após uma recuperação tênue registrada em agosto, o mercado do leite voltou a oscilar para baixo em setembro. A queda aferida é de 1,42%, e tem relação direta com o aumento da captação – comportamento considerado sazonal – e com estagnação do consumo. A análise foi apresentada em reunião do Conselho Paritário Produtores-Indústrias de Leite do Paraná (Conseleite-PR), que aprovou o preço de referência de R$ 1,0862 para o litro de leite padrão entregue em setembro, a ser pago em outubro. O preço de referência serve de base para formação dos preços pagos aos produtores e pode variar conforme parâmetros de qualidade da matéria-prima entregue.

Os dois produtos mais comercializados no Paraná, o leite UHT e a muçarela, tiveram comportamento semelhante: os preços, que haviam chegado a um patamar bastante baixo em julho, tiveram uma reação em agosto, mas voltaram a sofrer queda em setembro. Outros produtos lácteos, como provolone, queijo prato, leite em pó, bebida láctea, iogurte e leite cru, seguiram essa tendência.

Descolados deste movimento, o creme de leite e a manteiga não chegaram a ter ganho de preço em agosto e seguem em desvalorização. Os pontos positivos se concentram no parmesão, requeijão e doce de leite. Os preços desses três produtos haviam aumentado em agosto e não perderam fôlego em setembro, continuando a manter leve crescimento.

Em termos nominais, o mercado de produtos lácteos começou 2019 com preços acima dos registrados em anos anteriores. Após o início de ano em altos patamares, os valores de comercialização caíram gradativamente até julho. Apesar de queda registrada em setembro, o valor de referência continua maior que o estabelecido em julho – R$ 1,0635, para o leite entregue em julho, a ser pago em agosto.

O preço de referência é calculado a partir dos preços de venda dos produtos por parte das indústrias que fazem parte do Conseleite. O objetivo é que se chegue a um valor justo e com transparência – de acordo com a realidade do mercado – e que sirva de base para remuneração do produto no Estado. Para isso, pesquisadores da UFPR criaram uma metodologia para o cálculo, levando em conta índices oficiais e valores praticados pelo mercado atacado do Paraná. Mais informações em www.conseleitepr.com.br.

Rafael Greca - Mercosul - União Europeia - Fórum de Agricultura da América do Sul

Acordo Mercosul e UE gera potencial de US$ 133 bilhões ao Brasil

Assinado em julho deste ano, o acordo entre Mercosul (Mercado Comum do Sul) e União Europeia (UE) gera expectativa ao agronegócio brasileiro.

Com estimativa de gerar US$ 133 bilhões em receitas ao Brasil nos próximos dez anos, de acordo com dados do MDIC (Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços), as negociações ainda precisam ser aprovadas pelos 28 países do bloco europeu e os quatro do grupo sul-americano antes de serem ratificadas.

A consultora Emily Rees tem participado das negociações entre os grupos econômicos e avalia que o agronegócio brasileiro não é visto como sustentável pelo consumidor europeu.

“O Brasil é uma potência agrícola sustentável e isso precisa ser levado para essas gerações mais jovens. É preciso criar mecanismos para divulgar essas práticas e mudar essa visão da produção brasileira”, avaliou Rees.

Essa classe de 18 a 24 anos tem participado diretamente na renovação política no continente. Conhecida como “onda verde”, o movimento em prol das causas ambientais deve eleger 71 representantes para o Parlamento Europeu, número recorde para essas legendas e ocupar 9,45% das 751 cadeiras totais.

Por isso, o trabalho de relacionamento do Brasil com esse público que procura e está disposto a pagar mais por produtos que respeitem o bem-estar animal e o meio ambiente é importante para a melhora da imagem do setor no mercado europeu.

Paraná como referência

O agronegócio é parte importante da economia paranaense. Somente em 2018, US$ 14 bilhões de receitas foram geradas pelo setor, 70% do total do valor das exportações do estado no período.

Na visão do superintendente da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Robson Maffioleti, o estado já possui uma boa base para atender a demanda europeia.

“A principal questão para esse mercado é a sanidade dentro dos rebanhos e lavouras. Algo que já recebe nosso constante investimento e procura por novas certificações para nossos produtos”, explica Maffioleti.

Recentemente o Paraná se aproximou de conseguir o status de zona livre de febre aftosa. O estado irá investir na construção de um Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário (PFTA) e na contratação de médicos veterinários e técnicos agrícolas. Com isso, a previsão da conquista dessa certificação é para 2021.

Maffioleti destaca que os setores de carnes, soja, milho e açúcar devem ser os mais beneficiados no agronegócio paranaense. Já o setor de lácteos deve ter que se adequar em algumas questões, principalmente com a redução das alíquotas para a importação de queijos europeus.

“O Mercosul nunca fez um acordo desse nível e por isso temos que continuar avançando em sanidade para manter essas parcerias. A União Europeia representa um mercado de 780 milhões de pessoas e 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial”, finaliza o superintendente.

Giovani Ferreira - Mercosul - União Europeia - Fórum de Agricultura da América do Sul
Coordenador do Fórum, Giovani Ferreira em discurso na abertura do evento. Foto: Lucilia Guimarães/SMCS

Protecionismo pode ser obstáculo

Além da necessidade de aprovação pelos parlamentos europeu e sul-americano, outras variáveis devem ter participação na ratificação desse acordo. Uma delas é o desdobramento comercial entre China e Estados Unidos.

As potências mundiais têm aumentado as alíquotas de diversos produtos negociados entre os países, o que tem impactado no agronegócio de todo o mundo.

O Brasil, por exemplo, tem sido beneficiado no curto prazo. Na avaliação do especialista em comércio exterior da Legex Consultoria, Fabio Carneiro Cunha, os chineses buscaram suprir sua demanda com a produção brasileira.

“Quando a China deixa de comprar dos EUA surge um espaço para o Brasil, para as cooperativas paranaenses e para o estado do Paraná que tem, majoritariamente, na sua balança, um percentual significativo de exportações”, pontua Carneiro Cunha.

Mas o especialista alerta que a médio e longo prazo o Brasil precisa de parcerias mais consolidadas, principalmente pelo fortalecimento de instituições que regulamentem o mercado como a OMC (Organização Mundial do Comércio).

Atualmente China e EUA estão criando dificuldades para a OMC realizar esse controle, o que pode prejudicar o futuro de acordos bilaterais, como o do Mercosul e a União Europeia, por exemplo.

Para o diretor da Divisão de Agricultura e Commodities da OMC, Edwini Kessie, os outros países devem trabalhar para buscar defender os interesses multilaterais e combater qualquer tentativa de protecionismo dentro do mercado e destaca o trabalho do Brasil dentro dessa questão.

“O Brasil, mais uma vez, é um ator de peso, que trabalha sem descanso para o fortalecimento multilateral. Além disso, os padrões de sustentabilidade do agronegócio brasileiro são vistos de forma positiva por consumidores de outros países”, discorre Kessie.

Curitiba como palco de discussões

Rees, Kessie e Carneiro Cunha foram alguns dos nomes que participaram do 7º Fórum de Agricultura da América do Sul. O evento foi realizado entre os dias 5 e 6 de setembro em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer, e recebeu especialistas de diversos países, além do Prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e do vice-governador do Paraná, Darci Piana.

O objetivo do encontro foi discutir as políticas internacionais dentro do agronegócio com foco no continente sul-americano, principal celeiro agropecuário do mundo.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

Leia mais depoimentos e veja fotos no Boletim Informativo.

Piracanjuba confirma investimentos de R$ 110 milhões no Paraná

O diretor-superintendente da empresa de laticínios Piracanjuba, Cesar Helou, confirmou, nesta quarta-feira (14), dois novos investimentos da Região Sudoeste do Paraná que, somados, atingem o valor de R$ 110 milhões. A previsão é que os empreendimentos gerem 370 empregos diretos.

Ele foi recebido pelo governador Ratinho Júnior. “Isso gera emprego e renda para uma importante região do Estado. Uma empresa que colabora com o produtor e vem para ajudar o agronegócio paranaense”, afirmou Ratinho Junior.

A primeira unidade, na cidade de Sulina, começa a funcionar em setembro. Com capacidade de processar 150 mil litros de leite por dia e investimento de R$ 30 milhões, a indústria vai gerar no primeiro momento 70 empregos diretos na produção de queijo fatiado.

Já a construção da unidade de São Jorge D’Oeste começa em 2020, ao custo de R$ 80 milhões, criando 300 empregos diretos.

“Recebemos todo o apoio para que as obras não tenham atrasos, principalmente quanto à necessidade de infraestrutura e energia”, disse Helou.

Prefeito de Sulina, Paulo Horn explicou que a instalação da indústria fará uma grande diferença na vida da cidade, de aproximadamente 4 mil habitantes. “A obra está praticamente concluída. A expectativa é muito boa, com a possibilidade de ampliar os turnos de produção e assim criar mais empregos”, afirmou.

O prefeito de São Jorge D’Oeste, Gilmar Paixão, classifica a chegada da empresa como uma revolução para o município, de pouco mais de 10 mil pessoas. “Para uma cidade essencialmente agrícola, essa conquista significa uma mudança muito grande. Empregos que melhoram situação social do município”, disse.

LEITE

De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o Paraná é o terceiro maior produtor de leite do Brasil, com cerca de 13% da produção nacional. Aproximadamente 90 mil produtores de leite atuam no Estado. Em 2017, segundo os dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram produzidos 4,4 bilhões de litros.

Em 2018, a produção de leite rendeu R$ 5,8 bilhões no Valor Bruto da Produção Agropecuária do Estado, segundo dados preliminares do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, perdendo apenas para o frango, soja e milho.

Encolhimento expressivo da demanda puxa queda de preços do leite no Paraná

Depois de um começo de ano em que se observou a recuperação do mercado de lácteos, os preços do leite voltaram a cair no primeiro decêndio de julho, acentuando a queda que se registrava em junho. O movimento – considerado atípico para esta época do ano – está diretamente relacionado ao aumento da captação e à redução expressiva da demanda. O cenário foi apresentado na reunião do Conselho Paritário Produtores/Indústria do Leite do Paraná (Conseleite-PR), realizada na sede da FAEP, em Curitiba, nesta terça-feira (23).

O colegiado – formado por produtores e representantes de indústrias lácteas do Estado – aprovou o valor de referência de R$ 1,0549 para o litro de leite entregue em julho a ser pago em agosto. A queda é de 7,06%, que corresponde a R$ 0,0801. O recuo foi maior do que o próprio setor esperava. O preço de referência serve de base para formação dos preços pagos aos produtores. Ao longo da negociação com a indústria, este valor é acrescido, a partir de itens de qualidade e volume do produto comercializado.

“A partir de abril e maio, historicamente, a gente tende a ver preços crescentes, pelo comportamento do próprio mercado. Mas diferentemente do normal, assistimos à redução de preços de produtos importantes, que afetaram o resultado. Pode ser um choque de oferta”, observa Vânia Guimarães, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

As perspectivas negativas puxadas pela queda do consumo de lácteos e derivados acabou se mostrando mais severa do que o setor previa. Dois produtos cuja comercialização pode ser considerada “termômetro” do mercado, o leite UHT e o leite cru tiveram variações negativas bastante significativas e acima da média dos outros produtos. O encolhimento dos preços, no entanto, foi registrado de forma generalizada entre os produtos lácteos, com exceção da bebida láctea, que se manteve estável.

“Foi o pior julho de muitos anos, desde que fazemos esse acompanhamento”, disse o pesquisador José Roberto Canziani, também professor da UFPR. Os pesquisadores destacam que este panorama se contrapõe ao início do ano, quando os preços reais pagos aos produtores ficaram bem acima dos praticados em anos anteriores.

O preço de referência é calculado a partir dos preços de venda dos produtos por parte das indústrias que fazem parte do Conseleite. O objetivo é que se chegue a um valor justo e com transparência – de acordo com a realidade do mercado – e que sirva de base para remuneração do produto no Estado. Para isso, pesquisadores da UFPR criaram uma metodologia para o cálculo, levando em conta índices oficiais e valores praticados pelo mercado atacado do Paraná.

Consumo de leite cru pode trazer riscos à saúde

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) alerta aos consumidores sobre os riscos à saúde com a ingestão de leite cru, sem pasteurização.

Apesar de ser um alimento nutritivo e amplamente consumido por toda a população brasileira e mundial, o leite é um substrato ideal para o desenvolvimento de grupos de bactérias que podem causar alterações sensoriais e tecnológicas e, quando patogênicos, danos graves à saúde pública.

Entre as doenças que podem ser transmitidas pelo consumo de leite cru estão a tuberculose, brucelose, listeriose, salmonelose, yersiniose, campilobacteriose, infecção por Escherichia coli, entre outras.

No Brasil, a venda de leite cru é proibida em todo o território nacional, pelo Decreto nº 923/1969. “O consumo de leite e seus derivados deve ser incentivado por se trata de um grupo de alimentos ricos em nutrientes que compõem a dieta da população.

Contudo, deve ser observado se os alimentos adquiridos possuem selo de inspeção municipal, estadual ou federal que asseguram ter controle sanitário”, alerta a auditora fiscal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Mayara Pinto.

“É imprescindível a aquisição de leite que tenha sido submetido ao processo de pasteurização, que fornece segurança ao produto e aos derivados”, afirma.

Na pasteurização o leite é submetido à temperatura de 72ºC a 75ºC por 15 a 20 segundos, inativando eventuais agentes patogênicos, sem contudo, esteriliza-lo, mantendo parte da população bacteriana e preservando a sua qualidade nutricional.

Mais Leite Saudável supera a marca de 60 mil produtores

Desde o início do Mais Leite Saudável, em outubro de 2015, 63.706 produtores já foram beneficiados pelo programa. Em média, entre 10 mil e 15 mil novos produtores ingressam anualmente e cerca de 25 mil a 30 mil são atendidos por ano com assistência técnica, educação sanitária ou melhoramento genético.

Entre os estados com mais produtores alcançados estão o Rio Grande do Sul (18.230), Minas Gerais (18.222), Santa Catarina (11.666), Paraná (4.734) e Mato Grosso (3.360).

Quase R$ 240 milhões foram investidos em projetos de fomento, gerando aos laticínios participantes R$ 4,5 bilhões em créditos presumidos, disponibilizados em forma de compensação de impostos ou monetização.

Os benefícios incluem aumento da rentabilidade, da produtividade e competitividade, de boas práticas agropecuárias, incentivo à certificação de propriedades livres de tuberculose e brucelose, melhoramento genético de rebanhos, da qualidade do leite (contagem de células somáticas e bacterianas) e microbiológica, além da redução da mortalidade de bezerras.

Produtores, laticínios, técnicos de campo e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento promovem o fomento para pequenos e médios produtores de leite, com impacto positivo no desenvolvimento de 2.068 municípios em mais de 20 estados.

Com mais de 600 projetos aprovados, dos quais 385 em vigência, o programa não está restrito apenas a estabelecimentos sob Inspeção Federal. De 440 laticínios participantes, 76,4% estão sob inspeção Federal (SIF) e 23,6% sob inspeção estadual ou municipal (SIM ou SIE).

O Mais Leite Saudável não se restringe à bovinocultura de leite, podendo contemplar projetos para bubalinocultura e caprino e ovinocultura.

Cerca de metade dos projetos em execução são de assistência técnica e gerencial. Outras ações estão distribuídas na Melhoria da Qualidade do Leite (38,7%), Melhoramento Genético (6,8%), Implementação de Manejo Sanitário, incluindo controle de brucelose e tuberculose (3%), e redução da taxa de mortalidade de bezerras 0,5%.

O Programa Mais Leite Saudável passou a ser estratégico do Mapa, com meta de 150 mil produtores a serem atendidos até 2035. A Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal (CBPA), da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, responsável pela gestão do programa, trabalha para viabilizar essa meta, apostando haver muito espaço para crescimento.

Uma das ferramentas para sua expansão é o Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite (PQFL), instituído pela Instrução Normativa 77, de novembro do ano passado. A coordenação (CBPA) tem realizado seminários em todas as regiões brasileiras para divulgação do plano e do programa.

Qualificação de Fornecedores de Leite

A implementação do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite (PQFL) é obrigatória aos laticínios. A ferramenta funciona como controle e aproximação da sua relação com os produtores, visando maior segurança para o consumidor e maior desenvolvimento da atividade.

“A obrigatoriedade de possuir um plano de qualificação amplia a assistência técnica a produtores, por parte dos laticínios, o que resulta em melhoria da produtividade, da qualidade e, consequentemente, da competitividade na cadeia leiteira nacional”, observa o coordenador de Boas Práticas e Bem-Estar Animal da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, Rodrigo Dantas.

A Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal (CBPA), responsável por coordenar o acompanhamento da execução das ações dos planos de qualificação em todo país, publicou em maio, o Guia Orientativo para Elaboração do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite.

Junho registra queda de preços no mercado de leite

Pela primeira vez no ano, o valor de referência do leite adentrou o mês em queda. A desvalorização foi puxada, principalmente, pelo forte recuo nos preços do leite UHT e spot. Em maio, o valor ainda fechou em alta se comparado ao mês anterior, porém abaixo do previsto, também devido à queda nos preços de vários produtos. Estes e outros dados foram apresentados durante a reunião do Conseleite-Paraná, que aconteceu no dia 18 de junho, na sede da FAEP, em Curitiba.

Em termos nominais, os preços dos primeiros cinco meses de 2019 foram maiores que em anos anteriores, mas o cenário atual não aponta um momento fácil para o setor. De acordo com o professor José Roberto Canziani, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a queda nos preços já era esperada neste período. O leite UHT e spot foram os mais atingidos e o queijo prato registrou a menor média desde janeiro. O queijo parmesão, queijo provolone e creme de leite também sofreram recuo.

Em junho, os derivados que apontaram alta foram o queijo mussarela, requeijão, iogurte e leite em pó – este favorecido pela taxa de câmbio, mas o aumento não é generalizado. Os demais produtos permaneceram estáveis ou com pouca variação.

O volume comercializado subiu em junho, registrando aumento de 11 pontos. “A queda de preços vem acompanhada por um volume comercializado maior e empresas tendo que vender um volume maior de leite UHT mesmo com o mercado desfavorável. Preço menor e aumento nas vendas têm impacto negativo no valor de referência”, explica a professora da UFPR, Vânia Guimarães.

Ainda sobre o mix de comercialização, o volume de queijo mussarela havia sofrido queda significativa de abril para maio e, agora, há uma leve recuperação. O volume comercializado de leite spot também aumentou, enquanto o leite em pó recuou. Os demais derivados da cadeia láctea sofreram pouca variação.

O Conseleite aprovou o valor final de referência do leite entregue em maio a ser pago em junho em R$ 1,1793. O valor projeto estabelecido para o produto entregue em junho e pago em julho fechou em R$ 1,1350. Esses valores estão sujeitos a alterações, conforme os parâmetros de qualidade da matéria-prima. O simulador para cálculo está disponível no site www.conseleite.pr.com.br.