“Se fosse meu filho, eu dava três tapinhas na bunda dele, resolvia e ele ficava quietinho” diz Joice sobre Eduardo Bolsonaro

Recém-destituída do posto de líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) se tornou alvo preferencial do clã Bolsonaro nas redes sociais.

À reportagem, a antiga aliada de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro afirmou que “o que eles estão fazendo é um jogo tão sujo que nem o Lula fez“.

Ela atribui os ataques ao chamado “gabinete da raiva” do Palácio do Planalto, onde estaria a coordenação do bombardeio contra desafetos do governo federal.

“Nunca, na história, passei por qualquer situação de machismo. É a primeira vez e pelas mãos de quem deveria lutar contra isso. Minha sorte é que sou muito mais forte do que esses três meninos juntos”, disse. “Eduardo [Bolsonaro (PSL-SP)] tem de comer muito feijão para ter 10% da minha força. Ele é um menino mimado. Se fosse meu filho, eu dava três tapinhas na bunda dele, resolvia e ele ficava quietinho.”

A deputada diz que entrará com uma representação no Conselho de Ética da Câmara e acionar a Justiça comum contra o filho do presidente.

Para Joice, Bolsonaro “não corrobora com o que está acontecendo”, mas ela diz que “o presidente não entendeu ainda o tamanho da Presidência da República” e que “continua agindo como aquele deputado do baixíssimo clero, do bloco do eu sozinho”.

Pergunta – A avaliação é de que a semana de crise no PSL termina com o grupo ligado ao presidente Jair Bolsonaro vitorioso. Qual é a avaliação da sra. e quais os próximos passos?
Joice Hasselmann – Essa história de grupo ligado a Bolsonaro e grupo ligado a Bivar é uma narrativa canalha. É uma tentativa de mostrar para a opinião pública que há uma divisão por conta de Bolsonaro e de Bivar. Não é nada disso.
O que nós queremos é um partido forte e respeitado. O maior partido do país de direita, a bancada não pode ser tratada como se fosse uma bancadinha de moleques.
E é uma vitória de Pirro, né? Porque o Eduardo chegou à liderança depois de dez dias de uma briga intensa, em que os ministros se envolveram, em que o pai pessoalmente teve que fazer lobby. O presidente da República virou lobista do filho deputado para conseguir elegê-lo líder. Acho que é a maior humilhação a que um presidente da República já foi submetido. É surreal.
Não vejo onde possa ter vitória num grupo que consegue a liderança no tapetão, com os deputados menos respeitados politicamente e com ameaças e achaques, tirando cargos de um e oferecendo para outros. Cadê o [posicionamento] contra toma lá dá cá? Eles estão fazendo toma lá dá cá dentro do partido.
Ademais, essa vitória de Pirro está com os dias contados porque, por óbvio, não tem como esse grupo permanecer se achando vencedor porque a maioria vai ser suspensa, alguns expulsos, para que o partido retome a sanidade.
Há uma insanidade dentro desse grupo e, lamentavelmente, essa insanidade está sendo estimulada por quem menos deveria estimular.

Eduardo Bolsonaro afirmou que não dá mais para fazer política com o fígado…
JH – Mas ele tem o fígado dentro da cabeça, ele não tem cérebro. O Eduardo Bolsonaro é desprovido de massa cinzenta. O que há na cabeça dele é um fígado enorme e ele só age com o fígado, tanto que estou fazendo uma representação contra ele na Câmara e vou levar até as últimas consequências os ataques que ele fez.
Esses moleques têm de entender que a gente está numa democracia. Se eles querem o autoritarismo, eles que mudem de país.

Há uma avaliação no Congresso de que, na semana em que é aprovada a reforma da Previdência, o presidente está mais envolvido na crise do PSL do que na agenda positiva do governo.
JH – O presidente não entendeu ainda o que é ser presidente. Infelizmente. Ele não entendeu ainda o tamanho da Presidência da República.
Infelizmente, continua agindo como aquele deputado do baixíssimo clero, do bloco do eu sozinho, que nunca soube fazer uma articulação, nunca foi líder de nada, nunca presidiu comissão, nunca precisou estabelecer um diálogo para aprovar projetos importantes.
Eu lamento muito por isso, porque eu realmente gostaria que o presidente fosse um estadista. Creio que vai chegar o momento em que ele pode até se tornar um estadista, se entender que ele é o presidente. Que não é um clã presidencial, que não é uma família presidencial.
O que existe é um presidente eleito. Se qualquer um dos três meninos quiserem ocupar a cadeira do presidente da República, que disputem as eleições e ganhem.

A sra. foi chamada para falar à CPI das fake news.
JH – Fui convidada e vou com prazer.

A sra. tem dito que tem muitas informações. Até que ponto essa boa relação que a sra. diz manter com o presidente vai interferir no que tem a dizer? Tem algo que possa prejudicá-lo?
JH – Quando você está numa comissão parlamentar de inquérito, você não pode mentir. Eu tenho um juramento e um compromisso com a verdade. Eu vou estar numa CPI e vou dizer aquilo que eu sei.
As pessoas me perguntam se eu sabia que havia fake news na campanha. Eu achava que era um pouco de lenda urbana e continuo esperando que seja, porque havia ataques de todo o jeito. Eu não sabia exatamente de onde vinha.
Comecei a prestar mais atenção e a descobrir que eles eram internos à época da demissão do [Gustavo] Bebbiano. Eles se intensificaram, atingiram o [general Hamilton] Mourão, a ponto de insinuarem que o Mourão colocaria a vida do presidente em risco. Isso é uma coisa de louca.
Todo mundo sabia que parte desses ataques era fogo amigo. Depois com o Santos Cruz, amigo [do presidente] de 46 anos. Aí juntei lé com cré, né? A próxima sou eu.
É claro que não sou detentora de todas as informações, mas nós conseguimos ter o desenrolar desse novelo de lã. O que eu quero? Que o presidente governe, que o gabinete da maldade seja desfeito, que nós enfrentemos as pessoas e as ideias que não concordamos com a cara lavada.

Mas esse também foi um método muito usado na campanha.
JH – Eu não fiz. Na campanha, por mais que as pessoas achem que todos sabíamos de tudo, isso não acontecia.
Eu viajei algumas vezes com o Bolsonaro, fazia todo dia lives para ele, mas nunca tive acesso a material da campanha porque havia um núcleo de inteligência ali e eu não fazia parte desse núcleo.

A sra. falou sobre perfis fakes que estariam sob o comando dos filhos. A sra. só soube disso agora? Por que compactou com isso?
JH – Eu não compactuei com nada. É óbvio que, quando estou sendo atacada, tenho de procurar quem está me atacando. Só numa esquizofrenia [alguém poderia querer] que eu investigasse quem estava atacando pessoas de outros partidos. Eu estava fazendo campanha. E sempre achei que era um jogo de esquerda e direita.
Eu comecei a ficar bem mais atenta quando os ataques começaram a atingir gente do governo. E o trabalho só começou, viu? Porque eu só entrei de cabeça para descobrir quem é quem agora.
O que fizeram comigo é surreal. A esquerda não fez isso. Eu tive brigas homéricas com o Lula, processei o Lula, ele me processou. O que eles estão fazendo é um jogo tão sujo que nem o Lula fez. Não estou dizendo que é o filho, sicrano, beltrano. Estou falando que é esse grupo do ódio.

A sra. faz uma autoavaliação de atuação e uso da internet?
JH – Acho a internet excepcionalmente importante. É o jeito mais fácil e barato de você se comunicar com o cidadão, com o eleitor, de prestar contas. Eu faço muito isso.
Até a Folha de S.Paulo fez uma matéria sem-vergonha e eu vou processar a Folha dizendo que tenho assessor para cuidar de grupo de WhatsApp. Postei a entrevista na íntegra. O jornalista foi canalha. Avisei que estava errado.
Todo deputado que tem rede tem assessoria de comunicação. O que ele fez foi dar um nó na entrevista para dizer que eu uso a cota [parlamentar] para atacar pessoas. Todas as brigas que assumo, sou eu que faço. Tanto que, quando a minha equipe posta alguma coisa, está lá “equipe JH”.

Casa da Mulher Brasileira

Desigualdade em função de gênero e cor diminui, aponta IDH Municipal

As diferenças em função de cor e sexo diminuíram no Brasil de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M). No entanto, o resultado, ainda que positivo, continua demonstrando que a desigualdade, em termos de renda, prejudica principalmente mulheres e negros no país. É o que aponta o Radar IDH-M divulgado hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o estudo, que apresenta uma escala entre 0 (baixo desenvolvimento) e 1 (alto desenvolvimento), o IDH-M da população branca caiu de 0,819 para 0,817 de 2016 para 2017, enquanto o da população negra aumentou de 0,728 para 0,732. No mesmo período, o índice de renda dos homens caiu de 0,818 para 0,814. Já o das mulheres subiu de 0,658 para 0,660.

Cor

Segundo o diretor de Estudos e Políticas Regionais Urbanas e Ambientais do Ipea, Aristides Monteiro Neto, a diminuição da diferença entre os IDH-M de brancos e negros foi possível pela melhoria em todos os quesitos analisados para os negros e pela queda nas dimensões renda e educação para os brancos.

No entanto, apesar de a diferença ter diminuído, os brancos ganham cerca de duas vezes mais que os negros: R$ 1.144,76 contra R$ 580,79. “Este foi um bom resultado porque mostra uma redução da desigualdade em função da cor do indivíduo. No entanto, notamos que a diferença continua muito grande”, disse.

Sexo

De acordo com o pesquisador, a constatação de que as diferenças em termos de desenvolvimento humano, em função do gênero, também estão diminuindo, é um “dado interessante, porém trágico”, por constatar que o IDH-M das mulheres, apesar de “bastante superior em educação e longevidade, é pior quando relativo a renda”.

Ele explicou que, nos levantamentos anteriores, as mulheres já apresentavam índices superiores aos homens no quesito educação, uma vez que elas estudam mais do que os homens. “Entre 2016 e 2017, essa diferença [em termos de educação] aumentou. Mas a renda mantém o IDH-M dos homens superior”, disse.

No período ao qual Aristides Monteiro se refere, a renda média dos homens brasileiros caiu de R$ 851,09 para R$ 843,31. Já o das mulheres caiu de R$ 833,52 para R$ 825,88.

Diante de todo o cenário apontado pelo Radar IDH-M, os pesquisadores apresentaram algumas orientações ao governo. Entre elas, a de dar atenção às políticas sociais, em especial às que visam a qualidade da educação, uma vez que foram essas políticas que “atenuaram os efeitos negativos” de um período de crises econômica e internacional. “A luz amarela está acesa. Precisamos estar atentos”, alertou o diretor do Ipea.

O estudo completo divulgado pelo Ipea pode ser acessado no site.

Mulheres marcham contra a violência e o machismo em Curitiba

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por atos em diversas cidades no Brasil. Em Curitiba, centenas de pessoas se reuniram no Centro desde as 12h para o 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras. O objetivo é protestar contra o machismo e a violência contra as mulheres, além de pedir respeito, igualdade, direitos civis, entre outros pontos.

A marcha foi organizada pela Frente Feminista de Curitiba e Região Metropolitana. A mobilização começou com o Slam das Gurias, uma batalha de poesia que teve o objetivo de incentivar as mulheres a usarem suas vozes. Às 16h, teve início a concentração na Praça Santos Andrade. O ato seguiu com manifestações sobre igualdade de direitos, violência contra a mulher, entre outros temas relevantes.

A marcha terminou às 20h, nas proximidades da Praça Osório, no calçadão da Rua XV de Novembro, após o ato “Quantas de nós precisarão morrer? Vidas negras importam!”. Segundo Rosani Moreira, uma das organizadoras, uma das propostas foi homenagear as mulheres negras. “Dentre todas as mulheres, elas são as maiores vítimas de todas as coisas. Desde o feminicídio, desemprego, salários mais baixos, tudo isso”, disse.

O Dia Internacional da Mulher também teve atos em outras cidades, entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Comédia com Luana Piovani, ‘O Homem Perfeito’ extrai humor do machismo

Guilherme Genestreti

Ele nunca foi lá um grande fã de comédias românticas. Não tinha visto nem “Um Lugar Chamado Notting Hill”. Também não se vê como diretor de pastelões. “Me encaixo mais no drama mesmo”, diz o cineasta Marcus Baldini.

Relutância à parte, é o seu nome que estampa a segunda comédia nacional mais vista entre as lançadas neste ano, o escrachado “Uma Quase Dupla”. E é ele quem está no comando de outra, mais ácida, mas com o mesmo fôlego para figurar entre as mais vistas do gênero: “O Homem Perfeito”, que estreia nesta semana.

Espécie de diretor cômico por acidente, o carioca de 44 anos começou nos longas com o drama “Bruna Surfistinha”, em 2011, engatou no humor com “Os Homens São de Marte… E É pra Lá que Eu Vou”, três anos depois, e de lá nunca mais saiu.

Não que Baldini não tenha ambições de voltar a rodar títulos mais sérios, com o mesmo tom da série “Psi”, que tem a sua assinatura em vários dos episódios. “Mas é que no cinema os projetos cômicos acontecem mais rápido”, afirma.

Isso não significa que o diretor não goste de fazer o público gargalhar. “Gosto de quando as pessoas riem pelo nervoso. Nos Estados Unidos se faz piada até com assunto seríssimo.”
“O Homem Perfeito” é desses que tiram graça de assuntos espinhosos -solidão e machismo, no caso-, tratados de forma sarcástica por Tati Bernardi, colunista da Folha de S.Paulo e autora do argumento do longa. O roteiro também é assinado por Patricia Corso e Pedro Coutinho.

Luana Piovani interpreta Diana, escritora quarentona trocada pelo marido por uma bailarina bem mais nova. Para melar o namoro do ex-companheiro, ela cria o perfil falso do que seria um homem perfeito numa rede social e ludibria a garota.

Em paralelo, a protagonista do longa também tem de lidar com um roqueiro mulherengo, vivido por Sergio Guizé, a quem ela serve de “ghost writer” numa autobiografia -situação com a qual roteirista diz se identificar. “Sei o que é ficar anos escrevendo um filme, ir à pré-estreia e ver que todo mundo está cagando para você.”

A história de “O Homem Perfeito” tem muito a ver com os próprios temas que Tati aborda em suas colunas na Folha de S.Paulo. Estão lá as expectativas frustradas com os relacionamentos e a dualidade entre o macho alfa e o macho sensível. “Escrevo sobre o que acho engraçado. Acho neurose uma coisa engraçada”, diz.

Foi a escritora quem propôs ao diretor uma imersão em comédias românticas antes de levar o roteiro à tela.

“Ele tem horror a humor raso, ele compra briga por piadas inteligentes”, diz. “O resultado é que o filme ficou classudo, sem a tosquice do gordo que sai correndo com o sorvete na bunda.”
Esse é um dos méritos que diferenciam o longa ou o também recente “Mulheres Alteradas” da massa de blockbusters cômicos nacionais. Há naqueles um esforço claro para não se apoiar em piadas surradas ou no humor gritado, onipresente em “Até que a Sorte nos Separe” ou “De Pernas por Ar”, ambas as franquias da lavra de Paulo Cursino.

Baldini, agora sim, vai dar um tempo no humor. Foi escalado para dirigir “Sequestro do Voo 375”, inspirado no caso dramático do maranhense Raimundo Nonato da Conceição, que quase conseguiu jogar um avião da Vasp no Palácio do Planalto em 1988. E quer adaptar para o cinema a canção “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá”, de Fausto Fawcett, aquela que, segundo a letra, cavalgou pelos subúrbios, “toda nua, toda nua, toda nua, toda nua”.

País não admite mais discriminação, diz Manuela

A sociedade brasileira não admite mais tratamentos diferenciados para homens e mulheres, comentou Manuela D´Ávila nesta sexta-feira (29) a respeito de sua participação no programa Roda Viva. Na entrevista exibida pela TV Cultura na última segunda (25), a pré-candidata do PC do B à Presidência da República queixou-se de ser interrompida constantemente pelos entrevistadores. O caso gerou debate nas redes sociais sobre machismo.

“Eu vi uma reação grande da sociedade. Isso é o novo. O novo é a sociedade brasileira dizer que não admite mais tratamento diferenciado para mulheres e homens”, disse Manuela à reportagem após debate com estudantes na Casa do Saber, em São Paulo.

Na internet, Manuela reproduziu memes e textos que diziam ter sido vítima de machismo no programa. À reportagem ela evitou usar o termo machismo. “Basta tabular e ver. O bom é que as pessoas puderam chegar a suas próprias conclusões vendo o programa. Não é uma questão de uma pergunta ser boa ou ruim. Não está no campo da subjetividade. Está no campo da objetividade, daquilo que pode ser contabilizado.”

Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, a pré-candidata Rio Grande do Sul foi interrompida ao menos 40 vezes durante a entrevista. Em sua participação no programa recentemente, a presidenciável da Rede, Marina Silva, foi interrompida apenas 3 vezes. Os também pré-candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT), 9 e 8 vezes, respectivamente.

A banca de entrevistadores era composta pelos jornalistas Vera Magalhães (O Estado de S. Paulo), Letícia Casado (Folha de S.Paulo), João Gabriel de Lima (revista Exame), o bacharel em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca (colunista da Folha de S.Paulo) e o diretor da Sociedade Rural Brasileira Frederico D’Ávila, coordenador do programa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na área.
Frederico perguntou quatro vezes a Manuela se ela defenderia a castração química para estupradores. Queixou-se que ela não respondeu.

Sobre esse tema, Manuela afirmou à reportagem: “Basta ver o vídeo para ver o que penso”. No Roda Viva, após Frederico defender a castração como modo de pôr fim a esses crimes, Manuela rebate que a principal atitude é “acabar com a cultura do estupro”.

Itamaraty espera denúncia sobre brasileiros que insultaram russa em vídeo

Não é nada raro. Nas ruas de Moscou, torcedores enrolados nas bandeiras de seus países cercam jovens russas ou que não entendem a sua língua para gravar e postar vídeos de teor machista que estão despertando indignação nas redes sociais pelo mundo.

No episódio mais comentado até o momento, um grupo de brasileiros cerca uma mulher russa cantando “essa é bem rosinha”, em alusão à cor de seu sexo. Sem saber do que se trata, ela canta junto na cena que acabou viralizando e provocou comentários de repúdio em todo o país.

Uma série de mulheres, entre elas as atrizes Bruna Linzmeyer e Mônica Iozzi e a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), denunciaram o comportamento flagrado no vídeo como exemplo de machismo e misoginia.

Em Moscou, os diplomatas da embaixada brasileira relatam já ter recebido emails criticando os autores do vídeo em questão, enquanto nas redes sociais circulam pedidos que aqueles homens sejam punidos e expulsos da Rússia.

Essa ação, no entanto, dependeria de uma queixa formal da vítima, que não foi registrada. Também de acordo com a embaixada brasileira em Moscou, não houve contato do governo russo com o Itamaraty sobre esse episódio.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro não comentou esse incidente específico, mas reiterou que a “imensa maioria dos torcedores brasileiros é pacífica e respeitosa”, lembrando que publicou um guia com recomendações para cidadãos que viajam à Rússia para seguir a Copa.

Um dos homens que aparece nas imagens do vídeo é Diego Valença Jatobá, um advogado pernambucano que já foi secretário de Turismo em Ipojuca, nos arredores do Recife, e que já postou outras fotos polêmicas nas redes, entre elas um selfie que fez segurando um maço de dólares.

Ele fechou sua conta no Instagram e não responde a mensagens desde que o vídeo em que aparece com outros quatro torcedores vestindo a camisa da seleção brasileira passou a ser atacado na internet.

Mas Valença Jatobá e seus amigos não são os únicos a assediar mulheres na Rússia durante o Mundial. O comportamento deles, aliás, segue um padrão que se repete nas ruas moscovitas e de outras cidades que recebem esse torneio.

Enquanto brasileiros repudiam o vídeo que veio à tona no último final de semana, torcedores argentinos e peruanos -os latino-americanos estão entre os que mais compraram ingressos para a Copa- vêm postando imagens com o mesmo teor obsceno.

Num vídeo que circula entre grupos de amigos argentinos, duas russas são ensinadas a se oferecer para fazer sexo oral com torcedores do país usando uma expressão vulgar corrente na Argentina.
Esse também não é o único vídeo. Muitos outros torcedores vêm copiando os primeiros que viralizaram e repetindo a estratégia com russas e outras mulheres que não falam a mesma língua que eles.

Um torcedor peruano, por exemplo, fez vídeos de mulheres russas e dinamarquesas em que as faz dizer que estão dispostas a transar com ele, além de várias mensagens de cunho mais pornográfico.

O caso do homem identificado como Antolin Fernández Chacón e de outro torcedor de seu país que aparece num vídeo tentando agarrar uma mulher à força também teve repercussão negativa na internet e na imprensa do Peru.

Torcedoras, aliás, não são as únicas vítimas de assédio. Em mais um vídeo que viralizou na Copa, a jornalista colombiana Julieth González, do serviço da Deutsche Welle em espanhol, foi abraçada e beijada por um homem enquanto entrava no ar ao vivo na TV.

“Um sujeito se aproveitou disso e se atirou em cima de mim. Ele me deu um beijo e tocou meio seio”, disse González. “Tive de continuar e depois tentei ver se ele continuava por ali, mas já tinha ido.”

Em outro vídeo visto pela reportagem, uma jornalista russa que não quis ser identificada também sofreu constrangimento na Fan Fest em Rostov. Ela foi gravada rodeada de torcedores brasileiros dizendo palavras como “delícia”, que ela não entendia.

Na Rússia, não há lei que criminalize o assédio sexual, em especial no ambiente de trabalho. Nos últimos meses, às vésperas da Copa e depois de um episódio envolvendo um político acusado de assediar jornalistas, a parlamentar Oksana Pushkina vem pressionando para criar essa legislação, mas nada saiu do papel.

Lutador de MMA curitibano participa de campanha-manifesto

Engajada com a vida real, a marca carioca acaba de lançar sua campanha Inverno 2018, batizada Filho teu não foge à luta.  Para isso, escalou o lutador de MMA curitibano Mauricio Shogun, e seu colega de profissão, o paulistano Demian Maia,  para estarem no octógono e mostrarem roupas de verdade e de infinitas combinações.

O lutador Demian Maia.

Estampas carregadas de mensagens vestem nossos campeões. ‘Pátria’ e ‘Cruzeiros’ trazem elementos da bandeira nacional desorganizados; ‘Cerrado’, a mistura da natureza com dinheiro. Mas as superapostas da temporada são ‘Ratos’ e ‘Caos’ que elevam perturbadores lobos e repulsivos roedores às principais imagens da coleção.

Neste momento sócio-político-econômico caótico do Brasil, a marca aproveita ainda para subir ao ringue e bater no que dos agride. E convida a todos lutar juntos, promovendo uma surra nos problemas sociais, na violência psicológica e de gênero e tudo mais que nos envergonha. Para vencer é preciso um único peso-pesado: o amor.

Uma linha de camisetas convoca para a batalha de diversas causas, como racismo (“Diga-me a cor da sua pele e não te direi porra nenhuma”); censura (“Cala a boca já morreu. Quem manda na minha boca sou eu”); assédio (“A de assédio, B de bullying, C de chega”); Machismo (“Mulher é o sexo ágil”); entre outras.

Para a caminhada do dia a dia, o jeans surge com mais força. Além dos tradicionais modelos de calças que combinam gancho, perna e barra por tipo físico, a linha Estique-se, em superelastano, agora integra calças e bermudas. O moletom ganha espaço no armário em peças dupla face, jaquetas e calças skinny color – novidade da temporada. As jaquetas vêm de todos os jeitos: militar, bomber, biker, overshirt e denim.

www.usereserva.com

Sociedade brasileira é “patrimonialista” e “machista”, afirma Cármen Lúcia

Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, afirmou hoje (26) que o fato de ocupar a chefia de um dos poderes da República não passa de um dado “circunstancial” num país cuja sociedade permanece em grande medida “patrimonialista, machista e muito preconceituosa com a mulher”.

As declarações foram dadas durante um seminário sobre as mulheres na Justiça, realizado na Embaixada da França, em Brasília. Compunham a mesa a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e a advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça.

Cármen Lúcia respondeu a uma felicitação do embaixador da França, Michel Miraillet, que destacou que o Brasil é um dos poucos países com mulheres ocupando quatro cargos de cúpula no Judiciário. Além das três que compunham a mesa, ele contou ainda a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz.

Cármen Lúcia ressaltou que a presença de mulheres na cúpula do Judiciário pouco teria significado para além de uma coincidência histórica numa sociedade “que não se acostumou que o nome autoridade não se declina, não tem sexo”. Ela revelou já ter sido barrada, por exemplo, de entrar na casa de amigos por funcionários que esperavam por um homem, jamais imaginando a possibilidade de que a presidente do Supremo fosse uma mulher.

A ministra lembrou que a presença de mulheres na cúpula do Judiciário brasileiro não se reflete nos números do Judiciário, que tem muito menos juízas e procuradoras mulheres do que homens. Tampouco, disse, se reflete na representação política, ressaltando a baixa presença feminina no Congresso.

Cármen Lúcia, Grace Mendonça e Raquel Dodge foram unânimes em destacar a imposição de uma vida quase “monástica” às mulheres que almejem cargos de liderança. De acordo com elas, há um constrangimento constante da sociedade brasileira para que a mulher priorize as relações afetivas e a família, acima da própria realização pessoal, o que não ocorre, nem de perto, em relação aos homens.

“O simples querer feminino é encarado como uma forma de ousadia”, disse Grace Mendonça. “Ainda que ocupando um cargo que tenha uma percepção de autoridade, ainda somos vistas, sim, com estranheza”.

Em sua fala, Cármen Lúcia fez questão de destacar que a face mais grave desse constrangimento social em relação à mulher se expressa no feminicídio.

“Continua havendo mulheres mortas, e não apenas pelos companheiros , mortas por uma sociedade que não vê que a mulher não é a causadora do feminicídio, que é um homicídio causado somente por ela ser mulher”, disse.

 

Vereadora é denunciada por usar ‘roupas inadequadas’ na Câmara

A vereadora Nanci Rafain Andreola (PDT), de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi alvo de uma denúncia por parte de um morador da cidade por usar “roupas inadequadas” na Câmara do município. O requerimento pediu que ela fosse investigada por quebra de decoro parlamentar. Após a leitura, a denúncia foi arquivada.

Na denúncia, o morador citou o caso do então vereador Paulo Rocha (PMDB) que “usava roupas coloridas e extravagantes, além de ternos de bolinhas e estampas de super-heróis”. De acordo com o requerimento, para mostrar que a Câmara de Vereadores é uma casa de leis e de respeito foi aprovada, em 2013, alteração no regimento interno para que as vestimentas fossem padronizadas.

“O vereador não deve se apresentar conforme acha e sim como manda o regimento”, declarou Carlos Teles de Menezes na denúncia que também tinha anexos de fotos da vereadora e notícias veiculadas em sites e portais de notícias locais. “A vereadora infringiu o regimento interno por 13 vezes”, afirma o morador. Ele cita vezes em que a parlamentar usou terno vermelho e branco, casaco verde e lenço, blusa estampada e outras vezes em que a vereadora não teria seguido as normas da Casa.

A partir de 1h06 da sessão: [insertmedia id=”yuFI-c7aGkw”]

Arquivamento da denúncia

A denúncia foi arquivada pois a própria parlamentar propôs a mudança no regimento interno em abril. O texto do regimento interno foi alterado e ganhou uma nova redação, que inclui, para mulheres, “traje feminino compatível com a decência e discrição exigidas para o respectivo local”.

Em entrevista a afiliada da Rede Globo em Foz do Iguaçu, a vereadora afirmou que está tranquila e à disposição da população. “Eu fico feliz, não estou vindo aqui com roupas chamativas e fico feliz. Sinal que estão me olhando e me notando”, disse. “Ninguém está vindo aqui de Cicciolina”, disse em referência a ex-atriz pornô e ex-deputada do parlamento italiano.

> Vereadora propõe o uso de roupas coloridas na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu

Em abril, a vereadora Nanci Rafain Andreola propôs a liberação do uso de roupas coloridas durante as sessões da Câmara Municipal da cidade. De acordo com a Nanci Rafain, a proposta de alteração precisou ser apresentada para evitar que o regimento interno fosse descumprido, especialmente, pelas mulheres. “É um absurdo nós, mulheres, ficarmos com estes vestuários. Vamos parecer sempre com a mesma aparência, dar a impressão que estamos de luto. Então pedi que voltassem as roupas normais, do dia a dia, coloridas”, explicou na época.

Construtora demite estagiário após postagens machistas nas redes sociais

Um estagiário foi demitido da Cantareira Construtora e Imobiliária, de Maringá, após postar comentários machistas em uma rede social. O rapaz publicou fotos feitas nas dependências da empresa e nas legendas faz críticas às mulheres “feministas e aborteiras”.

“Procurando alguma feminista pra ajudar a descarregar. Direitos iguais até chegar a carga de cimento”, diz um dos posts. “Analisando um projeto hidrossanitário onde vai passar os argumentos das feministas, aborteiras, etc”, diz a legenda da outra foto.

Ontem à tarde, a empresa construtora comunicou o desligamento do estagiário por meio de uma nota publicada na página da empresa no Facebook.

“Nós, do Grupo Cantareira tomamos conhecimento de postagens, com mensagens sexistas e extremistas, feitas por um estagiário em uma rede social pessoal. Apesar das fotos terem sido feitas em nossos empreendimentos, ressaltamos que não reflete a opinião do grupo, mas particular. O Grupo Cantareira despreza qualquer incitação de ódio e preconceito”, diz a nota.

A empresa também usou a rede para publicar a imagem com os dizeres: “Lugar de mulher é onde ela quiser”