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Supremo arquiva pedido para investigar Bolsonaro e Carlos no caso Marielle

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes arquivou, nesta terça (17), duas representações que pediam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu filho Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) fossem investigados no caso da morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

As notícias-crime foram apresentadas ao STF no mês passado por parlamentares do PT e pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa), depois que um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro e Carlos têm casa, citou o nome do presidente num depoimento à Polícia Civil do Rio.

Elas apontavam a suspeita do crime de obstrução de Justiça, porque o presidente declarou publicamente que pegou, por meio de seu filho, as gravações da portaria do condomínio, e Carlos publicou no Twitter um vídeo com os áudios do sistema de gravação das ligações.

No caso de Bolsonaro, o PT apontou também um possível crime de responsabilidade. O procurador-geral, Augusto Aras, se manifestou contra a abertura de investigação criminal.

“A noticiante [ABI e PT] não trouxe aos autos indícios mínimos da ocorrência de ilícito criminal. Isso porque arquivos de áudio a que alude já se encontram, há muito, sob a guarda das autoridades competentes -Ministério Público e autoridade policial–, tendo havido a análise técnica do seu conteúdo antes mesmo dos fatos noticiados”, afirmou o procurador-geral.

Com base nessa manifestação, Moraes determinou o arquivamento das representações.

“O princípio do monopólio constitucional da titularidade da ação penal pública no sistema jurídico brasileiro somente permite a deflagração do processo criminal por denúncia do Ministério Público”, escreveu o ministro.

“Assim, tendo o Ministério Público se manifestado pelo não conhecimento do pedido, notadamente em razão da ausência de indícios mínimos da ocorrência de ilícito penal, determino o arquivamento desta notícia-crime.”

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Carlos Bolsonaro é investigado por participar do assassinato de Marielle Franco

O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSL), está sendo investigado pela PC-RJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) por uma suposta participação no assassinato de sua ex-colega na Câmara Municipal do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. A informação foi dada em primeira mão pelo colunista da Rádio CBN Kennedy Alencar, na noite desta quarta-feira (20).

Segundo a investigação da PC-RJ, Carlos teria uma relação próxima com Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos contra o veículo em que estavam Marielle e Anderson.

Além disso, o histórico político entre Carlos e Marielle sempre foi conturbado. Ambos discutiram publicamente em diversas ocasiões, sendo que Bolsonaro chegou a mencionar que se recusava a entrar em um elevador em que a vereadora do PSOL estivesse.

Desde 12 de novembro, Carlos apagou suas contas no Facebook, Instagram e Twitter. Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, o vereador tem sido muito ativo nas redes sociais, inclusive sendo um dos administradores da conta do pai.

O assassinato de Marielle e Anderson ocorreu há 616 dias e ainda não foi solucionado pelas autoridades. Recentemente, reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo mostrou um depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, no qual Élcio Queiroz, suspeito de dirigir o carro com Lessa na noite do crime, teria comunicado que entraria no apartamento de Jair Bolsonaro, um dos moradores do local.

No dia seguinte, o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) veio a público informar que o depoimento do porteiro não condizia com a verdade e que Queiroz se dirigiu ao apartamento de Lessa e não de Bolsonaro.

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Porteiro que citou Bolsonaro em caso Marielle mora em área de milícia

O porteiro do condomínio Vivendas da Barra que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes mora numa área controlada por milícia.

Alberto Jorge Ferreira Mateus mora na Gardênia Azul, zona oeste do Rio de Janeiro. A Polícia Civil esteve no local no início da tarde desta sexta-feira (8) para intimá-lo a depor.

Familiares afirmaram que ele não estava no momento. Relataram também aos agentes que o funcionário estava assustado após a divulgação de sua identidade. O nome do porteiro e o local onde ele mora foram revelados pela revista Veja e confirmados pela Folha de S.Paulo.

Em nota, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou nesta sexta que assumiu a assistência jurídica do porteiro.

“Neste momento, não vamos nos manifestar sobre o caso”, informou, na mesma nota.

Foi Beto, como é conhecido no bairro, quem atribuiu a “seu Jair” da casa 58, de Bolsonaro, a autorização para a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado do assassinato de Marielle e Anderson.

Na planilha manuscrita de controle de entrada consta a unidade 58 como quem autorizou a entrada -a coluna para o nome da pessoa, contudo, está em branco.

Élcio, contudo, teve como destino a casa de um vizinho do presidente, o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de ter disparado os tiros contra as vítimas.

Em dois depoimentos à Polícia Civil, Alberto disse que foi “seu Jair” quem autorizou a entrada de Élcio. Declarou também que, ao notar que o ex-PM se dirigira à casa de Lessa, a 65/66, voltou a ligar para a unidade 58. Recebeu como resposta do mesmo interlocutor de que sabia para onde o visitante estava ainda.

A citação ao nome do presidente levou Ministério Público do Rio de Janeiro a consultar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de seguir com a investigação no Rio de Janeiro, em razão do foro especial. A Procuradoria-Geral da República afirmou que não havia indícios de envolvimento de Bolsonaro em razão dos fatos que contradiziam o depoimento.

Bolsonaro, deputado federal à época, estava na Câmara no dia do crime. Além disso uma gravação do interfone da portaria aponta que foi Lessa quem autorizou a entrada do ex-PM, afirma perícia do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Essa análise foi usada pela Promotoria para contradizer o depoimento de um porteiro que apontou “seu Jair” da casa 58, de Bolsonaro, como o responsável por liberar a entrada do acusado.

A Folha de S.Paulo revelou, contudo, que a perícia do Ministério Público não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades. Ela tinha como único objetivo instruir a ação penal contra os acusados de matar Marielle e Anderson, provando o encontro dos dois réus.

Essa mídia com a gravação foi entregue à Polícia Civil no último dia 7 de outubro pelo síndico do condomínio. Nela constavam arquivos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2018.

A entrega ocorreu dois dias depois de policiais terem feito busca e apreensão na portaria do Vivendas da Barra em busca da planilha de controle de entrada de visitantes.

No mesmo dia 7, o porteiro foi ouvido -ele foi reinterrogado dois dias depois, reafirmando o relato inicial, envolvendo Bolsonaro.

O único objetivo da análise nos arquivos entregues pelo síndico foi confirmar se é de Ronnie Lessa a voz que autoriza a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz.

Os peritos usaram como base de comparação o interrogatório do PM aposentado dado à Justiça no caso Marielle no dia 4 de outubro.

Os questionamentos das promotoras aos peritos não incluem perguntas sobre a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado.

O nome do arquivo é que indica qual casa recebeu a ligação da portaria –o arquivo que apresenta o anúncio de Élcio a Lessa tem o trecho B65, indicando ter como destino a casa 65.

O documento também indica que os técnicos não tiveram acesso ao computador de onde os dados foram retirados.

O presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, afirmou que, sem acesso à máquina em que os arquivos foram gravados, não é possível identificar se um arquivo foi apagado ou renomeado.

“A edição pura e simples, se cortou alguma coisa, dá pra fazer [apenas com a cópia]. O arquivo pode não estar editado, mas pode ter sido trocado. Tem ‘n’ coisas que aí não é a perícia no áudio, é a perícia da informática. Para ver se não foi alterada a data ou qualquer outra coisa nesse sentido, tem que ter acesso ao equipamento original. A perícia vai lá, faz um espelho, e pericia o espelho, para garantir a idoneidade da prova”, afirmou.

O computador da administração do condomínio, com o sistema de gravação, só foi apreendido nesta quinta-feira (7).

Peritos vão analisar se houve alguma alteração no sistema de gravação de chamadas entre a portaria e as casas do local. O objetivo é esclarecer todo o contexto sobre a autorização de entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz, também acusado no crime, no condomínio horas antes do homicídio.

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Polícia Federal vai investigar depoimento de porteiro do condomínio de Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro abriu ontem (6) um inquérito para investigar o depoimento prestado por um dos porteiros do condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, no Rio de Janeiro.

O pedido de abertura de investigação foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e vai apurar se o porteiro mentiu em depoimento prestado nas investigações do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido no ano passado. A investigação vai apurar o cometimento dos crimes de obstrução de Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa.

Na semana passada, o Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou que registros do condomínio Vivendas da Barra, e também o depoimento de um dos porteiros à Polícia Civil, deram conta de que um dos suspeitos do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve, horas antes do crime, na casa do sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, suspeito de ser o executor da ação, que mora no local.

Segundo o Jornal Nacional, em depoimento, o porteiro informou que Élcio Queiroz anunciou que iria não à casa de Lessa, mas à de número 58 do Vivendas da Barra, que é a residência de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Ainda segundo a reportagem, em seu depoimento, o porteiro afirmou ter interfonado para a casa do então deputado federal e que “seu Jair” havia autorizado a entrada do visitante.

Contudo, registros de presença da Câmara dos Deputados demonstram que naquele dia o então deputado estava em Brasília. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o porteiro mentiu sobre a ligação para a casa da família do presidente.

Após os acontecimentos, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a abertura de um inquérito para apurar “todas as circunstâncias” da citação do nome do presidente Bolsonaro. Em seguida, Aras remeteu o pedido para o MPF-RJ, que pediu a abertura do inquérito à PF. Na mesma decisão, o procurador-geral arquivou a citação por entender que não havia evidências de crime.

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Moro contribui mais se ficar fora da investigação, diz família de Marielle

A família de Marielle Franco defendeu neste sábado (2) que as investigações sobre o assassinato da vereadora do PSOL e do motorista Anderson Gomes permaneçam na esfera estadual. Na sexta (1), o ministro da Justiça, Sergio Moro, propôs a federalização do caso.

Em nota, eles dizem que Moro sempre demonstrou pouco interesse com o episódio e só falou em federalização após menção ao presidente Jair Bolsonaro. “Acreditamos que Sergio Moro contribuirá muito mais se ele permanecer afastado das investigações”, afirmaram os familiares.

A nota é assinada pelos pais de Marielle, Antônio Francisco da Silva e Marinete Silva, pela irmã, Anielle Franco, e pela viúva, Mônica Benício. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), de quem Marielle foi assessora, também é signatário.

Em evento em Curitiba na sexta, Moro alegou que “considerando a demora de identificação dos mandantes e essas reiteradas tentativas de obstrução da Justiça, talvez seja o caso realmente de federalização”. A transferência das investigações foi defendida pela ex-procuradora geral da República, Raquel Dodge, antes de deixar o cargo.

“O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro obteve avanços importantes e, por isso, somos favoráveis a que a instituição permaneça responsável pela elucidação do caso”, contestam os familiares, na nota divulgada neste sábado.

Reportagem do Jornal Nacional de terça-feira (29) apontou que um porteiro (cujo nome não foi revelado) disse à Polícia Civil que, no dia do assassinato da vereadora, Élcio Queiroz, ex-policial militar suspeito de envolvimento no crime, afirmou na portaria do condomínio que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal.

A versão foi refutada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que afirmou que a versão apresentada no depoimento não corresponde aos fatos apurados durante a investigação.

Nesta quinta (31), a Folha mostrou que há problemas na perícia encomendada pela Promotoria.

Na sexta, a promotora Carmen Carvalho decidiu se afastar das investigações após repercussão negativa de fotos de Carvalho apoio Bolsonaro e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que quebrou a placa em homenagem à vereadora assassinada.

A Folha de S.Paulo apurou que a viúva e a irmã de Marielle respectivamente, eram contra a permanência de Carvalho no caso. A promotora, contudo, recebeu o apoio dos pais da vereadora e da viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus Reis.

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Moro se irrita com pergunta sobre ‘novo AI-5’ de Eduardo Bolsonaro: ‘já pediu desculpas’

Sergio Moro se irritou com a pergunta sobre a declaração do ‘novo AI-5’ (Ato Institucional nº 5), feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, mas minimizou o debate criado.

O ministro da Justiça e Segurança Pública esteve em Curitiba, nesta sexta-feira (1), para a inauguração da primeira Delegacia Modelo de Investigação e Análise Financeira no Brasil.

“Vou pedir para você me explicar como isso se relaciona com a questão da delegacia. Mas, enfim, isso foi ontem e o deputado já pediu desculpas, então assunto encerrado”, disse.

Contudo, nenhuma pergunta feita pelos jornalistas durante a entrevista coletiva teve a ver com o projeto inaugurado na PF (Polícia Federal).

Antes da questão sobre o filho do presidente Jair Bolsonaro, Moro já tinha expressado descontentamento com os temas abordados: “A próxima pergunta tem de ser da delegacia. Chega de dar esse tipo de permissão, está um pouquinho demais”, afirmou.

A POLÊMICA DECLARAÇÃO DO AI-5

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, Eduardo Bolsonaro disse que, se a esquerda radicalizar, a resposta do governo poderia ser um ‘novo AI-5’.

O período é reconhecido com o maior duro da ditadura militar.

Na época, o Congresso Nacional e Assembleias, com exceção em São Paulo, foram fechados e torturas se tornaram comuns. A afirmação gerou muita repercussão: Rodrigo Maia, Marco Aurélio Mello, Davi Alcolumbre, Joice Hassellmann e Fernando Haddad foram alguns que reagiram à declaração.

Contudo, Eduardo recuou seu posicionamento após críticas do presidente, e seu pai, Jair Bolsonaro.

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Deputado Eduardo Bolsonaro causou muito debate com grave declaração. (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

MORO SOBRE MARIELLE: REFERÊNCIA FALSA A BOLSONARO

Sergio Moro também repercutiu sobre a solicitação que fez à PGR (Procuradoria Geral da República) para que fosse aberto um inquérito para investigar as declarações do porteiro na investigação sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

A fala do funcionário foi base de uma reportagem da Rede Globo. O material mostra que Élcio Queiroz, apontado como o suspeito de dirigir o carro de onde saíram os disparos que mataram Marielle e Anderson, solicitou entrada no condomínio por volta das 17h e comunicou que iria para o apartamento do presidente.

“A conclusão provisória é de que houve tentativa de obstrução e agora surgiu esse novo episódio.Como havia uma referência falsa ao nome do presidente, foi solicitado que os fatos fossem completamente apurados pela PF, sendo no caso competência da Justiça Federal”, disse.

“A expectativa é que essa nova investigação sirva tanto para aclarar esses fatos mais recentes, mas que, de alguma forma, contribua também com a investigação desses assassinatos”, completou.

ÓLEO NAS PRAIAS

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Manchas de óleo vão poluindo dezenas de praias no Brasil. (Adema/Governo de Sergipe)

O tema mais abordado por Moro foi a Operação Mácula, deflagrada hoje. A ação investiga uma empresa grega suspeita de operar o navio que pode ter causado o derramamento de óleo que atingiu mais de 250 praias do nordeste do Brasil.

“Fui informado sobre essa investigação. É extremamente complexa, fora dos padrões usuais da PF. Hoje foram deflagradas as operações de buscas afim de buscar as confirmações das suspeitas já existente”, disse Moro antes de passar a palavra para Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal.

O superintendente afirmou que a operação entra em uma fase de cooperação jurídica internacional e que é um trabalho extremamente complexo. Além disso, ressaltou que as investigações se concentram fisicamente na Polícia Federal do Rio Grande do Norte “por uma questão de estratégia”.

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Promotoria ignorou eventuais adulterações no sistema de portaria

A perícia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nas gravações da portaria do condomínio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades, aponta documento apresentado à Justiça.

Foi com base nessa análise que a Promotoria classificou como falsa a menção ao presidente feita pelo porteiro do condomínio. Para promotoras do caso, foi o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco (PSOL), quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz, ex-policial militar também envolvido no crime.

Documento entregue à Justiça mostra ainda que as bases da perícia foram feitas a toque de caixa na quarta (30), antes da entrevista sobre o caso.

O Ministério Público disse em nota que o objetivo da perícia era apenas instruir a ação penal contra os acusados de matar a vereadora, provando o encontro dos dois réus. A Promotoria afirma que aguarda autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) para seguir com a investigação que apura o mandante do crime, procedimento no qual o nome do presidente foi citado.

Reportagem do Jornal Nacional de terça (29) apontou que um porteiro (cujo nome não foi revelado) deu depoimento dizendo que, no dia da morte de Marielle, em 14 de março de 2018, Élcio Queiroz afirmou na portaria do condomínio que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal.

Pelo depoimento do porteiro apresentado pela emissora, ao interfonar para a casa de Bolsonaro, um homem com a mesma voz do presidente atendeu e autorizou a entrada. O suspeito, no entanto, foi a outra casa do condomínio.

O funcionário relatou ter interfonado uma segunda vez para a casa de Bolsonaro e que foi atendido pela mesma pessoa, que afirmou saber que a casa 66 era o destino do visitante. A planilha manuscrita de controle de visitantes, apreendida no dia 5 de outubro, registra a entrada de Élcio para a casa 58, do presidente.

Nesta quarta, a promotora Simone Sibilio afirmou que a investigação teve acesso à planilha da portaria e às gravações do interfone e que ficou comprovado que a informação do porteiro não procede.
Segundo a Promotoria, há registro de interfone para a casa 65 e a entrada de Élcio foi autorizada pelo morador do imóvel, Ronnie Lessa.

A mídia com a gravação foi entregue à Polícia Civil no dia 7 de outubro pelo síndico do condomínio. Nela constavam arquivos referentes a janeiro, fevereiro e março de 2018.

A entrega ocorreu dois dias após policiais terem feito busca e apreensão no condomínio em busca da planilha de controle de entrada de visitantes.

No mesmo dia 7, o porteiro foi ouvido –ele foi reinterrogado dois dias depois, reafirmando o relato inicial.

O único objetivo da análise nos arquivos entregues pelo síndico foi confirmar se é de Ronnie Lessa a voz que autoriza a entrada de Élcio Queiroz.

Os peritos usaram como base de comparação o interrogatório do PM aposentado dado à Justiça no dia 4 de outubro.

Os questionamentos das promotoras aos peritos não incluem a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado. O nome do arquivo indica qual casa recebeu a ligação da portaria –o que apresenta o anúncio de Élcio a Lessa tem o trecho B65.

O documento também indica que os técnicos não tiveram acesso ao computador de onde os dados foram retirados.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, sem acesso à máquina onde os arquivos foram gravados não é possível saber se um arquivo foi apagado ou renomeado.

“A edição pura e simples, se cortou alguma coisa, dá pra fazer [apenas com a cópia]. O arquivo pode não estar editado, mas pode ter sido trocado. Tem ‘n’ coisas que aí não é a perícia no áudio, é a perícia da informática. Para ver se não foi alterada a data ou qualquer outra coisa nesse sentido, tem que ter acesso ao equipamento original. A perícia vai lá, faz um espelho, e pericia o espelho, para garantir a idoneidade da prova.”

A perícia também foi criticada pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais. “É temerário o possível arquivamento de uma notícia de fato sem que tenha havido a solicitação do devido exame pericial oficial. Isso abre espaço para que tome conta do debate uma guerra de versões e opiniões, distantes da materialidade dos fatos”, afirma a nota do presidente da associação, Marcos Camargo.

Os papéis da Justiça apontam ainda que as promotoras só enviaram nesta quarta ao setor técnico as questões a serem respondidas sobre as gravações.

O Ministério Público declara ter tido acesso aos arquivos no dia 15 de outubro e não ser possível confirmar se a gravação é do mesmo porteiro que prestou depoimento.

Os autos da Justiça também não fazem menção a arquivos do circuito interno de TV para corroborar a versão de que Élcio entrou apenas uma vez no local naquele dia.

As promotoras julgaram que a perícia é suficiente para considerar falsa a declaração de que o acusado teve a entrada liberada por uma pessoa que estava na casa de Bolsonaro.

A Promotoria não citou hipóteses que possam explicar por que houve anotação incorreta do número da casa, bem como os depoimentos do porteiro. Disse que isso pode ter ocorrido por vários motivos, que serão apurados.

A planilha só se tornou alvo da investigação em outubro quando peritos conseguiram acessar dados do celular de Lessa. O aparelho foi apreendido em março, no dia da prisão, mas estava bloqueado por senhas.

Ao conseguir desbloquear o celular, os investigadores notaram que a mulher de Lessa enviou em janeiro para o marido uma foto da planilha de entrada do condomínio que indicava acesso à casa 58.

O envio foi feito em 22 de janeiro, dois dias antes de Lessa e Queiroz serem ouvidos na Delegacia de Homicídios sobre o assassinato –na ocasião, eles estavam soltos, ainda sob investigação.

Em interrogatório na Justiça, no dia 4, Lessa confirmou ter se encontrado com Élcio em sua casa, o que também motivou o pedido de busca e apreensão. Com base nesses indício, a polícia realizou a busca e apreensão dos documentos no dia 5 de outubro.

O Ministério Público afirmou em nota que “a perícia objetivou o confronto da voz entre o interlocutor que atendeu a chamada da portaria com a voz do acusado Ronnie Lessa, na intenção de confirmar com mais um elemento o elo entre os denunciados junto à ação penal em andamento”.

“Até naquele momento, os denunciados omitiram que estivesses juntos no dia do crime. A perícia apresentada complementou a ação penal em curso, auxiliando no estabelecimento da conexão entre os réus”, afirma a nota da Promotoria.

O órgão afirma ainda que há, em paralelo, uma investigação em curso para apurar quem é o mandante do assassinato da vereadora, que aguarda autorização do STF para prosseguir. É nesse procedimento que o nome de Bolsonaro foi citado.

O Ministério Público afirma ainda que não há, 17 meses após o crime, imagens de circuito interno do condomínio disponíveis.

Declarou também que a perícia teve acesso ao material já no dia 15. A promotoria afirma que na quarta (30) houve somente a formalização dos questionamentos.

O advogado Fernando Santana, que defende Elaine Lessa, declarou que sua cliente nunca foi questionada sobre a mensagem mencionada pelas promotoras. Ele afirmou que ela não enviou tal arquivo para o marido.

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Bolsonaro, porteiro, Globo, Frota e Marielle: um resumo das últimas 24 horas

A reportagem da Rede Globo, baseada em um depoimento do porteiro do condomínio de Jair Bolsonaro, movimentou a quarta-feira (30) no Brasil. Em menos de 24 horas, foram diversas notícias e muita repercussão sobre a história que aproxima o presidente da morte da ex-vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro, e seu motorista, Anderson Gomes.

Confira o resumo de toda a história:

1 – A REPORTAGEM DA GLOBO

A matéria, exibida no Jornal Nacional, teve acesso exclusivo ao depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro e seu filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, são proprietários de casas lá.

De acordo com o depoimento do porteiro, Élcio Queiroz, apontado como o suspeito de dirigir o carro de onde saíram os disparos que mataram Marielle e Anderson, solicitou entrada no condomínio por volta das 17h e comunicou que iria para o apartamento do presidente.

Contudo, a reportagem também mostra os registros de presença da Câmara dos Deputados daquele dia. Com isso, fica comprovado que Bolsonaro estava em Brasília no dia do assassinato da ex-vereadora. No fim, a matéria também conta com o posicionamento do advogado de Jair Bolsonaro.

2 – A FÚRIA DE BOLSONARO

Em uma viagem pela Ásia e Oriente Médio para atrair investimentos ao Brasil, Bolsonaro elevou o tom. Gravou um vídeo, publicado em suas redes sociais, atacando a Rede Globo pela reportagem.

“Por que essa patifaria da parte de vocês? Deixem eu governar o Brasil, vocês perderam. Vocês, o tempo todo infernizam a minha vida, p***. Agora querem empurrar a Marielle para cima de mim”, disse bastante irritado.

“Seus patifes da Rede Globo. Patifes! Canalhas! Não vai colar. Não é que vocês não vão me pegar. Vocês não tem o que me pegar”, completou.

Além disso, acusou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por ter disponibilizado o depoimento do porteiro à emissora.

“O governador Witzel que se explique agora como vazou esse processo. O senhor quer disputar a presidência em 2022. Legítimo, nada contra. Mas, para chegar lá, ao que tudo indica, você terá que destruir a família Bolsonaro”.

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Reprodução do vídeo gravado por Bolsonaro na madrugada desta quarta-feira (30). (Reprodução/Youtube)

3 – A ENTRADA DE MORO

Sergio Moro foi o primeiro a entrar na história. A pedido de Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, solicitou à PGR (Procuradoria-Geral da República) para investigar a denúncia feita pela reportagem da Globo.

No documento enviado por Moro, pedindo a a instauração de um inquérito para apurar o depoimento, o ministro abre a possibilidade de Bolsonaro ser alvo de “falso testemunho ou denunciação caluniosa”. Além disso, ele solicitou uma ação conjunta entre PGR, PF (Polícia Federal) e MPF (Ministério Público Federal) para investigar o caso.

Moro ainda destacou o trabalho da PF, que segundo o ministro, impediu a obstrução da Justiça e apontou os verdadeiros suspeitos pelo assassinato de Marielle e Anderson.

4 – CARLOS BOLSONARO MOSTRA SUPOSTAS GRAVAÇÕES

Com o objetivo de defender seu pai das acusações, Carlos Bolsonaro, divulgou diversas gravações que supostamente teriam sido gravadas no dia do assassinato de Marielle e Anderson.

No primeiro vídeo, Carlos Bolsonaro apresenta um áudio gravado em um computador, no qual às 17h13, um homem chamo Élcio solicitava entrar no apartamento 65, que é propriedade de Ronnie Lessa, acusado de ser o assassino de Marielle.

O áudio reproduz o diálogo entre o porteiro e uma voz masculina diferente de Jair Bolsonaro, que autoriza a entrada de Élcio. Esse arquivo com nome “65” tem como data de modificação o dia 14 de março de 2018, às 17h13.  Não é possível garantir que o vereador gravou o vídeo na administração e também que as outras ligações desse dia foram apresentadas.

Só que no vídeo apresentado é possível identificar duas outras ligações. Uma para a casa 58, de propriedade do presidente, e a outra para a casa 36, que pertence a Carlos. Após diversos comentários em sua postagem, o vereador publicou novo vídeo com a reprodução dessas conversas.

No primeiro áudio, uma voz feminina atende o interfone e o porteiro avisa da chegada de compras do mercado. Já a segunda gravação comunica Carlos da chegada de um motorista de aplicativo na entrada do condomínio para conduzi-lo.

5 – ARAS

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, chamou de factoide a divulgação do depoimento do porteiro e disse que a PGR e o STF (Supremo Tribunal Federal) já haviam arquivado uma notícia de fato feita pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sobre esse tema.

Aras ainda mencionou que irá solicitar ao MPRJ que se investigue o caso, principalmente se houve intenção do porteiro em prejudicar Jair Bolsonaro e sob quais circunstâncias ele mencionou o envolvimento do presidente.

Ainda de acordo com Aras, a PGR teve acesso aos outros áudios da portaria do condomínio Vivendas da Barra, mas que por enquanto, não há qualquer indício de envolvimento do presidente no assassinato de Marielle e Anderson.

6 – EDUARDO BOLSONARO x FROTA

Nesta quarta-feira, os deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) protagonizaram uma discussão durante sessão da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News.

Primeiro Frota mencionou que o presidente havia reclamado em duas oportunidades pelo fato do deputado ter pedido a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro.

“Subi e pedi a prisão do Queiroz. Meu telefone tocou, era Jair Bolsonaro reclamando que eu teria no plenário pedido a prisão do Queiroz”, prosseguiu Frota, que autorizou a quebra de seu sigilo telefônico para comprovar a existência do diálogo.

Frota ainda contou que ao encontrar o presidente em um evento, Jair Bolsonaro o teria pedido para “calar essa matraca”. O deputado disse que essa cena foi gravada em vídeo.

Mais tarde na sessão, o líder do PSL na Câmara ofendeu o colega de plenário ao dizer que ele representava um “escárnio com a sociedade brasileira” e perguntou ao deputado do PSDB o que passava por sua cabeça.

“O que passa pela minha cabeça só interessa a mim, não a você”, respondeu Frota, que prontamente foi respondido por Eduardo, que afirmou que o parlamentar era “menos promíscuo quando fazia filme pornô”.

“E o senhor assistia muito, né?”, replicou Frota. Eduardo então deixou a sessão e foi chamado de “neném” e “mimado” pelo ex-colega de PSL.

7 – MP DIZ QUE DEPOIMENTO DO PORTEIRO É FALSO

Também na tarde desta quarta, a promotora Simone Sibilio, do MPRJ, afirmou que o porteiro mentiu em seu depoimento sobre o presidente Bolsonaro.

A promotora afirmou que a investigação teve acesso à planilha da portaria do condomínio e às gravações do interfone, tendo ficado comprovado que o porteiro interfonou para a casa 65 e que a entrada de Élcio Queiroz foi autorizada por Ronnie Lessa, com quem se encontrou.

O MPRJ ainda disse que o porteiro pode ter anotado que Élcio foi para a casa de Bolsonaro por vários motivos e que eles serão apurados. “Todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas”, finalizou Sibilio.

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Porteiro mentiu ao citar Bolsonaro em depoimento, diz Ministério Público

A promotora Simone Sibilio, do Ministério Público do Rio de Janeiro, afirmou em entrevista a jornalistas na tarde desta quarta-feira (30) que o porteiro que cita Jair Bolsonaro em seu depoimento mentiu.

Reportagem do Jornal Nacional desta terça-feira (29) teve como base depoimento de um porteiro do condomínio onde o presidente tem casa no Rio. Segundo essa reportagem, no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento na morte, disse na portaria do condomínio que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal.

Segundo o depoimento do porteiro à Polícia Civil do Rio, o suspeito pediu para ir na casa de Bolsonaro e um homem com a mesma voz do presidente teria atendido o interfone e autorizado a entrada. O acusado, no entanto, teria ido em outra casa dentro do condomínio.

A promotora afirmou que a investigação teve acesso à planilha da portaria do condomínio e às gravações do interfone e que restou comprovado que o porteiro interfonou para a casa 65 e que a entrada de Élcio foi autorizada por Ronnie Lessa, com quem se encontrou.

O Ministério Público disse que o porteiro pode ter anotado que Élcio foi para a casa de Bolsonaro por vários motivos e que eles serão apurados. “Todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas”, disse Sibilio.

Questionada em seguida, a promotora disse que o porteiro pode ter se equivocado. Reiterou que o depoimento dele não bate com a prova técnica, que comprovou que é a voz de Ronnie Lessa que autoriza a entrada de Élcio Queiroz às 17h07.

Nesta quarta-feira, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, publicou vídeo, segundo ele gravado na administração do condomínio, no qual apresenta dados conflitantes com os apresentados na reportagem da Globo.

Por volta das 17h de 14 de março de 2018, data do assassinato de Marielle, foi feita uma solicitação de entrada, por uma pessoa de nome Élcio, mas para a casa de Ronnie Lessa, e não para a de Bolsonaro. No vídeo, Carlos reproduz a ligação registrada às 17h13. O porteiro anuncia a chegada do “senhor Élcio”. A voz do outro lado, diferente da de Jair Bolsonaro, responde: “Tá, pode liberar aí”.

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Caso Marielle: polícia cumpre cinco mandados de prisão

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro cumprem hoje (3) cinco mandados de prisão em um desdobramento das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março do ano passado. Um dos mandados está sendo cumprido contra o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de participar dos homicídios.

Os outros alvos são a mulher de Ronnie, Elaine Lessa, o cunhado dele, Bruno Figueiredo, Márcio Montavano e Josinaldo Freitas. Eles são acusados de obstrução de Justiça, porte de arma e associação criminosa.

Segundo a Polícia Civil, o grupo teria ocultado armas usadas pelo grupo de Ronnie, entre elas a submetralhadora HK MP5, que teria sido usada para matar Marielle e Anderson.

De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios (DH) da capital, em março deste ano, dois dias depois das prisões de Ronnie e do ex-policial Élcio de Queiroz, outro acusado de matar Marielle e Anderson, o grupo teria jogado as armas no mar. Sob o comando de Elaine Lessa, conforme a polícia, o armamento foi descartado próximo às ilhas Tijucas, na altura da Barra da Tijuca.

Para a DH, Montavano tirou uma caixa com armas de um apartamento no bairro da Pechincha, na zona oeste do Rio, levou-a até Freitas, que havia contratado o serviço de um taxista para transportá-la até o Quebra-Mar, de onde saiu o barco que levou o material até o oceano.

Já Bruno Figueiredo é acusado de ajudar Montavano na execução do plano. Com o auxílio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Marinha, foram realizadas buscas no local, mas nada foi encontrado. A profundidade e as águas muito turvas dificultaram o trabalho, segundo a Polícia Civil.