Maior escolaridade é prêmio salarial no Brasil

A enorme vantagem salarial que um diploma universitário gera no Brasil é reduzida quase à metade se o profissional não consegue uma vaga no mercado de trabalho compatível com sua escolaridade.

Segundo análise da consultoria IDados, brasileiros em funções que exigem curso superior ganham, em média, R$ 8.561 mensais. Essa remuneração cai para R$ 4.861 se a vaga ocupada por esses trabalhadores não exigir formação.

A Folha de S.Paulo mostrou que profissionais qualificados têm encontrado dificuldade de inserção em suas áreas de especialização e migrado para ocupações menos sofisticadas.

De acordo com o levantamento da IDados, embora estejam em desvantagem salarial em relação a seus pares mais bem colocados no mercado, os trabalhadores com diploma universitário ganham o dobro daqueles com ensino médio completo em vagas similares.

Quem concluiu apenas o ciclo escolar básico recebe R$ 2.035 mensais em postos que não exigem formação, revela a análise feita pela economista Mariana Leite com base na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), que reúne dados do mercado formal, de 2018.

Esse resultado confirma estudos anteriores que apontam um grande prêmio salarial por maior escolaridade no Brasil. “Esses números mostram que, mesmo deslocados das vagas que esperavam ocupar, esses profissionais têm alguma vantagem no mercado”, diz Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre/FGV e da IDados.

A babá Luciana Félix, 36, sentiu essa diferença após ter cursado pedagogia em meados da década passada. Embora tenha desistido de trabalhar em escolas e voltado à função que já havia desempenhado antes de ingressar na faculdade, ela nota que ganha mais do que outras profissionais com menos qualificação.

A faculdade a ajudou a adquirir habilidades que usou com Lucas, 20, que tem autismo. “Eu já tinha sido babá do Lucas antes e voltei, depois da faculdade, para ajudar no acompanhamento terapêutico dele na escola”, diz ela, que ainda trabalha para a mesma família, cuidando de Pedro, 8.

Porém, a distância salarial que profissionais qualificados deslocados de sua área de formação amargam em relação a seus pares em cargos compatíveis com o ensino superior pode gerar frustração pessoal.

Outro risco é o de prejuízo financeiro. Há estudos para países como o Chile que mostram que o investimento feito para pagar uma faculdade pode nunca ser totalmente recuperado dependendo da trajetória do profissional.

O descasamento entre formação e ocupação tende também a punir o país como um todo, que deixa de aproveitar habilidades que os trabalhadores adquiriram e poderiam contribuir para o aumento da produtividade.

Outro cenário possível e preocupante é que parte dos profissionais que cursam o ensino superior simplesmente não acumula ganho significativo de capital humano.

Essas questões têm chamado a atenção de pesquisadores. Segundo eles, é um problema que deveria mobilizar tanto os formuladores de políticas públicas quanto instituições de ensino e famílias.

O economista Sergio Firpo, do Insper, ressalta que o Brasil escolarizou a força de trabalho na última década e meia, dobrando o número de pessoas com ensino médio. “Deixamos disponível um contingente populacional enorme para ser absorvido pelos provedores de ensino superior”, afirma.

Dada a restrição de oferta de vagas nas instituições públicas, parte dos que buscaram continuar investindo na formação educacional terminou em faculdades privadas.

Parte do problema, segundo Firpo, é que a qualidade do ensino em algumas instituições do segmento particular -que passou por um período de forte expansão no país- é baixa, o que pode ter prejudicado os alunos. “Muitas vezes o brasileiro sai com uma formação que não é adequada para exercer certas atividades”, afirma.

“Isso faz com que ele acabe subutilizado no que diz respeito àquela ocupação para a qual foi treinado e migre para outra”, acrescenta o pesquisador.

Ottoni ressalta que a fraqueza da economia brasileira desde 2014 ampliou as barreiras para quem busca vagas qualificadas no mercado de trabalho, que foi caracterizado pelo forte aumento da informalidade nos últimos anos.
Mas, para ele, há uma falha grande de mercado no Brasil, que ajuda a explicar o descasamento crescente entre formação e ocupação.

Ao contrário do que ocorre em muitos outros países, há pouca informação sobre o que acontece com os brasileiros na transição da faculdade para o mercado de trabalho. “Em países como os EUA, as universidades acompanham seus alunos, sabem onde estão empregados, quanto ganham. No Brasil, isso praticamente não existe”, diz Ottoni.

A ausência de informação sobre o mercado pode ter levado Sandra Lima, 40, a tomar uma decisão equivocada quando decidiu cursar serviço social, na Unip. Com vasta experiência cozinhando em restaurantes, ela pensou que conseguiria o que buscava –salário mais alto e melhores condições de trabalho– em outra área.

Destinando cerca de 60% de sua renda à mensalidade do curso, Sandra conta que cursou a faculdade com grande empolgação. Quando terminou o curso, no fim de 2018, largou o emprego para poder se dedicar à busca por uma vaga em assistência social. Foi quando veio a frustração.

“Não consegui nada e descobri o quanto a gente idealiza o mercado de trabalho.” As vagas que encontrou, diz, exigiam experiência prévia ou qualificação ainda maior. “Acho que teria me ajudado saber disso antes de ingressar na faculdade”, afirma.

Depois de sete meses desempregada e à beira da depressão, Sandra voltou ao ramo de alimentação em agosto, ajudada pela ex-chefe. E, agora, está cursando uma pós-graduação, também em serviço social, com foco em saúde.
“Não desisti, nem me arrependi. A faculdade abriu minha visão de mundo. Foi como se tivesse passado a vida toda dormindo e, de repente, acordado”, diz.

Ela afirma, no entanto, que, olhando para trás, talvez tivesse optado por outra área. “Tinha pouca informação quando entrei na faculdade. Se soubesse melhor a realidade do mercado, talvez tivesse optado por gastronomia, já que adoro cozinhar e sempre trabalhei na área.”

Dados da Rais mostram que houve um boom no número de profissionais com ensino superior em postos com carteira assinada ligados à gastronomia. Entre 2013 e 2018, o número de chefes de cozinha com diploma universitário mais do que quadruplicou, passando de apenas 515 para 2.400.

Já os profissionais com faculdade ocupados como auxiliares nos serviços de alimentação se multiplicaram por dez, saltando de 871 para 8.935.

No mesmo período, o aumento no contingente de assistentes sociais com carteira assinada foi bem menor, de 11%, passando de 66,1 mil para 73,8 mil profissionais.

Os movimentos dentro de ocupações específicas podem refletir mudanças estruturais no mercado de trabalho, que ajudam a explicar a escassez de certas vagas e a oferta crescente de outras. Não por acaso o descasamento entre formação e ocupação -“mismatch” em inglês- tem sido alvo de estudos, principalmente em países desenvolvidos.

Em parte, segundo pesquisadores, ele está associado a mudanças tecnológicas que fazem com que certas ocupações desapareçam. É o que tem ocorrido com carreiras administrativas, que envolvem a realização de funções que podem ser automatizadas.

Ao mesmo tempo, outros postos -como diversas funções ligadas à análise de dados- vêm surgindo. Há ainda profissões que têm se transformado. Ottoni cita o exemplo de profissionais ocupados como secretários que começam a desempenhar outras funções, algumas mais elaboradas. Isso pode ajudar a explicar a contratação de profissionais com ensino superior para esse tipo de vaga.

“Não significa que a secretária vai acabar, mas que a secretária como nós a conhecemos pode acabar. Na prática, criando outro cargo”, diz Ottoni. A compreensão dessas tendências é considerada crucial para adequar a formação da força de trabalho dos países. Por isso, há nações com iniciativas que estabelecem um canal direto entre instituições de ensino, setores privado e governo para que haja maior coordenação entre formulação de currículos, políticas públicas e empresariais.

desempregados ibge

Paraná tem mais de 500 mil pessoas desempregadas

Levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que o Paraná tem 9% de desempregados. Um total de 545 mil pessoas que estão à procura de uma colocação no mercado de trabalho, mas que estão economicamente ativas.

Apesar do índice estar abaixo da média nacional, o número crescente de trabalhadores que recorrem à alternativas em setores informais, chama a atenção dos analistas, sobretudo, pela precarização da mão de obra da população paranaense, que se submete a trabalhos sem carteira assinada.

De acordo com Fabiano Camargo, economista do Dieese, o aumento no índice de empregos no Estado é reflexo do aumento de trabalhadores sem carteira assinada. A cada 10 trabalhadores que estão entrando no mercado de trabalho, explica o especialista, oito se alocam em espaços informais de serviços.

“Grande parte do avanço da ocupação de trabalhadores, tanto no Brasil quanto no Paraná, é decorrente do crescimento de ocupações sem carteira assinada e também dos trabalhadores por conta própria. Ou seja, a desocupação está caindo em função de uma maior flexibilização e precarização do próprio mercado de trabalho”, ressaltou o especialista.

Ainda conforme o economista, a taxa de desemprego no Paraná está 3 pontos abaixo da média nacional, mas, se comparada a anos anteriores, os números são desanimadores à população do Estado.

“São 545 mil trabalhadores fora do mercado de trabalho. Há, ainda, o agravante da informalidade no Estado que também está crescendo, justamente em função do avanço dos trabalhos sem carteira assinada e autônomos”, destacou Camargo.

MERCADO FORMAL EXIGE CAPACITAÇÃO

Andressa Felcar, coordenadora de Recrutamento e Seleção de uma instituição de ensino superior de Maringá, dá dicas para a construção, formação e notoriedade do perfil de quem está à procura de emprego.

Para a coordenadora, o currículo do profissional deve ser breve e preciso. “O currículo deve vir de forma objetiva, que seja constituído com as informações essenciais do profissional, como dados pessoais, formação e escolaridade, experiências profissionais e destaques, como cursos”, comenta Felcar.

A capacitação do profissional e a assertividade nas respostas durante a entrevista de trabalho devem ser pontos a serem destacados pelo entrevistado, para melhorar as chances de contratação.

“Os recrutadores se baseiam nas experiências dos candidatos e também destacam aspectos que são de extrema importância na hora da entrevista de emprego, sendo eles pontualidade, simpatia, cordialidade, bem como se portar de forma modesta e comedida”, destacou.

Crianças - Adolescentes - Fundo - Assistência Social - Paraná - Entidades

Fundo destina R$ 15 mi a entidades assistenciais para crianças no Paraná

300 entidades de assistência social que atendem crianças, adolescentes e pessoas com deficiência receberam R$ 15 milhões para suas atividades em 2019. O recurso é oriundo do Fundo Estadual da Infância e Adolescência (FIA), administrado pelo CEDCA-PR (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente).

O principal objetivo do FIA é financiar programas e ações para erradicar o trabalho infantil e auxiliar na inserção no mercado de trabalho para os adolescentes.

O fundo foi criado em 1992 e permite que pessoas jurídicas e pessoas físicas realizem deduções fiscais do Imposto de Renda.

“Os recursos do fundo são compostos por fontes de origens diversas e seus recursos são utilizados, exclusivamente, para o custeio de programas, ações e serviços dirigidos ao atendimento dos direitos de crianças e adolescentes. É uma situação em que todos ganham”, explicou o secretário da Justiça, Família e Trabalho, Ney Leprevost.

ENTIDADES AUXILIADAS

Uma das instituições beneficiadas pelo FIA é o Instituto Bom Aluno do Brasil. Na avaliação da gerente da entidade, Maria Isabel Grassi, apoio do fundo de extrema importância para a manutenção de políticas públicas voltadas às crianças.

“Com esses recursos temos a garantia de continuidade dos projetos de apoio escolar nas disciplinas de português e matemática, além de desenvolver competências para que os jovens alcancem um nível superior de ensino, que é a meta do Instituto”, comentou.

O Instituto Bom Aluno incentiva estudantes de baixa renda a se capacitarem pela educação. Os alunos de escolas públicas  são selecionados ainda no ensino fundamental para um programa de contraturno, no qual os jovens recebem cursos complementares, acompanhamento de desempenho escolar e integração ao mercado de trabalho.

Leprevost ainda destacou que a Secretaria desenvolve diversos outros programas voltados a crianças e adolescentes, como a Força-Tarefa Infância Segura, que congrega as políticas públicas dos sistemas de justiça, segurança, assistência social, educação e saúde em ações coordenadas para as crianças vítimas de violência.

Já foram realizadas diversas operações de fiscalização e integração em cidades do Paraná, em parceria com o Ministério Público, Poder Judiciário, Ordem dos Advogados do Brasil, conselhos tutelares, e as polícias militar, civil e federal.

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Cursos técnicos têm bom crescimento no mercado de trabalho

Os cursos de ensino técnico estão tornando-se cada vez mais populares e aceitos. A projeção é que essa modalidade de educação ganhe ainda mais adesão de jovens e adultos que não ingressaram no ensino superior ou sirva como segunda opção para quem não conseguiu colocação no mercado de trabalho após concluir a graduação. Afinal, diante da concorrência para conseguir um emprego, o curso técnico pode ser uma saída estratégica para a recolocação profissional.

O curso tem duração média de dois anos e as mensalidades, normalmente, são acessíveis, principalmente quando há bolsas de estudos que possibilitam que o estudante se qualifique pagando menos de R$200 por mês. Quem seguiu essa estratégia foi a jornalista baiana Irina Vieira, de 29 anos, que ingressou no curso técnico de Radiologia após não conseguir emprego formal na área da comunicação social. “Acho mais rápida a entrada no mercado de trabalho após um curso técnico porque tem o encaminhamento para o estágio e para a área de trabalho, pois eles indicam o aluno”, conta.

Para reforçar o acesso a essa modalidade, o Ministério da Educação (MEC) lançou, nesta terça-feira (8), o programa federal “Novos Caminhos”, que visa estimular o ensino técnico no país. Segundo o MEC, estão previstos editais em apoio a projetos de iniciação tecnológica que somam R$ 5 milhões cujos os recursos já estão previstos para o orçamento de 2020.

“Umas das coisas que temos que fazer é quebrar o preconceito contra trabalhador técnico. Muitos cursos técnicos permitem uma renda superior à de alguém formado em um curso superior que não tem foco na realidade”, declarou o ministro da educação Abraham Weintraub, durante o lançamento do projeto.

Além da abertura de novas vagas para cursos técnicos, o programa pretende capacitar e incrementar o treinamento de 40 mil professores com educação técnica, tanto presencial quanto a distância, e regularizar 11 mil diplomas de quem se formou até 2016. De acordo com o ministério, a proposta é atender 3,4 milhões de pessoas até 2023, entre elas os estudantes que fazem o ensino médio e os jovens e adultos que não trabalham e não têm formação.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

carteira de trabalho - digital

Carteira de Trabalho Digital substitui documento impresso a partir desta terça

A partir desta terça-feira (24), a Carteira de Trabalho Digital, aplicativo lançado em 2017, poderá ser utilizada com documento substituto da CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) de papel.

De acordo com o Ministério da Economia, agora, para todos os contratos de trabalho, novos ou já existentes, todas as anotações, como contratações, férias e alterações de salário, serão feitas apenas eletronicamente.

Quem for contratado por um empregador que ainda não utiliza o sistema eSocial, no entanto, ainda vai precisar da carteira física.

Somente os empregadores que ainda estão fora do eSocial terão de assinar a carteira física. Os demais não terão mais de cumprir essa obrigação.

“A partir de agora, a CTPS em meio físico não é mais necessária para a contratação na grande maioria dos casos”, diz o ministério em nota.

“Para o trabalhador, basta informar o número do CPF no momento da contratação. Para o empregador, as informações prestadas no eSocial substituem as anotações antes realizadas no documento físico.”

De acordo com o governo, quem possui a CTPS em formato físico deve guardá-la.

“Ela continua sendo um documento para comprovar seu tempo de trabalho anterior. Mesmo com a Carteira de Trabalho digital podendo mostrar contratos de trabalho antigos (dos anos 1980, por exemplo), é importante nesses casos conservar o documento original.”

Com as mudanças, o número do CPF passa a ser o número de identificação da Carteira Digital e o número válido para fins de registro trabalhista, segundo o governo.

A substituição da CTPS física pela digital estava prevista na Lei da Liberdade Econômica, sancionada na última sexta-feira (20) pelo presidente Jair Bolsonaro, e foi regulamentada nesta terça-feira (24) por meio de portaria da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

COMO ACESSAR

De acordo com o ministério, o documento digital está previamente emitido para todos os brasileiros e estrangeiros que tenham CPF. Para habilitá-lo, é necessário criar uma conta de acesso pelo site www.gov.br/trabalho, no primeiro ícone à esquerda da página, no link “obter”.

O aplicativo só poderá ser utilizado em smartphones (sistemas IOS ou Android), mas também é possível acessar a carteira digital pelo portal de serviços do governo (gov.br).

O ministério informa ainda que, para contratos de trabalho antigos, pode haver divergências entre os dados da carteira digital e o registrado no papel. Nesse caso, o governo recomenda aguardar a correção automática das informações e diz que não é necessário comparecimento a uma unidade de atendimento.

Se o problema for referente a informações posteriores a setembro de 2019, é necessário falar com o empregador para solicitar a correção.

O governo recomenda a quem não conseguir gerar a senha de acesso pelo aplicativo ou pela internet que procure a Caixa, o Banco do Brasil ou uma unidade do Ministério da Economia.

Inteligência Artificial ajuda recrutadores no processo seletivo, entenda

Com os avanços tecnológicos em todas as áreas da vida, os profissionais que estão em busca de uma vaga no mercado de trabalho precisam, acima de tudo, ter um bom currículo e, além disso, um currículo online. Isso porque os profissionais de recursos humanos estão, cada vez mais, inserindo tecnologias no processo de seleção.

Atualmente, a leitura e análise de um CV online já pode ser feita através de inteligência artificial. Diversas opções de softwares, robôs e algoritmos ajudam recrutadores nas fases iniciais dos processos seletivos a encontrar o candidato que melhor se enquadre no perfil buscado, de forma rápida e eficiente. O Linkedin é um dos pioneiros na otimização dos currículos online.

Profissionais devem utilizar palavras-chave de acordo com suas especificações ou cargo, pois assim, podem ser encontrados de forma mais breve. O Robot Vera, utilizada pela Stafory, uma startup russa, é um exemplo de recrutamento e contratação de mão de obra através do auxílio da inteligência artificial. Esse suporte tecnológico facilita bastante o trabalho de seleção de grande volume de candidatos.

Confira algumas dicas de como otimizar o seu currículo online para esse novo tipo de seleção:

Saiba escolher as palavras no CV: a análise é feita com base no texto escrito. Por conta disso, é importante dominar o uso correto da linguagem. Especificar de forma clara e concisa, as informações, cargo pretendido, habilidades, idiomas e formação acadêmica. A inteligência artificial determinará se o currículo é valido através de informações específicas, palavras-chave e de acordo com a descrição da vaga e os critérios do recrutados.

Tenha um currículo simples e direto: construa um CV com as informações necessárias, sem fugir do foco principal. Exponha as qualificações conforme as necessidades da vaga pretendida. O uso de imagens, fontes diferenciadas e outros elementos podem prejudicar no momento da leitura do software.

Tenha um currículo claro, que seja lido tanto por robôs, quanto por humanos: a clareza nas informações é fundamental, seja no campo tecnológico ou não. Ter um currículo que seja de fácil entendimento, que tenha uma leitura agradável, com informações organizadas e bem estruturado é o diferencial.

Qualificações: buscar cada vez mais se qualificar, não somente na sua área de atuação, mas nas áreas correlacionadas com ela. Cursos de idioma, uma segunda graduação, pós-graduação e afins. Para isso, você pode contar com o Educa Mais Brasil, maior programa de incentivo educacional do país que oferece bolsas de estudos com até 70% de descontos nas mensalidades. Acesse o site do programa e confira as oportunidades. É gratuito!

Agência Educa Mais Brasil

Mulheres aumentam escolaridade em relação aos homens, mostra pesquisa

O ano de 1991 foi um marco para o perfil da mulher no mercado de trabalho porque, pela primeira vez, o nível de escolaridade feminina superou o dos homens. Segundo a professora Hildete Pereira de Melo, uma das coordenadoras do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Economia (NPGE) da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), nesse período o tempo de estudo das mulheres passou a ser maior.

Conforme a pesquisadora, as mulheres aumentaram em um ano a escolaridade média em relação aos homens. “É a maior conquista das mulheres brasileiras terem conseguido se educar no século 20. Embora, a gente não tenha construído a igualdade, a gente conseguiu realmente uma vitória. Não houve política pública que facilitasse isso. Foram decisões pessoais das mulheres”, afirmou, acrescentando que no Censo 1900 as mulheres eram analfabetas e terminaram o século 20 mais escolarizadas do que os homens.

A evolução da escolaridade é um dos dados abordados pela pesquisa, que comprova a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres no Brasil. O trabalho foi desenvolvido por Hildete e pela professora Lucilene Morandi, também coordenadora do NPGE. “A ideia dessa pesquisa era ter uma noção do impacto da diferença de participação no mercado de trabalho e na renda de homens e mulheres”, disse Lucilene.

Escolaridade x Salário

O aumento da escolaridade, no entanto, não representou o fim do desequilíbrio salarial entre homens e mulheres. As pessoas com mais escolaridade no Brasil ganham mais, mas Hildete citou o próprio exemplo para comentar a diferença de gênero na questão salarial. “A distância entre o que eu ganho como doutora em economia e o meu colega que é doutor em economia é muito grande. É muito maior do que quando pega uma escolaridade mais baixa, então, educação é um prêmio para todos, mas o prêmio para os homens é bem superior ao que ela permite às mulheres”.

Trabalho doméstico

Outra avaliação da pesquisa, ao analisar o Produto Interno Bruto (PIB) feminino e masculino, é a falta de captação do resultado do serviço doméstico feito pelas mulheres, inclusive com extensão de jornada. “O problema do trabalho não pago, o trabalho gratuito, que as mulheres realizam, é que se somasse os dois tempos, o do que a gente chama pago ou produtivo com o não pago nos cuidados com as crianças, com a casa, com os doentes, com os idosos, vê-se que a jornada das mulheres é cinco horas, maior”, observou.

A professora acrescentou que o mercado costuma ter o argumento de que as mulheres ganham menos porque trabalham menos que os homens. “A jornada das mulheres no trabalho produtivo pago é menor, só que elas agregam uma jornada além, quando trabalham dentro de casa. Para as donas de casa em geral, a média das mulheres ocupadas é de 22 horas por semana, além da jornada que ela tem no trabalho pago, que é de 8 horas por dia”.

PIB

Segundo a professora Hildete, as avaliações do PIB per capita indicam que em 2005, conforme estudos baseados nos indicadores das contas nacionais elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados em 2006, se o PIB brasileiro contabilizasse as horas não pagas às mulheres, haveria um crescimento de 11%. “A gente fez um cálculo do PIB global; se agregasse o tempo de trabalho não pago, o PIB brasileiro aumentaria 11%. Naquele momento era equivalente ao PIB fluminense, que era o segundo do Brasil, o primeiro era o de São Paulo. Aumentava a riqueza nacional se agregasse isso”, disse.

A pesquisadora contou como conseguiram contabilizar os dados. “Desde 2001, o IBGE publica uma estatística sobre o trabalho não pago, o qual classifica de afazeres domésticos. Por causa da publicidade desses dados, a gente pôde valorar as horas de trabalho”, completou.

Perfil

Hildete alertou ainda para a necessidade de a mulher se preparar para um novo perfil profissional. Segundo ela, o mercado de trabalho caminha para carreiras mais tecnológicas. “Essa revolução tecnológica vai jogar as mulheres no olho da rua, porque precisa fazer outros cursos universitários. As coisas de TI [tecnologia da informação] são todas de modelos matemáticos. Vamos ter que enfrentar isso. Não podemos ficar só com a psicologia, a enfermagem, a pedagogia. Nem a economia é curso de mulher. Somos minoria ainda, [o índice] está abaixo de 30% [quantidade de mulheres nos cursos em relação a homens].

Renda média

A professora Lucilene Morandi destacou que no período analisado, entre 2000 e 2015, além de avaliação de dados de 1991, a renda média da mulher aumentou. “A explicação que a gente tem para isso é que nesse mesmo período, a partir dos anos 80, as mulheres deram um salto em termos de escolaridade média e isso se refletiu no mercado de trabalho. A gente tem também maior participação no mercado de trabalho. Então, o PIB dela cresce”.

O estudo concluiu que a competitividade da mulher também é influenciada pela dupla jornada. Segundo Lucilene, isso ocorre quando a mulher interrompe o período de trabalho para ter filhos ou precisa ter horário flexível para se adequar à vida doméstica. “Como esse encargo da criança ainda é majoritariamente da mulher no Brasil e boa parte do mundo, isso tem um custo para a mulher, porque enquanto ela está grávida e tendo filhos se prejudica no mercado de trabalho e quando volta é menos competitiva”, disse.

Políticas públicas

Para Lucilene, esse problema seria reduzido se houvesse políticas públicas como a instalação de creches, centros de atendimento e escolas de horário integral, onde pudessem deixar os filhos. “Mesmo que não fossem do Estado, teriam que ter apoio do Estado, porque teriam que ter um custo baixo para as famílias”, disse.

A pesquisa levou em consideração os dados de 1991 e a série de informações entre 2000 e 2015. As professoras já estão pensando no avanço do trabalho, que passará a analisar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que desenvolve estudos após 2015, que se diferem da Pnad produzida em período anterior.

Desemprego no país soma 13,2 milhões de pessoas; conheça a história do advogado que foi às ruas em busca de oportunidade

Mesmo com disposição e um bom currículo, muitas pessoas que se encontram na situação de desemprego não conseguem uma colocação no mercado de trabalho. O drama de muitas famílias é demonstrado em números pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) que registra 13,2 milhões de pessoas desocupadas.

Outro dado preocupante se refere ao número de pessoas desalentadas, ou seja, que desistiram de procurar emprego. O índice teve aumento de 4,3%, mais de 202 mil pessoas em relação ao trimestre anterior. Resistindo às dificuldades para conseguir uma vaga no mercado de trabalho, Wítalo Cruz, 26 anos, é graduado em direito, já possui a carteira da OAB e têm experiências na área, mas está desempregado desde janeiro deste ano.

Por conta de poucos retornos dos currículos enviados e sem nenhuma resposta, teve uma ideia inusitada: passou um dia, de terno e gravata, segurando uma faixa com um pedido de emprego e divulgando as suas experiências, em frente ao Brasília Shopping, um dos locais mais movimentados da capital do Distrito Federal. “Devido a tristeza de não receber o retorno dos lugares onde eu entregava currículo, veio a ideia da faixa. Na minha mente eu pensava: através da faixa um número maior de escritórios e empresas saberão que estou precisando de emprego e, pelo menos, irão me chamar para uma entrevista e as oportunidades virão”, conta o profissional.

A iniciativa, um tanto desesperada por conta das dívidas que se acumulam, começou a funcionar. As pessoas que passaram pela avenida W3 Norte, que é bastante movimentada, tiraram fotos que viralizaram na internet. Escritórios e empresas começaram a entrar em contato com Wítalo para marcar entrevistas. Para ele já foi um avanço ter a oportunidade de se apresentar para o mercado de trabalho.

O advogado conta que assim que conseguir um emprego já tem prioridades. “A prioridade vai ser pagar as contas que estão atrasadas, com fé em Deus! ”, completa Wítalo que já pensa em adquirir mais conhecimentos: “Irei fazer pós-graduações e me aperfeiçoar e crescer na área a qual me formei. ”

Mercado de trabalho

A analista de Recursos Humanos Tamires Assis, pontua que o mercado de trabalho vem sofrendo variações em consequência da crise econômica nos últimos anos, o que reflete na escolha do profissional. “As empresas têm buscado cada vez mais profissionais multipotenciais, que sejam capazes de serem mais com menos. A depender da segmentação e área, os especialistas ainda têm espaço no mercado e são fundamentais para determinadas atividades”.

A especialista dá algumas dicas importantes para quem está precisando preparar o currículo: organizar as informações de forma cronológica e por “seção” (formação acadêmica; cursos; experiências; idiomas e etc) facilita a leitura do recrutador; escrever de forma objetiva, mas não deixar de colocar o que é essencial. Já na entrevista: demonstrar vitalidade e desejo de assumir aquela posição. Buscar valorizar todas as suas competências e resultados e, quando expor os erros, destacar o aprendizado obtido.

Agência Educa Mais Brasil

Mulheres ganham até 13% menos que os homens no Paraná

As mulheres ganham até 13% menos que os homens no Paraná. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho, divulgados nesta segunda-feira (22), o salário médio pago as mulheres ficou em R$ 2.786,52, enquanto o dos homens ficou em R$ 3.092,94. No ranking nacional, o Paraná é o oitavo estado onde a diferença salarial é maior.

Na avaliação do economista e professor universitário, Jackson Bittencourt, a escolha das profissões é um dos fatores que influencia nesse índice. Algumas áreas ainda são predominantemente ocupadas pelos homens, enquanto outras, por mulheres.

“Quando você desagrega esses dados, você percebe algumas coisas que não acontece só no Paraná, mas no Brasil e outros países como Estados Unidos. Quando você vai em um curso de engenharia civil você vê um ambiente predominantemente masculino, quando você vai em um curso de pedagogia você vê mais mulheres. Então a escolha da profissão faz com que o salário dos homens sejam mais altos que os das mulheres”, disse.

O levantamento do Ministério do Trabalho revela que a diferença salarial vem caindo gradativamente. De 2016 a 2017, foi registrado um aumento na remuneração média das mulheres de 2,6%, chegando a média de R$ 2.708, 71 enquanto a dos homens cresceu 1,8%, ficando em R$ 3.181, 87.

O economista Jackson Bittencourt destaca que as mulheres ainda enfrentam muitos obstáculos, principalmente para chegar a ocupar cargos mais altos nas empresas. No entanto, o mercado de trabalho tem apresentado mudanças significativas nas últimas décadas.

“Muitos cargos diretivos na maioria são de homens, isso tem a ver com a cultura do machismo. Não há dúvida que algumas sociedades tenha uma cultura machista, mas isso vem se reduzindo”, afirmou.

No ranking nacional, o Paraná é o oitavo estado com a maior desproporção salarial entre gêneros. São Paulo fica em primeiro lugar. Por lá, a diferença na remuneração dos homens e das mulheres chega a 19%. Na sequência vem Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Rondônia.

Idosos estão adiando cada vez mais saída do mercado de trabalho

Ao longo dos últimos anos, a participação de pessoas com idade superior aos 60 anos vem aumentando na força de trabalho do país. Além do envelhecimento da população, os idosos estão adiando a saída do mercado. E para protegê-los, o Estatuto do Idoso, que completou 15 anos no dia 1º de outubro, também trata de direitos relativos a trabalho e renda. Entretanto, alguns ainda não saíram do papel.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de os idosos serem o grupo com menor participação no mercado, este percentual vem aumentando, passando de 5,9% em 2012 para 7,2% este ano. São 7,5 milhões de idosos na força de trabalho.

Em seu Capítulo 6, o estatuto garante ao idoso o exercício da atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas, sendo proibida a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, exceto quando o cargo exigir. Para a técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, apesar do preconceito, a aceitação aos idosos está aumentando, já que a população de maneira geral também está envelhecendo.

Crise e chefes de família

Além disso, segundo ela, as dificuldades financeiras das famílias é um dos motivos para os idosos continuarem no mercado ou voltarem ao trabalho. “Até pela crise, tem uma maior procura de trabalho pelos idosos, mesmo aposentados, dada a necessidade de aumentar a renda familiar”, explicou.

Os dados da Pnad Contínua apontam que, do segundo trimestre de 2017 ao primeiro trimestre deste ano, 46% dos trabalhadores ocupados com mais de 60 anos de idade moravam no Sudeste, 56% eram mulheres e 63% se declararam como chefes de família.

Apenas 27% estavam no mercado formal, enquanto 45% atuavam por conta própria. Dentre os setores da economia, o comércio absorveu 17% desses trabalhadores, 15% estavam na agricultura e 10% atuavam no setor de serviços relacionados a educação e saúde. Do contingente de trabalhadores com mais de 60 anos, 67% têm apenas o ensino fundamental incompleto e 25% têm escolaridade média ou superior.

De acordo com o IBGE, os idosos devem representar 25,5% da população até 2060.

Assim, a participação dos idosos no mercado de trabalho avança, enquanto cai a da população mais jovem. Conforme a Pnad Contínua, nos últimos 5 anos, o contingente dos trabalhadores ocupados com idade entre 18 a 24 anos recuou de 14,9% para 12,5%, enquanto daqueles com mais de 60 anos passou de 6,3% para 7,9%.

Para Ana Amélia Camarano, o mais preocupante é a redução da força de trabalho, com a diminuição da população jovem e em idade ativa. “Teremos muitos idosos vivendo muito e poucas pessoas em idade de trabalhar. Isso vai terum impacto na redução das receitas e nos gastos previdenciários, nos gastos com a saúde e outros impactos, como a diminuição da força de trabalho”, disse.

A técnica disse que é fundamental capacitar a população mais velha para reduzir sua saída do mercado e aumentar o intervalo do que se considera a população em idade ativa. “É preciso garantir a empregabilidade desse trabalhador mais velho. E, para isso, é preciso capacitação, por exemplo, melhoria das condições de saúde e de mobilidade urbana, redução do preconceito e melhores condições de trabalho”, afirmou.

Políticas públicas

No setor público, o Estatuto do Idoso determina que o primeiro critério de desempate em concursos seja a idade, dando-se preferência ao candidatos de idade mais elevada. Além disso, é dever do Estado criar e estimular programas de profissionalização para os idosos, preparação dos trabalhadores para a aposentadoria e estímulo às empresas privadas para admissão de idosos ao trabalho.

Segundo Ana Amélia, pouco tem sido feito. A técnica do Ipea conta que está em discussão no Congresso Nacional uma emenda ao estatuto para que as empresas reservem um percentual de vagas para os idosos. “Isso pode ajudar a aumentar a participação dos idosos no mercado”, disse.

Para a técnica do Ipea, o grande mérito do Estatuto do Idoso é criminalizar o não cumprimento de questões legais e colocar em evidência a questão da violência contra o idoso. “Mas a criminalização acontece mais para as famílias. Como vai criminalizar o SUS [Sistema Único de Saúde] porque não tem vaga no hospital? Mas criminaliza a família que negligencia o idoso, sem ajudar essa família a cuidar”, ressaltou.

É necessário ainda, segundo Ana Amélia, padronizar a idade para a pessoa idosa, pois existem programas para a população de 60 anos e outros acima da 65 anos. O próprio IBGE considera população idosa aquela acima de 60 anos, enquanto a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho, faz o recorte a partir dos 50 anos.

Os dados da Rais também apontam aumento da ocupação dos idosos no mercado. Em 2003, ano de publicação do Estatuto do Idoso, o país empregava 3,2 milhões de pessoas entre 50 e 64 anos e outras 216 mil com mais de 65 anos. Já em 2016, eram mais de 7,5 milhões de trabalhadores entre 50 e 64 anos, além de mais de 598 mil acima dos 60 anos.

Agência Brasil entrou em contato com o Ministério do Trabalho sobre as políticas voltadas à população idosa, mas não obteve retorno até a publicação.

Previdência e assistência social

O Estatuto do Idoso também dedica capítulos à Previdência e assistência social ao idoso, relativos à renda. Aos idosos, a partir de 65 anos, que não tenham meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de um salário mínimo, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, também considerando o aumento da população, houve crescimento no pagamento do BPC. Em 2004, um ano após a sanção do Estatuto do Idoso, pouco de 933 mil idosos recebiam o benefício. Em 2018, são 2,03 milhões.

Apesar de garantido em lei, o recebimento do BPC é o campeão de processos movidos por idosos na Defensoria Pública da União (DPU). Segundo o defensor público federal de ofício previdenciário, Jorge Medeiros de Lima, a maior dificuldade é provar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a renda do idoso. Para Lima, um avanço do estatuto é que ele prevê que o benefício assistencial concedido a qualquer membro da família não é computado para cálculo da renda se um outro membro precisar desse benefício.

“Se nós temos um idoso que recebe um benefício de Loas e se a esposa dele, também idosa, precisar, quando o INSS for aferir a renda familiar não pode considerar a renda daquele que já recebe o Loas, ela será desconsiderada”, explicou. Para ter direito, a renda da família não pode ser maior do que um quarto do salário mínimo por pessoa, o equivalente a R$ 238,50.

O BPC não pode ser acumulado com outro benefício da Seguridade Social, como seguro-desemprego, aposentadoria ou pensão. Mas é possível recebê-lo junto com o Bolsa Família, desde que a renda da família se enquadre nas regras do programa.

No caso do idoso necessitar de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, precisa comprovar perante a perícia do INSS que está incapaz de trabalhar. O que, segundo Lima, não é tarefa fácil, mesmo com comprovação médica. De acordo com o defensor público federal, os atendimentos na área previdenciária cresceram por causa do envelhecimento da população e a revisão da concessão de benefícios pelo INSS, que muitas vezes conclui pelo fim de determinado pagamento.

De acordo com Lima, em cerca de 85% a 90% das ações ajuizadas contra o INSS, o idoso consegue o restabelecimento ou concessão do benefício. No entanto, os processos levam, em média de um a dois anos; se houver recurso, pode demorar de três até cinco anos. “É muito tempo para um idoso pobre”, disse, acrescentando que muitos morrem com o processo em andamento.

Apesar das dificuldades para cumprimento dos dispositivos, a DPU avalia que o Estatuto do Idoso trouxe prioridade no julgamento de demandas. “Nós temos uma certa preferência no julgamento do idoso, mas não caminha com a celeridade que o idoso precisa. E a situação vai se agravando à medida que vai subindo as instâncias”.