Sergio Moro Geraldo

Moro sofre derrota e Congresso atribui atividades do Coaf ao Ministério da Economia

A comissão especial mista que analisa a Medida Provisória da Reforma Administrativa (MP 870/19) decidiu, por 14 votos a 11, tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do controle do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sérgio Moro, e transferi-lo para o Ministério da Economia.

Moro diz que Coaf é estratégico e que Guedes não se interessou pelo órgão

O ex-juiz da Operação Lava Jato defendia a permanência do Coaf em sua Pasta por entender que o Coaf é um órgão de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro. A mudança de atribuição teve apoio dos partidos DEM, PP, PSD, PR, PTB, PRB, Pros, Podemos e Solidariedade.

O Coaf foi criado em 1998 e atua com inteligência financeira e investigação de operações suspeitas. O órgão recebe informações sobre transações suspeitas e se detectar a possibilidade de crimes, encaminha os casos ao Ministério Público. Foi o Coaf que identificou e divulgou a movimentação financeira de R$ 1,2 milhões de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, e a série de depósitos suspeitas feitas em sequência em caixas eletrônicos para a conta de Flávio.

Antes o órgão também tinha revelado à CPI dos Correios, as incongruências e volume de saques em espécie de Marcos Valério, operador do esquema do mensalão petista.

“Ele [Moro] conseguiu esta semana mudar uns dez votos. A mim ele não convenceu. Ele não me convenceu, como política de Estado, o que justificaria o Coaf ficar no Ministério da Justiça. Ele [o Coaf] funcionou muito bem até dezembro. De janeiro para cá, ele não funciona”, disse o líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (DEM-BA), ao comentar seu voto.

Tramitação

A votação desta quinta-feira foi apenas a primeira etapa da MP que trata da reforma administrativa. As mudanças aprovadas hoje ainda precisam ser também aprovadas pelo plenário da Câmara e depois pelo do Senado. Para não expirar, o texto de conversão da medida provisória precisa ser ter a votação concluída nas duas Casas até o dia 3 de junho.

Sergio Moro participará de seminário sobre corrupção nesta terça

Sergio Moro, futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL), participará nesta terça-feira (11), em Brasília, da terceira edição do seminário Caminhos Contra A Corrupção. O evento é organizado pelo Instituto Não Aceito Corrupção.

O ex-juiz, que foi responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, falará sobre o futuro da operação e do controle da corrupção no Brasil.

O ministro Wagner de Campos Rosário também participará do evento, no qual falará sobre corrupção e direitos humanos. Ele foi mantido por Bolsonaro na CGU (Controladoria Geral da União).

Também participarão do evento Maria Tereza Uille Gomes, conselheira do CNJ (Conselho Nacional de Justiça); Karina Kufa, especialista em direito eleitoral; Fernando Rodrigues, jornalista e diretor executivo do portal Poder 360; Gil Castelo Branco, fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas; Luiz Flávio Gomes (PSB-SP), deputado federal eleito e Michael Freitas Mohallem, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Moro anuncia superintendente da Polícia Federal no PR como novo diretor da PF

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Sérgio Moro, anunciou o nome do superintendente da Polícia Federal do Paraná, Maurício Valeixo, como novo diretor-geral da PF, nesta terça-feira (20).

Ele assume o cargo a partir de janeiro. Atualmente, quem ocupa o cargo é Rogério Galloro.

Valeixo já atuou em Brasília, chefiando a Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor) e é superintendente da PF no Paraná, pela segunda vez. Ele já foi diretor de inteligência e adido policial nos Estados Unidos.

Ele assumiu a superintendência no Paraná em dezembro do ano passado, ao ser indicado pelo então diretor-geral da PF, Fernando Segóvia.

Moro já havia anunciado que chamaria nomes da Lava Jato para integrar sua equipe.

 

“Minha nomeação nada tem a ver com o Lula”

Sergio Moro precisou, em boa parte de sua entrevista coletiva desta terça-feira, explicar os motivos que o levaram a aceitar o convite para ser ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro (PSL) e afastar contradições e críticas de que tenha sido nomeado por conta da influência política de sua conduta na Lava Jato ou que tenha agido por interesses políticos ao longo dos julgamentos as ações penais referentes ao caso. Moro disse que sua nomeação não tem qualquer relação com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato e que, por isso, não participou das eleições presidenciais deste ano, vencidas por Bolsonaro.

“Isso não tem nada a ver com Lula, que foi condenado e preso porque cometeu um crime e não por conta das eleições. A condenação já foi confirmada por corte superior, que determinou a prisão e eu apenas cumpri”, disse Moro. “Alguns interpretaram que o convite foi uma ‘recompensa’, numa visão equivocada, pois a Justiça apenas cumpriu seu dever. Não posso pautar a minha vida com base numa fantasia de um álibi falso, de perseguição política”, acrescentou.

O juiz disse, ainda que as ligações de interesse político em sua nomeação partem de “informações distorcidas partidas do pressuposto que o ex-presidente foi condenado injustamente e por ato pessoal do juiz Moro. A conclusão de que houve recompensa só se baseia nesta desinformação. Minha sentença é de meados de 2017, sem qualquer relação com a eleição. Eu cumpri minha missão, assim como cumpri em diversos outros casos”.

Moro disse que só conheceu Bolsonaro pessoalmente na reunião que eles tiveram no Rio de Janeiro, no último dia 1º, mas admitiu que foi convidado para o novo governo uma semana  antes do segundo turno das eleições, a partir de uma ligação do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. “Fui procurado pelo Paulo Guedes em 23 de outubro, que me questionou sobre meu interesse de compor o governo. Eu disse que só poderia tratar disso depois das eleições e expliquei que tipo de projeto seria necessário para eu assumir essa posição. Depois das eleições houve o convite público e o encontro em 1º de novembro, quando conversamos, vimos as convergências e divergências e concluímos que podemos chegar ao meio termo”.

Questionado sobre decisões polêmicas que tomou durante o período eleitoral, como a divulgação de parte da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, ou o adiamento do depoimento de Lula, marcado por ele mesmo para o período de campanha, Moro disse que se pautou pela transparência e pela segurança que sempre nortearam a Lava Jato. “A Lava Jato sempre se pautou pela a transparência. Não cabe ao Judiciário ser guardião de segredos de políticos. Sempre foi assim. Sempre fui criticado pela publicidade, mas é a transparência que marcou esses quatro anos da Operação. Vocês falam tanto das notícias falsas, as fake news, isso (divulgação da delação de Palocci) foi direito à informação. Eu não tinha direito de não tornar pública”, afirmou. Sobre o adiamento do depoimento de Lula, ele disse que identificou riscos “porque em todos os depoimentos anteriores houve mobilização de militantes e poderia até haver confrontos. Havia, ali uma razão de segurança”.

Moro também negou que sua resposta positiva a Bolsonaro foi condicionada a uma futura indicação para o Supremo Tribunal Federal, quando da aposentadoria do decano Celso de Mello, prevista para novembro de 2020. “Não estabeleci condições. Fui com uma pauta mostrando nossas convergências e divergências superáveis. Não existe vaga no STF, então não é apropriado discutir isso atualmente”.

O futuro ministro também foi questionado sobre como lidar tendo que negociar com um Congresso recheado de políticos investigados e tendo como colegas de governo pessoas investigadas e até condenadas, como por exemplo o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que admitiu ter campanhas políticas financiadas por caixa 2. “Tenho admiração pelo Onyx, acompanhei o trabalho dele na tramitação das 10 medidas e ele foi um dos poucos deputados que defendeu a aprovação daquele projeto, mesmo sofrendo ataques severos de parte de seus colegas. Ele admitiu seus erros, pediu desculpas por esses casos do passado”.

O magistrado ainda disse não ver nenhuma irregularidade em pedir férias do Judiciário nestes dois últimos meses do ano para dedicar-se ao planejamento do ministério e à transição de governo. “A discussão sobre as férias parte de uma premissa equivocada. Eu não posso assumir cargo e não fiz. Por ora, me afastei e no momento próximo á nomeação, vou me exonerar”, disse. “Não estou praticando atos no presente, estou planejando o futuro. Não enriqueci no serviço público. Preciso desses vencimentos. Ainda previno sobre ameaças. Se peço exoneração hoje e acontece algo comigo no próximo mês, como fica minha família? Sinceramente, não vejo problemas. Parece que estão pautando por fantasmas da mente. Qual o problema de o juiz tirar férias para planejar o que vai fazer no futuro?”, prosseguiu.

O futuro ministro disse, ainda, não acreditar ser uma ferramenta de marketing do governo Bolsonaro. “Estou indo para Brasília para realizar um bom trabalho na convergência de planos que foi discutida. Se for explorado politicamente, será resultado do bom trabalho, é natural. Não acho que haja uma precedência de uma coisa sobre outra”.

Moro diz ter apenas divergências superáveis com Bolsonaro, “um homem moderado”

O juiz federal Sérgio Moro afirmou, nesta terça-feira, em entrevista coletiva em Curitiba, que não prevê grandes embates com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), de quem será ministro da Justiça e Segurança Pública a partir de janeiro de 2019. Moro disse que a agenda de combate à corrupção e ao crime organizado, que apresentou como prioridade para a pasta, foi integralmente aceita pelo futuro presidente e que eventuais divergências com os pensamentos de Bolsonaro em questões específicas relativas a sua pasta são todas superáveis.

Moro disse que sua indicação para o Ministério é mais um sinal de que Bolsonaro pretende respeitar e defender a Constituição. “Minha avaliação de que é uma pessoa moderada. Ele moderou o discurso nas eleições e tem feito assim em suas manifestações mais recentes. Não temo pela democracia e os direitos. Existem alguns receios infundados e eu posso afastar esse receio. Sou um juiz, um homem de leis, às vezes, para convencer as pessoas é preciso reforçar os argumentos”, disse.

Moro minimizou as declarações polêmicas de Bolsonaro sobre exterminar adversários ou não respeitar minorias. “Ele pode ter feito declarações não muito felizes no passado, mas não há propostas governamentais que firam minorias. Se existir propostas, vamos provocar o debate, mas não existe nada”, afirmou. “Não existe a menor chance de utilização do ministério ou da polícia para perseguição política”, prosseguiu. “Todos têm direito a igual proteção da lei, sejam maiorias ou minorias, não existe possibilidade de perseguição a minorias”.

Moro foi questionado sobre sua posição acerca de alguns temas defendidos por Bolsonaro na campanha eleitoral, no discurso de posse e nas primeiras entrevistas como presidente eleito, como a revisão da lei do desarmamento, a criminalização de movimentos sociais, o excludente de ilicitude para policiais que matam em confronto, a revisão do regime de progressão de penas, a redução da maioridade penal e a questão dos refugiados, entre outros. Moro lembrou que são questões que embasaram o programa de governo do presidente eleito e que devem ser respeitadas, mas apontou algumas “divergências contornáveis”.

“Existe uma plataforma pela qual ele se elegeu que prega a flexibilização da posse de armas. Seria contraditório ir ao contrário disso. A questão é discutir a forma como isso vai ser regularizado. Externei a preocupação de que isso pode ter desvio de finalidade e armar organizações criminosas”, afirmou. Sobre a maioridade penal, ele reconheceu que menores de 18 anos devem ser protegidos pela legislação. “Mas um adolescente de 16 anos já tem ciência que não pode matar. Então, para casos de homicídio, por exemplo, é aceitável uma revisão”.

Moro se disse contrário ao fechamento de fronteiras e ao enquadramento de movimentos como o MST na lei antiterrorismo, e disse acreditar que essa visão prevalecerá no novo governo. Mas admitiu, no entanto, rever a questão da punição para policiais que matam em confronto. “Embora a estratégia para enfrentar o crime organizado não seja a estratégia do confronto policial, temos que reconhecer que é uma possibilidade, por termos regiões do país controladas por organizações criminosas, com pessoas vivendo em um estado permanente de exceção. Havendo o confronto tem que discutir a situação do policial que alveja e leva a óbito um traficante armado. Acho que a legislação já contempla, mas temos que avaliar avanços. Esperar que um policial sofra com um disparo de fuzil para poder reagir, por exemplo, não me parece o mais seguro”.

Questionado sobre declarações de Bolsonaro em defesa do regime militar que vigorou no Brasil entre as décadas de 196 e 1980, Moro desconversou. “Meus olhos estão voltados para 2019. Essa discussão do passado tem gerado polarização e não vejo como salutar. Não estou assumindo o ministério para discutir a década de 1960 e 1970”.

Moro diz que vai a Brasília para que Lava Jato não seja exceção

O juiz federal Sérgio Moro afirmou, em entrevista coletiva nesta terça-feira, que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no futuro governo Bolsonaro por ter vislumbrado a possibilidade de levar sua agenda de combate à corrupção e ao crime organizado para o Executivo federal, evitando que a quebra da tradição de impunidade para crimes de corrupção iniciada pela Lava Jato fosse uma exceção, fazendo com que torne-se uma mudança de patamar.

“A dúvida se não poderíamos voltar ao padrão de impunidade me levou a aceitar o convite, para, no governo federal, realizar o que não foi feito nos últimos anos de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado. Não é um projeto de poder, mas a ideia de fazer a coisa certa em um nível mais elevado, afastando de vez a sombra desses retrocessos”, disse o magistrado.

Moro não adiantou propostas, afirmando que elas ainda estão sendo elaboradas e precisarão ser submetidas ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Moro sinalizou, no entanto, que defenderá, em Brasília, a alteração de regras de prescrição dos crimes; deixar mais claro na lei a execução em segunda instância; a execução das sentenças do Tribunal do Júri independente dos recursos; a proibição de progressão quando houver provas de envolvimento do preso com organizações criminosas; a negociação de penas para casos criminais pequenos; a regulação mais clara de operações policiais disfarçadas; e a proteção dos denunciantes anônimos.

Moro disse que pretende utilizar os modelos de forças tarefas da Lava Jato no combate ao crime organizado e disse que convidará membros da força-tarefa da Lava Jato para compor sua equipe, “por confiar na eficiência e na integridade deles”, sem, no entanto, adiantar nomes.

Moro disse que, ao aceitar o cargo, não contraria sua posição de não ingressar na política. “Não me candidatei e não me candidatarei a nada. Sigo para um cargo especificamente técnico, não tenho a pretensão de concorrer a nenhum cargo. Sei que é uma decisão controvertida, gerou crítica pela imprensa, até em veículos internacionais. Tomei a melhor decisão para buscar a consolidação dos avanços contra a corrupção e não corrermos riscos de retrocesso. Sempre com o exemplo das mãos limpas, em que a expectativa de diminuição da corrupção não se confirmou”, acrescentou.

“Passei os últimos quatro ano na lava Jato, com todo o impacto que ela teve, pensando que chegaria o dia em que a mesa seria virada e que tudo o que foi feito poderia ser reduzido a pó. Talvez fosse um temor equivocado, mas era uma possibilidade iminente. De repente se vê a oportunidade de, em Brasília, poder fazer algo relevante”, concluiu.

Moro fala sobre cargo de Ministro da Justiça em governo Bolsonaro

O juiz federal Sérgio Moro faz uma coletiva de imprensa, em Curitiba, na tarde desta terça-feira (6), para falar sobre a decisão de aceitar o convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Ouça aqui 

Com a decisão, Moro deixa 13ª Vara Federal de Curitiba e, consequentemente,  Operação Lava Jato. Ele fez um pedido para tirar as férias acumuladas na Justiça Federal, com o objetivo de pedir a exoneração em janeiro, no fim do período de descanso.

Durante palestra, que durou cerca de uma hora na noite de segunda-feira (5), também em Curitiba, o magistrado afirmou que não se vê como “um político verdadeiro”.

Sem um pedido de exoneração de Moro até o final do ano, a Justiça Federal do Paraná não poderá selecionar o novo titular da 13ª Vara Federal, uma vez que o cargo não estará vago. Enquanto isso, a Lava Jato será conduzida pela juíza substituta da Vara, Gabriela Hardt, que, segundo Moro, a juíza substituta já está ciente e aquiesceu com a solicitação do magistrado e futuro ministro.

Defesa de Lula

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no STF (Supremo Tribunal Federal) com novo pedido de liberdade alegando que o fato de o juiz federal Sergio Moro, que conduz a Lava Jato na primeira instância, ter aceitado o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PSL) prova que o magistrado é imparcial.

Trabalho de Moro me ajudou a crescer politicamente, diz Bolsonaro

Em entrevista a alguns veículos de imprensa, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) elogiou o trabalho de Sergio Moro como juiz ao falar de sua nomeação como Ministro da Justiça.

“O trabalho dele muito bem feito. Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando”, disse Bolsonaro.

Moro foi quem ordenou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decisões causaram polêmica como a divulgação da conversa do petista com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e da delação de Antonio Palocci pouco antes da eleição.

“Se eles estão reclamando, é porque fiz a coisa certa”, disse o presidente eleito.

Segundo ele, o economista Paulo Guedes, que assumirá a Fazenda, foi quem fez a ponte com Moro. Bolsonaro afirmou desconhecer em qual momento a sondagem teria sido feita. “Mas isso daí não tem nada a ver. Se foi umas semanas, um dia antes da eleição, não tem nada a ver”, disse.

Segundo seu vice, Hamilton Mourão, o convite ocorreu ainda durante a campanha, o que suscitou críticas, por sugerir que a atuação do magistrado tenha sido pautada pela disputa eleitoral.

“Ah, não sei, não sei. Tenho pouco contato com o Mourão, estou aprofundando o contato agora com ele”, respondeu o presidente eleito.

Bolsonaro afirmou ter concordado em dar autonomia a Moro para nomear e conduzir as atividades da pasta. Ele não detalhou como ocorrerá a ampliação do Ministério da Justiça em seu governo. Confirmou a incorporação da pasta de Segurança Pública.

“Uma parte do Coaf [estará] lá também, porque ele [Moro] tem que ter informações. A CGU não iria para lá dessa forma aqui, carece de estudo. Temos que ver se não estamos incorrendo em nenhuma inconstitucionalidade”, disse.

“Mas parcelas desses órgãos a gente vai ter dentro da Justiça para que possa trabalhar com velocidade que essa questão merece.”

Para o presidente eleito, a violência cresce “via crime organizado” e “o caminho para combater isso é seguir o dinheiro e você tem que ter meios para tal”. “O Ministério da Justiça daria todos os meios para Sergio Moro perseguir esse objetivo.”

Bolsonaro afirmou que não acertou um prazo de trabalho para o juiz no governo ou para vir a indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal.

“Não ficou combinado, mas o coração meu lá na frente… ele tendo um bom sucessor, isso está aberto para ele”, disse.
“A decisão dele é difícil, vai abrir mão da carreira, tem 22 anos de serviço, para enfrentar um desafio. Chamo ele de soldado, que está indo para a guerra sem medo de morrer. Vai ter muito mais poderes do que estando à frente da Vara da Justiça Federal em Curitiba”

Bolsonaro disse que se um membro de seu governo for investigado ou denunciado, “vai pro pau, pô”. “Não tem essa história, não. Quem for por ventura denunciado, vai responder.”

O presidente eleito foi questionado sobre a sua relação com a imprensa e o motivo de ter dado a entrevista apenas para emissoras de televisão, sem incluir jornais.

“A imprensa está muito diversificada, eu cheguei aqui graças às mídias sociais. Quem vai fazer a seleção de qual imprensa vai sobreviver ou não é a própria população”, respondeu. “A imprensa que não entrega a verdade vai ficar para trás.”

Segundo ele, a exclusão de veículos se deu por conta de “espaço físico, não mandei restringir ninguém, não”.

Moro aceita comandar Superministério da Justiça de Bolsonaro

O juiz federal Sérgio Moro aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para comandar o superministério da Justiça, que irá integrar o atual Ministério da Justiça e da Segurança Pública, além da Controladoria-Geral da União e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, atualmente sob comando da Fazenda. A informação foi confirmada por uma nota divulgada à imprensa na manhã desta quinta-feira (1º).

Segundo Moro, ele espera implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos. Com a decisão, o magistrado deixa a toga e deve se afastar dos processos da Operação Lava Jato já nos próximos dias. A juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, deve assumir o comando das oitivas e julgamentos. Na nota, Moro disse que deve conceder entrevista coletiva.

“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Publica na próxima gestão. Apos reunião pessoal na qual foram discutidas politicas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na pratica, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes”, diz a nota na íntegra.

Convite

Para especialistas que acompanham o processo político, ocupar o Ministério da Justiça representa uma espécie de rito de passagem para, futuramente, ser nomeado para o Supremo.

Durante o mandato presidencial, Bolsonaro poderá fazer duas indicações ao Supremo. A primeira oportunidade será em novembro de 2020, quando o ministro Celso de Mello, decano da Corte, completa 75 anos e será aposentado compulsoriamente. No ano seguinte, será a vez do ministro Marco Aurélio Mello deixar o STF.

Moro, de 46 anos, procura ser discreto nas atitudes, mas ganhou notoriedade ao comandar, há quatro anos, o julgamento em primeiro instância dos processos relativos à Operação Lava Jato, nos quais foram envolvidos nomes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu, empresários e parlamentares.

O escândalo relativo aos desdobramentos da Lava Jato é considerado um dos mais complexos casos de corrupção e lavagem de dinheiro no país.

No ano passado, Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão. Foi a primeira condenação de um ex-presidente da República. A decisão foi ampliada em segunda instância, e o ex-presidente agora cumpre pena em Curitiba, desde abril.

A caminho do Rio, Moro fala em implantar agenda anticorrupção em eventual ministério

Munido de um livro sobre medidas contra a corrupção, o juiz Sergio Moro embarcou cedo, nesta quinta (1º), para o Rio de Janeiro, onde irá encontrar o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) -que deve oferecer a ele a vaga de ministro da Justiça.

“Há uma possibilidade [de aceitar o convite]. Mas, como eu disse, é tudo muito prematuro”, afirmou Moro a um grupo de jornalistas que embarcaram no voo entre Curitiba e o aeroporto Santos Dumont.

Segundo o magistrado -um dos principais nomes da Operação Lava Jato e que se notabilizou pela condenação de políticos e empresários acusados de corrupção, como o ex-presidente Lula-, ele diz que o convite traz a chance de “implantar uma agenda importante para o país, observada a Constituição e os direitos fundamentais”.

“O país precisa de uma agenda anticorrupção e uma agenda anti crime organizado. Se houver a possibilidade de uma implantação dessa agenda, convergência de ideias, como isso vai ser feito…”, disse.

Ele não quis detalhar quais seriam os principais tópicos dessa agenda, nem se já conversara a respeito com o presidente eleito ou algum emissário. “Vou ficar devendo novas declarações”, afirmou.
Moro irá se encontrar ainda pela manhã com Bolsonaro, em sua residência na Barra da Tijuca.

O presidente eleito pretende oferecer a ele uma superpasta da Justiça, que uniria as estruturas de Justiça, Segurança Pública, Controladoria-Geral da União e Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que hoje é ligado ao Ministério da Fazenda.

Durante o voo, Moro lia uma compilação das propostas da campanha Unidos contra a corrupção, que propôs neste ano um conjunto de medidas sugeridas por especialistas, e foi encampada também pela força-tarefa da Lava Jato.

O juiz recusou pedidos de fotos com passageiros, à exceção de uma criança. Também não houve manifestações contrárias nem favoráveis ao juiz. Questionado sobre um eventual impacto negativo à Operação Lava Jato caso aceite o convite para fazer parte do governo Bolsonaro, Moro disse que a situação ainda é prematura, e acrescentou: “Acho surpreendente falar que não se deve nem conversar com um presidente que acabou de ser eleito por mais de 50 milhões de brasileiros”, disse. “Não tem problema nenhum [em encontrar com Bolsonaro].”

O juiz ainda afirmou que qualquer queixa em relação à sua eventual parcialidade para julgar a causa será discutida nos autos.