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Imposto único teria dificuldade em ser aprovado pelo Legislativo, avalia Mourão

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, avaliou nesta quarta-feira (17) que dificilmente o Poder Legislativo aprovará a adoção de um imposto único no país no rastro da reforma tributária.
A ideia foi defendida na terça-feira (16) por representantes do setor empresarial que compõem o Instituto Brasil 200, durante evento, em São Paulo, com a participação do general.

A proposta é que os atuais tributos federais, estaduais e municipais sejam substituídos por um imposto único sobre transações financeiras, com alíquota de cerca de 2,5%, em formato semelhante ao da extinta CPMF.

“Eu tenho estudado esse assunto e ainda não tenho uma opinião coerentemente formada, porque ela equilibra para algumas cadeias de valor e para outras desequilibra”, disse Mourão.

O general disse que semana que vem discutirá o assunto com o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra. Ele lembrou que, hoje, há três propostas com conteúdos diferentes.

“Tem a do Senado, que é a do [ex-deputados federal Luiz Carlos] Hauly. Tem a da Câmara, que é do [economista] Bernardo Appy. E tem a nossa”, disse.

Mourão defendeu também medidas para aquecer o consumo, como a liberação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep, o que deve ser feito até a semana que vem.

“A gente precisava colocar algumas medidas na microeconomia para dar uma aquecida no consumo. Então, o ministro Paulo Guedes [Economia] estava aguardando a passagem da reforma previdenciária para que ele pudesse colocar esse tipo de medida de modo”, disse.

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Mourão quer reforma política após aprovação da reforma da Previdência

O vice-presidente Hamilton Mourão defendeu nesta segunda-feira (15), que, após aprovação da reforma da Previdência, o próximo passo do Congresso deve ser a reforma política. De acordo com Mourão, o Brasil não tem um sistema político e isso é difícil de conceber tal a fragmentação partidária. As informações são da Agência Brasil.

“Hoje, lá dentro do Congresso, na Câmara dos Deputados, temos 26 partidos representados, apenas dois partidos têm mais de 50 deputados, em torno de sete têm entre 30 e 40 e o restante são partidos com dez ou oito deputados, então, é extremamente fragmentado o nosso Congresso, não é fácil lidar com isso aí. Os partidos deixaram de representar o pensamento da sociedade como um todo. Acho que todos aqui entendem perfeitamente que o ideal é que tivéssemos cinco partidos, quando muito sete, que representassem as diferentes espécies de pensamento que temos dentro da nossa sociedade”, disse ao participar da abertura do 2º Rio Money Forum, na Fundação Getulio Vargas (FGV).

O vice-presidente defende o sistema político com voto distrital, que, para ele, seria também uma forma de baratear as eleições. “É a minha opinião para a eleição ficar mais barata.”

Mourão disse que o governo Bolsonaro assumiu tendo que atacar dois grandes problemas da economia brasileira, que são a questão fiscal e a agenda de produtividade.

“Na questão fiscal, teve que buscar o equilíbrio. Então, qual era a primeira coisa para buscar o equilíbrio fiscal? A reforma da Previdência. Felizmente ela está encaminhada. Não da forma como nós, governo, gostaríamos, mas existe um velho aforismo no meio militar que diz que o ótimo é inimigo do bom. Então, vamos ter uma reforma boa, não uma ótima. Daqui a cinco, seis anos, nós vamos estar novamente discutindo isso aí. Agora, não poderíamos passar por cima disso aí de forma nenhuma, senão a garotada que está aqui ia trabalhar até o fim da sua vida”, disse.

Para o vice-presidente, a reforma da Previdência não é a solução dos problemas, mas a abertura para resolver a questão fiscal e a retomada da economia. “É como se o Brasil estivesse dentro de uma garrafa e o gargalo é a reforma da Previdência. Temos que sair por esse gargalo para que se crie um ambiente de estabilidade, e estabilidade gera confiança. É isso que está sendo buscado”.

Mourão acrescentou que outra forma de resolver o desnível fiscal é a venda de estatais. “Se a empresa está dando prejuízo, e o governo não tem condição de arcar com aquilo, tem que vender. Então, vamos privatizar aquilo que deve ser privatizado”, disse, ressaltando ainda que não haverá contratações.

“Não vamos contratar ninguém pelos próximos anos. Vamos fazer uma diminuição do tamanho do Estado, de forma branda. A medida que as pessoas forem se aposentando não vamos contratar ninguém até que a gente consiga equilibrar as nossas contas”.

Mourão defendeu uma agenda de produtividade, que passa pela infraestrutura do país. “Nós temos uma das mais baixas produtividades do mundo. Temos uma infraestrutura que parou no tempo.

Grande parte do que temos hoje foi construído no tempo do governo militar, depois não se construiu mais nada. Nossas estradas, tudo mundo sabe como elas são, ferrovias sumiram, portos, aeroportos. Nós temos navegação de cabotagem. Temos um litoral de 7.500 quilômetros cheios de portos e transportamos uma carga do Rio Grande do Sul para o Rio Grande do Norte em lombo de caminhão. Essa nossa infraestrutura tem que ser melhorada”, defendeu.

O vice-presidente defendeu também a reforma tributária. “Temos uma um sistema tributário caótico. Estamos pagando hoje 32%, 33% do PIB de impostos. Isso penaliza os mais pobres. Porque os impostos incidem na comida e na bebida. A turma mais pobre é que sofre com essa carga. Temos que organizar o sistema, porque há uma quantidade de impostos”, disse, lembrando que há diferentes propostas na Câmara e no Senado, além da defendida pelo governo.

Mourão

Se ministro tiver culpa, é ‘óbvio’ que Bolsonaro irá substituí-lo, diz Mourão

“Ele [Bolsonaro] aguarda o desenlace das investigações e, óbvio, se houver alguma culpabilidade dele no processo, o presidente não vai ter nenhuma dúvida sobre substituí-lo”, disse o general Hamilton Mourão, presidente em exercício enquanto Jair Bolsonaro está no Japão para participar da cúpula do G20.

Mourão comentou a prisão, nesta quinta-feira (27), de três pessoas ligadas ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, na investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018. O esquema foi revelado pela Folha de S.Paulo.

De acordo com Mourão, a decisão da demissão será de Bolsonaro. “Sou mais um assessor do presidente. Ele que toma a decisão, ele que tem os elementos para isso. Vamos aguardar. Sempre que a gente quer colocar a culpabilidade na frente dos acontecimentos, as coisas não funcionam corretamente. Não vamos linchar a pessoa antes de todos os dados serem esclarecidos.”

Mourão falou com a imprensa durante a posse do juiz federal Victor Laus como presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), substituindo Thompson Flores. O ministro da Justiça, Sergio Moro, estava presente, mas não discursou nem atendeu a imprensa.

A posse de Laus é a primeira que contou com a presença de um presidente da República, segundo o TRF-4. Como o tribunal é responsável por julgar os recursos em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos processos da Lava Jato, a presença de Mourão ganha conotação política.

O presidente em exercício, porém, é amigo de Thompson Flores, que agora deixa o cargo para substituir Laus na 8ª Turma da corte. Mourão e Thompson Flores costumam se encontrar quando o general está em Porto Alegre, sua cidade natal.

Laus, 56, é natural de Joaçaba (SC) e iniciou sua carreira jurídica como promotor em Santa Catarina, onde também se formou na UFSC, a universidade federal do estado. Ele é filho do advogado Linésio Laus, preso pela ditadura militar em 1964 por ser ligado ao ex-presidente João Goulart (1961-1964).

Ele ingressou no TRF-4 em 2002 e integrou a 8ª Turma, que julga os recursos de Lula na Lava Jato. Em janeiro de 2018, a turma confirmou a condenação de Lula em primeira instância, quando o ex-presidente foi julgado pelo então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

Laus foi eleito em abril, mas não foi escolhido por unanimidade. Ele recebeu 17 votos contra 10 para o juiz federal Paulo Afonso Brum Vaz, mais antigo no TRF-4 –há uma tradição de eleger o magistrado há mais tempo no tribunal.

No caso de Paulo Afonso, ele já foi preterido três vezes porque enfrenta resistência entre a maioria dos colegas. Os dez votos que recebeu são dos mais conservadores, adeptos ao voto nos mais antigos.

Diante de Moro, Carlos Augusto da Silva, procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, criticou o vazamento das mensagens que mostravam a atuação conjunta do então juiz com o procurador Deltan Dallagnol.

Silva falou em “espionagem eletrônica”, porém não se sabe se o conteúdo foi obtido por um hacker. A Constituição garante o sigilo da fonte aos jornalistas. O caso foi revelado pelo site The Intercept Brasil. A Folha de S.Paulo foi autorizada pelo Intercept a investigar o arquivo e constatou indícios de que as mensagens são verdadeiras.

“Não se pode admitir que fique ignorada ou asfixiada em segundo plano, por exemplo, a constatação que crimes de espionagem eletrônica contra autoridades públicas, que são graves e inaceitáveis violações da sociedade como um todo, independentemente das pessoas que pretendam esses dados. É fundamental apurar a autoria de tais crimes, incluindo os responsáveis para que sejam desestimuladas as indevidas reações do crime organizado ao trabalho dos agentes públicos”, disse Carlos Augusto da Silva.

Além de Laus, tomaram posse o vice-presidente Luis Alberto d’Azevedo Aurvalle, e a corregedora regional, Luciane Amaral Corrêa Münch.

A solenidade contou com a presença da ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie e dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), estados que juntamente com o Paraná compõem a área de abrangência do TRF-4.

Qualquer que seja novo governo na Venezuela, deverá dar retorno ao investimento chinês, diz Mourão

Em sua primeira viagem à China, o vice-presidente Hamilton Mourão evitou temas políticos delicados para garantir a manutenção das relações com o maior parceiro comercial do Brasil.

Quando falou sobre a crise na Venezuela, na qual Brasil e China estão em lados opostos, afirmou que um possível novo governo no país sul-americano terá de garantir aos chineses o retorno de seus investimentos. Mourão retorna a Brasília nesta segunda-feira (27), depois de seis dias na nação asiática.

“Não vejo nenhum problema com a diferença de visão sobre o que ocorre na Venezuela”, afirmou Mourão. O presidente chinês, Xi Jinping, apoia o governo de Nicolás Maduro e defende uma solução pacífica para o fim da crise no país latino-americano.

O diretor-geral do departamento de América Latina do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Bentang, afirmou que os governos da China e do Brasil têm mantido comunicação estreita sobre a questão. “Nos opomos à intervenção militar e à ingerência nos assuntos internos”, reforçou Zhao, que é ex-embaixador da China na Venezuela (2015-2017).

“As nações são soberanas para expressar suas visões. O governo brasileiro ter uma visão e a China ter outra não quer dizer que temos atrito”, disse o vice-presidente. O Brasil reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Mourão e Xi estiveram frente a frente em Pequim na sexta-feira (25).

“A China tem interesses econômicos na Venezuela. Ela investiu bastante lá. Qualquer que seja o governo eleito, terá que dar garantias ao governo chinês de que ele vai dar o retorno de seus investimentos”, ressaltou Mourão. Segundo o vice, o encontro com o líder chinês foi protocolar, e o vizinho brasileiro, que tem Pequim como principal credor, ficou de fora da conversa.

Em março, a China negou visto de entrada no país ao novo representante da Venezuela no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), forçando a instituição financeira internacional a cancelar às pressas a reunião anual marcada para a cidade chinesa de Chengdu, na província do Sichuan. Uma semana antes do ocorrido, o BID trocou o representante da Venezuela apoiado por Maduro por um nome defendido por Guaidó -decisão comemorada pelos EUA.

Enquanto o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, demonstra admiração pelo presidente americano, Donald Trump, Mourão tenta aproximação com Xi Jinping. Ele contou ter dito ao presidente chinês que ambos nasceram no mesmo dia e no mesmo ano, 1953, com apenas dois meses de diferença. Em comum, os dois têm também o signo da Cobra de Água no horóscopo chinês. A combinação do elemento “água” com o signo da Cobra só se repetiu depois dessa data em 2013, ano que Xi chegou ao poder.

Governo pretende gastar R$ 7 mi em carros para família de Bolsonaro e de Mourão

O governo federal pretende desembolsar até R$ 7,14 milhões na compra de carros blindados para a segurança dos familiares do presidente Jair Bolsonaro e do vice-presidente Hamilton Mourão.

Com o argumento de que houve um aumento da demanda na atual gestão, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) autorizou a realização de um pregão eletrônico, no início de junho, para a aquisição de um total de 29 veículos, dos quais 17 blindados e 12 normais.

O edital de compra especifica que o comboio de segurança para cada um dos familiares deve ser composto de dois veículos, da mesma marca e modelo, sendo um blindado e outro normal. A necessidade de serem iguais, segundo o documento, tem como objetivo evitar a identificação do carro que transporta o familiar.

“A imposição, por aspectos de segurança, visa não demonstrar a presença exata dos familiares das autoridades nos deslocamentos com o uso de veículo diferenciado, exigindo que os veículos blindados e não blindados sejam exatamente iguais.”

O Palácio do Planalto exemplifica como modelos e marcas que podem ser adquiridos Audi A6, Honda Accord e Ford Fusion, veículos considerados de alto padrão. Ao todo, o presidente tem cinco filhos e todos estão residindo em Brasília. O seu antecessor, Michel Temer, tinha apenas um na capital federal.

“O quantitativo pretendido decorre de aumento na demanda de veículos de serviços especiais, com a posse dos atuais presidente e vice-presidente, que atendem aos familiares dos citados dignitários”, diz o texto.

Neste mês também, como mostrou a Folha, o governo federal previu outro pregão eletrônico de R$ 2,5 milhões para a locação de carros para transporte de Bolsonaro e de Mourão em viagens e eventos oficias no  Norte e no Centro-Oeste.

Segundo o edital, a empresa que vencer a licitação deverá disponibilizar 32 veículos. O Palácio do Planalto exige, por exemplo, dois carros blindados do tipo Sedan com quatro portas e com película protetora nos vidros laterais e traseiro.

A Folha de S.Paulo procurou o Palácio do Planalto neste sábado (25), mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Na China, Mourão defende exportar bens de maior valor agregado

O vice-presidente Hamilton Mourão disse, nesta quarta-feira (22), durante um simpósio do Conselho Empresarial Brasil-China, em Pequim, que a demanda por alimentos por parte do país asiático seguirá crescendo, mas é preciso diversificar as exportações brasileiras com produtos de maior valor agregado. No ano passado, os principais produtos exportados pelo Brasil foram soja, combustíveis e minérios de ferro e seus concentrados, que são, basicamente, matérias-primas.

“A China continuará a crescer acima da média mundial e sua demanda por alimentos, por exemplo, deverá crescer de 11% a 13% até 2030. Iremos trabalhar para ampliar e diversificar as exportações brasileiras com maior valor agregado. Aumentar o volume e redirecionar os investimentos chineses para áreas de interesse do Brasil e aprofundar a cooperação em ciência, tecnologia e inovação”, disse Mourão, que cumpre até sexta-feira (24) uma visita oficial ao país.

A China é, desde 2009, o principal parceiro comercial do Brasil. A corrente de comércio bilateral alcançou, em 2018, US$ 98,9 bilhões (exportações de US$ 64,2 bilhões e importações de US$ 34,7 bilhões). O comércio bilateral caracteriza-se por expressivo superávit brasileiro, mantido há nove anos, e que, em 2018, atingiu recorde histórico de US$ 29,5 bilhões.

Cosban

Mourão presidirá amanhã (23) a 5ª reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), também na capita chinesa. Ele também será recebido, no dia seguinte, pelo presidente do país, Xi Jinping. A viagem a China é preparatória para a ida do presidente Jair Bolsonaro ao país, no segundo semestre.

Instituída em 2004, a Cosban é o principal mecanismo de coordenação da relação bilateral entre o Brasil e a China e é comandada pelos vice-presidentes dos dois países. A comissão, no entanto, não se reúne desde 2015. A uma plateia formada por empresários e diplomatas, o vice-presidente disse hoje que pretende ampliar o “arcabouço” de assuntos tratados pela Cosban.

“Proporemos que o arcabouço da Cosban seja atualizado de modo a refletir a nova realidade da agenda bilateral. Quando o mecanismo foi criado, em 2004, o nosso comércio bilateral era 11 vezes menor, os investimentos de parte a parte eram poucos expressivos e os Brics sequer exisitiam. Desde então, nosso relacionamento diversificou-se e tornou-se mais complexo e intenso”, disse.

Reformas

Em seu discurso dirigido a empresários, o vice-presidente fez uma defesa enfática das medidas econômicas apresentadas pelo atual governo brasileiro, como a reforma da Previdência, como forma de corrigir problemas fiscais e destravar a economia do país.

“O PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro cresceu 2%, na média anual, entre 1980 e 2018. A produtividade da mão de obra aumentou somente 0,2% ao ano. Para reverter esse quadro, o governo vem implementando medidas para reequilibrar as contas públicas, simplificar o ambiente regulatório e reduzir o custo tributário, além de privatizar empresas públicas e reformar o sistema educacional. Estamos combatendo a ineficiência, que pesa sobre os ombros dos brasileiros que desejam investir, trabalhar e produzir. Com o objetivo de equilibrar os resultados fiscais, o governo propôs reformar o sistema de seguridade social, reduzir subsídios fiscais e diminuir o custo do Estado”, disse.

Muralha

Na manhã desta quarta-feira (22), pelo horário da China, terça (21) à noite no horário de Brasília, Mourão fez uma visita à Muralha da China, patrimônio mundial da Unesco. A fortificação tem mais de 8,8 mil quilômetros de extensão e começou a ser erguida há mais de 2,2 mil anos. No final do dia, o vice-presidente participou do evento Brazilian Beef, projeto da associação dos criadores brasileiros de gado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para promover a carne brasileira no exterior e ampliar as exportações de carne bovina para o mercado chinês.

Filho de Bolsonaro diz que ‘jogo’ do general Mourão está muito claro

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro voltou a criticar o vice, general Hamilton Mourão, agora por esse ter aceitado um convite elogioso para palestrar nos EUA duas semanas atrás.

Nas redes sociais, Carlos afirmou que, “se não visse, não acreditaria que [Mourão] aceitou com tais termos” a proposta feita pelo Wilson Center, tradicional ambiente de estudos e palco de palestras de diferentes campos políticos.

“Já que dessa vez não se trata de curtida, vamos ver como alguns irão reclamar. Ainda há muito mais. Esse jogo está muito claro”, disse Carlos, na mesma publicação.

O convite, de 9 de abril, apontava o vice como “uma voz de razão e moderação, capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais”.

Procurado, o Wilson Center disse que “os termos do convite foram aceitos pelo convidado”, mas não quis se estender sobre o teor dos comentários do filho do presidente.

O convite do Wilson Center expôs brevemente sua visão sobre os cem primeiros dias de mandato de Bolsonaro, “marcados por paralisia política, em grande parte devido às crises sucessivas geradas pelo círculo próximo ao presidente, se não por ele próprio”.

Carlos voltou às redes no final da manhã para de novo atacar Mourão. Ele publicou um vídeo em que o vice comenta que a população civil venezuelana, que é, segundo Mourão, oposição ao ditador Nicolás Maduro, “tem que estar” desarmada como está porque senão haveria uma guerra civil no país, “o que seria horrível para o hemisfério”.

“Quando a única coisa que lhe resta é o último suspiro de vida, surgem essas pérolas que mostram muito mais do que palavras ao vento, mas algo que já acontece há muito. O quanto querer ser livre e independente parece ser a maior crueldade para alguns”, escreveu Carlos junto com o vídeo.

Mourão, respaldado pela ala militar do governo, posiciona-se contra uma intervenção na Venezuela para pôr fim ao regime, em contraste com a ala ideológica, cujo discurso conota simpatia por medidas internacionais diretas e duras no país.

Com aval do pai para gerir seus perfis oficiais nas redes sociais, Carlos tem críticos dentro e fora do governo, que o veem atuando nem sempre em favor de Bolsonaro.

Seus comentários públicos, por exemplo, precipitaram a demissão de Gustavo Bebianno, até então aliado próximo de Bolsonaro, da Secretaria-Geral da Presidência, em meio à crise das candidaturas laranjas do PSL reveladas pela Folha.

Nesta segunda-feira (22), Carlos também entrou na polêmica do dia ao defender o professor Olavo de Carvalho, depois de Mourão ter o contra-atacado. Olavo é o guru do entorno ideológico do presidente.

No sábado (20), Bolsonaro publicou em seu canal oficial do YouTube um vídeo em que o escritor, radicado na Virgínia (EUA), critica os militares e novos políticos aliados do presidente. Como mostrou a coluna Painel, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, publicou o mesmo conteúdo. A má repercussão fez com que Bolsonaro excluísse o vídeo.

A ala do governo Bolsonaro (PSL) ligada às Forças Armadas interpretou a publicação do vídeo com críticas a militares como um recado do presidente para tentar moderar as movimentações de seu vice.

O desconforto gerado pelo vídeo levou Bolsonaro a criticar nesta segunda-feira (22), pela primeira vez, declarações de Olavo de Carvalho. O recuo, porém, não alterou a avaliação de militares sobre a tentativa de Bolsonaro de atingir Mourão -segundo oficiais ouvidos pela Folha, ele e seus filhos alimentam uma “paranoia” sobre as intenções do vice-presidente.

Enquanto isso, generais que despacham no Planalto mantêm estratégia para se manterem próximos do presidente e se diferenciarem de Mourão.

Nesta segunda, Mourão assumiu posição de ataque contra Olavo. “Eu acho que ele deve se limitar à função que ele desempenha bem, que é de astrólogo. Ele pode continuar a prever as coisas, que ele é bom nisso”, disse, ironizando uma das atividades anteriores do escritor. Segundo o vice, “Olavo perdeu o timing, não está entendendo o que está acontecendo no Brasil”.

Mourão disse acreditar que Bolsonaro não sabia do conteúdo do vídeo. Generais, no entanto, dizem estar convencidos de que o presidente autorizou a postagem comandada por seu filho Carlos.

Em nota lida pelo general Otávio do Rêgo Barros, porta-voz da Presidência da República, Bolsonaro afirmou que as recentes declarações de Olavo “contra integrantes dos poderes da República não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos em nosso projeto de governo”.

Já Carlos publicou elogios a Olavo e, mais tarde, ainda fez ataque a Mourão ao destacar uma curtida do vice em comentário da jornalista Rachel Sheherazade elogioso a ele e crítico ao restante do governo. “Tirem suas conclusões”, escreveu o filho do presidente, pedindo para as pessoas atentarem “em quem curtiu”.

Na avaliação de um importante integrante da ativa das Forças Armadas, o episódio do final de semana foi o mais sério desgaste desde que as rusgas entre a ala ideológica do entorno presidencial tomaram corpo contra os militares.

Já houve disputas pelo comando do Ministério da Educação, o enquadramento de ações do chanceler olavista Ernesto Araújo na crise venezuelana e trocas públicas de farpas entre generais e Olavo.

Os dois filhos de Bolsonaro mais próximos de Olavo, o vereador Carlos e o deputado federal Eduardo, se colocam do lado do escritor radicado nos EUA. Como Olavo elegeu Mourão como seu alvo preferencial no governo, o chamando de golpista e pedindo que prepostos seus no Congresso peçam seu impeachment, a ala militar e o comando das Forças entraram em estado de atenção.

Entenda a relação entre Olavo, Bolsonaro e os militares

RELAÇÃO FAMILIAR

Bolsonaro conheceu Olavo de Carvalho a partir de seus filhos, que são admiradores do escritor. Em março, durante a viagem presidencial aos EUA, Bolsonaro, Eduardo e Olavo estiveram em um jantar na residência oficial do embaixador do Brasil em Washington

INDICAÇÕES PARA O GOVERNO

Apontado como guru de Bolsonaro, Olavo foi responsável pela indicação de dois ministros: Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodríguez, demitido do MEC no início do mês

CONFLITOS COM MILITARES

Olavo tem feito críticas públicas à atuação dos militares no governo Bolsonaro, o que inclui o vice-presidente, Hamilton Mourão, e já pediu a seus ex-alunos que deixem o governo. A disputa entre olavistas e membros das Forças Armadas chegou a travar as atividades do MEC e culminou na demissão de Vélez

VÍDEO APAGADO

No sábado (20), um vídeo em que Olavo criticava os militares foi postado no canal oficial de Bolsonaro no YouTube, mas a publicação foi apagada no domingo (21). Nesta segunda (22), Mourão disse que Olavo deveria se limitar à “função de astrólogo”, e Bolsonaro afirmou que as críticas do escritor não contribuem com o governo

‘Ele deve se limitar à função de astrólogo’, diz Mourão sobre Olavo

O vice-presidente Hamilton Mourão rebateu nesta segunda-feira (22) as críticas feitas à classe militar pelo escritor Olavo de Carvalho. Para o general da reserva, o ideólogo de direita não deveria comentar sobre assuntos que não conhece e se limitar à função de astrólogo.

O escritor estudou astrologia e é considerado uma espécie de guru dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e de ministros do chamado núcleo ideológico do governo, como Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Abraham Weintraub (Educação).

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“Eu acho que ele deve se limitar à função que ele desempenha bem, que é de astrólogo. Ele pode continuar a prever as coisas, que ele é bom nisso”, disse Mourão.

No sábado (20), um vídeo em que Olavo fazia críticas a aliados de Bolsonaro, sobretudo militares, foi publicado no canal oficial do presidente no Youtube. Após repercussão negativa, ele foi apagado no domingo (21), conforme antecipou o Painel.

Na gravação, o escritor questiona a contribuição das escolas militares para o país e diz que o regime militar “destruiu os políticos de direita”.

Mourão disse que Bolsonaro não deve ter assistido ao vídeo antes da publicação e afirmou que o discurso de Olavo demonstra seu “total desconhecimento” sobre como funciona o ensino militar.

“Alguém deve ter postado na rede dele. E, em relação ao Olavo de Carvalho, mostra o total desconhecimento dele de como funciona o ensino militar. Acho que é até bom a gente convidá-lo a ir a nossas escolas e conhecer.”

A troca de críticas entre os seguidores do escritor, os chamados olavistas, e os militares tem ocorrido desde o início do governo e levado o presidente a gastar seu capital político para arrefecer a disputa.

Recentemente, Olavo incentivou o deputado federal Marco Feliciano (Pode-SP) a apresentar um pedido de impeachment contra Mourão.
Mourão disse ainda que Olavo não está entendendo o que acontece atualmente no Brasil e ressaltou que a sua posição não tem contribuído com o governo.

“O Olavo perdeu o timing, não está entendendo o que está acontecendo no Brasil. Até porque ele mora nos Estados Unidos e não está apoiando e sendo bom ao governo”, disse.

Bolsonaro ‘não acredita totalmente’ no que fala sobre nazismo, diz Mourão

Apresentado mais uma vez nos EUA como voz moderada do governo brasileiro, o vice-presidente Hamilton Mourão precisou explicar declarações controversas de Jair Bolsonaro em entrevista ao jornal americano The Washington Post publicada nesta segunda-feira (15).

Questionado sobre o discurso do presidente em relação ao nazismo, por exemplo, o vice afirmou que muitas vezes o presidente se utiliza de “expressões fortes” para tratar de temas com carga ideológica e que “não acredita totalmente” quando diz que o movimento de Adolf Hitler na Alemanha pode ser considerado de esquerda.

Segundo Mourão, que esteve nos EUA na semana passada para uma série de compromissos considerados de contraponto ao presidente, Bolsonaro quis endossar a ideia de seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para que ele “não ficasse sozinho” na defesa dessa tese.

Em visita a Israel, no início de abril, Bolsonaro afirmou que “não há dúvidas” de que o nazismo foi de esquerda.

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Antes disso, o chanceler havia dito que era possível ver “semelhanças e proximidades entre esses movimentos nazistas da Europa da metade do século 20 e movimentos de extrema esquerda” -a tese é contestada pela maioria dos historiadores, incluindo os especialistas do memorial que documenta o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas.

“Algumas vezes ele usa expressões fortes”, disse o vice sobre o presidente, acrescentando que Mourão diz que a declaração de Bolsonaro em Israel sobre o nazismo e a esquerda foi feito “talvez para fazer com que [Ernesto] Araújo -quem fez originalmente o comentário- ‘não se sentisse sozinho'”.

“Mourão sustentou que Bolsonaro provavelmente ‘não acredita totalmente’ na linha que ele pareceu endossar”, diz a reportagem.

À época da fala do presidente e seu ministro, o vice se contrapôs ao discurso de ambos ao dizer que “de esquerda é o comunismo. Não resta a menor dúvida”.

Mourão tenta desfazer a ideia de que está se comportando como um antagonista dentro do governo e, apesar de admitir que Bolsonaro seguiu por um “caminho errado” nesse debate, questões sobre direita e esquerda, ele defende, “precisam ficar para trás”.

“Eu acho que ele [Bolsonaro] queria marcar uma posição, mas talvez tenha ido pelo caminho errado”, declarou o vice ao The Washington Post. “Mas essas são coisas do passado. Nós temos que entender que nesse novo mundo no qual estamos vivendo essas questões sobre direita e esquerda precisam ficar para trás”.

Mourão também foi questionado pela publicação dos EUA sobre os comentários do presidente em relação ao golpe de 1964 no Brasil -que Bolsonaro não considera um golpe. O presidente estimulou celebrações no país para marcar os 55 anos do início da ditadura.

Segundo o vice, a opinião do presidente é “simplesmente sobre história” para satisfazer alguns integrantes de sua base que podem ter nostalgia por aquela época. Ele acrescentou ainda que o governo está “marchando em um bom caminho” para a implementação de mudanças, incluindo a reforma da Previdência, leis sobre segurança pública e maior desregulamentação da economia.

De acordo com o jornal americano, Mourão está “longe do nacionalismo acalorado que caracterizava a campanha eleitoral de Bolsonaro”, principalmente sobre questões contra minorias, e insiste que a verdadeira crença do governo é o liberalismo.

A publicação cita as opiniões do vice sobre evitar uma guerra comercial com a China e uma possível intervenção militar na Venezuela -ao contrário de Bolsonaro, que já flertou com ambas as ideias em uma tentativa de alinhamento automático com o governo americano de Donald Trump.

No Congresso dos EUA, Mourão é perguntado se Bolsonaro é realmente um democrata

Em uma reunião rápida com senadores americanos em Washignton, o vice-presidente Hamilton Mourão precisou defender Jair Bolsonaro e responder se o presidente brasileiro é realmente um democrata.   Logo no início de um encontro com quatro senadores dos EUA, Mourão foi questionado e respondeu ao senador democrata Bob Menendez, de oposição a Donald Trump, que Bolsonaro respeita a Constituição e o sistema eleitoral do país.

“Perguntaram se o presidente Bolsonaro realmente é um democrata e deixei claro que ele é um homem que está pensando nas próprias gerações, e não nas próximas eleições, e que ele respeita totalmente nossa Constituição, nossas instituições e o sistema que temos no Brasil”, afirmou Mourão. A reunião aconteceu no gabinete do republicano Marco Rubio, principal voz no Congresso dos EUA em assuntos sobre América Latina e um grande defensor da aproximação com o Brasil. Rubio, que faz parte da bancada anti-castrista, defende uma abordagem mais dura à ditadura de Nicolás Maduro, na Venezuela.

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Menendez, por sua vez, é do Partido Democrata, mas tem se alinhado a algumas posições de Rubio em relação à crise no país latino-americano. O senador democrata, porém, é contrário a uma intervenção militar na Venezuela, assim como Mourão. E foi justamente esse assunto mais uma vez o tema principal da conversa de Mourão nos EUA. Segundo o vice-presidente, Rubio não pediu nenhum tipo de endurecimento da postura do Brasil em relação a Maduro e também “não reclamou” quando Mourão afirmou que, ao Brasil e aos EUA, na sua avaliação, cabe apenas fazer pressão política e econômica -a militar é tarefa das Forças Armadas venezuelanas.

“Expresso a nossa posição de manter pressão política e econômica e a questão das Forças Armadas venezuelanas terem condição de neutralizar as milícias e os coletivos por lá. Ele [Rubio] não tocou em nenhum assunto diferente do que falei aqui, não abordou nenhum tipo de opção além dessas que falei”, disse Mourão.
O general se reuniu nesta segunda-feira (8) com Mike Pence, vice-presidente americano, também para tratar de Venezuela, e descartou qualquer tipo de ação além da ajuda humanitária na fronteira.

“Nenhum deles reclamou”, repetiu Mourão ao ser questionado sobre a postura ser bem mais amena do que aquela defendida por Trump e Rubio, por exemplo. Desta vez, Mourão afirmou que a comunicação entre militares brasileiros e venezuelanos foi tratada na conversa com Rubio -e também com Pence. No entanto, após o encontro com o vice na segunda, o general havia dito a jornalistas que isso não tinha sido discutido.

“Essa pergunta tinha sido feita por Pence e sempre coloco para ele que o ministro da Defesa venezuelano tem algum tipo de contato com o nosso ministro e temos oficiais mais novos dos dois países que fizeram curso juntos e essa turma se comunica no canal informal”. Questionado se não estava se contradizendo, Mourão afirmou: “Foi tratado [com Pence] em alto nível e não nesse nível menor”.

Após a reunião desta terça, Rubio afirmou, via assessoria, que vai continuar trabalhando “com nossos aliados no Brasil para restabelecer a democracia na Venezuela”. Ainda de acordo com Mourão, os senadores conversaram sobre deixar de lado a retórica e intensificar de fato o comércio dos EUA com o Brasil, a entrada do país na OCDE e a base de Alcântara -resultados da visita de Bolsonaro a Washington, em março.

Antes de ir ao Congresso, Mourão fez musculação e visitou o National Museum of the American Indian, acompanhado pelo ajudante de ordens e seguranças. O encontro de Mourão com parlamentares tanto do Partido Republicano como do Partido Democrata foi visto como mais um movimento de contraponto a Bolsonaro. Em março, o presidente solicitou um encontro com a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, líder de oposição a Donald Trump. A reunião, porém, não aconteceu, porque o Congresso estava em recesso, segundo o gabinete de Pelosi.

Autoridades americanas afirmam que o roteiro de Mourão está sendo observado com atenção. Isso porque empresários e integrantes do governo dos EUA consideram pouco comum um vice viajar ao país tão pouco tempo depois de um presidente ter passado por lá. No bipartidarismo americano, é desejável o diálogo com ambos os lados para que se tenha uma relação política e diplomática eficaz.

Por Marina Dias