Paranaenses foram protagonistas de boas notícias em 2018

O ano de 2018 foi marcado por eleições polarizadas no Brasil, pela crise migratória, crimes que chocaram o país e reviravoltas no cenário político. Mas 2018 também foi um ano de boas notícias, grande parte delas protagonizadas por pessoas comuns que, em meio às dificuldades, encontraram formas de tornar o mundo melhor.

E os paranaenses têm muitos motivos para se orgulharem. Relembre alguns dos casos mais emocionantes e inspiradores do estado de 2018.

A vida continua

No primeiro trimestre deste ano, o Paraná ganhou um motivo de muito orgulho: o estado se tornou líder em número de doações e transplantes de órgãos no país. O estado conquistou a posição com 50,2 doadores efetivos a cada milhão de habitantes. No mesmo período, ficou em primeiro lugar em transplantes de rim e terceiro em transplante de fígado.

Um único doador de órgãos e tecidos pode beneficiar até dez pessoas que aguardam por um transplante de órgão ou tecido.

Atualmente, o Brasil registra números recordes e tem o melhor cenário dos últimos 20 anos. No ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o país realizou 27 mil transplantes, 2 mil a mais que 2016. A expectativa é que esse número seja cada vez maior, principalmente pela qualificação das equipes médicas e pela informação de como o procedimento é feito.

Foto: Venilton Kuchler

Para o secretário de Saúde do Paraná, Antônio Carlos Nardi, o resultado evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido no Estado em relação à doação de órgãos. “Além de um sistema de captação e transporte de órgãos organizados, contamos com excelentes profissionais como a equipe do Hospital Bom Jesus, em Toledo, na região oeste, capacitados a conversar com as famílias dos possíveis doadores com sensibilidade que o assunto merece”, disse.

Vitória sobre o câncer

Foi lá no comecinho do ano, em março, que pesquisadores paranaenses do Instituto Carlos Chagas da Fundação Oswaldo Cruz, em Curitiba, desenvolveram uma molécula que pode reinventar o tratamento contra a leucemia e alguns outros tipos de câncer.

Stephanie Bath de Morais, Nilson Zanchin e Tatiana Brasil modificaram em laboratório a enzima chamada de “asparaginase humana”. Tatiana explicou que a enzima é usada há quase 50 anos em medicamentos que atuam no tratamento da Leucemia Linfóide Aguda, que atinge principalmente crianças e adolescentes. A asparaginase é capaz de controlar a asparagina, que é um aminoácido presente no corpo humano, que contribui para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Foto: Ascom / Hoiol

“Hoje o tratamento é feito com vários medicamentos, dentre eles a asparaginase. Ela é muito eficiente no tratamento, mas hoje ela é isolada de bactérias. Hoje, quando é injetada no paciente, ela acaba com as paraginas circulantes e as células leucêmicas precisamo desse aminoácido para sobreviver e acabam morrendo”.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente no Brasil cerca de quatro mil pacientes utilizam a asparaginase bacteriana no tratamento da Leucemia. Ela é importada pelo Sistema Único de Saúde de países como Alemanha e Estados Unidos.

A asparaginase é administrada em conjunto com diferentes coquetéis por meio de injeções. A possibilidade de cura com o tratamento é de 90%. Tatiana conta que o problema é que para alguns pacientes ela causa diversos efeitos colaterais severos.

“Trinta por cento dos pacientes tem essa resposta de hipersensibilidade para moléculas de bactérias. Então esse tratamento vai melhorar a qualidade de vida de cerca de 30% dos pacientes”. Tatiana estima que, se tudo correr bem, a descoberta chegue até os pacientes como medicamento em cerca de dez anos.

Robô herói

Um simpático robozinho tem ajudado pacientes a identificarem problemas de vista. E o robozinho é paranaense! Em junho deste ano, o Adam Robô, criado pela startup curitibana Prevention, ficou na 15ª colocação na Imagine Cup 2018 da Microsoft, a maior competição internacional de inovação.

Recentemente, o projeto também foi aprovado no Edital de Inovação para a Indústria, iniciativa do SENAI, SESI e Sebrae. Além disso, a empresa da capital foi escolhida pelo reality show Shark Tank Brasil e recebeu aporte financeiro de R$ 200 mil.

Foto: Luiz Costa / SMCS

O equipamento usa a inteligência artificial para identificar, em no máximo cinco minutos, problemas oftalmológicos como miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia (vista cansada).

O robô também participa da disputa por uma das nove vagas da semifinal do Startup Show, a maior competição entre startups do país. O reality show dará prêmios, mentoria e uma viagem ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA), para a startup vencedora.

Ao todo, 27 empreendedores estão participando da competição de 12 semanas. As etapas eliminatórias do Startup Show, que começaram em setembro, estão sendo gravadas em um formato de websérie até a grande final este mês.

A Prevention começou a desenvolver o Adam Robô, em 2017, no Worktiba Barigui, primeiro coworking público do país. No espaço da Prefeitura, a startup trabalhou por dez meses. Posteriormente, o projeto foi incubado na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Pesquisas indispensáveis

Em novembro, um projeto do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi selecionado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Dentre os 114 inscritos no país, apenas 16 foram selecionados para viajar até a Antártica para colher material para as pesquisas.

O projeto paranaense, batizado de “As múltiplas faces do carbono orgânico e metais no ecossistema subantártico”, terá duração de 48 meses. Neste período, serão feitas três expedições de coleta conforme explica o coordenador César de Castro Martin.

“Dentro desse período estão previstas três operações antárticas. E essas expedições acontecem sempre no verão, porque tem o derretimento do gelo e isso facilita a coleta e atividades na região”, explicou.

Além da UFPR, o grupo terá o apoio da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O projeto começou em dezembro e prevê a participação de pesquisadores em três expedições ao ambiente subantártico no período de 2019 a 2022, para a coleta de amostras de água superficial, material particulado em suspensão e sedimentos de fundo.

Estudante na ONU

Em setembro, um estudante de Curitiba foi centro das atenções na capital e no mundo. Gabriel Genivaldo dos Santos, de 16 anos, é morador da Vila Torres, um bairro pobre com moradias precárias e registro de miséria no coração da cidade.

Naquele mês, ele representou o Brasil no Dia do Debate Geral da Organização das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, em discurso para os representantes do Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas.

O evento ocorre a cada dois anos e reúne jovens de diferentes países do mundo para falar sobre assuntos relacionados aos direitos das crianças.

Gabriel é aluno do Centro Educacional Marista Eunice Benato, uma das 23 unidades sociais do Grupo Marista, que funcionam em comunidades de risco social e atendem, gratuitamente, crianças, adolescentes e jovens, por meio da educação e projetos no contra turno escolar. O adolescente falou sobre “Liberdade de expressão e violência nas escolas”. O tema foi definido pela ONU.

Segundo Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas, feito em 2016, com aval do Ministério da Educação, 69,7% dos jovens relataram naquele ano a ocorrência de algum tipo de violência no âmbito escolar. Nos arredores das instituições de ensino, segundo o levantamento, 82,2% dos alunos consideram que ocorre algum tipo de violência.

Por meio do Dia do Debate Geral, a ONU monitora direitos das crianças e adolescentes. Com isso, o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, órgão formado por 18 especialistas de todo o mundo, recomenda governos dos países sobre como manter os compromissos firmados na Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual o Brasil é signatário desde 1990.

Contra o bullying

O estudante paranaense Douglas Froelich criou uma lei para o Paraná neste ano. Ele, que foi aluno do Colégio Estadual do Campo Helena Kolody, no município de Cruz Machado, no Sul do Estado, foi vencedor do programa Geração Atitude.

O rapaz propôs ao Legislativo a instituição do Dia e da Semana de Prevenção e Combate ao Bullying, além de ações relacionadas ao tema. A lei foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 27 de setembro.

A Lei tem como objetivo alertar a comunidade escolar sobre o tema, promover campanhas de conscientização e informação por meio de ações e programas desenvolvidos pela Secretaria de Estado da Educação.

Foto: Noemi Froes / Alep

“O Geração Atitude permite que os jovens expressem suas opiniões e contribuições para o desenvolvimento do Estado. O projeto foi inscrito com o intuito de conscientizar os alunos a não cometerem o bullying e alertar sobre suas consequências tanto para quem pratica quanto para quem sofre”, disse Froelich, que já concluiu o ensino médio.

De acordo com a nova Lei, as ações de combate ao bullying serão realizadas, todo ano, na semana de 7 de abril com palestras, distribuição de materiais de orientação e promoção de diferentes atividades educativas interdisciplinares. A data é celebrada junto com o Dia Nacional de Combate ao Bullying.

“Acredito que essa Lei vai contribuir para a diminuição de casos de discriminação, preconceito e até a violência nos colégios, porque com as palestras, cartazes e um dia dedicado exclusivamente ao combate do bullying vamos mudar o pensamento das pessoas sobre essa prática”, destacou Froelich.

Tecnologia pelos pets

Existem muitos grupos nas redes sociais para ajudar a encontrar animais desaparecidos. Mas um veterinário curitibano resolveu criar uma nova rede social exclusiva para os pets. O projeto Puppyfi ajuda animais a retornarem para casa por meio de uma comunidade em que todos estão engajados na missão de encontrar o bichinho.

De acordo com o criador da plataforma, Alexandre Roa, a ideia nasceu a partir de uma necessidade particular. “Um conhecido perdeu um pet e pediu ajuda. Nós criamos uma página no Facebook. Essa página teve bastante repercussão e sucesso. Isso motivou a criação de novas páginas e quando a gente viu estávamos com 40 páginas e 35 grupos. Foi então que a gente teve a ideia de unir toda essa comunidade em um lugar só”, conta Roa.

Foto: Reprodução / Puppyfi

Já são mais de 40 mil seguidores e 1800 usuários ativos no site oficial que trabalham na missão de encontrar os animais perdidos, arrecadar recursos para casos de resgates ou fazer a ponte entre um adotante e o pet. Para Alexandre, o sucesso da iniciativa mostra o quanto há pessoas engajadas em ajudar, sem receber nada em troca.

“Quando você une essas pessoas, a que precisa de ajuda e a que gosta de ajudar, o prazer é enorme. É uma comunidade do bem e isso é muito bom”, comemora.

A foto e a história de cada animal cadastrado são enviadas para todas as páginas criadas por eles. O projeto se espalhou por todo o país e até para Portugal. O idealizador estima que 3,5 mil animais tenham retornado para casa com a ajuda do site. Mas o propósito da ferramenta vai além de um serviço de “achados e perdidos” e também atende outras demandas como adoções e vaquinhas para ajudar usuários e ONGs. Para fazer parte dessa comunidade é só acessar o site puppyfi.com.

Boas notícias também na cultura

Neste ano, o cinema paranaense alcançou uma conquista inédita: o longa Ferrugem, do diretor Aly Muritiba, levou três kikitos inclusive o de melhor filme no Festival de Cinema de Gramado, considerada a principal premiação do país. Os jurados também elegeram a produção paranaense como Melhor Roteiro e Melhor Desenho de Som.

O diretor, Aly Muritiba, é baiano radicado em Curitiba. O ex-agente penitenciário iniciou a carreira como cineasta em 2008, aos 29 anos de idade, e em 2015 faturou sete prêmios no Festival de Brasília com o longa Para Minha Amada Morta e chamou atenção da cena internacional com premiações em Sundance e exibições em diversos eventos pelo globo.

Foto: Reprodução

O longa Ferrugem se desenrola a partir do vazamento de um vídeo íntimo de uma adolescente em um grupo de WhatsApp e para o diretor, Aly Muritiba, pretende ser mais um motivador de debate sobre o mundo atual. Nos cinemas, Muritiba já tem mais dois projetos engatilhados: está na pré-produção de uma série para a Netflix e ano que vem roda um novo longa.

Sem caixa, empresa recebe 100% dos pagamentos em Curitiba

A operadora logística paranaense Cargolift inaugurou o Espaço Corajosamente Éticos, na sede da empresa, em Curitiba.

Com venda de cafés, doces, lanches, materiais de papelaria e souvenires o público pode escolher o seu produto e pagar num caixa aberto, sem a figura de um cobrador. Há doces de R$ 0,10, R$ 0,50, R$ 2 e cadernetas de até R$ 25, disponíveis para os clientes –funcionários, terceirizados e visitantes.

No “caixa”, também há uma calculadora, máquina de cartão e dinheiro, se houver a necessidade de retirar troco.

De acordo com CEO da empresa e idealizador do espaço, Markenson Marques, em três meses de funcionamento a taxa de “esquecimento” de pagamentos foi de 0%. O espaço tem faturado em torno de R$ 2000 por mês, conta com a circulação média de 100 pessoas por dia, e ainda oferece uma estrutura confortável, com puffs e almofadas, assim como TV a cabo e máquina de bebidas quentes. “O bem precisa vir à tona e ser mostrado. O brasileiro não é essa desonestidade que a mídia tem mostrado tantas vezes com todos esses escândalos de corrupção. O brasileiro trabalhador é honesto e precisamos de iniciativas como essa para mostrar que somos a maioria”, pondera Marques.

Na empresa há quatro meses, a recepcionista Juliana Couto aprovou a ideia. “Nunca tinha ouvido falar de nada assim. Achei uma experiência muito rica que empodera o funcionário. Aqui é cada um e sua consciência”, afirma.

Corajosamente Éticos

O novo espaço na empresa é inspirado no movimento Corajosamente Éticos (CE), uma campanha que promove ética, valores e um modo de vida honrado. O projeto desafia pessoas e organizações a firmarem um compromisso pessoal com uma vida ética a fim deinstigar outros a fazerem o mesmo.

Coordenador geral do projeto no Brasil, Markenson Marques aceitou o convite para fazer parte da campanha “UnashamedlyEthical”, em novembro de 2013. Desde lá, já incentivou mais de 540 adesões a fazerem parte dessa cultura. “É muito fácil aderir. Basta assinar o termo de compromisso em nosso site e nos ajude a multiplicar a ideia”, convida Marques.

 

Jogo solidário no Couto Pereira vai arrecadar recursos para a construção de moradias para famílias carentes

Jogadores e ex-jogadores, estrelas do futebol paranaense, vão realizar um jogo solidário para construção de 28 moradias para famílias carentes na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), no sábado (30), a partir das 13h30, no Couto Pereira. A partida terá a participação de craques que já passaram por Coritiba, Atlético e Paraná, como Alex, Lúcio Flávio, Marcos, Gustavo, Cocito e Tcheco.

De acordo com a organização do evento, serão duas partidas. A primeira começa no início da tarde, quando se enfrentam o time da imprensa paranaense e o time TETO, que conta com voluntários, patrocinadores, apoiadores do evento e moradores de favelas. Já a partir das 15h30, será a vez do jogo das estrelas, com a presença de craques do presente e do passado.

O ingresso para as duas partidas custa R$ 20 e um quilo de alimento não perecível. A compra pode ser feita pelo site benfeitoria.com/jogosolidario ou nas unidades da escola Pa-Kua nos bairros Mercês, na Avenida Manoel Riba, 2241, no Centro, na Rua Benjamin Constant, número 138; no Água Verde, na Rua Brasílio Itiberê, número 3221; e no Batel, na Rua Coronel Dulcídio, número 290.

Toda renda da partida será destinada para a construção de 28 moradias mais dignas na região da CIC, que será realizada entre os dias 21 e 26 de julho. Mais informações estão disponíveis no site teto.org.br.

Avós do Paraná atuam como mães temporárias de crianças sob risco

As irmãs Jacira Bueno Machado, 75, e Alba, 70, desempenham a função de mães temporárias de crianças e adultos em situação de risco, deficiências físicas ou em tratamento de saúde. O espaço usado é a própria casa delas, em Campo Mourão, no interior do Paraná.

Com guarda temporária, no caso de menores de idade, e tutela, em relação aos adultos, concedidas pela Justiça, as duas irmãs não sabem exatamente quantas pessoas já passaram pela casa onde moram em Campo Mourão.

“São mais de duzentas, mas nunca contei. Para mim, eles nunca foram números, mas sim membros da família”, diz Jacira, que oficialmente adotou em definitivo quatro crianças. A última delas há seis anos.

O trabalho de ser mãe postiça das irmãs é exercido há 44 anos. Atualmente oito pessoas são criadas na casa delas, quatro com deficiências mental, de locomoção e de visão. A faixa etária vai de seis a 47 anos. O tratamento e despesas dos filhos, incluindo remédios e até despesas particulares com médicos, são custeados com pensões pagas à ela e a irmã.

No final dos anos 1990, moradores da cidade, empresas e entidades passaram a auxiliar com doações a elas. Jacira perdeu uma filha com um ano de idade, vítima de uma doença degenerativa -“que até hoje não sei o nome”, diz ela.

Depois de um curso por correspondência de costura, emendou outro de auxiliar de enfermagem. Começou a trabalhar em dois hospitais da cidade. Logo ganhou a confiança dos pacientes e era tratada como comadre.

“A maioria era ‘boia-fria’ que não sabia nem mesmo tomar o medicamento. Viviam em fazendas em situação de miséria e tinham dificuldade em permanecer na cidade. Muitas crianças acabavam morrendo após passar pelo hospital”.

Com a situação, ela passou a se oferecer para ficar com algumas crianças na própria casa, até que o tratamento delas terminasse e pudessem voltar a suas famílias, na zona rural. Foi o início do trabalho voluntário. Com o tempo, algumas famílias das crianças recebidas na casa voltavam para buscá-las, mas outras desapareciam. As irmãs foram ficando com elas.

Jacira então decidiu assumir de vez o papel de mãe. Procurou o juiz da cidade e conseguiu a guarda provisória dos que estavam com ela. A Justiça fez mais ainda. Passou a enviar para a casa das irmãs menores em situação de risco. “Talvez os que deram mais problema, pois não se adaptavam como família”.

Jacira e Alba nunca quiseram o título de entidade ou de uma organização não governamental para receber auxílio financeiro. “Não somos uma entidade. Somos uma família. Isto aqui é a casa de uma família. Jamais trocaria isso por dinheiro.”, diz  Jacira.

Alba cuida da casa e não gosta de aparecer. Jacira também cuida dos “filhos”, vai a médicos, mantém contato com a comunidade e cuida da contabilidade. Semanalmente, Jacira leva um dos “filhos” para Curitiba (a 460 km de Campo Mourão) para atendimento em hospital especializado.

Vai dirigindo um veículo, modelo Doblô ano 2014, comprado em parcelas. Como usa prótese em uma das pernas, o uso da embreagem a incomoda na viagem de oito horas pela estrada. “Quero tentar comprar agora um veículo igual, mas automático, para cansar menos”.

No fórum local, conta ela, o promotor da Vara de Infância e Juventude, Luciano Rahal, se preocupa com a idade avançada de dona Jacira e a continuidade do trabalho. Jacira sorri e diz que se preocupa com o fato, mas diz que não sofre por antecipação.

“Afinal, nada aqui foi planejado. Me perguntam se fiz promessa. Nada, foi por impulso e amor por esta grande família”.

“Cristolândia” recupera dependentes de crack no Paraná

A Primeira Igreja Batista de Curitiba completa 104 anos de existência e inaugura o programa Cristolândia Paraná. A ideia é trabalhar permanentemente na recuperação e assistência a dependentes químicos e codependentes, principalmente viciados em crack, e atuar na prevenção ao uso de drogas.

O nome Cristolândia faz alusão à cracolândia, local onde os dependentes de crack costumam fazer o uso da droga. Em Curitiba, assim como em outras grandes cidades, a maioria das pessoas em situação de rua consome drogas, o crack é uma das principais. No Paraná, segundo o mapa do crack, estudo da Confederação Nacional de Municípios, 93 cidades estão em situação de alerta, o que justifica a importância de iniciativas como esta da PIB.

Segundo o coordenador da Cristolândia Paraná, pastor Daniel Eiras, as igrejas precisam realizar mais ações que beneficiem as comunidades em vulnerabilidade. “Não podemos deixar na mão dos governos, apenas. Como cristãos, temos o compromisso de ajudar o próximo, principalmente àquele que não tem mais a quem recorrer”, afirma.

Em São Paulo o programa já existe há dez anos, mas a ideia foi se espalhando pelo país e hoje está presente nos seguintes locais: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, e agora no Paraná.

Etapas

O programa é realizado em quatro etapas, sendo a primeira a chamada “busca ativa”. “Nesta etapa percorremos as cracolândias, criamos vínculos com os dependentes e falamos do projeto. A ideia é gerar confiança e mostrar que é possível recomeçar a vida sem drogas e com perspectivas positivas para o futuro”, explica o líder das buscas Valdir Diniz, que atualmente é pastor, já trabalhou na Cristolândia do Rio de Janeiro e teve passado nas drogas.

A segunda etapa é a “acolhida”, quando o dependente receberá alimentação saudável, higienização pessoal, roupas, terá guarda de seus pertences, avaliação multidisciplinar e suporte para acesso a documentos. Depois, eles serão encaminhados à Cristolândia propriamente dita, uma chácara em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba, onde serão integrados ao Centro de Formação Cristã. As atividades nesta etapa são de responsabilidade da Primeira Igreja Batista, que auxiliará o acolhido na construção de seu Plano Terapêutico Individual.

“Todas as etapas são importantes, mas é nesta que o dependente receberá cuidados com sua saúde física e espiritual, trabalhando na construção de novos projetos de vida. Além disso, ele também receberá capacitações e será preparado para sua reinserção no mercado de trabalho”, explica Eiras.

Na chácara, o acolhido poderá ficar entre seis e nove meses e depois passará para a quarta etapa, chamada de “república”. Neste momento, o ex-dependente ficará em uma moradia com equipe para acompanhamento psicossocial e será encaminhamento para outros serviços, programas e benefícios da rede socioassistencial e das demais políticas públicas. O prazo para permanência na república é de até 12 meses.

Segundo o pastor Paschoal Piragine Junior, presidente da PIB Curitiba, todo o processo, que pode durar até dois anos, tem como objetivo “transformar, por meio de cuidado, carinho e da evangelização, a vida das pessoas que se deixarem ser auxiliadas. Queremos ajudar a sociedade no combate ao uso do crack, droga que tornou o Brasil o maior mercado consumidor deste entorpecente”, conclui.

Foco em prevenção

Em paralelo ao cuidado com quem já está escravizado nas drogas, a Cristolândia Paraná vai trabalhar fortemente na prevenção. Neste primeiro momento 30 locais estratégicos receberão voluntários, em parceria com Igrejas Batistas e de outras denominações, para impactar crianças, adolescentes e jovens no propósito de que façam escolhas saudáveis para sua vida.

No estado paranaense é uma iniciativa que envolve, além da Primeira Igreja Batista de Curitiba, outras Igrejas Batistas e Evangélicas da cidade, a Associação das Igrejas Batistas da Grande Curitiba, a Convenção Batista Paranaense e a Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.

Se você quiser apoiar o programa Cristolândia Paraná, entre em contato com a Primeira Igreja Batista de Curitiba pelo telefone 41 3091-4347 ou acesse www.pibcuritiba.org.br/cristolandiaparana. Você pode doar alimentos, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, roupas e dinheiro.

Festividade de aniversário

Além da inauguração do programa Cristolândia, a PIB Curitiba, em comemoração ao seu aniversário, realizará no sábado (12), das 09h às 18h, o “Celebre”.

A programação do evento contará com bazar solidário, das 10h às 15h; outlet de roupas da última estação, das 10h às 17h; feira com barraquinhas gastronômicas, das 10h às 18h; apresentações musicais e artísticas; das 12h às 17h; oficina de arco e flecha, muay thay e exercício funcional, das 09h às 18h e atividades recreativas para as crianças, das 12h às 17h.

O Celebre será realizado no estacionamento da PIB Curitiba, que fica na Rua Bento Vianna, 1200, esquina com a Avenida Batel. Todo recurso arrecado este ano será revertido para a Cristolândia.

A PRIMEIRA IGREJA BATISTA

A Primeira Igreja Batista de Curitiba está localizada na Rua Bento Viana, 1200, Batel. A instituição conta hoje com mais de dez mil membros e tem como pastor presidente, há 26 anos, Paschoal Piragine Junior. Realiza diversos projetos sociais por meio da Ação Batista de Ação Social e está presente em diversas partes do mundo por meio de missionários sustentados pela própria Igreja e seus membros.

Curitiba sedia evento internacional de valorização da paz e da felicidade

Curitiba vai ser, pelo segundo ano seguido, uma das cidades do mundo a receber o Global Bubble Parade. O evento nada mais é do que uma celebração à felicidade, à paz mundial e aos gestos simples que vai espalhando alegria e diversão nas ruas por onde passa.

Trata-se de um desfile de pessoas fazendo bolhas de sabão que, aqui, vai tomar conta do Centro Histórico da capital. E vale bolha de qualquer tamanho, de acordo Gabriela Lima, uma das organizadoras da iniciativa. “É um evento mundial que foi idealizado por uma ONG da Europa. Eles realizam esse evento há alguns anos e abrem para que qualquer pessoa possa fazer isso em sua cidade”, conta.

Segundo a ONG BemPeloBem, que promove o evento em Curitiba, cerca de cinco mil pessoas participaram da iniciativa em 2017. Como no ano passado, cada um pode levar de casa o material para fazer as bolhas, mas quem não tiver o kit não precisa se preocupar. “É uma passeata em nome da felicidade. A ideia é que, no mesmo dia, várias pessoas ao redor do mundo celebrem a felicidade e paz. É um dia que não existe diferença”, diz Gabriela.

A parada está marcada para o dia 6 de maio, das 15 horas às 17 horas. O trajeto começa em frente à sede da ONG Bem Pelo Bem, na rua Quari, número 161, no bairro São Francisco. De lá, os participantes seguem em passeata pela rua Trajano Reis em direção à Fonte da Memória, conhecida como Cavalo Babão, no Largo da Ordem.

Entre os outros lugares onde a Global Bubble Parade também é realizada estão Baltimore, Amsterdã, Cidade do Cabo, Nova Déli, Hong Kong e Berlim. No Brasil, além de Curitiba, as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Diamantina, em Minas Gerais, também promovem a iniciativa.

O evento é de graça e, para saber mais sobre a edição da capital paranaense, basta acessar: facebook.com/bempelobemcwb.

Idosas do Pequeno Cotolengo ganham nova casa

Oito mulheres que atingiram a terceira idade e que recebiam atendimento do Pequeno Cotolengo ganharam um novo lar nesta semana. Batizada de “Casa Lar Sênior – Mama Carolina”, a casa foi inaugurada na segunda-feira (26).

O nome da nova casa foi escolhido para homenagear a mãe de São Luis Orione, fundador do Pequeno Cotolengo, e trazer a sensação de um verdadeiro lar que vai proteger e oferecer conforto para as moradoras. Das oito moradoras, cinco fazem parte das primeiras turmas que vieram para o Pequeno Cotolengo, na década de 1970. São quase 50 anos vivendo dentro do Pequeno Cotolengo, e recebendo todos os cuidados dentro da saúde, educação e qualidade de vida, que possibilitou que elas chegassem até a terceira idade.

A unidade foi construída com apoio do projeto Adote um Lar. Neste projeto, as empresas do Grupo JMalucelli, através do Instituto Joel Maluceli, contribuíram via incentivos fiscais com R$ 400 mil. Com este montante e de outros doadores, o Pequeno Cotolengo completando 53 anos de fundação comenta que será construída mais uma casa ao lado da que está sendo inaugurada,  além da manutenção e necessidades das moradoras com  mais de 60 anos.

Hoje, o Pequeno Cotolengo acolhe pessoas com deficiências múltiplas (físicas e intelectuais)  de todas as idades e de qualquer região do estado do Paraná, que foram abandonadas por suas famílias, sofreram maus tratos ou viviam em situação de risco. São cerca de 200 moradores que recebem na instituição acolhimento, educação e saúde, tudo feito com muito carinho para oferecer qualidade de vida a cada um deles (Fonte Pequeno Cotolengo)

Já, o Instituto Joel Malucelli, criado em 2012, nasceu para realizar um sonho do seu fundador, que sempre se preocupou com ações de responsabilidade social. Seu objetivo é centralizar, integrar e gerenciar todas as ações na área responsabilidade social e ambiental das empresas, sempre embasadas pela Política de Sustentabilidade do Grupo JMalucelli.

Protesto do bem: Concurseiros da PM entregam chocolates para crianças no HU

Enquanto aguardam a abertura de edital para contratação de novos policiais militares, estudantes focados no concurso da PM se reuniram para presentear crianças hospitalizadas e em tratamento no Hospital Universitário de Maringá (HU), no Noroeste do Paraná, nesse período de Páscoa.

De acordo com Samuel Paggi, idealizador do projeto, o grupo de estudos “Bravos Heróis” fez o levantamento do número de crianças na unidade, arrecadou e irá entregar 150 cestas com chocolates para as crianças a partir desta sexta-feira (23). Todo o material foi arrecado por meio de doações e as embalagens são artesanais. “Todo o processo demorou 40 dias. Franciely Fonseca e Evandro Fonseca foram os responsáveis por montar os kits”, agradece Paggi.

“O intuito do doação é levar um pouco da alegria para crianças que estão passando por um momento difícil. Sabemos que existem pais que estão gastando muito dinheiro com tratamento dos filhos e que não tem condição de comprar alguma lembrança, chocolates e doces nessa Páscoa”, diz.

Essa não é a primeira vez que o concurseiro se esforça para tornar mais alegre a Páscoa de crianças. “Eu venho fazendo desde a faculdade. No ano passado, a gente arrecadou para as crianças do Hospital do Câncer de Maringá, mas essa ala foi transferida para o Pequeno Príncipe, em Curitiba”, conta.

Protesto do bem

Além da atitude de levar a Páscoa para dentro do HU, o grupo também chama atenção para o número de policiais na corporação e a necessidade de contratação. O último edital de contratação policiais ocorreu em 2012 e 2013.

“Vamos cobrar o governador para abertura do concurso pois o efetivo esta cada dia mais defasado e crítico.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sesp), a Polícia Militar não está com número de servidores defasada e não há previsão para abertura de novo edital, tendo em vista o gasto com recursos humanos está dentro do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

 

Depois de foto em redes sociais, “cachorro do ônibus” é adotado

BandNewsCuritiba

A foto de um cachorro dentro de um ônibus ligeirinho chamou a atenção nas redes sociais nesta semana. E a história do viajante canino teve um final feliz – ou melhor: um recomeço.

Depois de rodar muito de ônibus pela cidade o vira-lata mestiço com golden retriever ganhou uma família, que ele mesmo escolheu: a adotante Eliza Futigami encontrou o cachorro em frente de casa, quando estava chegando e ele resolveu entrar junto.

“De repente ele sentou ali, ficou perto da gente, como se fosse da família. Sentou, deu a pata, se encostou… e eu pensei, ai cachorrinho, não olhe para mim, não faça assim, que eu não vou resistir. Na hora de vir para casa, ele veio junto. Eu não ia deixar ele para fora”, contou.

Era para ele ficar só por um tempo, até encontrar o verdadeiro dono ou um adotante. Durante as buscas nas redes sociais, Eliza encontrou a foto do passageiro canino em uma postagem de uma protetora que estava à procura do cachorro do ônibus.

A postagem era da protetora de animais Sheila Ferreira, voluntária da Ong Salva Bicho, que resgata animais abandonados. Ela estava procurando o cão justamente para tentar encontrar algum adotante para ele.

Embora algumas pessoas tenham manifestado a vontade de adotar o cachorro, Eliza resolveu ficar com ele. O novo integrante da família já recebeu até um nome: Jack Daniels e agora faz parte de uma trupe com 7 cachorros que Eliza tem.

Ele passou por avaliação veterinária e está tratando algumas feridas que tinha pelo corpo. E não deve mais ser visto circulando de ônibus por aí.

Bandas curitibanas organizam show para ajudar famílias atingidas pela chuva

BandNewsCuritiba

Músicos curitibanos se uniram para ajudar as comunidades que perderam tudo com a enchente do último fim de semana. Para arrecadar doações, 23 bandas de rock vão se apresentar  nesta quarta-feira (07) no Claymore Highway Bar. Entre os grupos que vão fazer o show “Rock do Bem”, estão as Bandas Relespública, Motorocker e Bom Jovi Cover Brasil.

A entrada é a doação de alimentos não perecíveis, agasalhos, e produtos de higiene, ou R$ 10, caso a pessoa não tenha como levar os itens. O lucro da venda vai ser destinado às doações. O show começa às seis da tarde. Outro evento programado para esta semana é o Projeto Música Solidária, que ocorre no próximo sábado, dia 10. Mais de 80 grupos vão se apresentar no Spazio Van, para arrecadar alimentos, cobertores, produtos de higiene e limpeza.

O Presidente da Associação de Sambistas e Ritmistas do Paraná, Fabio Antônio da Silva, destaca que a programação está diversificada e mais de 150 grupos demonstraram interesse em participar.

As apresentações devem começar por volta das dez e meia da manhã e seguir até as dez da noite. A entrada é um quilo de alimento não perecível, mas qualquer doação pode ser levada ao local do evento. Entre as atrações, estão grandes nomes da música local, como a Banda Blindagem. A campanha também conta com apoio de personalidades de diferentes áreas.

 

Para quem quiser participar, o Spazio Van fica na Linha Verde, número 15.000 (quinze mil).