Prodígio, pianista curitibano promove concertos para estudar música na Rússia

A menos de três meses de embarcar para a Rússia, o pianista curitibano Estefan Iatcekiw, de 15 anos, se prepara para realizar seus concertos de despedida. O jovem músico foi admitido no curso superior de piano do renomado Conservatório Tchaikovsky, localizado na capital, Moscou, onde passará os próximos seis anos.

Primeiro musicista de sua família, Estefan descobriu seu talento aos cinco anos, quando pediu à mãe que lhe desse um teclado como presente de aniversário, e não uma bicicleta, como ela planejava. Assim que seu pedido foi atendido, começou a tirar de ouvido as músicas tocadas na televisão.

“Foi aí que a minha mãe percebeu que tinha alguma coisa errada comigo”, diz Estefan. A coisa errada é, na verdade, o ouvido absoluto, condição auditiva que permite identificar e reproduzir quaisquer notas musicais, mesmo as mais cotidianas, como o som de uma sirene, um toque no teclado ou a voz de alguém. Tudo isso, para Estefan, é música.

Após passar por diferentes cursos e professores, o pianista finalmente encontrou sua atual professora, a russa Olga Kiun. Determinada a não dar aulas para crianças, Olga ofereceu a Estefan apenas 15 minutos para mostrar o que ele sabia e, talvez, convencê-la a lhe dar aulas.

Foi a partir dessa aula teste que surgiu, então, uma parceria que ultrapassou a sala de aula e rendeu a Estefan uma vaga na escola russa – foi Olga quem mostrou um vídeo seu a um professor do Conservatório Tchaikovsky, que, por sua vez, convidou-o para fazer a prova que traria sua aprovação.

Antes de partir para a Rússia, no entanto, Estefan teve de finalizar seu ensino médio – concluído no ano passado, aos 14 anos – e se certificar de que teria a companhia de sua mãe, Josiane
Alanis, com quem embarca no dia 26 de agosto, somente com passagens de ida. Os custos, porém, são altos. Além de hospedagem, alimentação e transporte, será preciso arcar com a anuidade do conservatório, equivalente a R$ 42 mil. Por isso, Estefan realizará, até sua partida, diversos concertos em Curitiba. Em todos eles, o valor dos ingressos será revertido para suas despesas.

Além do concerto de amanhã, em que toca ao lado de sua professora, ele ainda se apresenta no Teatro Positivo, no dia 11 de julho, quando fará uma homenagem ao público, amigos e todos que o auxiliaram em sua carreira, e novamente no Teatro Guaíra, no dia 11 de agosto, quando se apresenta com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Os ingressos já estão à venda pelo Disk Ingressos.

SERVIÇO
Concerto a Dois Pianos – Estefan Iatcekiw e Olga Kiun:
Dia 13/06, às 20 horas, no Teatro Guaíra.
Entradas custam R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia-entrada) e podem ser adquiridas na bilheteria do teatro ou pelo Disk Ingressos.

‘O Exército não matou ninguém, não’, diz Bolsonaro sobre morte de músico no Rio

Seis dias depois da morte do músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, 46, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o caso, em entrevista a jornalistas em Macapá, nesta sexta-feira (12).

“O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade”, disse ele.

Segundo Bolsonaro, o Exército sempre aponta responsáveis e, na corporação, “não existe essa de jogar para debaixo do tapete”. Ele citou ainda a perícia e investigação que estão sendo realizadas para apurar as circunstâncias do crime e “ter realmente certeza do que aconteceu naquele momento”.

“O Exército, na pessoa do seu comandante, o ministro da Defesa, vai se pronunciar sobre esse assunto. Se for o caso, me pronuncio também. Com os dados na mão, com os números na mão, nós vamos assumir a nossa responsabilidade e mostrar realmente o que aconteceu para a população brasileira”, afirmou.

Até então, a única manifestação do presidente sobre o caso havia ocorrido via porta-voz da presidência, general Rêgo Barros, que também classificou o caso como “incidente” e negou que o presidente tivesse feito manifestações de pesar pela morte do músico.

Evaldo foi morto depois de ter o carro alvejado com 80 tiros por militares do Exército, na tarde do último domingo (7), no Rio de Janeiro. A mulher dele, o filho de sete anos, uma amiga e o sogro dele também estavam no veículo. O sogro ficou ferido.

Também nesta sexta, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, se pronunciou sobre o caso, em entrevista à rádio CBN.

“Sob pressão e sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido”, disse ele.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também chamou o caso de incidente e disse que o Exército “vai apurar e cortar na própria carne”. Na quinta, ele reconheceu que o armamento usado “não é adequado”.

“Essa do Rio de Janeiro foi uma ocorrência lamentável com vítima fatal. Mas, realmente, nós não somos voluntários, nunca fomos voluntários de operações de Garantia da Lei e da Ordem. É missão. A nossa missão precípua não é essa. O nosso armamento não é adequado para isso. A legislação não é adequada para isso”, disse Azevedo e Silva.

Morte de Evaldo foi “lamentável incidente”, diz ministro da Defesa

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, classificou como “lamentável incidente” a morte do músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em decorrência de uma operação do Exército, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. O carro de Evaldo foi atingido por mais de 80 tiros de fuzil, disparados pelos militares. “Vamos apurar [o caso] e cortar na própria carne”, disse o ministro durante audiência pública na Câmara dos Deputados.

“Foi um lamentável incidente, que vamos apurar e cortar na própria carne. Ele será apurado até as últimas consequências. Tudo será julgado muito rápido e apurado da forma devida”, garantiu o general.

Segundo ele, ao redor da guarnição no bairro Marechal Deodoro há células de tráfico, milícias e organizações criminosas que ameaçam, inclusive, a população local. “Houve [na ocasião] troca [de tiros] muito forte em uma vila residencial nas proximidades. Na volta, teve esse incidente envolvendo uma patrulha. Ao que parece, eles [os militares] não seguiram as normas regulamentares de engajamento e, por isso, os 12 já estão presos por não cumprir as normas de engajamento. Foi lamentável e triste, mas foi um fato isolado”.

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Fernando Azevedo disse que todos os militares envolvidos foram ouvidos e que a conclusão é de que eles “não seguiram as normas em vigor”, motivo pelo qual foram presos. “É um fato dentro de um contexto de várias operações de GLO [Garantia da Lei e da Ordem] e de paz”, acrescentou.

Apesar do ocorrido, o general afirmou que a intervenção deixará um legado para o Rio de Janeiro. “Será o Plano Estratégico de Segurança Pública para o Rio de Janeiro. Ele estruturará a segurança no estado, em especial a inteligência, que já tem inclusive ajudado as investigações”, disse.

Ele lembrou, ainda, que tanto a GLO como as intervenções ocorridas no estado não foram a pedido das Forças Armadas. “Nós fomos convocados. Isso foi missão”.

Operação

O músico Evaldo dos Santos Rosa foi morto em uma operação do Exército, em Guadalupe, na zona oeste da cidade. O carro em que estava a família foi atingido por mais de 80 tiros disparados pelos militares. Evaldo, a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga da família estavam indo para um chá de bebê.

O músico foi atingido por três tiros e morreu na hora. O sogro, Sérgio Gonçalves de Araújo, recebeu um tiro nas costas e outro no glúteo. Os tiros atingiram também um homem que tentava socorrer a família.

Segundo a viúva de Evaldo, Luciana Nogueira, não houve confronto, e os tiros começaram assim que o carro da família entrou na rua.

Cantor curitibano receberá honraria em SP neste sábado (25)

O músico curitibano João Triska recebe neste sábado (25), no Centro Cultural Olido, em São Paulo, o Prêmio Grão de Música, uma das grandes honrarias da música brasileira na atualidade. Nesta, que será a 5ª edição do Prêmio, Triska junta-se a outros 14 artistas nacionais que se destacaram na cena musical brasileira nos últimos 12 meses.

Triska foi selecionado ao Prêmio Grão pelo disco “Iguassul”, trabalho autoral que o artista lançou no final de 2016 e que faz uma profunda viagem pelo cancioneiro popular do Paraná e do Sul do Brasil, revelando a preocupação do artista em manter viva a cultura dos primórdios da música, exaltando também a cultura e costumes indígenas e ritmos tradicionais, como o chamamé, a milonga e a folk music.

“Fiquei muito feliz quando recebi a confirmação de que meu trabalho foi selecionado para receber o Prêmio Grão. Além de ser um grande incentivo para a minha carreira, tomo também como um reconhecimento pelo trabalho em “Iguassul”. Todos que estiveram e estão comigo nessa caminhada fazem parte desse reconhecimento e isso é algo muito especial para mim”, disse Triska.

Veja o mais recente clipe dele, lançado nesta semana:

Os selecionados pela curadoria do Prêmios foram escolhidos pelo conjunto da obra e trajetória artística, sendo laureados com o Troféu Grão, obra esculpida em bronze maciço sobre uma base de mármore, forjada pelo artista plástico Elifas Andreato.

Além do troféu, o Prêmio Grão de Música também traz uma coletânea com músicas de todos os artistas premiados. No caso de Triska, a música selecionada foi ‘Milonga Flor’, composta pelo gaúcho Érlon Péricles.

“Achei essa música linda e decidi fazer uma nova versão. Acho que a Milonga Flor representa bem a conexão do meu trabalho com uma linguagem mais moderna, que bebe das raízes musicais do Sul. Prêmios são sempre muito importantes e isso mostra que estamos no caminho certo, mesmo tendo que enfrentar todas as dificuldades em trabalhar de forma independente no Brasil”, observa.

João Triska tem se destacado no cenário nacional não apenas pela forte veia de compositor criativo e engajado, mas também por seu talento como intérprete. Já dividiu o palco com grandes nomes da música nacional e internacional e fez turnês pelo Brasil e por países da América Latina.

Seu primeiro álbum solo, “Nos Braços dos Pinheirais” (2015), faz um resgate da musicalidade de raiz de sua região, sendo eleito um dos mais influentes do Paraná (Gazeta do Povo) e figurou entre os 100 melhores da música brasileira de 2015 (Ed. Félix).

Seu segundo álbum, “Iguassul”, contou com a participação especial do cantor Paulinho Moska e o levou pelo segundo ano consecutivo à final do Prêmio Profissionais da Música como Melhor Artista Regional (2016/2017), e também ao próprio Prêmio Grão de Música 2017.

Em seus shows João Triska apresenta canções de ambos os discos que fluem livremente entre português e espanhol, misturando reagge, milonga, folk, rock e baião, além de interpretar clássicos de outros grandes artistas.

Veja quais serão os músicos premiados no encontro:
– Flor de Romã (Bartholomeu Mendonça) com Wilma Araújo
– Não Nasci para o Amor (Juliano Holanda e Thiago Emanoel Martins) com Almério
– Vasta Ilha (Ian Faquini e Mauro Aguiar) com Paula Santoro
– Viola Quebrada (Mário de Andrade) com Cida Moreira
– Cartão Postal (Joésia Ramos e Maria Cristina Gama) com Joésia Ramos
– Bola no Bola (Vidal Assis e Hermínio Belo de Carvalho) com Áurea Martins
– Pé de Crioula (Ana Paula da Silva e Sérgio Almeida) com Ana Paula da Silva
– Negra (Calé Alencar) com Calé Alencar
– Cunhantã (Zeca Torres, Aníbal Beça e Thiago de Mello) com Márcia Siqueira
– Milonga Flor (Érlon Péricles) com João Triska
– Corpo (Déa Trancoso) com Déa Trancoso
– Açoite da Brisa Monte (Jânio Arapiranga) com Jânio Arapiranga
– Os Desejos da Mulher (Mocinha de Passira) com Mocinha de Passira e Luzivan Matias
– Noite de São João (Fred Martins e Alberto Caieiro) com Fred Martins
– Segundo Quarto (Estela Ceregatti) com Estela Ceregatti