EUA suspende todas as importações de carne fresca do Brasil

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciou nesta terça-feira (22) a suspensão de todas as importações de carne bovina fresca do Brasil devido a preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado americano.

Em comunicado, Perdue informou que a suspensão dos embarques permanecerá em vigor até que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tome medidas corretivas que o Departamento de Agricultura americano considere satisfatórias.

O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos EUA inspeciona todos os produtos de carne que chegam do Brasil e desde março recusou a entrada para 11% dos produtos brasileiros de carne fresca. “Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de um por cento das remessas do resto do mundo”, diz a nota do governo americano.

Desde o aumento da inspeção, foi recusada a entrada de 106 lotes de produtos bovinos brasileiros, devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde animal. A nota dos Estados Unidos diz que o governo brasileiro se comprometeu a resolver essas preocupações.

Na segunda-feira (21) o Mapa suspendeu as exportações de cinco frigoríficos para os EUA, depois de autoridades sanitárias americanas identificarem irregularidades provocadas pela reação à vacina contra a febre aftosa. Segundo nota do Mapa, a proibição continuará em vigor até que sejam adotadas “medidas corretivas”.

Segundo o secretário de Agricultura dos EUA, “garantir a segurança do fornecimento de alimentos da nossa nação é uma das nossas missões críticas, e é uma tarefa que empreendemos com muita seriedade. Embora o comércio internacional seja uma parte importante do que fazemos no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), e o Brasil há muito tempo é um dos nossos parceiros, minha prioridade é proteger os consumidores americanos. Isso foi o que fizemos, interrompendo a importação de carne fresca brasileira”, disse.

Exportações

Até maio desde ano, o Brasil exportou 4,68 mil toneladas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, ou US$ 18,9 milhões. O maior importador do produto é a China, com 52,8 mil toneladas no mesmo período.

Considerando-se apenas maio, Hong Kong foi o que mais importou esta categoria de produto, com um total de 19 mil toneladas, o que representa um aumento de 29% do total comercializado em abril. A China ocupa o segundo lugar, com um total de 14 mil toneladas (alta de 19%). Assumindo a posição que em abril era da União Europeia, a Rússia aparece na terceira colocação, totalizando 11 mil toneladas importadas (aumento de 14%). Os Estados Unidos exportaram 4,4 mil toneladas.

Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e Mapa.

Governo quer incentivar a reabertura de frigoríficos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a possibilidade de liberar um financiamento para reabrir frigoríficos fechados nos últimos anos.

A informação foi divulgada pelo ministro Blairo Maggi na quinta-feira (1º), durante visita à unidade industrial de carnes Alegra, no município paranaense de Castro.

“Estamos estimulando a reabertura de frigoríficos. Ontem mesmo, recebi a informação de que duas empresas pretendem reabrir algumas plantas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Esse é um movimento importante”.

Maggi destacou ainda as ações do Mapa na área de comércio exterior. “Temos trabalhado muito para abrir ainda mais o mercado internacional aos nossos alimentos”.

Segundo ele, os empresários também precisam se somar ao esforço do governo para ampliar os mercados. “A gente tem que sair, pegar a mala e mostrar o produto, a fim de criar confiança [nos importadores] e ganhar mercado”.

O ministro também elogiou a unidade industrial de carnes, resultado da união das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, que deu origem à marca Alegra.

“Esta planta é a mais moderna que tive a oportunidade de visitar até agora e indica o caminho a ser seguido, cada vez mais automatizado, com as pessoas interagindo mais com as máquinas e menos com os produtos. A chance de contaminação é sempre bem menor”.

MPF denuncia delegado por vazar de informações da Carne Fraca

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma denúncia contra o delegado da Polícia Federal (PF), Mário Renato Castanheira Fanton, pelo vazamento de informações sigilosas da Operação Carne Fraca.

De acordo com a denúncia, protocolada no sistema da Justiça Federal do Paraná, o delegado é acusado de ter repassado ao ex-deputado André Vargas informações sobre servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que estavam sendo investigados. A conversa entre o delegado e Vargas teria acontecido dentro da viatura que transportou o ex-parlamentar de Londrina a Curitiba, no momento de sua prisão, na 11ª fase da Operação Lava Jato, em abril de 2015.

Segundo a denúncia do MPF, o delegado, que era responsável pelas apurações da Operação Carne Fraca, teria até mesmo citado nomes de pessoas que seriam presas somente em março de 2017, entre eles o do fiscal agropecuário, Juarez José de Santana.

Os procuradores ressaltam que o delegado sabia da proximidade de Vargas com Juarez. Em um trecho da denúncia, os procuradores afirmam que, apesar do vazamento, as investigações da Carne Fraca não devem ter sido afetadas.

A assessoria da Polícia Federal no Paraná ainda não se pronunciou a respeito.

Em um despacho anexo a denúncia, o juiz federal substituto Alessandro Bertollo de Alexandre determina que a defesa do delegado tem cinco dias para responder se aceita ou não a possibilidade de um acordo com o MPF.

O acusado se declara culpado e, em troca, cumpre penas alternativas, em troca da extinção do processo. O recurso é viabilizado pela legislação brasileira, já que o acusado não tem antecedentes criminais e a infração penal cometida pelo delegado tem menor potencial ofensivo.

PF

Ex-superintendente do Mapa é preso na 2ª fase da Carne Fraca

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Goiás, Francisco Carlos de Assis, foi preso na manhã desta quarta-feira (31) na segunda fase da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

Assis já havia sido conduzido coercitivamente na primeira fase da operação e agora ficará na Superintendência da PF em Curitiba, onde permanecerá a disposição do juízo da 14ª Vara Federal da capital. O processo é de responsabilidade do juiz federal Marcos Josegrei da Silva.

A Operação Carne Fraca apura o envolvimento de fiscais do Mapa no esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Na primeira fase da operação, em março, o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal em Goiás (Sipoa-GO), o médico veterinário Dinis Lourenço da Silva, foi preso pela PF, além de outros servidores no estado que foram conduzidos coercitivamente.

De acordo com as investigações, o esquema em Goiás era chefiado por Dinis, que foi flagrado em escutas telefônicas negociando a manutenção de um frigorífico da BRF em Mineiros, no sudoeste de Goiás, que tinha indicação de suspensão das atividades.

Segundo a Polícia Federal, Assis também foi flagrado em interceptações telefônicas que indicaram destruição de provas relevantes. O ex-superintendente é réu por ter participado de esquema de corrupção entre a BRF e Dinis Lourenço da Silva para impedir a interdição do funcionamento da empresa, em virtude de fiscalização.

Segunda fase da Carne Fraca

A Operação Antídoto, como foi chamada, envolveu três mandados de busca e apreensão, além do mandado de prisão preventiva contra Francisco Carlos de Assis. Todos os mandados foram cumpridos em Goiás. O nome da nova fase é uma referência a uma ação policial colocada em prática com o objetivo de fazer cessar a ação criminosa do investigado e preservar eventuais novas provas.

Resposta do Mapa

Em relação à prisão de Francisco Carlos de Assis, o Mapa afirmou, em nota, que o ex-superintendente responde processo administrativo e que o ministério está colaborando com as investigações. Confira o texto na íntegra:

Em relação à 2ª fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) esclarece que data de 08 de julho de 2015, a exoneração de Francisco Carlos de Assis.

O ex-superintendente responde administrativamente pelo período em que exerceu cargo de confiança sendo, portanto, já investigado em Processo Administrativo Disciplinar (PAD), aberto em março deste ano pelo Mapa.

O ministério apoia e contribui com informações para investigações da Polícia Federal e adotou todas as medidas cabíveis dentro de sua competência, desde que foi deflagrada a operação.

PF interceptou ligações em que Francisco Assis diz destruir documentos; ouça

Fernando Garcel, Narley Resende e Thaissa Martiniuk

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás, Francisco Carlos de Assis, foi preso na 2ª fase da Carne Fraca na manhã desta quinta-feira (31). Ele é acusado de destruir provas relevantes para as investigações da operação que apura o esquema de irregularidades na fiscalização de frigoríficos. Ele foi flagrado em grampos telefônicos informando sobre a destruição de documentos.

Ex-superintendente do Mapa em Goiás é preso em 2ª fase da Carne Fraca

Alvo de mandado de prisão preventiva, quando não há prazo para liberdade, Assis foi preso pela Polícia Federal (PF) em Goiás e será encaminhado para a carceragem da Superintendência da PF em Curitiba, onde permanecerá a disposição do juízo da 14ª Vara Federal da capital, na quinta-feira (1º).

De acordo com a Polícia Federal (PF), Assis foi flagrado em interceptações telefônicas detalhando a destruição de documentos que pudessem o comprometer. Segundo o despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, a prisão foi necessária para evitar a destruição de novas provas. “A decretação da prisão preventiva de Francisco decorre, assim, da necessidade de se evitar nova destruição de provas e a sua própria ocultação pessoal das autoridades”, despachou o magistrado.

Nos trechos interceptados pela PF, o ex-superintendente conversa com a esposa e conta que destruiu documentos. Ele cuidou de “picar ‘bem picadinho’ uma quantidade considerável de
papéis, a ponto de ficar com os dedos até doendo”, diz o despacho do juiz.

LUCIANA: oi amor
FRANCISCO: oi amor. Eu acabei de rasgar as coisa aqui. Rasguei tudo bem picotadinho.
LUCIANA: ah tá
FRANCISCO: nossa, eu tô com os dedo até doendo!
LUCIANA: ah…mas arrumou tudo né?
FRANCISCO: arrumei

Em uma segunda gravação, Francisco Assis afirma que estava “limpando conversas”.

FRANCISCO: não, é porque ele num tá lá. Eu tô limpando aquelas… eu tô limpando aquelas conversa tudo que eu tenho aqui sabe?
LUCIANA: quis conversa?
FRANCISCO: não, que eu conversava com um pessoal, com outro… eu tô limpando tudo, sabe?
LUCIANA: ahh

Ouça trechos da interpretação telefônica divulgadas pela PF:

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De acordo com o juiz, o aparelho celular não foi apreendido pela PF. “O aparelho celular do investigado não foi apreendido, por não ter sido localizado e tampouco espontaneamente apresentado por ele na Polícia Federal, o que pode ter gerado a destruição e desaparecimento de provas por parte de Francisco”, diz Josegrei.

Além da destruição de documentos, o magistrado aponta outros fatos que corroboram para a prisão do investigado. De acordo com Josegrei, o ex-superintendente atuava a favor de interesses da empresa BRF em troca de favores além de receber cerca de R$ 5 mil como renda extra das empresas fiscalizadas.

 

Operação Carne Fraca

Na primeira fase da operação, em março, o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal em Goiás (Sipoa-GO), o médico veterinário Dinis Lourenço da Silva, foi preso pela PF, além de outros servidores no Estado que foram conduzidos coercitivamente.

A Operação Carne Fraca apura o envolvimento de fiscais do Mapa no esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. De acordo com as investigações, o esquema em Goiás era chefiado por Dinis, que foi flagrado em escutas telefônicas negociando a manutenção de um frigorífico da BRF em Mineiros, no sudoeste de Goiás, que tinha indicação de suspensão das atividades.

Ex-superintendente do Mapa em Goiás é preso em 2ª fase da Carne Fraca

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás, Francisco Carlos de Assis, foi preso na manhã desta quarta-feira (31) na segunda fase da Operação Carne fraca, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal (PF). Assis já havia sido conduzido coercitivamente na primeira fase da operação.

Ele será trazido nesta quarta-feira para a Superintendência da PF em Curitiba, onde permanecerá a disposição do juízo da 14ª Vara Federal da capital. O processo é de responsabilidade do juiz federal Marcos Josegrei da Silva.

Na primeira fase da operação, em março, o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal em Goiás (Sipoa-GO), o médico veterinário Dinis Lourenço da Silva, foi preso pela PF, além de outros servidores no Estado que foram conduzidos coercitivamente.

A Operação Carne Fraca apura o envolvimento de fiscais do Mapa no esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. De acordo com as investigações, o esquema em Goiás era chefiado por Dinis, que foi flagrado em escutas telefônicas negociando a manutenção de um frigorífico da BRF em Mineiros, no sudoeste de Goiás, que tinha indicação de suspensão das atividades.

Segunda fase da Carne Fraca

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta de manhã a 2ª fase da Operação Carne Fraca, batizada de “Operação Antídoto”.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva contra Francisco Carlos de Assis. Todos os mandados foram cumpridos no estado de Goiás.

Segundo a Polícia Federal, Assis também foi flagrado em interceptações telefônicas que indicaram destruição de provas relevantes.

O ex-superintendente é réu por ter participado de esquema de corrupção entre a BRF e Dinis Lourenço da Silva para impedir a interdição do funcionamento da empresa, em virtude de fiscalização.

O nome da fase (Antídoto) é uma referência a uma ação policial colocada em prática com o objetivo de fazer cessar a ação criminosa do investigado e preservar eventuais novas provas.

 

J&F fecha acordo de leniência com multa de R$ 10,3 bilhões

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e os negociadores da holding J&F, controladora da empresa JBS, chegaram a um acordo: uma multa no valor de R$ 10,3 bilhões deverá ser paga pela empresa para a assinatura do acordo de leniência.

O montante, a ser pago em 25 anos, representa, segundo o Ministério Público Federal (MPF), o maior para esse tipo de acordo no mundo. Considerando a correção, a projeção é que o total a ser pago pela J&F, o chamado valor futuro, alcance cerca de R$ 20 bilhões.

Destinação dos valores

O acordo, que deverá ser assinado nos próximos dias, inclui fatos investigados nas operações Greenfield, Sépsis e Cui Bono, além da Bullish e da Carne Fraca.

Do total a ser pago, R$ 8 bilhões serão destinados à Fundação dos Economiários Federais (Funcef) (25%), à Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) (25%), ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (25%), à União (12,5%), ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (6,25 %) e à Caixa Econômica Federal (6,25%).

“O restante da multa, R$ 2,3 bilhões, será pago por meio de projetos sociais, especialmente nas áreas de educação, saúde e prevenção da corrupção. O prazo de pagamento foi fixado em 25 anos, sendo que, neste período, os valores serão corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo [IPCA]”, diz nota do MPF.

Pelo acordo, os pagamentos serão feitos exclusivamente pela holding controladora e deverão ser iniciados em dezembro de 2017. O total estipulado na negociação representa 5,62% do faturamento livre de impostos registrado pelas empresas do grupo em 2016.

Outros acordos

De acordo com o Ministério Público Federal, o percentual de multa por faturamento equivale à média verificada em outros quatro acordos firmados no âmbito da Operação Laja Jato.

Em termos absolutos, o montante representa mais que a soma dos valores que serão pagos por Odebrecht (R$ 3,28 bilhões), Brasken (R$ 3,1 billhões), Andrade Gutierrez (R$ 1 bilhão) e Camargo Corrêa (R$ 700 milhões). Segundo o MPF, diferentemente do que previram outros acordos, no caso da J&F, todo o valor de multa arrecadado ficará no Brasil.

Serraglio e Jardim trocam ministérios

Por Flávio Costa e Gustavo Maia, UOL

O presidente Michel Temer (PMDB) retirou neste domingo (28) o comando do Ministério da Justiça de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que troca de cargo com o jurista Torquato Jardim, da pasta da Transparência e Controle. Temer e Torquato são amigos há mais de 35 anos.

Em nota, o Palácio do Planalto anunciou a ida de Torquato Jardim para a Justiça, sem esclarecer quem assumiria o Ministério da Transparência, nem qual seria o destino de Serraglio. Ás 15h18, a assessoria de imprensa do Planalto negou ao UOL que haveria uma troca de lugares nos ministérios; cerca de 15 minutos depois, voltou atrás e confirmou a ida de Serraglio para a pasta da Transparência.

“O Presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o Ministério da Justiça e Segurança Pública o Professor Torquato Jardim. Ao anunciar o nome do novo Ministro, o Presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo Deputado Osmar Serraglio à frente do Ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil”, diz a nota enviada pela assessoria de imprensa do Planalto.

De acordo com o jornal “Estado de S. Paulo”, partiu da bancada do PMDB na Câmara o pedido para que Serraglio fosse transferido para a pasta da Transparência. É esse ministério que faz os acordos de leniência com empresas investigadas pela Lava Jato. Se Serraglio não aceitasse o ministério a outra opção seria voltar para a Câmara. Neste caso, como é suplente de Loures, tiraria o deputado do mandato.

Terceira troca na Justiça em pouco mais de um ano

Essa foi a terceira troca no comando do Ministério da Justiça em pouco mais de um ano de governo Temer. Quando assumiu, em maio do ano passado, após o afastamento de Dilma Roussef (PT), o presidente nomeou o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes. Em fevereiro, depois da morte do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, Moraes foi indicado para substituí-lo, abrindo espaço para Serraglio na Esplanada dos Ministérios.

Enquanto o seu destino era anunciado pelo Palácio do Planalto, Serraglio se encontrava em Umuarama, cidade do interior do Paraná da qual foi vice-prefeito na década de 1990. A reportagem não conseguiu entrar em contato com ele.

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, esteve reunido com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, no início da tarde de domingo.

Homem da mala

Caso Serraglio não fosse colocado em outro ministério, deveria voltar a assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados, ocupada atualmente pelo suplente, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Loures é o ex-assessor especial de Temer que acabou flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil oriundos de propina. Ele foi afastado de suas funções por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Rocha Loures é investigado no STF no mesmo inquérito em que se apura se Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) cometeram os crimes de corrupção, formação de organização criminosa e obstrução de justiça.

Na sexta (26), a equipe de Temer no Palácio do Planalto já trabalhava com a possibilidade de que Loures fechasse acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo apuração do UOL. A avaliação, entretanto, era de que o processo deve ser demorado e que não havia o que fazer no momento a respeito disso.

A mala na qual foi passado o dinheiro a Rocha Loures foi entregue à Justiça na última segunda-feira (22), mas, segundo informou a Polícia Federal, nela havia apenas R$ 465 mil em espécie. Posteriormente, ele depositou em juízo os R$ 35 mil que faltavam.

Temer tem negado ter participado ou ter conhecimento de práticas ilegais. Os advogados do presidente dizem que ele tem pressa na tramitação do inquérito para que o caso seja esclarecido.

Aécio pediu para trocar Serraglio por alguém “forte”

Também alvo do mesmo inquérito autorizado pelo STF, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) foi flagrado em interceptação da Polícia Federal conversando com o senador José Serra (PSDB-SP) sobre a necessidade de tirar Serraglio do cargo e substituí-lo por alguém “forte”.

Quem é Torquato Jardim

Advogado e ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Jardim assumiu em junho do ano passado o Ministério da Transparência e Controle no lugar de Fabiano Silveira, que deixou o cargo depois da divulgação de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado fazendo referências à Operação Lava Jato.

Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal “Correio Braziliense”, o novo ministro da Justiça disse compreender que Temer tenha recebido o empresário Joesley Batista, em reunião realizada no Palácio da Jaburu, na noite de 7 de março último. O empresário, que firmou acordo de delação premiada com a PGR, gravou a conversa com o presidente.

“O presidente é um parlamentar há 24 anos e tem uma conduta de informalidade que é própria de quem é do Congresso. Ele tem uma descontração ao encontrar as pessoas, doadores de campanha, empresários […] Eu, que não sou parlamentar, tem vezes que saio daqui (da CGU) às 22h30 e recebo pessoas para despachar […] na minha casa também”, declarou.

Em entrevista ao UOL, pouco antes de assumir o cargo, Jardim disse ver a Lava Jato como uma “oportunidade única” para combater a corrupção no país e declarou não ter “restrição alguma” às investigações conduzidas pela força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal).

“[A operação] é uma oportunidade única para combater a corrupção no Brasil. Eu não tenho restrição alguma”, declarou Jardim ao UOL, por telefone.

Torquato Jardim é nomeado ministro da Justiça

O Palácio do Planalto informou, neste domingo (28), que o presidente Michel Temer decidiu nomear Torquato Jardim ministro da Justiça. Jardim comandava o Ministério da Transparência desde dezembro de 2016.

Leia a nota na íntegra:

Nota à Imprensa

O Presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o Ministério da Justiça e Segurança Pública o Professor Torquato Jardim. Ao anunciar o nome do novo Ministro, o Presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo Deputado Osmar Serraglio à frente do Ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil.

Secom/PR

Osmar Serraglio estava no Ministério da Justiça desde março. Durante a tarde, o Planalto anunciou que ele ocupará o cargo de Jardim no Ministério da Transparência.

Rocha Loures

Durante o dia, houve rumores de que Serraglio poderia voltar ao cargo de deputado federal, com isso, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que era seu suplente, perderia o foro privilegiado. Rocha Loures é investigado na Operação Patmos.

 

Operação Carne Fraca

Serraglio, novo ministro da Transparência, foi citado na Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano. Uma doação eleitoral de R$ 200 mil feita pela JBS para a sua campanha a deputado federal em 2014 é alvo da operação. Sobre a doação, Serraglio afirma que o valor foi repassado pelo diretório nacional do PMDB e foi registrado na prestação de contas da campanha.

Torquato Jardim

Advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jardim assumiu em junho do ano passado o Ministério da Transparência e Controle no lugar de Fabiano Silveira, que deixou o cargo depois da divulgação de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado fazendo referências à Operação Lava Jato.

Trajetória de Joesley Batista vira paródia de “Faroeste Caboclo”

Por Leonardo Rodrigues, UOL

A saga “épica” do empresário Joesley Batista, responsável pelas delações que literalmente botaram fogo no país, virou música, mais precisamente uma paródia de “Faroeste Caboclo”, da Legião Urbana. Ouça abaixo com videoclipe.

Publicada no canal Bhaz, a brincadeira é a oitava “homenagem” musical dos mineiros Pedro Guadalupe e João Basílio a personalidades e episódios de repercussão nacional, sempre inspirados em “Faroeste”. Suas versões sobre o esquema da Petrobras e o empresário Eike Batista já viralizaram nas redes sociais em 2015 e 2016.

Na nova “Faroeste Caboclo VIII – Joesley Batista”, a dupla narra a trajetória de Joesley, dono do grupo JBS, um dos maiores frigoríficos do mundo, mostrando como se deu sua relação promíscua com os poderosos do país, barril de pólvora dos casos de corrupção.

Trata-se de um bem-humorado —mas nem por isso menos verídico— resumo do noticiário político das últimas semanas. “Tive a ideia e demorei três dias para fazer tudo. Fiz o vídeo em uma noite e a letra em dois dias com o João. No mesmo dia, fomos ao estúdio, contratamos um cantor e gravamos”, diz ao UOL Pedro Guadalupe, admirador de Renato Russo e diretor do portal mineiro Bhaz.

“Nós já temos meio que um formato. No início, a gente conta uma biografia, vai lá na origem do personagem. No meio, inserimos os desafios da história, exatamente como na original. Aí, mais para o fim, colocamos algo bem próximo da realidade do nosso tempo. Tentamos seguir essa métrica, usando partes semelhantes da letra.”

Em meio a fotos e vídeos, a saga de Joesley na versão de faroeste tupiniquim cita as já clássicas propagandas da marca Friboi, controlada pela JBS, inferindo que o poder (monetário) do empresário é tão grande que conseguiu até fazer Roberto Carlos, conhecido pelas irredutíveis manias, deixar de ser vegetariano.

A paródia de crime sem redenção também lembra políticos como Aécio Neves e Michel Temer, terminando com versos de moral da história: “A gente viu que o crime até compensa, se você souber com quem se arrepender”, diz Pedro na letra, em alusão ao fato de Joesley e seu irmão Wesley, proprietários da JBS, não terem sido presos no escândalo.

Sentiu falta de Lula na música? O colunista Rodrigo Constantino também. Em um post em seu blog nesta quinta (25), ele comparou a piada a um “biquíni” por “esconder o essencial”, que seria o petista, outro dos investigados na Lava Jato. “Se o Constantino achou ruim e fez textão, é porque o trem ficou bom mesmo”, brinca Pedro.