Presos da Lava Jato e Carne Fraca no PR ficam sem visitas e banho de sol

O horário de visitas de familiares de presos nas operações Lava Jato e Carne Fraca, no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, foi alterado nesta sexta-feira (19), pelo Departamento Penitenciário do Paraná, e os visitantes avisados com antecedência para evitar que fossem impedidos de entrar na unidade.

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Nesta sexta, dia da semana em que os detentos das galerias 5 e 6 recebem visitas, um protesto de agentes penitenciários bloqueia a entrada de familiares dos 16 presos da Lava Jato e dos dez da Carne Fraca no CMP, desde o início da manhã, para chamar atenção à causa da categoria contrária à PEC 287, da reforma da Previdência.

Entre os detentos da Galeria 6, estão os ex-deputados Eduardo Cunha e André Vargas, o lobista João Augusto Henriques, ex-tesoureiro do PT João Vaccari, ex-senador Gim Argello, e o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada.

Normalmente, as visitas aos presos da 6ª Galeria do CMP são realizadas às 9 horas. A intenção dos agentes de promover o protesto foi comunicada ao Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), que alterou o horário para às 13h. Como os manifestantes aguardam apoio de agentes de outros estados e pretendem ficar por mais tempo, a alteração de horário não foi suficiente para garantir as visitas, previstas na Lei de Execuções Penais.

De acordo com o diretor-geral do Depen, Luiz Alberto Cartaxo Moura, os familiares foram avisados e as visitas devem ser repostas.

“Foi avisado que seria feito dessa forma. Eles (agentes) fizeram isso para chamar mais atenção. Isso (a mudança de horários) está dentro do que foi comunicado ao Depen. Todas as visitas que foram perdidas – as de hoje, sábado e domingo – que serão perdidas serão repostas a partir de terça-feira. Vai ter que ser reposto”, garante.

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Por enquanto, somente os presos das galerias 5 e 6 tiveram as visitas prejudicas. Nelas também estão dez presos da Operação Carne Fraca, além de servidores públicos como policiais que cometeram crimes e que, por segurança, não podem se relacionar com presos comuns.

A esposa de um ex-fiscal do Ministério da Agricultura, que está no Complexo preso desde abril, demonstrou revolta com o bloqueio. Ela argumentou que mora em Londrina, Norte do Paraná, e que não via o marido há 15 dias. Essa seria a terceira visita dela desde que o fiscal foi preso. Outros familiares desavisados também se revoltaram. “A sociedade não apoia isso, os presos tem direito”, reclamou uma idosa.

Nos próximos três dias, enquanto agentes penitenciários do Paraná devem manter uma paralisação, os presos do Complexo Penitenciário do Paraná devem ter garantidos apenas os serviços de entrega de comida, alvará de soltura e encaminhamento médico.

As saídas para banho de sol nos pátios, visitas, assistência social, psicológica e jurídica, aulas na escola e outros ficam comprometidos pelo menos até terça-feira (22).

Por lei, o acesso a advogados é garantido, mas por causa das dificuldades de acesso provocada pelas manifestações é esperado que alguns remarquem as visitas nesses dias.

“Vamos ficar aqui e impedir qualquer visita que chegue aqui hoje. É uma mobilização que visa justamente evitar essas visitas (dos presos famosos), chamar atenção para mostrar aos políticos como os agentes estão mobilizados e como os trabalhadores desse sistema estão trabalhando nessas condições que estão todos os presídios do Brasil. “, declarou a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Petruska Skerkoski.

Protesto de agentes penitenciários

Pelo menos quatro estados já confirmaram greves ou operações padrão de agentes penitenciários em todo o país. No Mato Grosso do Sul, Alagoas, SP e no Complexo de Bangu no rio de Janeiro, servidores protestam esta sexta e sábado. No Paraná, a categoria aprovou três dias de greve, em 20, 21 e 22 de maio.

Desde que o texto da PEC 287 foi apresentado pelo governo Temer, os sindicatos de agentes penitenciários de todo o Brasil têm feito uma maratona em Brasília para que a categoria siga tendo direito a uma aposentadoria diferenciada em decorrência da periculosidade da profissão.

“O governo brincou conosco, ignorou nossas especificidades e, agora, está tentando nos usar como moeda de troca para conseguir apoios em favor da reforma. Não vamos aceitar. Nossa luta é contra a íntegra da PEC 287, que prejudica todos os trabalhadores brasileiros”, resume o vice-presidente do Sindarspen, José Roberto Neves, que também é dirigente da Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários (Febrasp).

No Paraná, os agentes ainda lutam pela regulamentação da aposentadoria especial, que até hoje não foi feita pelo governo do estado. Se aprovada a PEC 287, a possibilidade desse direito se extingue.

A paralisação foi comunicando oficialmente para o Departamento Penitenciário do Paraná, Secretaria de Segurança Pública, Casa Civil e Tribunal de Justiça do Estado.

Centro da crise: JBS é alvo de várias investigações

Nesta semana, Joesley Batista, dono da JBS, se tornou o centro da crise política nacional: o empresário gravou uma conversa com o presidente Michel Temer, na qual ele, supostamente, daria aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados preso na Operação Lava Jato em outubro de 2016.

As denúncias de Joesley também envolveram o senador afastado Aécio Neves que, ontem (18), foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF).

A JBS, empresa do grupo J&F, é dona de marcas de peso no agronegócio, entre elas a Friboi, Seara, Big Frango, entre outras. Com mais de 200 mil colaboradores, a JBS está presente em 20 países. Mas, no Brasil, o cenário é nebuloso: este não é o primeiro escândalo em que a empresa se envolve nos últimos meses.

Denúncias e crise política

As denúncias divulgadas nesta semana são resultado de um acordo entre Joesley e seu irmão Wesley Batista com as autoridades. Em troca de sua colaboração nas investigações, ambos não serão denunciados criminalmente pelo Ministério Público Federal (MPF). Com isso, eles não serão presos e poderão seguir com suas atividades em suas empresas.

Em delação, os donos da JBS disseram à Procuradoria-Geral da República que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enquanto ele já estava preso. A revelação foi feita pelo O Globo. Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão.

No material entregue pelos delatores, o senador Aécio Neves (PSDB) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

As denúncias culminaram na deflagração, nesta quinta-feira (18), da Operação Patmos, que teve como alvo principal Aécio Neves, que acabou afastado do cargo de senador. Com a repercussão e a crise de imagem, o presidente Michel Temer, pressionado, fez um pronunciamento no final do dia em que disse que não deve renunciar. Além disso, um inquérito foi aberto para investigar o presidente.

Operação Sépsis

Mas a onda de crises relacionadas à JBS começou antes: há cerca de um ano. Em julho e 2016, a empresa já havia sido alvo de investigações na Operação Sépsis, um desdobramento da Lava Jato.

As investigações se basearam na delação premiada de um ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto. Ele teria recebido R$ 680 mil em troca de um aporte de R$ 940 milhões do FI-FGTS (Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na produtora de celulose Eldorado Brasil, que faz parte do grupo J&F. Na época, a Eldorado afirmou que captou recursos do FI-FGTS “para financiar obras de logística, saneamento e infraestrutura de sua primeira linha produtiva em Três Lagoas (MS), inaugurada em 2012”.

“Todo o procedimento seguiu estritamente as regras do FI-FGTS”, afirmou.

 

Operação Greenfield

Em setembro, na Operação Greenfield, a Justiça bloqueou bens e afastou Joesley e Wesley Batista de atividades empresariais do grupo J&F. A operação investigava um déficit bilionário nos fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Petros (da Petrobras), Postalis (dos Correios) e Funcef (da Caixa Econômica Federal). As irregularidades envolviam a Eldorado Brasil Celulose, do J&F.

Ainda em setembro, os irmãos fecharam acordo com a força-tarefa da Greenfield. Eles voltaram ao comando do grupo e tiveram os bens desbloqueados. Em troca, deveriam depositar em juízo R$ 1,51 bilhão em seguro-garantia ou em títulos públicos federais. Em março deste ano, a Justiça acolheu manifestação do MPF, que afirmava que o executivo descumpriu o acordo.

Na época, Joesley afirmou que “não descumpriu o termo de ciência e compromisso anteriormente firmado” com o MPF e homologado pelo juiz. A J&F afirmou que Joesley iria “cumprir as medidas cautelares requeridas pelo MPF [Ministério Público] e deferidas pelo juiz”.

Operação Carne Fraca

Mas um das maiores operações envolvendo a empresa até então havia sido a Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano. A ação investiga fraudes na venda de certificados sanitários e pagamento de propina a fiscais e agentes de inspeção para que frigoríficos continuassem atuando ilegalmente.

A operação investigou 50 empresas. No caso da JBS, as marcas Seara e Big Frango estavam entre os alvos.

A JBS chegou a dar férias coletivas aos funcionários de 10 de suas 36 unidades de abate de bovinos no Brasil para ajustar a capacidade da empresa por causa da crise causada pela operação. Na época, a empresa divulgou nota onde afirma que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi esteve na “única instalação da JBS citada na investigação e constatou o rigor nos processos industriais”.

A empresa disse que “nenhuma das unidades da companhia foi interditada e não foi identificado nenhum problema em seus produtos”. “A JBS ressalta que não compactua com qualquer desvio de conduta de seus funcionários e tomará todas as medidas cabíveis”, afirmou em nota.

Operação Bullish

Outra operação da PF, a Operação Bullish, deflagrada na sexta-feira (12), investiga fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da subsidiária BNDESPar, ao grupo JBS.

Entre os alvos da operação, estão o empresário Joesley Batista e o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Segundo a PF, R$ 8,1 bilhões teriam sido liberados por meio de influência no governo. A liberação ocorreu a partir de 2007 para que o grupo comprasse empresas do ramo frigorífico, inclusive no exterior. As transações foram executadas sem a exigência de garantias e com a dispensa indevida de prêmio contratualmente previsto, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

O dinheiro teria permitido à empresa se tornar uma das gigantes mundiais de processamento de carne.

Por causa das investigações, os donos da JBS estão impedidos de fazer mudanças societárias na empresa, além de não poder criar outras companhias no Brasil e no exterior. O BNDES e a empresa não se pronunciaram sobre as ações.

*Com UOL

 

Mapa afasta servidores envolvidos em operações da PF

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse por meio das redes sociais que os funcionários da pasta envolvidos nas operações deflagradas pela Polícia Federal nesta terça-feira (16) “serão afastados imediatamente das funções e serão alvo de uma auditoria que poderá terminar com a exoneração dos cargos públicos”.

As operações investigam crimes de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e empresas fiscalizadas em Tocantins e Santa Catarina.

“Já sabíamos que outros casos viriam à tona, uma vez que, após a Operação Carne Fraca, aumentamos o rigor nas apurações internas, fornecendo inclusive material de apoio à PF e ao MP. Temos total interesse em extirpar do corpo de funcionários do Mapa os servidores que mancham a imagem do órgão, não honram o compromisso de trabalhar pelo bem público e servir à sociedade”, afirmou Maggi, que está em missão oficial na Arábia Saudita.

Por meio de nota, o ministro em exercício, Eumar Novacki, ressaltou que todos os servidores envolvidos foram afastados preventivamente por 60 dias e, os que possuem cargos em comissão, exonerados das funções.

Operação Lucas 

A investigação realizada pela Operação Lucas começou após denúncia de que frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizadas teriam sido favorecidas em processos administrativos, por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas. De acordo com a PF, foi detectado que o esquema criminoso movimentou cerca de R$ 3 milhões, entre os anos de 2010 a 2016.

As investigações da PF constataram, por meio de quebras de sigilos fiscal e bancário, que a chefe de fiscalização do ministério em Tocantins, à época dos fatos, recebia de empresas fiscalizadas valores mensais para custear despesas próprias. Dados apontam que, apenas em sua conta pessoal, a investigação identificou a diferença de mais de 200% do declarado pela servidora em seu imposto de renda.

Segundo Nocacki, a servidora já estava exonerada há mais de 30 dias e “as investigações não atingem o sistema como um todo, se referindo a desvio de conduta de uma servidora”.

Operação Fugu

Também envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, a Operação Fugu revelou um suposto esquema de proteção ilícita de empresas do ramo alimentício, e a perseguição a servidores com atuação na área de fiscalização mediante instauração de procedimentos disciplinares e remoções infundadas.

Segundo a PF, a investigação se aprofundou no setor de pescados da região do Vale do Itajaí (SC). Os policiais encontraram documentos indicativos de proteção ilícita de duas grandes empresas contra a implantação de medidas cautelares determinadas pelo Mapa. Foi verificado que estas e outras empresas introduziram no mercado pescados importados da China das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca adulterados quimicamente por meio de oversoaking. A adulteração consistia na adição de água e produtos químicos no interior dos peixes o que, entre outros efeitos, elevava o peso dos produtos.

A suspeita da Polícia Federal é de que as importações dos pescados eram desviadas por entrepostos frigoríficos de Itajaí não relacionados à área de pescados, para que, sem a reinspeção adequada e com conivência de servidor público, ingressassem mais facilmente no país.

Sobre essa operação, o ministro em exercício disse que todo o trabalho técnico, durante os nove meses de investigação, foi realizado com a participação de técnicos do Mapa, inclusive com a análise de amostras efetuadas no Lanagro (laboratório do ministério) no Pará.

Operação mira esquema de adulteração de pescados em Santa Catarina

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Fugu, com o objetivo de desmantelar um grupo com atuação na Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Santa Catarina.

As investigações apontam evidências de proteção ilícita de empresas do ramo alimentício, além de perseguição a servidores com atuação na área de fiscalização mediante instauração de procedimentos disciplinares e remoções infundadas.

Cerca de 110 policiais federais, com o apoio de fiscais indicados pelo Mapa/Dipoa-Brasília/DF, estão cumprindo 37 mandados judiciais, sendo 20 de busca e apreensão, 12 de busca pessoal e 5 de suspensão cautelar do exercício das funções públicas nos municípios de Florianópolis, São José, Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Blumenau e Jaraguá do Sul, todas cidades em Santa Catarina.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Itajaí. Dentre os servidores afastados estão ocupantes de cargos de direção/gestão na unidade do Mapa em Santa Catarina.

Investigações

A investigação se aprofundou no setor de pescados da região do Vale do Itajaí. Os policiais encontraram documentos que indicam a proteção ilícita de duas grandes empresas contra a implantação de medidas cautelares determinadas pelo Dipoa/Mapa/Brasília/DF.

Estas e outras empresas introduziram no mercado pescados importados da China das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca adulterados quimicamente através de “oversoaking” – adição de água e produtos químicos no interior dos pescados, o que, entre outros efeitos, elevava o peso dos produtos.

A suspeita é de que as importações dos pescados eram desviadas por entrepostos frigoríficos de Itajaí não relacionados à área de pescados, para que, sem a reinspeção adequada ou com conivência de servidor público, ingressassem mais facilmente no país.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação, importação, venda e entrega de produto alimentício adulterado/falsificado/alterado destinado a consumo, crimes contra o direito do consumidor, denunciação caluniosa, constrangimento ilegal, ameaça e falso testemunho.

PF

Saiba quais são os sete frigoríficos e laticínios investigados pela Operação Lucas

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma Operação Lucas para desarticular um esquema de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e empresas do setor agropecuário. São 62 mandados judiciais: dez mandados de prisão temporária, 16 de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão. Os mandados estão nos estados de Tocantins, do Pará, Maranhão, de São Paulo e Pernambuco.

Segundo a PF, a investigação começou com uma denúncia de que frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizadas pelo Mapa teriam sido favorecidas por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas. O esquema seria chefiado pela ex-superintendente do ministério no Tocantins, Adriana Carla Feitosa, que comandava a fiscalização e recebia uma mesada das empresas, com a qual bancava despesas pessoais. Em sua conta bancária foi identificada, por meio da quebra de sigilo, uma diferença de mais de 200% em relação ao declarado no Imposto de Renda.

Estima-se que o esquema criminoso alvo da Lucas movimentou cerca de R$ 3 milhões entre 2010 a 2016. A Justiça Federal determinou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis no valor de R$ 2,2 milhões. Os suspeitos devem responder pelos crimes de corrupção passiva e ativa.

O nome Lucas se refere à passagem bíblica que diz “não peçais mais do que o que vos está ordenado”.

De acordo com o superintendente regional da PF no Tocantins, Arcelino Vieira Damasceno, estão sendo investigadas as seguintes empresas frigoríficas e de laticínios: Frango Norte, Laticínios Veneza, Santa Isabel Alimentos, Frigorífico Minerva, Master Boi, Laticínios Fortaleza e Laticínios Palac.

A operação não tem relação com a Carne Fraca, deflagrada em março para apurar uma esquema de fraude na fiscalização da produção de carne.

Missões dos EUA e da Coreia do Sul inspecionam frigoríficos no Brasil

A partir desta segunda-feira (15), dois auditores do serviço veterinário dos Estados Unidos começarão a inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos, além de laboratórios, superintendências federais de Agricultura (SFAs) e escritórios do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em cinco estados.

O trabalho dos norte-americanos se destina à renovação das autorizações de exportação de carnes bovina e suína e vai até 2 de junho.

As equipes visitarão abatedouros em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás. Está prevista inspeção em nove plantas frigoríficas.

Em 2016, o Brasil exportou cerca de US$ 284 milhões de carne bovina e US$ 306 mil de cortes de frango para o mercado americano, segundo dados da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa.

Coreia do Sul

Também nesta segunda-feira veterinários da Coreia do Sul vão iniciar inspeção em oito plantas frigoríficas de suínos e aves para habilitar o Brasil a exportar esses produtos para aquele mercado. Serão fiscalizadas unidades em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

No ano passado, a Coreia do Sul importou do mercado mundial US$ 1,26 bilhão de cortes suínos e US$ 266 milhões de carne de frango.

BotiMóvel

Ministro da Agricultura participa de reunião no Kuwait para tratar de exportação de carnes

Com informações do Mapa

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, esteve reunido, neste domingo (14), no Kwuait, com a diretoria da Autoridade Pública da Agricultura e Recursos de Pesca do país para tratar de exportações brasileiras. De acordo com o ministro a reunião foi muito produtiva para o interesse do país.

“Estivemos com autoridades do Ministério da Sanidade Animal e Vegetal, quando expliquei o caso da Operação Carne Fraca e me garantiram reabrir o mercado para carnes bovinas e de frangos”, disse o ministro, que tratou também de bois vivos, ovos férteis, pintinhos de um dia, milho e soja.

Ainda para esclarecer sobre a operação da PF, ocorrida em março em frigoríficos, Maggi explicou que o Brasil segue todos os protocolos internacionais de sanidade. “Alguns funcionários cometeram atos relacionados a inconformidades e, por problema de comunicação, a PF acabou colocando em cheque a sanidade da carne. Mas temos 11 mil funcionários comprometidos com a qualidade dos nossos produtos e exportamos para mais de 159 países seguindo padrões de conformidade internacional”, explicou.

O ministro ouviu das autoridades locais que “o governo do Kuwait sabe da qualidade dos produtos brasileiros” e que aguardam apenas a emissão de certificado brasileiro para retomar os negócios. De acordo com representantes daquele país, não haverá aumento de burocracia. Os certificados aguardados são os emitidos pelos próprios fiscais na planta frigorífica, a serem reconhecidos pela embaixada e pela câmara Árabe, para garantia total e evitar crítica de consumidores.

Acompanhado do secretário de Relações Internacionais do Mapa, Odilson Silva, e do presidente da Embrapa, Maurício Lopes, o ministro Blairo Maggi, fez questão de falar da importância dos avanços na agricultura proporcionados pela empresa de pesquisa, vinculada ao ministério, responsáveis, afirmou, por transformar o Brasil de importador de alimentos em um dos maiores players do agronegócio no mundo.

Falou também sobre a preservação do meio ambiente sob responsabilidade dos próprios produtores rurais, que respeitam no Brasil uma das leis mais rigorosas do mundo nessa área, mantendo 61% do território nacional intocável.

Do lado do Kuwait, estiveram presentes, Zahra Al-wazzan, vice-diretora geral de Saúde Animal do país, entre outras autoridades e Michel Alaby, secretário-executivo da Câmara de Comércio Árabe-Brasil.

Secretaria do Consumidor abre processos contra frigoríficos investigados na Carne Fraca

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) instaurou um processo administrativo contra as empresas BRF, Souza Ramos e Peccin por violação a direitos básicos do consumidor. A Peccin é alvo de dois processos. Todas as empresas foram alvos da Operação Carne Fraca, deflagrada em março para investigar um esquema de fraude na fiscalização da produção e irregularidades nos produtos colocados no mercado.

A intimação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (10) e, com isso, as empresas têm dez dias para apresentar defesa.

De acordo com o DPDC, órgão vinculado à Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, os processos se devem à “aparente” violação do Código de Defesa do Consumidor. Os frigoríficos responderão, entre outras acusações, por publicidade enganosa e abusiva, vícios de qualidade ou quantidade e pelos produtos ou serviços em desacordo com as normas.

Em março, logo após a deflagração da operação, a Senacon já havia notificado as empresas JBS, BRF, Peccin, Larissa, Mastercarnes e Souza Ramos. Elas deveriam esclarecer os fatos e apontar os lotes de produtos adulterados, o tipo de adulteração, quantidades, data de fabricação e a validade. Também foi pedido o recall de produtos da Souza Ramos, Transmeat e Peccin.

Carne Fraca

Em abril, 63 pessoas foram indiciadas e 60 delas foram denunciadas em decorrência da operação. Os crimes são organização criminosa, adulteração e alteração de produtos alimentícios e emprego de substâncias não permitida; corrupção (passiva, ativa e passiva privilegiada); concussão, prevaricação; advocacia administrativa; violação de sigilo funcional; peculato; e uso de atestado médico ideologicamente falso.

Por causa da operação e da ampla divulgação na imprensa, o mercado sofreu consequências como a queda nos preços dos produtos e nas exportações.

Isabella Mariana - Fly me to nowhere

Brasil quer chegar a 10% do agronegócio mundial

O Brasil deve aumentar sua participação no agronegócio mundial de 7% para 10% nos próximos anos. É a previsão do ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) , que participou, na terça-feira (9), do seminário Correio Debate e Força do Agronegócio e o Distrito Federal, promovido pelo Correio Braziliense.

Segundo o ministro, governo e empresários estão empenhados em retomar fatias de mercado perdidas após a deflagração da Operação Carne Fraca, em março. “De 80 países que questionaram o governo federal acerca da qualidade da carne brasileira, 70 retomaram o comércio”, afirmou.

Alguns mercados retomaram as negociações com regras mais rigorosas de fiscalização, segundo o ministro. Mas isso não é problema, considerou. “O aumento de exigências internacionais é positivo, uma vez que nosso sistema é forte, robusto e os padrões brasileiros estão dentro das conformidades mundiais”.

Maggi aproveitou para enfatizar o respeito a regras ambientais estabelecidas na legislação brasileira por parte dos produtores rurais.“Estamos conseguindo aumentar a produção agrícola sem promover novos desmatamentos”.

Foco na Ásia

E enfatizou a importância de ampliar o leque de produtos destinados à exportação. “Somos grandes exportadores, com poucas ofertas. Nosso país possui 12 produtos que equivalem a 88% de toda a pauta de exportações”.

Com o propósito de ocupar cada vez mais espaço no mercado internacional, o governo brasileiro está mirando, especialmente crescer na Ásia. “Previsões apontam que, em 2050 o planeta terá população em torno de nove bilhões de pessoas, sendo que 51% concentrados no continente asiático”.

Em relação ao Distrito Federal, Blairo Maggi disse que apesar de ser um território pequeno, a região se destaca com uma pauta diversificada de produtos, o que é muito interessante.

Complexo de soja

52,5% das exportações brasileiras, em abril, são referentes ao complexo da soja – grãos, farelo e óleo. Os dados são da balança comercial do agronegócio divulgada nesta quarta-feira (10) pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

As exportações do complexo soja cresceram 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a US$ 4,55 bilhões. A soja em grãos chegou a 10,43 milhões de toneladas, um crescimento de 3,4% e um montante de US$ 3,95 bilhões, 11,8% a mais do que no período anterior. AO preço médio subiu 8,1%, passando de US$ 350 para US$ 378 por tonelada.

O farelo de soja chegou a 1,33 milhão de toneladas embarcadas, uma queda de 7,2%. Foram US$ 470,11 milhões, um crescimento de 4%, já que o preço médio no período foi de US$ 354 por tonelada, crescimento de 12%.

As vendas externas de óleo de soja cresceram 124,5%, chegando a US$ 134,10 milhões, com alta no preço médio do produto de 8,2% e na quantidade comercializada de 107,6% –  foram 181,34 mil toneladas.

Outros produtos

As carnes – bovina, suína e aves – tiveram uma queda de 22,1%, que acabou compensada pelo aumento do preço médio de 15,8%, em abril. As exportações totalizaram US$ 1,08 bilhão em abril, uma redução de 9,8% em relação ao mês anterior (US$ 1,19 bilhão).

A carne de frango chegou a US$ 543,14 milhões, uma que da de 11,2%. Com a comercialização de 317,71 mil toneladas, houve queda de 23% em relação a abril do ano passado. O preço médio no mercado internacional passou de US$ 1.482 por tonelada para US$ 1.710 por tonelada, um aumento de 15,3%.

Já as vendas externas de carne bovina tiveram queda de 13,8% em valor, totalizando US$ 362,10 milhões. Houve também queda na quantidade, de 18,3%, com isso, 88,8 mil toneladas foram embarcadas. O preço médio subiu 5,5%, chegando a US$ 4.078 por tonelada.

As exportações de carne suína somaram US$ 130,24 milhões, um aumento de 19,5%, com queda de 17% no volume comercializado e elevação de 44% na cotação do produto.

Carne Fraca derrubou os preços e ainda afeta exportações, diz Maggi

Com Câmara Notícias

Em audiência na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (10), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que não é possível estabelecer um prazo para que as exportações de carne do Brasil voltem ao patamar de antes das suspensões provocadas pela Operação Carne Fraca.

A operação foi deflagrada em março pela Polícia Federal (PF) para apurar um esquema de fraude na fiscalização da produção de 21 frigoríficos brasileiros. As empresas foram acusadas de adulterar produtos e de vender alimentos com irregularidades, como a presença da bactéria Salmonella. A audiência foi realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Câmara dos Deputados para debater as consequências da operação no setor agropecuário.

Para Maggi, o fato de alguns países terem passado a fazer a fiscalização de 100% da carne brasileira é natural, porque a operação gerou uma suspeita em relação ao país. De acordo com o ministro, na primeira semana após a operação, as exportações caíram 19%, mas, apesar disso, o mês de março fechou com crescimento de 9% em relação ao ano passado.

A operação também provocou queda no preço da carne brasileira em alguns mercados. “Eu considero isso até natural porque houve inicialmente um embargo, houve um susto bastante grande. E na retomada, alguns compradores tentaram diminuir os preços do mercado, mas temos a capacidade de negociar. Talvez tenhamos que entregar os preços um pouco mais baixos agora, mas na sequência conseguiremos recuperar esse mercado”, disse o ministro.

Preços baixos

Um dos autores do pedido para realização da audiência, o deputado Afonso Hamm (PP-RS) alertou, no entanto, que ainda é preciso retomar a confiança dos compradores. Ele lamentou que a operação da PF ainda tenha reflexos na queda do preço da carne. “Isso é bom para o consumidor, mas péssimo para o produtor rural”, avaliou.

Segundo o deputado, o preço ainda está em torno de 5% a 7% abaixo do que o mercado praticava em março, mas chegou a cair de 15% a 20%. “Hoje melhorou, mas o produtor ainda está recebendo menos. E nas exportações, ainda temos prejuízo. Então, precisamos retomar essa confiança.”

Atualmente, 80% da carne bovina, 70% da de frango e 76% da carne suína produzidas no Brasil são consumidas internamente. A cadeia produtiva envolve cerca de 10 milhões de trabalhadores. Os cerca de 20% de carne exportados pelo país representaram, no ano passado, 13,77 bilhões de dólares.

Divulgação

Blairo Maggi reafirmou à comissão que o anúncio da operação foi feito da forma errada. Segundo ele, nas primeiras horas, o ministério recebeu 328 comunicados oficiais para a obtenção de informações. Maggi destacou que a pasta respondeu de forma rápida os questionamentos, o que minimizou as consequências.

A maioria das empresas envolvidas na operação voltou a operar logo após a correção das falhas verificadas.

O ministro explicou, ainda, que foram recolhidas, preventivamente, 762 amostras de produtos. Dessas, menos de 2% apresentaram risco sanitário.

Devido à operação, o ministério afastou 33 servidores, 16 deles ligados à inspeção de produtos de origem, que foram também denunciados ao Ministério Público e à 14ª Vara Federal de Curitiba. Servidores exonerados de cargos de chefia tiveram bloqueados o acesso aos sistemas informatizados do ministério.

Atualmente, 75 países estão abertos à compra de carne brasileira, mas 57 deles reforçaram a inspeção. Outros 13 países ainda se mostram fechados, mas são pouco significativos em volume de exportação.

Para o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Sergio Souza (PMDB-PR), as explicações do ministro convenceram os integrantes do colegiado.

“Percebemos que foi uma ação rápida, profícua e com resultado positivo. Hoje, o Brasil não sofre deste mal derivado da operação, que abalou o mercado naquele momento. O ministério tomou todas as ações necessárias e também a sociedade passou a ter mais critério, passou a ser mais exigente”, disse.