Paraná é Estado o campeão na apreensão de cigarros contrabandeados do Paraguai

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária do Paraná), o Paraná é o Estado brasileiro onde  mais se apreende cigarros contrabandeados do Paraguai. Na sequência, aparecem os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.

São quase 25 milhões de carteiras de cigarro apreendidas pela PRF no Paraná,  somente nos  primeiros oito meses de 2019.

Até agosto, os registros de apreensão são  33,7%  maiores que o mesmo período registrado no ano de 2018, quando  18,4 milhões de carteiras foram apreendidas no Estado.

As apreensões feitas nas estradas do Paraná em 2019 só perdem para o ano de 2013, quando a PRF apreendeu 31,1 milhões de carteiras.

Confira tabela:

A maior parte dos cigarros transportados em  carros e caminhões apreendidos pela PRF, é produto de roubo ou furto.

Além de alimentar essa cadeia de crimes associados, a prática do contrabando provoca uma evasão fiscal bilionária. Uma das razões para a prática, seria o fato de que cerca de 80% do preço do cigarro brasileiro corresponde a tributos.

Foto: Divulgação PRF

Ainda segundo a PRF, o contrabando afeta a saúde pública, uma vez que leva à população produtos nocivos a preços inferiores aos de mercado.

Quem tiver informações sobre veículos transportando cargas ilícitas em rodovias federais pode ligar e passar informações, inclusive de forma anônima, para o telefone 191 da PRF.

Desde 2010 até hoje, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 187 milhões de carteiras de cigarro no Paraná

PRF aprernde 450 mil caterias de cigarros contrabandeados em Terra Roxa

Quase 450 mil carteiras de cigarros contrabandeados foram apreendidas pela PRF

Cerca de 450 mil carteiras de cigarro contrabandeadas do Paraguai foram apreendidos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), no início da manhã desta segunda-feira (9), em Terra Roxa, na região oeste do Paraná.

Avaliada em R$ 2,25 milhões, a carga ilícita era transportada em uma carreta, abordada na BR-163. O motorista, de 39 anos de idade, foi preso em flagrante pelo crime de contrabando.

Aos policiais rodoviários federais, o motorista disse que saiu de Guaíra (PR) e que levaria o cigarro até São Paulo (SP).

Durante a abordagem, ele apresentou documentos pessoais e do veículo com indícios de falsificação. Tanto o caminhão quanto o semirreboque tinham placas falsas.

O homem responderá pelos crimes de contrabando, uso de documento falso e adulteração. A PRF encaminhou a ocorrência para a Delegacia da Polícia Federal em Guaíra.

Veja vídeo da apreensão: 

Imagens: Agência PRF

 

 

 

cigarros contrabandeados guaíra paraguai br-163 R$ 5 milhões

Polícia apreende R$ 5 milhões em cigarros na fronteira do Brasil com o Paraguai

Duas carretas bitrem carregadas com cigarros contrabandeados foram apreendidas nesta sexta-feira (30), entre os municípios de Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS), na região da fronteira do Brasil com o Paraguai. As cargas foram avaliadas em R$ 5 milhões.

Ao todo, os veículos carregavam cerca de um milhão de carteiras de cigarros contrabandeados do Paraguai.

Ninguém foi preso até o momento. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), os caminhões foram abandonados a 100 metros da BR-163.

No final da manhã, uma equipe de plantão avistou as duas carretas em atividade suspeita na cabeceira da Ponte Ayrton Senna, em Guaíra. Nas imediações, nenhum responsável foi identificado.

Os dois caminhões e os quatro semirreboques encontrados pela PRF rodavam com placas falsas. Os cigarros contrabandeados apreendidos foram encaminhados para a Receita Federal em Mundo Novo (MS).

helicóptero prf cigarros contrabandeados paraguai

Com apoio de helicóptero, polícia apreende 175 mil carteiras de cigarro no PR

Um caminhão com 175 mil carteiras de cigarros contrabandeados foi encontrado nesta quinta-feira (29), em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. A polícia foi acionada durante a madrugada e as buscas duraram cerca de nove horas. O trabalho só foi concluído com o apoio de um helicóptero. Até agora, ninguém foi preso.

O veículo estava estacionado em uma região de mata, próximo a uma das ramificações do Rio Iguaçu, na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a PC-PR (Polícia Civil do Paraná) começaram as buscas após uma denúncia anônima. O informante dizia que o caminhão estava sendo carregado com cigarros contrabandeados do país vizinho, perto do lago de Itaipu.

Divididos em várias equipes, os agentes da PRF e da PC-PR deram início a uma varredura, mas em um primeiro momento não encontraram vestígios. Um helicóptero foi acionado para dar apoio aéreo e agilidade às buscas.

O caminhão foi localizado ao meio-dia desta quinta-feira (29), cerca de nove horas depois do início da operação. Segundo as polícias, os contrabandistas espalharam vários galhos e folhagens sobre o veículo para dificultar a localização à distância.

O caso foi repassado à Receita Federal de Foz do Iguaçu, cidade vizinha à São Miguel do Iguaçu, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Força Nacional apreende 700 caixas de cigarros contrabandeados do Paraguai

Uma carga, com aproximadamente 700 caixas de cigarros contrabandeados do Paraguai, foi apreendida pelos policiais federais e militares da Força Nacional, no âmbito da Operação Hórus, realizada na noite dessa segunda-feira (26) na Base Náutica de Itaipu, no Paraná.

Durante a ação, os criminosos trocaram tiros com os policiais e conseguiram fugir. Os agentes fizeram uma busca na região do Lago de Itaipu, mas não conseguiram localizar os criminosos.

Ninguém ficou ferido durante o confronto.

As caixas com cigarros foram encontradas em um barco.Outra parte estava em um caminhão

Segundo a PF (Polícia Federal) , foram apreendidos uma embarcação e um caminhão com placa de Umuarama carregados de cigarros. Todo material foi encaminhado à Receita Federal em Foz do Iguaçu.

Diretor de Itaipu acredita que acordo com Paraguai sairá em breve

Por José Romildo

Representantes do Brasil e do Paraguai estão em negociação para superar o impasse provocado pela falta de um contrato de compra de energia de Itaipu pela Administração Nacional de Eletricidade (Ande), empresa estatal do país vizinho, e pela Eletrobras. Em razão da inexistência de um contrato, a Itaipu Binacional está impedida de emitir faturas desde fevereiro deste ano, fato nunca ocorrido desde que a empresa começou a funcionar em 1984.

Nomeado há cerca de seis meses para o cargo de diretor-geral da Itaipu, no lado brasileiro, Joaquim Silva e Luna disse esperar que as duas partes cheguem logo a um acordo. “Quanto mais cedo for resolvido esse problema de contratação, a gente saneará a parte financeira”. As negociações estão sendo feitas em nível técnico pela Ande e pela Eletrobras e no âmbito político pelos ministérios de Relações Exteriores e das Minas e Energia dos dois países.

Apesar dos transtornos causados pela falta de contratação de energia, o diretor-geral da parte brasileira da Itaipu afirmou que até o momento a empresa não deixou de honrar nenhum compromisso em relação a royalties, contratos, convênios e financiamentos de projetos de desenvolvimento. Os compromissos estão sendo pagos por enquanto com recursos de outras operações financeiras e com ajustes de cronogramas de pagamentos.

“Claro que, se ficar assim até o final do ano, a empresa será afetada”, disse Silva e Luna. “Algum compromisso nosso deixaria de ser honrado”. No entanto, ele destacou que Brasil e Paraguai “são dois países soberanos, convivem em harmonia, querem fortalecer seus laços de confiança”, e devem resolver esse impasse em breve.

A solução, segundo o diretor-geral, não só garante os pagamento a curto prazo como também prepara o terreno para uma solução permanente em 2023, quando o Tratado de Itaipu completará 50 anos. Em 2023, o Anexo C do tratado, que trata da parte financeira do acordo, será revisado por brasileiros e paraguaios. A revisão prevê a atualização das bases para a comercialização de energia de Itaipu.

GESTÃO

Desde que assumiu o comando da parte brasileira de Itaipu, Silva e Luna afirmou que deu início a uma reestruturação da empresa a partir de uma política de austeridade e de respeito aos princípios da boa administração pública.

As principais mudanças ocorreram em relação ao uso dos recursos da empresa. Verbas relativas a patrocínios e convênios sem foco na finalidade da binacional foram realocadas para obras que priorizam a estrutura do empreendimento. Exemplo disso foi a construção da Ponte de Integração Brasil-Paraguai, obra já iniciada, e que exigirá o investimento de R$ 463 milhões. Esse projeto, de acordo com o presidente da Itaipu, pelo lado brasileiro, propiciará um “novo ciclo econômico” à região fronteiriça do Brasil e do Paraguai.

De acordo com o diretor-geral, os recursos anteriormente destinados a patrocínios e convênios considerados inadequados pela atual administração também serão redirecionados para o Hospital Ministro Costa Cavalcanti. Para essa unidade hospitalar, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), serão destinados cerca de R$ 64 milhões, que cobrirão obras de ampliação e modernização da unidade.

Silva e Luna também destacou convênio assinado com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), por meio do qual a Itaipu Binacional se comprometeu a aplicar R$ 15,5 milhões em duas melhorias. Uma delas é a duplicação dos 800 metros da via que liga o aeroporto à Rodovia das Cataratas (BR-469). Outra é a construção de um pátio de manobras de 19 mil metros quadrados, que permitirá a ampliação em 40% da pista do aeroporto.

A Itaipu é líder mundial na geração de energia limpa e renovável. A usina tem 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada. Em 2018, a hidrelétrica foi responsável pelo abastecimento de 15% de toda a energia consumida pelo Brasil e de 90% do Paraguai.

Presidente do Paraguai é convocado a depor sobre acordo de Itaipu

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou por meio de sua conta nas redes sociais que está disposto a colaborar com o Ministério Público na investigação do acordo realizado com o Brasil sobre Itaipu, que acabou sendo cancelado pela crise política que quase gerou um processo de impeachment contra ele.

Tanto Abdo Benítez quanto Hugo Velázquez foram convocados a depor à Procuradoria do país. O processo se trata de uma causa penal aberta para determinar se houve irregularidades na assinatura da ata bilateral sobre o uso de energia de Itaipu por Paraguai e Brasil.

O caso ficou mais grave quando foram entregues ao Ministério Público conversas vazadas entre o então presidente da Ande (estatal energética paraguaia) e o advogado José Rodríguez, que se apresentava como assessor jurídico de Velázquez. Depois que os chats vieram à tona, ambos negaram ter um vínculo.
Nas conversas, fala-se de uma possível venda de parte da energia que corresponde ao Paraguai a uma empresa brasileira, a Léros, que segundo essas mensagens estaria ligada à família Bolsonaro.

Alguns dias depois, outros diálogos divulgados mostraram que, além de Velázquez, o presidente Abdo Benítez também estaria a par da negociação e a teria aprovado.

“Como disse sempre, nosso compromisso é com a transparência. Estamos à disposição da Procuradoria para colaborar com a investigação e a busca pela verdade”, afirmou Abdo Benítez por meio de suas redes sociais.

O jornal paraguaio ABC Color afirmou que o acordo cancelado na semana passada, além de ter sido feito em sigilo –poucas pessoas no governo estavam a par–, foi fechado sob pressão em relação às datas e aos itens a serem negociados por parte do Brasil.

Segundo a publicação, “o Brasil declarou sem rodeios quais benefícios esperava obter”, e que a reunião era para “superar a atual divergência entre a Ande e a Eletrobras”.

Em 9 de abril, a chancelaria paraguaia aceitaria as exigências do Brasil, que teria redigido essa nova versão do acordo. A ata foi assinada em Brasília em 24 de maio e não teriam sido considerados os pedidos de mudança entregues pela própria Ande.

Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (9), o Itamaraty diz que ” todo o processo de negociação que resultou na assinatura da Ata Bilateral não foi secreto. Em todas as reuniões houve a participação dos representantes dos Ministérios das Relações Exteriores de ambos os países, da Eletrobras, da Ande e da Itaipu Binacional.”

A nota, assinada também pelo Ministério das Minas e Energia, também diz que “o Tratado de Itaipu somente permite a venda da energia produzida pela usina para a Eletrobras e para a Ande.

Portanto, não tem qualquer fundamento a especulação sobre a possibilidade de comercialização da energia da usina binacional por parte de alguma empresa que não seja a Eletrobras e a Ande” e que os dois países seguem em diálogo sobre como dividir a energia gerada pela usina.

presidente do paraguai mario abdo benítez impeachment oposição itaipu foto reprodução facebook

Oposição pede impeachment de presidente do Paraguai por acordo com Itaipu

Partidos de oposição do Paraguai anunciaram nesta quarta-feira (31) que apresentarão um pedido de impeachment contra o presidente, Mario Abdo Benítez, e o vice-presidente, Hugo Velázquez, em meio a uma crise política detonada pela assinatura de um acordo energético com o Brasil.

Políticos e parlamentares reagiram contra a assinatura do acordo, que estabelece um cronograma para a compra de energia gerada pela hidrelétrica binacional Itaipu até o ano de 2022.

O acordo –fechado em maio, mas conhecido publicamente apenas na semana passada – elevará os custos para a empresa estatal de eletricidade do Paraguai em mais de US$ 200 milhões, segundo legisladores e o ex-diretor da entidade.

“Vamos preparar a documentação necessária para o processo por traição à pátria. Isso significa mau desempenho, e serão necessárias novas eleições”, disse Efraín Alegre, presidente do Partido Liberal, a principal sigla de oposição no país.

“Decidimos dois pontos: primeiro, impulsionar o impeachment do presidente da nação e do vice-presidente; o segundo, a ação penal a todos os envolvidos nessa situação de crise pelo tema de Itaipu”, afirmou a presidente do Partido Revolucionario Febrerista, Josefina Duarte.

O processo de impeachment deve ser iniciado na Câmara dos Deputados, onde são necessários 53 votos para a acusação.

Segundo o jornal ABC Color, a iniciativa tem apoio das principais siglas da oposição, como o Partido Liberal Radical Autêntico, o Partido Encontro Nacional e outros, que reúnem apenas 38 votos. Portanto, a abertura do processo dependerá dos votos do Honor Colorado, movimento dissidente liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes.

Nesta segunda (29), o chanceler do Paraguai, Luis Castiglioni, e outros três altos funcionários do governo renunciaram, após o Executivo paraguaio pedir a anulação de ata assinada com o Brasil em maio e publicada neste final de semana.

Além de Castiglioni, renunciaram Alcides Jiménez, que havia assumido o cargo de chefe da companhia estatal de energia Ande há poucos dias; Hugo Saguier, embaixador do Paraguai no Brasil; e José Alderete, diretor paraguaio de Itaipu.

Diante da escalada da crise no Paraguai, o presidente Jair Bolsonaro prometeu nesta quarta-feira (31) ajudar seu contraparte e “fazer justiça” com o país vizinho.

Paraquedista militar, assim como foi Bolsonaro, e um dos principais aliados do presidente brasileiro na América do Sul,  Abdo Benítez está sofrendo ameaças de impeachment desde que foram divulgados detalhes de uma ata diplomática que aumentou a quantidade de energia que a Ande (Administração Nacional de Eletricidade) do Paraguai contrata todos os anos de Itaipu.

“Nosso relacionamento com o Paraguai é excepcional, excelente. Estamos dispostos a fazer justiça nesta questão de Itaipu binacional que lá é importantíssima para o Paraguai e importante para nós”, disse Bolsonaro.

“Ontem [terça] eu conversei com o [general Joaquim] Silva e Luna, o presidente da parte brasileira de Itaipu. Estamos resolvendo este assunto. Pode deixar que o Marito [Abdo Benítez] vai ser reconhecido pelo bom trabalho que está fazendo no Paraguai”, acrescentou.

A ata diplomática determina que o Paraguai deverá aumentar paulatinamente o montante de potência contratada na hidrelétrica até 2022.  Os novos valores são cerca de 50% superiores aos atuais, o que representa um custo adicional de cerca de US$ 200 milhões para o país vizinho no período.

De acordo com interlocutores do governo Bolsonaro, a renegociação dos valores era necessária para equacionar um antigo desequilíbrio que, na prática, levava o Brasil a subsidiar parte da eletricidade paraguaia.

Questionado se o Brasil cederia, Bolsonaro não quis dar detalhes. “Não é questão de ceder ao Paraguai. Não é meio a meio? A princípio é por aí. As pequenas derivações a gente acerta aí”, disse.

Mais tarde, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo em caso de rescisão do acordo firmado no primeiro semestre deste ano.

“O presidente Jair Bolsonaro me comentou há pouco a sua intenção de estar aberto a essa discussão, inclusive em uma eventual denúncia do acordo de se colocar em posição de dialogar profundamente.”

As distribuidoras Ande (Paraguai) e Eletrobras (Brasil) acordam anualmente a contratação da energia elétrica procedente da usina binacional, uma das maiores do mundo.

Em março, Abdo Benítez visitou o Brasil e discutiu a revisão de cláusulas financeiras envolvendo a hidrelétrica. À época, o ministro da Fazenda paraguaio, Benigno López, disse esperar que as negociações fossem justas e rápidas.

Na semana passada, o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, já havia renunciado após discordar dos termos do acordo e se recusar a assiná-lo.

O Congresso paraguaio exigiu uma explicação do governo, enquanto os representantes da Ande se manifestaram em frente ao Congresso com cartazes dizendo “eles não terão paz enquanto violarem a Constituição”.

Itaipu, que opera desde 1984, atualmente tem uma potência instalada de 14 mil megawatts. O Brasil consume cerca de 84% da energia da usina, o que representa 15% de toda a energia utilizada no país.

Os países se preparam para negociar o futuro de Itaipu com um importante adendo ao tratado fundador da hidrelétrica, que expirará em 2023.

Chanceler paraguaio renuncia após acordo de compra de energia do Brasil

O chanceler do Paraguai, Luis Castiglioni, e outros três altos funcionários do governo renunciaram nesta segunda-feira (29) em meio a uma crise política detonada pela assinatura de um acordo energético com o Brasil em maio.

Autoridades e legisladores disseram que o documento, que versava sobre a compra, pelo Paraguai, de energia da hidrelétrica de Itaipu até 2022, seria prejudicial para o país e custaria ao governo US$ 200 milhões.

As distribuidoras Ande (Paraguai) e Eletrobras (Brasil) acordam anualmente a contratação da energia elétrica procedente da usina binacional, uma das maiores do mundo.

“O presidente acabou de receber a renúncia. Ele tomou a decisão de aceitar essas demissões e durante a semana ele comunicará quem substituirá essas pessoas”, disse o assessor presidencial Hernán Huttermann.

Os outros três que renunciaram nesta segunda foram Alcides Jiménez, que havia assumido o cargo de chefe da companhia estatal de energia Ande há poucos dias; Hugo Saguier, embaixador do Paraguai no Brasil; e José Alderete, diretor paraguaio de Itaipu.

As renúncias ocorrem após a decisão do Executivo paraguaio de solicitar a anulação de ata assinada com o Brasil em maio e publicada neste final de semana.

Em março, o presidente Mario Abde visitou o Brasil e discutiu a revisão de cláusulas financeiras envolvendo a hidrelétrica. À época, o ministro da Fazenda paraguaio, Benigno López, disse esperar que as negociações fossem justas e rápidas.

Na semana passada, o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, já havia renunciado após discordar dos termos do acordo e se recusar a assiná-lo.

O Congresso paraguaio exigiu uma explicação do governo, enquanto os representantes da Ande se manifestaram em frente ao prédio legislativo com cartazes dizendo “eles não terão paz enquanto violarem a Constituição”.

Itaipu, que opera desde 1984, atualmente tem uma potência instalada de 14 mil megawatts. O Brasil consume cerca de 84% da energia da usina, o que representa 15% de toda a energia utilizada no país.

Os países se preparam para negociar o futuro de Itaipu com um importante adendo ao tratado fundador da hidrelétrica, que expirará em 2023.

Produtores do PR levam conhecimento e trabalho para revolucionar agro do Paraguai

A bandeira vermelha, branca e azul no canto da sala e a cuia de tereré em cima da mesa não deixam dúvida: os hábitos paraguaios já estão incorporados à rotina do produtor paranaense Antonio Francisco Galhera, de 58 anos. Afinal, são quase quatro décadas vivendo no país vizinho. Mais do que um simples morar, Galhera contribui diretamente para o desenvolvimento econômico do Paraguai. O negócio dele é produzir diversas culturas agrícolas que exigem as duas mãos para contar, além da pecuária de corte.

Galhera desembarcou no Paraguai em 1983, quando o agronegócio por lá se resumia, praticamente, a produção de madeira, menta, algodão e alguns poucos grãos. Na época, o governo do presidente Alfredo Stroessner fazia propaganda pelo Paraná, principalmente nas regiões Norte e Oeste, para atrair produtores e, na bagagem, conhecimento e técnicas no ofício rural. “Quando chegamos, a estrutura agropecuária era bastante precária. Tivemos, inclusive, de trazer as máquinas do Paraná. Os fornecedores de insumo eram poucos. Os primeiros anos foram difíceis. Mas nunca pensamos em desistir”, relembra Galhera.

De lá para cá, o Paraguai se tornou uma referência mundial no agronegócio, ocupando, por exemplo, a quarta posição na produção da principal commodity agrícola, a soja, atrás apenas do Brasil, Estados Unidos e Argentina, e o décimo colocado no ranking dos exportadores de carne bovina. O estopim do desenvolvimento guarani se deu no início do século. Em18 anos, de 2000 a 2018, a oferta de soja foi multiplicada quase três vezes – de 3,5 milhões de toneladas para 10,2 milhões de toneladas (veja o gráfico na página 13). No mesmo período, a produção de milho cresceu quase 500% – de 947 mil toneladas para 4,6 milhões de toneladas. Tudo isso, principalmente, pelas mãos, suor e trabalho dos produtores paranaenses.

“Hoje, a agricultura do Paraguai é uma referência, com possibilidade de produzir ainda mais. Isso, com certeza, graças a vinda dos paranaenses, que trouxeram conhecimento, técnicas e tecnologias. Se não fosse assim, o Paraguai ainda estaria plantando mandioca e erva-mate”, destaca o produtor de São Jorge do Ivaí, na região Norte do Estado.

Galhera faz parte de um amplo universo de produtores do Paraná que, há décadas, atuam diretamente para colocar o Paraguai no mapa do agronegócio global. Não existem dados oficiais, mas segundo estimativa do presidente da Associação dos Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai (APS), Karsten Friedrichsen, mais de 15 mil brasileiros estão dedicados a atividade em solo paraguaio, sendo a esmagadora maioria de paranaenses. Isso sem contar os filhos destes agricultores e pecuaristas que, apesar da certidão de nascimento paraguaia, carregam o DNA pé-vermelho.

Referência do continente

Visto durante muito tempo como o “primo pobre” da América do Sul, na última década, o Paraguai arrumou a casa a ponto de se tornar uma referência, principalmente dentro do continente. Ano após ano, o país registra crescimento de fazer inveja as outras nações. Segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia paraguaia deve registrar uma alta de quase 7% em 2019, enquanto o Brasil cerca de 0,9% e a Argentina algo em torno de 3%. Ainda, os hermanos podem registrar um salto no Produto Interno Bruto (PIB) de 42 bilhões de dólares em 2018 para 58 bilhões de dólares em 2023, alta de quase 40%.

E muito deste desempenho invejado pela concorrência está calçado na agropecuária, um dos pilares da economia. Nos últimos dez anos, o setor sempre beirou os 20% de participação do PIB (no Brasil, o índice é de 5,6%). Alcançar esse patamar exigiu trabalho árduo e dedicação por parte dos produtores paranaenses.

“Quando chegamos aqui, a agropecuária estava engatinhando. A safra de 1986 rendeu 34 sacas de soja por hectare. Esse era só um dos desafios. A região tinha apenas um silo. Entregar os grãos era bastante difícil. Às vezes tínhamos que rodar quilômetros de estrada de chão”, relembra o londrinense Paulo Mendes do Santos, de 53 anos, gerente da Fazenda Arroio Posuelo Imapõ, na cidade de Nueva Esperanza, no departamento de Canindeyú. Hoje, a produtividade média da soja no país vizinho bate na casa das 52 sacas por hectare, pouco abaixo do Paraná, com média de 58 sacas por hectare.

Mais do que apenas um espectador, Santos participou do desenvolvimento do agronegócio guarani nas últimas décadas. O gerente de voz grossa e números na ponta da língua chegou ao Paraguai ainda criança, em 1979, a tiracolo do pai, convocado para trabalhar em uma madeireira. Os primeiros passos ainda menino também foram dentro de uma empresa do mesmo ramo, na área administrativa. Até que, em 1994, a companhia, ciente do poderio rural do país, deixou de investir em madeira para se dedicar a agricultura e pecuária.

A aposta deu certo! Dos 10,5 mil hectares, a Fazenda Imapõ dedica 3,9 mil hectares a agricultura, principalmente plantio de soja, milho e trigo. Uma área semelhante é ocupada por 8,5 mil animais de corte (cria, recria e engorda). Ainda, 2,7 mil hectares são reserva legal. “Se os paranaenses não tivessem vindo desbravar, o povo paraguaio teria dificuldades. Nós trouxemos conhecimento e tecnologia para ajudar no desenvolvimento”, aponta Santos.

Nova geração

Apesar do pontapé inicial dos desbravadores, a nova geração formada pelos filhos tem garantido a continuidade do desenvolvimento da agropecuária guarani. Luciano Poland, 43 anos, chegou ao país vizinho em 2002, após se formar em engenharia agronômica na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, três anos antes.

“Na época, o Paraguai não plantava 2 milhões de hectares. Hoje são mais de 3,5 milhões de hectares, com potencial para avançar ainda mais”, relembra. “A expansão foi feita de forma planejada e tecnificada, com o conhecimento dos paranaenses, o que reduziu a chance de erro. Os produtores do Paraná foram cruciais para o agronegócio do Paraguai chegar onde está”, acrescenta.

Ao lado do irmão Alexandre, também agrônomo, Luciano administra a propriedade de 5 mil hectares do patriarca Vitor, de 70 anos, na cidade de Iruña, no departamento de Alto Paraná. Além da produção comercial de grãos e  ecuária  e corte, os irmãos identificaram um nicho de negócio. “Existia uma dificuldade na oferta de semente na época. Vimos aí uma oportunidade para abastecer o mercado interno”, conta  Poland.

Hoje, as lavouras da família são voltadas principalmente para a produção de sementes de soja e várias culturas de inverno como trigo, aveia preta e nabo forrageiro. “Entregamos inclusive  para as cooperativas do Paraná que estão por aqui, como a Lar e C. Vale”, diz.

A caminhada dos produtores paranaenses em terras guarani comprova que a relação de ganha-ganha, desde o começo da investida no país vizinho, é um caminho assertivo para ambas as partes. “Não conheço ninguém que veio para cá e quis voltar”, sentencia Galhera. “Quem não veio tem arrependimento. E quem voltou, também”, acrescenta Santos. “Meus filhos nasceram aqui, minha vida é no Paraguai, um lugar receptivo e que o governo valoriza o produtor”, conclui Poland.

Na esteira, empresas e cooperativas desembarcam no Paraguai

Nas últimas décadas, o processo migratório maciço de agricultores e pecuaristas paranaenses para o Paraguai forçou uma remodelagem na atuação de empresas e cooperativas do setor rural. Com os clientes/associados do outro lado da fronteira, as organizações voltadas para prestação de serviços e produtos se viram “obrigadas” a fixar base em solo guarani. Afinal, os produtores precisavam de uma retaguarda eficiente.

A cooperativa Lar, de Medianeira, na região Oeste do Paraná, está no Paraguai desde 1997. Na época, a empresa [no país vizinho, a Lar não é uma cooperativa] precisava de soja e milho para abastecer as fábricas de ração. Junto a isso, muitos produtores pediram para que a empresa vendesse insumos e prestasse assistência técnica, assim como no Brasil. Ou seja, bastava unir o útil ao agradável. Hoje são 12 unidades de recepção de grãos, além da sede administrativa, na cidade de Mbaracayu, que atendem 1,1 mil clientes.

A C. Vale, de Palotina, no Oeste, também seguiu para o país vizinho. A empresa abriu unidades para fornecer insumos e receber grãos dos associados com terras por lá. Atualmente são três plantas, nas cidades de Katuetê, La Paloma e Corpus Christis.

Mesmo quem não tinha um renome de peso no Brasil, resolveu arriscar no país vizinho. Há cinco anos, os agrônomos Élson Buaski e Gilmar Castro montaram a Conect, empresa de consultoria agrícola, entre outros serviços como gestão de controle de fazendas, com sede em Katuetê. Passado o período de adaptação, a Conect conta os louros. Consolidada, a empresa presta serviço para quase 100 produtores no país vizinho, que somados chega em torno de 250 mil hectares.

“Ainda existe muita terra em área periférica para abrir. O país tem plenas condições de aumentar a área, produtividade e produção”, garante Castro. “Durante os 10 anos que fui instrutor do SENAR-PR observei o movimento de produtores vindo para o Paraguai. O agronegócio do país está em franco desenvolvimento. O produtor paranaense tem aptidão agrícola, veio para produzir e colabora diretamente para o desenvolvimento da atividade no país”, complementa Buaski.

Cidadão do Paraná, do Paraguai, do mundo

No primeiro momento, o jeito simples e a voz calma podem passar a impressão de que o produtor Antonio Francisco Galhera esteja, como se diz por aí, “com a vida ganha”. Por mais que as quase quatro décadas de muito trabalho no Paraguai tenham permitido fazer um bom pé de meia, Galhera ainda tem “muita lenha para queimar”, como o próprio define. Tanto que os planos futuros são audaciosos, a ponto de atravessar um oceano, literalmente.

Mas nem sempre Galhera encontrou bonança. Antes mesmo de chegar ao Paraguai, em 1983, o produtor enfrentou adversidades. Ainda na terra natal, em São Jorge do Ivaí, na região Norte do Paraná, viu a geada negra exterminar os cafezais da família, migrando a terra para soja.

Anos depois, em um negócio feito pelo avô materno, passaram a cultivar em Apucarana, também na região Norte. “Naquela época, eu trabalhava recebendo menos para pagar o aluguel [da casa onde morava] para o meu avô”, relembra. O patriarca dos Galhera ainda chegou a comprar terras em Goiás, mas rapidamente, por conta da febre tifoide, doença que acometia a região na época, trocou por uma área de 120 hectares de terra dobrada em Corbélia. Anos depois, não satisfeito, nova troca, por 1,2 mil hectares na cidade de Los Cedrales, no Paraguai.

“Meu avô tinha 10 filhos. Vieram cinco e eu, pois era o único que tinha conhecimento de trator”, conta. “Os primeiros anos foram difíceis. Pegamos muita chuva na hora de abrir a terra, ocorreu atraso no plantio e seca no desenvolvimento das plantas. Até que os tempos foram melhorando”, complementa.

O esforço valeu a pena. Hoje, Antonio é o presidente do grupo Hermanos Galhera Agro Valle Del Sol, junto com outros três irmãos, que chegaram ao Paraguai em 1985. “Eu trouxe eles, pois vi futuro aqui”, relembra. A empresa administra 22,5 mil hectares, sendo 4 mil próprios, espalhados por três municípios (além de Los Cedrales, Canindeyú e Caaguazú). Para cobrir tanta terra, uma diversidade de culturas: soja, trigo, milho, canola, girassol, nabo forrageiro e chia.

“O agronegócio do Paraguai não deixa nada a desejar para outras potências do mundo. Tecnologias que saem na Europa e nos Estados Unidos, rapidamente chegam por aqui”, afirma o garoto propaganda de uma marca de maquinário agrícola, com direito ao rosto estampado em outdoors pelas estradas do país.

Apesar das décadas dedicadas a terra, Galhera tem um futuro ainda incerto. Não sabe se leva a agricultura para região do Chaco, algum país da África, como Angola ou Moçambique, ou mesmo atravessa o globo até a Nova Zelândia. A única certeza é de que não ficará parado. “Vou produzir alimentos em algum lugar”, sentencia.

Chaco: nova fronteira ainda impõe desafios

Assim como ocorreu no Brasil com a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Paraguai também está abrindo uma nova fronteira agrícola. Recentemente, os produtores
rurais, muitos paranaenses, voltaram os olhos para região do Chaco, no Norte do país. Apesar da terra vasta e dos preços ainda atrativos para aquisição da terra, a lista de desafios é extensa,
a começar pelo clima.

“Não chove o ideal. Apenas em alguns bolsões os índices pluviométricos são bons para agricultura”, destaca o agrônomo Élson Buaski, sócio da empresa de consultoria agrícola Conect.

Por conta deste obstáculo climático, a agricultura avança de forma cautelosa pela nova fronteira agrícola. “Ainda não tem tecnologia [semente] para combater a pluviometria na região, pois falta chuva. O pessoal com agricultura está se batendo”, diz Paulo Mendes do Santos.

Porém, no ritmo inverso, a pecuária de corte já está consolidada no Chaco, principalmente na parte Sul. O grupo no qual Santos é gerente tem 7 mil cabeças de gado espalhadas por 20 mil hectares na região. “Para a pecuária é excepcional. Há água de sobra no subsolo, já com os sais que os animais precisam”, comemora Santos.

Mesmo diante das adversidades, muitos produtores planejam ir para nova fronteira. Antonio Francisco Galhera quer fixar bandeira por aquelas bandas. “Essa é a hora de ir”, garante. O plano envolve vender 48 hectares em Los Cedrales, parte da herança do avô, para comprar algo em torno de 2 mil hectares na nova fronteira agrícola guarani.

Quanto da área do Chaco pode ser ocupado pela agropecuária? Enquanto alguns falam em torno de 1 milhão de hectares, outros, mais reticentes, dizem 500 mil hectares. A única opinião unânime é de que o conhecimento e tecnologias dos paranaenses serão fundamentais para consolidar o Chaco como região produtora.