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Dois foragidos de prisão no Paraguai são recapturados pela polícia

Policiais de Mato Grosso do Sul e do Paraguai recapturaram nesta segunda-feira (20) 2 dos 75 presos, muitos deles integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), que escaparam da penitenciária de Pedro Juan Caballero, na fronteira do Paraguai com o Brasil, na madrugada de domingo (19).

A Polícia Civil de Ponta Porã, cidade na divisa com Pedro Juan Caballero, investiga se o brasileiro capturado Eduardo Alves da Cunha, 30, portava documentos ilegais e foi condenado com nome falso no Paraguai.

Um dia depois do caso na fronteira com Mato Grosso do Sul, 26 presos fugiram de outra região de fronteira e rota para o tráfico de drogas. Eles quebraram a parede da cela e usaram lençóis amarrados para escalar o muro na penitenciária Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, no Acre. Um preso foi recapturado na tarde desta segunda.

O secretário-adjunto de segurança pública do Acre, coronel PM Ricardo Brandão, disse não descartar ligação entre a fuga local e a ocorrida no Paraguai.

Sozinho e descalço, Cunha foi preso por policiais militares de Mato Grosso do Sul do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), às margens de uma rodovia entre Ponta Porã e a cidade de Dourados, segundo informou o secretário de segurança pública, Antonio Carlos Videira.

O recapturado é de Imperatriz, no Maranhão. Segundo a PM, ele confessou ter fugido da penitenciária junto com os outros presos que estavam na ala do PCC. A Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública em Mato Grosso do Sul), porém, ainda mantém dúvidas sobre o real nome do foragido.

O nome de Eduardo Alves da Cunha consta na lista divulgada pela Polícia Nacional do Paraguai com os rostos dos 75 foragidos, mas o nome está destacado em vermelho depois que a polícia brasileira levantou suspeitas sobre a identidade.

O secretário de segurança do Mato Grosso do Sul declarou que, até agora, não foi possível encontrar dados sobre ele em nenhum estado brasileiro. Ele foi levado para a Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, que investiga o caso.

“Até o momento nós não localizamos nenhum estado brasileiro com esses dados. Essa pessoa pode ter sido inclusive processada, condenada, com outro nome. Os comissários estão na delegacia em Ponta Porã, os peritos, os copistas, também, porque pode ser que essa pessoa caiu, foi preso, no Paraguai, com nome falso, então a importância de se averiguar se este nome é verdadeiro”, disse Videira.

O outro preso recapturado foi localizado no Paraguai, pela Polícia Nacional do país vizinho. Segundo nota oficial no site do governo, ele se chama Sabio Darío González Figueredo, tem nacionalidade paraguaia e foi flagrado quando tentava se esconder em uma casa na periferia de Pedro Juan Caballero, a apenas 200 m da penitenciária de onde escapou.

Conforme noticiou a imprensa do Paraguai, a fuga, na verdade, pode ser sido uma liberação. É o que declarou o ministro do interior no Paraguai, Euclides Acevedo. “Foi encontrado um túnel e acreditamos que esse túnel foi um recurso enganoso para legitimar ou maquiar a liberação dos presos. Há cumplicidade com as pessoas de dentro da prisão e esse é um fenômeno que acontece em todas as penitenciárias”, afirmou o ministro do Interior do país, Euclides Acevedo, em nota publicada em site do governo.

O secretário de Justiça de Mato Grosso do Sul declarou que não é possível confirmar o número total de foragidos.

“Hoje nós temos 75, eles estão fazendo uma busca e confirmando, então esse número pode ser aumentado e também diminuir porque algumas dessas pessoas podem ter fugido no decorrer da semana. Não necessariamente todos saíram por esse túnel.”

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Paraná disponibiliza forças policiais na captura de fugitivos integrantes do PCC

O Governo do Paraná disponibilizou, neste domingo (19), as forças policiais do Estado para ajudar na captura de presos fugitivos da penitenciária do Paraguai.

Policiais Militares, Civis, Polícia Científica e Departamento Penitenciário estão  à disposição do Ministério da Justiça e Segurança Pública para reforçar os trabalhos de localização e captura dos fugitivos da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que fica na fronteira com a cidade brasileira de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul).

O Paraná é sede do Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), programa pioneiro no Brasil para atuação integrada e combate ao crime organizado.

Policiais da unidade estão em contato com o Ministério da Justiça desde as primeiras horas deste domingo (19) para reforçar o trabalho de inteligência das forças de segurança nacionais e paraguaias – o Acordo do Comando Tripartite, entre Brasil, Argentina e Paraguai, facilita esse intercâmbio.

A unidade atua desde dezembro de 2019 em três frentes: operações ostensivas, auxílio das investigações em curso e combate às facções criminosas. Estão à disposição das equipes federais e estaduais imagens de satélite e câmeras estratégicas dos municípios paranaenses e do Estado.

PARCERIA 

O Governo do Estado estabeleceu desde o começo de 2019 parcerias técnicas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública para combate ao crime organizado em seu território. Além do CIOF e do CIISP-Sul, a gestão contempla o projeto Em Frente, Brasil, em São José dos Pinhais, a Delegacia Modelo de Investigação e Análise Financeira da Polícia Federal, em Curitiba, e as integração das bases de dados do banco de perfis genéticos.

CIISP-SUL

Policiais do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública da Região Sul (CIISP-Sul), que conta com as bases e sistemas de dados de órgãos dos três estados do Sul, também estão colaborando com o governo federal. O Centro, localizado em Curitiba, reúne informações sobre integrantes de organizações criminosas e ajuda a planejar ações de combate ao tráfico de drogas e contrabando de armas desde o começo do ano passado.

Integrantes do PCC fogem da prisão no Paraguai; Moro reforça segurança no País

Nas primeiras horas deste domingo (19), 75 prisioneiros da Penitenciária Pedro Juan Caballero, no Paraguai, fugiram. Presume-se que tenham escapado da prisão por um túnel com a cumplicidade de autoridades.

O chefe de Segurança e o diretor da instituição foram demitidos.

A ministra da Justiça, Cecilia Pérez, disse que “a possibilidade de envolvimento de agentes penitenciários corruptos” é alta na fuga dos 75 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Impossível que eles não tenham visto a quantidade de areia em uma das celas. O túnel foi cavado de uma cela que vai para o lado da prisão. Não é possível que os funcionários não tenham visto uma saída no perímetro da penitenciária. Existe um conluio brutal óbvio”, disse a ministra Pérez.

A ministra da Justiça confirmou que o chefe de Segurança, Matías Vargas, e o diretor da penitenciária, Cristian González, foram demitidos. Também foram presos cinco guardas da prisão.

Ela adiantou que se encontrará com o presidente da República, Mario Abdo Benítez, para oferecer sua renúncia ao cargo de Ministro da Justiça. “A responsabilidade política deste ministério é minha e eu trabalho e devo ao Presidente da República, à cidadania e à opinião pública. O presidente tomará a decisão que ele deve tomar”, afirmou.

Perez disse que, se o presidente determinar, ela continuará trabalhando para reverter “esses eventos sérios”, para que as responsabilidades sejam determinadas e as pessoas envolvidas sejam processadas.

O ministro do Interior, Euclides Acevedo, afirmou que a fuga foi uma libertação de prisioneiros. “Já nos dias anteriores vários dos fugitivos teriam deixado a prisão pela porta principal. Isso implica que, com efeito, toda a penitenciária está envolvida”.

Ele afirmou que a maioria dos 91 presos do PCC que escaparam da prisão “não saiu pelo túnel”. Os outros, segundo o ministro, “saíram pela porta da frente”.

Em 16 de dezembro, a ministra da Justiça, Cecilia Pérez, e o vice-ministro de Política Penal, Hugo Volpe, relataram a descoberta de um plano de voo para um suposto membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os dados fornecidos pelas autoridades, a quantia de até US$ 80 mil foi oferecida a agentes penitenciários ou membros das forças públicas para esse fim. Perez acrescentou que, segundo a inteligência, a fuga foi planejada para um preso da Penitenciária Regional Pedro Juan Caballero, em Amambay.

MORO REFORÇA SEGURANÇA NO PAÍS

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse através das redes sociais, que está trabalhando juntamente com os governos estaduais para evitar que os foragidos venha para o Brasil.

O ministro afirmou que está trabalhando em parceira com o Paraguai e que os bandidos que resolverem retornar ao Brasil irão direto para a prisão: “se voltarem ao Brasil, ganham passagem só de ida para presídio federal”, afirmou Moro pelo Twitter.

Sergio Moro ofereceu ajuda ao governo paraguaio para a recaptura dos presos.

 

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Reprodução/Twitter
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Operação Canário cumpre 20 mandados de prisão contra facção criminosa

A Operação Canário, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná e pela Polícia Militar do Paraná, cumpre, nesta terça-feira (10), 20 mandados de prisão preventiva e mais de 20 mandados de busca e apreensão contra uma facção criminosa com atuação em diversos estados. Os crimes investigados eram praticados a partir de presídios paranaenses.

Dos 20 alvos de mandados de prisão, 15 estão em unidades prisionais. Os presos são suspeitos de pertencerem a uma organização responsável por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, comercialização e porte de armas, crimes patrimoniais (roubos, latrocínios, estelionatos), falsificações, homicídios e tentativas de homicídio.

Parte dos crimes tem como foco a obtenção de recursos para a manutenção das atividades da facção, e outros – notadamente homicídios e tentativas de homicídio – são praticados para intimidar e silenciar desafetos e afastar bandos rivais.

As investigações são conduzidas pelas Promotorias de Justiça de Paranavaí, no noroeste do Paraná, e Polícia Militar, que contam com o apoio da Seção de Operações Especiais do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná. Cerca de 50 agentes públicos de diversas unidades do estado participaram da ação, entre promotores de Justiça, policiais e agentes penitenciários.

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Operação contra PCC cumpre 110 mandados de prisão no PR e mais sete estados

Uma força-tarefa cumpre, nesta quarta-feira (27), 110 mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no Paraná e outros sete estados (Alagoas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Tocantins e Sergipe). A Operação Flash Back é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com forças de segurança de Alagoas.

No Paraná, o Ministério Público do Paraná, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) cumpriram dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão na Penitenciária de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Foram apreendidas anotações referentes ao funcionamento da organização criminosa.

O objetivo do trabalho é combater o principal núcleo da facção criminosa, com base no Mato Grosso do Sul, de onde saem as ordens de justiçamento para todo Brasil, sob comando de um faccionado identificado como ‘Maré alta’. Segundo as investigações, este indivíduo compõe a atual liderança da facção, que substitui o fundador e líder, Marcos Willians Camacho, conhecido como ‘Marcola’ que atualmente está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

CRIMES BÁRBAROS

Segundo as forças de segurança, a operação parte para o enfrentamento ao PCC não com o propósito de apreender armas e drogas, mas de isolar os líderes da nova estrutura, que tem como caraterística a truculência no ‘tribunal do crime’, com mortes bárbaras pelo Brasil. De acordo com as investigações, o ‘tribunal do crime’ é formado pelos que detém maior poder ou funções privativas dentro da facção.

Uma das características do PCC é a frieza com a qual determinam a forma de execução das suas vítimas, incluindo jovens inocentes e membros da própria facção, tidos como desobedientes, quase sempre narrando para elas como será o passo a passo da morte. Durante as execuções, os criminosos costumam fazer contato com o líder que deu a sentença e transmitir, por meio de vídeos, para provocar ‘prazer’ e reforçar sua autoridade, bem como ganhar prestígio dentro da facção.

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Gaeco mira facção criminosa que atua em presídios do Paraná

Uma facção criminosa com atuação dentro e fora de presídios do Paraná é alvo da operação “En Passant” deflagrada, nesta quinta-feira (26), pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MP-PR (Ministério Público do Paraná), em conjunto com o Bope (Batalhão de Operações Especiais), o Batalhão de Choque e o Serviço de Operações Especiais da Polícia Militar do Paraná. Ao todo, são cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão.

Seis mandados de busca e apreensão são cumpridos nos presídios em Piraquara e Londrina e sete em residências dos investigados (dois em União da Vitória, um em General Carneiro, um em Porecatu, dois em Ponta Grossa e um em Prudentópolis).

Conforme o Gaeco, é apurado o envolvimento de integrantes de facção criminosa no tráfico de drogas, comércio e posse de armas, sequestro e cárcere privado de pessoas, além de participação em homicídios de presos ou desafetos da organização.

Segundo o procurador de Justiça Leonir Batisti, ainda estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão. “Ainda não temos o levantamento exato, mas o objetivo da operação, das buscas, é apreensão de celulares que estariam com os presos, em presídios”, afirmou mais cedo, em coletiva.

As investigações tiveram início há sete meses e são conduzidas pelo Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco, em conjunto com o 1º Batalhão da Polícia Militar daquele município.

 

Facção criminosa montava planilhas financeiras do crime, aponta PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (6), a Operação Cravada para desarticular o núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com ramificações dentro e fora dos presídios brasileiros. De acordo com a PF, os criminosos tinham um organizado sistema de contabilidade, incluindo planilhas financeiras.

“Nós conseguimos obter várias planilhas, onde isso era contabilizado como em uma empresa de contabilidade. Os valores entravam e saiam. Pessoas eram responsáveis por fazer o fechamento, ou seja, o dinheiro que entrou nessas várias contas tinha que sair delas e chegar em outras pessoas. Tudo era checado, para ver se não faltava dinheiro”, explicou o delegado da Polícia Federal, Martin Bottaro Purper.

A investigação teve início em fevereiro deste ano a partir de informações que apontavam a existência de uma espécie de núcleo financeiro da facção criminosa estabelecido na Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O grupo seria responsável pelo gerenciamento e emprego de valores para financiamento de crimes nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

Purper detalhou que os suspeitos arrecadavam os valores como uma espécie de piramide. A investigação indica a circulação de aproximadamente R$ 1 milhão por mês nas diversas contas utilizadas em benefício do crime. “Eles arrecadam valores dos seus comparsas através de rifas cobradas de dois em dois meses e esse valor sobe dentro de uma piramide. Ele sai da base e chega nos principais líderes. Esse valor é aplicado em prol dos líderes”, ressaltou.

Conforme o delegado, os membros que se recusam a pagar ou atrasam o pagamento sofrem penalidades muitas vezes cruéis. “As pessoas que devem ou não pagam, ou são excluídas ou são espancadas. Se valem desse meios bárbaros para que os líderes tenham mais dinheiro, a base sustente e o crime continue”, afirmou.

BILHETES

A polícia encontrou diversos bilhetes utilizados na comunicação dos detentos. “Esses bilhetes apreendidos hoje, inclusive, eles seriam levados para unidades prisionais. E é uma das principais formas de comunicação dos presos e lideranças de cadeia com o meio externo. Muitas vezes se acha que é uma carta da família, mas é uma em 20. As outras 19 são ordens tratando normalmente de tráfico de drogas, assalto e cobrança de dívidas”, destacou.

Foto: Polícia Federal

Foram identificadas e bloqueadas mais de 400 contas bancárias suspeitas em todo o país. Os valores que transitavam entre as contas bloqueadas eram utilizados para pagar a aquisição de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da Facção em locais próximos a presídios.

OPERAÇÃO

Ao todo, cerca de 180 policiais federais cumpriram 55 mandados de busca e apreensão e 30 mandados de prisão em 23 cidades. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal de Piraquara.

 

 

Paraná

  • Piraquara
  • Curitiba
  • São José dos Pinhais
  • Paranaguá
  • Centenário do Sul
  • Arapongas
  • Londrina
  • Umuarama
  • Pérola
  • Tapejara
  • Cascavel
  • Guarapuava

São Paulo

  • São Paulo
  • Itapeva
  • Praia Grande
  • Osasco
  • Itaquequecetuba
  • Hortolândia

Acre 

  • Rio Branco

Minas Gerais

  • Uberlândia

Mato Grosso do Sul 

  • Dourados

Roraima 

  • Boa Vista

Pernambuco 

  • Caruaru

Os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

OPERAÇÃO CRAVADA

O nome da operação faz referência a uma jogada de xadrez em que uma peça, quando ameaçada de captura pela peça adversária, fica impossibilitada de se mover, em razão de haver uma peça de maior valor em risco. De igual forma, conforme a PF, a operação deflagrada visa sufocar as reações das lideranças de Facções Criminosas, atingindo os núcleos importantes de comunicação e de gerenciamento financeiro.

 

operação facção

Operação da PF, com mais de 80 mandados, desarticula núcleo financeiro do PCC

A Operação Cravada, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (6), pretende desarticular o núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com ramificações dentro e fora dos presídios. O grupo seria responsável pelo gerenciamento e emprego de valores para financiamento de crimes nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

Ao todo, cerca de 180 policiais federais cumprem 55 mandados de busca e apreensão e 30 mandados de prisão em onze municípios paranaenses (Curitiba, São José dos Pinhais, Paranaguá, Centenário do Sul, Arapongas, Londrina, Umuarama, Pérola, Tapejara, Cascavel e Guarapuava) e seis no estado de São Paulo (Praia Grande, Itapeva, Osasco e Itaquaquecetuba, Hortolândia e São Paulo). A ação inclui também o presídio de Valparaíso (SP), além de outras localidades nos estados do Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal de Piraquara.

Dos 30 mandados de prisão, oito são cumpridos em presídios, sendo três em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul e quatro no Paraná.

A ação conta com o apoio do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco-SP), Departamento Penitenciário Federal, Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo e Polícia Militar de São Paulo.

INVESTIGAÇÃO

Segundo a PF, a investigação teve início em fevereiro deste ano a partir de informações que apontavam a existência de uma espécie de núcleo financeiro da facção criminosa estabelecido na Penitenciária Estadual de Piraquara.

Verificou-se que o núcleo é responsável por recolher e gerenciar as contribuições para a Facção Criminosa em âmbito nacional. Os pagamentos – também chamados de “rifas”- eram repassados à Organização Criminosa por intermédio de diversas contas bancárias e de maneira intercalada, com uso de medidas para dificultar o rastreamento. A investigação indica a circulação de aproximadamente R$ 1 milhão por mês nas diversas contas utilizadas em benefício do crime.

Foram identificadas e bloqueadas mais de 400 contas bancárias suspeitas em todo o país. Os valores que transitavam entre as contas bloqueadas eram utilizados para pagar a aquisição de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da Facção em locais próximos a presídios.

Os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

OPERAÇÃO CRAVADA

O nome da operação faz referência a uma jogada de xadrez em que uma peça, quando ameaçada de captura pela peça adversária, fica impossibilitada de se mover, em razão de haver uma peça de maior valor em risco. De igual forma, conforme a PF, a operação deflagrada visa sufocar as reações das lideranças de Facções Criminosas, atingindo os núcleos importantes de comunicação e de gerenciamento financeiro.

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PCC: Operação prende 68 faccionados no PR e em SP

Uma mega-operação do Gaeco para coibir a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Paraná resultou no cumprimento de 68 mandados de prisão preventiva nesta quarta-feira (31). Deste total, 34 pessoas já estavam detidas.

Também foram realizadas 80 buscas e apreensões. As ordens judiciais foram cumpridas em 38 cidades paranaenses e na Penitenciária de Ribeirão Preto (SP). Ainda restam 24 mandados de busca e apreensão e 40 de prisão preventiva a serem cumpridos.

As ações contra o PCC, coordenadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), envolveram 300 agentes do MP-PR (Ministério Público), da PM-PR (Polícia Militar) e do Depen-PR (Departamento Penitenciário).

A maior parte dos mandados foi cumprida em Londrina, na região norte do Paraná. As ordens judiciais foram autorizadas pelo 3.º Juízo Criminal do município. As investigações para entender como funciona o PCC começaram há um ano e meio.

“Pudemos investigar essas 108 pessoas e identificar como cada uma atuava. Cada uma tinha uma função específica. Uma empresa usada pelo crime também foi identificada”, resumiu o promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado.

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Foto: Divulgação/MPPR

PCC

Batizada de ‘Operação Sicário’, as ações focaram em faccionados suspeitos de crimes como tráfico de drogas, venda ilegal de arma de fogo, sequestro, roubo, latrocínio, estelionato, falsificação e homicídio.

Segundo o MP-PR, parte dos crimes tem como objetivo a obtenção de recursos usados para a manutenção do PCC no Paraná. Outra parte tem a finalidade de intimidar e ‘silenciar’ desafetos ligados à facções rivais.

INVESTIGAÇÕES

As investigações foram conduzidas pelo núcleo londrinense do Gaeco, em parceria com o 2.º Comando Regional da PM, com apoio da Seção de Operações Especiais do Departamento Penitenciário do Paraná (SOE Depen).

MANDADOS

As ordens de prisão preventiva e de busca e apreensão contra faccionados do PCC foram cumpridas em 38 cidade do Paraná e no Presídio de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Confira a lista:

  • Londrina
  • Curitiba
  • Apucarana
  • Arapongas
  • Assis Chateaubriand
  • Barbosa Ferraz
  • Califórnia
  • Campo Mourão
  • Carambeí
  • Congonhinhas
  • Cruzeiro do Oeste (Penitenciária – Peco)
  • Faxinal
  • Figueira
  • Florestópolis
  • Foz do Iguaçu
  • Francisco Beltrão (Penitenciária)
  • Grandes Rios
  • Guarapuava
  • Ibaiti
  • Ibiporã (Cadeia Pública)
  • Itambaracá
  • Ivaiporã
  • Jacarezinho
  • Jardim Alegre
  • Jataizinho
  • Jesuítas
  • Joaquim Távora (Cadeia Pública)
  • Palmital
  • Pato Branco
  • Peabiru (Cadeia Pública)
  • Pinhais (Complexo Médico – CMP)
  • Piraquara (Penitenciária – PEP)
  • Porecatu, Rancho Alegre
  • Ribeirão do Pinhal
  • Rolândia
  • Sertanópolis
  • Telêmaco Borba
  • Ribeirão Preto (Penitenciária, SP)

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Paulo Preto deu R$ 740 mil a grupo ligado ao PCC por obra, diz Promotoria

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, estatal paulista de construção de rodovias, ordenou o pagamento de pelo menos R$ 740 mil em dinheiro da empresa a integrantes de grupo ligado à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2009. É o que aponta investigação iniciada no MP-SP (Ministério Público de São Paulo) em 2016 e nunca inteiramente concluída.

Paulo Preto, como é conhecido o ex-diretor, é apontado como operador de propinas do PSDB durante o governo José Serra (PSDB-SP) em São Paulo (2007-2010). O advogado do ex-diretor da Dersa, Alessandro Silvério, não quis comentar o assunto com a reportagem.

De acordo com os autos do processo que correu no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) a que o UOL teve acesso, pelo menos 37 pessoas ligadas à criminalidade na região do Jardim São Francisco e do Jardim Oratório, na zona Sul de São Paulo, e da Vila Iracema, em Barueri, na região metropolitana da capital, foram indenizadas indevidamente. As irregularidades teriam ocorrido em meio a desapropriações para as obras do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas e prolongamento da avenida Jacu-Pêssego. A obra foi entregue em 2010.

Destes 37, 13 possuem passagem pela cadeia por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo, entre outros. Ao menos um preso entrou na lista das indenizações enquanto estava na cadeia, e outro foi indenizado mesmo sendo foragido da Justiça. Nenhum deles teria direito aos cerca de R$ 20 mil que receberam cada, em um total de R$ 740 mil, em valores atualizados, de acordo com investigações feitas na época pelo promotor Cássio Roberto Conserino.

A quadrilha na região seria liderada pelos traficantes Gilson, conhecido como Boca, e Rubão, conhecido como Pernambuco. A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não aprofundou a apuração para chegar ao nome real dos dois, mas identificou os outros 35.

O dinheiro teria sido cobrado pelos integrantes da quadrilha para deixar os engenheiros e operários da obra trabalhar nos bairros citados, dominados pelo crime organizado e por onde passa o traçado do Rodoanel, assim como para permitir a demolição de imóveis desapropriados para a obra nas comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.

Em depoimento a Conserino em 2016, José Geraldo Casas Vilela, funcionário de Paulo Preto na Dersa, também denunciado no caso, relata que eles chegaram a receber na sede da Dersa uma carta com ameaças, assinada por traficantes supostamente do PCC.

A investigação começou quando, em 2014, um funcionário da Dersa denunciou possíveis irregularidades ao MP-SP no cadastramento de pessoas para desapropriações na empresa pública. Pressionada pela denúncia do Ministério Público, Mércia Ferreira Gomes, chefe do denunciante e ex-funcionária de Paulo Preto, firmou uma colaboração premiada com o MP-SP em maio de 2016 e contou para o promotor Conserino sobre as irregularidades de que tinha conhecimento nas obras do Rodoanel. As informações foram ratificadas também em depoimentos posteriores dela.

Além das indenizações irregulares para os integrantes da facção criminosa, Mércia contou que havia sido ameaçada de morte por Paulo Preto caso colaborasse com as investigações. Ela disse que foi abordada duas vezes na rua por estranhos, supostamente ligados ao PCC, com ameaças à sua vida.

Contou também que pelo menos 1.700 pessoas que não tinham direito à indenização das desapropriações foram pagas mesmo assim, sob o pretexto de não atrasar as obras -incluindo funcionários pessoais de Paulo Preto, que ganharam apartamentos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) indevidamente.

De acordo com a delatora, criminosos armados ou seus representantes compareciam à sede da Dersa, no Itaim, em São Paulo, para receber as indenizações. O dinheiro vivo era acondicionado em caixas e mochilas. A maioria dos beneficiados não assinava os recibos comprovando o pagamento do dinheiro, segundo a delatora. Em uma das ameaças que recebeu, afirmou que um desconhecido ligou e disse que ela não perdia por esperar, pois iria conhecer as mulheres do PCC na cadeia.

Segundo ela, Hamilton Clemente Alves, que seria então assessor do hoje ex-deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), intermediava o contato entre a quadrilha e Paulo Preto. Procurado pelo UOL, Adriano Diogo diz que conhece Alves, mas que à época dos fatos não era seu assessor e não tem como responder por ele. “Essa acusação é tão absurda que eu nunca fui chamado para depor sobre isso, nunca fui acusado de nada”, afirma Diogo. “Fui várias vezes na Dersa me reunir com Paulo Preto, sempre em reuniões coletivas, e defendia os interesses do pessoal naquela região, mas nunca fiz nada de espúrio.”

“Ele [Paulo Preto] derrubou mais de 4.000 casas em poucos meses, tudo sem processo judicial de desapropriação. Era aquela bagunça, tudo invasão, aí ele combinava no gogó uma indenização e as pessoas iam lá receber. Não duvido que eles tenham usado estes elementos para ajudá-los a fazer e organizar estas desapropriações”, completa o ex-deputado.

Alves trabalha hoje no gabinete do vereador paulistano Alessandro Guedes (PT-SP). Procurado pela reportagem, Alves nega qualquer envolvimento com pagamentos a criminosos. Segundo ele, esteve com Souza apenas em audiências públicas e participava desses encontros sobre desapropriações do Rodoanel Sul como assessor do PT, para prestar assistência às comunidades afetadas, base eleitoral de políticos do partido.

Ele afirma ainda que nunca foi chamado para depor sobre isso e nunca foi investigado ou processado no caso.

JUSTIÇA FEDERAL
O MP-SP chegou a apresentar uma denúncia na 20ª Vara Criminal de São Paulo, mas em março de 2017 a juíza Carla de Oliveira Pinto Ferrari declinou a condução do caso e repassou a apuração para o MPF (Ministério Público Federal) e à Justiça Federal em São Paulo.

A mudança de foro aconteceu porque alguns dos fatos investigados no caso das desapropriações do Rodoanel foram alvos de delações de executivos de empreiteiras na Operação Lava Jato, e parte do dinheiro das obras veio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), do governo federal.

Na Justiça Federal, o caso foi conduzido pela força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. A linha de investigação que pormenorizava os pagamentos para os integrantes de facção criminosa, porém, não foi aprofundada –a Procuradoria concentrou-se na desapropriação de maneira geral e no fato de funcionários da família de Paulo Preto terem ganhado apartamentos em conjuntos habitacionais como se fossem desapropriados do Rodoanel.

PAULO PRETO
No início deste ano, Paulo Preto foi condenado a 145 anos de prisão nesse processo pela Justiça Federal em São Paulo, na primeira instância. José Geraldo Casas Vilela também foi condenado a 145 anos de prisão por conta das cerca de 1.700 desapropriações irregulares. A filha de Paulo Preto, Tatiana Arana, pegou 24 anos de prisão e a delatora Mércia, 12 revertidos em multa e prisão domiciliar.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Vilela e procurou o advogado de Tatiana Arana, mas ele não retornou o contato até a conclusão deste texto. De acordo com Regiane Cristina Ferreira Braga, que defendeu Mércia no processo, ela não tem interesse em dar entrevistas sobre o caso. “Ela ainda tem muito medo, vive mudando de endereço”, diz a advogada.

Também neste ano Paulo Preto foi condenado em outra ação do Rodoanel, sobre o cartel das empreiteiras, a 27 anos de prisão. Ele está preso e responde a outros processos na Lava Jato em Curitiba e em São Paulo. Recentemente, ele cobrou das autoridades a manutenção de sua lancha apreendida, sob risco de deteriorá-la. O barco, de pouco mais de meio milhão de reais, foi incluído entre bens bloqueados pela Justiça.

Nenhum suposto integrante do PCC ou outras pessoas que receberam as indenizações indevidas nas desapropriações do Rodoanel foram punidas até hoje, e o dinheiro não foi devolvido aos cofres públicos.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo diz que não investiga a relação entre Paulo Preto e PCC.

A Lava Jato de Curitiba, também por meio da assessoria de imprensa do MPF, diz que tampouco possui aberta uma investigação sobre essa relação e não possui informações sobre o assunto.

“A nova gestão da Dersa apoia toda e qualquer investigação e vai colaborar de forma integral com a Justiça para a elucidação de dúvidas em busca do interesse público”, afirma nota da estatal sobre o escândalo do Rodoanel. A empresa criou um canal para o envio de denúncias de práticas de corrupção, fraudes e atos ilícitos.