Custos de produção de suínos e frangos de corte acumulam altas em 2019

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte calculados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa, acumularam altas de 8,64% e 5,97%, respectivamente, em 2019. A nutrição dos animais foi o item que mais pesou para a variação positiva dos custos, com 7,21% de aumento no ano para os suínos e 4,04% no mesmo período para o frango de corte.

O ICPSuíno, que começou o ano em 220,96 pontos, encerrou 2019 em 238,75 pontos, no terceiro mês consecutivo de alta e registrando um acréscimo de 3,26% apenas em dezembro com relação a novembro. O custo por quilo vivo de suíno produzido em sistema de ciclo completo em Santa Catarina passou dos R$ 4,04 em novembro para R$ 4,17 em dezembro, maior valor desde junho de 2018.

Já o ICPFrango encerrou 2019 nos 231,14 pontos, enquanto em janeiro o índice era de 217,85 pontos e chegou a ser de 211,58 em abril, valor mais baixo de 2019. O ICPFrango acumulava altas desde agosto, mas se manteve praticamente estável entre novembro e dezembro, oscilando -0,01%. O custo de produção do quilo do frango de corte vivo no Paraná, não variou em dezembro, mantendo os R$ 2,99 registrados em novembro. Este é o valor mais alto desde junho de 2016.

Os índices de custos de produção foram criados em 2011 pela equipe de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves e Conab. Santa Catarina e Paraná são usados como estados referência nos cálculos por serem os maiores produtores nacionais de suínos e de frangos de corte, respectivamente.

História da imigração holandesa no Paraná

 

Este vídeo traz um resumo histórico sobre a colonização holandesa no Paraná, que construiu  cooperativas de alta produção e qualidade.

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Contato com José Wille.

 

 

bolsonaro fome - produtor rural - agronegócio - Mata Atlântica - segurança jurídica

Bolsonaro dá segurança jurídica para produção agropecuária na Mata Atlântica

O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou hoje (19), durante transmissão ao vivo na internet, que a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu parecer para dar segurança jurídica a produtores rurais que desenvolvem atividades no bioma Mata Atlântica.

Segundo a AGU, “o parecer destaca que o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) admite a produção agropecuária na Mata Atlântica, uma vez que os artigos 61-A e 61-B da norma preveem a continuidade de atividades agropecuárias em áreas de preservação ambiental que tenham sido fixadas no bioma até 22 de julho de 2008”.

O presidente Jair Bolsonaro disse, durante sua live semanal no Facebook, que o parecer beneficia mais de 200 mil agricultores em 936 municípios de 10 estados do país, que também poderão ter multas extintas com a mudança de entendimento.

“Esse parecer atinge aproximadamente 220 mil agricultores no Brasil, que poderão voltar a produzir nas suas terras. E o mais importante, quem foi multado lá atrás pode recorrer agora e, em função desse parecer, vai ficar isento de multa”, afirmou.

Em reunião no Palácio do Planalto com parlamentares e produtores rurais, o advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que parecer jurídico traz impacto social importante, ao beneficiar produtores que atuavam em áreas que já estavam consolidadas para a agricultura.

“Esse parecer reconhece que o Código Florestal tem aplicabilidade como norma geral em relação a área de Mata Atlântica e que áreas que já estavam consolidadas como produtivas até julho de 2008 não só podem como devem ser utilizadas para a produção”, pontuou.

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Alta nas exportações de carne bovina para a China aquecem setor

Os investimentos ligados à carne bovina, tanto no mercado físico quanto no mercado financeiro, por meio da compra de ações de empresas que atuam no setor de proteína animal, ganharam um impulso adicional na semana que passou.

O preço da arroba do boi gordo, mantendo a trajetória de alta das últimas semanas, se aproxima de R$ 200, segundo o indicador de boi gordo da Esalq/B3 (feito em parceria pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo e a Bolsa brasileira).

Na quinta-feira (14), véspera do feriado de proclamação da República, o preço da arroba chegou a R$ 199,25, valor que supera a máxima histórica de abril de 2015 (considera a inflação do período), segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que elabora o indicador.

No acumulado do mês, o preço da arroba disparou 16,73%, avançando 37,8% em relação a igual período do ano passado.

As ações de empresas dedicadas ao segmento de carne bovina também avançam. No ano, os papéis da Marfrig registram alta de 91%, e os da JBS acumulam aumento de 126%. As ações da Minerva, por sua vez, têm alta de 438%.

Os papéis da Minerva também foram beneficiados pelo anúncio de que a companhia assinou, na primeira semana de outubro, um memorando para formar uma associação com dois empresários chineses e atuar na distribuição de carne bovina na China.

A China tem hoje 15% do mercado global de carne bovina, e a sua demanda nesse segmento é crescente após o seu rebanho de suínos ter sido dizimado pela peste suína africana.

Segundo o sócio-diretor na consultoria Athenagro, Maurício Nogueira, a alta na arroba está justamente associada a um maior número de empresas que buscam se posicionar para exportar e atender a crescente demanda chinesa por proteína bovina, preenchendo a lacuna deixada na oferta de carne suína.

Há polos na China para a importação de carne bovina do Brasil, e os chineses têm que se posicionar, afirma Nogueira. “Ao mesmo tempo, tem uma quantidade grande de companhias que querem marcar posição com a China”, diz o consultor, lembrando que novas unidades foram habilitadas para exportação nesta semana, não só para a China mas também para a Arábia Saudita.

Ele acrescentou que os ganhos da arroba também estão associados à produção total menor neste ano no Brasil.
“A expectativa é que os preços continuem em alta e a demanda interna seja mais impulsionada pelo fim de semana prolongado. O bom desempenho da exportação diária mantém o mercado procurado”, disse em nota a Scot Consultoria.

No mercado futuro da B3, os preços da arroba também estão em patamares recordes: o contrato com vencimento em março de 2020 superou R$ 209 na quarta (13) e registrou leve queda na quinta (14).

O quanto o mercado ainda vai subir dependerá do consumo doméstico, que responde pela maior demanda de carne bovina, comentou o analista de pecuária do Cepea, Thiago de Carvalho.

“Vai depender da elasticidade da demanda do mercado doméstico. Para a exportação, é um momento interessante, mas tem limite de preço e demanda [no mercado interno]”, disse.

No atacado da Grande São Paulo, disse o Cepea, o preço da carcaça bovina renovou máximas históricas nesta semana, atingindo R$ 12,74 por quilo na quarta-feira (13).

Governo estabelece regras para destinação de resíduos da pecuária

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) publicou na última sexta-feira (18), no Diário Oficial da União, a Instrução Normativa 48/2019, que estabelece as regras sobre o recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos e resíduos da produção pecuária como alternativa para a sua eliminação nos estabelecimentos rurais.

Segundo o Mapa, as regras possibilitam a utilização de rotas tecnológicas para os resíduos da produção pecuária de forma sanitariamente segura, alternativas às práticas até então adotadas.

De acordo com a Instrução Normativa, para destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária para unidade de recebimento, de transformação ou de eliminação, o estabelecimento rural deve possuir cadastro atualizado junto ao Serviço Veterinário Oficial e dispor de um local exclusivo para o recolhimento, que deverá estar fora das áreas utilizadas para o manejo da exploração pecuária e afastado das demais instalações do estabelecimento rural.

Os veículos utilizados para o transporte de animais mortos e resíduos da produção pecuária devem ser de uso exclusivo para esta finalidade. Também devem ser vedados e identificados. É obrigatório o porte de Documento de Trânsito de Animais de Produção Mortos (DTAM) durante todo o percurso para o transporte de animais mortos e resíduos da produção pecuária.

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Equador abre mercado para importação de bovinos vivos do Brasil

O Equador autorizou, na última quarta-feira (11), a importação de bovinos vivos do Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), as autoridades equatorianas aceitaram o Certificado Zoosanitário Internacional proposto pelos brasileiros. A negociação começou em 2014, segundo a pasta.

Em 2018, o Brasil exportou US$ 535 milhões em bovinos vivos, para todos os continentes, além de US$ 6,5 bilhões em carne bovina.

Conforme o Mapa, a exportação de animais vivos diversifica a pauta exportadora brasileira e oferece uma alternativa para os produtores rurais de todo o país.

“O avanço do Brasil no mercado de bovinos vivos é um testemunho do alto padrão genético e da qualidade dos animais brasileiros e um reconhecimento da confiança internacional na defesa agropecuária brasileira”, afirmou o Ministério em nota.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

Leia mais depoimentos e veja fotos no Boletim Informativo.

Avicultores trabalham no vermelho, apontam dados do Sistema FAEP/SENAR-PR

Os avicultores do Paraná estão com as contas no vermelho. É o que aponta o levantamento dos custos de produção da avicultura, realizado pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, entre os meses de maio e agosto, nas quatro principais regiões produtoras do Estado: Campos Gerais, Norte, Oeste e Sudoeste. O prejuízo é constatado em quase todos os locais, tanto no tipo pesado quanto no griller, quando considerados na conta os custos variáveis, operacionais e a remuneração sobre o capital.

As informações foram coletadas em três etapas, ao longo dos últimos três meses. A primeira foi o preenchimento de planilhas pelos produtores, com base em suas respectivas realidades. Em seguida, uma série de encontros reuniu avicultores e representantes de indústrias e empresas relacionadas à cadeia produtiva. Nessa etapa foram feitos ajustes e confirmações de dados. Por último, ocorreu a compilação dos números para apresentação do resultado final.

Para o presidente da Comissão Técnica (CT) de Avicultura da FAEP, Carlos Bonfim, o levantamento é fundamental para o produtor ter a real noção de quanto está desembolsando para manter a atividade em funcionamento e como pode melhorar a gestão. “Este levantamento já é feito há alguns anos e sempre fomos muito bem recebidos pelos produtores, porque conseguimos realmente levantar o nosso custo, apontar no que se está gastando mais dinheiro, em que item o custo está mais alto e uma série de outras informações importantes para a melhor tomada de decisões”, explica.

O mestre em economia rural Ademir Francisco Girotto, responsável pela metodologia utilizada no levantamento dos custos de produção, faz um balanço positivo do levantamento de custos e reconhece o empenho dos produtores, empresas e demais profissionais envolvidos. “É importante que haja uma instituição com o respeito do Sistema FAEP/SENAR-PR para tocar um trabalho como esse, sério e confiável. Porque a indústria tem todos os seus parâmetros e nossos dados têm que ter credibilidade. Nesse sentido, o retorno foi positivo, conseguimos entregar resultados sólidos”, avalia Girotto.

Em relação aos resultados, o especialista alerta que é preciso que os avicultores tenham em mente que quanto mais dados os produtores gerarem no seu dia a dia, com base em suas respectivas realidades, mais otimizada será a sua gestão e os números para negociar com a indústria. “Vimos que praticamente todos os aviários estão trabalhando com prejuízo considerando o longo prazo. Mesmo naqueles em que os custos operacionais são cobertos, isso permite pensar apenas na viabilidade a médio prazo, pois em uma análise com um prazo maior o capital está sendo corroído”, alerta.

Efeito prático

O levantamento dos custos de produção já trouxe um efeito prático para o dia a dia dos produtores da região dos Campos Gerais, onde Bonfim atua também como produtor. “Para você ter uma ideia de como esses dados são respaldados, levamos os números para a reunião da Cadec. Falamos com representantes da indústria, que oficializou, no dia 12 de agosto, um aumento de 6%, porque nosso repasse estava muito abaixo. Isso com base nesse levantamento agora”, compartilha a liderança rural.

A estratégia utilizada foi confrontar os pagamentos praticados em diferentes regiões. “Com base nos números, nós questionamos o porquê de no Sudoeste ser praticado um preço e para nós ter R$ 0,15 de diferença no valor pago por cabeça, pois o custo de produção aqui ou lá é praticamente o mesmo”, detalha. “Nunca na história tivemos um aumento de 6%. E isso só conseguimos porque pudemos mostrar, ao longo dos anos, com o levantamento dos custos, o quanto nossas unidades recebem menos que as outras regiões. Os números permitem um parâmetro de como está nossa região perante as outras”, reflete.

Além do reajuste imediato, também houve um compromisso da empresa de mais uma melhora dos valores pagos aos produtores, caso algumas metas sejam cumpridas até o começo de 2020. “A promessa da agroindústria é, em fevereiro, caso os resultados sejam positivos, uma equiparação com a região Sudoeste, valor mais alto para o frango griller no Paraná. Só com números com esse nível de detalhamento e seriedade é que podemos questionar”, reafirma.

O que são as Cadecs?

As Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs) são espaços para negociações equilibradas com representantes dos produtores e das agroindústrias integradoras. Cada Cadec precisa ter em sua composição dez membros titulares e dez suplentes, sendo metade pelo lado dos pecuaristas e a outra parte da empresa. Com o trabalho conjunto de produtores e agroindústrias, esses espaços de diálogo já se tornaram referência no Paraná e modelo para todo o Brasil. Atualmente, das 32 plantas industriais existentes no Estado, 21 possuem Cadecs formadas.

Produtores relatam dificuldades

Ilseu Peretti, avicultor em Chopinzinho, no Sudoeste do Paraná, tem quatro aviários, com 2,4 mil m² cada e capacidade para alojar 190 mil frangos griller no total. O produtor revela que a região como um todo sente dificuldades na avicultura. “Não nos agrada o que estamos recebendo. Se levarmos em consideração o capital e a depreciação, nós estamos trabalhando com prejuízo. Mas a gente sempre foi paciente, sabendo que a indústria também está no vermelho com todas essas crises dos últimos três anos. Mas nossa ideia agora é tentar negociar, já que existe um cenário de expectativas mais positivas”, revela.

Peretti enfatiza que a planilha de custos, nesse sentido, é uma ferramenta de suma importância. “Mostra a verdadeira situação. Com essa ferramenta, conseguimos discutir com a empresa a realidade, não só a minha como a de todos. E aqui na nossa região, não é generalizado, mas já teve casos de produtores pedindo ajuda para negociar dívida porque não estão conseguindo honrar seus compromissos”, situa.

Também produtor de frango griller, Guilherme Jonker Junior aloja 360 mil aves no município de Castro, nos Campos Gerais. Na sua percepção, muitas vezes os produtores pensam não estar no prejuízo por não controlar de forma efetiva seus gastos. “Um exemplo é que o produtor trabalha no próprio aviário e por isso, muitas vezes, não considera que tem direito a um pró-labore ou o filho a um salário. O mesmo acontece com a lenha retirada da própria propriedade por aqueles que possuem plantações de eucalipto. É preciso considerar o valor de mercado, afinal está produzindo o insumo”, cita.

José Carlos Spoladore, produtor de frango pesado em Cianorte, no Norte do Paraná, tem quatro aviários que alojam no total 120 mil aves. “Não vivemos momentos de glória. Essas informações são uma maneira de sabermos como estamos trabalhando e, assim, negociar com a integradora”.

Vilão dos custos variáveis

A mão de obra aparece como o principal “vilão” dos custos variáveis dos produtores de aves no Paraná. No município de Londrina, por exemplo, na produção de frangos pesados em galpões de 160×16 metros, o gasto com funcionários representa 27,44%. No caso dos frangos griller, em Cambará, num aviário de 150×16 metros, os gastos com salários e encargos trabalhistas totalizam 32,56%. Os números confirmam a percepção dos produtores em relação a esse assunto. “Hoje, o principal problema é a legislação trabalhista. No geral, questões de horário, folga, insalubridade são o que mais onera e o que mais preocupa o avicultor”, destaca Carlos Bonfim, presidente da CT de avicultura.

Argumentos para a negociação

Por Mariana Assolari, Médica veterinária DETEC – Sistema FAEP/SENAR-PR

A retomada dos levantamentos de custos na avicultura de corte foi um passo importante na construção de um banco de dados que subsidiará a gestão das propriedades, elaboração de políticas públicas e negociações que acontecem nas Comissões de Acompanhamento e Desenvolvimento da Integração (Cadecs). Não há possibilidade de discutir custos e remuneração sem dados consistentes e que representem a realidade local.

Foi possível verificar através desse trabalho que os coeficientes mudam nas diferentes regiões do Estado. Tempo de alojamento (número de dias que os frangos permanecem nas granjas até a apanha), intervalo entre lotes e, consequentemente, número de lotes ao ano, são fatores que interferem nos resultados, além da densidade no alojamento e remuneração praticada.

Outro fator observado foi o impacto de problemas sanitários nos resultados da avicultura. Nas regiões onde a positividade para salmonela é mais elevada, chegando a 30% em algumas localidades, os intervalos entre lotes acabam se estendendo e a densidade no alojamento reduzida para diminuir a pressão de infecção.

Além disso, o levantamento sistemático dos custos operacionais efetivos dará sustentação técnica necessária para a elaboração das novas etapas de treinamento em avicultura de corte, bem como a construção de um treinamento em custos de produção.

O trabalho terá continuidade por parte do Sistema FAEP/SENAR-PR, pois o fornecimento das informações subsidia tecnicamente, sempre que necessário, os avicultores, sindicatos rurais e demais entidades ligadas a atividade. Afinal, a avicultura é uma cadeia produtiva de grande relevância social e econômica para o Estado.

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Genética tem papel determinante no aprimoramento do rebanho

Reconhecer as exigências de mercado e reavaliar os sistemas de produção da pecuária são condutas fundamentais para alcançar resultados cada vez melhores. A modernização do setor veio para aprimorar técnicas e explorar o potencial produtivo que as bovinoculturas de corte e leite têm no Brasil e, em especial, no Paraná. A partir desta disciplina de planejamento que a pecuária paranaense se tornou uma das mais significativas do país, principalmente no quesito qualidade.

Atualmente, o melhoramento genético figura como uma estratégia indispensável para tornar o rebanho mais eficiente em larga escala. O investimento nesta tecnologia permite otimizar a cadeia produtiva, conseguindo resultados com bases sustentáveis e garantia de bem-estar animal. Com a diversidade de raças, é possível aproveitar seus atributos por meio da seleção e/ou do cruzamento genético, melhorando características específicas dos animais, como rusticidade, desempenho, adaptação ao clima, resistência aos parasitas, taxas de crescimento, habilidade materna, eficiência reprodutiva, entre outros.

A inseminação artificial foi a primeira biotecnologia reprodutiva empregada no Brasil para realizar o melhoramento genético do rebanho e, desde então, vem trazendo avanços consideráveis. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), 11,7% das matrizes de corte e 6,2% das matrizes de leite foram inseminadas artificialmente em 2017.

Apesar dos baixos números se comparado com países como Estados Unidos e França, cujos índices de inseminação artificial atingem quase a totalidade dos rebanhos, a pecuária brasileira se destaca de maneira surpreendente. O país é dono do maior rebanho bovino comercial do mundo, ocupando o quarto lugar no ranking de produção de leite e o segundo em carne bovina. Os resultados obtidos em meio a esse cenário apontam que aprimorar a genética do rebanho é um caminho com promessas de sucesso.

O Paraná é prova de que a inseminação artificial faz diferença. O rebanho estadual possui o maior percentual de matrizes de corte inseminadas artificialmente, com 21,7%, e segundo maior em matrizes de leite, com 12,8%. O melhoramento genético, aliado a novas técnicas de manejo e nutrição, fez com que a produtividade do Estado na pecuária de leite, em um período de duas décadas, saltasse 111% (produção anual de litros por vaca) e 170% na pecuária de corte (produção de arroba por hectare).

Pecuária de corte: determinar objetivos antes de buscar os resultados

A pecuarista Maria Lucia Cunha Nascimento, de Ipiranga, na região Sudeste, investe em melhoramento genético há mais de 30 anos, utilizando técnicas de inseminação artificial e transferência de embriões para a venda de reprodutores. Criadora das raças Brahman e Charolês, seu plantel se destaca por excelentes características voltadas para a pecuária de corte e aprimoradas pela seleção genética. “As duas raças possuem ótima conversão alimentar e transmitem a seus filhos mais ganho de peso, consequentemente muito mais carne. Ambas são espetaculares no cruzamento entre si e com outras raças, já comprovadamente em campo e em confinamento”, explica Maria Lucia.

Em sua propriedade, a Fazenda Olho D’Água, são 60 hectares destinados à criação de 80 animais reprodutores, em que a cabeça é vendida por R$ 8 mil. Todos os animais passam por uma avaliação genômica e são catalogados em um ranking de acordo com diversos critérios, que pode ser acompanhado em um software. Isso permite o encurtamento de prazos, pois determina o que pode ser esperado dos filhos de um determinado reprodutor, as chamadas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs).

“Com uma genética especializada, você tem um número menor de bovinos, que fazem o mesmo que um rebanho maior sem melhoramento. Isso aumenta a capacidade de criação, rentabilidade e competitividade”, observa a pecuarista. “Um touro reprodutor bom cria qualidade, pois cerca de 60% dos resultados são influenciados pela genética do reprodutor. O pecuarista de corte que quiser ter mais rendimento de gado de ótima qualidade tem que investir em ótimos reprodutores”, complementa.

No entanto, para que o melhoramento genético seja eficaz, uma série de elementos é levada em consideração nessa conta, como clima, nutrição, manejo e adaptação da raça ao meio, por exemplo. Isso significa que a genética é um importante aliado do aumento da produtividade, mas que requer uma conjuntura dos fatores para resultar em uma pecuária moderna e eficiente.

Segundo o responsável pelo Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) do Escritório Técnico Regional (ETR) de Londrina, Endre Flaiban, é fundamental determinar os objetivos antes de buscar os resultados. “O produtor precisa entender sua situação atual e saber o que quer atingir. Quais as características dos animais, do ambiente em que estão inseridos e as condições”, elenca.

Na pecuária de corte, além de características como ganho de peso e espessura de gordura, que influenciam na qualidade da carne, a precocidade e a longevidade produtiva se destacam ao garantir a melhoria em desempenho de todo o rebanho.

Ainda, o responsável pelo PMGZ esclarece que não são todos os produtores que precisam investir diretamente nessa tecnologia, caso não haja recurso e domínio necessários. “Existem muitos pecuaristas que são fornecedores de genética de ponta e ofertam animais excelentes. Então, se o produtor desejar, pode investir nesses animais, que já têm toda a tecnologia e vão trazer bons resultados”, assinala.

De acordo com Guilherme Souza Dias, zootecnista do Sistema FAEP/SENAR-PR, na pecuária de cria, o principal desafio é que a matriz produza um bezerro por ano. “A idade ao primeiro parto também é determinante, pois quanto antes a novilha se tornar matriz, mais cedo o pecuarista terá produto para a comercialização”, ressalta Dias.

A precocidade aumenta a eficiência reprodutiva e ainda traz, como consequência, outras características de valor econômico significativo, como a longevidade, mais conhecida como stayability, que é a capacidade do animal se manter no rebanho.

O Programa Pecuária Moderna, iniciativa do Sistema FAEP/SENAR-PR em conjunto com o governo do Estado e outras entidades do setor, mantém parceria com um laboratório de biotecnologia. O objetivo é fornecer genética de qualidade aos pecuaristas associados e alavancar o melhoramento do rebanho paranaense.

Pecuária de leite: animal saudável com boa produção e longevidade

No município de Chopinzinho, no Sudoeste paranaense, o produtor Rafael Vilmar Matte Carlin faz o melhoramento genético do rebanho há cerca de 25 anos, utilizando técnicas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com sêmen sexado (permite a escolha do sexo da cria antes do processo) e acasalamento direcionado para aumentar a produção de animais geneticamente superiores.

Para o pecuarista, que ocupa o cargo de gerente da Fazenda Armin e é responsável pela criação de gado de leite na propriedade, a prioridade é um animal saudável com boa produção e longevidade. “Meu objetivo é imprimir características de saúde e reprodução que, por consequência, aumentam a chance de a vaca ser uma boa produtora de leite com uma quantidade significativa e por mais tempo”, explica. O pecuarista também investe na seleção de vacas que produzam leite com maior quantidade de elementos sólidos, principalmente proteína e gordura, pois o mercado para o qual vende paga mais por esse produto.

Com a evolução da tecnologia, Carlin buscou a implantação de outras técnicas no rebanho. Há cerca de 10 anos, é realizada a transferência de embriões e, há três, o mapa genético dos animais por meio da avaliação genômica. No entanto, devido ao alto custo de investimento, a transferência de embriões acontece em apenas 15% dos melhores animais, cujo ranking é definido pela avaliação genômica.

“É uma tecnologia de alto custo, com resultados de médio a longo prazos. Isso precisa estar bem claro para o produtor. Então, no caso da genômica, por exemplo, eu consigo saber quais são os índices dos animais lá no início, mas os resultados aparecem só agora”, aponta o pecuarista, que também reforça a importância de o produtor de leite investir em melhoramento genético. “O mercado passou por muitas mudanças e competimos com o mundo inteiro por eficiência. Como eu faço isso? Tenho que melhorar os meus animais. Tenho que fazer a transformação de comida em leite ser mais eficiente. Mas também preciso dar boas condições de manejo, saúde, reprodução e ambiente para que essa vaca responda e eu consiga otimizar o meu custo”, complementa.

O plantel da Fazenda Armin é formado por 160 animais da raça holandesa. Atualmente, 70 vacas estão em lactação, com produção em torno de 2,1 mil litros de leite por dia. Em média, cada vaca produz 13 mil litros de leite por lactação e chegam a atingir quatro lactações. Em 2018, o leite produzido pelo rebanho foi avaliado com dados de 4,14% de gordura e 3,43% de proteína. “São números expressivos para a raça holandesa, que não tem um perfil para alta produção de sólidos”, ressalta o pecuarista.

Para atingir esse perfil de produção e qualidade, o melhoramento genético caminha lado a lado com boas práticas de manejo e nutrição. Na fazenda, são realizadas apenas duas ordenhas diárias para facilitar a mão de obra e causar menos deslocamento do rebanho. A dieta é leve, com baixa quantidade de grãos para diminuir os riscos de problemas metabólicos.

A Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) realiza serviços de melhoramento genético aos associados, com registros de animais e avaliações genética clássica e genômica. Segundo o superintendente Altair Antonio Valloto, existem rebanhos que, em média, entre os animais superiores, uma vaca produz 10 mil litros em uma lactação que dura 305 dias, enquanto as geneticamente inferiores produzem 6 mil litros. “É uma diferença de até 40%, muito significativo. É um efeito direto no bolso do produtor”, afirma.

Essas avaliações auxiliam o pecuarista a definir suas estratégias de melhoramento genético com base em seus objetivos. “Ele pode seguir vários caminhos, de acordo com seus critérios de preferência. Pode selecionar os animais e fazer transferência de embriões, pode buscar touros superiores para inseminar vacas inferiores por meio de acasalamento direcionado, ou até mesmo cruzá-las com raças especializadas de corte”, explica o superintendente da APCBRH, que também é instrutor do SENAR-PR no curso de inseminação artificial.

Valloto reforça que melhorar geneticamente um rebanho vai muito além do desempenho produtivo. Todas as condições dos animais precisam ser analisadas. “Essas informações são passadas para o produtor nos cursos do SENAR-PR e nas assistências técnicas disponibilizadas na Associação. Também oferecemos suporte aos produtores que fizeram os cursos e podem fazer o programa completo de melhoramento genético”, conclui.

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Brasil tem aumento no abate de bovinos, suínos e frangos, aponta IBGE

O resultado do segundo trimestre de 2019 para a pecuária mostra que o abate de bovinos no país aumentou 4,1%, o de suínos 5,1% e o de frangos 3,6%, na comparação com o mesmo período de 2018. Os dados foram divulgados hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao primeiro trimestre de 2019, o abate de bovinos cresceu 2,4%, o de suínos subiu 0,7% e o de frangos caiu 1,5%.

No período analisado, foram abatidas 8,08 milhões de cabeças de bovinos, com uma produção total de 2,01 milhões de toneladas de carcaças, uma alta de 3,6% em relação ao primeiro trimestre e de 5,5% em comparação com o segundo trimestre de 2018.

O de suínos chegou a 11,39 milhões de cabeças, chegando ao peso acumulado das carcaças de 1,02 milhão toneladas, uma alta de 2,5% em relação ao trimestre anterior e de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o abate de frangos alcançou 1,43 bilhão de cabeças, com peso acumulado de 3,35 milhões de toneladas. Na comparação trimestral, o número representou queda de 1,0% e na comparação anual o acréscimo foi de 0,4%.

A produção de leite cru foi 5,86 bilhões de litros, um aumento de 7,1% em relação ao ano anterior e redução de 5,4% na comparação trimestral.

A aquisição de couro cru bovino foi de 8,39 milhões de peças inteiras no segundo trimestre de 2019, uma queda de 1,1% em relação ao trimestre anterior e aumento de 1% ao registrado no segundo trimestre de 2018.

A produção de ovos de galinha alcançou 930,93 milhões de dúzias, um crescimento de 2% na comparação trimestral e de 5,8% na anual.