Morre aos 80 anos Edgardo Andrada. Ex-goleiro ficou famoso por sofrer o milésimo gol de Pelé

Morreu, na última quarta-feira (4), na Argentina, o ex-goleiro Edgardo Andrada, 80. Não foi divulgada a causa da morte do ex-jogador, que defendeu Vasco e Vitória em sua passagem pelo futebol brasileiro. Ele ficou marcado por sofrer o milésimo gol de Pelé, em cobrança de pênalti, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969.

Ficou na história a imagem do argentino socando o gramado do estádio carioca enquanto o craque celebrava o gol histórico. O guarda-metas vascaíno acertou o canto da batida do camisa 10 do Santos, mas não evitou que a rede fosse balançada nem que o campo fosse invadido na festa do rei do futebol.

Aquele era o primeiro ano de Andrada no Vasco, clube que ele defenderia até 1975, participando das campanhas vitoriosas no Campeonato Carioca de 1970 e no Campeonato Brasileiro de 1974. Ele ainda vestiu a camisa do Vitória, em 1976, antes de voltar a seu país e encerrar a carreira no Colón.

Sua trajetória foi iniciada no Rosario Central, onde ganhou o apelido El Gato e se tornou ídolo. Com 284 partidas em dez anos, ele é o atleta da posição que mais vezes jogou pelo time. Nascido em Rosário, o jogador também atuou pela seleção argentina na Copa América de 1963 -a equipe ficou na terceira colocação.

Após deixar o futebol, em 1982, Andrada contribuiu com o PCI (Pessoal Civil de Inteligência), órgão que participava da espionagem e da repressão na ditadura militar da Argentina. Foi acusado de ter participado da execução de dois militantes políticos. Ele negou e foi absolvido em julgamento no país.

Único estádio a homenagear Pelé pode virar Rainha Marta

O único estádio utilizado para futebol profissional no Brasil com homenagem a Pelé pode mudar de nome. Está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Alagoas um projeto que retira a homenagem ao ex-jogador da seleção brasileira no maior estádio de Maceió. A ideia do deputado estadual Antonio Albuquerque (PTB) é que o Rei Pelé seja rebatizado como Rainha Marta, em homenagem à jogadora da seleção brasileira nascida no estado.

Dirigentes do futebol local não são entusiastas da ideia e o governador Renan Filho (MDB) não se manifestou. Alguns deles afirmaram à reportagem que Pelé é contrário à mudança e não ficou contente com a ideia. Porém, consultado pela reportagem, o ex-jogador disse apoiar a mudança de nome

“A Marta é o Pelé de saias. Acho muito justa a homenagem. É uma pena que não poderei fazer uma tabelinha com ela na reinauguração”, brincou ele, em declaração enviada por meio de sua assessoria.

Marta nasceu em Dois Riachos, cidade a 191 km da capital, onde ainda mora sua família. Ela esteve no estádio na estreia do CSA no Campeonato Brasileiro no último dia 1º, contra o Palmeiras. Antes da partida, a jogadora da seleção deu uma volta ao redor do gramado e posou para fotos com torcedores.

No ano passado, ela já havia comparecido em partidas da equipe na Série B. Uma delas em Caxias do Sul, contra o Juventude, sacramentou o acesso do time para a elite do país. Ela já disse em entrevistas que quando está fora do país procura também pela internet por transmissões do CSA.

“A escolha de Pelé para o nome do estádio foi por causa do êxtase no país após a conquista da Copa de 1970. Mas não havia nenhum laço entre o homenageado e o estado. São fatos que devem ser analisados”, afirma Antonio Albuquerque, autor do projeto.

O estádio foi inaugurado quatro meses após a conquista da seleção brasileira do Mundial no México, em outubro de 1970. Mas a construção havia sido iniciada dois anos antes. Pelé participou da primeira partida no campo, entre o Santos e um combinado de atletas de times alagoanos.

Em 2010, ele também fez parte da reinauguração do estádio após reforma. Marta nunca atuou profissionalmente no local que pode levar seu nome. Ela também nunca defendeu uma equipe do estado natal. Seu primeiro time foi o Vasco, no Rio.

Não é a primeira vez que existe a tentativa de rebatizar o local para Rainha Marta, eleita pela Fifa seis vezes a melhor jogadora do planeta. Em 2008 já havia sido apresentado projeto idêntico ao de Albuquerque. Foi feito na época pelo deputado Temóteo Correa (DEM) e aprovado na Assembleia Legislativa por 15 votos a 6. Mas o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) vetou, sob a alegação que seria uma descortesia com Pelé alterar o nome do estádio.

“Vejo como algo deselegante com o maior atleta da história”, disse Vilela Filho.

Se desta vez a mudança emplacar, Marta será a primeira jogadora de futebol do país homenageada com um nome de estádio. “Tem um longo caminho para isso [o projeto de lei] percorrer, mas não acredito que vai dar certo [a mudança de nome]. É uma história antiga isso e o pessoal fala muito”, descarta Rafael Tenório, presidente do CSA, que manda seus jogos do Campeonato Brasileiro no campo e é suplente do senador Renan Calheiros (MDB-AL), pai do governador Renan Filho.

O estádio da capital alagoana é o único utilizado profissionalmente no país a homenagear Pelé. Parte disso é por causa de uma lei ignorada pelo governo do estado ao manter o nome do local e que pode ser lembrada em caso de alteração para Rainha Marta. A lei federal 6.454, promulgada em 1977, proíbe a utilização de nomes de pessoas vivas para batizar qualquer bem público. Na época, o estádio alagoano já existia como Rei de Pelé e vai continuar assim, a não ser que o governo estadual decida mesmo por homenagear Marta.

Pelé está bem após cirurgia para retirar cálculo renal, diz hospital

Após ser liberado na noite desta sexta-feira (12) para uma cirurgia de retirada de cálculo renal, Pelé passou pelo procedimento na manhã deste sábado (13) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O boletim médico afirma que Pelé está bem do ponto de vista clínico e que “o procedimento foi bem-sucedido e o paciente já se encontra no seu quarto”. Não foi informada uma previsão de alta.

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Aos 78 anos, o ex-jogador foi internado assim que retornou ao Brasil após uma viagem à Europa.

Um dia depois de receber alta do Hospital Americano de Paris, Pelé desembarcou na manhã de terça-feira (9) em São Paulo em uma cadeira de rodas e agradeceu o apoio recebido durante a recuperação de uma infecção urinária na capital francesa. Em seguida, foi internado no Hospital Albert Einstein, para dar sequência ao tratamento.

Na França, Pelé havia sido internado na última quarta-feira (3) após sentir febre durante um encontro com o jogador do Paris Saint-Germain Mbappé.

Aos 78 anos, ele já tinha passado pelo problema anteriormente e tem o fator de risco de ser paciente de rim único, o que inspirou cuidados da equipe médica. Pelé teve um dos rins retirado ainda na década de 1970, após uma joelhada quando era jogador do Cosmos, nos Estados Unidos.

Na capital francesa, ele reagiu bem ao tratamento com antibióticos e teve a situação controlada, o que permitiu sua volta ao Brasil.

A saúde de Pelé tem sido motivo de preocupação nos últimos anos. Além das duas infecções urinárias (2014 e 2019), ele fez operações na coluna (2015) e no quadril (2012 e 2016), o que atrapalha sua mobilidade.

Pelé é internado novamente logo após retorno ao Brasil

No mesmo dia em que retornou ao Brasil, Pelé foi internado mais uma vez. O ex-jogador deu entrada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, nesta terça-feira (9), pouco tempo depois de ter desembarcado no aeroporto de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

No boletim médico assinado pelos médicos Fabio Nasri e Gustavo Caserta Lemos, o estado de saúde de Pelé é descrito como “bom”. Ele foi submetido a exames admissionais, segundo a nota.

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Pelé ficou cinco noites internado no Hospital Americano, em Paris (FRA), por causa de uma infecção urinária. O ex-jogador sentiu febre durante o encontro com Kylian Mbappé na última quarta-feira (3) e foi rapidamente levado ao hospital.

No momento em que recebeu alta do hospital francês, Pelé revelou ter sido submetido a um procedimento cirúrgico.

“Enquanto eu estava aqui em Paris, eu sofri uma severa infecção urinária que requisitou assistência médica e cirúrgica emergencialmente. Mas, graças ao grande carinho do time de médicos do American Hospital of Paris, eu estou pronto para viajar para casa”, disse, em nota.

Ao desembarcar no Brasil, Pelé agradeceu o apoio recebido durante a internação e disse que tudo correu bem.

“Quero aproveitar essa oportunidade para (agradecer) a todos os brasileiros, aquele que ligaram para o hospital, que ligaram e desejaram meu pronto restabelecimento, muita gente que fazia prece. Graças a Deus foi tudo bem, estou aqui e viva nosso Brasil.”

A saúde de Pelé tem sido motivo de preocupação nos últimos anos. Além das duas infecções urinárias (2014 e 2019), ele fez operações na coluna (2015) e no quadril (2012 e 2016), o que atrapalha sua mobilidade.

Pelé reage bem a medicamentos, mas segue internado e cancela viagem aos EUA

Internado na quarta-feira (3) na França para tratar de uma infecção urinária, o ex-jogador Pelé passou a noite bem e “está reagindo muito bem” aos medicamentos, informou na manhã desta quinta (4) o porta-voz do Hospital Americano, localizado nos arredores de Paris. O “Rei do Futebol”, no entanto, não irá mais aos Estados Unidos, onde receberia uma homenagem no domingo.

Apesar de a situação ser considerada “tranquila e controlada”, Pelé ainda não tem previsão de alta. O porta-voz apenas informou que ele seguirá em observação, sem confirmar se permanece a expectativa de “um ou dois dias internado”, passada pela assessoria do atleta na quarta-feira.

Pelé, 78 anos, deu entrada no hospital durante a manhã de quarta apresentando um quadro de febre. A assessoria de imprensa do atleta confirmou mais tarde que ele foi diagnosticado com infecção urinária e foi medicado com antibióticos.

Pelé viajou a Paris para encontrar com Kylian Mbappé, do PSG. A reunião com Mbappé estava marcada para o ano passado, mas teve que ser adiada também por problemas com a saúde de Pelé.
A programação de Pelé previa ainda nesta semana uma viagem a Boston, nos Estados Unidos, onde ele seria homenageado em um painel organizado pela Universidade de Harvard, que contará com as presenças também do técnico da seleção brasileira, Tite, e da jornalista Glenda Kozlowski. A assessoria de imprensa do atleta confirmou que ele não poderá comparecer ao evento por causa do contratempo.

A saúde de Pelé tem sido motivo de preocupação nos últimos anos. Em 2014, ele foi internado com infecção urinária. Já em 2016, ele não conseguiu ir à cerimônia de abertura das Olimpíadas por falta de condições físicas. Em 2017, o ídolo do futebol mundial foi ao sorteio da Copa do Mundo em uma cadeira de rodas.

Pelé passa mal e cancela evento em Curitiba

O rei Pelé teve que cancelar um evento no começo da tarde de desta quinta-feira (14), após ter um mal-estar e precisar de repouso. Ele está em Curitiba desde quarta (13) para cumprir uma série de compromissos. Pelé sofre com dores no quadril. Mesmo com a indisposição, o ex-jogador não precisou ir ao hospital e, segundo a assessoria de imprensa, Pelé afirma que já “está pronto para entrar em campo novamente”.

Quarta (13), ele participou do lançamento do Programa Esportivo Lúdico Educacional, do Governo do Estado e evitou aparecer para o público de cadeira de rodas. O rei do futebol fica em Curitiba até hoje (15). Os detalhes dos eventos não foram divulgados.

Pelé participa de campanha de incentivo ao esporte no Paraná

Muitos fãs com camisas da seleção brasileira nas mãos, livros e cadernos, dispostos a conseguir um autógrafo aguardavam ansiosos a chegada de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

Pelé chegou à cerimônia com duas horas e meia de atraso e cercado por seguranças. Quem esperava por um autógrafo, acabou tendo que se contentar com um foto a distância.  Atletas estudantes do Colégio Estadual do Paraná fizeram fila para ver o ídolo. Entre as alunas, estavam Maria Eduarda Prado, de 15 anos e Maísa Vaz, de 16 anos, que vieram acompanhadas pelas coordenadoras da turma.  Mesmo tendo que ficar na ponta do pé para conseguir registrar o momento, Maísa comemorou. “Já valeu a pena. Ver um ídolo do esporte como ele, pra gente que também é atleta, é um incentivo”. Ela e a amiga jogam volei. Maria Eduarda também ficou feliz. “Ele é o Pelé, o maior jogador de todos os tempos”.

Maísa e Maria Eduarda jogam volei

O ex-jogador participou nesta quarta-feira (13) do lançamento do Programa Estadual de Fomento e Incentivo ao Esporte – Proesporte- que prevê o repasse financeiro por meio de doações que podem ser abatidas no imposto de renda.  A campanha Imposto Amigo tem amparo na Lei Federal nº11.438/06 de Incentivo ao Esporte, que permite a doação de até 6% do imposto de renda devido para pessoas físicas e 1% para pessoas jurídicas.  A destinação da pessoa física é realizada até dezembro e a de pessoa jurídica a cada apuração, geralmente a cada trimestre.   O valor destinado pode ser abatido do valor devido ou somado à restituição.

O governador Carlos Massa Ratinho Júnior falou sobre a expectativa de arrecadar R$ 8 milhões de reais com o programa.  Segundo ele, a educação será uma forte aliada para melhorar a vida das pessoas, a exemplo do que aconteceu na vida de Pelé.  “O objetivo é incentivar o contraturno escolar, fazer com que os nossos jovens possam praticar esporte e ter uma vida saudável, longe das drogas, que estejam próximos da escola e de práticas que fazem bem para sua vida”, disse.

A metodologia utilizada será a mesma do Programa Esportivo Lúdico Educacional – P.E.L.E – criado pelo atleta e já colocado em prática em vários estados brasileiros.  Antes de falar sobre o início desse trabalho voltado às crianças e adolescentes, Pelé fez um agradecimento. “Eu quero agradecer a todas as mensagens de solidariedade que recebi pra que eu me recuperasse. Como todos sabem eu fiz duas cirurgias no fêmur e estou em recuperação. Se Deus quiser em uma ou duas semanas eu tô no campo”, brincou ele.

Sobre a ideia de criar um programa esportivo, Pelé contou que tudo nasceu depois de um treino do Santos, na Vila Belmiro. “Parece brincadeira, mas começou assim…nós estávamos no Santos e na saída de um treino na Vila Belmiro, tinha uns carros parados na rua do outro lado.  Eu saí mais cedo e passei ali pelo estacionamento. Quando olhei, tinha uns garotos tentando roubar os carros. O meu estava lá e eu gritei: O que é isso rapaz? Um deles saiu correndo e o outro falou pra mim: Nós só estamos roubando do pessoal do São Paulo! Nós não estamos roubando carro do pessoal do Santos”. Pelé diz que apesar de ter sido “poupado” respondeu ao garoto que ele estava errado.  Naquele dia, decidiu que faria algo para mudar aquela realidade.

“Por coincidência estava tudo organizado naquela semana para  jogo no Maracanã, quando eu fiz o milésimo gol.  A primeira coisa que me veio na cabeça foi aquela garotada roubando. Por isso que hoje temos o programa para proteger as crianças e tirá-las da marginalidade. É uma luta grande, mas vamos vencer se Deus quiser”, finalizou.

A íntegra da Lei de Incentivo ao Esporte e detalhes sobre as formas de doar e patrocinar um atleta podem ser encontradas no site do Ministério do Esporte. 

Um dia faremos tabelinha no céu, diz Pelé sobre Coutinho

Da mais famosa linha de ataque de clubes da história do futebol brasileiro (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe), Coutinho foi o primeiro morrer. Minutos após a confirmação da morte do ex-atacante, aos 75 anos, Pelé manifestou seu pesar pela notícia.

“É uma grande perda. A tabelinha Pelé-Coutinho fez o Brasil ficar mais conhecido no mundo todo. Tenho certeza que um dia faremos tabelinha no céu. Minhas condolências à família”, disse o jogador que fez com Coutinho uma dupla lendária.

Coutinho morreu nesta segunda (11) à noite, em sua casa, em Santos. A causa ainda não foi confirmada. O velório deverá acontecer na Vila Belmiro, mas o horário ainda será divulgado.

Coutinho sofria há alguns anos de problemas de saúde decorrentes da diabetes. Teve de amputar dedos dos pés por causa disso. Também começava a apresentar Alzheimer.

Apesar disso, ex-companheiros de Santos que estiveram com ele disseram que ele não havia mudado o temperamento.

“Tinha problemas de estômago e Alzheimer, mas sempre alegre. Sempre encontrava ele no bar tomando a cervejinha perto da Vila Belmiro. Batíamos papo. Onde estava Coutinho, estava a alegria. Um cara feliz”, disse Pepe.

Com 370 gols, Coutinho é o terceiro maior artilheiro da história do Santos, atrás de Pelé e Pepe.

Coutinho faleceu aos 75 anos de idade. Foto: Site oficial Santos.
Pelé e Coutinho juntos na década de 60. Foto: Site oficial Santos

Morre Gordon Banks, goleiro célebre por defesa do século em lance com Pelé

Morreu nesta terça-feira (12) aos 81 anos o inglês Gordon Banks, considerado um dos maiores goleiros da história. Campeão mundial em 1966, ele ficou famoso também pela defesa em cabeçada de Pelé na Copa de 1970.

No lance em questão, considerada a “defesa do século”, Gordon Banks parou uma cabeçada de Pelé no jogo disputado no dia 7 de junho de 1970, válido pela primeira fase daquele Mundial. O Brasil venceu o jogo por 1 a 0, gol de Jairzinho.

A causa da morte não foi divulgada. Desde dezembro de 2015 ele lutava contra um câncer renal.

Ninguém sabe onde foi parar camisa 1 que Pelé usou quando jogou no gol

Domingo, 19 de janeiro de 1964. O Santos vencia o Grêmio, no Pacaembu, pelo placar de 4 a 3, resultado que o colocava na final da Taça Brasil de 1963 -o torneio se estendeu até o ano seguinte.
Aos 41 minutos do segundo tempo, uma reclamação do goleiro Gylmar com o árbitro argentino Teodoro Nitti ocasionou a expulsão do arqueiro santista.

Quem passou a vestir a camisa 1 do Santos a partir daí foi Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que já havia marcado três gols na partida e, pela segunda vez na vida, se arriscava no gol para ajudar a equipe alvinegra. Foram quatro os jogos que Pelé atuou como goleiro do Santos na carreira. Nenhum tão importante como a semifinal da Taça Brasil.

A curiosidade de vê-lo na função rendeu até foto na capa da Folha de S.Paulo do dia seguinte, 20 de janeiro. “Gilmar foi expulso e o ‘rei’ foi para o gol garantir os que tinha feito. E não passou mais nenhum”, diz a legenda da imagem.

Com alguns minutos por jogar, o Grêmio tentou se aproveitar da superioridade numérica e arriscou a gol, forçando Pelé a fazer pelo menos uma boa defesa, como sugerem, de forma quase unânime, os jornais da época. Com isso, contribuiu para a classificação à decisão, contra o Bahia, na qual o clube paulista conquistaria seu quarto título nacional.

Um momento curioso e histórico na carreira daquele que ainda é considerado por muitos o maior jogador da história do futebol. O paradeiro da camisa 1 de Gylmar vestida por Pelé naquele 19 de janeiro, 55 anos depois, é um mistério.

O Memorial do Santos guarda uma camisa do goleiro santista, que defendeu o time de 1962 a 1969. Porém, os historiadores não sabem precisar se o item exposto na galeria de camisas históricas pertence àquele jogo diante do Grêmio.

Rogério Zilli, um dos responsáveis pelo Memorial, trabalhou diretamente com o acervo de Edson Arantes por mais de uma década. Entre as cerca de 2.500 peças que o Rei possui em sua coleção particular, Rogério diz que não há nenhuma camisa 1 do Santos.

O filho de Gylmar, Marcelo Neves, guarda algumas peças de jogo da carreira do pai. Ele diz ter uma camisa preta, número 1, que pertenceu ao goleiro, mas com as duas estrelas douradas que fazem referência ao bicampeonato mundial santista em 1962 e 1963, além de uma réplica fabricada posteriormente.

O Santos só passou a utilizar oficialmente as estrelas a partir de 1968, quando o uniforme de Gylmar já tinha a chamada gola careca. Na semifinal da Taça Brasil de 1964, Pelé veste uma camisa sem as estrelas e com gola polo. Igual à que está exposta no Memorial do Santos, cuja data de utilização ainda não pôde ser precisada pelos pesquisadores do clube.

“Embora eu não seja muito alto (1,73 m), sempre fui um bom goleiro por causa da impulsão. Tanto no Santos como na seleção, sempre fui o goleiro reserva. Joguei quatro vezes no gol para o clube e apenas uma vez, em amistoso, pelo Brasil. Mas frequentemente treinava com os goleiros das duas equipes”, diz o Rei no livro “Pelé – A autobiografia”, publicado em 2006.

TRÊS GOLS DO REI
Após ter vencido a partida de ida em Porto Alegre por 3 a 1, bastava ao Santos um empate para se classificar à decisão do torneio. Mas o Grêmio ameaçou tirar do clube paulista a vaga na final.
No Pacaembu, Pelé sofreu falta na entrada área que Pepe cobrou, com muita força, para abrir o placar, ainda aos 6 minutos de jogo. Cinco minutos depois, porém, o gremista Paulo Lumumba já havia marcado duas vezes para colocar o Grêmio na frente.

Marino, aos 15 min, fez 3 a 1, mas aí apareceu Pelé, que com três gols (aos 30 do primeiro, e aos 13 e 38 da etapa final) decretou a vitória santista, ajudando o time com pelo menos uma defesa de maior dificuldade. Os gols podem ser vistos em um vídeo de arquivo da TV Tupi disponível na Cinemateca Brasileira.

A “Gazeta Esportiva” foi, de certa forma, premonitória nas semanas que antecederam o jogo com o Grêmio. Na edição de 11 de janeiro, uma das manchetes de capa dizia: “Pelé: craque com os pés e com as mãos”. Mas o texto fazia referência a um exercício de basquete praticado pelos atletas santistas no treino, no qual Edson Arantes se destacou.

Na edição do dia seguinte ao jogo, de 20 de janeiro, a “Gazeta” escreveu que Pelé chegou a defender duas bolas, “uma delas com certo perigo. Só faltava essa para uma tarde de consagração do grande jogador.”

Ainda no jornal do dia 20, a publicação classificava a atuação do árbitro argentino Teodoro Nitti como “ótima”, em seção que era de responsabilidade do jornalista Orlando Duarte, o “Juiz do juiz”.
Gylmar tentava se defender da expulsão. “Não mereci, pois não ofendi o apitador. Nem mesmo reclamei. Apenas disse que o bandeirinha havia dado a bola para o Santos, admitindo que ele não houvesse percebido. Ele, então, me mandou para fora.”

No dia 21, a “Gazeta” publicou uma entrevista com o árbitro Nitti, que justificou o cartão vermelho dado ao camisa 1 santista. “Gilmar me ofendeu, tive que expulsá-lo”.  Teodoro Nitti, que curiosamente era árbitro da Federação Gaúcha de Futebol (então chamada de Federação Riograndense), levou a bola do jogo como recordação.

O “Estado de S. Paulo”, que não publicava edições às segundas-feiras, abordou o jogo entre Santos x Grêmio na edição de 21 de janeiro. Com uma foto de Pelé agarrando uma bola, o jornal trouxe a legenda “Pelé arqueiro: Depois da expulsão de Gilmar, Pelé improvisou-se em arqueiro. Nessa posição Pelé demonstrou virtudes técnicas ainda não conhecidas e teve oportunidades de praticar três defesas, uma das quais difícil.”

Jogos de Pelé como goleiro do Santos
4/11/1959 – Santos 4 x 2 Comercial FC
19/1/2961 – Santos 4 x 3 Grêmio
14/11/1969 – Santos 3 x 0 Botafogo
19/6/1973 – Santos 4 x 0 Baltimore Bays