explosão

“Cena de guerra”, diz delegado após visitar apartamento que sofreu explosão em Curitiba

O delegado da Delegacia de Explosivos Armas e Munições, Adriano Chohfi, definiu como “cena de guerra” o estado do apartamento que sofreu uma explosão no último sábado (29), em Curitiba. O acidente provocou a morte de um menino de 11 anos e deixou outras três vítimas no hospital – duas delas em estado grave.

“Foi uma explosão de proporções gigantescas, uma cena horrível. O elevador destruído, as portas de vidro do prédio, a parede arremessada em cima do carro… A distância que o menino que foi arremessado… É uma cena de guerra”, comentou Chohfi.

O delegado esteve no apartamento nesta segunda-feira (1) acompanhando a perícia responsável pelo caso e o pessoal da segurança do gás do apartamento. Foram verificadas as possibilidades de um vazamento ou algum de produto utilizado na impermeabilização de um sofá ter causado a explosão. Entretanto, não foi constatada nenhum indício.

Por fim, ainda há suspeita de uma mistura entre dois produtos químicos na origem da explosão.

EMPRESA

De acordo com Chohfi, a empresa Impseg – responsável pela impermeabilização do apartamento – pode ser responsabilizada pela tragédia. Além disso, a página da empresa no Facebook foi excluída desde a tragédia.

“Tudo vai depender da investigação. Se houve uma imprudência no manuseio do produto, se não tinha regularidade para aplicação, se a ventilação do apartamento era pequena e o impermeabilizador foi lá e aplicou correndo risco… A empresa pode ser penalizada sim. O caso é muito sério e muito grave”, ressaltou Chohfi.

A Polícia segue ouvindo testemunhas e aguardando a análise do material para identificar o produto que era utilizado na impermeabilização. Além disso, a perícia trata o caso como prioridade. “Queremos apresentar as causas da explosão o mais rápido possível”, finalizou o delegado.

INTERDIÇÃO

O edifício permanece interditado pela Prefeitura de Curitiba até que um laudo ateste a estabilidade do local. O documento deve ser providenciado pelo próprio condomínio. A seguradora do prédio deve enviar um engenheiro para o local. Entretanto, ainda não há previsão para que o serviço seja concluído.

Até lá, os moradores estão alojados em casas de familiares. A Guarda Municipal faz a segurança do edifício, e apenas moradores acompanhados de bombeiros podem entrar no local.

Perícia confirma autenticidade de mensagens em celular de Cunha

O Instituto Nacional de Criminalística concluiu a perícia no telefone celular do ex-deputado Eduardo Cunha e o laudo foi anexado no processo em que ele é réu na Justiça Federal do Paraná nessa quarta-feira (18). Segundo o laudo, todas as mensagens trocadas entre Cunha com deputados são autenticas. Nesse processo, Cunha é investigado por suposta participação em desvio de recursos na contratação de navios-sonda pela Petrobras. Atualmente, ele se encontra preso no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

> Fachin autoriza nova perícia em celular de Eduardo Cunha

No laudo, o perito confirma a autenticidade de diversas conversas de Cunha com parlamentares e empresários sobre favorecimentos, votações e encontros. Entre as conversas periciadas estão assuntos tratados com André Vargas, João Augusto Rezende Henriques, Fernando Baiano, Hugo Mota, Geddel Vieira Lima e outros nomes conhecidos pela Lava Jato.

“Todas as mensagens periciadas estavam armazenadas no aparelho celular objeto da perícia. As mensagens armazenadas no aplicativo BBM (BlackBerry Messenger) são aquelas nas quais constam o PIN e o nome do contato. As demais mensagens de texto estavam armazenadas no aplicativo de SMS. Nesses mensagens consta a informação do número de telefone de origem ou destino”, garante o laudo.

> Confira o laudo na íntegra

Celular apreendido

O pedido de verificação foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela defesa de Cunha no processo em que ele é investigado. A perícia foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em junho, com o objetivo de validar o Relatório de Análise de Material Apreendido 137/2016, da Polícia Federal, produzido na Operação Catilinárias.

Quando o processo foi remetido à primeira instância, somente o laudo foi encaminhando junto com os autos, motivo pelo qual a defesa de Cunha solicitou o envio das mídias com os arquivos extraídos e do aparelho para nova perícia. A perícia foi realizada com base em cópias dos arquivos do celular de Cunha, que segue armazenado no cofre da Coordenadoria de Processos Criminais do STF.

Fachin autoriza nova perícia em celular de Eduardo Cunha

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma nova perícia em um aparelho celular do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), dentro de um inquérito da Lava Jato que tramita na primeira instância.

Segundo a Polícia Federal (PF), constam no aparelho da marca Blackberry mensagens em que Cunha cita o presidente Michel Temer. O diálogo, segundo interpretação dos agentes da PF, trata do pagamento de propina pelo empresário Joesley Batista, do Grupo J&F.

A diligência foi solicitada ao STF pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que por sua vez autorizou a nova perícia no celular a pedido da defesa de Cunha. O equipamento encontra-se na sede do Supremo, em Brasília, e será encaminhado a Curitiba.

Perícia

A PF já fez uma perícia no aparelho, cujo laudo encaminhou a Fachin. Segundo os agentes, Cunha e o então deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) conversaram, em 2012, sobre o repasse de propina por Joesley Batista a políticos do MDB na Câmara.

De acordo com a PF, a certo ponto do diálogo, Cunha teria dito a Alves que a distribuição de pagamentos combinada com Joesley não agradaria a Temer. “Isso vai dar merda com o Michel”, escreveu Cunha, segundo o laudo da PF.

Entretanto, ao ser remetido à primeira instância, somente o laudo foi encaminhando junto com os autos, motivo pelo qual a defesa de Cunha solicitou o envio das mídias com os arquivos extraídos e do aparelho para nova perícia.

Neste inquérito da Lava Jato, Cunha é investigado por supostamente participar de um esquema de desvio de recursos na contratação de navios-sonda pela Petrobras. O ex-deputado nega qualquer participação. Atualmente, ele se encontra preso preventivamente no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Perícia em sistemas da Odebrecht é ‘ponta do iceberg’, diz associação

RUBENS VALENTE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O laudo realizado pelos peritos criminais federais da PF sobre os sistemas Drousys e MyWebday da construtora Odebrecht, divulgado na sexta-feira (23) pela Justiça Federal em Curitiba, “é a ponta do iceberg” e deve dar origem a uma série de outras perícias.
A previsão é do presidente da APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), Marcos Camargo, para quem a perícia, que reuniu 54 terabytes de informação, abriu novas áreas de interesse da Operação Lava Jato por ter acessado documentação até aqui desconhecida, como 32,6 mil relatórios financeiros e contábeis da empreiteira.
Os peritos do Setec (Setor Técnico-Científico) da Superintendência da PF no Paraná conseguiram entrar e copiar a base inteira de dados do MyWebDay, um sistema criado pela Odebrecht para administrar pagamentos do setor de operações estruturadas, a área da empreiteira responsável pelo pagamento de propina e caixa dois a inúmeros políticos e partidos.
O acesso ao sistema estava bloqueado porque a Odebrecht afirma não conseguir encontrar a senha. A PF não teve acesso ao ambiente que permitiria uma navegação mais amigável do material, mas conseguiu acessar e copiar a base inteira, da qual agora podem ser extraídas informações com a ajuda de uma ferramenta desenvolvida por peritos criminais federais e que ganhou força no decorrer da Operação Lava Jato.
INDEXAÇÃO
O Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais) processa dados forenses, permitindo “indexação de dados, reconhecimento de caracteres ópticos em imagens (OCR), recuperação de arquivos apagados, categorização de arquivos, detecção de dados cifrados”, assim como “pesquisas por expressões regulares, busca por arquivos semelhantes e reconhecimento de entidades mencionadas”.
O laudo divulgado sexta-feira foi realizado por ordem do juiz federal Sergio Moro, que acolheu um pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A partir de então desenrolou-se um novelo gigantesco. É uma caixa de Pandora, dali vai sair de tudo”, disse Marcos Camargo.
Foi um longo caminho entre a entrega do material e a perícia agora concluída. Os dados originalmente estavam arquivados, sob controle da Odebrecht, em servidores na Suécia e na Suíça. No final de 2016, como parte do termo de leniência e do acordo de colaboração premiada fechados com a PGR (Procuradoria-Geral da República) na gestão de Rodrigo Janot, a empreiteira entregou discos rígidos, mas a PGR não pediu que a PF fizesse uma perícia sobre o material.
Com o acordo de delação, homologado pelo STF no último dia de janeiro de 2017, a Odebrecht entregou 11 discos rígidos e dois pen drives. Desde então, o material permanecia guardado na PGR, em Brasília.
O modelo de delação adotado pelo então procurador-geral Janot não incluía a participação de peritos nas tratativas sobre as provas que delatores devem apresentar como parte do seu acordo de colaboração -não houve mudança nesse modelo na gestão da atual procuradora-geral, Raquel Dodge.
Após a decisão de Sergio Moro, o material foi entregue pela PGR aos peritos do Setec da PF no Paraná.
INTEGRIDADE
Para surpresa dos peritos, foram identificados diversos procedimentos realizados pela PGR que poderiam ter danificado ou comprometido a integridade dos arquivos, como cópias autorizadas fora dos parâmetros exigidos em perícias do gênero. O trabalho dos peritos, contudo, concluiu que apesar dessa falta de rigor no controle da prova, ela permaneceu íntegra e fiel às primeiras cópias realizadas na Europa.
Para Camargo, essa foi uma das principais conclusões do laudo, pois dá uma segurança jurídica maior sobre a prova. Outros pontos foram a identificação das funcionalidades dos dois sistemas, a localização dos relatórios financeiros e contábeis, a possibilidade de localização, na massa de dados, de informações requisitadas pela Justiça Federal, o que abre espaço para novas perícias sobre casos pontuais, e a conclusão de que pelo menos dois arquivos foram destruídos em 2015, logo após a prisão do empreiteiro Marcelo Odebrecht.
Além disso, a perícia detectou um conjunto de novas evidências que apareceu numa das primeiras cópias dos arquivos, realizada por uma firma contratada pela Odebrecht, mas depois deixou de contas das cópias seguintes. O material foi recuperado e entregue pela Odebrecht em fevereiro. O conteúdo desses arquivos ainda é desconhecido.
O laudo 335/2018 foi assinado por sete peritos criminais federais designados pelo chefe do Setec do Paraná, Fábio Augusto da Silva Salvador: Rodrigo Lange, Edmar Edilton da Silva, Roberto Brunori Junior, Ronaldo Rosenau da Costa, Aldemar Maia Neto, Ivan Roberto Ferreira Pinto e Ricardo Reveco Hurtado.
O Iped, a ferramenta que permitiu “ler” em detalhes os arquivos de diversos modelos e formatos e também foi utilizado para a confecção do recente laudo, vinha sendo desenvolvido desde 2012 por peritos criminais federais, em especial Luís Filipe da Cruz Nassif, que buscava criar uma ferramenta que permitisse indexar arquivos digitais apreendidos pela PF.

Perícia mostra que tiro foi direcionado ao carro de Youtuber morta no trânsito

Paraná Portal com BandNewsCuritiba

Os irmãos Cleverson e Everton Vargas, acusados pela morte da youtuber Isabelly Cristine Santos, atingida na cabeça por um disparo, devem ir a júri popular. A informação foi divulgada pela delegada que investiga o caso Vanessa Alice, após a reconstituição do crime realizada na manhã desta quinta-feira (22).

A simulação mostrou que o tiro que atingiu Isabelly foi direcionado ao carro da família dela. A conclusão da perícia contraria a versão dos irmãos Cleverson e Everton Vargas, que afirmam que os disparos foram feitos para o alto depois que eles foram ultrapassados pelo carro onde estava Isabelly. Para a reconstituição das ações que ocorreram na madrugada do dia 14 de fevereiro, a PR-412 foi bloqueada entre as 7h e 9h da manhã.

Foram utilizados carros iguais aos dos envolvidos e até um helicóptero da Polícia Civil foi utilizado para auxiliar nos processos de medição. Segundo o delegado que coordena a Operação Verão, Miguel Stadler, vários pontos sobre o caso vão ser esclarecidos a partir desta simulação.

“O momento que ocorreu o incidente, o posicionamento desses veículos, a distância que esses veículos estavam, os momento que teriam iniciado esses disparos e o momento em que cessaram esses disparos, bem como o veículo em que estava a vítima, se houve derrapagem, se houve essa manobra intencional ou não”, explicou.

As informações e confirmações só serão divulgadas depois que o relatório da perícia for finalizado. Mas o trabalho mostrou que, ao contrário do que os suspeitos vinham afirmando em depoimentos, os tiros foram direcionados aos carro da família e não para o alto.

Defesa

De acordo com o advogado de defesa dos acusados, Claudio Dalledone Jr, a perícia mostrou que a manobra feita pelo carro da vítima pode ter provocado a reação dos clientes.

“Ficou estabelecido que quem precipitou essa tragédia toda foi o motorista do Pálio. Esse retorno feito pelo Herbert após a  ultrapassagem do carro dos  irmãos foi suficiente para fazer com que a certeza de que seriam abordados, assaltados, se tornasse em medo e consequentemente causasse a reação justificável de Everton de atirar. Essa manobra do motorista Herbert, em meio a madrugada, foi o gatilho para que toda essa tragédia ocorresse. Isso ficou claro na reconstituição”, explicou o advogado Cláudio Dalledone.

 

Os irmãos assumiram ontem (21), em depoimento, que haviam consumido bebida alcóolica momentos antes do incidente. Segundo a polícia, eles consumiram pelo menos 7 garrafas de cerveja antes de seguirem pela rodovia. A delegada Vanessa Alice, afirma que, além do crime por dirigir sob o efeito de álcool, essa informação pode pesar nas investigações.

Os irmãos respondem por homicídio qualificado e seguem detidos na Delegacia de Matinhos. A defesa dos irmãos espera que eles sejam transferidos para Curitiba. O inquérito deve ser finalizado até amanhã (23).

MPF desiste de perícia em recibos de aluguel de Lula

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou, na manhã desta segunda-feira (18), que não existe a necessidade de realizar a perícia nos recibos de aluguéis apresentados pelo ex-presidente Lula. Os documentos foram expostos no processo em que Lula é acusado de receber um apartamento como propina da Odebrecht .

Para os procuradores, os recibos são “ideologicamente falsos”, produzidos para aparentar legalidade em atos ilícitos. A defesa apresentou recibos de aluguéis pagos por Lula ao suposto proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques. Para o MPF eles são falsos por ter datas inexistentes no calendário, entre outros erros.

No que diz respeito a este crime de lavagem de dinheiro referente ao apartamento n. 121, o Ministério Público Federal imputou a simulação do contrato de locação do imóvel, supostamente celebrado entre Marisa Letícia Lula da Silva e GLAUCOS DA COSTAMARQUES, tratando-se o seu instrumento respectivo de documento ideologicamente falso, bem como eram falsas as declarações de imposto de renda de GLAUCOS DA COSTAMARQUES, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e Marisa Letícia Lula da Silva no que registravam o pagamento e o recebimento de aluguel referente ao apartamento n. 121, já que não houve pagamento à guisa de suposta despesa de aluguel para GLAUCOS DA COSTAMARQUES até novembro de 2015, sendo certo que os depósitos em espécie, feitos a partir de dezembro de 2015, em valores correspondentes à suposta despesa com aluguel, foram realizados com o fim de escamotear justamente a ausência de real locação do imóvel em questão“, diz o documento.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em primeira instância, precisa se posicionar sobre o assunto. Em audiência na última semana, Moro havia solicitado uma posição do MPF.

“Após a colheita da prova oral, não mais persiste a postulação de realização de prova pericial porque os aspectos pontuais atinentes à confecção dos documentos de que se trata, que se pretendia aclarar por prova técnica, já estão suficientemente elucidados. Ademais, todo o acervo probatório patenteia, de forma inequívoca, que os recibos carreados aos autos constituem falsos ideológicos, já que o que se apôs nesses escritos não corresponde à verdade das declarações ali feitas”, argumentou o MPF.

Outro lado

Os advogados de Lula também afirmaram que o MPF desistiu da perícia ao perceber que os documentos são originais. Veja nota na íntegra:

“A defesa juntou as vias originais dos recibos para serem periciados, mas o MPF, após verificar que os documentos são autênticos, desistiu da perícia. O Sr. Glaucos da Costamarques confirmou em seu depoimento que assinou os recibos. Uma perícia preliminar por nós apresentada também confirmou que os documentos são autênticos e que não foram assinados em uma única oportunidade.

Quem emitiu os recibos e concedeu quitação à D. Marisa pelos aluguéis de 2011 a 2015 foi o Sr. Glaucos da Costamarques, sendo absolutamente descabido atribuir a Lula ou aos seus familiares a prática de qualquer falsidade.

A versão do Sr. Costamarques de que não recebia os aluguéis é incompatível com os esclarecimentos que ele prestou em 2016 à Receita Federal e à Polícia Federal. Nas suas contas circularam valores em espécie compatíveis com o recebimento dos aluguéis, não tendo ele ou o MPF feito qualquer prova de que tais valores não têm essa origem.

Além disso, se a palavra do Sr. Costamarques merece crédito segundo a visão do MPF, os procuradores deveriam reconhecer que ele é o proprietário do apartamento, conforme suas declarações, que afastam a absurda tese apontada na denúncia de que o imóvel seria de Lula e teria sido comprado com recursos provenientes de 8 contratos firmados pela Petrobras.

Mais uma vez fica claro que as acusações feitas contra Lula estão alicerçadas em factoides e construções por associação e sem provas por parte da Lava Jato de Curitiba. No caso dos recibos, os procuradores deveriam pedir desculpas a Lula após suas manifestações terem estimulado setores da imprensa a publicar notícias de que uma perícia iria constatar a falsidade dos recibos.”

Acusação

A propriedade do apartamento de São Bernardo do Campo faz parte da denúncia apresentada pelo MPF, que acusa o petista de receber propina da Odebrecht. Para os procuradores, Lula não pagou aluguéis pelo uso do imóvel, que teria sido adquirido com dinheiro da empreiteira.

O negócio foi fechado em nome do engenheiro e empresário Glaucos da Costamarques, em 2010. Os advogados do ex-presidente contestam a afirmação. Eles apresentaram 26 recibos para comprovar que o aluguel do imóvel foi negociado em uma relação privada.

Capturar-31O Ministério Público Federal argumenta que a defesa de Costamarques informou que os recibos referentes ao ano de 2015 foram assinados todos de uma só vez, no período em que o empresário esteve internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em dezembro daquele ano.

Segundo os procuradores, dados da quebra de sigilo bancário indicam não haver fluxo financeiro na conta de Costamarques que seja compatível com o recebimento dos valores de aluguel entre 2011 e 2015.

O apartamento em São Bernardo do Campo é um dos objetos da ação penal, que acusa o ex-presidente de ter sido beneficiado pela Odebrecht com o uso do imóvel e também com um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

Defesa de Lula contesta despacho de Moro sobre perícia

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram hoje um documento (“embargos de declaração”) questionando três pontos do despacho do juiz Sergio Moro sobre pedido de perícia nos recibos originais entregues pela defesa ontem na 13ª Vara Criminal. Na petição, a defesa de Lula pediu a supressão da decisão do trecho em que Sergio Moro afirma que Glaucos da Costamarques assinou “todos” os recibos de aluguel no mesmo dia. O que Costamarques afirmou em juízo, na verdade, foi que teria assinado os recibos “referentes a 2015” enquanto estava internado.

A Defesa também solicita que Sergio Moro defina se irá ou não processar o incidente. E se o fizer, que observe o rito legal estabelecido no Código de Processo Penal. A Defesa apontou, ainda, a necessidade de o juiz definir se será feita perícia, qual será a modalidade e os documentos que farão parte, antes que haja necessidade de formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.

A peça ainda registrou que “além dos esclarecimentos já apresentados pela defesa técnica (evento 6), dos ofícios encaminhados pelo hospital Sírio-Libanês a estes autos (eventos 1163 – ação penal – doc. 1), na data de ontem, foi juntado a estes autos um e-mail do Sr. Glaucos da Costamarques de 7/04/2014, no qual ele relaciona os “aluguéis recebidos em 2013” (evento 1.224 – ação penal – doc. 02). Ainda na data de ontem foram apresentadas as vias originais do (i) contrato de locação, (ii) dos recibos e, ainda, (iii) de carta encaminhada pelo Sr. Glaucos a D. Marisa, a inquilina, sem qualquer ressalva ou indicação de pendência de pagamento”.

Trabalhadores afastados podem ter direito a nova perícia no final do benefício

Com Agência Câmara

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que garante ao segurado da Previdência Social o direito de requerer nova perícia médica sempre que o primeiro laudo determinar um prazo para a volta ao trabalho.

Pelo texto, o segurado continuará a ter direito ao benefício do auxílio-doença no período entre o pedido de nova perícia médica e a sua realização.

Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou ilegal a retomada ao trabalho sem realização de nova perícia.

Hoje o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) implementa a chamada “alta programada” – ou seja, o INSS estima, a partir de avaliação médico-pericial, qual é o prazo que entende suficiente para que o segurado readquira a capacidade laboral sem a necessidade de nova perícia médica.

“Esse sistema é, a nosso ver, injusto, pois pode vedar o recebimento de benefício pelo segurado que ainda permaneça incapacitado para o trabalho”, afirmou o relator da proposta, deputado Vicentinho (PT-SP). “Assim, o cancelamento do benefício deverá ser necessariamente precedido de perícia médica”, completou. Segundo ele, o Judiciário vem se posicionando sistematicamente contra essa regra desfavorável aos segurados.

Mudança

O projeto original veda a fixação de prazo para a recuperação da capacidade para o trabalho do segurado, ou seja, veda o cancelamento do auxílio-doença antes da realização de nova perícia. A Comissão de Seguridade Social preferiu flexibilizar a regra atual, garantindo ao segurado o direito de optar por solicitar nova perícia médica, caso entenda que não se encontre apto para o retorno ao trabalho ao final do período determinado.

 

O texto aprovado será analisado ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Reconstituição confirmou perícia, afirma advogado

Por Jordana Martinez e Andreza Rossini

O advogado Elias Mattar Assad, que representa a família Yared no caso que envolve ex-deputado Carli Filho, que provocou a morte de duas pessoas em 2009 ao dirigir bêbado e em alta velocidade, afirmou que a reconstituição, antecipada para esta quinta-feira (12), confirmou o resultado da perícia.

A afirmação foi postada nas redes sociais:

“Acabamos de tomar conhecimento que a perícia do processo civil, está coincidindo com a anterior perícia oficial elaborada pelo Instituto de Criminalística”, postou o advogado.

A reconstituição foi solicitada pela defesa do ex-deputado e teve participação da polícia, do Corpo de Bombeiros e das partes envolvidas.

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A data da perícia foi alterada no processo e a família da vítima só recebeu o comunicado da alteração da data na quarta-feira (11).

O documento de resultado da perícia será anexado ao processo civil, que discute indenização à família responsabilização dos réus das esfera social e, de acordo com os advogados de defesa e acusação, não tem impacto na esfera criminal, ação movida pelo Ministério Público que pede a prisão de Carli Filho.  “A ação criminal já está em Brasília em série recursal e é muito difícil que o novo documento seja aceito pelos ministros”, afirmou o advogado Gustavo Scandelari, que defende o ex-deputado.

Procurada, a defesa de Carli na ação civil, representada por José Roberto, não comentou o assunto. “O escritório não está se manifestando sobre o caso, que está em sigilo decretado pelo juiz”, disse.

Em carta aberta, a deputada questionou o motivo da alteração da data. “De forma sorrateira, determinaram que a reconstituição seja feita neste dia 12 de outubro, em pleno feriado nacional, e nos comunicaram apenas na véspera do momento. Um completo absurdo.”

De acordo com o advogado que representa a família Yared, André Portugal, a alteração da data não é uma implicação no processo. “A Setran comunicou a alteração justamente por ser feriado, já que terá bloqueio de ruas em dois períodos do dia, às 15h e às 20 horas. O que temos de grave é a realização da perícia, que não é necessária. É um ato irrelevante nesse processo porque a versão que os réus deram acaba confessando o crime”, explicou.

Ainda de acordo com Portugal a perícia já foi realizada para o processo criminal. “Nós temos um recurso alegando que a perícia é desnecessária. Não temos porque descrever aquilo que já foi feito. A resposta não pode ser diferente da outra perícia, é uma ciência exata que será utilizada pelo perito, nós já sabemos o resultado”, afirmou.

O advogado ainda esclarece que o objetivo da ação civil é a conscientização da população e responsabilização dos réus. “Não é financeiro, da indenização. Meus clientes deixaram claro que querem o caráter pedagógico e punitivo. Queremos a responsabilização ampla de todos aqueles que participaram direta ou indiretamente do acidente, por exemplo: o carro estava em nome de uma empresa e queremos que ela seja punida – era a dona da arma do crime. Buscamos o caráter pedagógico para que toda a sociedade entenda as consequências de misturar álcool e direção”, explicou.

maxresdefaultO caso

Na madrugada de 7 de maio de 2009 o então deputado estadual, que estava embriagado de acordo com os exames médicos e dirigindo acima da velocidade permitida na via, causou um acidente de carro que matou Gilmar Rafael de Souza Yared e de Carlos Murilo de Almeida.

Carli Filho foi denunciado por duplo homicídio com dolo eventual, pelo entendimento do Ministério Público, ao dirigir embriagado (com 7,8 decigramas por litro de sangue) e em alta velocidade (a perícia indicou que seu carro estava a 163 km/h em uma via cuja velocidade máxima é de 60 km/h) o então deputado assumiu o risco de matar. A defesa sustenta a tese de crime de trânsito ou homicídio culposo.

Nesses oito anos, com recursos na justiça, a defesa de Carli Filho já conseguiu impedir duas vezes a realização do júri popular alegando que não houve um crime intencional.

Carta aberta de Chistiane Yared para a população – na íntegra

Oito anos depois da tragédia que tirou a vida de meu filho e do amigo dele, de forma inexplicável autoridades estatuais resolveram obrigar o perito constituído nos autos do processo a alterar a data da perícia que será determinante para o desfecho deste processo que assombra e machuca minha família há quase uma década.

De forma sorrateira, determinaram que a reconstituição seja feita neste dia 12 de outubro, em pleno feriado nacional, e nos comunicaram apenas na véspera do momento. Um completo absurdo.

O que pode estar por trás dessa manobra?

Querem culpar meu filho, adulteraram a imagem do posto de gasolina, sumiram com todas as imagens dos radares naquele dia.

A tragédia não aconteceu no cruzamento, meu filho já havia convertido a esquerda e foi atingido pelo Passat do então deputado estadual.

Caiu em cima!

Não colidiu na lateral.

Quero contar com amigos, jornalistas, familiares e todos que, assim como nossa família, estamos estarrecidos com a morosidade e as artimanhas para retardar o desfecho desse caso tão doloroso e que impede meu filho de descansar em paz.

Será neste dia 12 de outubro, às 15h, no local da tragédia: Rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, esquina com a Rua Paulo Gorski, Mossunguê – Curitiba (PR).

Que Deus nos abençoe!

Delator da Odebrecht quer perícia em documento com sua assinatura

BandNewsCuritiba

Um dos delatores da Odebrecht, o engenheiro Paulo Baqueiro de Melo, solicitou à Justiça do Paraná a realização de um exame para confirmar a autenticidade da grafia em um documento que supostamente leva sua assinatura. O pedido foi protocolado na ação penal que apura a compra pela Odebrecht de um terreno para a construção da sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo.

O engenheiro e ex-superintendente da Odebrecht Realizações Imobiliárias foi designado em 2010 para avaliar imóveis onde, no futuro, poderia ser instalada a nova sede do Instituto. A anotação em questão indica dados de uma empresa offshore e de uma conta no exterior de onde teria saído o dinheiro para a compra de um terreno, em São Paulo. Além disso, o bilhete contém a assinatura P. Melo.

A defesa do delator afirma que o documento “não foi redigido por ele e também não tem conhecimento sobre a empresa e os dados bancários ali mencionados”. Por este motivo, os advogados solicitam que seja feito um exame grafológico. Caso seja comprovado que o bilhete leva a assinatura do engenheiro, o acordo de delação premiada firmado com a força-tarefa da Lava Jato pode ser invalidado, já que em depoimento ele nega que tenha cometido crime de lavagem de dinheiro.

Na petição, a defesa ainda diz que o acusado se coloca à disposição para ser interrogado novamente ou participar de uma acareação com outros investigados da ação para esclarecer o fato.