Lei obriga registrar no BO se vítima de violência tem deficiência

A partir de agora é obrigatório informar no boletim de ocorrência (BO) policial a condição de pessoa com deficiência da mulher vítima de agressão doméstica ou domiciliar.

A lei diz que no BO deve constar a informação sobre a condição da vítima e se a violência sofrida resultou em sequela, deixando-a com algum tipo de deficiência ou em agravamento de deficiência preexistente.

A Lei nº 13.836, de 4 de junho de 2019, que altera a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, sancionada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, está publicada na edição desta quarta-feira (5) do Diário Oficial da União.

Cerca de 60 mil pessoas podem perder benefício social no Paraná

Quase 60 mil pessoas idosas ou com deficiência podem ficar sem receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) a partir de janeiro de 2019. São beneficiários que ainda não estão inscritos ou que não atualizaram seus dados no Cadastro Único para Programas Sociais nos últimos 48 meses.

O prazo final para evitar que o benefício seja bloqueado ou suspenso encerra no dia 31 de dezembro deste ano.

Segundo a superintendente de assistência social da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, Alzenir de Fátima Sizanoski, é fundamental que os municípios estejam comprometidos em orientar a população sobre o prazo para o cadastro, e fazer a busca ativa das pessoas que têm direito ao benefício.

“O benefício é uma garantia de dignidade às pessoas que não possuem outras fontes de renda. Por isso precisamos alertar quanto às novas exigências para que nenhuma delas fique sem receber”, afirma a superintendente. Segundo ela, mesmo quem já possui o cadastro deve atualizar os dados a cada dois anos ou sempre que houver modificação na família, como alteração na composição familiar ou mudança de endereço.

Documentos

Para atualizar o cadastro, é preciso comparecer a um dos 569 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) do Estado. Caso o beneficiário tenha dificuldade para deslocamento, o procedimento pode ser feito pelo responsável familiar.

Os documentos necessários são o CPF e o título de eleitor. Comprovante de endereço, como conta de luz, e matrícula escolar de jovens de até 17 anos na família não são obrigatórios, mas facilitam o cadastro. Para os indígenas, o Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani) também serve como documentação.

A regularização do cadastro permite o acesso a outros programas socioassistenciais, como o Família Paranaense, Luz Fraterna, Tarifa Social, dentre outros. Quando o Cadastro Único deixa de ser atualizado em um período de cinco anos, é excluído.

Critérios

Previsto na Lei Orgânica de Assistência Social (Lei Federal 8742/93), O Benefício de Prestação Continuada concede um salário mínimo mensal para pessoas com mais de 65 anos ou com deficiência de qualquer idade que comprovem incapacidade para trabalhar e se manterem independentes.

Para requerer o benefício, a renda per capita da família não pode ultrapassar um quarto de salário mínimo (menos de R$ 238,50).

Direitos do idoso

Segundo a coordenadora estadual da Política da Pessoa Idosa, Fabiana Longhi, o BPC garante alimentação, medicamentos e moradia e auxilia, em especial, pessoas idosas que não possuem aposentadoria.

“A concessão do benefício também está determinada no artigo 34 do Estatuto do Idoso. Para receber, não é necessário ter contribuído ao INSS. Mesmo assim, muitas vezes, o benefício deixa de ser concedido porque as pessoas não sabem que têm direito”, diz Fabiana.

Paraná

Em julho deste ano, havia 205.908 pessoas idosas e pessoas com deficiência recebendo o Benefício. Desse total, 72% possuem Cadastro Único e 56.728 ainda precisam fazer a inscrição no banco de dados. A maioria dos beneficiários (55%) são pessoas com deficiência e os demais são pessoas idosas.

O Cadastro Único é uma ferramenta informatizada que identifica e caracteriza as famílias, além de fornecer um diagnóstico da realidade socioeconômica da população.

Nele, são registradas informações como características da residência, identificação pessoal, escolaridade e situação de trabalho e renda. Também são identificadas as pessoas situação de risco e vulnerabilidade social, e aquelas que necessitam de atenção especial do poder público, como idosos e pessoas com deficiência.

Curitiba terá mutirões de empregos para pessoas com deficiência

A Secretaria Especial do Trabalho e Relações com a Comunidade e pela Fundação de Ação Social (FAS) realizarão mutirões de emprego para pessoas com deficiência. A finalidade é ampliar a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho.

O primeiro está marcado para a terça-feira (25), com oferta de mais de 400 vagas de emprego na Agência do Trabalhador de Curitiba, exclusivas para pessoas com deficiência. O atendimento será por ordem de chegada, das 8h às 17h, e não é necessário fazer inscrição ou agendamento prévio segundo o Secretário de Estado do Trabalho, Paulo Rossi.

“Então nós vamos ofertar várias vagas para as pessoas com deficiência no comércio, serviços, indústrias. Elas vão funcionar nas agências do trabalhador de Curitiba e nos 41 municípios que resolveram aderir a essa ação do dia D exclusivo para pessoas com deficiência. Vão ser mais de 400 vagas abertas”

Segundo a Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência, no Paraná mais de 1,5 milhão de pessoas convivem com alguma deficiência, mas são apenas 28.560 as que estão inseridas no mercado de trabalho formal. Entre esses profissionais, 45% tem alguma deficiência física, seguidos daqueles que tem deficiência auditiva e visual, que são 18% e 15% da força de trabalho respectivamente.

Com o Dia D, o estado pretende avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um pacto global que tem, entre outras, a meta de assegurar emprego pleno, produtivo e de igual remuneração a esses cidadãos até 2030.

“Queremos disseminar, mas não somente isso, colocar em prática para que a população, empresários e gestores se conscientizem da importância da empregabilidade para as pessoas com deficiência. Mas não somente para pessoas com deficiência, mas também para os jovens aprendizes, trabalhadores, questões ligadas a saúde do trabalhador. Para que assim a gente possa fazer um mundo melhor”

No dia 25, os candidatos devem comparecer à agência do trabalhador com Carteira de Trabalho, RG, CPF e o laudo médico para comprovação da deficiência. O endereço é rua Pedro Ivo, número 503, no Centro.

Além da oportunidade na terça-feira, a próxima sexta (28) também terá evento voltado à inclusão social e profissional das pessoas com deficiência em Curitiba. O atendimento será realizado na sede da Assessoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Prefeitura, que fica no Hugo Lange: Rua Schiller, número 159. Nesse outro Dia D, organizado pela FAS, empresas cadastradas farão a oferta de vagas das 9h às 16h.

Inclusão de pessoas com deficiência foi porta de entrada para a diversidade

A deficiência física nunca segurou o comunicador Rafael Bonfim, pelo contrário. As limitações do corpo abriram uma porta importante em sua vida: a de uma carreira cheia de propósito, o que não beneficiou apenas ele próprio. 

“Sou prematuro de seis meses, tive paralisia cerebral no momento do meu nascimento, então meu quadro é congênito. Sempre fui uma pessoa com deficiência”, conta. Rafael se formou em jornalismo e atuava na área de comunicação institucional quando passou a sentir na pele algumas dificuldades. “Eu passei por um período de desemprego na minha vida muito longo. E senti de perto possibilidades de discriminação durante essa fase”, afirma.

Em algumas entrevistas, ele não foi bem. Em outras, não tinha o perfil certo. Mas em algumas a resistência dos recrutadores ficou aparente. “Tenho certeza de que eu fui discriminado. De que gestores não quiseram me contratar porque tiveram algum receio em relação ao fato de eu usar uma cadeira de rodas, ou acharam que o espaço deles não estava preparado, qualquer outro motivo”, lamenta.

As dificuldades, entretanto, vieram com uma chance de mudar, não apenas a própria vida, mas de muitas outras pessoas. Em 2015, Rafael foi convidado por um professor para escrever em um blog sobre empregabilidade para pessoas com deficiência (PcDs). Foi então que começou a reflexão e, com ela, uma nova carreira. 

Hoje, Rafael organiza a seleção e programas de inclusão de pessoas com deficiência em grandes empresas, além de ministrar palestras sobre o assunto. E se tem uma pessoa que conhece os benefícios das diferenças, é ele.

Viva a diferença

“Quando você coloca pessoas com deficiência em um ambiente de trabalho, você abre portas para discussões que você nem imaginava”, explica Rafael, relembrando situações que já presenciou ao longo de quase 10 anos atuando na área. “É a porta de entrada para você começar a pensar o que é diferente de você, como você lida com isso, como abre a porta para isso ou não”.

Segundo Rafael, a presença de pessoas com deficiência nas empresas é um aprendizado constante em diversos sentidos – que vão desde os aspectos mais complexos às coisas simples. “A calçada, uma rampa, ou a falta da rampa, elevador, como é a comunicação em libras, ou leitura labial, os de leitura de tela para deficientes visuais, pista tátil, bengala. A diversidade que a limitação traz, de cara, já provoca essa reflexão prática”.

Rafael, hoje, ministra palestras sobre inclusão. Foto: Arquivo pessoal

Mas o que é diversidade? Segundo a especialista em Recursos Humanos, Mariciane Pierin, são as diferentes condições de cada pessoa. “Perfis diferentes e estilos diferentes, o que traz essa complementaridade muito bacana”, afirma. 

A diversidade é um primeiro passo para uma reflexão bem mais ampla e empresa inteira pensando “fora da caixa”, segundo Rafael. “[A presença de pessoas com deficiência] também provoca, muitas vezes, a busca por soluções de uma maneira que você não esperava”, conta. “Você pode ter a contratação de alguém que, como eu, usa uma cadeira de rodas, em ambiente com a acessibilidade em dia, do ponto de vista da legislação. Mas, em um determinado espaço ou situação, percebe que precisa de uma adaptação que ninguém estava prevendo”, exemplifica Rafael.

O contato, os desafios e as soluções que são descobertas a partir dele, segundo Rafael, derrubam o mito do “não vai dar certo. “Se você acredita que não dá, não dialoga sobre isso, você fecha possibilidades para os dois lados”.

O aprendizado passa, ainda, pela empatia. “Desde a aceitação da limitação em seu ambiente familiar, acesso que ela teve ou não à educação formal. Tudo isso impacta na dinâmica de emprego, como seria com qualquer outra pessoa. Mas a pessoa com deficiência, naturalmente, deixa isso mais evidente. Ela provoca reflexões diferentes”, explica. 

Ganha quem entra em contato com novos perfis e quem se enquadra nesses novos perfis também. “Se eu tiver outros colaboradores que se enquadram em outros grupos, ele vai ver, na frente dele, o acolhimento à diferença”, afirma.

Para Mariciane, outro ponto importante é o diálogo que a diversidade gera com o público. “É essa beleza e riqueza que fica a serviço de negócio, como geração de valor para você chegar ao seu consumidor final. Nossa sociedade tem toda essa diversidade. Se você traz esse time multidisciplinar por histórias, experiências e condições, ele agrega valor diferenciado”, explica.

Dificuldades

Para Rafael, a diversidade e, mais especificamente, a inclusão de pessoas com deficiência, já deu passos importantes. “Tem gestores que encaram de maneira positiva. O público alvo vai reconhecer que aquela empresa tem pessoas com deficiência trabalhando, isso agrega valor de imagem, diversidade, de respeito às diferenças, oportunidades de produção”, afirma.

Porém, as dificuldades ainda existem, e elas batem em alguns pontos principais. Entre eles, ele: o preconceito. Segundo Rafael, ainda há casos de gestores que, por exemplo, acreditam que “não fica bem” ter alguém com alguma limitação no atendimento ao público.

Esse tipo de postura está muito conectada a uma questão de imagem, de aparência, primeira impressão. São redutos específicos, que a gente ainda trabalha por meio de falas de sensibilização, para mostrar que não é bem assim”, conta.

Por isso, medidas impositivas, embora não sejam o ideal, foram importantes. É o caso da Lei 8.213, de 1991, que define cotas para “beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas”. Segundo o texto, empresas com mais de 101 colaboradores são obrigadas a contratar PcDs para ocupar de 2% a 5% das vagas, dependendo do tamanho do quadro. Não há especificações, na legislação, em relação ao cargo ou deficiência.

Acredito que a diversidade gera resultados, isto é comprovado em empresas que já despertaram para isso. A cota é impositiva, não tem um despertar genuíno”, alerta Mariciane. Porém, segundo a especialista, a lei foi importante. Opinião compartilhada por Rafael. Segundo ele, a legislação para a inclusão de PcDs abriu uma porta importante, especialmente após os anos 2000, quando a fiscalização e punição se intensificaram.

Embora ainda esteja longe do ideal, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), produzida pelo Ministério do Trabalho (MT), o número de vínculos empregatícios desses profissionais cresceu 26,7% entre 2012 e 2016. Hoje, o Brasil tem mais de 418 mil PcDs com carteira assinada. São Paulo é o estado com mais trabalhadores (127.464), seguido por Minas Gerais (42.295), Rio de Janeiro (33.115), Rio Grande do Sul (32.366) e Paraná (28.560).

“A partir do aumento da fiscalização, as empresas precisaram se abrir à diversidade, pelo menos, da pessoa com deficiência”, explica Rafael. Segundo ele, no início, poucas empresas tinham essa postura, mas isso mudou. E Rafael destaca o papel das indústrias neste sentido: com plantas maiores, elas foram as responsáveis pelo maior número de contratações de pessoas com deficiência nessa corrida pela inclusão.

“De 2005 até agora, você pode ter certeza que indústrias se abriram bastante para a contratação de profissionais com deficiência, nas suas linhas de montagem, depois em outros postos de trabalho também administrativos, estratégicos. Sem dúvida, é um exemplo bastante interessante”, ressalta.

Hoje, o cenário é de otimismo. “Quando olho o cenário paranaense ou curitibano, não consigo enxergar mais ninguém que esteja totalmente de fora. Pode estar no início da jornada, mas ninguém está de lado”, comemora.

A jornada pela inclusão

Mas, como acolher? Segundo Mariciane, a jornada para uma empresa mais diversa começa em um trabalho interno de implementação dessa cultura e segue para o branding – é ele que vai atrair diferentes perfis para os processos seletivos.

“Você se coloca aberto à diversidade. Eu sou receptivo, gosto, estou disposto, quero viver essa experiência. Naturalmente, se a marca empregadora está disponível, muitas pessoas se sentem confortáveis a se credenciar para aquela corporação”, afirma.

A inclusão passa também por uma boa seleção. E não tem segredo. A primeira dica, segundo Rafael, é, justamente, incluir. “O processo seletivo separado, eu não enxergo como uma boa prática. Separar um candidato com deficiência em uma dinâmica, por exemplo, fazendo perguntas só para ele. Não é uma medida acolhedora”, alerta. Para ele, a melhor forma de selecionar é se abrir ao diálogo. 

Invariavelmente, você vai ter curiosidades naturais que, conectadas à demanda daquela vaga, você precisa perguntar. Você precisa e isso é bom para você, enquanto recrutador, e é bom para o candidato”, explica.

Outro ponto importante é considerar cada candidato individualmente, suas capacidades, limitações e história pessoal. “Nunca esqueça que a pessoa na sua frente tem uma história de vida. Ela não adquiriu a limitação dela no dia anterior e ela, muito menos, nasceu ontem. Sempre pense que é um candidato a uma oportunidade que você divulgou e que, por algum motivo, ele acredita que dá conta”, afirma.

Toda e qualquer dévida, de acordo com Rafael, precisa ser sanada. “É importante e saudável perguntar. E é possível perguntar. Depende só da maneira como você vai perguntar; é só não adotar uma postura ofensiva ou discriminatória”, exemplifica.

“Sempre manifeste que você está perguntando porque você está interessado naquela pessoa, naquele perfil profissional. Se isso não acontece, você corre o risco de não contratar um bom profissional porque ficou com medo de uma possibilidade que passou pela sua cabeça, você não perguntou, achou melhor descartá-lo”, alerta.

MEC vai apoiar formação de professores para educação de surdos

Com Andreia Verdélio, Agência Brasil

O ministro da Educação, Mendonça Filho, disse nesta segunda-feira (6) que o Ministério da Educação (MEC) busca a ampliar acessibilidade e políticas de afirmação de surdos.

Segundo ele, está incluído na proposta da Base Nacional Comum Curricular, a formação adequada de professores, “para que a gente possa ter uma política pública cada vez mais inclusiva, respeitando a condição específica dos surdos ou daqueles que têm deficiência auditiva no nosso país”.

Mendonça Filho participou do programa Por Dentro do Governo, produzido pela TV NBR, e comentou o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano: Desafios para a Formação Educacional de Surdos no Brasil.

“Na ponta, quem tem a responsabilidade direta por essas políticas públicas são os estados e municípios. Cabe ao Ministério da Educação induzir e apoiar politicas nacionais de inclusão geral e específicas”.

 Com mais de 160 anos de existência, o Ines produz material pedagógico, fonoaudiológico e de vídeos em língua de sinais, distribuídos para os sistemas de ensino. Além de atender em torno de 600 alunos, da educação infantil ao ensino médio, o instituto também forma profissionais surdos e ouvintes no Curso Bilíngue de Pedagogia.

Para Mendonça Filho, a língua brasileira de sinais (Libras) precisa ser cada vez mais incorporada na política educacional brasileira. Por isso, desde 2013, em parceria com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), o Ines disponibiliza conteúdo audiovisual acessível ao público surdo e aulas de Libras, por meio da TV INES .

Abstenções no Enem

Segundo o ministro da Educação, a abstenção de 30,2% no primeiro dia de provas do Enem seguiu os patamares de anos anteriores. Entretanto, para ele, é preciso reduzir esse número.

“Preparamos o exame para 6,7 milhões de inscritos e não tivemos todos eles comparecendo à prova. Isso significa um desperdício. Se alguém tem uma motivação de força maior ou de doença é compreensível, mas outros que se inscrevem e não comparecem por razão mais banal, não é razoável. Estamos aplicando cerca de R$ 90 por prova e isso é dinheiro tirado do contribuinte”.

 Neste domingo (5) foi o primeiro dia do Enem, com provas de redação, linguagens (língua portuguesa e língua estrangeira) e ciências humanas (geografia, história, filosofia, sociologia e conhecimentos gerais). O segundo dia de provas será no próximo domingo (12), com questões de matemática e ciências da natureza.

Apenas 1% dos brasileiros com deficiência está no mercado de trabalho

Por Andreia Verdélio, Agência Brasil

Há seis anos, Diones Gonçalves da Silva, de 29 anos, trabalha em um hospital como auxiliar de hotelaria. Ele tem deficiência intelectual e dificuldade de aprender a ler e escrever. “Têm algumas pessoas que não tratam a gente muito bem por causa da deficiência, não tratam a gente como outro ser humano”, disse Diones.

“Mas isso está melhorando muito, as pessoas estão cada vez mais conscientes de nos tratar com mais respeito e apoio”.

Quase 24% dos brasileiros (45 milhões de pessoas) possuem algum tipo de deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim como Diones, muitos enfrentam dificuldades de inserção social, e exercer uma função profissional pode ajudar a ultrapassar essas dificuldades. Apesar da importância e da obrigatoriedade legal, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal ainda é pequena. Apenas 403.255 estão empregados, o que corresponde a menos de 1% das 45 milhões de pessoas com deficiência no país.

Considerando-se apenas a participação de pessoas com deficiência intelectual, vem crescendo no mercado de trabalho formal. De 25.332 trabalhadores em 2013 passou para 32.144 em 2015, último período de dados disponíveis da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Diones já desempenhou várias funções dentro do hospital e, antes disso, já havia trabalhado em dois supermercados. Ela por oito anos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF) e está muito feliz com o acompanhamento que ainda recebe da associação e com o bom tratamento que recebe dos colegas do hospital. “Na Apae aprendi a fazer meu nome e já sei ler algumas palavras”, disse ele, que reforçou os estudos para conseguir ser promovido no trabalho.

A coordenadora do Setor de Inserção no Mercado de Trabalho da Apae-DF, Adriana Lotti, explica que as pessoas com deficiência estão mostrando sua capacidade, mas que poucos empregadores dão oportunidade de trabalho pensando na função social. Grande parte ainda o faz apenas para cumprir a cota. “De qualquer forma, é uma maneira de irem para o trabalho e mostrar que são profissionais, são bons trabalhadores”, disse.

Segundo a Lei de Cotas (Lei nº 8213/1991), se a empresa tem entre 100 e 200 empregados, 2% das vagas devem ser garantidas a beneficiários reabilitados e pessoas com deficiência. A porcentagem varia de acordo com o número total de contratados, chegando a um máximo de 5% caso haja mais de 1.001 funcionários. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2005), segundo Adriana, pode ajudar a mudar essa cultura, mas no longo prazo.

“Às vezes, acho que as pessoas têm medo por que não sabem lidar com a pessoa com deficiência intelectual, sendo que é muito simples, não tem uma fórmula, é só tratá-la como um funcionário como outro qualquer. Só que ela têm de ser respeitada, às vezes, na lentidão ou em alguma atividade, mas ela vai conseguir fazer o trabalho”, disse a coordenadora.

Ela explica, inclusive, que as pessoas com deficiência precisam ser cobradas no cumprimento da função da mesma forma, em relação a pontualidade, por exemplo. “Eles não são coitadinhos, são pessoas como nós que precisam de uma chance para mostrar que são excelentes profissionais, que são produtivos”, disse.

Hoje, a Apae-DF faz o acompanhamento de 216 pessoas que estão no mercado competitivo, distribuídas em 52 empresas. Durante o tempo que a pessoa passa na instituição, recebe capacitação para ser um bom profissional, aprende as normas, direitos e deveres e respeito à hierarquia, por exemplo. A capacitação para atividade fim que vai desempenhar é feita, em geral, na própria empresa.

Além do acompanhamento, a associação encaminha as pessoas para o trabalho apoiado, aquelas que têm uma deficiência mais severa e que necessitam de outra pessoa durante o trabalho. Nesse caso, a qualificação acontece dentro da Apae-DF e os profissionais são encaminhados, geralmente, para órgãos públicos.

Fiscalização e multa

Segundo a secretária de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho, Maria Teresa Pacheco Jensen, caso as empresas cumprissem a lei, o número de pessoas com deficiência que estão empregadas seria maior. Os auditores-fiscais atuam na fiscalização e, para ela, existe mesmo uma resistência ou dificuldade das empresas contratarem pessoas com deficiência, porque muitas, inicialmente, preferem pagar as multas, que vão de R$ de 2,2 mil a R$ 228 mil.

Ela conta, no entanto, que o Ministério do Trabalho celebra acordos de compromisso e orienta e acompanha as empresas na contratação de pessoas com deficiência e no desenvolvimento de programas de aprendizagem.

“É mais uma questão de conscientização. A pessoa com deficiência tem o direito a exercer todas as funções, cabe ao empregador fazer os ajustes necessários”, explicou Maria Teresa. “Não é um favor, é uma função social. Queremos mudar essa visão e tirar a ideia que a pessoa com deficiência deve receber tratamento assistencial. Ela não quer isso e não seria bom para a sociedade. Não queremos o modelo de assistencialismo, queremos o modelo de inclusão”.

Participação da família

A procuradora do Trabalho, Maria Aparecida Gurgel, explicou que alguns dispositivos da lei de inclusão poderiam ser regulamentados e melhor explorados, como o trabalho apoiado e a capacitação pelas próprias empresas, a exemplo do que é feito pela Apae-DF. Para ela, as empresas também devem abrir oportunidades para as pessoas com deficiência intelectual em todas as funções.

“Nós estamos em um processo de mudança de cultura e como temos jovens e adultos com deficiência intelectual empregados, temos que aprender com esse sistema. O que foi feito para que essa pessoas estejam no mercado de trabalho?”, questionou, argumentando que Estado e sociedade civil têm seu papel nessa inserção.

Ela ressalta, entretanto que a família também é extremamente importante para o desenvolvimento profissional da pessoa com deficiência intelectual. “A família tem que acreditar nas suas potencialidades. Todos os pais e mães querem proteger o seu filho, e na área da deficiência intelectual, há uma proteção necessária, mas não há uma crença nas potencialidades de aprendizagem para o desempenho de funções”, disse Maria Aparecida. “Temos que quebrar essa cultura de que a pessoa com déficit cognitivo não aprende e não pode trabalhar ou que vai trabalhar somente em cargos de menores”, disse.

A coordenadora da Apae-DF, Adriana Lotti, explica que a família também é essencial após a inserção no mercado, porque é ela quem vai observar se a pessoa com deficiência relatar alguma dificuldade e ainda se ela está cumprindo suas obrigações, como os horários e os uniformes, por exemplo.

Semana nacional

Para promover ações de inclusão social e de combate ao preconceito e à discriminação contra as pessoas com deficiência, a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes) está promovendo a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, de 21 a 28 de agosto. A primeira semana nacional foi celebrada em 1964, como Semana Nacional do Excepcional, homenageando o trabalho das Apaes

O objetivo da federação é sensibilizar governos e comunidades em relação às potencialidades das pessoas com deficiência e chamar a atenção para suas necessidades, tanto para a definição de políticas públicas quanto para o combate ao preconceito. “A lógica de que o deficiente pode aprender direcionou o olhar de que o deficiente pode se integrar na sociedade. Aí começa o reconhecimento dos direitos do cidadão e, com seus direitos, surgem as necessidades”, disse a presidente da Fenapaes, Aracy Maria da Silva Lêdo, em mensagem pela semana.

Alunos usam conceitos matemáticos para ajudar estudantes com deficiência visual

Da AEN

Os estudantes dos primeiros anos do ensino médio do Colégio São Paulo Apóstolo, em Curitiba, tiveram uma experiência diferente neste mês de junho durante as aulas de Matemática. Eles foram desafiados a produzir um material que pudesse auxiliar alunos com deficiência visual a aprender a disciplina. O objetivo da prática foi incentivar a realização de trabalhos sociais e vivenciar experiências de pessoas com deficiência visual.

A atividade resultou no projeto “Áreas das figuras geométricas numa perspectiva de inclusão”, composto por figuras de alto relevo e letras com o alfabeto Braille, que auxiliam estudantes com cegueira a perceberem altura, lados e base das figuras e, com isso, a compreenderem melhor os conteúdos matemáticos. O material será doado ao Instituto Paranaense de Cegos (IPC), de Curitiba.

O trabalho foi orientado pela professora de Matemática Patrícia Pelogia Santos. Segundo ela, o objetivo, além de reforçar os conteúdos da disciplina, foi despertar nos estudantes a sensibilidade e o voluntariado. “A ideia é que eles vivenciem experiências diferentes do que estão acostumados e que possam ter um outro olhar sobre as dificuldades e a superações de pessoas com deficiência visual”, disse a professora.

A pesquisa foi assessorada por professores do IPC para que o material estivesse em conformidade com as práticas pedagógicas e as necessidades dos alunos com deficiência visual. “Era preciso que o material pudesse ser usado pelos alunos, mas que também o professor pudesse utilizar para transmitir os conteúdos”, explicou Patrícia.

 

Na prática

Depois de estudar cálculos de área, gráficos e geometria na teoria, os 175 alunos do colégio estadual assistiram a um documentário com depoimentos de pessoas cegas contando os desafios diários e como superam os obstáculos.

Eles receberam também a visita de estudantes com deficiência visual que contaram como é a rotina de estudo, além de assistirem a uma apresentação dos principais materiais de estudo, como a máquina de escrever em Braille, o computador com auxílio dos aplicativos dosvox, nvda, e mecdaysi e, ainda, a máquina de cálculo soroban. “Essa experiência contribui para que os alunos desenvolvam um olhar de empatia diante das necessidades dos demais”, disse a professora.

Foto: Divulgação SEED
Foto: Divulgação SEED

Após a pesquisa e a apresentação, os estudantes elaboraram um material de acessibilidade que será doado ao Instituto Paranaense de Cegos. O conteúdo será usado nos atendimentos de apoio escolar dos ensinos fundamental e médio, com cerca de 150 crianças, adolescentes e adultos. “É importante que eles conheçam e percebam que as pessoas com deficiência visual têm as mesmas potencialidades de aprender”, destacou a professora de apoio escolar do instituto, Ana Paula de Oliveira Vieira, que acompanhou e assessorou a atividade.

 

 

Exemplo de Cidadania

A atividade proporcionou diferentes experiências aos estudantes, que presenciaram histórias de superação dos alunos com deficiência visual. “Fiquei feliz com a atividade porque sei que de alguma forma ajudamos a melhorar o aprendizado desses estudantes. Foi uma experiência muito boa, que contribui para mudar minha percepção do mundo”, disse a estudante Camile de Lara, de 15 anos, que fez o trabalho junto com sua irmã, Caroline de Lara, também de 15 anos.

A aluna Beatriz Cavalcante de Camargo, 15 anos, contou que a iniciativa despertou o interesse em ajudar o próximo. “Essa iniciativa da professora foi muito boa porque, além de ensinar de uma forma divertida, mostrou que se preocupa com seus alunos e com as pessoas ao seu redor. Fazer esse trabalho, conhecer as experiências das pessoas com deficiência visual foi uma experiência muito gratificante que serviu de exemplo para eu querer ajudar ainda mais quem precisa”, contou a estudante.

Todo ano a professora desenvolve pelo menos um projeto social relacionado aos conteúdos matemáticos vistos em sala. No ano passado, os estudantes do 1° ano do ensino médio confeccionaram 26 edredons, colchas e cobertores, arrecadados pelos próprios estudantes, que em seguida foram doados à Casa de Idoso Nova Canaã, vizinha à escola. Para produzir as doações, os alunos utilizaram conhecimentos cálculos de área, gráficos e geometria.

Espetáculo com deficientes visuais faz curta temporada em Curitiba

Com assessoria

Com um espetáculo baseado no conto “O Grande Viúvo”, da obra “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, o Teatro Cego chega para sua estreia em Curitiba, em maio. Serão cinco apresentações, no pequeno auditório do Teatro Positivo, para contar a história de um viúvo que comunica à família que também quer morrer e ser enterrado junto à falecida.

Com elenco formado por três atores cegos e três músicos que, assim como o público, estarão imersos em um ambiente completamente escuro, a intenção é fazer com que todos tenham que se valer de seus outros sentidos (olfato, tato, paladar e audição) para compreender o conteúdo da peça. Essa condição ímpar insere o público no universo dos deficientes visuais, que se utilizam desses quatro sentidos, somados à intuição, para compreender o mundo ao seu redor.

A temporada curitibana será nos dias 12, 13 e 14 de maio, com sessões duplas no sábado (13) e no domingo (14). Os ingressos estão à venda pelo Disk Ingressos.

Serviço:

O que: Teatro Cego – O Grande Viúvo.

Quando: 12, 13 e 14 de Maio. Sexta às 21h; Sábado às 19h e 21h e Domingo às 18h e 20h.

Local: Teatro Positivo – Pequeno Auditório  ( R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido, Curitiba)

Quanto: inteira R$ 50 e meia-entrada R$ 25

Informações e vendas: www.diskingressos.com.br/grupo/463 e nos telefones: (41) 3317-3283 e (41) 3315-0808.

Projeto leva crianças cadeirantes para corridas de rua em Curitiba

As inscrições para cadeirantes e corredores que desejam participar da 1ª etapa do Circuito de Corrida Infantil de Curitiba, marcada para o dia 21 de maio, estão abertas. O projeto, conhecido como “Pernas, pra que te quero”, foi criado há dois anos e reúne crianças com deficiência que utilizam cadeiras de rodas em corridas de rua dos calendários municipais, sendo conduzidos por corredores voluntários.

“Mais que um projeto de inclusão social de pessoas com mobilidade reduzida em corridas de rua, nós queremos que elas – principalmente as crianças – se sintam pertencentes a esta comunidade e incluídas em suas atividades. E que, ao viver essas experiências de liberdade e felicidade, sintam emoções nunca antes sentidas, com o vento na cara e o sorriso no rosto”, conta Rebeca Paciornik Kuperstein, diretora do projeto.

De acordo com a organização do evento, o local da corrida ainda não foi confirmado pela Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba (SMELJ) mas deve ser divulgado nos próximos dias.

O projeto, que já envolveu mais de 100 jovens cadeirantes em seis corridas de rua organizadas em Curitiba e Maringá, disponibiliza o sistema de terceira roda portátil e manopla extensível, que dão segurança e estabilidade para a cadeira durante a corrida.

Inscrições

As inscrições para o evento são dividas em quatro categorias: Corredores Voluntários, Corredores Voluntários Banco do Brasil, Staff e Cadeirantes. O cadastro deve ser feito pela internet.

No evento, três a cinco corredores se revezam conduzindo um cadeirante, em provas de no máximo 2.000m.

Os recursos arrecadados serão destinados à realização de projetos ambientais, sociais, culturais e negociais, realizados em território nacional.

Serviço de atendimento a deficientes está suspenso e não tem data para retomar atividades

Repórter Ana Krüger da CBN Curitiba

O serviço de Reeducação Visual ofertado pelo Centro Regional de Atendimento Integrado ao Deficiente (CRAID), está suspenso e não têm data para ser retomado. Mais de 300 pacientes eram atendidos pelos profissionais.

A nutricionista Aline Flores é mãe da Maria Clara, de dois anos de idade. A menina nasceu com dois problemas de visão: corectopia e estrabismo. Sessões de Reeducação Visual são essenciais para que a menina não perca a visão. A filha já tinha consultas agendadas para fevereiro, quando os atendimentos seriam retomados após as férias. Em uma reunião na manhã desta terça feira (31), a mãe foi informada de que o serviço vai ser encerrado.

Ela reclama da falta de informação. Os usuários foram avisados de que o serviço vai ser fechado. A reportagem da CBN entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) e foi informada de que o serviço de Reeducação Visual, feito em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, está temporariamente suspenso. Amanhã (1) será realizada uma reunião para definir quais medidas serão tomadas para a continuidade do serviço.

Desde os seis meses de idade Maria Clara é atendida pelos profissionais do centro. A mãe relata como o tratamento tem ajudado a menina. “Graças a esse tratamento, minha filha vem desenvolvendo bem a visão e não apresenta perdas visuais”.

Sem a certeza de que o serviço vai ser retomado, a mãe fala que terá que pagar por um tratamento particular.