Piracanjuba confirma investimentos de R$ 110 milhões no Paraná

O diretor-superintendente da empresa de laticínios Piracanjuba, Cesar Helou, confirmou, nesta quarta-feira (14), dois novos investimentos da Região Sudoeste do Paraná que, somados, atingem o valor de R$ 110 milhões. A previsão é que os empreendimentos gerem 370 empregos diretos.

Ele foi recebido pelo governador Ratinho Júnior. “Isso gera emprego e renda para uma importante região do Estado. Uma empresa que colabora com o produtor e vem para ajudar o agronegócio paranaense”, afirmou Ratinho Junior.

A primeira unidade, na cidade de Sulina, começa a funcionar em setembro. Com capacidade de processar 150 mil litros de leite por dia e investimento de R$ 30 milhões, a indústria vai gerar no primeiro momento 70 empregos diretos na produção de queijo fatiado.

Já a construção da unidade de São Jorge D’Oeste começa em 2020, ao custo de R$ 80 milhões, criando 300 empregos diretos.

“Recebemos todo o apoio para que as obras não tenham atrasos, principalmente quanto à necessidade de infraestrutura e energia”, disse Helou.

Prefeito de Sulina, Paulo Horn explicou que a instalação da indústria fará uma grande diferença na vida da cidade, de aproximadamente 4 mil habitantes. “A obra está praticamente concluída. A expectativa é muito boa, com a possibilidade de ampliar os turnos de produção e assim criar mais empregos”, afirmou.

O prefeito de São Jorge D’Oeste, Gilmar Paixão, classifica a chegada da empresa como uma revolução para o município, de pouco mais de 10 mil pessoas. “Para uma cidade essencialmente agrícola, essa conquista significa uma mudança muito grande. Empregos que melhoram situação social do município”, disse.

LEITE

De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o Paraná é o terceiro maior produtor de leite do Brasil, com cerca de 13% da produção nacional. Aproximadamente 90 mil produtores de leite atuam no Estado. Em 2017, segundo os dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram produzidos 4,4 bilhões de litros.

Em 2018, a produção de leite rendeu R$ 5,8 bilhões no Valor Bruto da Produção Agropecuária do Estado, segundo dados preliminares do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, perdendo apenas para o frango, soja e milho.

Peixe parecido com salmão e que sumiu de SP há 30 anos volta ao rio Tietê

Por UOL

Peixe de carne macia e rosada, parecida com a do salmão, a piracanjuba tem retornado aos poucos aos rios Tietê, Pardo e Grande e seus afluentes no Estado de São Paulo.

Desaparecido dos rios paulistas há 30 anos e presente na lista de espécies ameaçadas, o peixe vem sendo estudado e reproduzido pela AES Tietê, braço da empresa de geração de energia AES Brasil, dona da Eletropaulo (concessionária elétrica de São Paulo).

Até agora, 1,6 milhão de alevinos (nome dado a peixes ainda pequenos) de piracanjuba já foram soltos nos rios, afirma o biólogo responsável pelo projeto de repovoamento da empresa, Silvio Carlos Alves dos Santos.

O resultado, diz, abre perspectivas para que surjam novas criações de piracanjuba e para que, no futuro, ela também possa ser pescada diretamente na natureza, o que é proibido

Atualmente, o peixe só pode ser pescado em pesque-pagues, lagos ou tanques particulares onde se paga pela quantidade pescada.

A Colpani Piscicultura, de Mococa (SP), fornece por ano 500 mil alevinos da espécie para estabelecimentos desse tipo em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Minas Gerais. “Não há muitos produtores do peixe”, diz o proprietário Martinho Colpani.

Pesquisa trouxe reprodutores da espécie do Paraná

As pesquisas da AES Tietê foram iniciadas com exemplares trazidos do Paraná há dez anos, e são realizadas em reservatórios construídos nas usinas hidrelétricas de Promissão (a 451 km da capital) e Barra Bonita (a 267 km).

Para estimular a produção de óvulos nas fêmeas e espermatozoides nos machos, é aplicada nos exemplares uma dose de hormônio natural, extraído de peixes que produzem a substância em grande quantidade, como o salmão e a carpa.

Os peixes são colocados em um tanque que simula a piracema, período em que nadam contra a correnteza nos rios, para se reproduzirem. “Eles precisam desse ambiente de correnteza para que aconteça a desova e a fecundação”, diz Santos.

Os ovos fecundados ficam um tanque pequeno, chamado berçário, até se tornarem larvas e, na sequência, peixes. Só então os exemplares são levados a tanques maiores para a fase de crescimento e desenvolvimento.

Os alevinos são soltos nos rios e nos reservatórios da empresa quando atingem entre 12 e 15 cm de comprimento, fase em que já conseguem se defender de predadores, como peixes maiores ou aves, segundo Santos.

A empresa trabalha com outras cinco espécies para repovoamento: pacu-guaçu (que também estava extinto e voltou aos rios), dourado, piapara, curimbatá e tabarana.

Repovoamento é importante para o meio ambiente, diz bióloga

De acordo com a bióloga e professora da universidade Anhembi Morumbi (SP) Luciana Camizotti, a piracanjuba tem despertado o interesse de pesquisadores e produtores por ter uma carne de qualidade e crescimento rápido.

Os motivos de seu sumiço em alguns rios, porém, estão ligados às mudanças no meio ambiente em que vivem.

“A espécie foi considerada em perigo de extinção, provavelmente em consequência da destruição de matas ciliares [que nascem à beira dos rios], poluição ambiental, pesca predatória e construção de barragens hidrelétricas”, afirma.

Para ela, programas de repovoamento são importantes para o equilíbrio ambiental e preservação da fauna nativa da região.