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Dois morrem após acidente com quatro caminhões na PR-323

Dois motoristas de caminhão morreram após colidirem frontalmente com seus caminhões na PR-323, em Sertaneja, na região norte do Paraná. O acidente ainda deixou uma terceira vítima, encaminhada a um hospital da região.

Ao todo, o acidente envolveu quatro caminhões. Conforme a PRE (Polícia Rodoviária Estadual), além dos dois veículos que bateram de frente, outros dois caminhões que trafegavam pela PR-323 acabaram saindo da pista após a batida de frente.

De acordo com a PRE, a colisão frontal aconteceu na altura do km 8, em um trecho de reta, com descidas e subidas leves. Assim, a principal suspeita é de que um dos caminhões envolvidos tenha invadido a pista contrária. Conforme o policial que atendeu a ocorrência, é possível que um dos caminhoneiros tenha sofrido um mal súbito.

Após a colisão frontal, os caminhões ficaram na pista. Outros dois veículos pesados que vinham na sequência também se acidentaram. Em um dos casos, um homem precisou ser levado até o hospital de Sertaneja, no norte do Paraná.

Houve cerca de 16 km de lentidão (8km em cada um dos sentidos). As pistas foram completamente liberadas por volta de 13h.

O SAMU e o Instituto Médico-Legal (IML) foram acionados para prestar apoio ao atendimento.

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Divulgação/PRE
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Beto Richa é denunciado por improbidade administrativa e fraudes na PR-323

O MP-PR (Ministério Público do Paraná) denunciou Beto Richa (PSDB) por atos de improbidade administrativa relacionados às obras da PR-323, no interior do estado. A promotoria pede o bloqueio de bens do ex-governador do Paraná, mas não confirma a quantia exata.

Em nota enviada ao Paraná Portal, a defesa de Richa afirmou desconhecer o fato denunciado e que irá se manifestar nos autos do processo.

Além do tucano, outras pessoas e empresas também foram denunciadas pelo MP-PR nesta mesma ação civil por improbidade administrativa. Os detalhes sobre os acusados não forma confirmados por se tratar de um processo ainda em sigilo.

As investigações do MP-PR estão relacionadas à Operação Piloto, que levou Beto Richa à prisão em 2018. Na ocasião, o ex-governador do Paraná foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo ministro STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Pelo mesmo esquema, o tucano já foi denunciado criminalmente e é réu na JFPR (Justiça Federal do Paraná).

OPERAÇÃO PILOTO

A Operação Piloto, desencadeada em setembro de 2018, investiga uma licitação para a realização de obras e concessão da PR-323, entre Maringá e Francisco Alves, nas regiões norte e noroeste do Paraná.

Beto Richa foi denunciado por receber propina da Tucuman, uma das participantes do consórcio vencedor da licitação. Por meio de um imóvel, o tucano teria sido beneficiado indevidamente em pelo menos R$ 3 milhões. Em contrapartida, a empresa teria sido favorecida no processo licitatório.

O consórcio era liderado pela empreiteira Odebrecht. Depoimentos de ex-executivos delatores deram origem à Operação Piloto.

LEIA A NOTA DE BETO RICHA

“A defesa do ex-governador Beto Richa desconhece absolutamente os fatos e lamenta profundamente ser informada pela imprensa. Respeitará o devido processo legal e se manifestará nos autos do processo e em todas as instâncias previstas pela Constituição e leis brasileiras”.

Trecho da PR-323 será interditado para detonação de rocha

A PR-323 será interditada nesta quarta-feira (28), das 14h às 15h, para detonação de rocha no km 159, após o município de Paiçandu e antes do distrito de Água Boa. Após a detonação, serão feitos os serviços de limpeza da pista e acostamentos para que o tráfego seja liberado.

O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná recomenda que os motoristas utilizem rotas alternativas.

Para Doutor Camargo: sair de Maringá pela PR-317 até a PR-551, passar por Ivatuba e continuar na rodovia até chegar em Doutor Camargo.

Para Cianorte: sair de Maringá pela PR-317 até Engenheiro Beltrão e seguir pela PR-082 até Cianorte.

Para Umuarama: sair de Maringá pela PR-317 e continuar pela PRC-158 até Campo Mourão, seguir pela BR-487 até Cruzeiro do Oeste, retornando à PR-323 até Umuarama.

A detonação é necessária para dar prosseguimento às obras de duplicação da PR-323 entre Paiçandu e Doutor Camargo, um investimento de R$ 73,4 milhões com conclusão prevista para outubro do ano que vem.

Motorista de ônibus é denunciado por acidente que deixou 21 mortos em 2016

Um motorista do ônibus foi denunciado por ser um dos responsáveis de um acidente, em 2016, que deixou 21 mortos e oito feridos. O homem é funcionário da Prefeitura de Altônia, no noroeste do Paraná, e, segundo o Ministério Público (MP-PR), teve uma conduta imprudente na colisão com um caminhão na PR-323.

O acidente foi registrado em Cafezal do Sul, também no noroeste do estado, no dia 31 de outubro de 2016. O motorista, servidor público que prestava serviços para a Secretaria Municipal de Saúde, levava pacientes até a cidade de Umuarama para cirurgias de catarata.

As investigações do inquérito policial apontaram que o motorista conduziu o ônibus na contramão, o que levou à colisão frontal com um caminhão que vinha no sentido contrário. O acidente provocou o vazamento de combustível do caminhão e o consequente incêndio nos dois veículos.

Segundo o promotor Alan Bolzan Witczak, a culpa pela colisão seria imputada aos dois motoristas. Isso porque as perícias indicam que o condutor do caminhão também estava na contramão momentos antes do acidente.

“Os laudos apontam que o motorista efetuou uma manobra de fuga para sua esquerda. Na visão do Ministério Público, de maneira imprudente. Ele invadiu a pista na contra-mão e por isso o acidente ocorreu. Era possível simplesmente utilizar o acostamento. Assim, aconteceu uma responsabilidade recíproca de ambos os condutores. No direito penal, essas responsabilidades não se anulam”, diz o promotor.

Em nota, a prefeitura de Altônia afirma que o motorista continua exercendo a função e que prestou atendimento às vítimas.

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Por fraude, Marcelo Odebrecht ligou, jantou e compareceu a casamento de Richa

Ao denunciar o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), o Ministério Público Federal (MPF) reforçou a narrativa de como o político se aproximou do herdeiro da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht. O grupo comandado pelo tucano é acusado de ter recebido R$ 7,5 milhões em vantagens indevidas por fraudar a licitação da PR-323.

A responsabilidade da duplicação da rodovia que liga Maringá a Francisco Alves, no noroeste do Paraná, foi entregue à Odebrecht em 2014. Envolvida na Lava Jato, a empreiteira não foi capaz de tocar a obra bilionária e o projeto que previa a duplicação e outras melhorias na “rodovia da morte” nunca saiu do papel.

Uma sucessão de fatos levou aos crimes, segundo o MPF. A denúncia sustenta que o relacionamento entre político e empresário foi estreitado por vários anos, com jantares, almoços e até a presença de Marcelo Odebrecht no casamento do filho do então governador do Paraná.

Aproximação

A força-tarefa Lava Jato narra que Beto Richa e Marcelo Odebrecht começaram a se aproximar em 2010, quatro antes antes da fraude à licitação denunciada. Segundo os procuradores, em princípio, os primeiro pagamentos feitos pela empreiteira ao tucano “contaram com qualquer contraprestação específica conhecida, sendo usados apenas para iniciar um bom relacionamento com o grupo político que viria a comandar o Estado nos anos seguintes”.

A denúncia sustenta que em 25 de maio de 2010 houve uma troca de e-mails para marcar um almoço entre executivos da Odebrecht, Beto Richa, Pepe Richa (irmão do ex-governador) e Deonilson Roldo (que em 2010 era o chefe de gabinete de Beto Richa, na época ainda prefeito de Curitiba).

Três meses depois, em 10 de agosto, uma nova troca de e-mails interceptada pela Lava Jato indicam a organização de um jantar na casa de Marcelo Odebrecht com a presença de Beto Richa e empresários.

Em 3 de outubro daquele ano, logo após a vitória de Beto Richa nas eleições para o governo do Paraná, Marcelo Odebrecht ligou para o tucano para parabenizá-lo.

Richa iniciou o mandato em janeiro de 2011 já com a promessa de duplicação da PR-323. O relacionamento entre o político e a Odebrecht é mantido. E confirmado, segundo a força-tarefa Lava Jato, pela presença de Marcelo ao casamento de André Richa, filho do então governador. A festa aconteceu no dia 6 de maio de 2011, no Castelo do Batel, tradicional e luxuoso espaço para eventos de Curitiba.

Richa usou empresa e imóveis para lavar dinheiro de propina

Odebrecht e PR-323

De acordo com o diretor da Odebrecht e delator, Luiz Antônio Bueno Junior, a empreiteira começou a se envolver oficialmente no processo de duplicação e operação da PR-323 no início de 2013. Neste período a construtora deu início aos trabalhos de estudo para a elaboração do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), uma fase preliminar ao processo de licitação. O investimento inicial nas obras da rodovia foi estimada em R$ 1,2 bilhão apenas nos cinco primeiros anos.

O edital foi publicado em janeiro de 2014, já com algumas alterações pedidas por emissários e representantes da Odebrecht. Antes mesmo da publicação oficial do edital, o MPF afirma que nos bastidores do governo do Paraná a Odebrecht se movimentava para obter o contrato. Como evidência do direcionamento da licitação, os procuradores também apresentam o extrato de 33 contatos telefônicos entre representantes do governo e da empreiteira.

Após uma série de encontros, reuniões e mudanças no processo licitatório, o contrato de concessão da PR-323 foi assinado no dia 5 de setembro de 2014.

Acusados

Além do ex-governador Beto Richa (PSDB), foram denunciados o irmão dele, Pepe Richa, o primo dele, Luiz Abi Antoun, e outras quatro pessoas. São apontados os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude licitatória e lavagem de dinheiro. O grupo teria recebido cerca de R$ 7,5 milhões em vantagens indevidas.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os denunciados fraudaram a licitação em favor do Consórcio Rota das Fronteiras, composto, entre outras, pela empresa Tucumann Engenharia e pela Odebrecht. A investigação apontou o contato entre empresários ligados às empresas integrantes do consórcio e os agentes públicos antes mesmo da publicação das diretrizes para a licitação ganha posteriormente pelo consórcio.

A investigação aponta que o executivos da Odebrecht ofereceram pelo menos R$ 4 milhões a Denilson Roldo, no interesse de Beto Richa, Pepe Richa e Ezequias Moreira e, para viabilizar o recebimento dissimulado de valores, Dirceu Pupo Moreira e Luiz Abi Antoun atuaram como intermediários.

Dentro deste valor prometido pelos empresários, perícias dos sistemas DROUSYS e MyWebDay, da Odebrecht, revelaram no intervalo de dois meses ao longo de 2014, pagamentos superiores a R$ 3,5 milhões para o codinome “Piloto”, utilizado para identificar o ex-governador.

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Mesmo após decisão do STF, Operação Piloto não vai para Justiça Eleitoral

Denúncia

  • Beto Richa – Denunciado pelos crimes de fraude em licitação, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
  • José Richa Filho – Denunciado pelos crimes de fraude em licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Luiz Abi Antoun – Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Rafael Gluck – Denunciado pelos crimes de fraude em licitação, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
  • José Maria Ribas Mueller – Denunciado pelos crimes de fraude em licitação, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
  • Ezequias Moreira – Denunciado pelos crimes de fraude em licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Dirceu Pupo Ferreira – Denunciado por crimes de lavagem de dinheiro.

Defesas

Em nota, a defesa de Beto Richa reitera apenas que o ex-governador não cometeu irregularidades. “Defesa reafirma que seu cliente não cometeu nenhuma irregularidade, e que sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos. Reiterando assim, a inocência do ex-governador e a confiança no Poder Judiciário”, diz.

O Paraná Portal tenta contato com as defesas dos demais denunciados.

Colisão entre dois carros deixa seis mortos na PR-323

Um grave acidente terminou com a morte de seis pessoas na PR-323, na região de Umuarama, no noroeste do Paraná, na madrugada desta sexta-feira (19).

Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), as vítimas estavam em dois carros que bateram de frente. Quatro estavam no veículo com placas de Perobal e as outras duas estavam no carro com placas de Umuarama.

Ainda segundo a PRE, a alta velocidade pode ter causado o acidente. Um dos veículos marcava 160 km/h e o outro 120 km/h no trecho em que a velocidademm máxima é de 100 km/h.

Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal de Umuarama.

Após 4 anos, obras começam na PR-323

Depois de quatro anos de espera, investigações e prisões dentro da operação Lava Jato, começou ontem a primeira fase das obras de duplicação da PR-323, no Noroeste do Paraná. Nesta primeira fase, segundo o governo do estado, 20,7 quilômetros serão duplicados entre as cidades de Paiçandu e Doutor Camargo.

A empresa Torc Terraplanagem, Obras Rodoviárias e Construções venceu a licitação por R$ 73,2 milhões (o teto previsto em edital era de R$ 100 milhões). A obra será executada com recursos próprios do governo. Além da pista dupla, o edital prevê serviços de terraplanagem, pavimentação, drenagem, sinalização e construção de dois viadutos e uma trincheira.

Lava Jato

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), no início de 2014 o então chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo, recebeu o diretor do grupo Contern, que tinha interesse na duplicação. Roldo disse a ele que o governo tinha “um compromisso” na obra. De acordo com a força- -tarefa da Lava Jato, o compromisso era com a Odebrecht, que em troca da obra pagaria R$ 4 milhões em propina para o grupo de Beto Richa.

O MPF apurou que R$ 3,5 milhões foram pagos. Jorge Theodocio Atherino, empresário e amigo de Richa, teria participado do esquema.

O consórcio 323, comandando pela Odebrecht, ganhou a licitação, mas na época o governo não comprovou que teria condições de pagar a contrapartida necessária para o projeto ser financiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Depois disso, a obra passou a ser alvo da Lava Jato. Em abril, o então governador Beto Richa anunciou a abertura de uma nova licitação.

Roldo e Atherino foram presos no dia 11 de setembro por determinação do juiz Sérgio Moro, na 54ª fase da operação Lava Jato, a “Operação Piloto” – uma referência a Beto Richa.

Moro acata denúncia contra ex-chefe de gabinete de Richa e mais dez

O  juiz federal Sérgio Moro acatou denúncia contra onze pessoas ligadas ao governo do Paraná pelos crimes de corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro, nesta quarta-feira (5). A denúncia foi oferecida hoje pelo Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o órgão, provas apontam o pagamento de propina pela Odebrecht para favores ilegais relacionados à Parceria Público Privada (PPP) para exploração e duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá, no noroeste do estado, durante o ano de 2014, cujo valor era de R$ 7,2 bilhões.

Entre os denunciados estão o empresário Jorge Theodócio Atherino, apontado como “operador” (intermediário que gerenciava as propinas) do ex-governador Carlos Alberto Richa (Beto Richa), e o ex-chefe de gabinete deste último, Deonilson Roldo; além de Adolpho Julio da Silva Mello Neto, Benedicto Barbosa da Silva Junior, Fernando Migliacchio da Silva, Luciano Riberiro Pizzatto, Luiz Antônio Bueno Junior, Luiz Eduardo Soares, Maria Lucia Tavares, Olívio Rodrigues Junior e Álvaro José Galliez Novis.

Denúncia poupa Beto Richa, mas MP quer seguir investigando

Cinco depoentes confirmam propina da Odebrecht ao governo do Paraná

O ex-governador Beto Richa teria recebido R$ 4 milhões em propina. Ele não aparece na denúncia de hoje, mas os procuradores afirmam que as investigações contra ele continuam. Moro mandou declarar sigilo nos rendimentos de Richa e deu prazo de cinco dias para que o MPF apresente provas.

Anote-se, porém, sigilo nível 3 sobre as declarações de rendimentos de Carlos Alberto Richa, Ezequias Moreira Rodrigues, já que não foram denunciados e talvez tenham sido juntadas por lapso. Deverá o MPF esclarecer se os elementos probatórios em questão são necessários para instruir a acusação. Prazo de cinco dias“, afirma o juiz em despacho.

Por meio de nota, o governador negou as acusações. “O ex-governador sempre pautou suas ações baseado nos princípios legais. A obra de duplicação da rodovia PR-323 nunca aconteceu”, afirma. 

Crimes

De acordo com a denúncia, no final de janeiro de 2014, executivos da Odebrecht procuraram o então chefe de gabinete do governador Beto Richa, Deonilson Roldo, e pediram apoio para afastar eventuais concorrentes interessados na licitação  para exploração e duplicação da PR-323.

Após uma primeira reunião, Roldo teria voltado a se encontrar com executivos da empreiteira, informando que daria a ajuda ilegal solicitada pela companhia na licitação, mas para isso contava com a ajuda da empresa na campanha do governador daquele ano de 2014. Desta maneira, ele solicitou vantagens indevidas com o pretexto de que supostamente seriam usadas em campanha.

Em seguida, em 14 de fevereiro de 2014, Deonilson Roldo teve uma terceira reunião com os executivos da Odebrecht. Nesse encontro, o então chefe de gabinete do ex-governador afirmou que tinha procurado as empresas CCR e Viapar, que indicaram que não participariam da licitação. Informou, ainda, que o Grupo Bertin tinha interesse na concorrência por intermédio da empresa Contern.

Em razão do interesse da Contern, em 24 de fevereiro de 2014, Deonilson Roldo chamou o executivo dessa empresa, Pedro Rache, para uma conversa no Palácio Iguaçu. No encontro, gravado pelo último e transcrito na denúncia, o ex-chefe de gabinete do ex-governador informou ao empresário que tinha “compromissos” com a Odebrecht e solicitou ostensivamente que a empresa Contern se afastasse do certame licitatório para obtenção do contrato da PR-323. No mesmo diálogo, Deonilson Roldo, de forma direta, vinculou a desistência da licitação a interesses do Grupo Bertin, que controlava a Contern, na Copel, empresa de energia elétrica do Estado do Paraná.

Após diversos adiamentos dos prazos de entrega das propostas, finalmente, em 25 de março de 2014, o Consórcio Rota Das Fronteiras, composto pela Odebrecht, Tucumann, Gel e America, foi o único a fazer proposta na licitação, sagrando-se vencedor da concorrência pública para a concessão patrocinada do corredor da PR-323. O contrato foi assinado em 5 de setembro de 2014.

Depois de a Odebrecht vencer a licitação, em meados de julho de 2014, o empresário Jorge Atherino compareceu ao escritório da Odebrecht em Curitiba para cobrar as propinas ajustadas nos encontros com Deonilson Roldo.

Diante do contato de Atherino, o diretor-superintendente da Odebrecht para a região Sul e São Paulo requereu a utilização do Setor de Operações Estruturadas da companhia – responsável por pagamentos ilícitos – para realizar pagamento de subornos em favor de agentes públicos do Estado do Paraná. Foi aprovado o pagamento ilícito de R$ 4 milhões, e Jorge Atherino informou os endereços em que deveriam ser entregues os valores.

Registros de pagamentos

Após perícia da Polícia Federal nos sistemas Drousys e MyWebDay do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, foram identificados registros de cinco pagamentos das propinas que foram estabelecidas na forma descrita acima, que totalizaram R$ 3.500.000,00, entre os meses de setembro a outubro de 2014. Os endereços de entrega eram no município de São Paulo, em condomínio relacionado à sogra de Jorge Atherino.

Na denúncia, o MPF afirma que provas colhidas na investigação demonstram que, embora os valores tenham sido solicitados como se fossem “ajuda da campanha”, o dinheiro foi usado como contrapartida da venda da função pública e para o enriquecimento pessoal dos agentes públicos. Dentre estes estava o próprio Deonilson Roldo, que entre os meses de setembro e outubro de 2014 depositou R$ 90 mil em espécie, de forma fracionada, em conta correntes que controlava.

O MPF requereu, na denúncia, a continuidade das investigações para apurar a participação de outros envolvidos.

Investigação na primeira instância

A investigação em relação a estes fatos tramitava no Superior Tribunal de Justiça desde 2016 pelo fato de Beto Richa então ocupar o cargo de governado do Estado, possuindo foro privilegiado. Com a renúncia ao cargo de governador para concorrer ao senado, os autos foram inicialmente remetidos para o juiz Sergio Moro, por conexão com as apurações do caso Odebrecht.

A defesa do ex-governador recorreu contra a decisão e o próprio STJ decidiu remeter o caso para a Justiça Eleitoral.

Veja a nota de Richa na íntegra

A defesa do ex-governador entende que as alegações do Ministério Público Federal não apresentam qualquer sustentação. O ex-governador sempre pautou suas ações baseado nos princípios legais. A obra de duplicação da rodovia PR-323 nunca aconteceu. Também nenhum recurso público, de origem federal ou estadual, foi aportado na licitação. Não houve também qualquer direcionamento em licitação. Tanto é assim que a Corte Especial do STJ decidiu de forma unânime que tal investigação deva ocorrer na Justiça Eleitoral, na qual será comprovada, sem sombra de dúvidas, a lisura dos atos do ex-governador. Infelizmente, tornou-se comum delatores apresentarem falsas afirmações na tentativa de se verem livres das penas que, certamente, serão condenados pelos graves crimes praticados.

Em 10 anos, 442 pessoas já morreram na PR-323

Repórter Eduardo Xavier do Metro Maringá

A PR-323, que hoje está no meio de um imbróglio jurídico entre um consórcio de empresas e o governo do Estado e sem solução definitiva para a sua duplicação, registrou 6.655 acidentes em 10 anos que resultaram em 4.592 feridos e 442 mortes.

Os dados são referentes ao trecho de 178 km entre Maringá e Perobal de responsabilidade da 4ª Cia. PRV (Companhia de Polícia Rodoviária Estadual). A estrada tem pontos deformados e sinalização deficiente.

A duplicação da rodovia é uma reivindicação dos paranaenses. O governador Beto Richa (PSD) rescindiu o contrato de PPP (Parceria Público Privada) entre o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e o consórcio que venceu a licitação para fazer as obras entre Maringá e Francisco Alves. Richa anunciou que o Estado vai fazer investimentos na rodovia com recursos próprios.

“Faremos as obras com recursos próprios para garantir a segurança desejada pelas famílias do noroeste.” De 1º de janeiro a 27 de julho, oito pessoas morreram na PR-323. No mesmo período do ano passado, foram 23 óbitos.

O presidente da Acim (Associação Comercial de Maringá), José Carlos Valêncio, que tem representação na Copedu (Comissão Permanente pela Duplicação da PR-323), diz que “a duplica- ção é uma reivindicação antiga da classe empresarial e representantes de várias associações comerciais, igrejas e entidades já cobraram a obra do governador”.

Governo vai assumir obra de R$ 1 bilhão da Odebrecht no Paraná

Metro Jornal Curitiba

O governador Beto Richa, anunciou ontem que o Estado deve rescindir a Parceria Público-Privada (PPP) assinado entre o DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná) com o consórcio liderado pela Odebrecht, que venceu a licitação para a duplicação dos 207 quilômetros da PR-323, entre Maringá e Francisco Alves.

Estimada em R$ 1 bilhão, a obra entrou no limbo da empreiteira depois que seu nome foi envolvido na Operação Lava Jato, contrariando lideranças regionais e constrangendo o governo que, até agora, não se manifestara sobre qual destinação pretendia dar ao caso.

A relação do Estado com o consórcio vencedor da PPP se reverteu em um imbróglio jurídico de consequências ainda imprevisíveis, mas o governador garantiu ontem que as obras serão executadas “com recursos próprios do Estado, garantindo, dessa forma, a segurança desejada pelas famílias do Noroeste”, em nota divulgada pela assessoria.

O procurador-feral do Estado, Paulo Rosso, insiste que o governo trabalha para rescindir amigavelmente com o consórcio.