Comissão Técnica de Meio Ambiente cobra nova era para a sustentabilidade

Integrantes da Comissão Técnica de Meio Ambiente da FAEP pediram a autoridades, durante reunião no dia 19 de julho, na sede da entidade em Curitiba, que o Estado entre em uma
nova era de políticas ambientais. A pauta incluiu debates sobre agilidade na liberação de licenças ambientais, resolução de impasses com relação a terras invadidas, necessidade de
revisão na postura de órgãos de fiscalização, sustentabilidade, acesso a novos mercados, turismo rural, entre outros temas.

“Quando começamos, no início do ano, percebemos que há segmentos no Paraná para os quais temos que dar uma atenção, melhorar as ações. Dentro da agricultura, por exemplo, temos frango, peixe, suíno, leite, entre outros. Tem também em outras áreas as hidrelétricas, postos de combustíveis. Enfim, detectamos 20 setores”, conta o secretário estadual de Meio Ambiente Márcio Nunes. “A visão da Secretaria está voltada ao empreendedorismo. Hoje qualquer negócio no mundo que não levar a marca da sustentabilidade, já começa falido”, completa.

Como exemplo de uma das ações diretas na melhoria das condições de produção com relação aos aspectos ambientais, a FAEP tem integrado, junto com a Ocepar (além de técnicos e produtores rurais), um grupo de trabalho para revisar resoluções antigas quanto à liberação de licenças ambientais. A maioria das mudanças propostas é relacionada a prazos e limites para obtenção de licenciamentos.

Na ocasião, o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette, enfatizou que, sabendo da importância da natureza para a produção de alimentos, agricultores e pecuaristas paranaenses, há décadas, investem quantias milionárias em ações que visam a preservação. “Ou investimos para nos mantermos atualizados ou ficamos na estrada. O mercado, sabemos como funciona. Temos que ter consenso de que o mundo está mudando. Nós, na FAEP e no SENAR-PR, estamos preparando todo tipo de treinamento e tomando todas as atitudes necessárias para fazer frente a essas necessidades”, salientou.

Mudanças na gestão

O secretário relatou que algumas mudanças estruturais promovidas na atual gestão devem trazer maior agilidade na hora das análises de licença ambiental, como a extinção de coordenadorias e a inclusão, sob o guarda-chuva da pasta, do Instituto Água e Terra (IAT), a Paraná Turismo, o Invest Paraná e o Simepar. “Temos a possibilidade de receber o empreendedor que está disposto a investir, dar todas as orientações necessárias e, na sequência, viabilizar a licença ambiental com seguranças técnica e jurídica para que o negócio não seja barrado após o seu início”, garante Nunes.

O principal objetivo com as alterações é proporcionar uma mudança na cultura, fortalecer que há um caminho próspero para quem quer trilhar um trajetória como empresário. “Queremos mostrar com clareza que os empreendedores têm tapete vermelho no Paraná. Não vamos afrouxar, flexibilizar, acabar com o meio ambiente, não é isso. Queremos dar todas as orientações possíveis para que as pessoas obtenham o seu intento. Sabemos que o trabalho é a grande mola motriz de qualquer economia. A missão da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo só acaba a partir do momento em que o cidadão colocou o negócio para funcionar, gerando emprego”, enfatiza.

Questões fundiárias

No plano federal, o secretário Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Antônio Nabhan Garcia, também sinalizou para uma nova postura com relação à condução dos conflitos envolvendo terras. “O passivo do Paraná é o maior do Brasil disparado, com essas questões de propriedades invadidas”, diagnosticou. “Fica efetivamente concretizada uma parceria com os governos federal e estadual, para que nós façamos essas reintegrações [de posse]. Vamos passar o Brasil e o Paraná a limpo, fazer Justiça, e não ter mais a irresponsabilidade de permitir invasão”, disse.

Nabhan salientou ainda que o Paraná cumpriu 19 reintegrações de posse neste ano, um exemplo a ser seguido por outros Estados. “É isso que o Brasil precisa. Não vamos dar mais mau exemplo, porque qualquer país do mundo que se diz democrático não pode aceitar e conviver com isso”, defendeu.

Turismo rural como chamariz de negócios

Outro ponto levantado durante a reunião é o fato de que ainda não há uma legislação que regulamente a questão da emissão de notas fiscais de prestação de serviço pelos produtores rurais. Sobre isso, a deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR) se comprometeu a levar a questão a Brasília para uma análise e, posteriormente, uma alternativa – Projeto de Lei ou resolução que envolva os ministérios da Agricultura e o Turismo.

O desenvolvimento do turismo rural também está na pauta do governo estadual, segundo o presidente da Agência Paraná Turismo, João Jacob Mehl. “Temos que evoluir nesse segmento, como ocorre na Europa, onde as pessoas vão a uma propriedade rural e podem dormir, se alimentar, usufruir da fazenda. Começamos a participar de feiras nacionais de turismo e temos propostas para feiras internacionais. Temos ainda a TV Educativa, que foi transformada em TV Turismo. Tudo isso vai facilitar muito o nosso trabalho de vender o Paraná como destino”, enfatizou.

A deputada federal Aline Sleutjes também falou sobre uma viagem que fez, representando o Brasil. A parlamentar integrou a comitiva do governo federal à Ásia – Japão, China, Vietnã e Indonésia – em busca de abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. “Na China, conseguimos alavancar um setor de suma importância, o da carne. Estamos com dificuldade de liberação desse comércio há muitos anos. Tem frigoríficos há muitos anos tentando se credenciar para mandar carne para lá. Nós devemos credenciar 78 plantas junto a China e, possivelmente, outras para continuar ampliando as possibilidades de negócio”, relatou Aline.

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Edital oferece recompensa financeira a proprietários que preservarem áreas naturais

Proprietários que preservarem áreas naturais localizadas na região do Reservatório Piraquara 1, na Região Metropolitana de Curitiba, poderão receber uma recompensa financeira.

Essa é a proposta do projeto de pagamento por serviços ambientais (PSA) Manancial Vivo, criado pela Prefeitura de Piraquara com o objetivo de incentivar a conservação de áreas naturais, localizadas em áreas particulares, estratégicas para a garantia da quantidade e qualidade hídrica de um dos principais mananciais de abastecimento da Grande Curitiba.

Nesta semana, a Prefeitura Municipal de Piraquara, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a Sanepar, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a SPVS, o poder legislativo municipal e o Conselho Municipal de Meio Ambiente lançaram o edital que selecionará as propriedades que serão beneficiadas pelo programa durante três anos. Interessados têm até o dia 6 de junho de 2019 para se inscrever.

Os selecionados pelo edital poderão receber de R$ 81,30 a R$ 650,40 por hectare de área natural preservada. Ao todo, R$ 750 mil serão disponibilizados em três anos de projeto.

Segundo o coordenador de Soluções baseadas na Natureza da Fundação Grupo Boticário, Renato Atanazio, o pagamento por serviços ambientais é uma forma eficiente de garantir a conservação dos ambientes naturais que atuam como “esponja” – retendo a água na bacia, o que garante o recurso em períodos de estiagem – e como filtros naturais que reduzem significativamente os custos de tratamento de água. “Esses ambientes são também chamados de infraestrutura natural por serem parte indispensável para o funcionamento do sistema de abastecimento público. Como muitas destas áreas estratégicas estão situadas em áreas particulares, exigindo a restrição de uso e adoção de boas práticas, nada mais justo que haver uma retribuição a esses proprietários” destaca.

A ação começou a ser desenhada em 2014 com apoio da iniciativa Oásis, criada pela Fundação Grupo Boticário para incentivar e promover a valorização dos ambientes naturais por meio de mecanismos de incentivo econômico a proprietários que se comprometam com a conservação de áreas naturais e a adoção de práticas conservacionistas de uso do solo.

Mais de três toneladas de lixo foram retiradas dos manguezais neste ano

Trabalho realizado pela comunidade portuária, entre janeiro e setembro de 2018, resultou na coleta de 3,7 toneladas de resíduos dos manguezais do litoral do Estado. O volume é 560% maior do que o total coletado em 2017 e é resultado da intensificação dos mutirões de limpeza.

Desde 2016, quando a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) deu início ao programa de Monitoramento de Manguezais e passou a realizar mutirões bimestrais para limpeza das áreas, foram 4,9 toneladas de lixo retirados do meio ambiente.

Regularmente são feitas limpezas nos mangues localizados nos bairros Rocio e Oceania, além da Ponta da Pita, em Antonina. Em 2018, porém, mutirões especiais foram feitos em comunidades ilhadas e às margens do Rio Itiberê, localizado na cidade de Paranaguá.

O diretor de Meio Ambiente da APPA, Bruno Guimarães, explicou que a quantidade de lixo coletado indica que ainda é preciso conscientizar mais pessoas para a proteção dos mangues. “Quando a gente fala esses números todos, isso também nos traz uma preocupação muito grande porque tem mais gente descartando resíduos de forma errada e esses resíduos estão indo para essas áreas”, disse.

Ao todo, são monitoradas 564 árvores das espécies mangue-vermelho, mangue-negro e mangue-branco.

Os técnicos acompanham dados como crescimento e diâmetro, avaliam impactos naturais – como a ação das correntes marítimas –, e possíveis impactos decorrentes da ação humana. Segundo Bruno Guimarães, os mangues tem grande importância para o meio ambiente. “Eles são importantes para vida marinha em um todo, são berçários para várias espécies. Além de servir como uma barreira natural contra erosão”, explicou.

A APPA acompanha o estado de conservação dos bosques de mangue em cinco áreas representativas no entorno do Complexo Estuarino de Paranaguá: Rocio, Oceania, Amparo, Ilha do Mel e manguezais no entorno do Porto de Antonina.

As análises são trimestrais e usam equipamentos e registros fotográficos para acompanhar o crescimento ou a estabilidade da vegetação.

Outra ação analisa a erosão (saída de sedimentos) ou sedimentação (chegada) nos manguezais. Os processos acontecem naturalmente no ambiente, mas podem ser intensificados pela interação humana.

Por isso, a APPA realiza visitas a cada quatro meses, no mínimo, em mangues e praias de ilhas e comunidades de Paranaguá e Antonina.

 

Vegetação nativa ocupa 30% do território do Paraná

A vegetação nativa ocupa um total de 30,3% do território paranaense, segundo estudo técnico-científico do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) realizado em parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A pesquisa teve como base a análise de imagens de satélite (Landsat/OLI), vinculadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). O CAR é um procedimento que todos os proprietários rurais precisam cumprir até o dia 31 de dezembro deste ano, que inclui o preenchimento de dados detalhados dos imóveis rurais, como a geolocalização exata das áreas de preservação.

Segundo o levantamento, o Paraná possui 5,8 milhões de hectares (30,13% de sua área total) de vegetação nativa somados Floresta Nativas e Mangues. As outras partes mapeadas mostram que 12,8 milhões de hectares (66,51%) são de áreas antrópicas (pastagem, agricultura e reflorestamento), 378,6 mil hectares (1,96%) de lâminas d’água e 270,3 mil hectares (1,40%) de áreas urbanas. Ao todo, o território paranaense soma 19,9 milhões de hectares.

De acordo com o IAP, a classificação de uso das áreas do Estado está de acordo com as classes estabelecidas para análise dos cadastros realizados junto ao CAR. Como o prazo para enviar as informações ao Cadastro termina no final do ano, ainda haverá uma correção desses números. A variação, no entanto, não deve ser grande, já que até 31 de julho deste ano o Paraná já tinha cadastrado 412,7 mil imóveis rurais e 16,8 milhões de hectares.

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Preservar a natureza custa R$ 20 bilhões por ano aos produtores rurais

A preservação ambiental em propriedades rurais tem um custo de R$ 20 bilhões ao ano. É o que aponta um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Territorial, com base nos números do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Esse é o valor investido apenas na manutenção dessas áreas. Se for considerado o capital imobilizado, ou seja, o total de áreas que não podem ser exploradas economicamente porque estão com vegetação, o montante chega aos R$ 3,1 trilhões. Afinal, são 218,2 milhões de hectares em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais em todo o território nacional dentro de propriedades rurais.

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De acordo com o pesquisador Gustavo Spadotti Castro, supervisor na Embrapa Territorial, o estudo utilizou os dados do CAR, disponibilizado pelo Serviço Florestal Brasileiro. Os números tratam dos perímetros de cada propriedade rural e a demarcação das áreas destinadas à preservação. “Foram mais de 180 gigabytes de dados compactados para transformar esse big data em um right data, que possa gerar conclusões como esses números”, comenta.

Spadotti revela que os técnicos trabalharam polígono por polígono onde estão as propriedades rurais, já excluindo as áreas de sobreposição que ocorreram ao longo do preenchimento do CAR. “Com isso, fizemos o cruzamento desse levantamento com a base de dados de preço da terra para cada local do Brasil. Fizemos isso tomando por base o fato de que o agricultor compra uma propriedade rural como um todo, com suas áreas de APP e Reserva Legal. Por isso, essas áreas preservadas chegam a esse valor de R$ 3,1 trilhões”, aponta.

O pesquisador pondera que, além do valor patrimonial que não pode ser explorado economicamente, o agricultor precisa tomar uma série de medidas para que uma área de preservação ambiental cumpra esse papel. “O produtor precisa cercar o local como um todo para evitar a entrada de ladrões ou mesmo alguém que pode atear fogo. Se alguém roubar madeira, atear fogo, matar algum animal lá dentro ou qualquer coisa do tipo, o produtor será responsabilizado. Em alguns casos é preciso inclusive a contratação de vigilância constante para fazer a segurança das propriedades e evitar problemas”, complementa.

A produtora rural Indianara Milléo, de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, compartilha a preocupação entre as decisões que precisam ser tomadas no ambiente dinâmico e competitivo do agronegócio atual. A região onde a produtora tem seus negócios instalados é bastante frequentada por turistas, que em alguns casos acampam trazendo risco de incêndios. “Tenho que manter alguém o tempo todo para cuidar da área. Sem contar que tive que fazer aceiros [barreiras anti-incêndio] e investir em cercas. Há uma necessidade de alerta e investimento constante. Preservar o meio ambiente não é apenas deixar o mato crescer e tudo acontecer de forma espontânea”, alerta a produtora.

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No Paraná, produtor rural cuida da natureza além do que pede a Lei

Os proprietários rurais do Paraná preservam a natureza além do que é exigido pela Lei. É o que aponta um estudo nacional realizado pela Empresa Brasileira Agropecuária (Embrapa) com base nos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os números foram detalhados pelo pesquisador Carlos Alberto de Carvalho, analista de sistemas que participa da frente de trabalho, em um encontro na sede do Sistema FAEP/SENAR-PR, em Curitiba, no dia 19 de fevereiro.

O CAR foi uma exigência do governo federal a partir da aprovação do Código Florestal de 2012. Desde então, todos os donos de terras do Brasil estão obrigados a fazer um cadastro detalhado, com base em imagens de satélite, das áreas que possuem e a indicação de onde mantêm as áreas de preservação exigidas por Lei. O prazo passou por algumas prorrogações e agora a data final para que esse procedimento seja realizado vai até 31 de maio de 2018.

A versão do estudo apresentada por Carvalho considera os dados dos cadastros realizados até dezembro de 2017. Segundo o pesquisador, o Paraná tem 19,97 milhões de hectares no total. Destes, 14,8 milhões são propriedades rurais. A estimativa é que dentro dessas propriedades sejam destinados à preservação da vegetação 4,04 milhões de hectares, o que representa 27,3% de toda a área destinada à produção agropecuária.

“Isso é um número muito impressionante, porque a Lei exige que os produtores protejam 20%. Nós temos, então, no Paraná, um ‘excedente’ de vegetação de aproximadamente 7%. Isso é muito interessante porque mostra, por exemplo, todo o comprometimento dos produtores do Estado com a preservação da vegetação nativa, um total alinhamento com a proteção ambiental aliada com a produção agrícola”, disse Carvalho.

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Paraná amplia áreas protegidas em 10,7 mil hectares

Desde 2011, o Paraná ampliou a proteção de mata nativa, incorporando mais 10,7 mil hectares em áreas de preservação. Foram criadas ao todo 26 Unidades de Conservação de diferentes categorias e outras cinco foram ampliadas, recategorizadas ou regularizadas. “O trabalho demonstra que o governo estadual tem um compromisso com a conservação ambiental”, afirma o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato Pinto. “Além do combate ao desmatamento ilegal nós estamos preocupados em proteger os remanescentes que ainda existem”, completa.

O maior e mais importante ato de proteção ocorreu em junho desse ano, quando dois decretos ampliaram em 4,65 mil hectares a área de proteção ambiental da Mata Atlântica em Paranaguá, no Litoral. Um deles aumentou a área da Estação Ecológica Guaraguaçu em 3,39 mil hectares.

O outro decreto criou o Parque Estadual do Palmito, antes classificado como floresta estadual e que permitia o uso sustentável dos recursos naturais no local. Com a mudança, o agora Parque Estadual se tornou área de proteção integral. Ou seja, é permitido, apenas, o uso indireto dos seus recursos naturais, como em pesquisas científicas e no turismo ecológico, por exemplo.

Esse mesmo decreto também ampliou em 1,26 mil hectares a área da Unidade de Conservação, que passou a ter 1,78 mil hectares.

FAXINAIS – Outra categoria entre as Unidades de Conservação criadas nesse período protege mais de 4 mil hectares. Ao todo, são cinco faxinais que foram reconhecidos em 2013.

O Faxinal abriga comunidades tradicionais do Paraná. Nele a terra é coletiva e as famílias fazem troca de produção agrícola e exploração sustentável da floresta.

RESERVAS PARTICULARES – Além desses locais, grande parte das Unidades de Conservação criadas contaram com a participação social. Nesse período, 21 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) foram criadas voluntariamente por cidadãos que se preocupam com a questão ambiental. Ao todo, essas unidades de conservação protegem 2,7 mil hectares de importantes fragmentos florestais do estado.

Para ser considerada como RPPN a área deve apresentar características que provem a relevância ambiental do local como, por exemplo, abrigo para espécies da fauna ou flora nativas ou, ainda, justificar a recuperação ambiental devido sua grande importância para o ecossistema ou região. As reservas podem ser criadas em áreas urbanas ou rurais, por pessoa física ou jurídica, sendo possível incluir em seu perímetro as áreas de reserva legal e de preservação permanente.

As reservas mais recentes estão no município de Tamboara, no Noroeste do Estado. As duas áreas foram reconhecidas em julho e abrangem 29,6 hectares de mata nativa.

Com o reconhecimento, os proprietários dos imóveis agora precisam trabalhar na elaboração de um Plano de Manejo para cada local. “O Plano de Manejo de Reserva Particular do Patrimônio Natural representa mais que uma questão legal. É o estabelecimento de um elo de parceria entre o poder público e os proprietários, uma ferramenta norteadora para sua administração”, explica o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos.
O Paraná conta hoje com 259 RPPNs cadastradas e averbadas como federais, estaduais ou municipais. Elas protegem mais de 54 mil hectares de mata nativa, que além de garantir a preservação do ambiente, também contribuem para incremento de renda aos municípios através do ICMS Ecológico.

ICMS ECOLÓGICO – Para incentivar a criação dessas áreas, o Paraná foi o primeiro estado do País a remunerar os municípios que possuem áreas de mata nativa protegidas por lei e bem preservadas. O programa criado em 1991 tem o objetivo de repassar recursos para aquelas cidades que mantém áreas de mata nativa ou de mananciais bem preservadas, com plano de manejo, investimentos e melhorias para a recuperação ambiental.
Do total do ICMS arrecadado pelo Estado do Paraná, 5% é destinado aos municípios de forma proporcional, em função do tamanho, importância, grau de investimento na área, manancial de captação.

Secretario de Agricultura alerta para a necessidade de preservação do solo durante o Dia de Campo

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, fez um alerta a produtores sobre a necessidade contínua de preservação do solo. As declarações foram feitas na abertura do Dia de Campo Verão 2017, na quarta-feira (15). O evento reuniu cerca de 1.100 produtores e foi realizado pela Cooperativa Agrária Agroindustrial e pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), em Guarapuava.

Segundo Ortigara, o alerta vale para todos os agricultores paranaenses. “Estou participando do nono evento técnico no estado e fevereiro ainda nem terminou. Isto demonstra a atenção que as entidades dão ao agronegócio, buscando mais sintonia entre ciência e agricultura, mas não podemos esquecer do maior patrimônio do agricultor, que é o solo”, destacou.

Para completar a mensagem que o secretario levou aos agricultores, a engenheira agrícola da Seab, Débora Grimm fez a palestra de apresentação do Prosolo- Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná, que está em curso no estado. “Este programa surgiu a partir de uma demanda da iniciativa privada junto com o Governo do Paraná para alavancar ainda mais a agricultura paranaense”, destacou Débora.

O diretor financeiro da Cooperativa Agrária, Arnaldo Stock, concorda que o aprendizado, seja em cursos ou dias de campo deve ser constante porque a agricultura é uma atividade extremamente dinâmica. “Mesmo com excelentes resultados na região, ainda temos problemas e precisamos melhorar”, pontuou. Na área da cooperativa chegam a atingir uma produtividade de 12 mil kg/hectare nas lavouras de milho, enquanto a média paranaense em milho fica em torno de 8.800 kg/ha.

Rally da Sustentabilidade

Na terça-feira (14) aconteceu o encerramento do 2 Rally de Uso e Conservação do Solo e da Água, também chamado Rally da Sustentabilidade, e promovido pela Agrária. O evento é uma nova estratégia para mostrar tecnologias de uma forma lúdica e desafiadora. Segundo Leandro Bren, coordenador da Fapa e do Rally, 41 equipes participaram do rally que percorreu um trajeto de 195 km. “ O percurso foi dividido em 10 estações, cada uma com uma mensagem e um desafio sobre o tema conservação de solos. Foi um sumário do que foi visto depois no Dia de Campo”, explicou Bren.

No encerramento e premiação dos participantes do Rally ficou a mensagem de que cuidar do solo é tão importante ou mais do que falar em produtividade. “Temos que ter em mente que somos passageiros aqui e emprestamos a terra dos nossos filhos e temos que deixar um legado para eles no futuro”, afirmou Arnaldo Stock, integrante da equipe vencedora.

Prosolo

O Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná- Prosolo, criado em agosto do ano passado, está aberto à adesão de agricultores que tenham problemas de compactação ou erosão de solo em sua propriedade para iniciarem o trabalho de recuperação.O produtor tem ate agosto deste ano para aderir. Segundo Débora Grimm, o produtor terá depois um ano para apresentar um projeto, e mais três para implantá-lo na sua propriedade. “ Por isso nós estamos aproveitando todas as oportunidades para divulgação deste programa para que ninguém fique de fora”, informa.

O Paraná tem uma legislação de conservação de solo moderna e que está sendo atualizada. O secretario Norberto Ortigara lembrou que o papel do estado é fiscalizar e fazer cumprir a lei, porém quer dar condições aos agricultores paranaenses para adequarem suas propriedades. “Antes de sairmos multando agricultor, queremos que o trabalho seja feito, por isso ouvimos as demandas e organizamos com vários parceiros formas de atender estas necessidades”, comentou.

Um dos gargalos trabalhado nos eixos do programa é a capacitação de técnicos e agentes municipais. “Os produtores sentiam dificuldade em encontrar pessoas capacitadas para elaboração de projetos, e também faltam nos municípios agentes para fazer as estradas dentro das práticas conservacionistas para conduzir a água corretamente”, explica Débora.

A pesquisa também foi uma outra demanda, especialmente a aproximação dela com a realidade e diferenças de cada região. Para isto foi criada a Rede Paranaense de Pesquisa que definiu a conservação de solos como prioridade e reúne fundações, universidade e entidades de pesquisa do Estado com o mesmo objetivo. “Esta sendo lançado agora, pela Fundação Araucária, um edital para financiar o mesmo tipo de pequisa em regiões diferentes, para ai final de dois anos, publicar um livro com as recomendações específicas”, conclui Débora.

O Prosolo trabalha com cinco eixos, em cooperação técnica entre os parceiros que incluem Faep,/Senar-Pr, Fetaep, AMP, Febrapdp, Apepa, Ocepar, Secretarias de Estado da Agricultura e Abastecimento e da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Itaipu Binacional, Emater, Iapar, Adapar, Codapar, Copel e Sanepar.

Biólogos e voluntários recolhem R$ 1 mil em moedas nas Cataratas do Iguaçu

Cerca de R$ 1 mil em moedas de vários países foram retirados do Rio Iguaçu, em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná. A limpeza foi feita por biólogos e montanhistas voluntários, que usaram técnicas especiais para chegar perto das Cataras do Iguaçu – quedas que chegam a 40 metros de altura.

Jogar moedas é uma superstição dos visitantes do local: muitos turistas acreditam que seus pedidos serão realizados caso o ritual seja cumprido. Com isso, segundo o biólogo Apolônio Rodrigues, que coordenou a ação, foram recolhidos cerca de 40 kg em moedas do Brasil, Argentina e Paraguai.

O Parque Nacional do Iguaçu, onde ficam as cataratas, recebe aproximadamente 5 mil visitantes em dias normais. Nos feriados e fins de semana, este número triplica.

Foram quatro equipes, uma delas nas quedas e outras nos rios. Na ação de limpeza também foram recolhidos 270 quilos de lixo, incluindo algumas peças inusitadas como sandálias e capacetes.

As moedas recolhidas serão doadas a instituições de caridade da região.

Tradição prejudicial

Apolônio Rodrigues ressalta que a tradição de jogar dinheiro no rio traz inúmeros prejuízos a fauna e flora do Parque Nacional do Iguaçu.

“Essas moedinhas, quando são lançadas, são novas, têm brilho. E algumas aves aquáticas que são predadoras acabam confundindo isso com os peixes, pois elas atacam os peixes justamente quando veem o brilho das escamas ao sol. Então elas bicam essas moedas e às vezes engolem, isso traz problemas para os animais. Esse material, com o tempo, também oxida e traz mais problemas para o meio ambiente”, explica.

Quem visita o Parque Nacional do Iguaçu é orientado a apreciar a natureza sem jogar nenhum tipo de lixo no local.