Com medo de ameaças, Jean Wyllys, do PSOL, desiste de mandato e deixa o Brasil

Carlos Juliano Barros

Eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys vai abrir mão do novo mandato.
Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, o parlamentar -eleito com 24.295 votos e que está fora do país, de férias- revelou que não pretende voltar ao Brasil e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, confirmou que a vaga de Wyllys deve ser ocupada pelo suplente David Miranda (PSOL-RJ), que atualmente é vereador no Rio de Janeiro.
Desde o assassinato da sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte, comuns mesmo antes da morte da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de abandonar a vida pública.

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justifica. De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

Primeiro parlamentar assumidamente gay a encampar a agenda LGBT no Congresso Nacional, Wyllys se tornou um dos principais alvos de grupos conservadores, principalmente nas redes sociais. Ele também se diz “quebrado por dentro” em virtude de fake news disseminadas a seu respeito, mesmo tendo vencido pelo menos cinco processos por injúria, calúnia e difamação.

“A pena imposta, por exemplo, ao Alexandre Frota não repara o dano que ele produziu ao atribuir a mim um elogio da pedofilia. Eu vi minha reputação ser destruída por mentiras e eu, impotente, sem poder fazer nada. Isso se estendendo à minha família. As pessoas não têm ideia do que é ser alvo disso”, afirmou Wyllys.

Deputado federal eleito pelo PSL de São Paulo, Frota foi condenado em primeira instância na Justiça Federal, em dezembro do ano passado, a pagar uma indenização de R$ 295 mil por postar uma foto de Jean Wyllys acompanhada de uma declaração falsa: “A pedofilia é uma prática normal em diversas espécies de animal, anormal é o seu preconceito”.

Wyllys se ressente, sobretudo, da falta de liberdade no Brasil. “Como é que eu vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha vida não podendo frequentar os lugares que eu frequento?”, questiona. Também avisa que vai se desconectar das redes sociais temporariamente e que não pretende acompanhar a repercussão do seu anúncio.

“Essa não foi uma decisão fácil e implicou em muita dor, pois estou com isso também abrindo mão da proximidade da minha família, dos meus amigos queridos e das pessoas que gostam de mim e me queriam por perto”, explica. Sobre o futuro, ele ainda não tem planos definidos. “Eu acho que vou até dizer que vou para Cuba”, ironiza.

Pergunta – Quando você decidiu abrir mão do mandato?
Wyllys – Eu já vinha pensando em abrir mão da vida pública desde que passei a viver sob escolta, quando aconteceu a execução da Marielle. Antes disso, havia ameaças de morte contra mim e, curiosamente, não havia contra ela. Nunca achei que as ameaças de morte contra mim pudessem acontecer de fato. Então, nunca solicitei escolta.
Mas, quando rolou a execução da Marielle, tive noção da gravidade. Além dessas ameaças de morte que vêm desses grupos de sicários, de assassinos de aluguel ligados a milícias, havia uma outra possibilidade: o atentado praticado por pessoas fanáticas religiosas que acreditavam na difamação sistemática que foi feita contra mim.

Você chegou a ser agredido?
Wyllys – Além dos xingamentos, tinha gente que me empurrava, mesmo com a presença dos seguranças ao meu lado. E a coisa foi se agravando por causa da campanha baseada em fake news. Eu não era candidato à Presidência da República, mas a principal fake news me envolvia -o kit gay. Foi uma fake news produzida em 2011 e atribuída a mim.
No dia em que ocorreu o eclipse lunar [27/07], aquele em que a Lua ficou vermelha, eu não podia descer porque eu estava ameaçado. Só podia descer com a escolta, e a escolta não estava lá. Uma coisa simples, um fenômeno no céu que eu não podia ver.
Nesse dia, tive uma crise de choro e falei: “Eu vou largar tudo”. Não posso estar no meu país e não poder descer para ver um eclipse lunar sem ser insultado por pessoas que acham que sou pedófilo, que quero homossexualizar crianças.

Você cogitou a ideia de não se candidatar?
Wyllys – Não cheguei a pensar nisso porque estava no fluxo do trabalho. E não era uma questão só minha, envolvia o partido. Mas, quando já era candidato, pensei em abandonar a candidatura. Aí, durante a eleição aconteceu o atentado contra o presidente, esse atentado que está por ser explicado ainda, e isso atiçou ainda mais a violência contra mim nos espaços públicos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiu uma medida cautelar logo depois da eleição. O documento é claríssimo: é baseado em todas as denúncias que nós fizemos à Polícia Federal, no fato de que a Polícia Federal não avançou nas investigações sobre as ameaças contra mim. No fato de que a proteção era pífia.
A OEA deu um prazo para o Estado responder quais eram as providências que estava tomando em relação à minha proteção. A resposta foi a mais absurda possível.
O Estado não reconheceu que havia uma violência homofóbica no Brasil. Isso com quatro pessoas LGBTs ou mais tendo sido mortas durante o processo eleitoral, com o Moa do Katendê tendo sido assassinado na Bahia por causa do ambiente de violência política que se estabeleceu no Brasil.
A resposta do Estado à OEA foi dizer que eu estava seguro, tanto é que eu participei das eleições. É uma piada. Eu não via a hora de sair de férias porque queria sair do país. Porque estava me sentindo inseguro, mesmo com a escolta me acompanhando. Quando saí de férias, experimentei de novo uma vida em liberdade. Aí, tomei a decisão de não voltar.

Você se firmou como um dos principais adversários de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, a ponto de ter cuspido na cara dele durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A eleição de Bolsonaro contribuiu para sua decisão de não assumir o novo mandato?
Wyllys – Não foi a eleição dele em si. Foi o nível de violência que aumentou após a eleição dele. Para se ter uma ideia, uma travesti teve o coração arrancado agora há pouco. E o cara [o assassino] botou uma imagem de uma santa no lugar.
Numa única semana, três casais de lésbicas foram atacados. Um deles foi executado. A violência contra LGBTs no Brasil tem crescido assustadoramente.
O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: “Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis”. E é isso: eu não quero me sacrificar.
A violência contra mim foi banalizada de tal maneira que Marilia Castro Neves, desembargadora do Rio de Janeiro, sugeriu a minha execução num grupo de magistrados no Facebook. Ela disse que era a favor de uma execução profilática, mas que eu não valeria a bala que me mataria e o pano que limparia a lambança.
Na sequência, um dos magistrados falou que eu gostaria de ser executado de costas. E ela respondeu: “Não, porque a bala é fina”.
Veja a violência com homofobia dita por uma desembargadora do Rio de Janeiro. Como é que posso imaginar que vou estar seguro neste estado que eu represento, pelo qual me elegi?

Você é o principal porta-voz do movimento LGBT no Congresso. Num momento em que o debate em torno dessas pautas tende a se acirrar, como você se sente abrindo mão do mandato?
Wyllys – Para o futuro dessa causa, eu preciso estar vivo. Eu não quero ser mártir. Eu quero viver. Acho que essa violência política que se instalou no nosso país vai passar. Pode ser que no futuro eu retome isso, mas eu nem penso em retomar porque há tantas maneiras de lutar por essa causa que não passam pelo espaço da institucionalidade.

Você foi um dos primeiros políticos a usar intensamente a internet. Como você enxerga a atual atmosfera das redes sociais?
Wyllys – A diferença é que eu usava a internet para dar transparência ao meu trabalho, para ampliar os canais de comunicação e de democracia direta com a população. Nunca usei a internet para difamar ninguém, para caluniar ninguém.
Essa é a diferença para essas novas estrelas das redes sociais. Elas usam as redes sociais para a divulgação de fake news.
Há uma bancada inteira eleita com base em mentiras, inclusive contra mim. Eu venci processos contra umas cinco pessoas que me caluniaram. Só que esses processos não reparam o dano que isso causou na minha vida e na vida da minha família.
A pena imposta, por exemplo, ao Alexandre Frota não repara o dano que ele produziu ao atribuir a mim um elogio da pedofilia. Eu vi minha reputação ser destruída por mentiras e eu, impotente, sem poder fazer nada. Isso se estendendo à minha família. As pessoas não têm ideia do que é ser alvo disso.

Quais são seus planos? Para onde você vai?
Wyllys – Eu não vou falar onde estou. Eu acho que vou até dizer que vou para Cuba [ironiza]. Eu sou professor, dou aula. Eu escrevo, tenho um livro para terminar. Eu vou recompor minha vida. Eu vou estudar, quero fazer um doutorado.
Vou escolher um lugar onde eu possa fazer meu doutorado, que eu não pude fazer durante esses anos. Vou tocar minha vida dessa outra maneira.
Quando eu estiver refeito, quando eu achar que é a hora, eu volto, não necessariamente para esse lugar da representação política parlamentar, mas para a defesa da causa -isso eu nunca vou deixar de fazer.

Qual foi a reação do seu partido, o PSOL?
Wyllys – O partido reconhece que de fato eu sou um alvo e me deu apoio na minha decisão de não voltar. Reconhece que são graves as ameaças contra mim, que eu corro risco, que há uma vulnerabilidade maior pelo fato de eu ser identificado com a causa LGBT. Lamenta, claro, mas apoia minha decisão.

Você acha que a defesa muito enfática que você fez do mandato de Dilma Rousseff, e sobretudo do ex-presidente Lula, contribuiu para que esse clima de animosidade contra você crescesse?
Wyllys – Acho que sim. Acho que tudo acabou se misturando e eu fui convertido em um inimigo público para essas pessoas. Havia quem fizesse ameaça por conta desse ódio antipetista e havia quem quisesse me calar de fato. Tudo isso se misturou.
O PSOL reconhece essa vulnerabilidade. Mesmo os meus eleitores compreenderão isso. Milhares de pessoas não foram às ruas para protestar contra a execução da Marielle Franco à toa. Elas foram porque ficaram indignadas com a execução de uma mulher honesta, digna, uma parlamentar com um futuro brilhante que foi executada por uma rajada de metralhadora, parte dos tiros na cara dela.
Eu não quero ter esse fim. E para não ter esse fim eu não volto e não vou assumir o mandato. Não estou renunciando a nada porque sequer investi no mandato.

Você se arrepende de algo nesses oito anos como deputado federal?
Wyllys – Não me arrependo de nada. Eu acho que dei uma bela contribuição, que pode não ser reconhecida agora por causa das fake news, dos ataques e das mentiras, mas o espelho retrovisor pode mostrar de maneira clara como eu estive do lado certo o tempo inteiro.
A conquista do casamento civil igualitário foi uma conquista que dependeu muito da minha luta. Tenho muito orgulho do que fiz. Durante esses oito anos, enfrentei tudo isso com muita dignidade. Mas sou humano e cheguei ao meu limite.
E me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário [ex-PM suspeito de chefiar milícia que é investigada no caso Marielle]. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim.

Qual é sua expectativa para o governo Jair Bolsonaro e qual deve ser o papel da oposição nos próximos quatro anos?
Wyllys – Não tenho nenhuma expectativa positiva em relação a esse governo. O nível de violência contra as minorias aumentou drasticamente desde que esse sujeito foi eleito. As suas relações pouco republicanas já vieram à tona -dele e de seus filhos. Então, não tenho boas expectativas.
A política econômica também não desenha um bom horizonte. O choque do neoliberalismo em um país desigual como o nosso não será bom. E acho que o Ministro da Justiça [Sergio Moro] deve no mínimo prestar algum tipo de satisfação à população. Então, minhas perspectivas não são as melhores.
E acho que a saída para as esquerdas é a união. Mas, sinceramente, eu não quero mais opinar sobre isso porque estou abrindo mão do mandato justamente para não ter mais que opinar neste momento sobre essa questão. Quero cuidar de mim e me manter vivo.

TSE nega pedido do PSOL para redução de mensagens via WhatsApp até o dia da eleição

O Ministro Edson Fachin, do Tribunal Superior Eleitoral, negou o pedido feito pelo Psol para que a Justiça obrigasse a empresa WhatsApp a tomar medidas contra a circulação de notícias falsas pela plataforma de mensagens instantâneas.

A ação protocolada solicitava que a Justiça Eleitoral determinasse em caráter de urgência, ou seja, de forma liminar, que a empresa restringisse ao máximo possível a possibilidade de compartilhamento de mensagens e de criação de novos grupos até o dia do segundo turno das eleições, 28 de outubro.

O partido justificava que a medida seria necessária para garantir que o pleito ocorra de forma honesta.

Em sua decisão, o ministro menciona que o Psol não comprovou de forma suficiente a necessidade da medida. Ele cita que a Justiça pode presumir que as pessoas têm a intenção de prejudicar a eleição quando divulgam notícias falsas.

O pedido ainda deve ser analisado pelo plenário do TSE, mas isso não tem prazo para acontecer.

PT pede para TSE declarar inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos

A coligação que sustenta a candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República e o PSOL entraram com pedidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) seja investigada em razão das suspeitas de uso de sistemas de envio de mensagens em massa na plataforma WhatsApp custeados por empresas de apoiadores do candidato.

A denúncia foi feita nesta quinta-feira (18), em reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Segundo o texto, empresas contrataram firmas de marketing digital que comercializam serviços de disparo de centenas de milhões de mensagens no Whatsapp em contratos de até R$ 12 milhões. Um dos apoiadores seria Luciano Hang, da rede de varejo catarinense Havan, que apoia Boslsonaro.

Entre as companhias de assessoria digital contratadas para efetuar os disparos em massa estariam a Quickmobile, a Yacows, a Croc Services e a SMS Market. Conforme o texto, Jair Bolsonaro declarou ter gasto apenas R$ 115 mil com a empresa AM4 Brasil Inteligência Digital para serviços relacionados a mídias digitais.

Na ação, a coligação de Haddad argumenta que há indícios de condutas que podem incorrer em três crimes eleitorais. A primeira é a doação de pessoa jurídica (popularmente conhecida como caixa 2), proibida no pleito deste ano depois do financiamento empresarial ter sido retirado como alternativa pela reforma política aprovada em 2017.

O segundo crime seria a utilização de perfis falsos para propaganda eleitoral. Outro seria a compra irregular de cadastros de usuários, o que fere a proteção de dados prevista no Marco Civil da Internet (12.965/2014). Os advogados de Haddad afirmam que se trata de um “evidente caso de abuso econômico”.

A ação requer a cassação do registro de Bolsonaro e que ele seja declarado inelegível por oito anos. Os advogados pedem também que a Justiça Eleitoral dê ao Whatsapp 24 horas para promover um plano de contingência que bloqueie o envio das mensagens em massa pelas firmas de comunicação digital citadas na reportagem.

Por fim, o documento solicita a busca e apreensão de documentos na sede da rede varejista Havan e na casa de seu dono, Luciano Hang, cópia da documentação contábil e financeira e quebra de sigilo telefônico e bancário do empresário para averiguar a relação dele com empresas de comunicação digital e com a campanha de Bolsonaro.

Pelo Twitter, Bolsonaro afirmou que não tem controle sobre apoios voluntários e que o PT não está sendo prejudicado por fake news, mas pela “verdade”. Em seu perfil no Facebook, Luciano Hang disse que vai processar a Folha de S.Paulo e desafiou o jornal a mostrar os contratos de envio de mensagens em massa.

PSOL

Já o PSOL entrou no Tribunal Superior Eleitoral com uma ação focada na plataforma WhatsApp. O partido requer uma liminar para que a Justiça Eleitoral determine à empresa a restrição do compartilhamento de mensagens, “limitando-se o máximo possível”, bem como a redução do tamanho dos grupos na rede social.

No documento, o partido justifica o pedido com artigos e documentos apresentados por especialistas nesta semana, apontando a grande circulação de notícias falsas na plataforma e possíveis mecanismos para minimizar o efeito, como a redução dos destinatários para encaminhamento de mensagens e o tamanho dos grupos.

As recomendações foram feitas pela organização não governamental (ONG) Safernet e pelos professores Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo, e Fabrício Benvenuto, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Piva é o terceiro candidato ao Governo a ter o registro aprovado pelo TRE

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deferiu, nesta quarta-feira (12), o registro de candidatura do professor Luiz Piva (Psol) ao Governo do Paraná. É o terceiro candidato a ter o registro confirmado pela Justiça Eleitoral. Ratinho Junior (PSD) e Cida Borghetti (PP) já tiveram as candidaturas homologadas. Até o final desta semana, o TRE deve julgar todos os pedidos.

Entre os candidatos ao governo, gera expectativa a posição que o TRE tomará em relação à candidatura de Ogier Buchi (PSL). O candidato não foi registrado por seu partido, que decidiu, depois da convenção, desistir da candidatura própria, mas registrou-se individualmente. O partido, no entanto, impugnou o próprio candidato.

Na eleição para o Senado, a maior expectativa é quanto ao registro da candidatura de Beto Richa (PSDB), uma vez que a candidatura do ex-governador foi impugnada pelo Ministério Público Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. O MPE aponta que o tucano estaria inelegível pro ter sido condenado em segunda instância pelo uso de verbas publicas para bancar estadia em Paris, no retorno de uma viagem internacional quando governador.

A prisão do ex-governador na manhã da última terça-feira (11) pode ser um fato novo a ser considerado pelos juízes eleitorais no momento de avaliar a impugnação a sua candidatura.

 

“Paraná nunca teve um governante que represente quem vive do seu próprio trabalho”, diz Piva

Candidato do PSOL ao governo do Paraná, Professor Piva disse, em sua entrevista ao Paraná Portal, que sua candidatura representa o anseio da classe trabalhadora de chegar à administração pública. “Represento aqueles que trabalham, que sustentam o estado, que mantém toda a estrutura administrativa, que criam seus filhos, que sobrevivem com seu trabalho e que nunca tiveram a oportunidade de fazer algo que é fácil, que é governar. Trabalhar e sobreviver é que é difícil e isso eu sei fazer: criei minhas três filhas com salário de professor. Então, governar, acho que vai ser uma coisa até agradável”, afirmou.

Piva diz que a crise política que assola o Brasil está relacionada às campanhas eleitorais. “Campanhas eleitorais milionárias geram corrupção. As campanhas são caras porque eles compram votos. Haja vista os recursos desviados das obras da secretaria de educação, que foi tudo usado para campanhas eleitorais”.

O candidato disse que, se eleito, sua primeira medida como governador seria “revogar todas as maldades implementadas pelo governo do Beto Richa com o Ratinho Júnior”: “o aumento do ICMS, o aumento de 40% no IPVA, uma série de maldades que eles praticaram. A forma de rever, poderá ser por decreto, ou mesmo mobilizando o povo e fazendo plebiscitos”.

Professor de carreira do estado ele propõe, para a educação, diminuir o número de alunos por sala de aula, garantir a data base e as condições de trabalho, respeitando a lei do piso e a hora atividade.

O candidato discorda de que, para governar, o administrador precisa do apoio da maioria do Legislativo. “Por que o governador quer ter um monte de deputados ao seu lado? Por que o prefeito quer ter todos os vereadores? Por que eles precisam roubar, precisam de dinheiro para as campanhas milionárias. Para ter isso, eles precisam tirar dinheiro do seu bolso e precisam comprar deputados, para que o parlamento não cumpra seu papel de fiscalizá-los, para que eles não sejam cassados. Como eu não vou roubar, não vou precisar comprar deputado”.

Piva disse, ainda, que vai retomar para o controle do estado a administração das rodovias pedagiadas, cujos contratos de concessão vencem em 2021. “Vou lavar a honra do contribuinte paranaense, que vem sendo roubado desde quando aprovaram esse modelo de pedágio. Vamos mandar todas essas empresas para a casa e, algumas delas, para a cadeia. A estrada é um bem público, foi construído com nosso dinheiro. Lucrar com exploração de estradas, nunca mais”.

Confira a íntegra da entrevista:

Veja as outras entrevistas da série:

Psol anuncia ação contra ex-governador Beto Richa

O Psol anunciou ontem (8) que vai entrar com uma ação para que Beto Richa (PSDB) se torne inelegível neste ano. “Vamos nos reunir com a Executiva do partido para tomar a decisão final, mas é só uma questão formal pois até agora ninguém foi contra”, disse Rodrigo Tomazini, candidato ao Senado pela sigla.

Richa foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Paraná e terá que devolver os recursos da estadia de um final de semana em Paris, em 2015. Na ocasião, Richa e Fernanda ficaram na cidade sem agenda oficial e em um hotel de luxo.

Apesar da ameaça do Psol, a defesa do tucano garante que o processo não se enquadrada em nenhum dos casos da Ficha Limpa, já que se tratar de uma ação popular em que a única punição foi a devolução dos recursos.

Antes de protocolar a ação, o Psol ainda tem que aguardar o registro da candidatura da Richa e a publicação do acórdão do TJ-PR.

PSOL lança em convenção Boulos, que promete descriminalizar o aborto

Guilherme Boulos foi oficializado na tarde deste sábado (21) como candidato à presidência pelo PSOL, se comprometendo a revogar medidas do governo Temer e descriminalizar o aborto.

“Nosso primeiro compromisso é revogar as medidas do governo Michel Temer”, disse Boulos, que foi recebido pela militância sob o grito de “Eu não abro mão de um presidente que faz ocupação”.

A convenção foi promovida em um hotel em São Paulo e contou com outros líderes do partido, como o deputado estadual do Rio Marcelo Freixo e a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina.

Boulos, 35, também afirmou que defenderá o direito ao aborto e tratará o tema como uma questão de saúde pública, citando dados sobre mulheres que morrem com abortos clandestino, especialmente pobres e negras.

“As mulheres estão morrendo. O tema tem que ser trazido à tona. Não pode ficar debaixo da mesa”, disse.

Coligado ao PCB, o PSOL aposta numa campanha feita “de baixo para cima”, com apoio dos movimentos sociais, para conquistar o eleitorado e superar dificuldades, com os 13 segundos na propaganda eleitoral na TV e no rádio.

PSOL vai confirmar Guilherme Boulos como candidato à Presidência

O PSOL confirma neste sábado (21), durante convenção na capital paulista, a escolha de Guilherme Boulos como candidato à presidência da República nas eleições de outubro. A chapa será composta por Sônia Guajajara, que será a candidata à vice-presidência. Participam da convenção 61 membros do diretório nacional além de parlamentares do partido, de pré-candidatos aos governos estaduais, à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e às assembleias legislativas. A assessoria do PSOL também divulga a presença de militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e de organizações indígenas. As informações são da Agência Brasil.

Guilherme Boulos nasceu na capital paulista, tem 35 anos, é filho de dois médicos e professores da USP (Universidade de São Paulo). É filósofo formado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, na qual ingressou no ano 2000. Também é psicanalista, professor e escritor. Sua vida política começou em 1997, aos 15 anos, quando ingressou no movimento estudantil como militante na União da Juventude Comunista. Depois conheceu o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, do qual é coordenador.

Sônia Guajajara é indígena e faz parte do povo Guajajara/Tentehar, da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Filha de pais analfabetos, ela deixou suas origens pela primeira vez aos 15 anos, quando recebeu ajuda da Funai para cursar o ensino médio em Minas Gerais. Depois, voltou para o Maranhão, onde se formou em Letras e Enfermagem e fez pós-graduação em Educação Especial. Militante indígena e ambiental já lutou contra projetos que ameaçavam o meio ambiente, ganhando projeção internacional pela luta travada em nome dos direitos dos índios e voz ativa no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).

Carro suspeito de ter sido usado no assassinato de vereadora é localizado em MG

A Polícia Civil de Minas Gerais informou ter localizado na cidade de Ubá, região da Zona da Mata, um carro suspeito de ter sido usado nos assassinatos da veredora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes na última quarta-feira (14) no Rio de Janeiro.

O veículo tem características semelhantes – como cor e modelo – ao que foi usado no crime.

Policiais do Rio foram informados da apreensão e uma equipe foi deslocada para o município mineiro hoje (18). De acordo com a polícia de Minas, o veículo ainda será periciado e não é possível confirmar se realmente é o carro que participou da emboscada.

Crime

Na última quarta-feira, a vereadora Marielle Franco foi morta com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando criminosos emparelharam um veículo com o carro da vítima e dispararam nove vezes. O motorista do veículo, Anderson Gomes, também morreu. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu.

A Polícia Civil do Rio já tem imagens do momento em que Marielle saía do encontro. Elas mostram que o carro onde estava a vereadora foi seguido por outros dois automóveis. Até agora as primeiras informações sobre as investigações apontam para crime premeditado.

Disque Denúncia

O Portal dos Procurados do Disque Denúncia divulgou um cartaz para receber informações que possam ajudar nas investigações da Polícia Civil, que tem à frente a Delegacia de Homicídios da Capital (DH). Quem tiver qualquer informação que possa ajudar na identificação ou localização dos assassinos, pode usar o Whatsapp ou Telegram do Portal dos Procurados (21) 98849-6099 ou também o número da Central de Atendimento do Disque Denúncia (21) 2253-1177. Outras opções são a página do Portal dos Procurados no Facebook e o aplicativo Disque Denúncia-RJ. O portal garante o anonimato.

Em Curitiba, ato para homenagear vereadora e pedir punição reuniu 2,5 mil

Bruno Bocchini e Jonas Valente – Repórteres Agência Brasil

A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes na noite de ontem (14), no Rio de Janeiro, motivou atos em todo o Brasil e em capitais de outros países nesta quinta-feira (15). Segundo estimativa do PSOL, partido da parlamentar, foram organizadas mais de 20 manifestações no país. Foram realizados atos também em Buenos Aires, Montevidéu, Lisboa, Berlim, Londres, Amsterdã e Nova York.

Curitiba

Na capital paranaense, o ato teve início às 18h30 e tomou a Praça Santos Andrade, no centro. Segundo estimativa dos organizadores, aproximadamente 2.500 pessoas estiveram presentes. Os participantes se revezaram em mensagens de luto e enfatizaram a necessidade de lutar contra a violência contra a população negra e as mulheres.

“A gente sabe que não temos representação nas casas legislativas. A morte da Marielle foi machista e racista porque sabemos que ninguém quer mulheres e negros no poder. Que a vida dela e do Anderson não tenha sido em vão, quem ousou apontar o dedo na cara do poder”, afirmou Waleiska Fernandes, do coletivo Partida.

Rio de Janeiro

No Rio, uma multidão está reunida no centro da cidade, na Cinelândia, onde prestam homenagem à vereadora e ao motorista e cobram que os responsáveis sejam punidos. Manifestantes acenderam velas na Câmara dos Vereadores e também penduraram faixas com dizeres como: “Marielle Gigante” e “Não nos calarão”.

São Paulo

Milhares de pessoas ocuparam no início da noite de hoje (15) o vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). As seis faixas de rolamento em frente ao prédio do museu foram bloqueadas ao tráfego de carros. Discursos comovidos se alternaram a gritos de palavras de ordem como “Marielle, presente”.

O ato na capital paulista também contou com a participação das percussionistas do instituto cultural Ilú Obá de Min, que tocaram tambores em homenagem a vereadora assassinada. Em seguida, a manifestação seguiu em passeata pelas ruas do centro da capital paulista.

“Parece que estou em um filme de terror. A gente vem para o Masp tantas vezes para fazer grandes mobilizações, manifestações feministas, mas nunca [a vítima] é uma mulher tão próxima da gente. Uma vereadora é uma mulher que tem poder. E supostamente está protegida. Mas não. Ela pode ser o que for. Ela vai seguir sendo mulher e seguir sendo mulher negra. A fragilidade de todas nós é muito grande”, destacou a vereadora pelo PSOL em São Paulo, Sâmia Bomfim.

Para a presidente da União da Juventude Socialista (UJS) e ex-presidente da União Nacional do Estudantes (UNE), Carina Vitral, a perda de Marielle é irreparável. “Não é qualquer militante política que foi assassinada. Ela era uma militante do tema da segurança pública. Do tema das favelas. Do tema dos mais pobres. E ao meter o dedo na ferida, ela foi executada por esse sistema e isso precisa ser absolutamente investigado”, disse.

Brasília

Em Brasília, o ato começou às 17h e reuniu mais de 300 pessoas na Praça Zumbi dos Palmares, tradicional palco de manifestações no centro da cidade. Representantes de diversos movimentos sociais e partidos estiveram presentes para prestar homenagens, destacar a luta histórica de Marielle e cobrar apuração do crime.

Segundo Jacira Silva, diretora do Movimento Negro Unificado (MNU), a violência contra negros não é nova, mas a morte de Marielle e de Anderson significou o ápice de uma escalada que se amplifica no contexto da intervenção federal na segurança pública do Rio.

“Quando há casos assim, ou são absolvidos ou não cumprem suas penas. A impunidade que historicamente ocorre no país não pode continuar. Que os autores sejam responsabilizados”, defendeu a diretora.

PSOL

A direção do PSOL avaliou a realização dos atos como uma reação importante ao crime e como um chamado para que não fique impune. A legenda vai continuar chamando novas mobilizações em parceria com outros movimentos sociais.

“Os atos do dia de hoje mostraram que o Brasil já não suporta mais conviver com a violência policial, a impunidade e os crimes políticos. Todos os anos centenas de lutadores sociais são executados de forma bárbara e agora também parlamentares. A gente não podia tolerar isso antes e não pode agora”, disse o presidente do partido, Juliano Medeiros.

Para Keka Bagno, do Diretório Nacional do PSOL, a morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes está relacionada à disputa entre milícias e a intervenção federal e teria sido uma execução. A dirigente afirma que o partido quer a participação dos governos do Rio de Janeiro e federal para que haja respostas efetivas sobre o crime, que segundo ela, teve conotação política.

“Marielle mexeu nas estruturas. Este foi um recado para que as mulheres negras dêem passos atrás. Mas a gente vai se organizar mais, inclusive para disputar eleições e mostrar que este espaço é nosso por direito”, disse.

Em entrevista no Rio, o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que vai acompanhar pessoalmente as investigações e que os responsáveis pelo crime “bárbaro”serão encontrados e punidos a qualquer custo.