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Maia adianta discurso de Bolsonaro na ONU: “mostrar avanços do Brasil”

Em passagem por Curitiba nesta segunda-feira (23), Rodrigo Maia disse que o discurso do presidente de Jair Bolsonaro na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas será voltado aos avanços do país.

O presidente da Câmara se reuniu com Bolsonaro no último sábado (21) e declarou que todos os brasileiros são radicalmente contrários a qualquer tipo de desmatamento ou queimada em área ilegal.

“Eu conversei com ele e me deu a impressão que ele vai fazer um discurso mostrando tudo que o Brasil teve de avanços e que o Brasil tem problemas, mas que não está se negando a resolver os problemas das queimadas em área ilegal”, revelou.

“Tenho certeza que ninguém do governo, muito menos o presidente, defende que se queime ou se desmate nenhuma área aonde é proibido qualquer tipo de mudança no meio ambiente”, completou o parlamentar.

Maia esteve na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para discutir, com deputados federais e estaduais, novas regras para concessões Públicas de Obras e Serviços, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e Fundos de Investimentos em Infraestrutura.

BOLSONARO NOS EUA

Bolsonaro viajou para os Estados Unidos nesta segunda-feira (23) e, segundo o UOL, foi recebido em Nova York com protestos pela Amazônia. O presidente deve retornar ainda nesta terça-feira (24), após o encontro com diversos líderes mundiais.

Há uma expectativa por um suposto jantar de Bolsonaro com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, mas a informação não está confirmada.

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Em recado a Bolsonaro, Maia prega cuidado com excludente de ilicitude

Em passagem por Curitiba, Rodrigo Maia pregou cautela na análise sobre a excludente de ilicitude, tema abordado no pacote anticrime. Segundo o presidente da Câmara, o projeto do ministro Sergio Moro (da Justiça e Segurança Pública) deve ir à votação no Congresso Nacional dentro de três semanas e a tendência é até 70% do texto deva ser aprovado.

O assunto ganhou destaque após a morte de Ágatha Vitória Sales Félix. A menina de oito anos foi assassinada no Complexo do Alemão com um tiro de fuzil nas costas. Familiares e moradores atribuem o ataque à Polícia Militar do Rio de Janeiro, que nega.

“Esse tema é polêmico. Da forma como esteja escrito, você pode estar de fato protegendo um policial em combate ou liberando demais para que uma vítima possa perder a vida. É uma decisão que tem que ser feita mais sem a emoção, com cuidado e cautela. O equilíbrio é o que leva o Brasil ao melhor caminho para a Legislação sobre esse tema”, disse.

A defesa é um recado para o presidente Jair Bolsonaro. Com o excludente de ilicitude, o governo pretende preservar juridicamente policiais que matam em serviço e perdoar agentes de segurança presos por violência policial.

“Pode ampliar demais a possibilidade da ação do policial. Sabemos que o problema da segurança pública precisa de um trabalho muito grande de prevenção, investimento em tecnologia e nas fronteiras”, completou Maia.

MUDANÇA NA POSIÇÃO DE MORO

Além disso, Maia também apontou que o ministro Sergio Moro teve uma mudança em sua postura. O ex-juiz federal se manifestou e declarou que a morte de Ágatha não tem qualquer relação com a proposta de legítima defesa constante no pacote anticrime.

“O ministro Moro tinha, no começo do ano, posições divergentes do que ele defendeu ontem e hoje em relação ao excludente. A posição dele (Moro) era muito mais na defensiva, como se fosse uma posição do presidente e não dele, do que tem hoje. Ele mudou de posição, é legítimo, respeito a posição do ministro”, finalizou Maia, dizendo que não queria polemizar.

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Reforma Tributária: Greca pede a Maia atenção aos municípios

Em visita a Curitiba, o presidente da Câmara dos Deputado Rodrigo Maia (DEM) se reuniu com o prefeito Rafael Greca (DEM). No encontro, o chefe do Executivo pediu uma atenção especial aos municípios durante as discussões da Reforma Tributária.

Greca defendeu a manutenção dos impostos que garantem os repasses que custeiam os serviços públicos de saúde e educação.

“Defendemos a correspondência fiscal entre serviços públicos prestados, inclusive por número de habitantes, no caso dos grandes e médios municípios, e os impostos que são arrecadados”, argumentou o prefeito de Curitiba Rafael Greca.

Reforma Tributária

Rodrigo Maia acredita que deve pautar a Reforma Tributária até o final do ano. Além das discussões na Câmara dos Deputados, a matéria ainda precisa passar pelo crivo do Senado Federal antes de ser encaminhada para sanção ou vento do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

PGR: Alcides Martins traz de volta procuradores da Lava Jato que pediram demissão por discordarem de Dodge

Integrantes do grupo de trabalho da Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República vão retornar imediatamente às suas funções.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18) por Alcides Martins, novo procurador-geral da República, que assumiu o cargo interinamente, após cerimônia de posse na instituição.

Seis procuradores da equipe haviam pedido demissão coletiva no apagar das luzes da gestão de Raquel Dodge por discordar da postura dela em relação à delação premiada do ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro.

Dodge enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido para homologar 105 anexos da colaboração, mas requereu que outros quatro fossem arquivados, sob o argumento de que não foram apresentados pelo empresário indícios mínimos dos crimes apontados.

Os anexos se referiam a supostas irregularidades cometidas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de um irmão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, do ministro do STJ (superior Tribunal de Justiça) Humberto Martins e do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro José Múcio Monteiro.

Maia foi a única autoridade do Congresso a comparecer a passagem de cargo de Dodge para o interino nesta quarta.

Além de Martins, o subprocurador da República Augusto Aras, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar a chefia da PGR como titular, já sinalizou que pretende manter os seis procuradores do grupo de trabalho. O Senado ainda precisa sabatiná-lo e aprovar a indicação. A expectativa é de que isso ocorra até o fim da semana que vem.

Martins deve publicar uma portaria ainda nesta quarta nomeando os integrantes da equipe da Lava Jato. “Convidei os colegas a retomarem os seus postos, o que ocorrerá imediatamente”, disse ele.

Em discurso, Martins informou que pretende dar continuidade ao trabalho de Dodge, cujo mandato foi de dois anos. Ele afirmou que também vai manter o vice-procurador geral da República, Luciano Mariz Maia, e o vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros.

 

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Demissão de Cintra não atrapalha reforma tributária da Câmara, diz Maia

A demissão de Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal, pelo ministro Paulo Guedes (Economia) não atrapalha a reforma tributária que está sendo discutida na Câmara dos Deputados, afirmou, na tarde desta quarta-feira (11), o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo ele, as negociações com o governo envolvendo o projeto apresentado pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) não serão afetadas pela saída de Cintra. “Porque nós estamos andando.

Recebemos hoje os 27 governadores que apresentaram um texto, pela primeira vez, todos unidos”, disse. “Um texto baseado na proposta do [economista Bernard] Appy e do Baleia com modificações que melhoram o texto, que ajudam a gente ter a federação unida.”

Cintra, que ocupava o cargo desde o início do governo de Jair Bolsonaro, foi demitido nesta quarta por Guedes. A queda ocorreu após a divulgação antecipada de estudos para uma reforma tributária, incluindo a cobrança de uma taxação nos moldes da antiga CPMF. O auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto assume o cargo interinamente.

Questionado sobre por que avaliava que o secretário havia sido demitido, Maia disse não saber os motivos, mas lembrou que, historicamente, Cintra defendia um tema com grande rejeição na sociedade, “e isso reflete no plenário da Câmara.”

“Eu não sei se isso foi relevante para a decisão do presidente de pedir a demissão dele, mas me dá a impressão que é um pouco por aí”, disse. “Não sei se tem relação com algum problema interno dentro da Receita, mas, para o presidente da República ter pedido a cabeça dele para o ministro Paulo Guedes, deve ter tido algum motivo sério.”

Relator da reforma tributária na Câmara e líder da Maioria, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) disse que aguarda as sugestões do governo para a restruturação do sistema de impostos no país.

“O governo é um ator imprescindível nesse processo. O natural é que o governo enviasse uma proposta”.

Uma comissão na Câmara já analisa o projeto de reforma tributária de Appy, mas a expectativa era que a proposta do governo fosse incorporada no debate para que Ribeiro pudesse usar sugestões também da equipe econômica. A previsão é que a comissão funcione até novembro.

Ribeiro não vê chance de uma “nova CPMF” ser aprovada na Câmara, como queria Cintra. Interlocutores do Palácio do Planalto aguardavam o envio da proposta do Ministério da Economia já em agosto.

O atraso pode comprometer os planos do governo de conseguir emplacar sua proposta própria de reforma tributária no Congresso, avaliam interlocutores de Bolsonaro.
Para o líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), a demissão de Cintra “já veio tarde”.”Eu não posso conceber que o presidente [Jair Bolsonaro] diz que [a CPMF] não volta, o presidente da Câmara diz que não volta, o presidente do Senado [Davi Alcolumbre], e ele ficava insistindo na tese.”

Rodrigo Maia - Carlos Bolsonaro

Rodrigo Maia diz que frase de Carlos Bolsonaro gera insegurança ao país

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (10) que não cabe num país democrático a declaração do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) segundo a qual, por vias democráticas, não haverá as mudanças rápidas desejadas no país.

“Eu preferia nem comentar esse assunto, porque é uma declaração que não cabe num país democrático”, disse Maia a jornalistas ao chegar à Câmara. “Mas a gente viu o que aconteceu com a Venezuela, são mais de mil venezuelanos todos os dias passando a fronteira para o Brasil, pessoas passando fome, necessidade. É isso que deu a pressa da Venezuela sem um sistema democrático”, afirmou.

Na segunda-feira, em postagem alvo de críticas de políticos e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Carlos escreveu: “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”

“Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança de empresários brasileiros e estrangeiros”, afirmou Maia. “A gente tem que tomar cuidado com as nossas narrativas porque muitas vezes são além de frases mal colocadas, causam danos ao povo mais carente brasileiro.”

Para o presidente da Câmara, é preciso que figuras públicas prestem mais atenção às falas. “A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre”, disse.

Maia tem evitado bater de frente com o governo de Jair Bolsonaro neste segundo semestre, e não havia se pronunciado até a tarde desta quarta sobre a declaração de Carlos.

O entendimento de aliados do presidente é de que rebater declarações aumenta a visibilidade do vereador. O presidente tem adotado postura de não polemizar com as falas do Planalto. No caso da Amazônia, por exemplo, ele buscou se distanciar de Bolsonaro sem fazer ataques diretos ao presidente.

A postagem inicial de Carlos Bolsonaro recebeu uma série de críticas. Além de Rodrigo Maia, falaram a respeito o presidente interino, Hamilton Mourão (PRTB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o governador paulista, João Doria (PSDB).

Segundo pesquisa Datafolha feita no mês passado, 70% da população diz acreditar que os filhos de Jair Bolsonaro mais atrapalham do que ajudam seu governo.

Nesta terça, Mourão defendeu a importância do regime democrático e disse que é possível aprovar medidas com mais celeridade negociando com o Poder Legislativo.

O general da reserva salientou que, se não fosse o regime democrático, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não teria chegado ao comando do Poder Executivo e afirmou que o atual sistema político representa um dos “pilares da civilização ocidental”.

Para o presidente do Senado, as declarações como a de Carlos Bolsonaro merecem desprezo porque a democracia está fortalecida. “O Senado Federal, o Parlamento brasileiro, a democracia estão fortalecidos. As instituições todas estão pujantes, trabalhamos a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a este enfraquecimento tem, da minha parte, o meu desprezo”, reagiu Davi Alcolumbre.

Já Ciro Gomes cobrou uma declaração pública do presidente Jair Bolsonaro em relação à frase de seu filho, enquanto Doria disse pensar o oposto de Carlos.

Diante da repercussão, Carlos Bolsonaro justificou nesta terça-feira (10) sua afirmação de um dia antes.

O vereador chamou jornalistas de “canalhas” por terem, segundo ele, interpretado de forma equivocada a frase postada por ele na segunda-feira (9). Disse ainda que a declaração sobre democracia se trata de uma justificativa aos que pedem mudanças urgentes, e não uma defesa dele da ditadura militar (1964-85).

“O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS! “, tuitou.

As postagens de Carlos foram feitas enquanto seu pai está internado em São Paulo após passar por cirurgia no domingo (8), a quarta decorrente da facada que levou há um ano durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Carlos Bolsonaro pediu licença não remunerada da Câmara Municipal do Rio de Janeiro no último dia 6 de setembro. A comunicação foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da Casa. Desde sábado (7) acompanhando o pai, ele tem dormido no Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo.

PF finaliza atribui a Maia corrupção, lavagem de dinheiro e ‘caixa três’

A Polícia Federal atribuiu ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) e lavagem de dinheiro ao concluir inquérito sobre supostos repasses da Odebrecht ao deputado e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro e atual vereador César Maia (DEM).

O relatório das investigações foi finalizado em 22 de agosto e remetido ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Ele abriu prazo de 15 dias para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decida, com base nas provas reunidas pela PF, se denuncia Maia ou arquiva o caso.

As investigações sobre Maia foram abertas a partir da delação de executivos da Odebrecht, que apresentaram como provas planilhas do chamado departamento de propinas do grupo. Nelas, Maia e o pai são identificados por codinomes, como destinatários de recursos ilícitos.

Segundo o relatório da PF, o presidente da Câmara e o ex-prefeito cometeram corrupção passiva ao solicitar e receber da empreiteira doações indevidas em 2008, 2010, 2011 e 2014. A contrapartida seria o exercício de influência do grupo sobre os dois e outros políticos fluminenses em projetos de interesse da empresa.

Os recursos teriam sido entregues em espécie, o chamado caixa dois, e também por meio de doações eleitorais do Grupo Petrópolis, supostamente usado pela empreiteira para terceirizar suas contribuições. É o que os investigadores chamam de caixa três.

Os delegados Bernardo Guidali Amaral e Orlando Cavalcanti Neves Neto, que assinam a peça enviada a Fachin, sustentam que Maia e o pai fizeram solicitações indevidas de R$ 1,8 milhão entre 2008 e 2010.

Eles teriam recebido pagamentos de R$ 1,6 milhão, em espécie, em 2008, 2010, 2011 e 2014. Parte significativa, cerca de R$ 750 mil, teria sido repassada quando os dois não eram candidatos (R$ 300 mil em 2008) ou fora do período eleitoral (R$ 450 mil em dezembro de 2010 e janeiro de 2011).

A PF sustenta que Maia e o pai praticaram o chamado caixa três especificamente em 2010 e 2014, quando apresentaram apenas as informações formais do recebimento de doações oficiais de empresas do Grupo Petrópolis. Essas contribuições, segundo delatores, teriam sido feitas a pedido da Odebrecht.

Os dois também teriam praticado lavagem de dinheiro quando, naqueles mesmos anos, “ocultaram e dissimularam a origem” desses recursos, supostamente com o objetivo de “dar lastro e legitimar” o recebimento valores indevidos com as doações eleitorais feitas por solicitação da Odebrecht.,

O empresário Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, é suspeito de lavagem de dinheiro.

As imputações ao congressista se dão uma semana após a Câmara, sob o comando dele, concluir a votação de projeto que endurece punições por abuso de autoridade de agentes públicos, incluindo juízes, promotores e policiais.

Criticado por investigadores, magistrados e o ministro da Justiça, Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, o texto já passou pelo Senado e vai seguiu para sanção presidencial.

Procurados pela reportagem, Maia e o pai ainda não se pronunciaram. A reportagem ainda não conseguiu contato com os demais implicados no relatório.

Rodrigo Maia - Carlos Bolsonaro

Maia diz que comissão pode aprovar Previdência na semana que vem

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse hoje (17) que a reforma da Previdência pode ser aprovada pela comissão especial que analisa o tema até o próximo dia 26. O parecer do relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), foi lido na última quinta-feira (13).

O texto foi criticado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo o qual, as alterações feitas na proposta inicial enviada pelo governo podem “abortar” a reforma. Para o ministro, entre os principais problemas, estão as mudanças nas regras de transição que reduziram substancialmente a economia projetada.

Rodrigo Maia disse que o posicionamento de Guedes teve efeito positivo. “A fala uniu o Parlamento, nos deu chance de estar mais próximos dos governadores e prefeitos. Tem crises ou críticas que vêm para bem. Essa é uma delas. Fortaleceu a certeza [de] que a Câmara e o Senado podem ter neste momento o papel [de] protagonista que nunca tiveram nos últimos 20 anos”, afirmou o presidente da Câmara depois de participar de um evento sobre transparências promovido pelo Grupo Bandeirantes.

Joaquim Levy

Maia comentou a demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy. Ele pediu para deixar o cargo ontem (16) após ser criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo Bolsonaro, o motivo do descontentamento com Levy foi a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES.

O presidente da Câmara defendeu Levy e Barbosa. “Queria que o Marcos Pinto pudesse ser aproveitado em uma área de um debate importante sobre economia com viés social. Ele é um dos melhores do Brasil nessa área. Demitir faz parte da vida, é um direito do governo, mas da forma como foi feito, criou suspeição sobre o Marcos Pinto. Esse advogado que foi demitido do BNDES é um dos quadros que mais entendem de política econômica do ponto de vista social no Brasil”, ressaltou Maia, que elogiou a trajetória de ambos e os serviços que prestaram ao país.

Maia diz que governo virou ‘usina de crises’

Por Anais Fernandes, Thais Arbex e Angela Boldrini

Em resposta a Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (14) que o ministro da Economia é injusto em suas críticas ao relatório da reforma da Previdência apresentado na véspera e que o governo se tornou uma “usina de crises”.

“Nós blindamos a reforma da Previdência de crises que são, muitas vezes, geradas quase todos os dias pelo governo. Cada dia um ministério gerando uma crise. Hoje, infelizmente, é o meu amigo Paulo Guedes, gerando uma crise desnecessária”, afirmou Maia a jornalistas.

O presidente da Câmara disse que, sozinho, o governo teria 50 votos a favor da reforma, “e não a possibilidade de 350 que nós temos”.

“Acho que o ministro Paulo Guedes não está sendo justo com o Parlamento que tem comandado sozinho a articulação para aprovação da Previdência”, afirmou.

Maia disse que o Congresso se tornou “o bombeiro” de crises no país e que a tramitação da reforma pode inaugurar “um novo momento em que o governo tem menos responsabilidade com o comando da aprovação das matérias e o Parlamento passa a assumir essa responsabilidade”.

“Nós blindamos o Parlamento. A usina de crise bate e volta. Fique lá no Executivo, no ministério da Fazenda, da Educação criadores de crise”, afirmou.

Maia elogiou “o trabalho brilhante” do relator da reforma na comissão especial, o deputado Samuel Moreira (PSDB). “Na democracia, nossas vitórias não são absolutas, isso que o ministro Paulo Guedes talvez não saiba.”

Na noite desta sexta, Moreira se manifestou pela primeira vez desde a troca de farpas entre Guedes e o Congresso. Pelas redes sociais, o deputado disse que seu papel como relator é construir consensos, e não alimentar intrigas. “Tenho responsabilidade com o Brasil e compromisso com a reforma da Previdência.”

Maia disse que o Congresso vai continuar atuando com “responsabilidade, equilíbrio e paciência”.

“Não vamos entrar nessa polêmica, nessa falsa crise. É triste ver o ministro fazendo isso. Deixa o governo criando crise”, disse.

Apesar disso, Maia negou que se sinta traído pelo ministro da Economia. Mas disse que, “infelizmente, Paulo Guedes passa a ser um ator dessas crises.”

Maia afirmou que a Câmara vai aprovar a reforma da Previdência “apesar do governo” e com uma garantia de economia na casa de R$ 900 bilhões em dez anos, o que, segundo ele, “é uma grande economia para um governo que não tem base”. O projeto original previa R$ 1,2 trilhão.

O presidente da Câmara rebateu afirmação de Guedes segundo a qual, com a redução da economia fiscal, o próximo governo precisará fazer outra reforma nas aposentadorias.

“Eu acho que ele [Guedes] está errado [ao criticar a desidratação do projeto]. A economia de R$ 900 bilhões é muito próxima de R$ 1 trilhão. Acho que ele foi injusto com o Parlamento. Pedi que os líderes não falassem antes de mim, falo em nome da Casa, inclusive de quem é contrário à reforma da Previdência”, disse Maia.

Militares

Em relação às críticas de Guedes sobre regras de transição para servidores incluídas no relatório, Maia afirmou que “gostaria muito que o ministro Paulo Guedes explicasse a transição que ele assinou para as Forças Armadas”.

Segundo ele, a transição dos militares seria cinco vezes mais branda do que a proposta pelo relator aos servidores.

Maia diz que o pedágio para os militares cobra acréscimo de 17% sobre o tempo que falta para deixar a ativa, enquanto na regra dos servidores haveria pedágio de 100%.

“Quem fez uma transição que beneficiou as corporações foi o ministro Paulo Guedes e o presidente da República”, afirmou. Ele disse ainda que as regras para as Forças Armadas pressionaram as corporações sobre o Parlamento, em uma referência à afirmação de Guedes de que o Congresso cedeu a lobby.

Maia reforçou que a ideia é votar o projeto na comissão especial por volta do dia 25 de junho, para possibilitar levar o texto a plenário em julho. Disse também que atua para tentar reincluir no texto ainda durante a comissão estados e municípios.

“Espero que seja lá [na comissão]. Mas [se não passar na comissão] depois [vamos tentar] no plenário”, afirmou.
Sobre o regime de capitalização, que também foi retirado do relatório, Maia disse que o modelo pode ser votado no segundo semestre. “Inclusive, os partidos de esquerda têm uma ótima proposta de capitalização, do deputado Mauro Benevides [PDT-CE]”, afirmou.

Repercussão

Na Câmara, a fala do ministro Paulo Guedes repercutiu mal. O vice-presidente da Câmara e presidente do PRB, Marcos Pereira (SP), endossou Maia e disse que a declaração de Guedes não ajuda a reforma. “Pelo contrário atrapalha, na medida em que cria um desconforto com o Parlamento”, disse.

Líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA), afirmou que a “ingratidão é um defeito muito grave”.

“Nós não sabíamos dessa caracteriza do Paulo Guedes, da ingratidão. Ainda mais depois de tudo que fizemos, principalmente o presidente Rodrigo Maia, para blindá-lo dos ataques da oposição quando ele foi sabatinado na Câmara. A ingratidão é um feito muito grave”, disse.

Para Nascimento, as declarações de Guedes refletem o descontentamento do ministro com o fato de a capitalização ter ficado fora do texto da reforma da Previdência.

“A capitalização pode ser tranquilamente tratada em outra PEC. Não adianta querer colocar tudo e perder”, disse, ressaltando que o trecho não tinha consenso entre parlamentares e poderia, em última instância, até inviabilizar a proposta.

Maia diz que blindará Câmara e reformas de qualquer crise

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (11) que irá “blindar a Câmara de qualquer crise”.

Sem fazer referência direta ao caso das mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e procuradores da Lava Jato na época que era juiz, o deputado diz que o foco da Casa são as reformas.

“Vamos blindar a Câmara de qualquer crise. Nosso esforço e nosso foco está na aprovação das reformas e de todos os projetos que são essenciais para o Brasil. Nada é mais importante do que o resgate da confiança, com o equilíbrio das contas públicas e a geração de empregos no país”, escreveu Maia no Twitter.

O presidente ainda não havia se pronunciado sobre a crise envolvendo o ministro da Justiça. A oposição na Câmara anunciou na segunda-feira (10) que irá obstruir todas as votações no Congresso, pleiteando que Moro seja afastado do cargo.

A semana é crucial para o governo no Legislativo: ele precisa aprovar um crédito suplementar de R$ 248 bilhões em sessão do Congresso, e o relatório final da Previdência deve ser apresentado à comissão especial na quinta-feira (13).

De acordo com os diálogos revelados pelo site The Intercept Brasil, Moro e Deltan Dallagnol trocavam colaborações sobre casos.

Nas conversas, membros da força-tarefa fazem referências ao caso que levou à prisão do ex-presidente Lula por causa do tríplex de Guarujá. Nele, o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.