Rodrigo Maia - Carlos Bolsonaro

Maia diz que comissão pode aprovar Previdência na semana que vem

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse hoje (17) que a reforma da Previdência pode ser aprovada pela comissão especial que analisa o tema até o próximo dia 26. O parecer do relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), foi lido na última quinta-feira (13).

O texto foi criticado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo o qual, as alterações feitas na proposta inicial enviada pelo governo podem “abortar” a reforma. Para o ministro, entre os principais problemas, estão as mudanças nas regras de transição que reduziram substancialmente a economia projetada.

Rodrigo Maia disse que o posicionamento de Guedes teve efeito positivo. “A fala uniu o Parlamento, nos deu chance de estar mais próximos dos governadores e prefeitos. Tem crises ou críticas que vêm para bem. Essa é uma delas. Fortaleceu a certeza [de] que a Câmara e o Senado podem ter neste momento o papel [de] protagonista que nunca tiveram nos últimos 20 anos”, afirmou o presidente da Câmara depois de participar de um evento sobre transparências promovido pelo Grupo Bandeirantes.

Joaquim Levy

Maia comentou a demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy. Ele pediu para deixar o cargo ontem (16) após ser criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo Bolsonaro, o motivo do descontentamento com Levy foi a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES.

O presidente da Câmara defendeu Levy e Barbosa. “Queria que o Marcos Pinto pudesse ser aproveitado em uma área de um debate importante sobre economia com viés social. Ele é um dos melhores do Brasil nessa área. Demitir faz parte da vida, é um direito do governo, mas da forma como foi feito, criou suspeição sobre o Marcos Pinto. Esse advogado que foi demitido do BNDES é um dos quadros que mais entendem de política econômica do ponto de vista social no Brasil”, ressaltou Maia, que elogiou a trajetória de ambos e os serviços que prestaram ao país.

Maia diz que governo virou ‘usina de crises’

Por Anais Fernandes, Thais Arbex e Angela Boldrini

Em resposta a Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (14) que o ministro da Economia é injusto em suas críticas ao relatório da reforma da Previdência apresentado na véspera e que o governo se tornou uma “usina de crises”.

“Nós blindamos a reforma da Previdência de crises que são, muitas vezes, geradas quase todos os dias pelo governo. Cada dia um ministério gerando uma crise. Hoje, infelizmente, é o meu amigo Paulo Guedes, gerando uma crise desnecessária”, afirmou Maia a jornalistas.

O presidente da Câmara disse que, sozinho, o governo teria 50 votos a favor da reforma, “e não a possibilidade de 350 que nós temos”.

“Acho que o ministro Paulo Guedes não está sendo justo com o Parlamento que tem comandado sozinho a articulação para aprovação da Previdência”, afirmou.

Maia disse que o Congresso se tornou “o bombeiro” de crises no país e que a tramitação da reforma pode inaugurar “um novo momento em que o governo tem menos responsabilidade com o comando da aprovação das matérias e o Parlamento passa a assumir essa responsabilidade”.

“Nós blindamos o Parlamento. A usina de crise bate e volta. Fique lá no Executivo, no ministério da Fazenda, da Educação criadores de crise”, afirmou.

Maia elogiou “o trabalho brilhante” do relator da reforma na comissão especial, o deputado Samuel Moreira (PSDB). “Na democracia, nossas vitórias não são absolutas, isso que o ministro Paulo Guedes talvez não saiba.”

Na noite desta sexta, Moreira se manifestou pela primeira vez desde a troca de farpas entre Guedes e o Congresso. Pelas redes sociais, o deputado disse que seu papel como relator é construir consensos, e não alimentar intrigas. “Tenho responsabilidade com o Brasil e compromisso com a reforma da Previdência.”

Maia disse que o Congresso vai continuar atuando com “responsabilidade, equilíbrio e paciência”.

“Não vamos entrar nessa polêmica, nessa falsa crise. É triste ver o ministro fazendo isso. Deixa o governo criando crise”, disse.

Apesar disso, Maia negou que se sinta traído pelo ministro da Economia. Mas disse que, “infelizmente, Paulo Guedes passa a ser um ator dessas crises.”

Maia afirmou que a Câmara vai aprovar a reforma da Previdência “apesar do governo” e com uma garantia de economia na casa de R$ 900 bilhões em dez anos, o que, segundo ele, “é uma grande economia para um governo que não tem base”. O projeto original previa R$ 1,2 trilhão.

O presidente da Câmara rebateu afirmação de Guedes segundo a qual, com a redução da economia fiscal, o próximo governo precisará fazer outra reforma nas aposentadorias.

“Eu acho que ele [Guedes] está errado [ao criticar a desidratação do projeto]. A economia de R$ 900 bilhões é muito próxima de R$ 1 trilhão. Acho que ele foi injusto com o Parlamento. Pedi que os líderes não falassem antes de mim, falo em nome da Casa, inclusive de quem é contrário à reforma da Previdência”, disse Maia.

Militares

Em relação às críticas de Guedes sobre regras de transição para servidores incluídas no relatório, Maia afirmou que “gostaria muito que o ministro Paulo Guedes explicasse a transição que ele assinou para as Forças Armadas”.

Segundo ele, a transição dos militares seria cinco vezes mais branda do que a proposta pelo relator aos servidores.

Maia diz que o pedágio para os militares cobra acréscimo de 17% sobre o tempo que falta para deixar a ativa, enquanto na regra dos servidores haveria pedágio de 100%.

“Quem fez uma transição que beneficiou as corporações foi o ministro Paulo Guedes e o presidente da República”, afirmou. Ele disse ainda que as regras para as Forças Armadas pressionaram as corporações sobre o Parlamento, em uma referência à afirmação de Guedes de que o Congresso cedeu a lobby.

Maia reforçou que a ideia é votar o projeto na comissão especial por volta do dia 25 de junho, para possibilitar levar o texto a plenário em julho. Disse também que atua para tentar reincluir no texto ainda durante a comissão estados e municípios.

“Espero que seja lá [na comissão]. Mas [se não passar na comissão] depois [vamos tentar] no plenário”, afirmou.
Sobre o regime de capitalização, que também foi retirado do relatório, Maia disse que o modelo pode ser votado no segundo semestre. “Inclusive, os partidos de esquerda têm uma ótima proposta de capitalização, do deputado Mauro Benevides [PDT-CE]”, afirmou.

Repercussão

Na Câmara, a fala do ministro Paulo Guedes repercutiu mal. O vice-presidente da Câmara e presidente do PRB, Marcos Pereira (SP), endossou Maia e disse que a declaração de Guedes não ajuda a reforma. “Pelo contrário atrapalha, na medida em que cria um desconforto com o Parlamento”, disse.

Líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA), afirmou que a “ingratidão é um defeito muito grave”.

“Nós não sabíamos dessa caracteriza do Paulo Guedes, da ingratidão. Ainda mais depois de tudo que fizemos, principalmente o presidente Rodrigo Maia, para blindá-lo dos ataques da oposição quando ele foi sabatinado na Câmara. A ingratidão é um feito muito grave”, disse.

Para Nascimento, as declarações de Guedes refletem o descontentamento do ministro com o fato de a capitalização ter ficado fora do texto da reforma da Previdência.

“A capitalização pode ser tranquilamente tratada em outra PEC. Não adianta querer colocar tudo e perder”, disse, ressaltando que o trecho não tinha consenso entre parlamentares e poderia, em última instância, até inviabilizar a proposta.

Maia diz que blindará Câmara e reformas de qualquer crise

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (11) que irá “blindar a Câmara de qualquer crise”.

Sem fazer referência direta ao caso das mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e procuradores da Lava Jato na época que era juiz, o deputado diz que o foco da Casa são as reformas.

“Vamos blindar a Câmara de qualquer crise. Nosso esforço e nosso foco está na aprovação das reformas e de todos os projetos que são essenciais para o Brasil. Nada é mais importante do que o resgate da confiança, com o equilíbrio das contas públicas e a geração de empregos no país”, escreveu Maia no Twitter.

O presidente ainda não havia se pronunciado sobre a crise envolvendo o ministro da Justiça. A oposição na Câmara anunciou na segunda-feira (10) que irá obstruir todas as votações no Congresso, pleiteando que Moro seja afastado do cargo.

A semana é crucial para o governo no Legislativo: ele precisa aprovar um crédito suplementar de R$ 248 bilhões em sessão do Congresso, e o relatório final da Previdência deve ser apresentado à comissão especial na quinta-feira (13).

De acordo com os diálogos revelados pelo site The Intercept Brasil, Moro e Deltan Dallagnol trocavam colaborações sobre casos.

Nas conversas, membros da força-tarefa fazem referências ao caso que levou à prisão do ex-presidente Lula por causa do tríplex de Guarujá. Nele, o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

Presidente da Câmara pretende votar reforma da Previdência até julho

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou nesta segunda-feira (3) que pode pautar a proposta de reforma da Previdência (PEC 6/2019) para votação no plenário da Casa no mês de julho. Para garantir quórum alto de presença, Maia está barrando pedidos de viagem de deputados após o feriado de Corpus Christi, no dia 20 deste mês.

Segundo o deputado, o quórum da Casa terá que estar perto de 500 deputados. Maia disse que todos os pedidos de viagem após 20 de junho estão sendo negados para que se possa, a partir dessa data, voltar a atingir o quórum de 500, 505 deputados. “Hoje estamos na média com 475, 480, e a gente precisa recuperar esses 20 para ter uma margem tranquila para aprovar a Previdência já no final do mês ou no início do mês que vem”, afirmou o presidente da Câmara.

Além do feriado, os meses de junho e julho são marcados pelas festas juninas, que costumam atrair os parlamentares para suas bases políticas e, assim, esvaziam as votações do plenário. A perspectiva de Rodrigo Maia é garantir a votação antes do recesso legislativo, que começa no dia 18 de julho. Por ser tratar de proposta de emenda à Constituição (PEC), o texto precisa ser aprovado em dois turnos por 308 deputados antes de seguir para o Senado.

“A gente tem que ter 350 [votos] prontos para votar para ter a garantia que vão sobrar uns 320, 330. Se a gente conseguisse uma pactuação com todos os governadores, do PSB, do PT, do DEM, do MDB, do PSDB, aí, sim, a gente poderia estar sonhando com o número de 400 deputados. Seria uma sinalização histórica, uma votação histórica, com uma sinalização muito forte para toda a sociedade [de] que nós vamos tirar os temas que são da questão fiscal, previdenciária, do nosso embate ideológico, vamos racionalizar esse tema”, afirmou.

Tramitação

Nesta terça-feira (4), a comissão especial que analisa a proposta que altera as regras de aposentadoria promoverá um seminário com pesquisadores de diversos países para troca de experiências em previdência social. Depois disso, o relatório já poderá ser votado no colegiado.

A proposta de reforma da Previdência recebeu 277 sugestões de alteração ao texto. As emendas serão analisadas pelo relator da comissão, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que pode acatá-las, ou não, no todo ou em parte. Moreira tem afirmado que apresentará o relatório até o dia 15 de junho. O relator, no entanto, declarou que pode antecipar a conclusão do trabalho.

“Nós continuamos com o prazo até o dia 15, mas estamos também no esforço de ajudar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a cumprir o cronograma que ele deseja. Portanto, nós podemos até adiantar um pouco, mas sempre dentro desse prazo de, no máximo, até o dia 15. Mas é possível que até o final da semana que vem, no começo da outra, a gente entregue esse relatório”, disse Moreira.

Nenhum projeto que chega ao Parlamento é perfeito, diz Maia

Em meio a mais uma crise entre o Planalto e o Congresso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (20), que “nenhum projeto que chega ao Parlamento é perfeito” e que, nas redes sociais, “os radicalismos se sobrepõem ao diálogo”.

“Nenhum projeto que chega ao Parlamento é perfeito e não deve ser modificado ou ampliado, aqueles que entendem que aquilo que chega ao Parlamento não precisa ser debatido e muitas vezes até rejeitado, se a proposta não for boa, são aqueles que entendem que apenas uma parte da sociedade tem direito de participar dos debates e da construção das soluções para o país”, afirmou.

O presidente da Casa discursou em evento da OAB, em Brasília, ao receber estudo sobre o pacote anticrime.

Maia não cita diretamente os dois temas que têm causado maior polêmica entre Legislativo e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas últimas semanas: a reforma da Previdência e a medida provisória que reestrutura os ministérios.

A primeira está tramitando na comissão especial, e os deputados aventam apresentar um texto alternativo para a proposta.

Já a segunda tem que ser votada no plenário nas próximas duas semanas para não perder validade. Caso caduque, a estrutura ministerial retornará para aquela da gestão Michel Temer, com 29 ministérios, em vez dos 22 propostos por Bolsonaro.

“Muitas vezes os radicalismos se sobrepõem ao diálogo principalmente nas redes sociais, onde quem está no extremo tem mais espaço para aparecer que aquele que quer construir consensos como é natural numa democracia”, disse Maia.

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Maia diz ser contra projeto que libera proprietário rural a atirar em invasor

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta (2) não concordar com a proposta do governo Jair Bolsonaro de dar salvo-conduto a donos de terra que atirarem em quem tentar invadir suas propriedades. Maia, que está em viagem ao exterior, disse à Folha de S.Paulo não ter conversado sobre o tema com Bolsonaro no encontro de uma hora e meia que os dois tiveram no domingo (28).

“Não concordo. Ele conversou comigo sobre a posse estendida no campo [permitir o porte de arma não só na casa, mas em toda o perímetro da propriedade rural], isso eu concordo e acho que a maioria das pessoas concorda. O outro assunto ele não tratou comigo”, afirmou.

Maia não quis dizer se dará ou não prioridade a eventual projeto de salvo-conduto vindo do Executivo, se limitando a dizer ser contra a proposta.

No dia seguinte ao encontro com o deputado, Bolsonaro afirmou na Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) que enviará à Câmara dos Deputados o projeto de salvo-conduto. “Vai dar o que falar, mas uma maneira que nós temos de ajudar a combater a violência no campo é fazer com que, ao defender a sua propriedade privada ou a sua vida, o cidadão de bem entre no excludente de ilicitude. Ou seja, ele responde, mas não tem punição. É a forma que nós temos que proceder. Para que o outro lado, que desrespeita a lei, tema vocês, tema o cidadão de bem, e não o contrário.”

A “exclusão de ilicitude” citada pelo presidente está prevista no Código Penal, que estabelece não haver crime quando o ato for praticado em algumas situações, entre elas legítima defesa.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fez um breve comentário sobre o assunto na quarta (1º), afirmando que a promessa do presidente ainda é uma discussão “prematura”.

“São questões que estão sendo discutidas dentro do governo. Antes de ter no papel exatamente o que vai se propor, quais são os limites do que vai se propor e tal, é muito prematura essa discussão”, afirmou.

Para virar lei, tanto o projeto de extensão da posse para todo o perímetro da propriedade quanto eventual salvo-conduto precisam ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Nem Bolsonaro nem o governo disseram de que forma a proposta será enviada à Câmara, se por meio de projeto de lei ou por proposta de Emenda à Constituição. Nesse último caso, é preciso o apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores para aprovação.

Apesar de as intenções de Bolsonaro terem sido comemoradas por ruralistas, entidades ligadas aos trabalhadores rurais afirmam que as medidas devem agravar os conflitos no campo. Nos últimos 33 anos, disputas fundiárias deixaram quase 2.000 mortos no país, mas só 8% dos casos foram levados a julgamento. Além disso, especialistas em direito afirmam que o projeto de salvo-conduto conflita com a Constituição e poderá ser barrado no Supremo Tribunal Federal (STF) caso vire lei. A oposição a Bolsonaro também criticou a proposta.

“Bolsonaro quer mandar projeto para Câmara que isenta de punição proprietários rurais que atirarem em invasores de suas áreas. É autorização para permitir que os ruralistas façam a Justiça pelas próprias mãos e sem punição. Quer desencadear a guerra no campo”, escreveu nas redes sociais o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

“Bolsonaro, defensor da ditadura militar e do crime de tortura, pede democracia na Venezuela. Enquanto isso, aqui estimula o genocídio de pobres na cidade e no campo com licença para matar dado a policiais e ruralistas”, criticou, também nas redes, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Jerônimo Goergen (PP-RS), deputado federal ligado ao agronegócio e integrante da base do governo, defendeu a proposta. “O que o presidente está querendo dizer não é que poderá matar, mas para o ladrão não ir assaltar. É uma lei mais dura, um aviso de ‘não vai lá que pode morrer.”

Para ele, a lei se aplicaria não apenas a invasões de terra, mas a roubos de defensivos agrícolas, tratores e de animais.

Fachin arquiva apuração sobre repasses da Odebrecht a Renan e Maia

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e arquivou nesta segunda-feira (29) a parte de um inquérito que apurava supostos pagamentos de propina da Odebrecht ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O inquérito foi aberto em 2017, com base na delação da Odebrecht, para investigar pagamentos em troca da aprovação de três medidas provisórias pelo Congresso, entre 2009 e 2013 (as MPs de números 470, 472 e 613).

Inicialmente, havia cinco investigados: Renan, Maia, os ex-senadores Eunício Oliveira (MDB-CE) e Romero Jucá (MDB-RR), e o ex-deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA). Todos sempre negaram os crimes.

Vieira Lima já foi denunciado por Dodge em janeiro sob acusação de corrupção passiva.

Eunício e Jucá, conforme o pedido da PGR e a decisão de Fachin, continuarão sob investigação pela suposta venda de uma das MPs (a 613, que teria beneficiado a Braskem, indústria química do grupo Odebrecht).

O caso, porém, passará a tramitar na Justiça Federal em Brasília, porque Eunício e Jucá, que não se reelegeram, perderam o direito ao foro especial perante o Supremo.

Já em relação a Renan e Maia, Dodge afirmou, em manifestação ao STF no último dia 12, que não foram encontradas provas capazes de sustentar uma ação penal.

“A menção ao seu nome [de Renan] só emergiu a partir de um único relato, o de Cláudio de Melo Filho [delator da Odebrecht]. Os demais colaboradores que o mencionam repetem o ‘ouvir dizer’ que lhes foi reportado por Melo Filho. A investigação parou neste ponto. Finalmente, o mais importante: o sistema Drousys [sistema de informática usado no setor de propina da Odebrecht] não registrou seu nome ou codinome correspondente em 2013 [quando tramitou a MP 613]”, disse Dodge.

“O ponto de partida para a análise em relação ao deputado Rodrigo Maia também é Cláudio Melo Filho […]. O que foi dito pelos demais colaboradores a respeito de Maia, no episódio, é reprodução do que ouviram de Melo Filho”, narrou a procuradora-geral.

Ela ponderou que há no sistema Drousys da empreiteira registro de repasse de R$ 100 mil a “Botafogo”, apedido dado a Maia. “Porém, para embasar uma imputação criminal, esse indício não pode se apresentar isolado”, considerou Dodge.

Renan é alvo de outros 13 procedimentos no Supremo. Maia é investigado em outros dois. Em um deles, Maia e seu pai, o vereador do Rio César Maia (DEM-RJ), são suspeitos de receber caixa dois e propina da Odebrecht para campanhas de seu partido –nesse caso, perícia da Polícia Federal nos sistemas da empreiteira indicou registros de pagamentos de R$ 1,5 milhão a eles.

Sigilo de estudos sobre reforma da Previdência tem de cair em breve, diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considera que o sigilo determinado pelo governo sobre os estudos que embasam a reforma de Previdência deve cair quando a Comissão Especial da Câmara começar a debater o tema. A previsão é que a Comissão seja formada em 7 de maio.

“Isso vai ter de estar aberto no dia da instalação da Comissão Especial. Esses dados precisam estar abertos, ou não tem como começar a trabalhar”, avalia.

No domingo, reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que o Ministério da Economia decretou sigilo de pareceres técnicos que embasaram a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Previdência, impedindo acesso aos argumentos e estatísticas que sustentam o texto em tramitação.

“Isso [determinação do sigilo] foi uma decisão de curto prazo, que não sei se foi a melhor, mas na Comissão Especial não tem jeito: a primeira audiência vai ser a discussão sobre o impacto de cada uma das propostas que está apresentada na PEC”, disse.

Para o presidente da Câmara, a proposta da Previdência deve passar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) já na semana que vem.

TROCA DE CARGOS

Sobre a recente movimentação do governo, que já acena com troca de cargos como forma de atrair apoio dos deputados para o projeto da Previdência, Rodrigo Maia defendeu que as manobras sejam feitas com base em uma agenda.

“Acho que toda negociação tem que tá baseada em princípios, baseada numa agenda. A partir dos princípios e da agenda pactuada, aí você pode discutir espaços ou não no governo. Esta questão de discutir espaço solto no governo é a pior fórmula possível”, avaliou.

Para Maia, o governo saiu já está atrasado na construção de uma agenda e, principalmente, de uma base na Câmara.

“Hoje o governo tem apenas o PSL na base. O que é ruim. No sistema presidencialista quem comanda a agenda, o processo legislativo, é o poder Executivo”, afirmou.

LISBOA

Rodrigo Maia participou nesta segunda (22) do 7º Fórum Jurídico de Lisboa, evento organizado pelo IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público) e pela FGV, que tem coordenação do ministro Gilmar Mendes.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, o ministro do STF Alexandre de Moraes e outros políticos brasileiros e portugueses ligados ao universo jurídico também marcam presença no evento.

*** por Giuliana Miranda

Bolsonaro chama Maia de ‘irmão’ em reencontro após crise política

Na tentativa de arrefecer crise com o Poder Legislativo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez nesta terça-feira (9) deferências ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamando-lhe inclusive de “irmão”.

Os dois se viram nesta terça-feira (9) pela primeira vez desde que iniciaram, no final do mês passado, um embate público com troca de provocações. O encontro ocorreu na abertura da Marcha em Defesa dos Municípios.

No palco, ambos ficaram separados por apenas uma cadeira. Apesar da proximidade, não engataram conversa, embora tenham trocado elogios durante os discursos públicos e, ao final, posado abraçados para fotografias.

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O primeiro a fazer um aceno foi Maia. Em sua fala, disse ser um prazer estar em um mesmo evento que Bolsonaro e fez um apelo aos prefeitos para que apoiem a reforma previdenciária.

“Presidente Bolsonaro, um prazer estar com Vossa Excelência no evento de prefeitos”, disse.

Segundo ele, caso o Poder Legislativo não aprove modificações no atual regime de aposentadorias, a classe política não conseguirá “sair na rua nunca mais”.

“A reforma da Previdência vem organizar. Se nada for feito em relação a ela, nenhum de nós, políticos, vai conseguir sair na rua nunca mais”, afirmou.

Na sequência, foi a vez de Bolsonaro corresponder o gesto. Ele citou três vezes Maia em seu discurso. Em uma delas, disse ser um prazer estar com ele e o chamou de “irmão”.

“Prezado irmão Rodrigo Maia, é um prazer estar entre vocês”, afirmou, referindo-se também ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com quem conversou a maior parte do evento.

Eles trocaram poucas palavras nos momentos em que se cumprimentaram ao fim do discurso de cada um, ainda no palco, mas não chegaram a travar uma conversa.

“Como disse Maia, não gostaríamos de ter de fazer a reforma previdenciária, mas somos obrigados a fazê-la”, disse Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o DEM vem tentando viabilizar um encontro entre ambos, mas Maia ainda resiste neste primeiro momento. O partido, que detém três pastas ministeriais, discute aderir a uma futura base aliada.

Em evento na segunda-feira (8), Maia disse que desistiu de participar da articulação da reforma previdenciária porque foi mal compreendido. “Não vou ser mulher de malandro e ficar apanhando da base eleitoral do presidente”, afirmou.

Maia diz ter “perdido as condições” de ser articulador da reforma da Previdência

Por Angela Boldrini e Bernardo Caram

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (8) que “perdeu as condições” de ser o articulador político da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro, e que não pode mais falar em prazo ou número de votos que a proposta terá na Casa.

“Agora eu não tenho mais as condições que eu tinha um mês atrás de ser um articulador político [da reforma]. Eu perdi as condições de cumprir um papel porque fui mal compreendido, parecia que eu estava tentando me aproveitar de uma articulação”, afirmou Maia.

O presidente da Câmara se afastou da negociação política da reforma depois de se irritar com a maneira como Bolsonaro se relaciona com o Congresso.

Em evento promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico, o deputado disse que continua defendendo a aprovação da reforma e que irá pautá-la quando o governo entender que seja o caso, mas que não tem mais poder de falar sobre o número de votos que a proposta deve obter.

Questionado sobre se estava magoado com a ação de Bolsonaro, Maia disse que não. “Facilita a minha vida”, disse. “Eu esperava que no governo a gente poderia ter um governo de coalização, o presidente acha diferente e talvez ele esteja certo. Só não vou ficar no meio dessa briga tomando porrada da base eleitoral do presidente. Também não sou mulher de malandro, para tomar porrada e achar bom”, disse.

“Se o governo vai ganhar [ou não], pergunta para o ministro Onyx [Lorenzoni, da Casa Civil], disse. São necessários 308 votos para a aprovação de uma emenda constitucional. “Não falo mais de prazo, não falo mais de voto”, disse.

Segundo Maia, é prejudicial falar em número de votos antes de colocar o projeto em votação. “Não importa se o governo tem 200 votos hoje, o que importa é ter 308 votos no dia”, disse. Ele também afirmou que é preferível demorar para votar a reforma e conseguir uma economia maior do que votar rapidamente por uma economia menor.

Antes, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que também participa do evento, disse que não tem temperamento ou pretensão para assumir a articulação política da reforma.

“Eu não tenho a pretensão de ser coordenador político. Vocês viram meu desempenho lá”, afirmou Guedes nesta segunda, em referência à audiência pública na Câmara, na semana passada, que foi marcada por tom agressivo do ministro em uma reunião que foi encerrada antes da hora, com bate-boca e confusão. “Não tenho propriamente um bom temperamento para fazer essa função.”